Charlie é o Cara

25 O passado sombrio dos meus pais.


Notas iniciais
Desculpem o atraso novamente, mas aí já está o capítulo novo. Boa leitura!!

POV-Charlie

― São seus pais? ― Pete perguntou rindo debochado sem acreditar. ― Não tá falando sério, né? Mike, vem aqui ver isso! São os pais da Charlie!

Infelizmente sim, eram os meus pais. Uma versão mais nova deles e em uma situação que eu nunca achei que fosse ver antes. Meu pai, Daniel Hamilton (Jason Segel) com um pouco mais de cabelo do que ele tem agora, usando um penteado estilo Elvis Presley. Vestindo uma regata do Iron Maiden, jeans de cintura alta com uma fivela de cowboy. Eu nunca mais ia conseguir pensar nele como um contador sério novamente. Esperem só, tem como ficar pior sim! Minha mãe, Nancy Hamilton (Cameron Diaz) com um cabelo á la Alicia Silverstone em As Patricinhas de Beverly Hills. Vestindo uma saia que mais parecia um top colocado no lugar errado e uma blusa transparente com um sutiã horrível. Imagino o que os alunos dela pensariam se a vissem agora. Meu pai abraçava minha mãe pela cintura e sorria com um cigarro muito suspeito entre os lábios.

― Minha nossa! Deixa eu colocar os meus olhos nessa preciosidade. ― Mike disse se aproximando e tirando a foto da parede.

― Esse é seu pai fumando maconha, Charlie? ― Pete continuou rindo.

― Sua mãe era gostosa, ela continua assim? Porque eu totalmente pegaria ela. ― Mike continuou, analisando a foto de outro angulo agora. ― Mesmo se ela não estiver eu ainda pego ela.

― Eu totalmente pego ela também. ― Pete falou e foi o fim para mim.

― Me dá isso aqui vocês dois, minha mãe é muito bem casada! Com o meu pai! ― Tomei a foto da mão deles e a virei para ver o que estava escrito no verso.

― Charlie, a sua mãe não é ruiva e nem o seu pai... ― Mike apontou com o dedo sobre a foto.

― Eu não sou adotada! ― Gritei furiosa antes que ele tivesse a oportunidade de terminar. ― É tudo sobre genética.

― Lá vem ela com um monte de ciência chata de novo. ― Pete falou. ― Seria mais legal dizer que você é adotada e caiu do céu junto com um meteorito e não pode chegar perto de Kryptonita.

Ás vezes eu não consigo aguentar todas as coisas idiotas que saem da boca dele e simplesmente quero bater na cara dele inteira. Pete sempre trás o melhor de mim.

― Isso não é Superman? ― Mike perguntou confuso.

― É, só pensei que seria legal ver Charlie vestindo aquela roupa azul colada no corpo e destruindo coisas com uma luz vermelha que sai de dentro dos seus olhos verdes. Meio que me excita. ― Ele falou, dando de ombros.

― É esse tipo de coisa que me faz querer bater na sua cara com uma faca. ― Falei tentando manter e calma e sorrindo amigavelmente para Pete, mas acho que só pareceu que eu fosse mais louca ainda.

Li a legenda na parte de trás da foto: Danny ♥ Nancy 1995.

― Eu nasci no ano seguinte. ― Falei, virando a foto para o lado da imagem novamente. ― Meu pai era horrível, o que minha mãe viu nele?

― Eu gosto do cabelo dele, ele tem estilo. O cabelo dele ainda é assim? ― Pete perguntou.

― Olhando para o seu cabelo eu entendo porque você gosta do dele. Não, ele não tem mais esse cabelo horrível. Aposto que tinha uma família de guaxinins morando nesse topete, provavelmente os pais de John Travolta. ― Falei, horrorizada com a foto ainda. ― Eu deveria queimar isso.

― Não seja estraga prazeres! ― Pete falou, tomando a foto da minha mão. ― Um dia os seus netos vão ver isso e aí vão mostrar para os netos deles e assim em diante.

― Ata, até parece! ― Falei cruzando os braços e vendo ele colocar a foto de volta na parede.

― Tem certeza que você não é adotada? ― Mike perguntou só para me irritar, lhe dei um murro no braço e ele riu. ― Tá precisando de um cigarrinho daquele do seu pai pra relaxar. Olha aqui Pete...

Pete se virou para mim e riu também.

― Não fica braba não, potrinha. Vem cá... ― Ele me puxou pelo braços, me abraçando mas eu não retribui, continuei tentando ficar séria. Com os braços ao lado do corpo e ele me apertando. Meu nariz ficou na altura do pescoço dele, eu inspirei o seu cheiro de perfumo masculino, era bom. Me peguei fungando em seu pescoço e parei imediatamente, envergonhada com o quão inapropriado isso era.

