Charlie é o Cara
44 Peter é uma mistura de 50% medo e 50% convulsão.
Notas iniciais
POV-Cece
― Abre essa merda, Johnny! ― Gritei irritada, esmurrando a janela do Porsche de Johnny.
― É isso aí! ― Joe concordou.
― Hei, relaxem. ― Adam disse, fazendo um sinal com a mão para nós acalmarmos.
― Relaxem? Abuso ainda é um crime, querido! ― Amy falou.
Johnny abriu a porta do motorista e saiu do carro, seguido por Mary. Graças a Deus ela ainda estava vestida.
― Mas que porra é essa? O que tem de errado com vocês?
― O que tem de errado com você, seu babaca! ― Eu gritei, apontando para ele.
Já estava com raiva o suficiente por ele não ter perdido a oportunidade de colocar coisas na cabeça do Louis, agora vinha com essa. Contornei o carro e fui até o lado dele, esmurrando o seu peito com força, enquanto ele lutava para se defender, empurrando minhas mãos para longe.
― Quer. Parar. Com. Isso. ― Ele disse entre pausas, empurrando as minhas mãos para longe até que decidiu que segurá-las seria mais fácil. ― Você é louca, Cecília!
― Louca? Você não viu nada! ― Agitei meus braços, me soltando dele e me afastando, para não socá-lo ainda mais.
Os punhos cerrados de raiva, eu dei as costas para ele e me aproximei de Mary. Amy estava ao seu lado, com as mãos em seus ombros, Joe e Adam ao lado das duas olhavam a cena.
― Você está bem? ― Perguntei a ela. ― Ele machucou você? ― Mary acenou negativamente. ― Se ele fez alguma coisa, pode falar.
― Ele não fez nada. ― Mary respondeu, um pouco tímida.
― É bom que não tenha feito mesmo! ― Joe disse, olhando sério para Johnny.
― Ninguém está falando com você. ― Johnny falou de forma arrogante para Joe. Então se dirigiu a Adam. ― E o que você está fazendo com eles?
― Eles estavam a procurando, eu a vi com você. Então pensei...
― Pensou errado! ― Johnny o cortou, impedindo ele de terminar de falar. ― O que vocês pensaram? Que eu ia estuprá-la ela ou algo assim?
― Não é de se duvidar vindo de você. ― Joe disse, olhando para ele com desprezo.
Johnny soltou uma gargalhada enfurecida, como se Joe tivesse falado o maior absurdo do mundo.
― Ele beijou você, Mary? ― Amy perguntou.
Mary levou um momento para demonstrar alguma coisa. Primeiro ela olhou para Johnny, como se estivesse pedindo permissão para falar e depois para baixo. Não disse que sim mas também não negou. Amy fez um sinal negativo com a cabeça.
― Pobrezinha. Vem querida, vamos higienizar sua boca, escovar seus dentes com querosene e soda caustica. ― Joe falou, fazendo eu e Amy rirmos.
― Quero ver se você ainda vai ser engraçadinho quando Angel ferrar com você, com todos vocês. Ela já sabe da sua última brincadeirinha. ― Ele apontou para nós três.
― Porque você disse a ela! ― Cuspi com raiva ao descobrir que Johnny não havia dado com a língua nos dentes só para Louis, mas para Angel também. ― E para começar, como você descobriu?
― Não é da sua conta! ― Johnny respondeu, empinando o nariz. ― Vocês estão fodidos! ― Ele disse rindo. ― Diga a Charlie para dormir com um olho aberto.
― Já que você é a putinha de recados da Angel, pode mandar um meu para ela? ― Falei, me aproximando dele como se fosse lhe contar um segredo.
Johnny me olhou de forma suspeita mas não recuou, erro dele. Acertei um soco de punho fechado direto no meio do seu rosto, acertando seu nariz e o fazendo cambalear para trás, com um rugido de dor e levando as mãos imediatamente para o nariz.
― Filha da puta! ― Ele gritou com raiva.
― Amassou meu anel, babaca. ― Disse, olhando para a minha mão. ― Vamos embora daqui.
― Você está bem? ― Adam perguntou, se aproximando de Johnny para ajudá-lo.
― Fique longe de mim! ― Johnny levantou um braço, impedindo Adam de se aproximar.
― Qual é, Johnn...
― Dá o fora daqui! ― Johnny berrou.
Fazendo Adam dar um passo para trás e levantar as mãos em sinal de defesa. Todos nós paramos para olhá-lo. Um filete fino de sangue escorria pelo seu nariz.
― Vamos, Adam. Ele claramente não precisa de ajuda. Ele nem sabe o que é isso. ― Joe falou e saiu andando na frente.
Eu e Amy seguímos atrás com Mary Elizabeth e depois de alguns instantes, Adam correu para nos alcançar.
POV-Charlie
― Uau! ― Falei, rolando de cima de Peter e me deitando ao seu lado na cama. ― Isso foi... uau!
― É, foi razoável! ― Ele disse, dando de ombros. ― Na escala do sexo, eu te daria um seis e meio.
― Sério? ― Me apoiei nos cotovelos para olhá-lo, ainda respirando ofegante. ― Não pode ter sido tão ruim assim.
― Ruim? Foi péssimo. ― Percebi que ele tentava ficar sério, mas estava ficando vermelho de se segurar para não rir, até que ele finalmente começou a gargalhar.
― Não acredito, sério? Odeio você! ― Lhe dei um cutucão na costela com o cotovelo. ― Babaca.
― Você tinha que ver a sua cara. ― Ele falou entre gargalhadas. ― Seis e meio! Você ficou apavorada.
― É claro que sim! Não se faz esse tipo de brincadeira! ― Disse, tentando não rir. ― Não é engraçado! Pare de rir. ― Me irritei e me deitei novamente.
― Ok, ok. ― Ele falou, tomando um longo suspiro e finalmente parando de rir. ― Agora, eu tenho outros planos... ― Peter se movimentou em cima da cama, jogando a camisinha usada no lixo e se levantando para pegar a sua cueca, vestiu-a e voltou a se deitar, de costas para mim.
― O que você está fazendo? ― Perguntei, confusa.
