Charlie é o Cara
45 Que bala de menta mais esquisita, hein?
Notas iniciais
POV-Charlie
― O que você está fazendo? ― Perguntei sem abrir os olhos.
Eu não precisava abri-los para sentir que Peter estava me encarando. Ele havia acordado haviam alguns minutos, desde ele não parava de se mover na cama para encontrar uma posição confortável e ficava me olhando sem dizer nada.
Já havia amanhecido e eu provavelmente havia dormido apenas umas três horas desde que sai do banho com Peter. Eu ainda podia ouvir música lá fora, mas estava cansada demais para me importar com o barulho.
― Eu estou encarando. ― Ele respondeu, ainda olhando fixamente para mim.
― Bom, então encare outra coisa. Porque eu quero dormir. ― Reclamei, me virando para o outro lado.
― Você está com os olhos fechados, não pode ver que eu estou encarando. ― Ele disse, se aproximando novamente para olhar para mim.
― Mas me incomoda! Não gosto que fiquem olhando para mim enquanto estou dormindo.
― Porque? Já vi você dormir, você dorme com a boca aberta e ronca de vez em quando. Baba um pouco também. ― Ele disse rindo. ― É uma gracinha quando você fica com um pouquinho de baba aqui. ― Peter passou o dedo indicador no canto do meu lábio.
― Peter! Para com isso! ― Afastei sua mão com um tapa. ― Me deixa dormir, só mais cinco minutinhos. Por favor.
― Cinco minutinhos?
― Cinco minutinhos. ― Murmurei.
― Ok, cinco minutinhos. ― Ele se inclinou e depositou um beijo na minha têmpora e se levantou.
Não demorou e eu peguei no sono novamente.
POV-Cece
Eu estava deitada no sofá da sala da casa da ROR, a casa agora estava em completo sossego e parecia até vazia sem todas aquelas pessoas ocupando todo o espaço. Lá fora, Dream On do Aerosmith tocava para ninguém ouvir, a única explicação lógica para isso era de que a festa acabou e esqueceram de desligar a música.
Ainda não havia pregado os olhos por um só minuto. Apenas me deitei ali e fiquei, vendo o tempo passar e as pessoas irem embora. Ouvi a porta da frente ser aberta e me virei no sofá para olhar, os passos ecoaram pela entrada e então eu vi Louis parado na porta da sala. Ele vestia jeans, camiseta e tênis novamente, o que significava que ele havia ido para a casa.
― Oi. ― Ele disse, cruzando os braços e me olhando.
― Oi. ― Falei de volta, olhando para ele.
― Eu ia até o seu loft, mas tinha certeza que você estaria aqui. ― Ele disse, descruzando os braços e entrando na sala. Louis caminhou até mim e se sentou na beirada do sofá que eu estava deitada. ― Me desculpe por ter sido um idiota ontem a noite.
― Você não foi um idiota.
― Sim, eu fui. ― Ele acenou positivamente para enfatizar mais ainda a sua opinião.
― Ok, talvez só um pouquinho. ― Fiz um sinal de pequeno com os dedos e ele sorriu.
― Olha, eu não fiquei bravo pelo o que você fez com a Angel, porque cá entre nós, ela meio que mereceu. Mas... eu... ― Ele gaguejou e passou a língua pelos lábios. ― Eu não quero que se machuque, Cece. E nós dois sabemos que Angel não perde a oportunidade de machucar as pessoas.
― Louis, eu posso cuidar de mim mesma.
― Eu sei, eu sei que você pode. Não estou duvidando disso. Mas eu quero que você me deixe cuidar de você também. Porque me importo com você, porque gosto de você. ― Ele disse, pegando uma mão minha e a segurando entre as suas. ― Então podemos cuidar um do outro, ok?
― Ok. ― Acenei positivamente e me sentei no sofá.
Envolvi meu braços em torno do seu pescoço e o abracei forte. Louis retribuiu e me abraçou de volta também.
POV-Charlie
Acordei novamente e não senti a presença de Peter ali, abri um olho só e rolei pela a cama a sua procura.
― Eu estou aqui. ― Ele falou.
Me virei na cama novamente e vi apenas as suas costas. Ele estava sentado na cadeira da escrivaninha no canto do quarto e estava debruçado sobre a mesma, fazendo sabe lá Deus o que.
― O que você está fazendo? Você não sente sono não? Volta pra cá. ― Falei, olhando para as suas costas ainda.
Peter não respondeu, apenas continuou concentrado no que estava fazendo. Me sentei na cama e tentei ver, mas não tive muito sucesso. Foi então que me levantei e caminhei até ele, me abaixei até ficar a sua altura na cadeira e passei os braços em torno do seu peito.
― O que você está escondendo aí? ― Perguntei, com a boca próxima a sua orelha e ele sorriu.
Baixei meus olhos para a folha de papel que estava sobre a escrivaninha, entre seus braços. Peter ainda segurava o lápis na mão, era um esboço de arquitetura moderna feito a mão.
― Peter, é incrível. ― Falei, usando uma das mãos para tocar na folha. ― Você fez isso?
― É só um esboço, Charlie. Não é nada demais. ― Peter deu de ombros.
― É um esboço muito bom. ― Disse.
Dei a volta em torno dele, sem tirar meus braços do seu corpo e me sentei de lado no seu colo.
― Eu não sabia que você tinha tantos talentos. ― Falei e Peter sorriu.
― Eu ainda tenho vários que você não conhece. ― Ele falou brincalhão, envolvendo seus braços em torno da minha cintura e depositando um beijo sobre o meu ombro.
Comecei a beijar levemente o seu queixo, fui subindo pela sua mandíbula até chegar no seu maxilar, depois fui com a boca até a sua orelha, mordisquei devagar o seu lóbulo e sussurrei.
― Volta para a cama.
― O que eu vou ganhar se voltar?
― Vai ter que ir para descobrir. ― Falei, sorrindo e me levantando do seu colo.
Eu estava vestindo apenas calcinha e uma regata branca que tinha colocado para dormir após o banho. Fui caminhando de volta para a cama bem devagar e subi de quadro sobre a mesma, engatinhando por ela e olhando para Peter por cima dos ombros com um sorriso malicioso.
Ele havia virado a cadeira giratória na minha direção e exibia um sorriso sacana. Peter se levantou da cadeira e veio caminhando de volta para a cama.
