Changes Love
7 Capítulo 6 – Todos os cuidados
Notas iniciais
Stefan
Como eu já tinha imaginado o dia de hoje foi totalmente entediante. Passei grande do tempo olhando os meus e-mails ou verificando as redes sociais, parando apenas para almoçar e para tomar um café no meio da tarde; em algum momento tentei ligar para Caroline, ainda preocupado com o seu mal-estar matinal, mas ela não me atendeu, provavelmente estava ocupada com alguma coisa na revista.
Quando começou a escurecer arrumei as minhas coisas para poder ir embora. Tinha acabado de sair da minha sala quando encontrei o meu pai saindo de dentro da dele.
– Pelo jeito vamos descer juntos para a garagem – ele comentou quando as portas do elevador se fecharam – Eu não te vi hoje o dia inteiro, meu filho.
– Passei o dia inteiro na minha sala – apenas dei de ombros, como se não fosse nada demais.
– Oh sim, entendo – continuou – Mas, aproveitando que estamos aqui agora, por que você não vai jantar lá em casa hoje?
– Combinei de fazer a minha macarronada para a Caroline hoje – expliquei – Ela não estava se sentindo muito bem de manhã, então acredito que não vá querer sair.
– Espero que não seja nada grave – comentou, preocupado.
– E não é – garanti – Pode ficar tranquilo, tenho certeza de que a Care só precisa descansar e comer alguma coisa bem leve. Tenho certeza de que amanhã ela estará mais do que bem.
– Então você pode ir almoçar e jantar qualquer dia desses – avisou – E, é claro, leva a Caroline junto.
– Vou falar com ele – garanti – Mas é claro que eu vou avisar antes, jamais apareceria assim de surpresa, afinal, pode ser uma hora inconveniente.
– Vocês não precisam avisar antes de ir lá em casa – continuou – Stefan, você sabe que é mais do que bem vindo lá em casa; há qualquer hora do dia.
– Sim, eu sei – afirmei com a cabeça.
Peguei o meu celular dentro do bolso do paletó para poder verificar as horas; Caroline já deve ter saído do trabalho, então nem adianta tentar ligar agora, era bem provável que eu não seria atendido. Minha amiga iria dar uma passada no seu apartamento para ver como estão as coisas e talvez pegar alguma coisa que esteja precisando; por esse motivo eu não vou buscá-la no trabalho hoje.
– Ainda não tive oportunidade de falar com você – meu pai voltou a falar – Mas estou gostando muito desse seu namoro com a Caroline; não tenho te visto com ninguém desde que você voltou e é bom saber que agora você está com uma garota tão legal quanto ela.
– Para ser totalmente sincero, nós não estamos juntos – respondi – Digamos que nós estamos nos conhecendo melhor...
– Vocês dois se conhecem desde que você foi morar em Mystic Falls, não é mesmo? – balancei a cabeça afirmativamente – O que mais vocês tem para se conhecerem?
Comecei a me lembrar de tudo que vivemos nesses últimos três meses em que eu e Caroline estamos “juntos”. Pensei que conhecesse bem a minha melhor amiga, mas preciso admitir que temos aprendido mais um sobre o outro nesse pequeno espaço de tempo.
– Acredite em mim, também bastante coisa para conhecermos um sobre o outro – admiti.
– Se você diz – ele apenas deu de ombros, percebi que ele não tinha entendido muito bem as minhas palavras, mas as aceitou.
Foi nesse momento que o elevador chegou a garagem do prédio. Nós nos despedimos e fomos cada um para o seu carro.
***
No caminho para casa decidi parar no mercado para comprar os ingredientes necessários para preparar a minha macarronada. Por sorte o local não estava assim tão cheio e por isso levei pouco tempo para sair de lá.
Assim que entrei em casa fui diretamente para a cozinha e guardei os alimentos. Foi só quando eu voltei para a sala que percebi a bolsa de Caroline jogada no sofá, sinal de que ela chegado antes de mim.
– Care...? – comecei a chamá-la, mas não recebi nenhuma resposta – Care, você está ai?
Decidi subir as escadas e quando cheguei ao alto do segundo andar ouvi barulho de televisão ligada vindo do meu quarto. E lá estava ela..., deitada na cama e coberta até o pescoço; não sou médico, mas também não parecia estar se sentindo muito bem.
– Care – sentei ao seu lado e coloquei a mão na sua testa, ela não estava com febre – Você está se sentindo bem?
