Notas iniciais
Então, como vocês já devem ter ouvido, #CharlieCharlieChallenge na verdade era apenas uma técnica de marketing. E muito bem feita não acham? Vamos esperar se o filme realmente vai ser bom. Enquanto isso, nós autores das fics do Charlie Charlie vamos continuar aqui com nossas histórias que foram iniciadas num tempo muito mais sombrio e inocente. Espero que gostem desse capítulo ;)

Monica estava em sua escola quando finalmente ouvira o bate papo sobre o tal Charlie. Ouvira falar de um colega que estava mexendo no celular, entediado, durante as aulas de literatura. Monica adorava o sobrenatural.

Monica queria tentar.

Assim que o sinal do intervalo batera, metade de sua sala saiu correndo em disparado em direção à cantina, morrendo de fome, loucos por comida. Era quarta-feira, tinha mingau de aveia feito com leite sem lactose e você ainda tinha a opção de com ou sem chocolate. Quase todo mundo escolhia com chocolate.

Monica era uma daquelas que viviam com fome. Ela era uma daquelas que, assim que ouvia o sino do intervalo bater, corria para a cantina para ser a primeira a entrar na fila. E então, quando terminava de comer, entrava na fila de novo.

Mas não naquela quarta-feira. Não enquanto tinha um jogo a ser jogado.

Assim que o professor saiu da sala, deixando todos completamente à vontade, Monica arrancou um pedaço de papel de seu caderno e desenhou a cruz, as palavras e colocou dois lápis de cor em cima da cruz. Bianca voltara para a sala quando não encontrara Monica na cantina.

—O que você está fazendo? — Ela perguntou, observando a cruz de canetas na frente da colega. — Que tipo de culto ritualístico é esse?

—É o jogo do Charlie, Charlie. — Monica disse, colocando suas mãos suadas em suas calças jeans. — Todo mundo na internet está fazendo isso. Diz que chama um tal espírito chamado Charlie Charlie. Eu quero ver se funciona.

—Eu acho que o nome dele não é Charlie Charlie. Acho que só repetem o nome duas vezes para ele realmente ouvir. — Eduardo disse, aparecendo quase sinistramente atrás de Monica. Foi ele quem contou à ela do tal desafio. — Talvez ele seja apenas surdo.

—Bom, eu tenho perguntas a serem feitas. Quer participar, Bianca? — Monica perguntou, já arrastando a cadeira na sua frente mais para perto de sua mesa. Bianca não respondeu, só se sentou à frente da colega.

—E o que a gente faz? Dá as mãos e faz alguma reza ou...? — Bianca perguntou.

—Acho que a gente só pergunta mesmo. — Monica disse, e respirou fundo. — Charlie, Charlie. Podemos jogar?

O lápis se mexeu brevemente em direção ao não.

—Para de assoprar, Eduardo. Não tem graça. Eu quero ver se funciona ou não. — Monica disse, irritada. Ela bateu no ombro dele, ele riu e se queixou. Monica arrumou o lápis e fez a pergunta de novo.

—Charlie, Charlie. Você está aqui?

Dessa vez, sem a ajuda dos sopros do Eduardo o lápis se mexeu em direção ao não.

—Talvez ele simplesmente não vá com a sua cara. — Eduardo disse. Bianca ainda estava só observando os dois se debaterem. Monica estava irritada com a atitude de Eduardo.

—Charlie, Charlie. Podemos jogar?

O lápis se moveu em direção ao sim.

—Então agora a gente faz as perguntas? — Bianca perguntou em direção à Monica. Não esperava que os lápis se mexessem em direção ao sim. — Eu vou passar no Enem?

—Eu acho que você não deve fazer perguntas relacionadas ao futuro. — Monica disse. — Deve ter as mesmas regras do tabuleiro Ouija. Sem perguntas relacionadas à morte, e sem perguntas relacionadas ao futuro.

—Charlie, Charlie. Podemos fazer perguntas sobre o futuro? — Eduardo perguntou. O lápis se moveu e parou no meio da linha.

—Acho que isso é um talvez. — Monica disse. O lápis se moveu em direção ao não. — Assim fica difícil.

—Charlie, Charlie. — Bianca disse. Ela engoliu em seco. — Ele vai me chamar para sair?

O lápis se moveu rapidamente em direção ao sim.

