Notas iniciais
Oi oi gente! Bem, é minha primeira fanfic de A Seleção e pode conter alguns erros. Por enquanto a classificação permanecerá baixa, pois ainda é uma fanfic simples e sem nada problemático, então pelo menos por enquanto não há sentido em mudar nada.

O próximo capítulo dependerá de como esse vai se sair, que também está bem simples.

Espero que gostem ;)

Arrumei os livros pela terceira vez naquele dia. Eu realmente não me importava em arrumá-los todos os dias, colocá-los um a um naquela maldita estante só porque todos os dias minha irmã fazia questão de espalhá-los pelo chão, mas três vezes ao dia? Bem que ela podia me dar uma folga, não?

— Desculpa.

Eu a fitei. Alba tinha apenas seis anos e ninguém conseguia resistir ao rosto angelical dela. Chegava a ser irritante.

— Tudo bem Alba. Mas, por favor, não mexa mais nesses livros. Sabe que a mamãe odeia bagunça.

Ela assentiu fervorosamente e pela milionésima vez desde que ela nasceu eu admiti que não conseguia resistir ao encanto daquela pestinha de olhos brilhantes.

— Hora da comida! — minha mãe gritou da cozinha.

Apenas revirei os olhos ao ver Alba correndo como uma esfomeada até a sala de jantar. Nós somos Três e mesmo com isso mamãe sempre tentou nos criar da melhor e mais humilde maneira possível. Sempre dizia que ninguém podia se segurar ao dinheiro porque ele podia fugir num piscar de olhos. Nunca reclamei. Nunca nos faltou nada mesmo tendo apenas ela como fonte de renda, meu pai, Joshua, havia morrido depois do nascimento de Alba e meu irmão mais velho, Enzo, fugira no dia seguinte. Era apenas eu, minha mãe e minha irmã.

— Cristina! Venha logo! Ou você vai querer comer só as sobras?

— Como consegue ser tão paciente dona Aurora? — perguntei rindo.

Ela apenas me lançou um olhar divertido e jogou o pano de prato na minha cara.

— Senta logo garota.

— Tão doce e gentil também — revidei irônica ainda rindo.

Aurora Adams era assim, nada menos do que a melhor mãe que eu poderia ter. Além de uma arquiteta excelente, talvez a melhor da cidade, era a melhor cozinheira do mundo e fazia o melhor cookie da história de Illéa. A morte do meu pai não a afetara tanto assim, na verdade, não afetou muita gente. Joshua até era um homem legal, mas só quando estava sóbrio, o que era bem raro. E minha mãe só chorou pela perda desse lado sóbrio dele. Mas Enzo... ele sim conseguiu despedaça-la por dentro. Fugir era a última coisa que alguém poderia esperar de uma criança como ele. Sempre tão gentil, educado, prestativo, um irmão presente só um ano mais velho que eu e que simplesmente sumiu sem deixar qualquer rastro para trás. Não havia mais nada dele naquela casa, nenhum livro ou foto, ele havia levado tudo.

Mas aquilo fora há seis anos. E tínhamos que seguir em frente.

— Cris eu preciso da sua ajuda hoje, pode ser? — minha mãe perguntou, tirando-me desses pensamentos fora de hora.

— Não vou ter que ir ao mercado de novo, né? — temi já arregalando os olhos. Aquele lugar me assustava, não pelo aglomerado de pessoas e sim pela briga que elas faziam por comida. Nem os de Castas mais baixas faziam isso.

— Bem, sim — ela respondeu já rindo — Mas não pela comida. Preciso que entregue alguns projetos para o dono de uma loja de lá, o senhor Thomas. Ele vai me ajudar em algumas coisas, junto com a mulher dele.

— Não pode ir?

— Não, hoje haverá uma reunião na escola da Alba e não posso adiar a entrega dos projetos. Vai me ajudar?

Bufei. Eu odiava ir naquele lugar. Mas sabe aquele olhar encantador da Alba que me irritava e me fazia cair aos pés dela? Sim, ela o herdara da minha mãe.

— Tudo bem.

— Mamãe vai bater na professora — disse Alba enquanto brincava com a comida.

— Não tenho culpa se esses professores não sabem ensinar direito — ela se defendeu.

— Vai bater na mulher? — perguntei arqueando uma sobrancelha. Minha mãe era explosiva, e eu era exatamente como ela.

— Claro que não.

Ela sorriu largamente e beijou meu rosto. No mesmo instante eu ouvi um sino ecoar pela casa. Isso só podia significar uma coisa.

