Chantagens

2 Que as negociações comecem


Notas iniciais
Oi gente. Aqui um capítulo novinho, espero que gostem. E obrigada a todas as pessoas que comentaram, favoritaram, acompanharam e a todos os leitores fantasmas. Sem voces jamais teria continuado essa fic. Boa leitura :)

Peter Povs:

Assim que expulso Wade de meu quarto e coloco uma roupa descente, mas dessa vez com a janela trancada e a cortina fechada, só me prevenindo contra certos curiosos pervertidos.

Desço as escadas vendo que tia May já estava fazendo o jantar. Ela me olha repreensiva por eu ter saído de casa de manhã.

Sento-me à mesa sem dizer nada.

– Onde esteve? – Tia May me pergunta sem olhar para mim, continuando a cozinhar.

– Sai por ai. Hoje foi meu dia de folga, tive que aproveitar. – Digo parecendo que ficar fora o dia inteiro fosse à coisa mais normal do mundo só por ser seu dia de folga.

– Você não acha que esta saindo muito ultimamente? – Ela se vira para mim com um olhar serio – Peter, você quase não fica mais em casa, e às vezes aparece com machucados. No que esta se metendo querido?

– Nada tia May. Estou bem – digo – Esses machucados é quando Jameson pede pra eu tirar fotos de bandidos. Eu me escondo, mas às vezes eles me veem e me batem. – Minto, mas com um pouco de verdade, de algum jeito eu apanho, ou apanhava de caras desse tipo, mas sei que se não fosse o Homem-Aranha iria apanhar muito mais.

Tia May da um longo suspiro, tentando relaxar os músculos.

– Espero que arrume outro emprego logo. Não quero meu sobrinho aparecendo em minha casa com o olho roxo. Você é inteligente Peter, pode entrar em uma faculdade.

– Talvez ano que vem. – Esse ano jamais poderia, ainda mais agora que entrei – ou quase – para os Vingadores.

– E alias Peter, não sei o que estava fazendo em seu quarto que o barulho chegou aqui embaixo. Pensando bem, não te vi passar pela porta, como entrou?

Demoro pra responder pensando em algo.

– Pela porta. É que você estava distraída cozinhando e não queria te atrapalhar, então fui direto para o meu quarto.

– E o que era todo aquele barulho?

– Era... Eu... Estava consertando a minha câmera. É isso. Deixei-a cair no chão e tive de conserta-la.

– Tudo bem, mas na próxima tenta fazer menos barulho. Podia ter ido à garagem querido, lá ainda tem as ferramentas do Ben, teria sido mais fácil.

– É verdade. Tinha me esquecido. Eu tenho que subir agora. Daqui a pouco eu venho jantar. – Subo as escadas correndo ate meu quarto. O que aquele louco do Deadpool aprontou?

Fico olhando cada canto do meu quarto vendo se tem algo fora da posição. Eu não deixei meu computador ligado. Não tem importância ele ter mexido nele, não deixo nada com meu E-mail aberto. Mas esta aberta em uma foto onde eu e Gwen estamos abraçados fazendo careta. Acho que agora ele sabe quem é minha ex.

Uma das gavetas de meu guarda-roupa esta entreaberta. Até nisso Deadpool xereta. Todas as minhas roupas estão bagunçadas e caídas dos cabides. Que tipo de pessoa olha o guarda-roupa de outra? E ate das minhas cuecas! Acho melhor lava-las antes de usar de novo.

Na cabeceira de minha cama vejo que tem o endereço de um apartamento e embaixo esta escrito:

“Estou te esperando. Caso não venha vendo sua identidade vai para o primeiro vilão que vir. E acredite vejo muitos deles.

Wade.”

Eu não acredito nisso. Pela primeira vez na minha vida quero matar alguém. E posso experimentar em Wade que vai voltar poucos segundos depois. Isso com certeza é algo tentador.

Coloco meu uniforme de Homem-Aranha por baixo da roupa que usava e desço as escadas, jantando as pressas com tia May.