– Não muito... – soltou uma mistura de reclamação e gemido antes de encostar um pouco mais a cabeça no meu braço – Foi só aquele enjoo chato de mais cedo que voltou – reviro os olhos de maneira entediante.
– Como assim o enjoo de mais cedo voltou? – já estava preocupado com ela desde cedo, agora essa preocupação só aumentou – Você me disse que estava bem e que não tinha sido nada demais.
– Eu estava bem antes de sair de casa e passei a manhã toda bem – garantiu – Então eu sai para almoçar com a April e o Enzo, e um pouco depois de voltar para o trabalho, aquele enjoo de mais cedo tinha voltado.
– Será que eu posso saber o que você almoçou? – decidi perguntar, conhecia minha melhor amiga bem o suficiente para saber que ela tinha a fama de não costumar se alimentar bem.
– Comi apenas uma salada com frango grelhado e um copo de chá gelado – disse – Não queria comer nada pesado justamente por ter passado mal, mas, como você mesmo pode ver, não adiantou muito coisa.
Eu a puxei para um abraço, fazendo com que encostasse a cabeça no meu peito.
– Não estou querendo ser chato – continuei enquanto passava a mão pelo seu cabelo – Mas isso é reflexo da má alimentação desde que você veio para Toronto e começou a morar sozinha.
– Idiota – reclamou – Eu aqui passando mal e você ainda tem coragem de fazer graça.
– Desculpa, eu não resisti – ri e dei um beijo na sua testa.
– Eu não sei como eu consegui assistir a reunião de pauta hoje – falou – Mas assim que terminou a editora percebeu que eu não estava me sentindo bem e me deixou ir embora; achei melhor nem ir ao meu apartamento, porque fiquei com medo de não conseguir vir para cá depois.
– E como é que você está agora? – perguntei – Já está se sentindo melhor, pelo menos?
Ela nem mesmo conseguiu me responder, pois no segundo seguinte colocou sob a cama e se levantou para correr na direção ao banheiro. Não pensei duas vezes antes de segui-la.
– Care... – me aproximei e coloquei a mão nas suas costas enquanto a minha amiga vomitava – Apenas fique calma, está bem?
– É melhor você sair daqui... – conseguiu me olhar enquanto pedia – Não é uma cena muito bonita.
– Até parece que vou te deixar aqui sozinha enquanto passava mal – disse – Aceite os fatos, senhorita Forbes, não vou sair daqui do seu lado.
Segurei os seus cabelos enquanto Caroline colocava tudo para fora. Quando ela terminou eu a ajudei a se levantar e ir até a pia para que pudesse ajudá-la a lavar o seu rosto.
– Care, você não acha que é melhor ir ao médico? – sugeri – Só para ter certeza de que esses enjoos não são nada demais.
– Não precisa disso, Stef, tenho certeza de que é apenas uma intoxicação alimentar – garantiu – Em um, no máximo, dois dias estarei novinha em folha.
Já devia adivinhar. Minha amiga nunca foi fã de médicos ou de ir a hospitais, apenas em último caso.
– Se você diz – apenas dei de ombros – Agora vamos, é melhor você voltar a deitar.
Voltei a ajudá-la a andar na direção do quarto e a fiz se deitar na cama e fui para o seu lado.
– Desculpa ter estragado a nossa noite – comentou depois de alguns segundos – Já tínhamos planejado tudo: jantar, vinho, filme..., agora foi tudo por água a baixo.
– Nós teremos outras noites, Care – lembrei – O importante agora é você ficar boa.
– Obrigada... – deu um sorriso bobo – Eu já disse que você é o melhor amigo do mundo?
– Você disse algumas vezes, mas é sempre bom ouvir – brinquei, o que a fez revirar os olhos – Bom..., mas só porque eu não posso mais fazer a minha macarronada não quer dizer que eu não possa cozinhar hoje. O que acha de eu fazer uma sopa para você? É a melhor coisa para quase se está doente.
– É uma excelente ideia – concordou – Para ser sincera, estou começando a ficar mesmo com fome.
– Então fique aqui quietinha vendo televisão enquanto vou até a cozinha – dei um selinho nela antes de me levantar – Não vou demorar.
***
Por sorte eu já tinha tudo que precisava para preparar a sopa na minha cozinha. Comecei a cortar os ingredientes e a colocar tudo dentro da panela enquanto deixava meus pensamentos vagarem para uma vez em que Caroline acabou ficando doente quando ainda estávamos no Ensino Médio e como agora é claro que não deixei a minha melhor amiga sozinha e desamparada naquela ocasião.
