Charlie é o Cara
8 Onde tem uma faísca tem uma chama .
Amy Kimura (Arden Cho), ás vezes eu me pergunto: ela é mesmo uma pessoa de verdade? Amy parece um personagem saído de um anime. Você já assistiu Encantada? Ela é Encantada versão anime. Com a fobia mais esquisita do mundo e sendo um desastre social, extremamente sincera e sem papas na língua, sempre fala o que pensa. Independente de todas essas coisas, Amy é provavelmente uma das pessoas mais gentis, únicas e verdadeiras que eu conheço.
POV-Pete
Olhei na direção que Mike apontou. Era impossível ela não se destacar no meio de todo o comum das outras garotas. Com um vestido rodado, azul claro e com umas florzinhas. Quantos anos ela tem para estar usando isso? Nove? Ela olhava em volta, meio perdida como se estivesse procurando alguém. Foi impossível não sorrir olhando para ela. Ela é daquelas minas que te faz encher os olhos só de olhar, sabe?
E o cabelo e a boca, o cabelo e a boca... os dois vermelhos.
― Não é ruivo, é loiro morango. ― Disse ainda meio atordoado, olhando fixamente para ela.
― Mulherzinha. É loiro morango. ― Mike riu e me imitou. ― Eu sei que você gosta delas pegando fogo, mais com os cabelos, você gosta mais ainda, hein? ― Ele me zoou.
Mike tinha feito isso de propósito, apenas para pararmos de falar sobre ele. Era verdade, se eu gostava delas pegando fogo, com o cabelo era melhor ainda. Alguns caras gostam de loiras, outros de morenas, outros de asiáticas e assim vai, eu gosto de todos os tipos mas essa, essa é a minha fantasia.
― Vai logo, sai daqui. ― Ele falou me empurrando para fora do sofá.
― Eu não vou, vou ficar aqui com você. Vamos falar sobre sentimentos e essas coisas, eu não tô nem ai. ― Dei de ombros, me virando de costas para onde ela estava mas puta merda, eu queria muito ir lá.
― Sério? ― Mike estava rindo. ― Olha só, parece que ela já encontrou um amigo.
― O quê? ― Falei sem acreditar e olhei para trás, ela ainda continuava sozinha olhando em volta. ― Babaca.
― Você está doidinho para ir lá. ― Ele ria na minha cara. ― Doidinho.
― Que mentira! ― Soltei uma risada nervosa e dei um longo gole no meu copo. Uma olhada rápido por cima dos ombros para onde ela estava. Merda, eu queria ir lá.
― Você só assiste pornô de ruivas, é esquisito. ― Mike continuou.
― Não é esquisito, eu tenho um gosto. Cala a boca. Christian Grey gosta de bater em garotas e você não está nem ai para isso, o que tem de errado em eu ser tarado por ruivas? ― Dei de ombros, como se isso fosse realmente normal.
Mike continuava rindo da minha cara, eu percebi que estava batendo o pé no chão de ansiedade para ir até lá, falar com ela, jogar um cantada horrível e torcer para ela estar bêbada o suficiente para cair.
― Tá bom! Eu quero muito ir lá, eu vou lá. Eu não vou resistir. ― Terminei a minha bebida com um gole, como uma injeção de coragem e me levantei do sofá.
Assim que me levantei trombei com Willa Michaels, ela é tão baixinha. Não sei como não a derrubei no chão.
― Hei Willa! Minha Kappa favorita! ― Falei com um fingindo animação, ela sorriu para mim. ― Bom te ver aqui! Olha só o Mike, lembra dele? ― Apontei para o Mike e ela olhou para ele. ― Está solteiro e cá entre nós, a namorada dele terminou com ele porque ele é um baita cachorrão. ― Acenei positivamente para dar mais ênfase.
Willa olhou para mim e depois para ele, analisando ele e tentando descobrir se eu estava falando sério.
― Usem camisinha. ― Falei e dei um beijo na testa de Willa, então a empurrei para trás pelos ombros, fazendo ela cair sentada no colo de Mike.
― Boa sorte! ― Mike disse rindo me vendo passar a mão pelo cabelo para ajeitar enquanto andava na direção da garota.
― E aí? Você gosta de One Direction? ― Willa perguntou sentada no colo de Mike.
― Eu adoro One Direction! ― Mike disse animado e sorrindo.
POV-Charlie
A maioria das bebidas alcoólicas leva cerca de quinze minutos para chegar ao sangue e começar a te deixar bêbado mas essa tequila parece que foi diretamente injetada na minha veia, eu não sei se é porque eu não estou acostumada a beber ou sei lá mas minha nossa, isso subiu rápido.
