Chara

1 A consulta na psicóloga


Notas iniciais
Chara teve sua primeira consulta psicológica aos 4 anos de idade. Resta saber se a pobre criança conseguirá se recuperar...

— Olá, meu nome é Jessica Parker. Então, esta é sua primeira dia aqui. Você está aqui porque eu acredito que você precise de alguém com quem possa conversar. Nós conversaremos uma vez por semana de agora em diante. O que acha disso? – disse uma jovem loira com olhos verdes escuros. Ela estava se dirigindo a um menino sentado do lado oposto da mesa. O menino não a respondeu. Ele estava olhando para o chão com uma expressão fria e vazia. Ele era uma criança pequena com um metro e cinco de altura. Ele tinha cabelo castanho claro, uma pele muito pálida, olhos vermelhos e bochechas rosadas.

— Então, er... Ch-Chara? É assim que se pronuncia? – ela pronunciou o “ch” como na palavra inglesa “chair” com som de “tch”. Jessica Parker era a única psicóloga na vila. Diz-se que ela era muito boa no que fazia. Porém o garoto não mudou de expressão e permaneceu em silêncio. Ele parecia que sequer escutara o que ela falava. Parecia que estava em seu próprio mundo. Ela começou a se preocupar na incerteza do que ela deveria fazer para que ele reagisse.

— Chara, pode me dizer sua idade, por favor? Preciso completar seu registro. – Chara olhou-a sem se mover. Suas pupilas se deslocaram para olhar para Jessica, porém sem mexer a cabeça ou mudar de expressão. Isso provavelmente iria parece intimidador se ele fosse mais velho.

— Por favor. É importante que eu anote as informações sobre meus pacientes. – Chara levantou quatro dedos como resposta. O menino finalmente reagira.
— Oh, esta é uma idade muito legal! Aprende-se tantas coisas! O que você mais gosta de fazer? – disse com um grande sorriso na esperança de motivá-lo. Chara tornou a olhar para o chão. Jessica começou a se perguntar se ele era capaz de falar. Mas ela não desistiria dele.
— Tive uma ideia, vamos desenhar! — A psicóloga tirou algumas folhas de papel e um estojo da gaveta atrás dela e os colocou na sua mesa. O estojo estava cheio de lápis de cor, canetas hidrográficas e giz. Ela pegou uma folha de papel e começou a desenhar.

— Aqui! – Jessica mostrou seu desenho à Chara. Era um desenho bonito de uma família de leões. Jessica era uma desenhista talentosa.
— Agora é sua vez! – disse com um sorriso. Chara pegou vagarosamente uma folha de papel e encheu sua mão de lápis de cor de maneira desajeitada. Alguns lápis caíram de sua mão. Ele pegou pacientemente os lápis caídos e começou a desenhar. Algumas vezes ele trocava de mão enquanto desenhava.
— Nossa! Você é ambidestro! – Chara a olhou confuso. Claro que uma criança de quatro anos não saberia o significado de “ambidestro”.
— Significa que pode desenhar com ambas as mãos. – ela completou. Chara a olhou como se dissesse “o que tem de especial nisso?”. Não sabia que muitos outros na maioria das vezes não tinham essa mesma habilidade. Depois de sete minutos ele terminou e passou seu desenho para Jessica. A expressão dela mudou assim que ela pôs os olhos no desenho.

O seu grande sorriso se desfez quando olhava para o desenho de um homem alto com cabelo castanho que estava segurando uma faca de cozinha ensanguentada. Ele estava olhando na direção do espectador do desenho. Atrás dele uma mulher loira estava deitada aparentemente inconsciente. Ela estava coberta de sangue. Debaixo deste rascunho tinha outro, na mesma folha. Era o mesmo homem porém agora mais perto. Ele estava sorrindo. O homem se assemelhava um pouco à Chara. Era pálido e tinha cabelo castanho como Chara. O desenho era bom levando em consideração que foi feito por uma criança. Jessica identificou o homem. Ela sabia quem ele era. Ele era o motivo pelo qual Chara necessitava de atendimento psicológico.