― Eu vou dormir, ué. O que você acha? Pensou que fossemos ficar de conchinha? Tá calor pra caramba! ― Ele respondeu, sem nem se virar.
Cerrei meus olhos na sua direção e já tinha até fechado meus punhos para lhe acertar um croque na cabeça, quando ele se virou novamente, com um sorriso debochado no rosto e começou a gargalhar novamente.
― Engraçado, Peter! Muito engraçado! Transou com algum humorista por acaso? Ou é só um efeito colateral depois de você fazer sexo? ― Disse irônica e fui me levantar da cama, mas Peter me puxou de volta, me impedindo de sair.
― É um efeito colateral de quando eu estou feliz, sabe. As pessoas costumam fazer isso, sorrir, levantar os cantos da boca e soltar um som engraçado por ela. ― Ele falou, sem parar de sorrir por um minuto. Então, me puxou para mais perto dele, me envolvendo com os braços. Deitei minha cabeça em seu peito e coloquei uma perna minha entre as suas. ― Você não vai se vestir logo, né?
― Porque? ― Perguntei, sem entender, levantando o rosto para olhá-lo.
― Porque ficar desse jeito me dá uma ótima visão da sua bunda.
― Minha nossa, Peter! ― Olhei para ele sem acreditar e não resisti sorrir, depois de todas as coisas que ele já havia dito até agora. ― Você é inacreditável!
― Na verdade, eu sou bem acreditável. ― Ele disse debochado, tocando meu rosto com a palma da mão.
― Você se sente culpado? ― Perguntei.
― Culpado? Culpado pelo o que? Foi ótimo! Eu já ia perguntar se poderíamos fazer de novo. ― Ele disse confuso.
― Porque, bom, eu só te conheço tem uma semana. Eu não durmo com todo cara que eu acabo de conhecer.
― Eu também não durmo com todo cara que eu acabo de conhecer. ― Ele disse rindo.
― Eu não consigo falar sério com você, né?
― Eu estou brincando! ― Ele riu. ― Me desculpe. Você acabou de me ver pelado, acho que essa é a forma mais íntima de se conhecer uma pessoa. Não tem mais nada aqui para ver.
― Não, estou falando sobre as coisas que você gosta e as coisas que você não gosta. Esse tipo de coisa... ― Expliquei, meio sem jeito e envergonhada.
― Eu gosto mais de Doritos com Fanta Laranja do que com Coca-Cola. ― Arqueei minhas sobrancelhas e olhei para ele. ― O primeiro jogo de video-game que zerei foi Donkey Kong, adoro o cheiro de bebês, não gosto de música remix, apenas das suas versões originais. Sou judeu. Aprendi a jogar baseball primeiro do que ler. Só assisto pornô com ruivas. Não tenho uma banda favorita porque nunca consigo escolher. A pior experiência da minha vida foi a minha primeira vez. Acho que é só.
Descansei meu queixo em seu peito e fiquei o olhando falar com um sorriso bobo no rosto.
― A pior experiência da sua vida foi a sua primeira vez? ― Arqueei as sobrancelhas. ― Eu gostaria de ouvir essa história.
― De todas as coisas profundas que eu disse você só prestou atenção na parte que envolvia sexo? E depois nós homens é que só pensamos nisso.
― Também gostei da parte do cheiro dos bebês. ― Eu falei e ele riu. ― Então...
― Sabe quando você tira um peixe fora d'água, daí ele começa pular e se debater daquele jeito esquisito? ― Acenei positivamente. Peter fez uma pausa e apertou os lábios. ― Esse sou eu na minha primeira vez. Feito um grande e assustado peixinho procurando o caminho para casa. ― Ele falou sério, enquanto eu estava rindo. ― Isso é serio, ok? Tá vendo? Eu não vou te contar mais nada.
― É impossível não rir! ― Disse ainda sorrindo.
― Eu estava lá tipo um chihuahua, 50% medo e 50% convulsão. Deus, foi horrível.
― Foi realmente tão horrível? ― Perguntei, tentando parar de rir.
― Se foi horrível? Foi péssimo, foi literalmente péssimo. Eu estava todo confiante no começo, porque eu pensei, bem, provavelmente é como nos filmes. Mas foi horrível, assustador e constrangedor. É muito difícil ficar pelado na frente de uma garota.
― Pareceu bem fácil pra você agora. ― Falei, parando de rir e o olhando um pouco curiosa. ― Dormiu com tantas assim que já começou a ficar fácil? ― Perguntei, sem realmente querer saber a resposta.
― Está com ciúmes? ― Ele perguntou, abrindo um sorriso.
O que foi provavelmente uma estratégia inteligente para não responder a minha pergunta, já que ele deveria ter dormido com mais garotas do que podia contar. Afinal, era Pete e ele era um ROR.
― Não, só quero garantir que não vou pegar uma doença venérea.
― Au! ― Peter falou como se eu tivesse lhe acertado um soco e riu. ― Na verdade... ― Ele começou a falar novamente, enquanto deslizava a ponta dos dedos pelo meu braço. ― Morar com os rapazes é que ajudou. Quando se mora com seis caras, é inevitável. Então acaba tornando a coisa mais... natural. O que eu quero dizer, é meio que inevitável ver um monte de caras pelados e caras que te vêem pelado, o que pode te dar mais confiança do que isso?
― Na verdade, isso é meio gay.
― Tão gay, mas Joe diz que tenho um bumbum bonito.
― Você realmente tem. ― Concordei, acenando positivamente.
Um silêncio constrangedor se seguiu e nós ficamos apenas olhando um para o outro.
― Quer fazer de novo? ― Peter finalmente perguntou.
― Achei que você não fosse perguntar. ― Abri um sorriso largo e me estiquei para beijá-lo.
POV-Amy
Adam nos deu uma carona de volta até a rua Grega e nos deixou ali, voltando para a sua namorada. A festa ainda estava rolando madrugada adentro.
― Querem saber o meu plano? Vamos matá-la! Vamos matá-la, gente! Qual é! Eu li um livro e sei como parecer que foi um acidente, podemos matá-la enquanto ela toma banho. Já pensaram nisso? Morrer pelada? ― Fui falando a minha ideia genial para Joe e Cece.
