Charlie é o Cara

26 Um tour pelas gavetas de Charlie.


Notas iniciais
Capítulo novo para vocês!!! Se preparem para o primeiro dia de Charlie porque é só o começo das coisas que ela vai se meter, boa leitura!

POV-Charlie

Eu estava na cozinha com os meninos, terminando minha caneca de café assim como eles. Todos já haviam levantado e estavam prontos para ir para a aula, exceto por Pete.

― Ninguém vai acordar o Pete? ― Perguntei, estranhando nenhum deles ligar para isso. ― Não é muito legal chegar atrasado no primeiro dia de aula.

― Não, tudo bem. Ele nunca vai no primeiro dia mesmo. ― Bobby respondeu, enfiando uma torradeira inteira na boca. Meu Deus, como ele fazia aquilo? Parece uma píton engolindo um javali, que horror!

― Como assim ele não vai no primeiro dia de aula? ― Dei um gole na minha caneca.

― Pete não gosta de ir as aulas. ― Mike respondeu dessa vez.

― Então o que ele está fazendo na faculdade? ― Um pouco de lógica, por favor?

― Jogando baseball, bebendo, fazendo festas, sexo, sei lá. Coisas que você faz na faculdade quando não está na aula. ― Bruce quem me respondeu dessa vez. ― Bom, hora de ir. Alguém quer uma carona?

― Eu. ― Jon falou e terminou seu café com um gole. Ele se levantou da cadeira e saiu na frente. ― Até o treino, pessoal.

― Charlie, você está pronta? ― Joe perguntou, ele ia para um prédio próximo ao meu e se ofereceu para ir comigo.

― Uhum. ― Respondi e me levantei. ― Vejo vocês depois meninos.

Sai na frente quando Joe murmurou sobre ter esquecido alguma coisa e que ele me alcançava. Sai pela porta da frente, admirando a beleza do campus em um dia comum de aula. O sol já estava no céu e no meio do verão, queimando forte. Os alunos andavam apressados pelas ruas gregas. Sai da varanda da frente e desci até o gramado, aproveitando o sol e o movimento até que vi um conversível rosa vir vindo lentamente nessa direção pela rua.

― Merda. ― Foi sorte eu não ter soltado um palavrão pior quando vi quem dirigia.

Angel vinha graciosamente com os cabelos ao vento e vestindo um óculos de sol em forma de coração. No banco do passageiro ao seu lado estava Johnny e atrás estavam Willa e Stacey. A música Milkshake da Kelis tocava alto no seu carro.

― Hei perdedora! Como vai a sua vida de perdedora? Eu tenho um presente de primeiro dia para você! ― Angel gritou passando com o carro na frente da casa da ROR. Segurou a direção com apenas uma mão e pegou algo que estava entre as suas pernas no banco.

Sua mão apareceu novamente segurando um balão de água feito com uma camisinha e foi uma questão de segundos quando Angel o atirou na minha direção. Devo agradecer a minha capacidade elástica aos jogos de queimada no colegial, eu preciso confessar que fui tentar fazer igual a cena do Matrix, o problema é que isso é a vida real e não um filme, então vocês podem imaginar o que aconteceu né.

Eu cai para trás feito uma pata tropeçando nos próprios pés, batendo a cabeça no chão e dali debaixo eu vi de camarote o balão acertar em cheio no rosto de Joe e estourar. Para compensar, um pedaço da camisinha ainda ficou grudado no seu rosto.

― Parabéns por cair feito um tomate podre no chão, Hamiltonta! Stacey e Willa filmaram isso e já será postado no meu Instagram, espero ansiosamente pela sua curtida. ― Ela parou o carro ali apenas para filmar e eu me sentei no chão, olhando quando ela se afastou dando um tchauzinho e depois mostrando o dedo do meio enquanto os seus três convidados riam da minha desgraça.

― Sua vagabunda! ― Joe gritou furioso com água e óleo de camisinha com super lubrificação escorrendo pelo seu rosto. ― Volta aqui! Eu vou arrancar esse teu mega-hair no soco! Sua porca anoréxica!

― Joe, eu sinto muito... ― Sussurrei, olhando para a cara dele com pena.

― Vai ter vingança. Ela vai pagar por isso. ― Ele falou ainda cego de raiva, cuspindo um pouco daquilo que entrou na sua boca. Alguns alunos que passaram por ali pararam para olhar e Joe percebeu, então gritou. ― Estão olhando o quê? Nunca viram? Quer um soco na cara? Porque hoje o meu punho não vai dar, vai distribuir!

