Charlie é o Cara
9 Foi isso mesmo que eu ouvi, Charlie?
Notas iniciais
POV-Pete
Ela é tão má e cruel comigo, eu amei isso. Quantas garotas já foram tão más assim comigo? Ela me cortou antes mesmo de eu conseguir cantá-la. Aqueles olhos verdes me julgando, o cabelo e o que ela faz com a boca quando eu digo algo estúpido, as pernas se alongando com os sapatos amarelos. Eu quero essa garota.
― Espera aí! ― Gritei vendo ela se afastar e correndo atrás dela. ― Me deixa te ajudar.
A investida do amigo, esse é uma das melhores táticas para se conquistar uma garota. Você se fingi de amigo, escuta tudo o que ela diz como se realmente estivesse interessado mas também não pode ser amigo demais ou você pode acabar preso na friendzone, é uma questão de equilíbrio. Seja amigo mas não seja amigo demais, sempre que ela dar uma brecha e baixar a guarda, é a hora de você investir com tudo.
― Deixe eu ajudar encontrar a sua amiga, é o mínimo que eu posso fazer. ― Falei quando finalmente a alcancei.
― Sério? ― Ela me olhou com um sorriso irônico no rosto. ― E o que você vai pedir quando encontrar ela?
― Nada, nadinha. Só estou ajudando da boa vontade do meu coração.― Dei de ombros, realmente fingindo que não ia pedir nada. Ela continuou me fitando daquele jeito, só me esperando confessar. ― Tudo bem, eu ia pedir o seu número. Não um beijo porque está meio fora de cogitação e você ia me oferecer um beijo no rosto, mas não é o seu rosto que eu quero beijar. ― Apontei para a sua boca e ela sorriu.
― Porque você quer meu número? Para ficar dando em cima de mim por whatsapp? Aí você vai dizer coisas como: Estou carente, queria tanto um abraço. Ou então, tá tão frio, quer me esquentar? Ou a melhor de todas, na hora de falar boa noite, vai perguntar se eu queria dormir com você. No começo eu vou negar mas em um dia eu vou estar extremamente desesperada e carente, você vai estar sendo todo fofinho e romântico e num minuto de fraqueza, bum, eu estou na sua cama e no dia seguinte você simplesmente esquece que eu existo.
Meu queixo caiu sem acreditar que ela realmente havia dito aquilo. Puta merda, ela é realmente muito boa. O tipo de garota que não ia cair tão fácil assim nesse papo. Parece que a investida da amizade já está fora de cogitação.
― E eu acabei de descrever a sua vida com toda garota do campus. ― Ela sorriu vitoriosa.
― Nem todas, ainda não funcionou com você. ― Pisquei para ela.
― Você nunca desiste. ― Ela disse surpresa por eu ainda estar dando em cima dela ainda.
― O que eu posso dizer? Eu luto por aquilo que eu quero. Vamos lá, vou encontrar sua amiga. ― Falei sério e ofereci minha mão para ela. ― Se tem alguém que pode fazer isso sou eu.
― E como você vai encontrá-la no meio dessa orgia coletiva?
― É a minha festa, posso encontrar qualquer um. ― Falei confiante e pisquei para ela.
― Oh, no seu tempo livre você também realiza orgias coletivas? ― Ela disse irônica.
― Sempre que eu posso, é mais como um hobby. Vem.
Mesmo ela simplesmente ignorando a minha mão estendida na frente dela, peguei em sua mão. Ela levou um instante para segurar a minha mão de volta, ainda um pouco desconfiada. Quando ela finalmente apertou minha mão de volta, eu sorri e ela me mostrou a língua. Tão má.
Enquanto atravessávamos o mar de corpos, eu continuei falando com ela.
― Então, eu nunca tinha te visto aqui antes. ― Tive que gritar para ela conseguir me ouvir apesar da música alta.
― Isso é uma cantada? ― Ela gritou de volta, me fazendo parar e olhar ela por cima dos ombros.
― Mais ou menos. ― Sorri. ― Não sério, nós estamos dando festas desde o primeiro dia e eu não tinha visto você ainda. O que te fez vir hoje?
― Amy. ― Ela respondeu. ― Ela simplesmente correu para cá quando soube que vocês estavam dando uma festa, assim como todo mundo. Eu na verdade estava indo para a apresentação da Kappa Sigma.