― Olha que bonitinha, dá vontade de pegar você no colo. ― Mike falou apertando as minhas bochechas. ― Abraço em grupo. ― Ele passou seus braços em torno de mim e Pete.

― Olha que gostoso todo esse carinho. ― Pete descansou seu queixo no topo da minha casa.

― Sai vocês dois! ― Falei rindo e mais irritada ainda por eles me fazerem rir disso.

Eles se afastaram lentamente de mim e continuaram com aqueles sorrisos debochados no rosto.

― Charlie, você é o cara mesmo viu. ― Mike disse rindo e passando um dos braços em torno dos meus ombros. ― Vamos ouvir um pouco de música.

Assim que nós três nos viramos para voltar a mesa, Angel e suas sombras Willa e Stacey vieram na nossa direção. Angel como sempre veio desfilando no centro com as garotas ao seu lado, me encolhi mais próxima de Mike. O que ela queria? Porque ela definitivamente estava vindo na minha direção. Pelo menos os olhos dela não pareciam mais roxos.

― Angel. ― Pete sorriu simpático ao vê-la ali.

Angel forçou um sorriso de desprezo para ele, jogou o cabelo para o lado e então olhou para mim e depois finalmente pousou os olhos de forma ameaçadora em mim.

― Posso falar com você? ― Ela falou olhando diretamente a mim, eu fiquei sem reação por um momento e não respondi. O que ela queria dizer com isso? Era alguma nova forma de ameaça? ― Sem a sua gangue junto. ― Angel deu ênfase ao gangue e olhou para Pete e Mike.

Os meninos olharam para mim como uma pergunta se eles deveriam sair dali ou não. Mike me soltou e eu me aproximei um pouco de Angel, sussurrando para só eu e ela ouvirmos.

― Isso é para valer? ― Fiz uma pausa quando ela me olhou como se eu fosse retardada. ― Se eu disser que sim, nós não vamos começar a puxar o cabelo uma da outra assim que eles saírem daqui, vamos?

― O que você acha que eu sou, o Tarzan? É claro que não. Eu acabei de fazer as unhas, acha mesmo que vou desperdiçar isso com você? ― Ela me mostrou os dedos da mão recém feitos.

― Eu gostei dessa cor. ― Falei apontando para o esmalte. ― Pode me dizer qual é?

― Queridinha? ― Angel disse chamando a minha atenção para a real situação ali.

― Pessoal, tudo bem. Eu encontro vocês daqui a pouco. ― Falei por cima dos ombros para os meninos.

― Tudo bem. ― Mike acenou positivamente para sair.

― Eu não vou a lugar nenhum. ― Pete falou, cruzando os braços sobre o peito. ― Angel é má, vai roubar toda a bondade de Charlie. Vai sugar isso da sua alma como um vampiro.

― Mike, pode dar um jeito nisso? ― Falei olhando para Pete.

― Não estou indo a lugar nenhum. ― Ele deu de ombros, convencido disso.

― Vamos lá, amigão. Vamos lá. ― Mike precisou empurrá-lo para longe dali enquanto ele reclamava.

― Então, eu vi que seu olho está melhor. Que bom. ― Falei, cortando o silêncio constrangedor entre mim e Angel. Ela me fuzilou com os olhos. É, não foi a melhor coisa para se dizer.

― O que uma boa maquiagem não pode esconder, não é? ― Angel abriu um sorriso largo e jogou o cabelo para o lado. ― Eu quero fazer uma proposta irrecusável para você.

― Proposta irrecusável? O que pode ser tão irrecusável? Olha, se você estiver falando sobre me denunciar para a polícia por violência, eu... ― Mas ela não me deixou terminar.

― Não é sobre isso! ― Angel me interrompeu e falou séria. ― Então, agora você é uma Roar Omega Roar mas ainda é uma garota. Como toda garota, eu imagino que essa fraternidade não era o seu objetivo quando chegou aqui, não é? ― Ela começou a falar delicadamente venenosa. Havia alguma segunda intenção aí em toda essa bondade repentina. ― Você gostaria de entrar na Kappa Sigma?

― Porque você está me convidando para a Kappa depois de eu ter batido em você? ― Perguntei confusa.

― Bom, nós garotas temos que ajudar umas as outras. ― Ela encolheu os ombros e sorriu falsa, como se fosse realmente verdade. ― Estou com pena de você vivendo com esses sete selvagens.

― O real motivo. ― Tentei novamente, soltando um suspiro impaciente com toda aquela falsidade.

― Esse é o motivo bom para você e agora eu vou te dizer o meu. Se você sair da Roar Omega Roar, não vai haver mais nenhum obstáculo no caminho para a reitoria da fraternidade acabar com eles e assim eu me vejo livre deles. Posso finalmente limpar a comunidade grega da faculdade com a vergonha que é a Roar Omega Roar. ― Ela estendeu a mão para mim. ― Temos um acordo? Eu recomendo que você escolha o time que está ganhando, que no momento é o meu.