Ótimo, agora ele está ameaçando matar as pessoas. Não tinha condições de Joe ir para a aula daquele jeito, eu sabia que ele ia voltar e se limpar, o que ia nos atrasar em alguns minutos. Com toda a minha sorte, não é de se duvidar que eu vá chegar atrasada no meu primeiro dia.

Parece que dito é feito, não é? As aulas de letras ocorriam em um dos prédios mais velhos da faculdade mas que foi recentemente restaurado. O prédio era estilo colonial e até lembrava um pouco o formado de uma escola, se não fosse só um dos muitos locais do campus. Eu percebi que já estava atrasada pelo fato de não ter mais quase ninguém pelos corredores, na minha confusão de sobe escada, vira para lá, vira para cá com as informações que Joe me deu, eu acabei encontrando com ninguém mais ninguém menos do que Ted. Era tudo o que eu queria agora!

Era inevitável, se eu voltasse para trás ele saberia que eu estava o evitando. Eu precisava continuar para chegar a minha sala que estava do outro lado do corredor e ele estava no meio do caminho. Havia uma lata de lixo ali perto, talvez eu pudesse pular ali dentro e ficar ali até ele sumir.

Vestindo um terno reluzente ele veio caminhando na minha direção com as mãos no bolso. Tive que continuar indo naquela direção, cruzando os dedos nas costas para ele apenas acenar e me deixar ir, como se isso fosse mesmo acontecer.

― Charlie, é bom ver você! ― Ele sorriu animadamente.

― É bom ver você também senhor Willians. ― Forcei um sorriso simpático, tentando não parar mas ele já havia parado no meio do corredor. O que ele pensa, que eu tenho tempo para ficar jogando conversa fora com ele aqui?

― Você é sempre tão educada! ― Ele deu um riso nervoso. ― Sabe que pode me chamar de Ted, não é? Eu não tenho esses tipos de formalidades com os alunos especiais, como você. ― Ted me deu um leve tapinha nos ombros.

― Claro, Ted! Eu estou um pouco atrasada, então... ― Comecei a falar, tentando me afastar mas ele me interrompeu e começou a falar de novo.

― Charlie, será que poderia vir até a minha sala mais tarde? Eu realmente gostaria que você se juntasse a mim e a senhorita Romanoff, a conselheira da faculdade, gostaríamos de conversar com você sobre suas recentes escolhas.

― Minhas recentes escolhas? ― Perguntei confusa.

― É, sobre entrar em uma fraternidade como a Roar Omega Roar. Quando nós somos jovens fazemos escolhas idiotas e o que um pouco de tequila não pode fazer na nossa cabeça. Mas saiba que você pode sempre se arrepender e mudar de ideia! ― Ele bateu com a ponta do indicador no meu nariz como se eu fosse uma fada ou sei lá eu. ― Eu também já fui universitário. Muito tempo atrás, eu sei que não parece porque eu posso parecer muito jovem mas o que um bom creme anti-rugas não pode fazer, não é?

― Mas eu não me arrepen... ― Ele não me deixou terminar.

― Shhhhhh! Shhhh, querida! Talvez você ainda esteja um pouco bêbada ou esteja alucinando. Pode ficar tranquila que não vou contar a ninguém que está indo para a aula meio alta. ― Ele fingiu zipar sua boca. ― Uma vez eu comi uns cogumelos numa festa e aí por três dias achei que tinha um cara preto chamado Leon que me seguia por todos os lugares, depois eu fui descobrir que ele era a minha sombra.

― Leon? ― Repeti, sem acreditar que ele havia dito isso mesmo.

― Que loucura, né? ― Ele riu. ― Bom, estaremos esperando você depois para uma sessão de aconselhamento. Se uma conversa da maneira antiga não resolver, nós também usamos terapia eletrochoque mas não conte para ninguém, em! Segredinho! ― Ele me deu um soco no braço como os meninos fazem uns com os outros de vez em quando, o fato é que ele quase me derrubou no chão.

― Meu Deus! Você quebrou meu braço! ― Gritei quando ele me deu um soco.

― Vejo você depois, me deixe orgulhoso! ― Dito isso ele saiu dali, enquanto eu continuei parada me encolhendo de dor no braço.

Mas eu não podia perder mais tempo, sai correndo pelo corredor até a minha sala, por sorte quando cheguei lá as portas ainda estavam abertas. A sala era em forma de auditório e descia para baixo, a sala estava em silêncio e já estava cheia. Quando eu cheguei na porta ofegando feito um cachorro com raiva todo mundo olhou para mim, por sorte o professor não estava ali ainda.

