Chapeuzinho Vermelho

14 Chapeuzinho Vermelho - XIII


Notas iniciais
Parece uma coisa né. Capítulo 13 tinha que ser tenso? Número dos infernos ç.ç
Bom, daqui a dois dias tem UERJ o/ Desejem-me sorte (yn)
Ao final do capítulo eu explico a vocês porque algumas pessoas dizem "merda para você" quando querem desejar boa sorte.

Não é preciso dizer o quanto ela ficou decepcionada ou apavorada. Violet estava tão transtornada que a única atitude que tomava era a de se encolher no canto da parede a fim de esconder de si mesma sua existência, negar a morte da avó e o convite de Lorenzzo.

Cerrou os olhos e alguns flashes ofuscaram sua mente. Algo parecido com um espaço branco, quente, acolhedor e alguém muito maior que ela, alguém que tinha o rosto encoberto de nuvens, acariciando seus pequenos dedinhos...

“Oh, é uma pena o que farei com você” – Esse ser dizia.

Gostaria de ter tido tempo de explicar à minha menininha que, inicialmente, não havia planejado a história assim, gostaria de ter dado uma desculpa coerente e condizente às minhas gafes, mas como sempre, não há espaço para mim neste conto, apenas para meus personagens e a vida que idealizei para eles.

De repente sentiu os ombros sendo agarrados e sacudidos com violência. Lorenzzo estava nervoso, já não tinha mais paciência para os sustos de Violet, a queria a qualquer custo.

– Violet! Estou ordenando! Vamos! Ande logo com isso!

Que fosse pelos olhos embaçados e não pela dor, mas a garota já não conseguia definir que forma os dentes dele tinham tomado. Sentia somente o cheiro de um hálito apimentado, algo parecido com noz moscada, mais rústico, mais... Homem.

Não adiantava chorar, espernear, muito menos negar. Ela teria que obedecê-lo senão poderia machucar-se ainda mais.

– Onde... Onde coloco a saia? — Perguntou trêmula.

– Jogue-a no fogo, não vai precisar mais dela.

E essa foi a resposta para todas as outras partes da roupa de Violet — que sabiamente não as jogou no fogo, como ordenara o Lobo.

Os pensamentos que rondavam sua mente naquele momento eram tão desesperados, tão suplicantes que não tenho coragem de ouvi-los, que dirá um dia repeti-los, para vocês, caros leitores.

– Agora, venha, Violet. — Chamou o Lobo.

– Não... Não quero. — Respondeu com a cabeça baixa.

Esperou ouvir outra bronca, um grito, um tapa. Porém só o que percebeu foi seu corpo caindo no chão, ao lado da lareira.

– Você quem pediu, Violet.

Quando abriu os olhos, deparou-se com Lorenzzo sobre ela, com cada célula do corpo tremendo. Ainda que sua pele fosse quente, agora Violet descobrira que ela também era macia. Sentir desejo fez com que ela se sentisse ainda mais culpada. Violet nunca havia se sentido tão suja quanto naqueles breves momentos, deitada com Lorenzzo a beira da lareira.

A lembrança da avó, do gato falante, do sangue, da carne, do cheiro de morte de dentro da casa a fez cerrar os olhos com força e esperar que tudo passasse o mais rápido possível.

As imagens foram ficando turvas, ela já não sabia diferenciar o real da imaginação.

O sol se pondo...

O fogo ardendo...

Lorenzzo a beijando...

O cansaço a segurou, mas foi Lorenzzo seu carrasco abatendo-a na cabeça com uma bela coronhada.

Por mais que eu o ache um mau caráter, ele foi piedoso quando a impediu de assistir sua própria transformação em algo pior — como ela mesma diria — que mulher.


Notas finais
Ai bateu uma preguiça agora de explicar >.
Mas eu prometi né? Vamos lá...
Antigamente as pessoas iam de charrete ao teatro, então, quanto mais pessoas, mais charretes, mais cavalos = MERDA DE CAVALO.
E daí vem: "Merda pra você!"
Que está intimamente relacionado a sucesso.
Aeeeew, agora, por favor, digam-me, o capítulo ficou muito apelativo? Fiquei preocupada enquanto escrevia "/