Notas iniciais
Então, vi várias pessoas fazendo fics sobre o Charlie, Charlie Challenge e resolvi entrar na onda.
Sim, haverá continuação. Não é one-shot.
Espero que gostem.

Aquilo não passava de apenas uma brincadeira, era apenas um pedaço de papel e lápis. O lápis mexia por causa da gravidade ou do vento, qualquer coisa que você escolhesse. Era apenas uma brincadeira boba que tinha surgido e agora circulava na internet mais rápido do que vento em fogueira de São João.

Mas Yasmin queria tentar.

Aquela tarde era como se fosse uma qualquer. Yasmin estava sentada no chão, com uma almofada sendo usada como travesseiro, enquanto mexia em seu celular e conversava com sua melhor amiga, Bruna. Ela também estava deitada no chão, com sua cabeça em outra almofada, mexendo em seu celular. Entre as duas, uma garrafa de refrigerante pela metade.

Então, elas encontraram vários posts no Facebook falando sobre aquilo. E em seguida, vídeos. Elas comentaram isso uma com a outra e Yasmin riu. Bruna não conseguia achar graça naquilo.

—Não vai me dizer que você acredita que demônios existem. — Yasmin tirou sarro da amiga, erguendo sua cabeça do travesseiro e jogando seu celular para o lado.

—Eu não acredito que existem. Eu sei que existem. — Bruna replicou, ainda mexendo em seu celular. — E não há nada nesse mundo que me prove o contrário.

—Qualé, Bruna. É apenas um pedaço de papel e lápis. São pessoas assoprando ou puxando o lápis com um pedaço de linha amarrada na ponta. — Yasmin disse, mas ainda não conseguia fazer Bruna acreditar nela. Estava firme em suas crenças e nada a faria mudar de ideia. — Então, vamos fazer o desafio. Ver se esse negócio realmente existe.

—Yasmin, pelo amor de Deus, não faça isso. Se você fizer isso, eu te mato. E te jogo no córrego. — Bruna disse, colocando seu celular de lado e sentando-se no chão.

—Você tá falando sério. — Yasmin disse, finalmente deixando o sorriso de deboche de lado.

—É lógico que eu estou. Morro de medo disso. — Bruna disse fazendo careta.

—Okei. Então, não vamos fazer isso. — Yasmin disse, enchendo seu copo novamente com refrigerante.

—Muito obrigada. — Bruna disse, esperando Yasmin terminar de colocar o refrigerante em seu copo para tomar um gole e depois voltar para sua posição ao lado de Yasmin. O tempo passou, elas terminaram o refrigerante e Bruna, enfim, foi para sua casa, duas quadras para baixo da rua de Yasmin.

Yasmin ficou pensando nas palavras de Bruna. Sobre ela acreditar naquelas coisas. Yasmin era cética, não acreditava em nada em que não via. Então, por mais que sua amiga tentasse a persuadir de não fazer aquilo, Yasmin não conseguiu resistir.

Yasmin pensava naquilo, ponderando se seria traição fazer algo que sua amiga claramente expressou que não queria fazer, enquanto assistia televisão. Nem estava mais prestando atenção no comercial de margarina, de tão concentrada que estava. Um som forte como se algo estivesse batendo contra a madeira a assustou e a fez pular no sofá. Patrícia riu de Yasmin.

—Você estava tão concentrada que você nem percebeu que eu desliguei a televisão. — Ela disse. Yasmin suspirou, tentando acalmar seu coração. — Eu estou saindo. Eu vou ao mercado. Você quer alguma coisa?

—Uma barra de chocolate. — Yasmin disse imediatamente.

—Como sempre. — Patrícia anotou mentalmente. — E o que mais?

Yasmin respirou fundo, pensando.

—Outra Coca Cola.

—Só isso? — Patrícia perguntou para sua filha, não sabendo se ficava decepcionada ou não. — Nenhuma fruta, iogurte... Nada? Só chocolate e refrigerante?

—Você me perguntou o que eu queria. Eu te disse. — Yasmin respondeu, simplória, sem demonstrar nenhuma emoção enquanto levantava do sofá para ligar a televisão.

—Eu vou trazer umas bananas pra você. — Patrícia disse virando-se em direção à porta.

Yasmin não disse nada, enquanto observava a televisão quase muda, esperando sua mãe ir embora. Ela mordeu o polegar. Ela faria aquele desafio. Levantou-se do sofá, desligou a televisão e foi até seu quarto. Arrancou uma folha de caderno, rabiscou as quatro palavras, pegou dois lápis de cor e voltou para à cozinha, colocando tudo em seu lugar em cima da mesa. O lápis de cor laranja na linha horizontal, e o lápis de cor rosa na linha vertical, por cima.

Então, ela começou com a primeira pergunta.

—Charlie, Charlie, você está aqui?

Nenhum resultado. O lápis não se mexera.

—Tá vendo, Bruna? Isso não existe. — Ela sussurrou pra si mesma, e então tentou de novo. — Charlie, Charlie, posso brincar?

O lápis rosa se mexeu lentamente em direção à palavra Sim. Yasmin sentiu um calafrio em sua espinha.

—Charlie, Charlie, você está aqui? — Ela perguntou de novo. O lápis se mexeu novamente, em direção ao Não. — Se você não está aqui, então quem está?

Assim que ela disse essas palavras, quase imediatamente, a porta da cozinha fechou brutamente, o barulho inundando sua casa minúscula. Yasmin virou-se para trás, instintivamente, colocando a mão por cima do papel sem perceber. Ela sentiu um gelo tocar em seu punho, fazendo-a puxar sua mão rapidamente. Seus olhos estavam arregalados, sua respiração fraca. Seu coração batia num ritmo acelerado, ela não conseguia acreditar em nada que estava acontecendo.

—Charlie, Charlie. — Ela disse, com a voz tremendo de medo. — Eu vou morrer?

O lápis rosa se mexeu rapidamente, quase instantaneamente, para a palavra Sim e caiu para o lado. O lápis laranja sofreu um impacto e girou juntamente com o rosa, indo em direção à palavra Sim.

Ao ver os dois lápis se movendo daquela forma, Yasmin não acreditou em seus olhos e, por medo, deu um passo para trás, não conseguindo respirar direito. Ela sentia uma presença perto dela. Só não sabia o quão perto essa presença estava.

Ao dar dois passos para trás, Yasmin trompou com alguma coisa e ela solidificou-se, morrendo de medo de olhar para trás para ver o que era. Uma mão a puxou para trás, juntando seus braços contra suas costelas com tal força que achou que quebraria, enquanto outra mão se pôs sobre sua boca, impedindo-a de gritar. Alguém tinha invadido sua casa.

Yasmin tentou lutar contra aquele ser, com medo de ser estuprada e assassinada ao mesmo tempo, mas ele era muito mais forte do que ela. Ela não conseguia respirar. De repente, ela sentiu o silêncio a envolver.

Então, ela ouviu um barulho de chaves. A porta da frente se abriu. Sua mãe estava voltando.

—Yasmin, você sabe onde eu enfiei meu cartão do banco? — Ela pode ouvir sua mãe perguntar. Mas, ela não estava ouvindo. Não mais. Patrícia gritou quando viu o corpo de sua filha jogado no chão da cozinha. Yasmin não estava respirando. Seu pulso estava parando.

Enquanto Patrícia ligava desesperada para a emergência, ela observou o pedaço de papel em cima da mesa. Os lápis em formato de cruz, um em cima do outro.

Notas finais
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