Chaos
6 Capítulo 05 - Capture-os
Emma, Ryan e Joey caminharam pela grande floresta. Era um lugar esquisito. As árvores grossas pareciam dispostas com a mesma distância umas das outras, perfeitamente simétricas. Nem parecia real.
Eles caminhavam perto da estrada, na beira, mas foram obrigados a adentar mais quando ouviram um som de motor se aproximar. Eram três caminhões correndo em alta velocidade, deixando uma nuvem de poeira no caminho.
– Eles parecem estar com pressa – Disse Emma.
– Provavelmente assustados com o fato de ter mais alguém na cidade, com medo de que descubramos seus planos – Falou Joey.
– Se o conteúdo da carta for verdade, nós estamos ferrados – Lamentou Ryan, com medo.
– Por quê? – Ela perguntou.
– Experimentos com humanos é coisa séria, eles devem ser poderosos, estaremos correndo grande perigo – Ele respondeu – Temos que avisar ao FBI quando voltarmos aos EUA.
– E como você sabe que são americanos? – Perguntou Joey.
– Você me pegou.
– Shh, shh! – Exclamou Emma – Tem alguém vindo.
Segundos depois, eles viram cinco pessoas caminharem até o grande portão enferrujado e trancando-o com cinco cadeados.
– O que está acontecendo? – Perguntou Ryan, baixinho.
– Acho que irão fazer alguma coisa grande lá dentro, e como já descobriram que estamos aqui, não querem ser interrompidos – Ela respondeu.
– Algo me diz que os outros estão lá dentro – Disse Joey.
– Precisamos entrar – Concluiu Emma.
– Como faremos isso? – Ele perguntou.
– Vamos caminhando por dentro da floresta, quando estivermos perto, daremos um jeito.
Eles começaram a adentrar mais a floresta, sempre andando em direção à grande construção. Com medo de serem vistos, caminharam mais e mais, até conseguirem avistar apenas de longe o laboratório. Olharam para os lados, estavam no meio da floresta, entretanto, ao lado esquerdo, havia um penhasco, não muito longe. Depois, o mar.
Emma, Ryan e Joey caminharam até a ponta do penhasco. Ao ficar a apenas um metro da imensidão azul, observaram a bela vista que era. O vento batia em seus rostos, ar livre. De repente, um fraco cheiro de carne podre veio em uma rajada de vento. Ele começou a ficar mais forte.
Eles olharam para baixo. Emma levou a mão à boca e tentou se controlar para não vomitar. Eram corpos. Dezenas deles, provavelmente centenas, na verdade. Jogados nas pedras, alguns, em decomposição, pareciam estar ali há muito tempo, enquanto outros pareciam ser frescos.
– Esse lugar é um matadouro! – Exclamou Ryan, estupefato – Temos que sair daqui, agora!
Quando eles se viraram, olharam bem para a floresta. Estavam sendo observados. Os homens estavam espalhados pela floresta, vestindo roupas brancas e máscaras de gás. Estavam ali perto, olhando para eles.
– Oh meu deus – Disse Emma, nunca havia estado tão assustada em toda a sua vida.
Os homens começaram a andar em direção à eles, lentamente, portando armas de fogo em mãos.
– Olha, nós só queremos sair daqui, juramos que não iremos contar a ninguém! – Ryan disse, levantando as mãos em sinal de rendimento.
– Por favor, deixem-nos ir! – Exclamou Emma, desespero.
Ao se aproximar, um dos homens agarrou-a pela cintura, não queria matá-la. Ela gritava e se debatia, mas o homem não a deixava escapar. Também não dizia uma palavra. Nenhum deles dizia.
Um segurou Joey pelos braços enquanto outro segurava suas pernas. Ele tentava se soltar.
– Soltem-me, soltem-me!!! – Ele gritava, mas sabia que era em vão. Aqueles homens não o deixariam sair daquele lugar com vida.
– Por favor, só queremos ir embora, não vamos contar nada, eu juro!!! – Berrou Emma, enquanto outro homem veio em direção à ela com um pano e um frasco de vidro. Ela conseguiu ver o nome grande escrito em negrito na embalagem improvisada. Clorofórmio.
Ryan resistiu, socou um deles na barriga e outros dois pularam em cima dele, mas ele lutava impressionantemente bem. Socou os outros dois, mas eles também resistiram.
O homem pôs a substância no pano e colocou-o sobre o rosto de Emma. Enquanto desmaiava lentamente, a última coisa que ela viu foi Ryan sendo empurrado penhasco abaixo por um dos homens.
***
Joey acordou com uma dor de cabeça terrível, estava deitado sobre o chão frio de uma pequena sala sem janelas, iluminada por uma lâmpada no teto alto. Emma já estava acordada, sentada no canto da parede, com as mãos sobre o rosto, chorando.
– Emma? – Ele perguntou, sentindo uma forte tontura.
