Charlie
4 Traficante
A cama de Raquel era macia, confortável e cheirava a ela, mas estava vazia quando eu acordei. Coloquei a roupa e saí rapidamente, tentando não ser vista pelos seus pais e assim que consegui corri para a casa de Jack, toque a campainha e fiquei esperando que ele atendesse.
–Você parece idiota. – ele abriu a porta, apenas com uma calça e um cigarro na boca e ficou ali, parado na porta.
–Porque? — o empurrei para o lado e entrei em sua casa.
–Você está com a cara de quem acabou de perder a virgindade... Esse sorriso. – ele fechou a porta atrás de mim e seguiu para seu quarto.
Cumprimentei a sua mãe e subi as escadas para seu quarto.
–Não acredito! – ele exclamou.
–O que? – me deitei em sua cama.
–Você gosta dela, então essa história toda para você é uma enorme perda de virgindade. Se eu não quisesse que ela morresse tanto, acharia muito fofo. – ele se jogou ao meu lado em minha cama.
–Eu já tinha percebido que você mão saia com a gente, mas não entendi ainda o porquê. – suspirei.
–Você não entende Charlie, e eu vou parecer um idiota se te disser isso. Você está cega, apaixonadamente cega. Eu achei que ia notar como ninguém saí com vocês duas, mas você realmente não vai notar quem está te afastando de todo mim. Você não nota o quanto ela te quer só pra você, o quanto ela te quer como uma propriedade, como ela não liga para enfiar a gente em mil locais diferentes até ninguém mais querer sair com você. Eu amava sair com você! Eu amava você pagar as minhas bebidas! – ele se sentou e começou a falar com as mãos irritado.
Fiz uma careta. Jack nunca falava sério, ele era o ser mais brincalhão do mundo, o mais brincalhão que eu já havia conhecido em minha vida, mas agora não sorria, agora não brincava. Sem o seu tom, aquilo parecia assustador, mas eu ainda não acreditava nele.
Raquel saia comigo, nós bebíamos e ela sorria. Não me importava com tudo que acontecia nas manhãs seguintes, mesmo que isso fosse tudo com o eu eles se importavam. Jack fechou a cara quando não respondi, ele sabia o que eu estava pensando e isso o incomodou.
–Ela é uma traficante. – ele gritou.
–O que? – exclamei, com uma voz fina e estressante.
–Raquel é uma traficante, daquela das pesadas. Daquelas que distribuem para os outros traficantes, daquelas que assassinam pessoas. – ele continuou sério.
–Porque raios você está dizendo isso? – minha voz fina continuou saindo.
–Obviamente não é porque ela é negra. – ele brincou, sorrindo – Você lembra daquele caso dos Miller? Aquele casal que adotava as crianças para cometer crimes enquanto ainda eram menores? Assim eles não pagavam tempo.
–Claro que eu lembro, a minha mãe me trocou de escola porque eu estudava com um dos meninos e foi quando eu te conheci. – acompanhei a história.
–Ok. Disseram para o Rupert que ela era suspeita, e você sabe que eu não confio nele, então eu fui procurar sozinho. Eu achei o artigo que falava sobre esse caso, e eu te juro que quando eles foram presos a garota que foi colocada para a adoção que morava com eles, é idêntica a Raquel. Só que não acho que isso faz muita diferença, porque o que realmente me assustou foi quando me perguntaram porque eu estava andando com gente fora da área de venda, eles me avisaram enquanto eu comprava maconha, então eu parei de andar com vocês, porque eu não mexo com esse tipo de coisa, eu não quero me envolver com isso.
–Você não pode estar falando sério. Eu já estaria morta! – me irritei e fiquei parada em sua frente.
–Não, Charlie. O seu irmão nos apresentou a P., que sempre vendeu as drogas para nós, sempre. Ele me avisou e seu irmão não deixaria que fizessem algo com você de novo. – Jack segurou as minhas mãos, olhando fundos em meus olhos — Você não sabe onde está entrando.
Assim que ele disse aquelas palavras eu saí de sua casa e fui para a minha casa. Sabia que tinha de conversar com ela, mas eu não queria. Tinha medo da resposta. Eu sabia que ela misteriosa, sabia que ela era misteriosa, que ganhava seu próprio dinheiro e com certeza era adotada. Ainda, ela era muito legal, era interessante, bonita, beijava bem e eu estava tentando fazer com que aquilo funcionasse.
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