Os dois me olharam como se eu não estivesse falando sério.
― Eu estou falando sério! Muito sério! Nunca falei tão sério!
― Eu não acho que você deveria matar uma pessoa. ― Mary Elizabeth me olhou um pouco assustada.
― Oh não, Angel não está qualificada como pessoa, ela está mais na categoria de abutre ou carniceiro. ― Expliquei.
― Nós devemos avisar a Charlie antes que Angel faça alguma coisa. ― Cece falou.
― Charlie está com Peter, ele pode cuidar dela. Vamos deixá-la com ele enquanto isso. Amanhã de manhã podemos avisá-la. ― Joe falou.
― Peter não pode cuidar nem de si mesmo. ― Acrescentei.
― Quero pisar na cara do Johnny com um sapato cheio de pregos. ― Cece murmurou, com raiva.
Mary Elizabeth estalou os olhos.
― Ele já contou ao Louis? ― Joe perguntou.
Cece abriu um sorriso que dizia: O que você acha?
― Louis soube primeiro que todos nós. ― Ela disse, acenando negativamente. ― Eu preciso de uma bebida. Forte. ― Acrescentou. ― Mantenham os olhos nessa aqui. ― Cece apontou para Mary e saiu andando.
― Porque vocês estão tão surtados sobre isso? Não é como se Angel fosse tão difícil de derrubar assim. ― Disse, meio confusa. ― Vocês falam como se ela fosse o diabo em pessoa.
― Porque ela é, Amy. ― Joe disse. ― Não tem ninguém melhor do que ela no conjunto de fazer da vida das pessoas um inferno. Ela definitivamente não vai deixar isso passar.
― Então vamos matá-la, dã! Seria tão mais fácil! Eu vou encontrar Cece e convencê-la disso! ― Falei e me virei para ir atrás de Cece
Joe olhou para Mary Elizabeth.
― Tá com fome?
POV-Cece
Hold On, We're Going Home do Drake começou a tocar quando coloquei meus olhos em quem eu estava procurando.
― Podemos conversar? ― Puxei Shane pela camiseta para longe de uma rodinha de garotas.
― Sério, Cece? Tá estragando os meus esquemas. ― Ele resmungou quando o puxei para longe.
Shane Bopp (Jamie Campbell Bower) era praticamente um vocalista de uma banda dos anos noventa transportado para os dias de hoje. O cabelo loiro e um pouco comprido parecia ter sido cortado por um portador de mal de parkinson, as argolas de prata que ele usava nas orelhas e uma no nariz, já haviam saído da moda há muito tempo. E ele estava sempre vestido como um dos One Direction. Tinha algumas tatuagens horríveis e sem sentido. Eu não acho que havia disfarce melhor para um traficante.
― Cece White, a princesa que virou plebeia. ― Ele abriu um largo sorriso margo para mim. Shane também tem o péssimo hábito de ser teatral. ― O que posso fazer por você essa noite? Eu trabalhei em algo novo essa semana, é uma das minhas melhores plantas, se você quiser provar.
Ah, eu esqueci de mencionar. Shane estuda botânica na faculdade, o que faz dele praticamente um gênio da maconha.
― Eu não quero maconha, Shane.
― Quer uma noite louca de sexo selvagem e fingir que nada aconteceu de manhã? Por mim numa boa também. ― Ele disse sério demais para estar brincando.
― Você sabe o que eu quero.
Ele entortou os lábios e me olhou de mau humor.
― Está nessa merda de novo, Cece?
― Não se preocupe, não vou envolver seus negócios nisso.
― Não estou preocupado com os meus negócios, estou preocupado com você. Eu pensei que você tivesse parado.
― Eu parei. ― Dei de ombros. ― Eu só preciso de um pouco.
― Um pouco? ― Ele esfregou o queixo com a mão, se fingindo de pensativo. ― Não sei...
― Se não vai me vender, é só dizer. Posso encontrar outra pessoa bem rápido para o serviço.
Shane apertou os lábios e me olhou sério, então soltou um suspiro cansado. Eu havia conseguido convencê-lo.
― Sabe o que eu penso sobre essa merda, Cece. Mas ainda assim preciso pagar as minhas contas. ― Ele disse colocando as mãos no bolso. ― Mas não vou deixar isso sair do controle novamente. Estou te fazendo um favor, mas quero você longe disso.
Shane tinha um ponto de vista um tanto controverso para um traficante. Ele defendia a ideia da maconha e sempre insistia em nos lembrar de que ninguém na história do mundo havia morrido por usar maconha, mas não defendia da mesma forma outras drogas, verdade seja dita, ele odiava a ideia e só mexia com isso porque realmente precisava do dinheiro.
― É sua obrigação como traficante se preocupar com o que os seus clientes estão usando? ― Perguntei, impaciente.
― Somos mais do que cliente e traficante, somos amigos. ― Ele disse tirando um saquinho transparente com pó branco do bolso, o levantou e o ofereceu para mim. Tentei pegá-lo mas Shane o segurou com força. ― Como está seu namorado? O garoto com nome francês. Vi ele saindo do seu loft esses dias.
― Louis está bem e não é meu namorado. E antes que você pergunte, isso não tem nada a ver com ele. Mais uma coisa, você não tem mais nada para fazer do que ficar espiando a minha vida?
― É difícil quando somos vizinhos e as paredes são finas. ― Shane sorriu.
― As paredes são de blocos de concreto, Shane.
― Mais um motivo para eu ficar atento. ― Ele soltou o pacote e eu o peguei, entregando o dinheiro a ele. ― Se precisar de alguém para conversar ou sei lá, é só bater na porta ao lado.
― Você é a última pessoa para qual eu contaria os meus problemas.
― Na verdade, eu sou a primeira. Não pode pedir uma anestesia para dor na consciência para os seus amigos ou no hospital, você pede pro seu traficante.
Acenei positivamente e me virei, me afastando dele. Dei mais três passos e esbarrei em alguém, derrubando o saquinho no chão.
― Merda. ― Falei sem perceber, me abaixando rapidamente para pegar e quando me levantei, vi Amy parada na minha frente.