POV-Amy
Eu acordei e vi que Mary ainda estava dormindo na cama de Joe e eu estava na de Jon, como não havia nem sinal dos rapazes ali no quarto, eles provavelmente haviam encontrado outro lugar para dormir ou talvez nem tivessem dormido ainda, especialmente a julgar pela música que ainda tocava lá fora.
Me levantei da cama e abri a porta do quarto, assim que sai para o corredor, dei de cara com Pablo saindo do seu quarto também. Nós dois ficamos parados por um momento, trocando um olhar constrangido e de certa forma até... envergonhado.
― Você está horrível. ― Finalmente falei, cortando o silêncio. Apontando para o cabelo bagunçado de Pablo, o rosto inchado de tanto dormir e as olheiras assustadoras.
― Obrigado. ― Ele sorriu, me fazendo sorrir também. ― Seu pijama é legal.
Olhei para o pijama de Charlie que eu estava usando. Ele era composto por um shortinho curto e uma regata, e tinha o desenho de uma vaquinha malhada.
― Obrigado, é da Charlie. ― Sorri, um pouco envergonha pelo fato desse pijama ser tão ridículo.
― Então, eu acho que eu vou ao banheiro porque eu realmente preciso fazer xixi. ― Pablo falou, meio sem jeito.
― É, eu também! ― Acenei positivamente, tentando deixar a situação menos constrangedora.
― Você vai fazer xixi também?
― Uhum.
― Ok, vamos lá então.
POV-Charlie
Sexo é um mistério, pelo menos para mim. Acho que para todo jovem. Sabe quando você está lendo um livro ou vendo um filme e simplesmente não consegue parar até que consiga desvendar o mistério? Sexo é meio que dessa forma quando se é jovem.
Você simplesmente não quer parar até que tenha certeza que desvendou tudo (também tem a parte de ser muito bom), mas você sempre quer mais. Levando isso para uma completa bola de neve que eu e Peter estávamos apenas começando a rolar. Uma bola de neve de sexo desajeitado, constrangedor e maravilhoso. Tentando desvendar todos os mistérios um do outro. Resumindo, quando acontecia, simplesmente acontecia. Porque não conseguimos nos importar com a hora, o lugar ou as circunstancias.
Comecei a descer de gatinho pelo corpo de Peter, deslizando minhas mãos pelo seu peitoral e fazendo uma trilha de beijos pelo mesmo que ia descendo para baixo.
― Você tem que depilar isso aqui! ― Falei para eve, passando o indicador sobre o caminho da felicidade que ele tinha abaixo do umbigo.
― Não, deixa aí! ― Peter riu. ― É porque eu sou muito gostoso, então tenho que deixar aí pro caso de alguém se perder, encontrar o caminho da felicidade.
― Cala a boca, Peter! ― Falei rindo, sem acreditar que ele havia dito isso, foi ai que ele riu ainda mais.
Usei as duas mãos para puxar a sua boxer para baixo até a metade da suas cochas, me abaixei sobre ele o suficiente para ficar com o rosto na altura do seu corpo, me apoiei com as duas mãos sobre as suas cochas. Aproximei minha boca até seu membro e passei a minha língua por toda a extensão dele, Peter soltou um gemido abafado e estremeceu. Murmurou um palavrão em tom baixo, o que me fez rir. Tirei uma das mãos da suas cochas e segurei seu membro pela base, prendendo a ponta entre meus lábios e sugando com um pouco de força.
― Se eu soubesse que isso ia acontecer, eu nem teria levantado da cama hoje. ― Peter falou, apertando as laterais do colchão da cama a nossa volta.
Isso me fez rir, mas tentei me segurar. Só então quando já estava séria o suficiente para não ter uma crise de riso no meio do assunto, coloquei-o completamente na minha boca. Eu não sei se o grito fino e assustado que Peter soltou foi pelo o que eu fiz ou se foi o fato da porta do quarto se abrir completamente. Peter jogou o lençol da cama sobre a minha cabeça, cobrindo-a completamente e me escondendo. De que adiantava esconder isso? Eu estava com a bunda para cima, vestindo apenas calcinha e apontando para os rapazes como se fosse uma lua cheia. Ele segurou a minha cabeça com as duas mãos, me impedindo de me mover e o pior, impedindo de tirar a minha boca dali.
― BOM DIA!!!! ― Eles falaram em coro, mas ficaram em silêncio quando viram aquilo.
― Merda! ― Ouvi Peter falar. ― Gente, o que é isso?
― Bom, eu não estava esperando isso. ― Bruce falou. ― Apenas diga que essa aí com a cabeça embaixo do lençol e com a bunda para cima não é a Charlie.
― Essa é a Charlie? ― Ouvi a voz de Jon agora. ― Ah, Pete! Sério, cara? Não tá enfiando o seu pinto na boca dela, está? Porque ela é nossa irmã, minha nossa, o que tem de errado com você?
― Você está enfiando o seu pinto na boca da nossa irmã? ― Ouvi Bobby agora.
― Não! Minha nossa! ― Peter gritou, apavorado e ainda segurando a minha cabeça. ― Essa não é a Charlie! Charlie saiu cedo, Charlie não está aqui e eu nem vi a Charlie hoje!
― Então quem é essa aí? ― Bruce perguntou.
― Essa é... ― Peter gaguejou. ― Margarita. Ela é francesa e não fala a nossa língua. Não é mesmo, Margarita? ― Ele movimentou minha cabeça com as mãos para cima e para baixo, em engasgando com o seu membro na minha boca.
― Minha nossa! Você agora está a matando asfixiada! ― Jon gritou, entrando no quarto. Ele se aproximou para puxar o lençol da minha cabeça, mas Peter gritou.
― Não tô nada não, sai daqui!
― BOM DI-MINHA NOSSA O QUE É ISSO? ― Joe gritou quando apareceu na boca.
― Peter está matando Margarita, com o seu pinto. ― Bobby explicou. ― Ela é francesa e não fala a nossa língua.
― Margarita? ― Joe repetiu, confuso. ― Bom, eu posso ver ela usar a sua língua muito bem, hein, Margarita?
Eu ia matar todos eles assim que conseguisse sair dali.
― Você está bem, Margarita? ― Bruce perguntou.
― Ela não fala a nossa língua! ― Peter repetiu.
― Peça para ela responder em francês mesmo.
― Responda a pergunta, Margarita! ― Peter disse impaciente.
Respondi a única coisa que consegui pensar naquele momento em francês.
― Oui.
― Viram? Ela está bem! Agora, saiam!