Olhei para a mão dela estendida para mim e depois para longe onde os meninos da ROR, Amy e Cece estavam. Eu não vou negar que se Angel tivesse me feito essa mesma proposta no dia em que nos conhecemos, eu teria aceitado de cara mas agora era diferente. Eu havia feito amigos, eles eram os meus amigos e eu já não conseguia imaginar passar o resto da faculdade sem ser com eles. Mesmo sabendo que isso ainda ia me render muitos problemas. Eu havia me tornado uma Roar Omega Roar e mesmo que ser uma Kappa era onde eu poderia me encaixar melhor, eu não queria viver uma vida aparências como aconteceu com Cece e provavelmente acontece com Angel agora.

― Eu... ― Fiz uma pausa por um momento, apenas aceitando que eu estava recusando isso. ― Eu agradeço pela oferta, Angel. Mas eu estou com os meninos. ― Sorri de volta para ela da mesma forma que ela sorria para mim.

O queixo de Angel caiu e ela me olhou horrorizada, como se eu tivesse acabado de matar uma mosca na sua testa com um soco.

― Vai se foder então, Hamiltonta! ― Ela gritou e apontou o dedo do meio na minha cara. ― Você é mais burra do que eu pensava que fosse! Eu vou fazer da sua vida um inferno, você vai implorar por nunca ter escolhido isso. Vou enterrar você junto com os seus machos, guarde as minhas ameaças. Eu vou destruir você!

― Eu acho que você está começando a ficar bem rude novamente... ― Falei assustada com a sua reação e fazendo um sinal com as mãos para ela se acalmar. ― Você sabe que eu tenho a tendência a bater nas pessoas quando elas ficam assim.

Angel me olhou um tanto assustada, como se eu realmente fosse bater nela de novo. Ela então engoliu em seco e se virou meio desajeitada, jogando o cabelo loiro para os lados.

― Willa! Stacey! Vamos! ― Ela gritou para as garotas como se elas fossem os seus cachorros e assim as três se afastaram dali.

Bom, pelo menos agora eu já sabia como me livrar da Angel quando não estivesse afim de uma conversa. Olhei a minha volta quando ela se afastou para ter certeza de que o escândalo dela não havia chamado muito a atenção, para ser sincera, não parecia ter chamado nenhum pouco, exceto pela atenção de Johnny. Parado com os seus colegas de fraternidade á alguns metros dali, seu olhar era tão arrogante quanto sua postura. O que ele queria com isso? Outra mordida na cabeça? Porque se for é melhor tirar o cavalinho da chuva, eu não estou bêbada o bastante para isso ainda. Ele exibiu a linha fina de um sorriso debochado no canto dos lábios.

― Idiota. ― Murmurei para mim mesma e sai dali, indo em direção a mesa com o pessoal.

Assim que voltei para a mesa, Joe veio na minha direção e segurou meu rosto com as duas mãos, apertando as minhas bochechas e me fazendo fazer boca de peixinho contra a minha vontade.

― O que você tá fazendo? ― Perguntei com o rosto comprimido entre as suas mãos.

― Apenas tendo certeza que Angel não injetou nenhum siringa de veneno em você. ― Ele respondeu me olhando dos pés a cabeça. ― E também você ficou fofa assim. Ela está limpa, pessoal. ― Joe gritou e soltou o meu rosto.

― Vocês são inacreditáveis! ― Disse rindo junto com todos.

― O que ela queria, outro soco na cara? ― Amy perguntou.

― Essa é minha garota. ― Pablo riu e passou um braço em torno dos ombros de Amy, fazendo-a sorrir.

― Apenas tentar arruinar a minha noite, uma pena que ela tenha falhado. ― Sorri para eles e peguei meu copo de volta sobre a mesa e dei um gole.

Pete me olhou com aquele sorriso bobo na cara e me deu uma daquelas piscadinhas charmosas.

― Essa é a nossa garota! ― Bruce falou e bateu a sua garrafa de cerveja contra a minha caneca em sinal de brinde, me fazendo sorrir.

As luzes do centrais do pub se apagaram, deixando o local com um clima mais sombrio. Iluminada apenas por algumas pequenas luzes nas paredes. Todos no bar gritaram quando isso aconteceu e as luzes do palco se acenderam. A banda já havia subido no palco e ajeitava os últimos detalhes para começar o show. Um garoto magrelo e bochechudo que lembrava muito o Kiko do Chaves, subiu ao palco, vestindo uma camiseta preta com Journey gravado em branco no seu peito, pegou o microfone.

― Senhoras, senhoras, universitários e você que está bêbado demais para cogitar onde está... eu lhes entrego Imagine Dragons! ― Ele gritou no microfone levando todos do bar a loucura.

