Chantagens
3 Equações certas
Notas iniciais
Peter Povs:
Mal durmo de noite pensando em Harry, porque ele precisaria de minha ajuda, sendo que tem dinheiro para pagar vários cientistas muito mais inteligentes para tentar criar uma cura. É isso que eu não entendo.
Mas agora não é hora para pensar nisso, já que estou em frente a sua mansão tocando a campainha.
Logo um de seus empregados abre a porta, dando-me espaço para passar, apenas aceno com a cabeça e vou para a sala.
Fico sentado mexendo em minha câmera, esperando Harry aparecer. Ouço passos vindos da escada, e me viro para olha-lo, está horrível. Desde a última vez que o vi sua aparência já não estava muito boa, mas agora está pior. Está muito mais pálido, suas olheiras estão bem mais a mostra, tanto pela falta de sono como pelo enfraquecimento. Vejo que não esta nem conseguindo andar direito, cada passo que dá na escada é lento e fraco, como se um passo falso já fosse o derrubar.
– Fico feliz que tenha vindo Peter. – Harry me diz bem devagar, com a voz baixa e rouca.
– Fiquei preocupado com aquela mensagem que você me mandou. – Digo, sentando-me em umas das cadeiras à frente de Harry. – Mas por que precisa da minha ajuda?
– Minha doença piorou Peter, a cada dia estou pior. – Ele desabafa com um tom na voz de angustia – Não quero ficar igual meu pai. Não quero ficar anos em uma cama para depois morrer sem ter aproveitado a vida. Isso eu não quero. Sou muito jovem pra ficar naquela cama velha, sendo cuidado por todos aqueles empregados que querem que eu morra logo. – Harry da uma pausa, juntando suas mãos trêmulas – Preciso que me ajude a fazer um antídoto.
– Harry não dá, eu já falei com o Homem-Aranha, ele não quer dar seu sangue.
– Não ligo mais para o sangue daquele ingrato. Estava vendo uns vídeos do seu pai em meu escritório, era ele que criou aquelas aranhas que ficam na Oscorp, que foram elas que criaram o Homem-Aranha.
– Harry, eu não estou entendendo. – Digo confuso.
– Foi seu pai que começou tudo Peter, e quero que você termine.
Ele me encara por alguns segundos, esperando uma resposta minha, apenas desvio meu olhar sem dizer nada.
Harry se levanta sério.
– Tenho que te mostrar uma coisa. – Ele me diz enquanto me guiava ate sua sala.
Quando ia segui-lo ouço batidas vindas de algum lugar. Começo a procurar de onde está vindo e paro na janela da sala, onde Deadpool parará de bater e acenava para mim feliz. Sacudo meus braços na esperança que ele pelo menos se escondesse, mas ao invés disso, abriu a janela lentamente.
– Nem pense em entrar aqui! – somente movo meus lábios, sem sair som algum. Deadpool, nem se importando com o que eu disse adentra a mansão de Harry indo a meu encalço.
Harry volta a me chamar, voltando à sala. Sem saber o que fazer pego Deadpool pelos braços e o atiro em outro cômodo, ele olhou para mim fingindo estar magoado e bravo, mas olhei bravo para ele, indicando com meu dedo que não deveria sair da-li.
– Peter, você não vem? – Harry volta a aparecer. Aceno com a cabeça afirmativamente, e dessa vez o sigo, e sei que Deadpool também está.
Entramos em seu escritório, Harry me ofereci uma cadeira para sentar, escolho uma que dá de direção à porta, onde Deadpool mostrava sua cabeça vermelha às vezes e colocava a mão na boca para não rir do jeito que o encara assustado e furioso ao mesmo tempo.
– Você esta legal? – Harry me encara sentado na primeira carteira da mesa onde segura um pen drive.
– Sim, só estou com um pouco de sono. – Respondo tentando parecer normal.
– Voltando ao assunto, é nesse pen drive que está o vídeo onde mostra seu pai e o Dr. Curt Connors criando as aranhas. – Ele coloca o pen drive em uma abertura de sua mesa e o vídeo começa a aparecer no centro da mesa.
Começa com meu pai escrevendo partes das equações na lousa, e a seu lado o Dr. Connors escolhendo as substâncias para serem colocadas nas aranhas.
– Isso vai mudar o mundo, depois que a terminarmos ela mudará salvar pessoas vão se curar de várias doenças. – Diz meu pai olhando diretamente para a câmera feliz, involuntariamente sorrio também, sentindo um frio na barriga misturado com uma dor no peito.
Harry pausa o vídeo.
– É disso que eu preciso Peter. Que você refaça as equações, depois meus cientistas vão cuidar do resto. Por favor Peter, só você vai conseguir.