― Ih, estressadinho. Foi um prazer, conhecê-la Margarita. ― Jon falou antes de sair.
― Tchau, Margarita. ― Bruce se despediu também.
― Tchau Margarita, você tem um bumbum incrível. ― E lá se vai o Bobby.
― Margarita, sua safadinha! ― Ouvi Joe dizer, rindo.
― Sai fora, Joe! ― Peter jogou um travesseiro nele. Mas Joe fechou a porta a tempo, o travesseiro bateu na mesma e caiu.
― Peter! ― Rangi os dentes furiosa, saindo de baixo do lençol e limpando o canto da boca com a mão. ― Eu vou te matar!
― Não é minha culpa! ― Ele tentou se livrar.
― Ah, não é? Quem é que deveria trancar a porta, seu idiota? Você estava com a chave! ― Comecei a estapeá-lo. ― Eu vou quebrar a sua cara!
― Eles não viram você!
― Não, só viram a minha bunda levantada para cima! ― Continuei batendo nele.
― É uma bunda linda, eles tem sorte de terem a visto!
― Cala a boca, Peter! ― Bati nele com mais força ainda.
― Ai! ― Ele gemeu de dor.
Sai da cama e corri até uma das minhas gavetas, vesti a primeira troca de roupas que encontrei. Quando fui até a porta para sair, Peter gritou.
― O que você está fazendo?
― O que eu estou fazendo? Saindo, seu idiota!
― Não pela porta!
― Eu vou sair por onde? Pela janela?
― Lógico! Eles vão te ver sair por aí! ― Ele disse sério.
Meu queixo caiu.
― Não! De jeito nenhum! Não e não! ― Acenei negativamente e fiz que não com o indicador.
― Ok, pode sair pela porta da frente então e deixe que eles te vejam!
Por um momento realmente cheguei a considerar a ideia de sair pela porta da frente, mas eu sabia que isso ia gerar uma bomba no café da manhã na casa da ROR. Olhei para Peter e fechei os olhos em seguida, apenas engolindo a minha raiva.
― Deus, eu quero bater no seu rosto. ― Falei, batendo o pé de raiva.
― Apenas por mórbida curiosidade, ainda tem alguma chance de você terminar isso aqui? ― Ele apontou para o volume na sua cueca.
― Você está testando a minha paciência em todos os níveis!
― Nem uma rapidinha? ― Ele tentou novamente e eu cerrei meus olhos para ele. ― Ok, entendi o recado. Sem rapidinha.
― Sem rapidinha e sem mais nada para você! Como você pode esquecer algo tão importante quanto trancar a porta?
― Bom, meu pênis estava tendo um ataque cardíaco ontem a noite com todos os tipos de encontros felizes que ele teve com você potrinha e eu provavelmente devo ter ficado confuso, daí acabei me esquecendo.
― Depois dessa, eu mesma vou me jogar pela janela.
― Não fica brava, é um elogio!
Caminhei até a janela que já estava aberta e olhei para baixo pela mesma, engoli em seco. Não sei se foi o meu medo de altura ou se era realmente tão alto daquele jeito, mas eu estava apavorada agora.
― Minha nossa, isso é alto pra caramba!
Peter apareceu do meu lado e olhou para baixo também.
― Bom, talvez você quebre uma perna ou as duas, nada que uns pinos não concertem. Paraplégica eu não acho que você fique.
Olhei para ele com a boca aberta, sem acreditar que ele havia dito isso mesmo.
― Bom, muito obrigado por essa injeção de coragem!
― Sempre que precisar, amor. ― Ele sorriu e piscou para mim.
― Paraplégica não. ― Acenei positivamente.
― Bom, talvez você possa pular do telhado para aquela árvore ali e escorregar por ela como o Tarzan. ― Peter falou.
― Olha pra minha cara de quem tem habilidades de saltar de árvores e deslizar por elas que nem o Tarzan. ― Olhei séria para ele.
― Foi só uma ideia. ― Ele deu de ombros.
― Uma péssima ideia. Porque você não sai primeiro, pega uma escada, coloca ela aqui e daí eu desço?
― Porque é uma escada, Charlie. Não se acha escada a cada esquina, eu nem me lembro da última vez que eu vi uma escada. Agora para de ser mulherzinha e desce, eu vou te segurar. Seja homem, Charlie!
Soltei um suspiro irritada e olhei para ele com raiva, primeiro passei uma perna para fora da janela e me sentei na mesma, depois passei a outra mas continuei sentada ali.
― Relaxa, eu estou aqui. Não vou deixar você cair. ― Peter falou atrás de mim.
― Peter, ter você aí me passa menas confiança do que se eu estivesse sozinha. ― Falei, me segurando na janela e tentando me ajeitar no telhado. Senti meus pés descalços escorregarem nas telhas do telhado e quase cai. ― Peter! ― Gritei.
― Peguei você! Peguei você, potrinha! ― Ele disse rindo e segurando os meus dois braços.
― Peter, eu não consigo. Eu não consigo mais. Eu estou travada. Meu Deus, você pode chamar os bombeiros? É muito alto, minha nossa! ― Falei, apavorada e me segurando nele como um gato se agarra em qualquer coisa para fugir da água.
― Charlie, se continuar me segurando assim, vamos cair nós dois! ― Ele falou e me fez perceber que ele já estava inclinado com metade do corpo para fora da janela porque eu não o soltava. ― Charlie, tem que me soltar.
― Não. ― Falei e o apertei ainda mais.
― Charlie?
― Eu acho que vou desmaiar. Sim, eu estou desmaiando, minha nossa! Eu já vejo a luz no fim do túnel. Peter, me tira daqui! Socorro! Eu vou morrer! ― Comecei a gritar e a chorar ao mesmo tempo.
― Charlie, engole o choro! Engole o choro e seja homem! ― Peter falou, começando a me soltar.
― Peter, não!
― Seja homem!
― Eu não posso ser um homem, eu tenho uma vaginaaaaaaaaa! ― E foi a última coisa que eu gritei antes de despencar do telhado.
― Hei, Charlie! Eu estou entrando, será que pode me emprestar... Pete, o que é isso? ― Amy falou entrando no quarto sem bater e parando quando viu Peter debruçado na janela.
Peter se distraiu com ela e então me soltou de vez, eu escorreguei pelo telhado sem ter nenhum lugar para me segurar e impedir a minha queda que era mais do que inevitável.
― Merda! ― Ouvi Peter falar lá de cima quando atingi o chão.