Ela ficou sem reação por um momento, olhando para mim e para o que eu tinha na mão. Apertei o punho em torno do pacote e me levantei lentamente.
― Isso é o que eu acho que é? ― Ela perguntou, meio em dúvida.
― Não, é sal. ― Ela sabia que era mentira, mas era apenas uma forma de dizer que isso não estava em discussão. Amy apenas continuou me olhando, esperando uma resposta. ― Que tal se fingirmos que isso nunca aconteceu?
― Está usando cocaína, Cece?
― Não é para mim.
― Sério? Essa não vai colar. ― Amy disse, cruzando os braços.
― Apenas não conte a ninguém, ok? Por favor. Não é um problema, apenas não diga a ninguém. Eu juro. ― Continuei, tentando convencê-la a não dizer nada. ― Por favor, Amy.
― Acho que cocaína é um problema de qualquer forma, mas se você me garante. Eu não digo a ninguém. ― Ela falou meio sem jeito.
― Obrigado, Amy.
POV-Mary Elizabeth
Eu estava sentada em um dos bancos altos do balcão da cozinha da casa da Roar Omega Roar. O balcão estava lotado de garrafas, copos e bandejas de salgadinhos. Não haviam muitas pessoas ali na cozinha agora. Joe montava dois sanduíches na pia e logo voltou, com dois pratos e duas garrafas de cervejas. Colocou um prato e uma garrafa na minha frente e os outros para ele, e se sentou no banco livre ao meu lado.
― Não é querendo me gabar não, mas entre todas as coisas que eu não sei cozinhar. Sanduíches é o que me saio melhor. ― Ele sorriu.
― Não se preocupe, obrigado Joe. ― Eu sorri para ele e peguei metade do sanduíche do prato, dando uma mordida. Estava bem gostoso, na verdade. ― Está bom.
― Você está com fome, por isso é que está bom. ― Joe disse bem humorado e fez uma pausa, dando uma mordida no seu também. ― Mas e aí, como foi? Como foi beijar o lendário Johnny Gat?
Olhei para ele e apertei os lábios, encolhendo os ombros. Sem saber o que dizer.
― Foi bom. Foi muito bom, na verdade. Mesmo que eu não tenha outros caras para comparar.
― Ah, então você foi outra que sentiu borboletas e frio na barriga ao beijá-lo? ― Ele disse sorrindo. ― Espera aí, não tem com o que comparar? Ele foi seu primeiro beijo? ― Joe parou de sorrir.
― Sim. É vergonhoso, eu sei.
― Não é vergonhoso, é triste, na verdade. ― Joe disse como se fosse me dar a notícia de uma morte.
Baixei meus olhos para o prato e ele se aproximou mais de mim.
― Eu sei que isso provavelmente vai doer como um soco no estômago, Mary... ― Ele começou a falar e passou a língua pelos lábios, dava para perceber que ele tentava escolher sabiamente as suas palavras para continuar a falar. ― Mas, Johnny, ele é um cara bonito e pode ser fácil se enganar por aqueles olhos azuis, as sardas, o sorriso mau...
― Ele foi gentil comigo. ― Acrescentei, antes que Joe pudesse dizer algo ruim sobre ele, porque eu sabia que ele diria.
― Ele pode ter sido, Mary. Mas ele não é. Você não conhece esse tipo de cara ainda, mas deixe eu te alertar antes para que você não possa se machucar depois. Caras como Johnny, eles só querem uma coisa de você e depois que eles conseguirem isso, quando eles perceberem que você está apaixonada, eles vão partir o seu coração. É inevitável. Não coloque expectativas nele, não coloque amor, não se esforce porque vai acabar mau para você. Pode não fazer sentido agora mas um dia você vai entender o que eu quero dizer, que caras como Johnny não mudam, só encontram novas maneiras de mentir.
Acenei positivamente ao ouvir o que ele disse. Mas eu simplesmente não conseguia ver Johnny sendo tão mal assim.
POV-Charlie
Eu estava deitada na cama embaixo de Peter, com um braço ele se apoiava na cama ao meu lado e com o outro, levantou uma das minhas pernas até a altura da sua cintura pela parte de trás do meu joelho. Envolvi a minha perna em torno da sua, pressionando o meu calcanhar contra a sua panturrilha. Uma das pernas de Peter estavam entre as minhas e eu movia meu quadril devagar, esfregando a minha virilha contra a sua cocha. Uma mão minha estava entre seus cabelos e eu puxava a ponta dos fios de leve, deslizei a outra mão por toda a extensão do seu braço até seu ombro quando ele tocou a minha cocha com a mão. Sentindo cada centímetro do seu braço e a forma com que os músculos do mesmo se contraiam enquanto ele me tocava.
― Adoro seus braços. ― Sussurrei contra seus lábios, fazendo Peter abrir um sorriso convencido.
Em resposta ao meu elogio, ele usou ainda melhor a sua mão livre. Deslizando-a pela minha barriga, cintura, cocha e desceu até a minha bunda, apertou a mesma e empurrou mais meu quadril contra a sua perna. Soltei um gemido abafado e involuntário, sentindo um arrepio tomar conta de todo o meu corpo com a pressão da sua pele contra a minha. Arranhei seu bíceps levemente. Coloquei uma mão no seu peitoral e fui descendo com a mesma para baixo pelo seu corpo, até encontrar o cós da sua cueca. Quando finalmente encontrei tecido, deslizei minha mão sobre o volume na sua cueca. O desenho perfeito sob o tecido, comprido que parecia que ia rasgar a qualquer momento. Minha testa estava encostada contra a dele, nossas respirações ofegante e descompassadas. Comecei a esfregar a minha mão sobre o volume na sua cueca, intercalando com apertões do leve. Peter deslizou seu polegar sobre os meus lábios antes de sair de cima de mim e começar a descer.