*Flash Back*
Quando o sinal indicando o fim das aulas daquele dia tocou, eu já tinha guardado as minhas coisas, então tudo que eu precisei fazer foi me levantar e caminhar na direção ao estacionamento do colégio. Já estava perto do meu carro quando decidi ligar para o meu tio.
– Pensão Salvatore, Zach falando – ouvi a sua voz do outro lado da linha depois de alguns toques.
– Tio Zach, sou eu – respondi – Só estou ligando para avisar que vou dar uma passada na casa da Caroline, por isso devo demorar para chegar em casa.
– Tudo bem, Stefan, não tem problema, mas obrigado por avisar – falou – E como é que está a Caroline?
– Para falar a verdade eu não sei – dei de ombros, mesmo que ele não pudesse ver o meu gesto – Ela não veio para a aula hoje e é por isso que eu vou vê-la agora.
– Então vai até lá – completou – E não se preocupe com o horário, tenho certeza de que você já é maduro o suficiente para saber quando precisa chegar em casa e também sei que você não vai fazer nenhum tipo besteira.
– Obrigado, tio – estava olhando para um ponto fixo do chão a minha frente nesse momento – Eu acho...
– Dê lembrança a Caroline por mim – foi tudo que ele disse antes de desligar.
Coloquei o meu celular no bolso da calça jeans antes de entrar no meu carro. A casa de Caroline não ficava muito longe do colégio e em poucos minutos eu estava estacionando em frente ao jardim da residência.
Antes mesmo que eu pudesse chegar a porta, a mãe dela apareceu.
– Stefan! – acenou enquanto caminhava na minha direção – Acho que não preciso dizer que não estou surpresa por você estar aqui, não é mesmo?
– Fico feliz por ser tão previsível assim – revirei os olhos.
– Já disse isso antes, mas estou mesmo feliz por ela ter você por perto – admitiu – Caroline fica claramente mais feliz quando você está por perto.
– Também fico mais feliz quando estou perto dela, pode ter certeza disso – garanti – Mas mudando de assunto, imagino que ela esteja em casa, não é mesmo?
– Lá em cima – com o dedo indicador apontou para a parte de dentro da casa – Para falar a verdade é bom que você esteja aqui, estou indo para o trabalho e estava um pouco receosa por deixar a Caroline aqui sozinha, ela costuma ficar tão sensível quando está doente.
– Posso ficar aqui o tempo que precisar – avisei – Assim a gente coloca o papo em dia, afinal, nós não nos vemos desde ontem.
– Certo – riu – Não devo demorar muito, só vou mesmo dar uma passada na delegacia para ver como estão as coisas e talvez resolver algum problema pendente.
– Pois saiba que pode demorar o tempo que for – completei.
Então eu entrei na casa e já fui subindo as escadas; estive ali tantas vezes que podia ir até o quarto da minha amiga de olhos fechados. Quando fui me aproximando do cômodo pude ouvir uma tosse, sinal de que ela estava acordada e provavelmente me ouvindo chegar.
– Mãe eu já disse que está tudo bem – a ouvi – Pode ir para o trabalho, eu vou ficar quietinha enquanto você estiver fora.
– Não é a sua mãe, Care... – me encostei no batente da porta para que ela pudesse ver.
– Stef! – sorriu antes de se ajeitar melhor na cama para poder se sentar – A que honra eu devo a sua visita em pela tarde de sexta-feira?
– As aulas de hoje foram muito chatas sem você – cruzei os braços enquanto falava – Então eu vim aqui ver como você está e se vai demorar muito para você voltar ao colégio.
– Sabia que você não conseguia viver sem mim – riu, seguido por uma tosse – Mas pode ficar tranquilo, apesar de tudo eu vou sobreviver.
– Isso é mesmo um alívio – brinquei e sentei na ponta da cama enquanto segurava a sua mão, ela estava um pouco quente, o que significava que devia estar com um pouco de febre – Acredito que a sua mãe já te fez ser examinada por um médico, estou certo?
– Depois que passei a madrugada toda tossindo e com uma febre que não diminuía, ela nem mesmo me consultou antes de chamar o doutor Gilbert aqui – reclamou – Sinceramente, não sei o que foi pior: se examinada ou o doutor Gilbert perguntando por que eu e a Elena não estamos mais no falando...