― Charlie está morta, mortinha! Minha nossa! Olha só o corpo dela! Tem como um ser humano ficar nesse angulo? ― Amy falou, se juntando a Peter na janela. ― Ela está muito parecida com um sapo. Sabe quando você passa com o carro por cima de um sapo e ele fica estirado no chão que nem um tapete? Charlie está exatamente assim. Charlie não, o tapete Charlie agora.
― Uh, isso deve ter doido. ― Peter falou.
― MINHA NOSSA, O QUE TEM DE ERRADO COM VOCÊ? Está tendo uma ereção? Você é um desses tarados por necrofilia? ― Amy gritou para Peter.
― Ah, não! Esse já estava aqui antes! ― Ele apontou para o volume na cueca.
― Está chovendo mulher! É um milagre, um milagre! Gloria! Gloria! ― Ouvi a voz de Mike e ele se aproximou, de joelhos e com as mãos para o céu agradecendo. ― Espera aí, Charlie? ― Ele ficou confuso. ― Você está bem?
― Não, eu acho que eu estou morta. E não é só um pressentimento. ― Murmurei, com a cara ainda colada na grama do jardim.
― Você caiu do céu? De onde você surgiu? Eu devo chamar o necrotério ou a ambulância? ― Mike perguntou.
― Eu prefiro o necrotério. ― Murmurei.
― De onde você caiu?
― Do telhado. ― Falei e tentei calcular uma desculpa para não dizer a verdade. ― Eu estava fazendo parkour e parkei a minha cara no chão. E porque você está usando um chapéu dos bombeiros? ― Perguntei confusa, finalmente conseguindo enxergá-lo.
― Eu dormi no caminhão de bombeiros. Stacey e Willa queriam fazer sexo a três. Ewwww! ― Ele falou e fez uma cara de nojo.
― MIKE! ― Gritei sem acreditar.
― O quê? Você está morrendo? ― Ele perguntou assustado com o meu grito.
― Eu estou em dor física por você não ter feito sexo! ― Gritei irritada. ― Eu pensei que você tivesse superado.
― Eu superei, eu superei! Mas veja só... agora eu sou um cara com a mente mais aberta e mais concentrado, então eu não faço mais sexo por fazer. Além do mais, isso vai contra os meus princípios de alma feminina.
Afundei minha cara na grama novamente sem acreditar no que ele estava dizendo.
― Ela está viva? ― Ouvi Amy gritar e vir correndo na minha direção, com Peter atrás dela.
― Mais ou menos. ― Mike respondeu.
― Esse é um bom momento para usar a cantada: Doeu quando você caiu do céu, anjo? ― Peter sussurrou, se abaixando ao meu lado.
Tirei a cara da grama apenas para me virar e olhar com um tom de assassina para ele.
― Sabe o que vai doer, Peter? O SOCO NA CARA QUE EU VOU TE DAR! ― Gritei, furiosa.
― Uhhhhhhhhhhhhh!!! ― Amy falou, levantando as mãos e fazendo sinal de paz. ― Vamos acalmar os nervos, porque tudo que eu estou sentindo aqui é sangue e espancamento!
― Porque Peter é idiota! ― Gritei.
― Isso é um fato científico, Charlie! ― Mike falou.
― Vamos lá, deixa eu te levar para dentro. ― Peter falou. ― Com licença, mais recente aleijada passando pelo caminho! ― Ele gritou ao me pegar do chão no colo.
No começo foi fofo, porque eu realmente achei que ele fosse me levar no colo como um cavalheiro de armadura para vir me salvar, mas a situação já mudou no momento em que ele me jogou sobre um de seus ombros como se eu fosse um saco de batatas.
― Peter! ― Gritei quando ele me jogou sobre seu ombro. ― Me poe no chão!
― Eu pensei que você não pudesse andar!
― Ah, eu com certeza posso andar! E também andar com os pés na sua cara!
― Eu também estou sentindo sangue e espancamento, Amy! ― Ele gritou para Amy e continuou andando. ― Como está a vista aí de cima, potrinha? ― Ele falou isso e então deu uns tapinhas na minha bunda. ― Porque a minha está incrível.
― Amy! Mike! ― Gritei, tentando me soltar de Peter. ― Vocês só vão ficar olhando?
― Eu acho que nós devemos comprar uma mordaça para ela, só por garantia. Eu já vi ela morder a cabeça de um cara uma vez. ― Mike falou.
― Eu tenho uma, veio em um kit de sadomasoquismo que comprei pela internet para brincar de Cinquenta Tons de Cinza com Pablo, mas já que eu não preciso mais.
Peter me levou para dentro, passando comigo nos seus ombros pela porta da frente e batendo a minha cabeça no batente da porta.
― Ooops! ― Ele falou. ― Você está bem?
― Eu não sei como eu ainda estou viva.
― Bom, porque você é dura na queda, amor. ― Peter disse sorrindo e entrando comigo na sala.
― Minha nossa, o que é isso? ― Ouvi a voz de Cece.
― Charlie sofreu um pequeno acidente. ― Peter respondeu e me jogou no sofá, me fazendo cair sentada entre Cece e Louis.
― Um acidente? Que tipo de acidente? Você está bem, Charlie? ― Cece se virou para mim, me olhando com preocupação.
― Ah, nada demais! Só um tombinho que poderia ter me matado no mínimo, depois Peter é idiota o suficiente para bater a minha cabeça na porta. ― Resmunguei, cruzando os braços sobre o peito.
― Hei, veja só a paz de volta ao reino encantando! ― Amy cantarolou ao entrar, com Mike a seguindo de perto.
― Chapéu maneiro, Mike. ― Louis falou, fazendo sinal de joia para ele.
― Eu sei, me faz sentir como um personagem de Chicago Fire. ― Mike sorriu orgulhoso, colocando as mãos na cintura e estufando o peito.
― Quem está afim de umas panquecas? ― Bruce apareceu na porta da sala, vestindo um avental de cozinha e segurando uma frigideira.
― Quem está com fome? ― Peter falou, esfregando as mãos animadamente.
― Eu! ― Amy levantou as duas mãos e saiu correndo para a cozinha na frente.
― Ninguém disse já, eu não sabia que era para correr! ― Mike falou indignado quando Cece e Louis se levantaram também. ― Ah, cara! Isso é trapaça! ― Ele saiu atrás.
Peter olhou para mim ainda sentada no sofá e esticou sua mão para mim, me oferendo-a. Estiquei minha mão para pegar a dele. Ele me puxou para cima pela mão, me fazendo ficar de pé com um salto. Bruce olhou com curiosidade.