Todos gritaram animadamente e levantaram seus copos, incluindo eu, porque quem sou eu para resistir a Imagine Dragons, né? O garoto deixou o palco e Daniel Reynolds, o vocalista, assumiu o microfone. A introdução de Amsterdam começou a tocar, deixando tudo melhor ainda. Ele começou a cantar os primeiros versos da música e todo mundo cantou junto.

Sabe, eu cheguei na faculdade com uma ideia do significado de responsabilidade e depois de apenas um final de semana, eu tenho uma visão completamente diferente disso. Eu não acho que responsabilidade se resuma em fazer tudo certo e não cometer erros. Porque nós vamos cometê-los, ficar bêbado de vez em quando, entrar em uma briga ou fazer uma escolha ruim como entrar em uma fraternidade de garotos. Responsabilidade é fazer uma escolha sem consultar ninguém, mesmo que não seja a melhor escolha e você sabe que em algum momento vai acabar mal, porque você sabe que é o que você quer. Ser responsável é ser irresponsável de vez em quando. Se até mesmo os meus pais já foram, porque eu não posso ser também?

Acordei com o som do meu celular despertando, eu preciso dizer que para mim aquele som era o significado do apocalipse já que tudo que eu queria era continuar na cama. Tateei o colchão a procura do meu celular para parar com aquele barulho infernal. Desliguei o despertador e rolei na cama, ficando deitada de bruços. Choraminguei baixinho porque não queria levantar mas eu precisava. Lembrar: Nunca mais ir para um show no domingo.

Sentei na cama e me arrastei até a beirada pra levantar, quando pisei no que era pra ser o chão, não era o chão e nem o colchão, até porque nenhum dos dois pode gritar.

― Charlie! Meu Deus! ― Quando Pete gritou iluminei seu rosto com o celular e percebi que eu tinha pisava em cima dele.

Ele estava encolhido no colchão com cara de dor e com as duas mãos entre as pernas.

― Me desculpa. ― Falei envergonhada e encolhendo os ombros. Enquanto ele continuou encolhido no chão e ficando vermelho de dor. Peter nem respondeu, apenas apertou os olhos de dor.

Passei por cima dele e segui para fora do quarto, assim que abri a porta dei de cara com Mike no corredor, ele me olhou confuso e depois olhou para a porta do quarto.

― O que foi isso?

― Eu acho que acabei de matar Pete. ― Falei um pouco envergonhada, apertando os lábios.

O meu primeiro dia oficial como uma aluna do curso de Letras da SteelPort College. Mesmo com toda a infinidade de cursos dessa faculdade, sendo uma das melhores do país com uma infinidade de opções e com o meu Q.I e resultados no vestibular, eu poderia escolher qualquer curso, alguns até mais difíceis mas escolhi esse. O porquê? Bom, eu acho que quando fazemos aquilo que mais nos agrada é sempre melhor, então fazemos como diversão e não como obrigação.

Tomei um banho rápido (é claro que verificando o banheiro antes de tirar a roupa para garantir que John Travolta não havia voltado), tive que me vestir no quarto de Mike e Pablo já que Peter se recusava a acordar e sair do quarto para eu me vestir. Sequei o cabelo correndo e tentei dar uma ajeitada nos cachos furiosos para parecer pelo menos apresentável no primeiro dia, tive que usar um monte de base abaixo dos olhos para tentar ao menos esconder as olheiras das noites mal dormidas do final de semana. Coloquei uma saia alta e justa bege clara, sapatilhas confortáveis da mesma cor (nunca se sabe o quanto eu vou andar hoje, então dispensamos os saltos), coloquei uma blusa solta de alcinha com botões na frente, verde musgo clara e um pouco transparente, colocando ela por dentro da saia apenas para disfarçar. Vesti alguns acessórios para disfarçar. Corri de volta para o quarto para pegar a minha bolsa e vi que Pete continuava dormindo.

― Vai se atrasar pro primeiro dia de aula, que surpresa. ― Falei antes de sair do quarto olhando ele dormir.

― Não acha que essa saia tá muito curta não? To quase vendo o seu útero. ― Ele falou deitado, abrindo um olho só.

― Já ouviu a expressão: O que é bonito é para ser mostrado? ― Sorri debochada para ele saindo do quarto.

― Úteros são bonitos? Eu vi um uma vez numa aula de anatomia e quase vomitei. ― Pete disse fazendo uma careta. ― Credo!

E ele diz uma idiotice novamente, outra surpresa.

Notas finais
Gostaram? Se preparem, porque o próximo capítulo vai ser o primeiro dia de Charlie na faculdade e garanto a vocês, vai ser um desastre e com muita confusão kkkkkkkk Não esqueçam de comentar, bjss!