—Pronto, já fiquei sabendo o que eu queria. Agora, eu vou pra cantina comer alguma coisa. — Bianca disse e se levantou, indo à porta.

—Bianca, peraí. Você não pode sair sem pedir permissão. — Monica disse e tentou salvar a vida da amiga, mas ela simplesmente não ouviu e seguiu em frente, em direção a cantina, para comer alguma coisa.

—E agora? — Eduardo perguntou.

—Charlie, Charlie. — Monica disse, com medo pela sua amiga. — Você desculpa a Bianca?

O lápis se moveu em direção ao Não. Monica sentiu seu corpo gelar. Eduardo também.

—Charlie, Charlie. Você quer parar de brincar? — O lápis se moveu em direção ao não. — Charlie, Charlie. — Monica disse e ela não sabia como continuar. Então, Eduardo fez a pergunta por ela.

—Você vai machucar a Bianca?

O lápis girou duas vezes em cima do outro e caiu no chão, ainda girando na mesma direção, finalmente parando com a ponta virada para o canto superior direito. O lápis que ainda estava em cima da mesa girou para a mesma posição e caiu no sim.

Os dois aproveitaram o momento e saíram correndo pela porta, o pedaço de papel ainda em cima da mesa de Monica. Eles não sabiam por onde começar a procurar. Buscaram por Bianca pela escola inteira e não a encontraram. Então, o sino bateu. Era hora de voltar para a sala. Monica e Eduardo não sabiam o que fazer, mas precisavam voltar para a sala de aula.

Mas eles não tinham procurado pela escola inteira. Havia um lugar, mais especificamente no banheiro masculino, que eles não tinham olhado. Na quarta cabine que nunca estava funcionando. Era lá onde Bianca estava. E onde Bianca permaneceria, até o sino tocar duas vezes, quando já fosse a hora de sair para voltar para suas devidas casas.

Então, Eduardo e Monica arrumaram a mochila de Bianca e pararam no portão, esperando que ela aparecesse a qualquer momento. De lá, eles podiam ver a porta do banheiro masculino se abrir e Fernando saiu de lá, em direção ao portão. Monica o puxou pro lado e perguntou se ele tinha visto Bianca em algum lugar.

—Ela saiu durante o intervalo e não vi ela desde então. — Monica disse, parecendo preocupada. Estava com medo de encontrar sua colega afogada no banheiro das meninas, como já tinha acontecido previamente na escola.

—Talvez você não tenha procurado direito. — Fernando disse e saiu pelo portão, louco para voltar para sua casa. Monica estava encarando as costas dele, por isso não percebeu quando Gabriel saiu do banheiro, alguns segundos depois. E, quando os alunos apressados já passaram, reduzindo a manada de smurfs pela metade, Monica viu sua colega, finalmente, depois de duas aulas, surgir do banheiro masculino. Seu cabelo loiro estava bagunçado, seu corpo inteiro estava tremendo, e ela parecia que estava chorando.

Mas não era isso que tinha deixado Monica assustada. Não era o cabelo bagunçado, nem o rímel borrado, nem a boca vermelha. Ela não via nada disso. Conforme, Bianca chegava perto deles para pegar sua mochila e voltar logo pra casa, Monica dava passos para trás. Em algum momento, ela soltou a mochila da Bianca e sua própria.

O que Monica enxergava na menina que estava se aproximando, não era sua melhor amiga. Não era o rosto que conhecia. Monica estava sem ar, seu peito e seu braço tremiam como nunca. Monica queria gritar, mas estava assustada demais para fazer alguma coisa a não ser recuar.

O que Monica enxergava era um rosto assombrado. O olho verde de sua amiga estava caído enquanto que o outro estava branco como o de um cadáver. Sua pele estava escorrendo como cera quente, de tal forma que Monica podia enxergar o osso. Sua boca disformada se movimentava como se ela quisesse dizer alguma coisa. O que era, infelizmente, Monica não ouviu. O pânico inundou seus ouvidos e, no final, tudo o que ela pode ouvir foi o som de seus próprios ossos se chocando contra o para-choque de um carro.

Notas finais
E então? Bom, eu gostaria de fazer uma pergunta a vocês. O que vocês acham que pode dar errado? Seja na história, durante ou após a brincadeira.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.