― Onde é que tá a Margarita?
― Margarita? ― Peter olhou para mim e eu olhei para Bruce.
― Margarita? ― Repeti, me fingindo de confusa.
― Margarita está... está... ― Peter gaguejou e cerrou os olhos. ― Margaritando por aí.
Bruce fez cara de confuso e deu de ombros, então saiu andando para a cozinha. Eu e Peter trocamos um olhar alívio.
― Cara, que adrenalina foi essa. ― Peter falou.
Sai andando na frente para ir a cozinha com Peter me seguindo logo atrás. Cheguei na porta da cozinha e encontrei todo mundo ali. Mary, Amy, Cece e Joe estavam sentados nas cadeiras do balcão. Louis, Bobby e Mike estavam de pé em torno do mesmo, já se servindo de panquecas também. Jon misturava massa de panqueca em uma vasilha, vestindo apenas cueca. Pablo não estava diferente, dançando Last Friday Night da Katy Perry que tocava lá fora enquanto fritava panquecas. Bruce estava ao seu lado, pegando as panquecas e as levando até a mesa.
― Cara, isso aqui tá muito bom! ― Louis falou, mastigando um pedaço de panqueca com mel.
― Eu sei, eu me inscrevi para a versão de Top Chef desse ano. ― Jon falou orgulhoso de si mesmo.
― Jon não é apenas bom com as mulheres, baby. ― Cece disse para Louis sorrindo.
― É normal depois de uma festa sentir como se você tivesse sido atropelada por um caminhão e sua boca ter gosto de um banheiro público? ― Mary perguntou, fazendo uma careta.
― É mais do que normal, querida. ― Joe a respondeu. ― É um sinal de você vai viver.
― Eu poderia morrer? ― Mary perguntou assustada.
― É, teve um cara que morreu uma vez por festar demais. Onde é nós vimos mesmo? Discovery Channel? ― Mike falou com a boca cheia.
― Eu acho que foi na Oprah. ― Bobby disse.
― Porque vocês estão falando de morte logo cedo? Eu hein. ― Peter falou, passando por mim pela porta.
― Ninguém está falando de morte aqui. ― Bruce respondeu, despejando mais uma leva de panquecas sobre um prato no balcão.
Pablo saiu do fogão por um momento, carregando um prato com uma panqueca toda enfeitada com morangos, chantilly e confete. Colocando-a na frente de Amy no balcão.
― Obrigado. ― Ela agradeceu, sem nem prestar a atenção de que era ele. Foi quando ela baixou os olhos para a panqueca que falou. ― É impressão minha ou está escrito me desculpe na minha panqueca?
― Deixa eu ver! ― Cece falou.
Pablo se virou para ela, esperando ela realizar o óbvio. Foi então que ela olhou para ele e sua boca se abriu.
― Oh, Pablo! ― Ela sorriu para ele, Pablo sorriu de volta para Amy.
― Que gracinha! ― Cece falou e pegou um confete da panqueca de Amy. ― Mas porque a panqueca dela tem confete e a minha não?
E assim começou uma guerra na cozinha pelo confete. Peter apareceu ao meu lado e colocou uma caneta de café diante do meu rosto.
― Obrigado. ― Agradeci e peguei a caneca, ele piscou para mim.
― Onde é que estão as minhas panquecas, hein? Eu também quero confete! ― Ele falou, se juntando ao resto do pessoal no balcão.
Foi então que Katherine apareceu na porta da cozinha, vestindo apenas uma bandeira dos Estados Unidos enrolada em torno do corpo como se fosse uma toalha. O meu queixo caiu, aposto que o de todo mundo também.
― Deus abençoe a América! ― Ouvi Bobby falar.
― Alguém viu o meu maiô? ― Katherine perguntou. ― Aqui está o seu celular, sua mãe não para de ligar! O que tem de errado com essa mulher?
O que tem de errado com ela? O que tem de errado com você. Isso é provavelmente só uma reação natural e esperada da minha mãe desde que eu fui para uma festa com você na noite passada.
― Pois, é! O que tem de errado com ela? ― Fingi concordar.
― Acho que encontrei o seu maiô. ― Jon falou, olhando pela janela da cozinha.
Todos nós olhamos para fora pela janela e vimos o mesmo que ele. O maiô que Katherine usava ontem estava pendurado no mastro da bandeira e balançava com o vento.
― É, Bobby! Deus abençoe a América! ― Pablo concordou, com um sorriso.
― Isso são panquecas? Ai, que bom! Porque eu estou faminta mesmo! ― Ela se juntou a eles no balcão e enfiou entre Louis e Mike, passando uma das mãos nos bíceps dos dois, me fazendo rir.
As coisas estavam realmente melhorando para mim. Eu tinha os meus amigos, com seus feitos e defeitos, mas eles eram os melhores. Eu tinha Peter, que era ridiculamente sexy e idiota, mas era o que me fazia gostar dele. Eu tinha uma conselheira que precisava ser aconselhada e a partir de agora eu também tinha uma mãe furiosa me ligando.
― Oi mamãe! ― Falei, ao atender o telefone, tentando amenizar os danos.
― OI MAMÃE? OI MAMÃE? OI MAMÃE, CHARLIE? VOCÊ QUER ME MATAR! SÓ PODE... ― E lá se vai mais meia hora de sermão.
Pelo menos eu sei que de onde os meus ataques de raiva vem, é genético. No fim da tarde, depois de uma sermão infinito da minha vida, os rapazes conseguirem recuperar o maiô de Katherine, da casa estar limpa, as piscinas fora do meio da rua e a vida voltando ao normal na faculdade (com normal, eu quero dizer o nosso normal). Joe, Cece, Amy e Mary Elizabeth em atualizaram dos acontecimentos de ontem a noite a noite de forma detalhada. E agora a pergunta que ficava no ar era, o que fazer com Angel.
― Eu ainda digo que nós deveríamos matá-la. ― Amy falou, quando todos ficaram em silêncio.
Ela estava sentada no colchão de ar que Peter costumava dormir nas minhas primeiras noites aqui. Cece estava deitada na nossa cama e Joe estava sentado na beirada da mesma. Mary Elizabeth estava sentada na cadeira giratória da escrivaninha e eu estava de pé.
― Pensando melhor, não é mais uma ideia tão ruim. ― Joe falou.