Assim que vejo que ela dormiu saio pela janela como Spider e vou de encontro com Deadpool.

oOo

O endereço me leva a um pequeno prédio, e posso dizer que não é dos melhores, nem dos mais limpos. Pra um mercenário que ganha muita grana Deadpool não mora em um dos melhores lugares. Na minha cabeça seria um apartamento caro que atrai aqueles tipos de mulheres com peitos e bundas grandes que ficam correndo pela casa com mínimas roupas.

Escalo o prédio e paro na janela onde dá o número do endereço. Fico olhando pela janela e logo avisto Wade com a máscara ate o nariz bebendo cerveja enquanto falava com duas pessoas que não conseguia ver. Assustaria-me se já não tivesse visto isso.

Bato na janela meio envergonhado e com medo. Wade sorri e abre a janela para mim, que entro sentindo um frio na espinha.

– Pensei que não viria Baby Boy. – Ele fala se sentando em uma poltrona suja e encardida no centro da sala.

– Só pude vir agora. Mas o que você quer? – Pergunto tentando manter uma postura seria.

– É que estava sentindo falta sua. Então deixei aquele bilhete.

Olho para ele enfurecido.

– Você me fez vir aqui as 23:00 só porque sentiu a minha falta?! Sabia que eu trabalho amanha? – Esbravejo nem ligando mais para a ameaça no bilhete.

– Sabia, você é um repórter. Não é estranho você ser um paparazzi de si mesmo?

– Eu vou embora. Jamais teria vindo aqui se soubesse que seria por um motivo tão idiota. – Falo tocando na abertura da janela.

– Espera! – Grita Deadpool saindo da poltrona, jogando a garrafa de cerveja para a cozinha – Não esta se esquecendo de nada?

Olho para ele confuso.

– Não sei do que esta falando Wade.

Ele se aproxima mais de mim, levanto meu rosto para olha-lo nos olhos, ou melhor, na parte branca da máscara.

– O beijo de despedida. – Deadpool diz ficando mais próximo de mim.

Recuo para trás ate sentir a parede bater em minhas costas.

– O que? Nem pensar!

– Na verdade já esta me devendo um beijo. Hoje no seu quarto você me enganou.

– A culpa não foi minha de você ter acreditado. – Respondo ríspido – Agora se me der licença, vou embora!

– Se fosse você não faria isso. – Ele me olha de um jeito brincalhão – Agora que sei quem é você Peter, posso muito bem contar a alguns de seus inimigos quem você é. Imagine só se eu contar ao Wilson Fisk? Teria uma máfia inteira atrás de você, e ate da sua tia.

Arregalo os olhos perdendo a cor.

– Você não teria coragem. – Digo, mas vendo minha voz fraquejar.

– É claro que teria. Acha mesmo que para um mercenário a vida de uma coroa vale alguma coisa? Mas também podia contar para a corporação Osborn. Eles estão pagando uma boa grana pra quem te capturar, ouvi-os dizendo que seu sangue é bem valioso, mas que preferem que te capturem para fazer experimentos.

Desvio meu olhar sentindo se esvair toda força que ainda me sobrava. É por isso que odeio Deadpool, não sei como pode haver uma pessoa tão baixa, a ponto de fazer esse tipo de chantagem.

– E o que você quer? – Pergunto com um nó na garganta fixando meu olhar ao chão.

– Muitas coisas. E todas obscenas. Mas agora me contento só com um beijo.

Arregalo os olhos sentindo minhas bochechas esquentarem. Queria que essa parede atrás de mim desaparecesse para eu poder fugir daqui. Mas de qualquer jeito não posso. Dessa vez tia May esta em perigo, e não posso perder ela também.

– Então ande logo com isso! – Digo com a voz trêmula.

Deadpool fica me olhando por uns segundos, tentando processar o que acabei de dizer. Mas logo sorri, aproximando-se de mim, deixando nossos corpos a milímetros de aproximação.

Wade ergue a minha máscara, ate o começo do nariz, mas continua com as suas mãos em minha bochecha.

– Você fica tão fofo corado. – Ele me diz de um jeito manhoso. Tento virar meu rosto, mas as mãos de Deadpool não permitem, fazendo-me encara-lo, e com certeza, corar ainda mais.