— Está fazendo cookies?

— É só para o lanche da tarde senhorita.

Meu sorriso quase se desfez. Por que ela fez tão cedo então? Para que eu notasse e depois ela pudesse pisar na minha vontade?

— Ah, essa carta chegou para você — ela me estendeu o envelope e meus olhos logo caíram sobre o brasão.

— É do Governo de Illéa — conclui assustada.

Será que eu tinha feito algo errado? Acusaram-me de alguma coisa?

Minha mãe sorriu. E só assim a ficha caiu.

— É a carta da Seleção.

Ser esposa de James Schreave nunca havia me passado pela cabeça. Todos sabiam que um dia haveria uma Seleção, mas eu realmente nunca tinha parado para pensar nisso. Eu não tinha nada contra ele, pelo pouco que eu o vinha no Jornal Oficial, o príncipe parecia um adolescente normal. Bonito, claro, com o pai que ele tem e que lhe doou aquela genética incrível, como não ser bonito? Ser forçada a ser esposa dele? É, pode até ter um lado bom. Mas ser Rainha de Illéa? Nunca.

Eu trabalhava, fazia de tudo para ajudar minha mãe mesmo com o pouco que recebia. Passava o final de semana em escolas cuidando das crianças que os pais não queriam em casa e em alguns dias da semana eu ajudava a cuidar de uma livraria.

— Mãe... a senhora precisa de mim aqui e..

— Não — ela interrompeu sorrindo — Eu não vou obrigar você a ir e enfrentar trinta e quatro garotas que vão querer seu coração frito só por você ser tão linda — eu ri sem jeito — Mas não fique por minha causa. Mesmo que não seja a Escolhida, o que eu duvido, com certeza vai aprender muito e voltará uma verdadeira mulher.

— E se eu nem for selecionada?

— Então seguimos em frente e xingaremos o príncipe por ser completamente cego. Porque só um cego não a escolheria.

Nós rimos e em seguida eu abracei.

— Vou pensar no assunto okay?

***

Eu realmente estava pensando no assunto, estava tão pensativa que me tornei alheia ao mundo exterior, então já havia trombado com um número significativo de pessoas que adoraram me xingar. Mas oras, minha mãe era tão esquecida que o prazo já terminava amanhã!

— Desculpe — pedi pela quinta vez na mesma rua. O homem nem teve o trabalho de me olhar, já estava longe.

Revirei os olhos.

Não podia ser tão difícil assim? Que mal faria ir nessa maldita Seleção? Lembrando que eu nem havia me escrito ainda. Mas mesmo que eu fosse selecionada, por que não ir? Bufei novamente, jogando meus cabelos para trás e tentando manter todas as pastas seguras.

O mercado, como sempre, estava lotado e barulhento. Reprimi uma careta ao passar por mais uma briga. Reli novamente o papel que mamãe me dera com o endereço do senhor Thomas, é, não estava muito longe.

Três brigas depois e muitos desvios de frutas que estavam sendo usadas como munição, eu havia chegado. Era uma loja comum de joias, o que me fazia pensar em como aquele homem poderia ajudar nos projetos da minha mãe.

— Deseja alguma coisa?

O homem a minha frente não poderia ter mais do que quarenta anos, tinha um porte atlético e um sorriso sincero. E seu olhar poderia encantar muitas garotas, mas eu só o colocaria na minha lista de “Homens que tenho que beijar” se eu fosse uns dez anos mais velha e se ele não fosse casado.

— Estou procurando pelo sr. Thomas Harris — respondi tentando soar indiferente e não como alguém que reparou nos músculos dele.

— Eu sou Thomas Harris — ele respondeu sorrindo, fazendo-me arquear uma sobrancelha. Aquele pedaço de mal caminho era Thomas Harris? Eu o imaginei gordo e calvo.

— Eu sou Cristina, filha da Aurora Adams, ela pediu para trazes os projetos.

— Ah sim, ela me avisou que você viria — ele comentou abrindo passagem para mim — Mas você chegou um pouco adiantada, se importa de esperar um pouco?

Eu dei de ombros e concordei.

A loja em si era simples, sem nada chamativo ou abusivo. Mas é claro que as inúmeras joias protegidas pelas caixas de vidro chamavam bastante minha atenção. Eu adoro joias. Não aquelas enormes e pesadas, com aquele brilho cegamente e que colocam uma placa na sua cara dizendo “Por favor, roube minhas joias”. Eu prefiro aquelas mais simples, menores, um par de brincos, um anel ou uma pulseira simples...