― Não se preocupem com Angel. ― Falei finalmente, levantando o rosto. ― Eu quero cuidar dela.
― Tem certeza? ― Joe perguntou fazendo uma careta. ― Estamos falando do mal em forma de pessoa, é a Angel.
― E nós estamos falando sobre Charlie. Charlie que cai de talhados e não se machuca, Charlie que se mete em brigas de bar. ― Amy falou, tentando me defender.
― Brigas de bar? ― Ouvi Mary sussurrar, apavorada.
― Angel não é o tipo de garota que você pode atingir com um soco ou um puxão de cabelo, porque isso não significa nada para ela. Você tem que derrotá-la usando as mesmas armas que ela usa. ― Fiz uma pausa. ― A crueldade. Sorte a minha que eu costumava ser tão cruel quanto ela, talvez até um pouco pior.
Amy, Joe e Mary me olharam com uma certa... surpresa.
― Charlie está certa. ― Cece concordou. ― Angel só pode ter atingida da mesma forma com que ela atinge as pessoas.
― É exatamente o que eu vou fazer. Então, nós vamos nessa festa. Nós vamos nos divertir e eu vou garantir que Angel não se atreva a fazer mais nada.
― Isso por acaso é um tom de vadia na sua voz? Porque queridinha, isso foi cruel. Grrrr! ― Amy falou e fingiu ter garras com as mãos.
― Eu acho que ela está mais para naja. ― Joe falou, fingindo um bote de cobra com a mão.
― Então, nós vamos a essa festa!
POV-Pete
― Charlie, eu estou entrando! ― Falei antes de abrir a porta do meu quarto.
Charlie se virou para me ver entrar. Ela estava vestindo um roupão de seda curto, listrado em rosa bebê e branco. O cabelo estava cacheado e selvagem, nos pés ela usava um salto alto inteiro preto. Os lábios pintados num tom de vermelho escuro para se sobrepor ao cabelo. Ela sorriu ao me ver e baixou os olhos para a única peça que eu vestia.
― Criativo. ― Ela disse primeiro e deu um passo na minha direção. ― E sexy.
― Joe me deu de presente no Natal do ano passado. ― Sorri e falei, me referindo a cueca samba canção com estampa de oncinha que eu usava.
Charlie sorriu.
― E quanto a você, o que está escondendo por baixo desse roupão? ― Perguntei.
― Porque você não é o primeiro a descobrir? ― Charlie disse em tom baixo, com um sorriso malicioso.
Fechei a porta atrás de mim com o pé e me aproximei mais de Charlie, ficando parado de pé na sua frente. Puxei uma das pontas do laço na frente do seu roupão, desfazendo o mesmo lentamente. Assim que ele se desfez, abri seu roupão completamente com as mãos e soltei um gemido de aprovação a hora que vi o que ela estava vestindo.
Charlie vestia um conjunto de lingerie preto com renda, com uma calcinha que parecia pequena demais para ser realmente uma calcinha.
― Gostou? ― Ela perguntou.
― Se eu gostei? ― Invadi o seu roupão com as mãos e as coloquei na sua cintura. ― Eu gostei tanto que nós deveríamos inventar uma desculpa maluca e ficarmos aqui pelo resto da noite. O que você me diz, Margarita?
― Hummmm... ― Ela se fingiu pensativa e colocou as mãos sobre o meu peitoral. ― É uma proposta tentadora, mas nós temos que ir. Tenho assuntos para resolver na festa, mas assim que eu acabar, podemos conversar novamente sobre isso.
― Assuntos para resolver? O que é você, um dos Sopranos? ― Eu sorri.
― Se eu te contasse, teria que te matar. ― Ela disse sorrindo.
― Falando em matar, estou pensando em todos os caras com que eu vou ter que brigar hoje. ― Falei, acenando positivamente.
― Porque? ― Charlie perguntou confusa.
― Para manter as suas mãos e mentes sujas longe de você. Eu vou ficar arrasado se no fim da noite não for eu quem vai tirar essa lingerie de você. ― Fiz um biquinho.
― Não se preocupe com isso... ― Ela falou, deslizando suas mãos no meu peitoral até a minha nuca. ― Eu a vesti pensando em quando você ia tirá-la.
Sorri com o que ela disse e apertei a sua cintura com as mãos, puxando-a para mais perto de mim pela mesma. Charlie envolveu seus braços em torno do meu pescoço e eu me abaixei para beijá-la, mas parei no meio do caminho, com a minha boca a um centímetro da sua.
― CHARLIE, É PRA HOJE! ― Ouvimos Joe gritar lá embaixo.
― É melhor nos apresarmos. ― Ela falou.
― Eu posso fazer mágica com cinco minutos. ― Tentei uma última vez.
― Eu não quero cinco minutos, eu quero a noite inteira. ― Charlie disse isso e sorriu, então se afastou de mim e saiu do quarto na frente, fechando o seu roupão.
Esperei um tempinho para descer depois e encontrar todos os rapazes e Charlie na sala, apenas esperando para irmos. Coloquei o meu Ray Ban Wayfarer e sorri para eles.
― Quem está pronto para uma festa?
― Porque está de óculos de sol? Tá de noite! ― Joe falou, confuso.
― Porque nós estamos indo para a casa do inimigo e eu não quero demonstrar fraqueza. ― Respondi.
― Porque você não coloca meias brancas e uma camisa rosa também? Assim você vai ficar o cosplay perfeito de Tom Cruise em Negócio Arriscado.
― HA-HA. ― Falei sério.
― Alguém quer bala de menta? ― Jon perguntou, abrindo um potinho de bala de menta.
― Eu quero. ― Bruce falou e foi o primeiro a pegar.
― Obrigado. ― Pablo disse, engolindo a sua.
― Eu também. ― Disse Bobby.
― Me dá uma aí. ― Joe falou.
― Essas balinhas são uma delícia. ― Charlie disse.
― Eu quero também! ― Falei, me aproximando deles e pegando uma também.
― Que bala de menta estranha. ― Mike falou, mastigando a bala e engolindo. ― Tem gosto de tudo, menos de menta.
― É porque não é bala de menta. ― Jon falou, fazendo uma pausa para engolir a sua também. ― É viagra.
― MAS QUE MERDA! ― Mike gritou. ― O QUE TEM DE ERRADO COM VOCÊ? Drogando as pessoas desse jeito!
― Não é droga, é só por garantia de que podemos beber a noite inteira e nosso pau ainda vai subir. ― Jon sorriu, orgulhoso. ― Você vai fazer sexo essa noite, Mike.