Como eu ia encontrar Amy aqui? Essa festa parecia uma suruba gigante entre fraternidades, nada higiênico para as pessoas que vivem aqui.
― Oi! ― Escutei um oi animado ao meu lado apesar da música e me virei.
Um garoto estava parado ali, com um sorriso torto e embriagado no rosto. Seu cabelo castanho era um topete bagunçado, os olhos castanhos mel e ele tinha algumas pintinhas no rosto. Ele continuou com aquele sorriso mesmo comigo encarando ele tipo: WTF?.
― Gosto do seu cabelo. ― Ele disse ainda sorrindo, pegando em uma mecha do meu cabelo.
― Obrigado. ― Agradeci, puxando a mecha do meu cabelo da mão dele.
Gosta do seu cabelo? Que tipo de maluco é você?
― Você está sozinha? ― Ele continuo insistente, mesmo eu com a minha cara de assustada e de não to afim. ― Posso pegar uma bebida pra você?
― Não obrigado, eu acho que já bebi demais por hoje. E não, não estou interessada. ― Falei séria de cara fechada. Meu pai sempre me disse que não é nada bom estar em uma festa de fraternidade bêbada e ficar de gracinha com um cara. Nunca acaba bem. Minha mãe que o diga.
― Você não está interessada? Se vai me dar o fora ao menos me deixe te cantar antes. Você nem me deu a oportunidade, não é assim que funciona. ― Ele falou indignado. ― Vamos começar de novo. ― Ele pigarreou. ― Oi, eu sou Pete. Perdi o meu número, pode me dar o seu?
Olhei para ele, rindo sem acreditar que ele tinha mesmo feito isso. Ele sorriu quando me viu rindo.
― Você riu, isso é um bom sinal?
― Continuo com o não. ― Apertei os lábios, tentando parar de rir.
― Ok, que tal... Me chama de previsão do tempo e diz que tá rolando um clima. ― Ele piscou e mordeu seu lábio inferior. Era ridiculamente sedutor de alguma forma.
― Você é horrível nisso, desista. ― Disse rindo. ― Droga, Amy, eu vou matar você! ― Falei para mim mesma.
― Amy? Quem é Amy? ― Ele perguntou curioso. ― Sua amiga imaginária?
― Ela não é imaginária, ela está aqui, em algum lugar. ― Revirei os olhos.
― Está? Oh, me desculpe Amy. Que falta de educação a minha, eu nem me apresentei. ― Ele se virou para o lado onde não tinha ninguém e fingiu beijar o rosto de uma garota invisível. ― Está gostando da festa? Obrigado, isso é muito gentil. E então Amy, vai me dizer o nome da sua amiga aqui? Ela está sendo durona comigo.
Ele realmente estava tendo uma conversa com o ar. Era engraçado mas eu não queria rir, eu queria encontrar Amy e ir para a casa. Aproveitar que toda a faculdade parecia estar ali na festa e finalmente pegar os chuveiros vazios e poder ficar lá embaixo chorando porque nem isso eu podia fazer mais.
― Você é um idiota. ― Falei tentando não rir.
― Eu sei. ― Ele encolheu os ombros. ― Ainda procurando a sua amiga comigo aqui?
― E ele também tem um ego enorme. ― Fingi surpresa e ele riu.
― Eu tenho que me amar já que você não quer. Vamos lá, dê uma chance, beba alguma coisa. Vamos para um lugar mais calmo conversar. Eu não vou morder, não até você pedir. ― Ele sorriu malicioso.
― Você é tão convencido! ― Falei sem acreditar. ― Você criou grandes expectativas se acha mesmo que algo vai rolar entre nós. Desculpe desapontá-lo, amigo. ― Dei um tapinha em seu peito.
― Partiu meu coração sem nem me dar um beijo, cada vez eu gosto mais de você. ― Pete disse me fazendo rir. ― Pelo menos me diga o seu nome.
― Obrigado pela conversa, bonitão. Mas por hoje é tudo. ― Pisquei para ele como ele faz comigo e sai andando a procura de Amy.
― Sério? ― Ele falou ao me ver me afastar. Eu não sei porque, mesmo bastando olhar para ele e saber que ele era o tipo de garoto problema, queria que ele viesse atrás de mim. ― Nós tivemos uma conexão aqui, eu vi uma faísca! Onde tem uma faísca tem uma chama!
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