O fito com um olhar triste, nunca o vi se humilhar tanto para ter alguma coisa, acho que ele também nunca deve ter feito isso, deve ser a primeira vez que não tem algo que quer, mas a diferença é que ele precisa.
– Eu preciso pensar Harry – digo em um tom baixo – Só me de dois dias, e te darei a resposta.
Ele assentiu dando um longo suspiro, tentando inutilmente sorrir parecendo conformado com minha resposta.
– Ok. Pelo menos isso é melhor que um não.
– É que eu tenho medo de errar na equação. Eu cometi esse erro uma vez e não quero cometer de novo.
– Não precisa ficar preocupado, vou pagar os melhores cientistas e físicos para te ajudar.
– Tudo bem – dou de ombros. Levanto-me da cadeira e me viro em direção a porta, dando de cara com Deadpool acenando para mim. Até tinha me esquecido que ele estava aqui – Tenho que ir agora.
– Eu te levo até a porta.
– N-Não precisa. Pode ficar sentado. Eu vou sozinho.
– Você tá legal mesmo?
– Claro. Estou ótimo. – Tento segurar meu nervosismo – Tchau Harry.
Dou passos largos ate a porta, pegando no braço de Deadpool e literalmente o arrastando até a janela de onde entrou.
– Vai embora! – Esbravejo apontando a janela com meu indicador.
– Como você é mau Baby Boy. Parece ate que não me ama.
– Eu não te amo Deadpool!
– E o que foi aquele beijo ontem?
– Você me obrigou.
– Então por que gemeu?
Travo perdendo a voz sentindo minhas bochechas queimarem.
– Tudo bem Petey, não precisa ficar envergonhado, eu sei que sou irresistível. – Ele fala passando a mão em sua cabeça, na região onde deveria ter um cabelo.
– N-Não estou envergonhado!
– Então por que esta corado? Você fica tão fofo. – Do nada ele me abraça, prendendo-me em seus músculos, enquanto me apertava cada vez mais.
– Deadpool me larga! – Quase grito sentindo dificuldades de respirar.
Assim que ele me solta, arfo, buscando o máximo de ar para meus pulmões.
– Só te largo porque não estamos no meu apartamento. Porque se estivéssemos só te largaria pra te jogar na cama.
Coro ainda mais.
– Apenas saia daqui antes que alguém te veja. – Falo massageando minhas têmporas.
– Tudo bem, eu vou. Mas não ache que vai ser a ultima vez que vou te procurar hoje – ele atravessa a janela – E não se esqueça de que eu poderia ter te entregado pro Osborn a qualquer momento em que estive escondido.
– Eu sei Deadpool. Não vou te enganar, ainda mais agora que você ameaçou a minha tia. Pode deixar que irei fazer tudo o que quiser. – Assim que disse isso senti meu estômago se revirar junto a uma dor no peito. A única coisa que quero é que esse dia acabe logo.
– Eu sei Baby Boy. Só estou te lembrando. Bye bye. – E pula da janela, me deixando finalmente me paz.
Saio da mansão Osborn correndo. Ainda hoje tenho que tirar fotos do Homem-Aranha – eu – lutando contra alguns bandidos e entregar hoje ao Jameson, além de chegar a uma conclusão se devo ou não ajudar o Harry.
Vou ao final de um beco e escalo o prédio. Vejo se tem alguém passeando lá embaixo, não tem. Tiro minhas roupas ficando com a minha de Homem-Aranha. Coloco a mochila em minhas costas e a câmera em meu pescoço. Fico pulando por ai a procura de um bandido.
Encontro dois garotos, que pelo que parece ainda nem saíram da escola, devem ter entre 16 e 17 anos, mexendo com um menor que aparenta uns 14. O garoto de cachecol segurava o menor enquanto seu parceiro vasculhava algo de valor nos bolsos dele.
Grudo a minha câmera no alto do prédio, deixando o visor na região dos garotos.
Pulo na frente deles que se assustam. O menor de boné preto tirou de seu bolso um canivete, que o segurava com a mão trêmula, parece que esse é o primeiro assalto deles.
– Vaza daqui Aranha. A gente não quer encrenca. – Ele grita tentando engrossar a voz, para ficar com um ar de durão. Dou gargalhada, vendo o papel ridículo que eles estão fazendo.
– Até os ursinhos carinhosos são mais assustadores que você. – Zombo.
O de boné vem na minha direção erguendo o canivete. Apenas desvio de seu ataque e lhe acerto com um soco na cara. Seu amigo vem em minha direção, largando o menino que caiu no chão ao choro. Pego no braço do de capuz e começo a gira-lo, zonzo o atiro em seu amigo, fazendo os dois caírem juntos ao chão. Aproveito isso e os grudo na parede com minhas teias.
Subo no prédio e pego minha mochila, onde coloco minha câmera, vejo as fotos, filmagem perfeita, não ficou nada de fora. Jameson não pode reclamar de nada.