— Gosta do que vê?

Eu pulei com o susto, nem havia reparado que estava olhando fixamente para as joias. Será que pensariam que eu sou uma ladra? Abaixei minha cabeça envergonhada e olhei de relance para quem me pegou no flagra. No mesmo instante senti todo o sangue sumindo do meu rosto e segundos depois já estava de pé fazendo uma reverência.

— Perdão, Majestade. Eu não o tinha visto e-

— Fique calma senhorita. Sou apenas eu.

Apenas o Rei de Illéa. Eu praticamente paralisei com a visão dele, era um homem lindo e exalava autoridade, ele e o filho poderiam ser irmãos.

— Tudo bem, acho que isso não ajudou — ele se desculpou meio sem jeito.

Eu devia falar alguma coisa, mas eu não conseguia parar de olhar para os cabelos dele onde deveria estar uma coroa e para suas roupas normais. Nem isso me deixava mais calma. Por algum motivo, pessoas que estavam bem acima da minha Casta me intimidavam. Isso se resumia apenas a Família Real, claro.

— Como se chama? — ele tentou de novo, dessa vez sorrindo carinhosamente. Como todo Rei deveria fazer.

— Cris. Desculpa. Charlotte. Charlotte Adams — sim, eu estava nervosa.

— Cris? — ele questionou esboçando um sorriso torto.

— É Charlotte Cristina, mas eu sempre me apresento como Cristina ou Cris — respondi rapidamente.

— É um prazer conhece-la senhorita Adams — o Rei Maxon sorriu novamente e estendeu a mão.

Hesitei em devolver o ato, mas eu era uma Adams oras.

— Também é um prazer conhece-lo Majestade — respondeu apertando sua mão.

Ele não parava de sorrir?

— Majestade — chamou senhor Thomas, arg, não consigo chama-lo de senhor — Pelo visto já conheceu Cristina, ela é a filha da arquiteta que o senhor escolheu.

Ele havia escolhido minha mãe?

— Escolheu minha mãe? — não consegui segurar a pergunta.

— Sim, eu preciso de uma arquiteta para me ajudar em algumas obras e sua mãe é a melhor da cidade, é uma pena que ela não pôde vim — ele lamentou.

— Isso interfere em algo?

— Ela precisa assinar um contrato de sigilo porque, bem, eu sou o Rei e não quero que ninguém saiba desse projeto. Ou que estive aqui. E esse foi o único dia que eu consegui fugir do Palácio sem ser notado, creio que foi a última vez também.

Engoli em seco. Era uma grande chance para os projetos da minha mãe e para a carreira dela, eu não podia deixar ela perder isso por causa dos filhos.

O Rei já estava indo embora, era a minha chance.

— Espera, por favor, me deixe ajudar. Minha mãe não pode perder essa chance — supliquei. Provavelmente meus olhos estavam brilhando.

— Mas o contrato... era apenas hoje — o Rei lembrou.

— Eu assino — então uma ideia surgiu me fazendo sorrir — Olha, eu assino e cuido dos projetos. Eu já era grande quando minha mãe se formou e eu estudei junto com ela, só não me formei. E mesmo que não confie no meu trabalho, eu peço para ela fazer tudo. É só o senhor Harris fingir que me contratou para ajuda-lo, ela vai pensar que é só mais um emprego meu. E além do mais, ela vai estar sempre ali dando ideias. Nem precisará saber que é para o Rei. Ela sempre deu o melhor de si em qualquer projeto, não vai se arrepender. Eu garanto.

O Rei me olhou com cautela e eu devolvi o olhar, ansiosa. Por favor, que meus olhos estejam brilhando que nem os de Alba. Ele revirou os olhos e suspirou.

— Tudo bem senhorita, lhe darei esse voto de confiança e-

Eu gritei, sim, eu gritei de alegria, fazendo o Rei arregalar os olhos, mas talvez isso se deva ao fato de eu ter corrido para abraça-lo. Meu Deus, eu estou abraçando o Rei.

— Ai meu Deus, perdão Majestade — gaguejei me afastando — Eu não queria. Me desculpe. Ai Deus.

Ele riu. Riu.

— Sem problemas, só está feliz, eu compreendo. Senhor Harris, onde está o contrato?

O senhor de cabelos rebeldes e que não tinha nada de senhor, saiu por alguns instantes e voltou com um envelope na mão e mais pastas embaixo do braço. Muitas pastas. Entregou o envelope ao Rei e colocou as pastas sobre o balcão.

