Notas iniciais
Olá cupcakes! Como vão nessa segunda maravilhosa? Eu sei que o cap ta bem curtinho, mas é um capítulo importante para o que vai começar a acontecer na história. Espero que gostem... Não me matem, ok? GIF do capítulo:http://66.media.tumblr.com/2c84e1848967cf8000b69c9449cd8bd0/tumblr_inline_mslmzpTSJu1qz4rgp.gif

Sam acordou, esfregando os olhos pela claridade incomum do quarto, ele se lembrava de ter apagado a luz, não? Olhou em volta, o quarto estava meio bagunçado, sapatos espalhados, roupas jogadas por todos os móveis e definitivamente, aquela faca não estava ali antes. Levantou-se, sentindo-se melhor que ontem, mais descansado, foi uma boa noite de sono afinal. Andou pelos corredores, passou no banheiro, indo depois para a cozinha, que denunciava uma movimentação.

“Nós somos mortais. Nós vivemos correndo. Não temos tempo a perder.”

— Gabriel, acordado a essa hora?

Entrou na cozinha, pensando no que comeria para o café quando sentiu duas mãos agarrarem seus ombros.

— Sam! – gritou, a voz mais grave – Sammy, eu voltei – Gabriel disse e Sam olhou para o mesmo.

Ele continuava baixo, na sua opinião, mas claramente havia voltado a aparência anterior e... Aquela era sua blusa?

— Quase duas semanas, eu estava até me acostumando – passou as mãos pelos próprios braços, como se se abraçasse – Mas eu senti tanta falta do meu-

— Gabriel! – a voz ainda feminina de Cas chegou-lhe aos ouvidos, Sam nem ao menos sabia que eles já haviam chegado, mas lá estava o outro, incrédulo – Como? – essas foram as únicas palavras que Castiel conseguiu pronunciar.

Gabriel deu de ombros, confuso. Ele não sabia e nem queria saber. O processo não importava, o resultado sim. Um clima de desconforto se fez presente no local, será que Cas ainda não iria falar com ele? E pensar que estava tão feliz na noite. Castiel suspirou frustrado, se dirigindo para a geladeira em silêncio, pegando uma garrafa de água e outra de cerveja, levando-as para fora da cozinha, sumindo pelos corredores.

“Nós tomamos decisões que não tem segundas chances, nós apostamos tudo”

Gabriel também soltou um suspiro, mais triste que o anterior, assim que os passos deixaram de ecoar e passou a mão pelos cabelos arrumados, bagunçando-os ligeiramente. Teria que resolver aquilo mais tarde, do jeito que Sam sugeriu. Não iria mais agüentar aquilo calado. Havia ferrado as coisas e iria se redimir, e mesmo que o outro não quisesse ele iria escutar, mas por ora...

— Espera, então... Aquela bagunça no meu quarto... – Sam disse pausadamente.

Gabriel deu de ombros.

— Culpado. Sabe, eu ainda não consegui meu mojo de volta, embora eu ter voltado a forma já me deixe bastante otimista. – disse, mudando de assunto e olhou para Sam divertidamente – Isso tirou um dos obstáculos que eu precisava pular, o que seria bem mais difícil com aquelas saias. – o olhar se alterou. Sam, estranhando, se moveu para a bancada, começando a preparar seu café, para se preocupar com algo além. – Que foi? Vai me dizer que eu não ficava bem de saia?

Sam revirou os olhos, aproveitando que estava de costas e um sorriso brotou em sua face. É, ele ficava bem de saia.

x

Katie andava pelas ruas desertas naquela noite. Havia deixado seu lugar no atendimento do hotel com uma funcionária recém-contratada. Botou suas mãos nos bolsos, caminhando sem rumo.

O céu daquela noite estava escuro, iluminado somente pela massa de luz de poluição visual que ofuscava o brilho das estrelas. Naquelas noites, ela sentia falta de seu pai, de sua mãe, mesmo que ambos não soubessem exatamente como manter um relacionamento carinhoso com crianças. Katherine foi criada para aquele trabalho, criada para levar a diante o legado de seus familiares, para acabar com as impurezas daquele mundo, proteger os outros, e era isso que ela faria.

As ruas serpenteavam e se cruzavam naquele lado do bairro, as vielas obscuras não lhe causavam medo á anos. Aquele era seu bairro, conhecia cada pedacinho daquele lugar, cada beco, cada casa. As paredes mal-cuidadas já lhe eram familiar, os sons de carros á distância, até mesmo as pessoas. Era como um formigueiro, as operarias moravam desse lado da cidade, trabalhando até a exaustão para manter sua casa e seus filhos. O policiamento também era precário, mas não era como se ninguém soubesse. Era um lugar perigoso, com moribundos a beira da morte espreitando por uma chance de conseguir alguma coisa. Mas ninguém mexeria com ela, não com ela.

Assim que aquele casal estranho de caçadores havia deixado sua loja, a menina saiu, eles lhe lembravam vagamente de seus pais. Sua mãe fora uma mulher bonita, com personalidade forte, corajosa, introvertida, porém. Já seu pai era prático, sarcástico, ágil e inteligente. Eles não mereciam ter morrido, mereciam uma vida longa, próspera, eram pessoas boas, que se importavam com o bem estar dos outros. Chegaram, por diversas vezes, a oferecer abrigo e alimentos para quem precisasse de ajuda ali. Katherine nunca seria metade do que eles foram, dizia para si mesma. Era uma criança, como puderam confiar aquela missão á ela? Deviam estar loucos.