Mesmo sendo o centro das atenções, tentei me recompor e levantei o rosto, descendo as escadas e olhando para um ponto fixo a frente onde não havia nada. Não haviam muitos lugares disponíveis e eu me sentei em um que estava vago, ao lado de um senhor que estava ali. Sim, um senhor! Um senhor com cabelo branco e uma daquelas muletas de Vô. Ele até se vestia como um avô, o que me fez questionar se ele não havia fugido de um asilo e estava se escondendo ali. Olhei para ele e o cumprimentei com um sorriso simpático e ele sorriu de volta para mim.

― E aí! ― Ele falou. ― Tudo em cima? Sorte que o professor ainda não chegou né, já pensou se ele vê você chegando atrasada.

― É! ― Tive que concordar com ele e acenei positivamente.

― Você conhece ele? Esse professor? ― O senhor continuou puxando papo comigo. ― Ouvi dizer que uma vez ele mandou uma aluna direto para o sanatório.

Olhei assustada para ele e apertei minha bolsa contra o peito com medo.

― Isso é sério? ― Sussurrei, com medo de falar muito alto e o senhor acenou positivamente.

― O cara é um lunático, completamente doido. Doidão. ― Ele repetiu para me assustar mais ainda. O senhor então tirou de dentro do bolso do cardigan azul claro que ele usava um saco de balas de gelatina, então o abriu ali. Fazendo um barulho alto de plástico chamando a atenção. Pegou um ursinho e o jogou na boca, então olhou para mim. ― Quer um? Açúcar me ajuda a relaxar.

― Acho que vou tentar essa sua tática também, você me assustou com essa história. ― Falei pegando um ursinho vermelho e o colocando na boca. ― Então, não querendo ser rude, mas já sendo... ― Comecei a falar, mascando a bala que estava grudando nos meus dentes. ― o não senhor não está muito... ― Fiz uma pausa, tentando encontrar uma palavra para não dizer velho demais para isso.

― Velho demais para isso? ― Ele completou com um sorriso animado. ― Bom, eu não tenho mais um abdômen definido mas a minha cabeça ainda funciona.

― Legal! ― Sorri para ele. Ele parecia um vovô bem moderno.

― Mas você está certa, eu estou muito velho para isso mesmo. ― Ele falou isso e então se apoiou na muleta para levantar.

― O que o senhor está fazendo? ― Perguntei quando ele começou a se afastar.

― Meu trabalho. ― Ele respondeu e abriu um sorriso largo, então começou a descer as escadas até o palco para começar a sua aula.

Sim, esse é o meu professor de teoria literária. Killian Jones (Jack Nicholson) é um senhor com um corpo velho e uma mente de um garoto de treze anos que adora pregar pegadinhas nas pessoas. Primeiro de tudo, ele adora música eletrônica e indie rock e pornografia do século 21. Sim! Isso mesmo! Ele já foi um garoto da ROR e é atualmente o padrinho da fraternidade. Uma vez ele levou os meninos a uma feira de pornografia e ganhando um autógrafo de Sasha Grey NA BUNDA!!! SIM, ISSO MESMO, SASHA GREY AUTOGRAFOU SUA BUNDA!!!

― Bom dia, alunos! ― Ele sorriu diabolicamente (Deus, ele sabia fazer isso muito bem), seu sorriso me fazia lembrar do Charada, aquele vilão do Batman, sabe? Sempre rindo da vida como se ela fosse uma piada que só ele entendia. ― Eu quero me apresentar, eu sou Killian Jones, o seu professor de teoria literária. Vocês podem me chamar de Killian ou de Freddy, porque isso vai ser o pesadelo de vocês. Quero lhes dar as boas vindas a faculdade mas acho que ela já foi muito boa com vocês, posso ver na cara de alguns ou em outros, como aquele moleque que está dormindo ali no fundo. ― Dito isso, ele enfiou a mão no bolso da calça e tirou um canetão, olhou na direção do garoto e mirou por um momento, então atirou o canetão acertando o garoto no meio da testa em cheio. ― Acertei! ― Killian comemorou, levantando a bengala para o alto.

Eu e todo mundo que estava na sala entrou em choque e a sala virou uma loucura entre conversas e gritos animados. O garoto acordou meio assustado e perdido, limpando a baba do canto da boca.

― Eu vou dar apenas uma chance a vocês de quem quer desistir, pode sair por essa porta agora. Vão estudar física, administração ou seja lá eu o que eles estão inventando agora. Porque daqui em diante só vai ficar pior. Então, sintam-se livres para voar para longe pombinhos. ― Ele apontou para a porta com a bengala.