— Assine com seu nome completo, por favor.

O Rei indicou o contrato já aberto sobre o balcão e me passou uma caneta, muito diferente das que eu usava por sinal. Apenas respirei fundo e assinei. Não tinha nada a perder com isso.

— Ótimo. Obrigado senhorita.

— Por favor, me chame de Cris.

Ele já tinha me chamado de senhorita tantas vezes que eu estava começando a odiar isso.

— Como quiser Cris, aqui está a base de todos os projetos. Vai saber do que se trata assim que olhar.

Eu assenti, sem muito o que dizer.

— Sempre que necessário você vai ter que me encontrar no palácio, um guarda vai estar aqui para ajuda-la a ir sem grandes problemas e-

Uma explosão. Foi tudo o que consegui ouvir antes do Rei cair no chão, desorientado. Alguma coisa lá fora explodira, fazendo as janelas se estilhaçarem e cacos de vidro se espalharem por todo lugar. Um pedaço de vidro consideravelmente grande estava enfiado no braço esquerdo do Rei que sangrava sem parar. Isso só me deixou mais nervosa.

— Ai meu Deus! Majestade! O senhor está bem?

Com certa dificuldade ele levantou e arrancou o pedaço de vidro do braço, apertando o local em seguida.

— Precisamos sair daqui.

— E os seus guardas?

Será possível que ele veio sem guardas?

— Há apenas dois e se ainda não estão aqui, então não estão em condições de andar. Ele está vivo?

Thomas Harris estava caído no chão, desacordado. Aproximei-me dele e coloquei os dedos em seu pescoço, ainda havia batimentos.

— Está.

— Está mais seguro desacordado. Sabe de algum lugar seguro?

Outra explosão me fez gritar. Havia um grande estrago na parede frontal e a poeira subiu com vontade, dificultando a respiração. Olhei ao redor a procura do Rei e o encontrei no chão, inconsciente.

Corri até ele e o chamei desesperadamente.

— Majestade! Majestade! Pode me ouvir? — eu estava tentada a sacudi-lo — Maxon! Pelo amor de Deus, acorda!

Ele começou a resmungar e a se mexer devagar. Senti um cheiro estranho e olhei em volta novamente. O que há de errado? Procurei por algo que pudesse ser a fonte do cheiro. Arregalei os olhos ao enxergar algo brilhante e percebendo que nem tudo que estava no ar era poeira.

Um incêndio se iniciara do lado de fora e começava a vir em nossa direção.

— Meu Deus! Venha Majestade, apoie-se em mim.

Ele ainda estava tonto, mas levantou-se cambaleante e colocou o braço direito ao redor do meu pescoço, fazendo-me de apoio. Ouvimos alguns tiros e eu logo me apressei, tentando ignorar o medo que tomava conta da minha mente.

— Vamos, eu sei de um lugar seguro — informei seguindo em frente.

Saímos pela porta dos fundos e agradeci mentalmente por encontrar o beco vazio. Mas os tiros estavam ficando mais altos, portanto, mais próximos.

— Só mais um pouco Majestade.

Preciso dizer que ele era bem pesado. Puro musculo eu acredito. Mas isso estava dificultando um pouco a minha missão de carrega-lo.

Finalmente, depois de duas quadras, eu consegui encontrar o meu beco preferido. Não podíamos mais ouvir o som dos tiros com muita clareza, mas dava para perceber que se aproximavam. Por que será? O rei estava ali!

Coloquei-o no chão e me apressei em empurrar as caixas que escondiam a minha porta secreta, ou nem tão secreta assim.

— O senhor vai ficar ai dentro, ta? Não é uma suíte real, mas vai ter que servir — avisei quando ele já estava apoiado em mim novamente.

— Mas e você? — ele perguntou com dificuldade.

Eu não sou o melhor Rei que Illéa já teve.

— Alguém tem que ficar aqui fora para esconder a porta com as super caixas — respondi forçando um sorriso.

— Mas podem-

— Cala a boca e entra logo.

— Procurem nos becos e dentro das lojas, ele tem que estar escondido em algum lugar! — uma voz gritou perto demais para o nosso bem.

Arregalamos os olhos e não pensei duas vezes antes de empurrar o Rei para dentro da despensa abandonada e trancar a porta. Apesar de ele não ser um louco para querer sair.

— Abra a porta Cristina!

Ou sim. Talvez ele seja louco.