Virou á esquerda numa longa rua estreita iluminada ao seu final, seguiu-a por vários minutos até o final, saindo na área metropolitana mais movimentada, sem olhar para onde iria, dando um encontrão numa pessoa. Não teve tempo de ver quem era ou de se desculpar, quando se virou, a pessoa havia sumido, deixando-a com uma ligeira sensação incômoda.

x

Quando Castiel chegou trazendo a cerveja, Dean sabia que tinha alguma coisa de errado ali. Ele estava cabisbaixo, mas tentava aparentar como se não tivesse ocorrido nada, mas sabia que havia.

A verdade é que, naquele momento, sentiu inveja de Gabriel, por ter recuperado seu corpo antes dele mesmo, e imediatamente se sentiu mal por isso. Gabriel merecia tanto quanto ele, estava perdendo tanto quanto ele, sabia disso, mas o sentimento foi mais forte que o pensamento naquela hora. Decidiu se afastar do mesmo, que parecia feliz, não queria estragar um bom momento.

“Nós nos envolvemos, amamos. Nos entregamos de corpo e alma porque só vivemos uma vez”

Decidindo seguir o que sua cabeça falava para fazer, Dean fechou o capô do carro e sentou-se sobre o mesmo, com a cerveja já aberta em mãos, e bateu levemente no espaço vazio ao seu lado, indicando que era para que Cas se sentasse. O mesmo fez o que lhe foi sugerindo, recostando-se sobre o parabrisa, sentiu um calor reconfortante pela proximidade de ambos. Dean lhe estendeu a cerveja silenciosamente, Cas murmurou um agradecimento, dando um gole na mesma e devolvendo-a. Dean hesitou um pouco antes de perguntar o que havia.

— Ele voltou ao normal. – Cas disse baixinho, respirando fundo – E eu não entendo porque eu sinto como se fosse culpa dele. E não precisa me dizer que o efeito é aleatório, porque eu tenho plena consciência disso, eu só... Estou confuso, tsc, ele também está.

Dean deu um gole, olhando para Castiel, incentivando-o a continuar.

Logo assim passaram-se segundos, minutos, horas até que Cas tivesse adormecido em seu ombro, após algumas lágrimas silenciosas. Dean na maior parte do tempo permaneceu calado, dando espaço para que o moreno falasse o que precisava ser dito, encarando seus olhos azuis, quase se perdendo neles por certas vezes. Já Castiel se encontrava aliviado depois de tudo. Não costumava fazer aquilo, Em toda a sua experiência na Terra Dean nunca havia demonstrado estar realmente ali para aquele tipo de coisa sentimental, porém, desde os acontecimentos recentes, essa era a segunda conversa desse calibre em menos de duas semanas, algo estava acontecendo com o louro, ele podia ver.

E nem Dean poderia negar isso, não era de seu feitio que se envolvesse nos problemas dos outros, afinal, eram dos outros, o que ele tinha a ver com isso? Mas com Cas se tornava diferente, com Castiel, ele não sentia a pressão de ser forte toda hora, de ser o mais responsável, o mais seguro. Ele havia percebido isso, esses... “sintomas” que ele vinha sentindo, recentemente, mas definitivamente não iria admitir nem que seu pescoço dependesse disso, é claro.

“Por isso temos que fazer o que achamos certo, seguir nossos instintos, sem medo de arrependimento”

Nesse exato momento, porém, ele se sentia nas nuvens. Estava acordado, bem acordado, como poderia dormir? O calor do corpo do menor, não tão pequeno assim, contra o seu, mesmo que o contato fosse mínimo, causava-lhe um conforto no peito e uma confusão em sua cabeça. A respiração calma do moreno, a sensação de segurança. Dean o olhou, lembrando de seus olhos azuis. Era essa sua essência. Ele estava mudado, fisicamente falando, infernos como havia, mas independente da sua forma, ainda era ele. Sinceramente, sua forma não importava, ele estava lá, ao seu lado. Era o anjo que o havia tirado da perdição, era o anjo que o havia salvado de tantas maneiras quando nem ele mesmo acreditava que merecia. Era o mesmo anjo pelo qual passara tempos, tanto que tinha perdido a conta, procurando no Purgatório. Que havia se sacrificado inúmeras vezes (“sempre disposto a sangrar pelos Winchester”), que havia escolhido a ele ao invés da salvação...

Dean sentiu seu coração bater fortemente, sentindo como se ele fosse quebrar suas costelas pela força que fazia. Era intenso, Ele não queria entender, mas não ia ignorar mais, não podia, não conseguia. A realidade acertou-o como um tiro na cabeça, chocando-o, assim que ele a aceitou. Ele havia se apaixonado pelo anjo do senhor.

"Se não, quando decidirmos agir, pode ser tarde demais"

Notas finais
Espero que tenham gostado. Qualquer erro, me avisem. Kissus kissus, Até mais!