― Kappa Sigma? ― Parei de andar e olhei ela dos pés a cabeça. ― Você não se encaixa no perfil delas. ― Ela fez uma cara de ofendida e me fez rir. ― Você é mais bonita e você não pula na cama de um cara já com um elogio. Isso não me parece muito com o que uma Sigma ia usar. ― Apontei para o seu vestido e ela corou. ― Agora você está da cor do seu cabelo. ― Falei gargalhando ao vê-la corar.
Ela riu também e fechou os olhos, envergonhada.
― De qualquer forma, está fora de cogitação. ― Disse ao abrir os olhos ― Eu acho que não vou nem poder passar mais na frente da casa das Sigmas.
― Porque? Não está usando um vestido apertado?
― Eu dei um soco em uma das delas, acidentalmente. ― Ela dei de ombros, como se fosse realmente possível dar um soco acidentalmente em alguém e eu gargalhei. ― Ok, talvez não tão acidentalmente. Ela meio que mereceu. ― Acenou positivamente.
― Você é uma caixinha de surpresas, não? ― Disse ainda rindo.
Sabe quando você vê alguém rir e simplesmente para de pensar em tudo por um momento e fica só apreciando isso? E isso é tão contagiante que você não consegue se controlar e sorri também. Você se sente confortável com eles e simplesmente pode ser você mesmo, porque sabe que eles te aceitam assim.
― Você é tão linda e eu estou pensando em beijá-la agora. ― Falei sem perceber, ainda assistindo ela sorrir.
Dei um passo na sua direção para ficar mais perto e ainda segurando a sua mão, entrelacei nossos dedos da mão. Passei a ponta da língua pelo meu lábio inferior enquanto olhava para a boca dela. Eu estava tão próximo que ela teve que olhar para cima para continuar olhando para o meu rosto, mesmo tão próximo meu corpo ainda não tocava o dela. Se eu beijá-la agora, eu sei que ela vai me beijar de volta. Ela está olhando para mim da mesma forma que eu olho para ela. Quando fui me aproximar mais para beijá-la, minha perna tocou na sua bolsa que ela segurava e eu senti sua bolsa vibrar contra a minha perna. Parei na metade do caminho e olhei para baixo. A bolsa dela estava vibrando contra a minha cocha.
― Merda. ― Ela falou abrindo a bolsa e tirando o celular dali. Tinha tanta coisa dentro mas era tão pequena, que bruxaria é essa.
Eu li o nome piscando na tela: Mãe.
― É minha mãe, eu preciso atender. Preciso de um lugar calmo para atender.
― Eu sei de um, vem. ― Ainda com meus dedos entrelaçados nos dela comecei a puxá-la.
Nas festas tem alguns lugares que nós chamamos de: Fora da Área. Como os nossos quarto, que por sinal, nós costumamos trancá-los para evitar que um monte de desconhecidos usem eles como motel. Como meu quarto estava vazio, ela poderia falar lá, cá entre nós, isso me caiu como uma luva agora. Obrigado por essa, destino!
― Onde você tá me levando? ― Ela perguntou impaciente. ― Eu preciso atender ou é capaz dos meus pais ligarem para o FBI.
― O que seu pai diria se te achasse no meu quarto? ― Falei em tom malicioso e ela revirou os olhos. ― Tô brincando, mais ou menos. ― Parei na frente do meu quarto e tirei a chave da porta do meu bolso da frente para destrancar a porta.
Ela atendeu a chamada e eu abri a porta.
― Oi mãe! ― Ela falou com o celular contra a orelha.
― Caralho! ― Gritei ao ver a cena.
Parece que minha cama já estava ocupada. Olhei sem acreditar quando vi Pablo de joelhos na minha cama com uma garota de quatro na sua frente.
― Amy! ― Ela gritou ainda com o telefone na orelha, sua boca tinha formado um perfeito O.
― Vagina! Pênis! ― A garota asiática gritou.
Pablo e a garota ficaram paralisados naquela posição, Pablo tirou uma das mãos da cintura dela e passou pelo bigode.
― E aí mano! ― Ele forçou um sorriso simpático. ― Blanca! ― E piscou para a garota ao meu lado. ― Que momento constrangedor.
Amy choramingou e abaixou a cabeça, escondendo o rosto no colchão. Então ouvimos a voz saindo do celular, cortando o silêncio constrangedor.
― Charlie Hamilton, eu acabei de ouvir as palavras pênis, vagina e caralho?
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