— Cala a boca caramba. Ou vão matar nós dois! — exclamei em um sussurro.

Aproveitei o silêncio dele e coloquei as caixas no lugar de antes, escondendo a porta. Tive apenas alguns segundos para me afastar e grudar meu corpo no canto mais escuro.

— Ei você.

Droga!

Segundos depois dois homens agarraram meus braços e me puxaram para mais perto daquele que me chamava.

— Não! Me soltem!

Senti um tapa esquentar meu rosto.

— Silêncio garota!

Ele parecia ser o chefe. Sua voz me fez sentir calafrios e provavelmente lembrarei dela pelo resto da vida. Ele tinha os cabelos negros que iam até o ombro e estavam completamente sujos e bagunçados, completando sua roupa igualmente suja. Estremeci ao fitar os olhos dele, eram claros e sombrios, como se um pensamento assassino passasse em sua mente a todo instante. Tudo nele confirmava que eu não seria a primeira a morrer em suas mãos, e nem a última.

— Pois bem, princesa, eu vou fazer algumas perguntas e você vai responder sem enrolação. E eu não quero mentiras — ele sorriu maliciosamente enquanto se aproximava ainda mais — Por acaso, viu o Rei andando por ai?

— O... Rei? — tentei soar firme, mas minha voz pareceu mais um sussurro falho.

— Sim. Alto, loiro, olhos castanhos irresistíveis. — ele complementou sarcástico.

Engoli em seco.

— Não, não o vi. E... e não acho que o encontrará por aqui.

Era isso, eu era péssima atriz.

Como o esperado, o homem me olhou de forma desconfiada e então em seus olhos pude enxergar o ódio. Sem aviso e abruptamente ele avançou e agarrou meu pescoço. Os dois homens me soltaram, permitindo que o chefe deles me prendesse contra a parede usando seu próprio corpo. Ele com certeza era bem mais forte que eu.

— Eu disse que não queria mentiras — ele rosnou.

Tentei me livrar das mãos dele, mas o máximo que consegui foi arranhá-lo.

— Uma fonte nos disse que viu uma menina com as suas características vim para esse lado, carregando um homem muito parecido com o Rei.

Ele apertou ainda mais meu pescoço.

— Eu... eu vi uma garota — falei quase sem ar — Passou direto... mas... mas estava sozinha. Não vi...nenhum homem além de vocês.

Ele rosnou novamente e aproximou seu rosto do meu. Com certeza podia sentir meu coração martelando.

— Se eu souber que está mentindo...

Ele se aproximou do meu ombro e o mordeu. Eu gritei e debati, tentando me soltar, mas só fez ele morder com ainda mais força para em seguida soltar.

— É bom que se lembre dessa dor, posso causar uma ainda pior — em seguida me deixou cair no chão e sumiu com seus capangas.

Procurei por oxigênio ainda sentindo a dor das mãos dele, massageei minha garganta numa tentativa falha de melhorar a situação.

— Cris?

Estava abafado e quase inaudível, mas eu ainda podia ouvir a voz hesitante do Rei me chamando. Cambaleei até a entrada do beco e me certifiquei de que todos haviam ido embora de fato. Não havia sinal de nenhum deles.

— Cristina?

Passei a mão pelo meu ombro para limpar o sangue e ofeguei de dor.

— Desgraçado.

Devagar me aproximei da porta e com muita dificuldade afastei as caixas que simplesmente caíram no chão. Em alguns segundos a porta estava aberta.

— Ah ainda bem que está viva — o Rei disse parecendo aliviado — O que eles fizeram com você?

Não consegui dizer nada. Simplesmente deixei minhas barreiras caírem e o abracei, chorando.

— Eu fiquei com tanto medo.

— Shii, calma Cris, vai ficar tudo bem. Vou ajudar você.

Ele afagou meus cabelos e devolveu meu abraço, e naquele instante eu desejei com todas as forças que ele fosse meu pai.

— Não devia ter feito isso. Podia ter morrido.

Talvez ele achasse que eu o salvei por ser um Rei, ou o melhor Rei que Illéa já teve, mas não. Esse não foi meu motivo. Eu o salvei porque além de Rei ele tinha uma família que, até onde sei, dependiam dele. E apesar de tudo, do medo e da dor, eu sabia que tinha feito a coisa certa. Mas provavelmente ninguém além de nós saberia isso.

Notas finais
O que acharam? Aceito criticas construtivas, afinal eu não sou uma expert aqui.