Depositando beijos sobre a minha barriga, dobrando os meus joelhos. Peter só parou quando se ajeitou entre as minhas pernas, deitando com seu rosto entre elas. Começou a beijar uma das minhas cochas e foi descendo pela mesma até chegar na minha virilha, ele passou a língua pelos lábios, deixando os mesmos molhados antes de me tocar. Já me preparando para o que estava por vir, apertei o lençol da cama com as mãos, olhando para Peter na expectativa. Quando ele finalmente me tocou, foi melhor do que eu esperava. Deu um beijo molhado sobre o meu sexo, seguido por sua língua que se infiltrou entre os meus lábios. Abri a boca mais não saiu som algum. Mesmo se eu quisesse gritar, eu não ia conseguir. Eu não conseguia raciocinar os meus pensamentos direito enquanto a língua dele pincelava em mim. Arqueei minhas costas e levantei meu quadril sem perceber, Peter envolveu seus braços em torno das minhas pernas e me puxou para baixo novamente, mantendo meu quadril preso ao colchão e a sua boca.
Mordi meu lábio inferior e apertei meus olhos, jogando a cabeça para trás e aproveitando as sensações. A ponta da sua língua ao redor do meu clitóris e quando ele sugava o mesmo, prendendo-o entre os lábios. Minhas mãos já estavam doendo com a força com que eu apertava os lençóis. Mas quando a sua língua deslizou até a minha entrada e Peter apertou seus braços em torno das minhas pernas, sabendo que eu ia me mover. Ele me penetrou com a língua e eu soltei um gemido alto em forma de palavrão, me sentando na cama.
― Você está bem? ― Peter perguntou, me olhando um tanto assustado com a minha reação e ainda segurando as minhas pernas.
― Eu estou muito bem! Cala a boca e poe ela de volta aí! ― Gritei, empurrando a cabeça dele para o meio das minhas pernas com uma das mãos.
POV-Cece
Eu estava sentada sozinha nos degraus da frente da casa da ROR, vesti uma das camisas xadrez de Peter que encontrei lá dentro e guardei o saquinho no bolso da mesma. Olhei para as pessoas em volta e depois para dentro do bolso da camisa, o saquinho branco brilhando de forma tentadora, sozinho no fundo do mesmo. Olhei a hora do meu celular e vi que já eram quase quatro da manhã. Say Now do The Rival estava tocando. Olhei em volta novamente, procurando um rosto conhecido. Foi quando vi Angel, andando com Willa e Stacey ao seu lado.
Me levantei de um salto dali e corri na direção dela para alcançá-la.
― Angel! ― Chamei seu nome, antes de parar ao seu lado.
Ela parou de andar e se virou na minha direção, com um olhar de surpresa direcionado para mim. Fez um sinal para Willa e Stacey continuarem indo.
― É muita coragem a sua vir falar comigo né? ― Ela falou, meio irônica e completamente venenosa.
― Angel, olha... ― Comecei a falar, apertando a ponte do nariz. Mas ela me cortou.
― O que? Veio pedir desculpas? ― Ela fez uma pausa e sorriu. ― Oh, não, eu quase me esqueci. Você nunca pede desculpas, é uma regra que você mesma me ensinou.
― Angel, eu sei o quão má você pode ser. Eu sei o quão fundo você pode ir. Mas... ― Eu gaguejei. ― não faça nada estúpido. Se quer punir alguém, que seja nós. Não as pessoas a nossa volta e deixe Charlie fora disso.
― Porque eu a deixaria fora disso? É com ela mesmo que eu mais quero brincar. ― Angel sorriu. ― É engraçado ter você aqui me implorando para não fazer nada com você e os seus amigos. O que você acha que eu devo fazer primeiro? Devo ir atrás da asiática? Ela parece um alvo fácil. Ou que tal... se eu contar para todo mundo do segredinho sujo de Joe? Qual será a reação de Adam quando ele souber que Joe contou para todo mundo que eles estavam juntos?
― Angel, por favor. ― Eu pedi de forma calma, tentando negociar com ela de alguma maneira.
― Ou devo começar por você? Está usando cocaína de novo, Cecília? ― Ela tocou o bolso do meu camisão com o indicador e abriu a boca, fingindo surpresa. ― Vi você falando com Shane, não podia perder a oportunidade de olhar mais de perto. Qual será a desculpa dessa vez quando seus pais decidirem te internar? Férias no Caribe? Escola na França? Internato novamente? E o que Louis vai dizer? Agora não pode mais culpar a fraternidade por ser uma viciada, Cece.
Angel deu de ombros e não parou de sorrir nem por um momento.
― Vejo você por aí. Espero ver você na minha festa amanhã. Shane está convidado. ― Angel piscou e saiu dali rebolando e mascando chiclete.
Esperei um momento, ficando parada ali. Apenas cerrando os punhos de raiva. Peguei o saquinho do meu bolso e sai correndo dali em direção da casa da ROR. Esbarrei em algumas pessoas no caminho, passando direto em me desculpar. Acabei esbarrando em Bruce sem querer, ele me olhou confuso.
― Cece, você está bem?
Eu não respondi, apenas continuei em frente. Atravessando os obstáculos até chegar no banheiro.
POV-Pete
― Eu preciso de um banho. ― Charlie falou.
Ela estava deitada de bruços, os olhos estavam fechados. O seu cabelo estava todo jogado para um lado só e ela havia se enrolado no lençol até a altura da cintura. Eu estava deitado de lado, apoiado em um cotovelo e fazendo desenhos imaginários com o dedo indicador nas suas costas. Ela parecia ainda mais bonita agora, sem maquiagem, com os lábios naturalmente vermelhos, o cabelo bagunçado. Nua, na minha cama, também ajudava. Girls do The 1975 estava tocando lá embaixo e nós ouvíamos através das paredes.
Nós dois estávamos cansado demais depois de Charlie me pedir para fazer de novo, de novo, e de novo e mais uma vez depois disso.
― Ok, vamos tomar um.
― Só um banho mesmo, porque não acho que consigo fazer sexo novamente. ― Charlie falou, me fazendo rir. ― Minha vagina não está preparada para isso. Vagina é uma palavra feia.
― Só um banho mesmo, também não acho que vou conseguir ter uma ereção pelo menos até o próximo mês. ― Falei, ainda deslizando meus dedos pelas costas dela.
Charlie virou o rosto para o meu lado e me olhou, arqueando uma sobrancelha.
― Ok, talvez não tanto. ― Falei.