― É uma boa ideia. ― Pablo falou.
― Não perigo de morrermos, né? ― Bruce perguntou.
― Acho que não. ― Falei.
― Também acho que não. ― Joe concordou.
― O que é viagra? ― Bobby perguntou, ainda chupando a sua.
― Vamos nessa. ― Jon saiu andando na frente e nós o seguimos.
― Charlie? ― Eu a chamei, enquanto ela ainda estava parada no meio da sala de boca aberta.
― NENHUM DE VOCÊS COGITOU A IDEIA DE EU ESTAR TOMANDO VIAGRA? PORQUE CASO TENHAM SE ESQUECIDO, EU AINDA TENHO UMA VAGINA! ― Ela gritou.
― Uh, droga! Eu esqueci que a Charlie é uma garota. ― Jon deu um tapinha na sua própria testa. ― De novo.
― Bom, o mínimo que pode acontecer é você ter uma ereção. ― Bruce falou.
― Eu não tenho um pênis para ter uma ereção. ― Ela disse.
― Então acho que vamos ter que descobrir o que acontece com você na prática. ― Falei, dando de ombros.
― Eu moro com um bando de idiotas. ― Charlie falou.
― Animação, Charlie! ― Joe falou. ― Nós temos uma festa lotada de universitários semi-nus pela frente e no fim da noite ainda vamos poder fazer sexo.
POV-Charlie
Combinei com Amy de nos encontrarmos na frente da casa da Kappa, Mary estava indo junto com ela (provavelmente um pouco contra a vontade dela após descobrir que tipo de festa era aquela). Na rua grega, Power do Kanye West tocava alto vindo de uma casa de esquina. A casa estilo colonial, pintada em tons de branco e rosa bebê, com letras gigantes em dourado cravadas na sacada da frente: Kappa Sigma.
A porta da frente estava aberta como um convite de boas vindas, lá dentro luzes negras piscavam, mas no andar de cima as luzes estavam acessas.
O jardim da frente estava lotado de pessoas e não havia uma só ali vestindo algo que não fosse uma peça íntima. Exceto por Mary Elizabeth, que estava usando outro daqueles vestidos. Amy estava de pé ao seu lado, vestindo uma camiseta grande que lhe servia como um vestido curto. O seu cabelo preto estava preso em um coque bagunçado no alto da cabeça e nos pés ela usava uma pantufa amarela do Pikachu.
Me despedi dos rapazes e Joe foi comigo encontrar as garotas.
― Hei. ― As cumprimentei.
― Gostei das pantufas. ― Joe falou sorrindo e olhando para a pantufas de Amy.
― Obrigado! ― Ela sorriu.
― Cadê a Cece? ― Perguntei.
― Eu não sei. Ela não retornou as minhas mensagens ainda, pensei que ela pudesse estar em uma daquelas sessões de sexo tântrico com o Louis. ― Amy falou. ― Mas disse para ela nos encontrar na festa.
POV-Mary
― Certo. ― Charlie falou e acenou positivamente, então se virou para mim. ― Mary.
A forma com que ela disse meu nome me levava a crer que era basicamente uma pergunta.
― Sim? ― Respondi, meio confusa e insegura.
― O que é isso tudo? ― Ela perguntou, apontando para o meu vestido.
― É um vestido. ― Respondi.
― Eu sei o que é Mary, eu só estou perguntando porque você está o usando. ― Ela tentou novamente.
― Bom, porque roupas são para usar? ― Respondi, sem muita certeza.
― Sim, mas esse não é o tipo de festa que se usa tanta roupa. ― Charlie tentou explicar.
― Onde está Cece com aquele canivete quando nós precisamos? ― Joe falou.
― Não, eu não acho que esteja pronta para ficar praticamente nua na frente de tanta gente de novo. ― Falei.
― Tudo bem. ― Charlie disse, acenando positivamente e concordando de forma gentil.
Eu gostava da forma com que Charlie era gentil comigo e não me pressionava a fazer as coisas. Todos eles, na verdade.
― Porque? Gatinha, você tem tudo lindo aí. Porque esconder embaixo dos panos? ― Joe disse brincalhão, tocando a ponta do meu nariz com o indicador.
― Eu não sei... Eu só... ― Fiquei sem jeito para falar e desviei meus olhos dos dele, olhando para longe.
Foi quando vi Johnny. A cara fechada com uma expressão que nos fazia pensar se era só mau humor, dor ou ele desprezava todos a sua volta mesmo. Ele olhava diretamente para mim, o que fez meu rosto queimar e provavelmente corar. Johnny estava vestindo apenas uma cueca boxer preta e um relógio. Em uma das mãos ele segurava um copo de vidro, reluzindo com um líquido dourado escuro.
― Pensando melhor... ― Falei novamente, ganhando uma onda de coragem após ver Johnny ali. ― Talvez seja melhor se eu não usar também.
Puxei o vestido por cima da minha cabeça e tirei o mesmo.
― É disso que eu estou falando! ― Joe disse rindo.
Ele pegou o meu vestido e o jogou longe. Amy assobiou e disse.
― Joe está certo, você deveria deixar tudo isso aí a mostra.
Fiquei um pouco envergonhada e dei um sorriso nervoso, era completamente intimidador ficar vestindo apenas calcinha e sutiã na frente de uma multidão. Olhei novamente para longe e procura de Johnny, ele estava parado no mesmo lugar, exatamente na mesma posição. Exceto pelo fato de que não parecia mais tão mau humorado, na verdade, ele até exibia um sorriso de malícia e aprovação para mim. Ele levantou o copo e deu um gole, então se virou e entrou de volta na casa da Kappa.
― Então, acho que está na hora de entrarmos nessa festa. ― Charlie falou abrindo um sorriso largo.
POV-Pete
Passei pela porta da frente com os rapazes e fiquei surpreso com a movimentação ali dentro. Eu não podia desmerecer as Kappas por tentarem, a festa era boa, a ideia era boa e haviam pessoas o suficiente para fazer o lugar interessante. Não era lá uma festa ROR (modéstia da minha parte), mas dava para aproveitar. Alguns cômodos da casa estavam com as luzes apagadas e eles haviam colocados luzes negras, em outros as luzes estavam acessas, o que deixou um ambiente legal. No meio da sala, havia uma cama elástica redonda, onde um grupo de capas vestindo apenas lingerie (algumas só a parte debaixo), faziam uma guerra de travesseiros, fazendo penas voarem para todos os lados. Haviam aqueles que usavam os móveis de luxo da casa como mesa de strip poker ou beer pong, ou estavam usando os sofás e poltronas como móvel pra pegação.