Ele vai se abaixando aos poucos abrindo a boca lentamente e logo sinto seus lábios roçando aos meus suavemente. Eu não reajo. Nem sei como reagir. Apenas deixo Deadpool começar a movimentar sua cabeça e aumentar a intensidade do beijo. Logo umas de suas mãos descem ate o final de minhas costas, ele me puxa, deixando nossos corpos colados, um sentindo o calor do outro.

Wade pede passagem com a língua. Não correspondo. Apenas fico imóvel, sem saber como reagir. Sua mão que estava em minha bochecha desce ate meu queixo, onde Deadpool o ergue e nisso abro mais minha boca, sendo invadido pela língua de Wade, que explora cada canto de minha boca. Não posso evitar soltar um gemido, tanto pelo beijo quanto pela falta de ar. Mas ele não para, somente aumenta o ritmo, fazendo cócegas com sua língua em meu céu da boca. Outro gemido. Sei que ela esta orgulhoso disso, pois aumenta cada vez mais o ritmo. Já sem nenhum ar, Deadpool afasta seu rosto do meu, deixando ecoar pela sala o som dos nossos lábios se separando.

Ele tira sua mão de minha costa, mas continua com a outra em meu queixo, obrigando-me a olhar para ele.

– Você fica tão fofo corado. – Ele volta a me dizer com um enorme sorriso.

– Você já disse isso. – Digo ofegante pela falta de ar. – Posso ir agora?

Deadpool me solta, voltando a sentar em sua poltrona.

– Pode. Eu só quero isso por hoje... – Ele fala sorrindo malicioso. Meu sentindo aranha formigou nesse momento – Mas não se esqueça de que posso te entregar a qualquer hora Spidey, por isso não pense em dar uma de mocinho pra cima de mim.

– Não sou tão burro Wade. E como assim por hoje? Isso já não foi o suficiente?

Wade deixa uma risada escapar por seus lábios.

– Suficiente? Esse beijinho? Peter, Peter, como você é inocente. Isso é só o começo. E não pretendo terminar de te chantagear tão cedo. Estou gostando muito disso.

– Só quero que me prometa que não vai mexer com a minha tia.

– Ta, ta. Ok. Eu prometo. Mas, enquanto faça tudo o que eu te mandar. Porque se não fizer sabe do que vou fazer.

– Eu sei Deadpool. Mas agora tenho que ir, porque diferente de você, tenho um emprego descente. – Digo grosso. Volto a colocar a máscara e atravesso a janela grudando minhas mãos e pés na parede.

– Fique atento, a qualquer momento volto a te procurar. – Wade grita para que eu possa ouvir – Ate mais, Baby Boy.

Travo um pouco depois disso. O que ele quer de mim? E por que envolver minha tia que não sabe de nada? Mas não posso arriscar a segurança dela. E não vou contar aos Vingadores, jamais vão me deixar entrar se virem que não consigo lidar nem com um mercenário. Tenho que eu mesmo arranjar uma saída, sem prejudicar minha verdadeira identidade. Mas agora é melhor voltar pra casa, sei que amanhã vou estar quebrado para trabalhar.

oOo

Ao chegar em casa nem tiro minha fantasia, me atiro na cama e me cubro com a coberta. Vejo que meu celular esta aceso e o pego vendo que tem várias ligações perdidas e uma mensagem de voz. Todas de Harry.

Aperto na mensagem de voz:

“Peter, onde você esta que não me atende? É urgente, preciso de sua ajuda! Venha amanhã a minha empresa, tem uma coisa que tenho que te dizer. Não vou falar nada pelo celular, mas quero que saiba que é muito importante que venha. Por favor, Peter, só você pode me ajudar!”.

Fico sem ação por um momento, nunca Harry falou desse jeito comigo, e nem com ninguém. A última vez que o vi estava de Homem-Aranha, dizendo a ele que não darei meu sangue para sua cura. Fiquei triste por fazer isso, mas se desse meu sangue ele morreria no mesmo dia. Não posso deixar que uma pessoa morra por minha culpa, ou melhor pelo meu DNA.

Amanhã, assim que sair do meu serviço vou visita-lo. E espero que não seja por causa do Homem-Aranha de novo. E espero ainda mais que ele ache uma nova cura.

Notas finais
Eu sei que esse cap ficou meio parado, mas prometo que no proximo vai rolar bastante coisa e vai ser maior. Mas que tal comentarem o que acharam?