― Bom mesmo! ― Ela disse, fechando os olhos novamente e me fazendo sorrir.
― Você estava certa, sabe... sobre nós não nos conhecermos bem. ― Comecei a falar, olhando para as suas costas e para as sardinhas que ela tinha espalhadas pela mesma, deslizando a palma da minha mão por ela. ― Quero saber de você também. As coisas que você gosta, que não gosta, seus medos, as coisas em que você é boa, que é praticamente tudo. ― Falei e ela riu. ― Você sabe tocar algum tipo de instrumento?
Charlie abriu um olho só e sorriu debochada.
― Que tipo de pergunta é essa?
― O tipo de pergunta que você responde, eu quero saber a resposta ué. Eu estou curioso sobre você. ― Sorri para ela. ― Apenas responda.
― Sei tocar violoncelo e piano. ― Ela disse. ― Minha mãe me obrigou a aprender quando eu era pequena. Eu odiava ir as aulas e tocava clássicos do rock para o meu pai no violoncelo, isso deixava ela furiosa. ― Charlie sorriu, me fazendo sorrir também.
― Você aceita pedidos? Agora você acabou de me dar uma ótima fantasia sexual onde eu imagino você pelada, tocando um clássico do rock para mim.
― Você é um babaca! ― Ela gargalhou. ― Mas não é uma ideia tão ruim. E você?
― Além do meu próprio instrumento? ― Falei. ― Bom, quando eu era pequeno eu era muito bom em batucar em panelas com uma colher de pau, até o dia em que minha mãe não aguentou mais e me levou para uma aula de bateria. Então quem passou a não aguentar mais foram os vizinhos, mas minha mãe gostava. Também sei tocar gaita, meu avô me ensinou.
― Gaita? Você é mesmo um cowboy!
― Cowboy, gosto disso. ― Sorri orgulhoso.
― Qual é seu filme favorito? ― Charlie perguntou.
― Show de Vizinha. ― Respondi, sem pensar duas vezes.
― Seu filme favorito é sobre um garoto que se apaixona por uma atriz pornô? ― Ela perguntou, abrindo os olhos novamente.
― É um clássico.
― É um clichê.
― É um ótimo filme. E quanto ao seu? Aposto que vai dizer um filme com ótima nota em crítica mas é horrível. Algo como A Pele que Habito ou algum filme do Woody Allen. Mas secretamente seu filme favorito é um clichê de sucesso que é também o seu prazer secreto. ― Charlie apertou os lábios para não sorrir e acenou positivamente. ― Eu sabia! Você é uma romântica, Charlie. Não pode me enganar. Qual é seu filme favorito?
― Gatinhas e Gatões, Namorada de Aluguel e 10 Coisas Que Eu Odeio Em Você, não consigo me decidir entre os três.
Foi impossível não rir.
― Não ri! ― Ela disse séria.
― Estou rindo porque é bonitinho. Mas eu nunca assisti Gatinhas e Gatões.
― Como não? Minha nossa, o que tem de errado com você? ― Ela perguntou indignada.
― Nós podemos assistir, se você admitir que gosta de Show De Vizinha.
― Qual seu livro favorito? ― Ela mudou de assunto imediatamente, orgulhosa demais.
― O Guia do Mochileiro das Galáxias. ― Charlie abriu um largo sorriso.
― Você é tão menininho. ― Ela se esticou na cama e se apoiou nos braços, me dando um selinho rápido. ― Me encontra no chuveiro?
― Você ainda pergunta? ― Sorri para ela.
Continuei deitado, olhando ela se levantar e se enrolar em uma toalha.
― Não demore. ― Ela disse e me soprou um beijo, saindo e fechando a porta atrás de si.
Me levantei da cama rapidamente e vesti minha bermuda que estava no chão, peguei uma toalha e já sai, trancando a porta do meu quarto novamente. Me virei para descer e encontrei Bruce.
― Cara, onde você tava? Sumiu a festa inteira! ― Ele perguntou se aproximando.
― Ham... eu... ― Gaguejei. ― Eu estava por aí. Sabe como é. ― Forcei um sorriso.
― Por aí, é? ― Bruce perguntou, com um sorriso malicioso no rosto. ― Ganhou esse chupão no pescoço por aí, também?
― Merda. ― Murmurei, sem perceber. Colocando a toalha em volta do pescoço para esconder. ― Foi um pernilongo... é verão.
― Aposto que foi um pernilongo bem grande.
― Você não faz ideia. ― Acenei positivamente. ― Eu... é melhor eu ir. ― Fiz um sinal para a escada.
POV-Charlie
Bati na porta do banheiro, eu queria poder entrar ali o mais rápido possível. Não era muito seguro vestir apenas uma toalha em um fim de festa cheio de universitários bêbados. Não tive resposta do banheiro e bati novamente na porta.
― Tem alguém aí? ― Perguntei.
Foi então que a porta se abriu bruscamente e eu dei de cara com Cece, ela ia dizer algo ruim mas se calou no momento em que me viu. Sua expressão ficou de espanto, seus olhos estavam estalados e ela parecia nervosa.
― Hei, Cece. Você está bem? ― Perguntei.
― Ótima. ― Ela respondeu e forçou um sorriso. ― É todo seu.
Foi a única coisa que ela disse antes de sair dali correndo, passar por mim como um raio. Me virei para vê-la se afastar e vi Amy parada no fim do corredor, Cece passou direto por ela também. Amy veio caminhando na minha direção.
― Hei. ― Falei quando ela parou na minha frente, sorrindo para ela. ― Como foi a festa?
― Ah, foi ótima! Pablo me colocou para baixo de um cachorro de rua, Mary Elizabeth se meteu em problemas e Cece... ― Ela parou de falar bruscamente, apertou os lábios, pensando para continuar. ― Cece é a Cece de sempre. Mas e quanto a você, hein? Sua aparência está em 50% cara de atriz pornô após gravar um filme e os outros 50% estão bem parecidos com a cara da Paris Hilton quando sai da balada.
― Sério? ― Perguntei.