Um punhado de gente se levantou e saiu dali, incluindo o garoto que foi atingido pelo canetão. Não vou negar que eu queria me juntar a eles e sair dali correndo e gritando em desespero. Mas para quem nos últimos dias tinha enfrentado Angel, morado com sete garotos, entrado em uma briga de bar, ganhado uma lap dance, lambido os peitos de uma garota com limão e sal... um professor doido não seria assim tão difícil.

― Agora, de vocês corajosos... Quem aqui ontem curtiu uma noitada no Journey levanta a mão. ― Todo mundo ficou meio acolhido com medo dele jogar a bengala dessa vez e se encolheu. ― Tudo bem, eu não vou atacar mais ninguém, vocês podem levantar a mão.

Olhamos um para a cara do outro e lentamente, meio acanhados ainda fomos levantando a mão. A maioria das pessoas levantou mas ainda sobraram alguns com as mãos abaixadas.

― Ótimos, vocês com as mãos abaixadas saiam da daqui! Saiam daqui agora! Quem não vai domingo a noite para o Journey? Vocês não sabem se divertir não? Saiam daqui! ― Ele gritou, ameaçando jogar a bengala nas pessoas para elas saírem. ― E vocês que sobraram, não se atrevam a cair no sono ou vou jogar uma mesa na cara de um de vocês.

Ele era extremamente assustador e bipolar, meio louco também. Tenho quase certeza de que ele vai matar um de nós que sobramos até sexta-feira.

POV-Pete

Eu estou tão entediado. Muito entediado. Tipo morrendo de tédio. Criando raiz no chão. Talvez ter ido na aula fosse mais produtivo. John Travolta poderia estar aqui agora, pelo menos eu ia passar o tempo o alimentando, é bonitinho ver ele comendo, segurando as coisas com aquelas mãozinhas e devorando tudo. Deixei uma trilha de cereal lá fora caso ele volte. É claro que eu não conto para ninguém que eu também o alimento, é um segredo de manos, já conversamos sobre isso. Na verdade, temos conversas bastante interessantes. Acho que as pessoas deviam conversar mais com guaxinins.

Eu estava deitado e ouvindo Lonely Boy do The Black Keys repetidas vezes, me sentei no colchão e olhei a minha volta no quarto, procurando alguma coisa para eu fazer e passar o tempo. Meus olhos pararam diante de uma coisa que era nova no cenário do quarto. As malas vazias de Charlie empilhadas em um canto. Abri um sorriso como o do Grinch.

― Vamos explorar o que tem por baixo das roupas! ― Falei sozinho e dei uma risada como a de uma bruxa de um filme da Disney.

Me levantei de um salto do colchão e me aproximei da cômoda no canto do quarto, Charlie havia pegado a maioria das gavetas, já que ela tinha uma gaveta para cada coisa. Eu já sou mais pratico e coloco tudo junto. Abri a primeira, eram cremes, maquiagens, uns pincéis (espera aí, Charlie faz pintura e eu não sabia?), óleos hidratantes (olha só, tem um deles que é glitter, isso aqui é cheiroso), alguns esmaltes e mais um monte de coisa que eu não acho interessante. Fechei a gaveta e passei para a próxima.

― É disso que eu estou falando! ― Sorri ao ver a gaveta de calcinhas de Charlie aberta diante de mim. ― Meu Deus, porque ela tem tantas? Parece que tem uma para cada dia do ano.

De todos os tamanhos, forma e cores, eu estou me sentindo em uma loja da Victoria's Secret na sessão lingerie. Quanto mais fundo eu vou na gaveta menores elas parecem ficar, começamos com as shortinhos, depois as tanguinhas e já chegamos nos fios dentais. Meu Deus, isso aqui é tão fino que parece que ela amarrou uma linha e está usando como calcinha. Nem dá para acreditar que ela usa mesmo isso. Muita renda, oncinhas, de bolinhas e cores fortes. Aguardo ansiosamente o dia em que vou ver ela vestindo uma dessas.

Para próxima e avante! Abri a próxima gaveta, sutiãs, pijamas, camisolas e baby dolls. Sim, meus amigos! Porque ela não usa nenhum desses para dormir? Eu não me importo, sinceramente. Peguei um baby doll lilás claro de dentro da gaveta e coloquei sobre o meu peito.

― É, meus peitos precisam crescer mais. ― Falei. Se ela não os usa, talvez eu possa usar para ela. Sei lá, eu sou uma cara bem diversificado.

Notas finais
Gostaram? Pete sempre se metendo no que não é da conta dele kkkkkkk Angel já não vai facilitar, vocês se lembram do que essa disse né? Enquanto Charlie tem um professor doido e um encontro com Ted a caminho, ainda muita coisa vai acontecer, então se preparem. Até o próximo, não esqueçam de comentar!! bjss