Notas iniciais
OLÁ CUPCAKES, um capítulo numa segunda pra quebrar a rotina e adoçar a semana saindo! Espero que gostem, feito com muito carinho e suor. Avisem qualquer erro, hein. Imagem do capítulo: http://65.media.tumblr.com/tumblr_mb3esrgrHa1qj5doj.gif Música do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=Z8Q7_mMj9po

“Uma das melhores sensações que um caçador pode ter, é a sensação de salvar uma vida.”

Após queimarem e enterrarem o corpo da criatura, Dean e Cas voltaram ao Impala. Fizeram o que imaginavam que bastasse, era uma criatura nova, afinal, não havia um ritual de morte para mantê-lo a 7 palmos debaixo da Terra.

Cas voltou ao momento em que viu-o realmente, alguns minutos depois que atirou. Se apoiou em Dean, inconscientemente despejou um pouco de seu peso em cima do mesmo, que o segurou assim que percebeu o que se passava. Quando se estabilizou novamente, se aproximou da besta, para que pudesse olhá-lo.

Era uma criatura semelhante a um lobo deformado, ou a um lobisomem que começou a perder as características humanas. Não era um animal bonito de se ver, apesar.

O carro se movia a alta velocidade, iriam voltar para a cidade e depois, seguiriam para o bunker.

— Cas? – Dean perguntou, olhando pra ele pelo canto dos olhos. Quando não recebeu nenhuma resposta, suspirou. – Eu não deveria ter gritado com você naquela hora, eu-

— Está tudo bem – Castiel saiu de seus devaneios, sorrindo-lhe.

“Essa é uma das nossas missões, afinal. É pra isso que arriscamos nossos pescoços.”

Dean observou-o rapidamente, vendo de relance os olhos de Cas focando em si, atentamente. Retribuiu um sorriso breve, segurando o ombro do mesmo – e ignorando seu batimento cardíaco que acelerava gradativamente.

Acelerou, aumentando o volume do rádio enquanto Castiel se recostava confortavelmente no banco.

“Não há nada mais gratificante nisso. Faz valer todo o sacrifício”

x

Estavam fazendo o check-in para sair. As malas já no carro, onde um Castiel exausto física e mentalmente o esperava, queria dormir e ficar dentro de um carro por horas não parecia muito atraente, mas Dean o convenceu de irem o mais rápido de volta para o bunker. Talvez lá tivesse alguma pista do que acontecia, não é?

— Vocês já vão? – a menina tirou uma mecha dos olhos, parecendo um tanto preocupada. – Conseguiram? Acabou? É isso?

Dean colocou as chaves e o cartão falso sobre o balcão.

— Nós fazemos bem o nosso trabalho, não é como se fossemos iniciantes – arqueou as sobrancelhas sugestivamente, a menina corou em fúria.

— Com a sua idade? Aposto que não é mesmo. – disse Katie, puxando as chaves com violência e prendendo-a no lugar. Devolveu o cartão. – Aqui, pode ficar, quase não ficaram aqui direito, meu pai me ensinou a não ser injusta, e a pagar aos outros pelos favores pedidos– frisou a palavra enquanto falava. Dean murmurou “malcriada” entre tosses falsas, guardando o cartão novamente na carteira. – O que foi que disse?!

— Quem, eu? – falou, com falsa inocência. A menina cruzou os braços bufando e o caçador rolou os olhos. – Tsc, apesar de tudo, você estava certa sobre ele, e foi esperta em nos chamar ao invés de enfrentar aquilo sozinha-

— Não é como se eu não pudesse me defender! – interrompeu-o, prestes a começar um falatório.

— Jesus, garota! Eu estou tentando te agradecer, dá um tempo! – disse virando-se – Até qualquer dia, novata.

Katie bufou, porém sorriu brevemente depois.

— Até, coroa.

Não era a última vez que veriam ela, disso ele tinha certeza

x

Eles já estavam a horas na estrada. A escuridão ainda era total quando Dean começou a ver sua visão enturvecer. Estava cansado demais, não conseguiria dirigir assim. Olhou em volta, sabia que não tinha nenhum hotel por perto, eles teriam que dormir no carro mesmo.

Dean encostou o Impala na primeira vaga de acostamento que viu, não passavam carros demais por aquela estrada, era relativamente seguro, ao menos. Cas, que ainda se encontrava de pé, porém cambaleante de sono, saiu do carro e passou para o banco de trás. Fez isso quase automaticamente, sabia que o loiro estava tão cansado quando ele próprio.

— Boa noite, Dean.

Um sorriso e um bocejo logo após a frase denunciou o quanto estava cansado. O loiro sorriu para ele.

— Boa noite, Cas.

O caçador se recostou no banco, pegando uma cerveja e seu notebook. Não faria mal procurar um pouco mais sobre o caso, apesar de terminado. Sam, que era quem fazia essa parte, não estava ali, teria que se virar. Olhou todas as notícias que conseguiu encontrar, o que resultou num número espantosamente grande de... 3 sites. Nenhum com informação relevante.