― Não, claro que não! Parece que você está ainda mais bonita, o que tem de errado com você? Eu hein! ― Ela riu. ― Mary está dormindo do quarto do Joe e eu realmente estou pensando em me juntar a ela, já que caminhar de volta até o dormitório está fora de cogitação. Pode me emprestar um pijama?
― Claro. Pete está descendo, pega a chave do quarto com ele. Leva um para a Mary também.
― Ok, obrigado Charlie. ― Amy se virou para sair, mas parou e se virou novamente. Como se estivesse esquecendo algo realmente importante e ela estava. ― Quase me esquecendo, Angel está sabendo que fomos nós que a atacamos. Ok, talvez atacamos não seja a palavra mais apropriada para a situação. ― Minha expressão mudou para completo choque. ― Pois é, eu também fiz essa cara. Nem me pergunte porque não faço ideia de como ela descobriu, provavelmente é um dos poderes de capiroto dela, aposto que ela esconde uma cauda pontuda e um tridente embaixo daquela mini-saia. Johnny está envolvido nisso e ele também beijou Mary Elizabeth.
― Minha nossa, quanto tempo eu fiquei fora?
― Algumas horas. Não muita coisa. Mas sabe como é, as coisas acontecem rápido por aqui, é uma loucura. Bom... boa noite, Charlie. ― Ela bocejou e se virou para sair.
Me virei para a porta aberta do banheiro e mordi meu lábio inferior, tentando conter a minha melhor expressão de: FODEU, É ISSO AÍ!
Entrei no banheiro e tranquei a porta, fiquei parada por um momento tentando pensar em alguma coisa. Mas no momento eu só conseguia imaginar de todas as forma que Angel tentaria arruinar a minha vida. Liguei o chuveiro na água fria, que com o calor estava razoavelmente morna. Entrei na banheira e me sentei na mesma, embaixo do chuveiro, deixando a água cair e ela ir enchendo lentamente. Abracei meus joelhos e apoiei meu queixo em um deles, enquanto isso fiquei ali. Encolhida no canto, apenas esperando Pete aparecer com a solução mágica ou um simples comentário bem humorado que ia resolver a situação.
Esperei por mais um tempo, movendo a cabeça ao som de Trumpets do Jason Derulo que tocava lá fora, quando finalmente ouvi alguém bater na porta e não dizer que precisava fazer xixi.
― Charlie? ― Peter perguntou.
― Eu estou aqui. ― Respondi, falando alto para ele me ouvir através da porta e da música na festa.
― Eu sei que você está aí, mas eu preciso que você abra a porta.
― Eu sei que você sabe que eu estou aqui e que precisa que eu abra a porta, mas está tão bom aqui. ― Resmunguei. ― Você não pode entrar pela janela?
― De jeito nenhum! ― Ele disse indignado do outro lado.
― Ok! To indo!
Sai da banheira, pingando água por todo o banheiro e destranquei a porta, abrindo-a e me escondendo atrás dela enquanto Peter entrava. Assim que ele entrou, fechei a porta e a tranquei novamente. Ele se apoiou com um braço na porta e o colocou uma mão na cintura, com as pernas cruzadas, me olhando dos pés a cabeça.
― Você demorou.
―Sim, tive que ouvir um discurso da Amy sobre o que havia de errado com você e as suas calcinhas. Você está pelada. ― Ele sorriu.
― Sim, Peter. Se chama tomar banho. Água e sabão.
― Pelada. ― Ele repetiu, acenando positivamente e sorrindo.
― Não tem nada aqui que você já não tenha visto a meia hora antes. Ou colocado a língua. ― Falei, caminhando de volta para a banheira. ― Eu queria bolhas. Mas a única coisa que vocês tem aqui é esse shampoo, que também é condicionar e também é anti-caspas. ― Peguei um vidro verde de shampoo que estava ao lado da banheira.
― Nós também estamos usando ele como sabonete porque esquecemos de comprar sabonete e acabou. ― Peter acenou positivamente, explicando.
― Que surpresa!
― Mais uma das mil e uma utilidades dele, é que ele também faz muita espuma. ― Peter falou, enquanto abria o pote de shampoo e despejava um pouco dentro da banheira. Ele se agachou ao lado da banheira e mexeu a água com a mão, fazendo espuma imediatamente. Ele olhou para mim e sorriu.
Abri um sorriso largo e satisfeito para ele, pegando um pouco de espuma e passando no seu nariz.
― Tem espaço para mais um aí? ― Ele perguntou, se levantando e limpando o nariz.
― Hum, acho que não...
Ele nem me deixou terminar de falar quando simplesmente tirou a bermuda e a cueca, entrando na banheira e despejando água e espuma por todo o banheiro.
― Vai para lá, Charlie! Minha nossa, como você é folgada meu! ― Ele disse ao entrar na banheira, tentando esticar as pernas.
― Eu sou folgada? Eu cheguei aqui primeiro! Você tá jogando todas as minhas espumas para fora da banheira! ― Falei irritada, pegando a espuma que caiu no chão e tentando colocá-la de volta na banheira.
― Espuma? Você quer espuma? Então toma espuma! ― Ele arrancou a tampa do shampoo e despejou o vidro inteiro dentro da banheira.
Ele começou a agitar a água com a mão, fazendo um monte de espuma.
― Droga, Peter! ― Gritei irritada, empurrando uma parede de espuma que ele estava construindo entre nós, enquanto ele ria. ― Eu vou te matar!
Quando estiquei minhas mãos para fechá-las em seu pescoço, Peter puxou meu calcanhares por debaixo d'água, me arrastando pela banheira e me puxando para mais perto. Me sentei entre as suas pernas de frente para ele, com uma perna de cada lado do seu corpo com elas esticadas e as pernas dele da mesma forma comigo.
― Quase, mas já estou começando a me preparar para as suas tentativas de assassinato. ― Ele disse convencido por ter conseguido evitar de eu enforcá-lo.
― Não seja tão convencido, você ainda está bem vulnerável. ― Olhei para baixo, indicando as suas pernas abertas.
Ele cerrou os olhos para mim.
― Você não se atreveria, isso é jogo sujo!
― E quem falou que eu jogo limpo? ― Eu disse sorrindo e arqueando uma sobrancelha.