― Temos que admitir, isso aqui tá muito bom! ― Jon falou.
― Não encha a moral delas demais! ― Pablo disse, reclamando.
― Ela é definitivamente um anjo. ― Ouvi Bruce falar ao meu lado e me virei para olhá-lo.
Ele encarava algo a nossa frente com a boca aberta e os olhos vidrados. Princess of China do Coldplay e da Rihanna tocava na versão remix do Kat Krazy enquanto ela vinha desfilando na nossa direção. Vestida com um conjunto de lingerie branco da Victoria's Secret, com saltos altos e até as asas como as modelos usavam. As asas iam espetando as pessoas as suas volta, até as roupas da Angel são um incomodo. Ela sorriu para nós, sim, ela realmente estava indo nos cumprimentar.
― Se não são os Roar em uma festa das Kappas. Bem vindos, rapazes! ― Ela disse ao parar na nossa frente.
Bruce pareceu que ia desmaiar e eu o abanei com as mãos, Pablo começou a caminhar a nossa volta, mexendo nos móveis. Mike continuava encolhido com as mãos entre as pernas, apenas esperando a viagra fazer efeito e Bobby parecia encantado com as asas da Angel.
― O que você está fazendo? ― Jon perguntou a Pablo.
― Procurando a câmera escondida, porque isso só pode ser uma pegadinha.
― Esse é o motivo do porque a espécie dele limpa a minha piscina e corta a minha grama. ― Angel falou com desprezo para Pablo.
― Angel, seja boazinha! Não morda! ― Falei para ela, apontando um dedo para ela como quem fala com um cachorro.
― Ele quem começou! Se quer xingar alguém, xingue o Sergio!
― É Pablo! ― Pablo disse ofendido.
― Dá na mesma, Rodrigo! ― Ela revirou os olhos.
― Então, o que você quer? ― Perguntei.
― Eu só estou tentando ser uma boa anfitriã e dar as boas vindas a vocês. ― Ela deu um passo na minha direção e tirou a mão que ela estava mantendo atrás das costas, exibindo uma garrafa de Bourbon. ― Um presentinho para vocês aproveitarem melhor a festa.
Olhei para ela confuso e ela sorriu, encorajadora e me ofereceu a garrafa. Levei um instante para pegar, até que finalmente Jon pegou.
― Esse aqui é dos bons!
― De nada. ― Angel sorriu para ele.
― O que é tudo isso, Angel? ― Perguntei, cruzando os braços sobre o peito. ― O que você quer? O que você vai fazer?
― O quê? Eu estou ofendida, ok? Eu não posso simplesmente tentar ser gentil? Não é sobre isso que vocês falam o tempo todo? Pois bem, eu estou sendo e continua não funcionando. ― Ela disse irritada.
Levei um instante para digerir aquilo, eu não sabia dizer se Angel falava a verdade ou mentia, porque de todas as coisas que ela sabia fazer, a melhor era mentir.
― Obrigado pelo whisky e pela recepção. ― Agradeci.
― Espero que aproveitem a festa. ― Ela sorriu e então me soprou um beijou. ― Te vejo por aí.
Dito isso, ela saiu andando novamente, com as asas espetando as pessoas por onde ela passava.
― MINHA NOSSA, VOCÊ VIU ISSO? ELA MANDO UM BEIJO E DISSE TE VEJO POR AÍ! ― Bruce gritou. ― ELA ME AMA!
― Calma ai, amigão! ― Falei, segurando ele pelos ombros. ― Ela não é tudo isso.
― Eu acho que ela disse te vejo por aí para o Peter, não pra você ou pra mim ou pra nenhum dos esquisitos aqui. ― Jon falou, abrindo a garrafa de whisky.
― As asas dela eram de verdade? ― Bobby perguntou.
― O que você está falando? Cala a boca! ― Bruce disse ofendido. ― Nós tivemos um momento ontem.
― Que momento? Ela te dando um fora? ― Pablo foi quem falou dessa vez.
― Nós só temos uma dinâmica complicada, vocês não entendem! ― Bruce resmungou.
Olhei para Jon e apertei meus lábios. Eu não queria dizer isso em voz alto e muito menos na frente de Bruce, mas eu acho que ela realmente disse isso somente para mim. Angel nunca foi gentil antes.
POV-Charlie
Entramos na casa, eu primeiro, com Amy, Mary e Joe logo atrás de mim. Meus olhos precisaram de um momento para se acostumar com a confusão de luzes onde em uns lugares estavam acessa e em outros apagadas. Assim que nós entramos, Joe e Mary foram pegar bêbidas e eu e Amy fomos dar uma circulada. Logo em entrei na sala principal, Louis veio correndo na nossa direção.
― Charlie! ― Ele chamou. ― Onde está Cece?
― Não sabemos, nós pensamos que ela estava com você. ― Respondi.
― Eu estou tentando ligar para ela, o celular só dá caixa postal. Você viu ela, Amy?
― Mesma situação que você. Eu mandei mensagens para ela dizendo para nos encontrar aqui.
Louis acenou positivamente, mas mordeu seu lábio inferior em sinal de preocupação.
― Eu estava pensando em dar uma passada no loft dela.
― Talvez ela só tenha se atrasado! ― Amy se apressou a dizer. ― Você conhece a Cece, ela é maluquinha! ― Ela soltou uma risada nervosa e um tanto culpada.
― É, eu vou esperar mais um pouco. Se não conseguir falar com ela, eu vou até lá. ― Ele disse. ― Obrigado meninas.
Louis saiu andando e quando ele finalmente se afastou, me virei para Amy.
― Amy, está tudo bem?
― Está? ― Saiu como outra pergunta. ― Está! É claro que está! Está tudo muito bem, porque não estaria?
― Eu não sei, me diz você. ― Eu sorri. ― Você parece nervosa ou... parece saber algo sobre Cece que nenhum de nós sabe.
― De Cece? O que? Que loucura! ― Ela disse como se eu tivesse falado um absurdo. ― Tá usando drogas de novo, Charlie?
― Na verdade, eu tomei um viagra acidentalmente. Mas fora isso, eu estou limpa. ― Disse orgulhosa de mim mesma.
― Ok senhorita sobriedade, vamos encontrar Joe e Mary e acabar com esse problema.
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