Ela levantou a cabeça, seus olhos estavam vermelhos. Olhou para ele com uma expressão de medo no rosto.
– Onde estamos? – Ele perguntou.
– Eu não sei – Ela respondeu, com uma voz fraca – Quando acordei estávamos aqui. Na parede ao lado esquerdo dele havia a forma de retângulo. Parecia uma porta, mas não havia maçaneta, apenas grande parafusos ao redor.
– Eles mataram o Ryan – Ela disse, olhando fixamente para a parede, lembrando da cena grotesca. Ainda podia ouvir seu grito se afastando à medida que se aproximava das rochas.
– Eu sinto muito – Falou Joey – Mas nós temos que sair daqui rápido.
Ela voltou a olhar para ele.
– Como faremos isso? – Perguntou.
– Eu ainda não sei – Ele disse, e em seguida, encostou-se na parede, que parecia ser revestida com algum metal. Estava fria.
– Você acha que nós vamos morrer? – Emma nunca havia estado tão aterrorizada.
– Não – Ele respondeu com convicção, tentando acalmá-la – Ninguém vai fazer conosco.
Ela encostou a cabeça na parede e deu um sorriso. Não sorriu porque acreditava, sorriu porque achou aquilo engraçado. Na verdade, ela nem sabia porque havia perguntado, já sabia a resposta. Era sim, definitivamente eles iriam morrer. A não ser que conseguissem fugir dali.
– Eu tenho uma ideia – Disse Joey.
Ela olhou para ele, esperando ouvir a tal ideia.
– Quando eles vierem nos pegar, nós é que vamos pegá-los.
– Como? – Ela perguntou, curiosa.
Ele tirou o cinto de sua calça rapidamente.
– Com isso.
– Você vai matá-los? – Ela ficou surpresa e nervosa.
– É o único jeito.
– Você vai conseguir fazer isso?
– Sem dúvidas, e você também, vai bater nele até que eu me livre do outro.
Ela ficou em silêncio por alguns segundos, depois encostou-se na parede novamente e disse:
– Nós não vamos conseguir.
– Por que você acha isso?
– Nós não conseguimos escapar deles antes, quando éramos três – Ela abaixou a cabeça, lembrando de Ryan – Por que conseguiríamos agora?
– Porque estamos preparados.
– E se vierem muitos homens?
– Eu não sei, estou contando com a sorte.
Neste momento, ouviram um ruído grave. A fechadura da porta se abrindo.
– Rápido, finja que está dormindo! – Ele disse.
Os dois deitaram no chão frio e fingiram estar dormindo.
Quando a porta se abriu, dois homens vestidos com roupa branca e máscara de gás entraram. Joey ficou aliviado quando viu que eram apenas dois, seu plano daria certo. Um deles virou o rosto dele e deu um tapa. Ele abriu os olhos e o homem, com esforço, o puxou, tentando levantá-lo. O mesmo aconteceu com Emma.
Ele já tinha todo o plano em mente. Iria chutar um deles na barriga e Emma faria o resto do trabalho, chutando-o. Depois, pegaria o cinto, que estava em seu bolso e “dominaria o seu dominador”, matando-o. Parecia atitudes de personagens de filme, no entanto, era sua única chance. Não poderia saber se daria certo, mas sabia que iria tentar.
Eles se entreolharam por um instante e Joey fez um sinal com a cabeça. Neste momento, ele apoiou-se no homem que estava atrás dele, segurando-o, e depois levantou o pé, dando um forte chute na barriga do outro homem. Ele se abaixou, com a mão sobre a barriga, sentindo dor.
– Derrube ele, Emma, agora!
Ela deu uma cotovelada nas costas do homem, derrubando-o no chão, depois começou a chutá-lo e pisar nas costas dele.
Enquanto isso, o cientista lutava com o outro homem. Deu um soco no estômago e o homem se inclinou, com a mão sobre barriga, assim como o outro – Joey bateria no rosto, mas ele usava máscara –, em seguida pegou o cinto. Quando o homem se levantou, ele o surpreendeu, enrolando o cinto em seu pescoço. O homem lutou para se soltar, mas o cientista já havia tomado o controle.
O outro homem, em que Emma batia, havia desmaiado após ela bater na parte de trás da cabeça dele (Onde a máscara não protegia). Ela estava assustada, vendo a lenta morte daquele homem, que se debatia loucamente, enquanto Joey puxava mais e mais o cinto. Depois que o homem perdeu os sentidos. Ele largou o objeto.
Ele próprio estava impressionado e assustado com aquilo, nunca havia feito nada parecido.
– Rápido, tire as roupas deles! – Ele disse, tirando as roupas brancas que os homens vestiam.
Um minuto depois, Emma e Joey saíram da sala e fecharam a porta. Eles vestiam roupas brancas e máscara de gás. Não era nada confortável, mas precisavam usar aquilo se quisessem sair daquele local, com vida.
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