Peter segurou meu rosto com as duas mãos, ainda molhadas e quentes por ficarem embaixo d'água. Sorri com seu toque e ele sorriu de volta, então se inclinou para me beijar. Selando nossos lábios, mas eu me afastei, fazendo uma careta. Peter me olhou confuso e manteve os lábios esticados.
― Tem sabão na sua boca. ― Falei.
― Ah, Charlie! Sério? ― Ele disse gargalhando, sem acreditar que eu tinha me afastado dele por isso. Acenei positivamente. ― Você viu que tá nascendo uma barbinha aqui no meu queixo? ― Peter falou, passando uma das mãos sobre o queixo, orgulhoso. ― Sente só. ― Pegou minha mão e passou sobre seu queixo. ― Acho que vou usar cavanhaque, bigode é maneiro mas é mais uma coisa do Pablo...
― Peter, não tem nada aí. ― Falei, impedindo-o de continuar.
― Tem certeza? Passou a mão direito?
― Não tem nem um cabelinho aí. ― Acenei negativamente.
― Tem certeza absoluta?
― Uhum.
― Droga. ― Ele resmungou. ― O que você acha se eu raspar esse aqui ― Peter passou a mão no meio do seu peitoral. ― e colar no rosto?
― Cala a boca! ― Disse rindo, sem acreditar que ele havia dito aquilo.
― Aprendi uma cantada nova, estava doido para te mandar. Mas já que você já dormiu comigo, não faz diferença. Mas vou mandar do mesmo jeito só para não perder a pratica, está preparada? ― Acenei positivamente, já me preparando para o que viria a seguir. ― Olha só para você, com todas essas curvas e eu sem freio nenhum.
Fiz uma careta.
― Não?
― Não. ― Acenei negativamente para ele.
― Que tal essa oh, o que uma garota como você está fazendo em uma mente suja como a minha? ― Ele piscou para mim.
― Desista, você é péssimo nisso. Horrível. ― Acenei negativamente.
― A esperança é a última que morre.
― O que você prefere, sexo ou comida? ― Perguntei a ele, colocando minhas mãos sobre os seus ombros.
― Ah, não! Isso é tão difícil de escolher! Minha nossa! ― Ele reclamou. E levou um instante para pensar. ― Posso escolher os dois? ― Acenei negativamente. ― Ok, vou ficar com sexo porque os seus peitos estão me influenciando. Vinho ou chocolate? ― Peter perguntou para mim.
― Vinho ou chocolate? Suas perguntas são esquisitas, Peter.
― Eu não sou bom com improvisos.
― Percebi, você só abre a boca e solta. ― Acenei positivamente sorrindo, essa era uma das coisas que eu mais gostava nele. Como ele era impulsivo. ― Pete, preciso te dizer uma coisa.
― Ok. Mas só para constar, não gostei do seu tom de voz. Foi o tom de voz que pode ser usado quando você matou uma pessoa e está escondendo o corpo embaixo da nossa cama ou também pode usado para dizer que o sexo foi horrível. ― Ele disse brincalhão. ― O que foi?
― Também pode ser usado para dizer que eu fiz uma coisa ruim? E que provavelmente sou uma pessoa horrível, hipócrita, estupida e...
― O que você fez? ― Ele perguntou, me impedindo de continuar. ― Não pode ter sido tão ruim assim. A menos que você tenha atropelado um cachorro, então isso é muito ruim, Charlie. Muito ruim mesmo.
― Fui eu quem ataquei Angel. Bom, eu tive uma ajudinha. Mas... ― Falei, olhando para a espuma, com vergonha. ― Fui eu. ― Levantei meu rosto novamente para olhar para Peter e sua expressão era de completa surpresa.
Ele abriu a boca mais não disse nada por um momento. A fechou novamente e levou um instante para falar.
― Charlie, você é uma pessoa horrível. Hipócrita. Estupida. ― Ele falou sério, fazendo pausas a cada adjetivo. ― Porque não me chamou para participar? Minha nossa!
Um sensação de alívio me invadiu e me fez rir quando ouvi a segunda parte do que ele tinha a dizer e percebi que ele estava rindo. Eu sabia que Peter não nutria lá os melhores sentimentos por Angel, mas isso provavelmente não era o fato de Peter ser sempre tão compreensivo. Ele simplesmente era, tinha um bom coração.
― Olha... se você o fez, eu sei que tem um bom motivo e uma boa explicação para isso. ― Peter disse, tocando os meus joelhos com as duas mãos. ― Não tem que ficar se culpando, Charlie. Eu não vou julgar porque eu não sei o seu ponto de vista e nem o dela, então não posso dizer o que é certo e o que é errado. Mas se pareceu certo para você naquele momento, então é porque foi. E mesmo que não tenha sido, não se culpe, porque bom, estamos aqui para aprender, certo?
Sorri para ele, sem conseguir evitar. Peter tinha tanta graça, um coração tão bom que chegava a partir o meu. Eram esses momentos os que mais me assustavam, os momentos que me faziam perceber que eu poderia realmente estar me apaixonando por ele.
― O que foi? ― Ele perguntou rindo. ― Está me olhando de um jeito esquisito. Ainda tem espuma no meu rosto? ― Peter passou a mão no rosto, limpando-o.
― Não tem nada de errado com seu rosto. ― Falei.
― Ok, então o que foi?
Abri a boca para falar, eu queria dizer. Queria simplesmente abrir a boca e falar sem pensar nas consequências como ele fazia, mas eu não podia. Não conseguia e tinha medo do efeito que isso poderia causar.
― Na verdade, eu estava pensando que essa banheira é muito pequena ou você é muito grande. ― Disse, mudando de assunto e sorrindo para disfarçar.
― Eu acho que seja os dois. ― Peter falou. ― É por isso que vamos ter que nos espremermos aqui.
Peter me puxou pelos braços na banheira para cima dele, ele encostou as costas no apoio da banheira e eu fui em cima dele, me deitando sobre ele e entre as suas pernas. Envolvi meus braços em torno do seu pescoço e o beijei sorrindo.
― Assim está melhor. ― Ele disse com seus lábios sobre os meus.
Sim, assim estava bem melhor.
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