Bufou, decidiu por procurar nos arquivos de seu pai depois, talvez os homens das letras tivessem alguma coisa arquivada. Até agora, realmente parecia ser obra de um lobisomem, se não tivesse visto com seus próprios olhos.

Ouviu um ressonar e percebeu que Castiel havia dormido. Dean admirou seu rosto por um tempo, até perceber o que estava fazendo e se recriminar mentalmente. Ele era seu amigo, droga, e estava passando por uma situação diferente e... Não conseguiu evitar, encostou a cabeça para trás, aproveitando o silêncio e a companhia do outro. Voltou-se novamente para o computador, vasculhando por arquivos antigos, rituais, espécies, astronomia, qualquer coisa que explicasse.

Passado algum tempo, já cansado, o loiro decidiu ir dormir. Guardou o aparelho e a garrafa vazia. Decidiu dar mais uma olhada em Castiel – só para ter certeza de que estava bem, se convenceu –, e notou um leve tremor, que se repetia em um intervalo curto de tempo nele, percebeu que ele estava tremendo de frio.

Decididamente era uma noite gelada, e Cas havia decidido não se agasalhar muito bem, talvez pensando que chegariam no bunker a tempo de dormir. Dean revirou os olhos, "anjo teimoso", pensou enquanto tirava seu casaco, colocando por cima do corpo pequeno.

Era tão estranho ver Castiel parecer frágil assim, apesar de não ser. Dean sabia que ele saberia se defender se precisasse. Céus! Ele era um anjo, não era?! Indefeso era a última coisa que Cas deveria ser definido, mas mesmo assim... Ele não sabia explicar o que estava acontecendo dentro de si, na verdade nem sabia se queria entender.

Observou-o durante um tempo, os tremores ficaram cada vez mais leves, até que finalmente cessaram. Satisfeito consigo mesmo, finalmente se permitiu deitar no banco, e adormecer.

x

“Saber que você devolveu o filho de alguém, a mãe de alguém, o amor de alguém.”

— Oh, muito obrigada, meninos, muito obrigada mesmo queridos. – uma velhinha, talvez da altura de Gabriel, abraçava Sam fortemente, chorando lágrimas grossas de gratidão, enquanto o mesmo desviava o olhar um pouco desconcertado. – Meu menino, vocês trouxeram meu menino de volta pra mim.

Esse era, muito provavelmente, o momento mais comovente e ao mesmo tempo engraçado que Gabriel já havia presenciado. O clima era de alegria, mas as palavras e a voz obscura não saiam-lhe da cabeça.

— Gabe – sentiu uma mão em seu ombro – Podemos nos preocupar com isso depois. – Sam, que havia sido liberto dos braços surpreendentemente fortes da figura pequena, disse, passando confiança para o menor.

Assentiu, sorrindo para a senhora, sendo agora a sua vez de ser agarrado, quase ficando sem ar.

“É isso que nos fortalece nos momentos em que não conseguimos fazê-lo.”

x

Depois de avisarem a polícia que haviam encontrado os desaparecidos, se fizeram passar por colegas cientistas que faziam uma pesquisa de campo, analisando o campo meteorológico – ou coisa assim, falando a verdade, Gabriel não se lembrava nem da metade das palavras que Sam usou quando estava falando, estava mais ocupado saboreando uma enorme rosquinha com cobertura e granulado –, quando encontraram o lugar e os reféns.

Assim, de repente e por acaso. Era uma das desculpas mais esfarrapadas que o arcanjo já havia ouvido, mas colou. Os policiais estavam preocupados e ansiosos demais com os reféns para que se preocupassem com álibis. Acompanharam eles até a delegacia local, vendo que alguns dos parentes já se encontravam lá.

Agora, horas, muitos abraços, correria e cansaços depois, Sam destrancava a porta de casa – era sua casa agora também, pelo menos enquanto estivesse assim.

— Parece que eles ainda não chegaram. Excelente. – disse Sam, checando o relógio -- 3:43 da manhã. – olhou para Gabriel – O que acha de dormir?

— Com você? Não recuso – sorriu malicioso, não resistindo à brincadeira.

O Winchester riu, revirando os olhos.

— Se quer ficar acordado, fique o quanto quiser. Estou morto, aquela senhorinha tinha um belo aperto, me machucou mais que os próprios vampiros. – disse enquanto saía para os corredores.

Gabriel se demorou um pouco mais, absorvendo a sensação de casa que o bunker passava para si. Engraçado...

Tomou seu banho e se deitou para dormir, e, quando fechou os olhos, a imagem recente de rostos felizes o recebeu.

Naquele momento, ele estava em paz, independente se era um mortal, ou uma mulher. Gabriel se sentiu bem.

“É isso que nos ajuda a dormir em meio a todos os problemas.”

Notas finais
Capítulo que vem tem surpresa, se preparem. Espero que tenham gostado. Kissus kissus, Até mais.