Desço até o garoto, me agachando a sua frente.
– Tá tudo bem? – Pergunto.
Ele limpa as lagrimas, esperando a respiração voltar ao normal.
– S-Sim. Obrigada por me salvar.
– Quer que eu leve até sua casa?
Ele afirma com a cabeça. O ergo e ele começa a me guiar.
– Qual o seu nome?
– Jason.
– Nome legal. O meu é Homem-Aranha.
oOo
– O que é isso Parker? – Jameson me pergunta quando atiro as fotos em sua mesa.
– As fotos do Homem-Aranha. – Respondo.
Jameson as pega, olhando cada canto das imagens. Do nada ele abre um sorriso e chama a Betty, que entra na sala correndo.
– Coloque essas fotos na capa do jornal. Até sei o nome da manchete. Homem-Aranha agrediu de menores.
Ela pega as fotos e sai da sala. Olho para Jameson indignado.
– Mas ele salvou aquele garoto. – Debato, tentando parecer o mais sensato.
– E daí? Não é isso que o público quer ver. E não ligo para aquela Aranha. Na verdade a odeio. Daria tudo para que sumisse. Mas não é hora para conversinhas. Está dispensado Parker.
Saio da sala dele contrariado. Por que ele não gosta do Homem-Aranha? Eu salvo as pessoas. Deveria estar feliz por meus atos.
Volto a colocar eu uniforme de Spider. Fico pulando de prédio em prédio, vendo se tem mais algum crime ocorrendo. Nada.
Meu sentido aranha me avisa de algo. Pulo para o sentido oposto do qual estava indo e me grudo em um prédio de vidro. Pelo reflexo pude ver Clint acenando para mim com seu arco na mão.
Vou ate ele.
– Por que você fez isso? – Pergunto inconformado.
– Queria ver se seus reflexos eram mesmo bons – ele fala sentando na borda do prédio -, e são. Talvez você sobreviva nos Vingadores.
– Talvez? Você não deveria sei lá, me apoiar. Falar que vou conseguir, e essas coisas?
– Eu te apoiaria, se você fosse uma garota, mas já que não é, não estou nem ligando.
– E você já ficou com muitas mulheres?
– Talvez até mais que o Stark. Perdi a conta há anos.
Olho para ele pasmo. Superar o Stark? Pensava que isso era impossível.
– E você Aranha? Com quantas já?
– Uma.
Ele me encara, antes de soltar uma gargalhada.
– Uma? Cara você deve ser péssimo com as garotas. Acho que ate o Bruce deve ter pegado mais mulheres que você.
– Pra mim isso não é engraçado. – Falo constrangido.
– Foi mal. Pense numa coisa boa, você esta melhor que o Steve. A única namorada que ele já teve agora é uma coroa, e eles nem chegaram a transar. Você já transou né?
– Claro que sim.
– Pelo menos isso. Você tem muita coisa a aprender comigo e o Tony. Amanhã vamos treinar, aparece lá. Uma semana é tempo demais para pensar.
– Vou ir. Mas só não espalha o que eu te contei agora.
– Relaxa, não sou fofoqueiro. Ate mais Spider.
– Até.
Viramos-nos e seguimos em direções opostas. Estou cansado de procurar algum crime que não vai aparecer. E, além disso, estou muito distraído. Mas tem uma coisa boa nisso tudo, amanhã vou ver os Vingadores. Posso pedir ajuda ao Bruce para me ajudar na equação. Duvido que ele irá errar, e também tem o Tony, sei que ele pode me ajudar. E no dia em que me encontrar com Harry vou ter a equação para entrega-lo, e não precisarei dar meu sangue. Pelo menos dessa vez vou poder ajuda-lo.
oOo
Harry Povs:
Desde que Peter foi embora fiquei deitado em meu sofá bebendo Whisky. Um de meus empregados aparece.
– Precisa de algo senhor?
– Quero que chame o mercenário que falam por ai. Um tal de Deadpool.
– Mas para que senhor.
– Vou pagá-lo para pegar o Homem-Aranha. Sei que dessa vez Peter não vai me abandonar, mas ainda preciso do sangue do Aranha para fazer a cura.
– E depois? O que vai fazer com ele?
– Meus cientistas podem usa-lo como cobaia de seus experimentos. Não me importo. Só quero o seu sangue.
– Vou imediatamente fazer isso senhor.
Meu empregado se retira da sala. Volto a beber meu Whisky. Não me importo com o Homem-Aranha. Na verdade quero que ele morra desde o dia em que virou as costas para mim. Só vou deixa-lo vivo ate o dia em que o mercenário trazê-lo para mim. Porque depois que fizer uma cura, espero que meus cientistas o matem, porque se não o fizerem, eu faço.
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