Mystic Falls é uma cidade pequena e é claro que qualquer “fofoca” se espalha mais rápido que gripe. Por isso mesmo já é de conhecimento público que eu e Elena terminamos o nosso namoro e que agora ela está com o Kai; felizmente conseguimos esconder a história a respeito da traição, mas a briga entre ela e Care acabou ficando meio mal contada no meio disso.
– E o que foi que você disse para ela? – quis saber.
– Que era melhor ele perguntar para a filhinha dele – deu de ombros enquanto respondia – Certamente a resposta dele será bem diferente da minha.
– Prudente... – tive que concordar.
– Mas o importante é que ele acabou me diagnosticando com uma gripe comum; algo bem simples, só que bem chato de curar – reclamou – Preciso tomar esse remédio por cinco dias e ele provavelmente vai acabar me deixando com dor no estômago; e tem o xarope para a minha dor de garganta – apontou para os dois medicamentos que estavam em cima da mesinha.
– Pensa que poderia ser bem pior... – lembrei.
– O sempre otimista, Stefan Salvatore – revirou os olhos – Se você não fosse meu melhor amigo, eu era capaz de te odiar.
– Dúvida que algum dia você consiga me odiar, Care... – dei um sorriso convencido, o que a fez tentar me chutar — Agora dá um espaço para eu poder deitar.
– Tem certeza de que quer deitar do meu lado? – me olhou em dúvida – Desse jeito vou acabar te passando a minha gripe.
– Não me importo – garanti – Estamos mesmo no final de semana, talvez até segunda-feira eu já esteja bem o suficiente para conseguir ir para a aula.
Mesmo parecendo um pouco relutante, Caroline deu espaço na sua cama para que eu me deitasse ao seu lado. Então eu a puxei para mais perto e a fiz deitar a cabeça no meu ombro.
– Você é um bom amigo, Stef – murmurou – Acho que eu já te disse isso antes, mas é sempre bom repetir.
– Pode ter certeza de eu sei que sou mesmo o melhor amigo do mundo – não resisti em brincar.
– Você também é um idiota e convencido – se afastou um pouco para poder me olhar melhor – Mas também preciso admitir que é muito bom ter você aqui comigo.
– Que bom, porque eu não pretendo sair de perto de você – avisei – Pelo menos enquanto você me quiser aqui, é claro.
– Então se prepare para ficar aqui por um bom tempo – respondeu.
Ficamos um bom tempo conversando, mas não demorou muito para ela cair no sono, provavelmente efeito do remédio. Menos de duas horas depois a mãe de Caroline voltou para casa, então eu decidi ir embora, claro que com a promessa que depois eu iria lá novamente para ver como a minha amiga estava.
*Fim do Flash Back*
Não pude deixar de sorrir com aquelas lembranças. Passei o final de semana todo cuidando da Care e é claro que acabei ficando gripado também, exatamente como ela previu, mas obviamente não me arrependo de nada.
Estava tão distraído que nem ao menos vi o tempo passar. Logo a sopa estava pronta, então eu só precisei colocar o conteúdo em um prato e passá-lo para uma bandeja juntamente com um copo de suco de laranja e já podia subir e levar isso para Caroline.
***
– E aqui está...! – coloquei a bandeja na frente dela – Sopa de batata, cenoura, caldo de legumes e macarrão, receita especial da Esther; essa é a primeira vez que eu preparo, espero que esteja bom.
Enquanto eu falava, Caroline colocava um pouco de sopa na colher e levava até a boca. Fiquei ali esperando para saber o que ela iria responder.
– Está mesmo muito bom – disse, por fim.
– Que bom... – dei um fraco sorriso, um misto de felicidade de alívio por ela ter gostado – Esther costumava preparar essa sopa para mim e para o Damon quando éramos pequenos e ficávamos doentes, só tomá-la já me fazia sentir melhor.
– Pelo jeito funciona mesmo – afirmou – Já estou me sentindo bem melhor e o enjoo que eu estava sentindo também passou.
– Fico feliz com isso – sorri mais uma vez – Termina de tomar a sopa, tenho certeza de que você vai se sentir nova e folha quando acabar.
Foi nesse momento que meu celular começou a vibrar. Peguei o aparelho, que eu tinha colocado em cima da mesinha, e verifiquei que tinha acabado de chegar uma mensagem.
– Melhor eu ver de quem é – avisei – Pode ser alguma coisa da empresa e não posso deixar de responder, você sabe disso.
Quando eu abri mensagem descobri que quem tinha enviado tinha sido o meu irmão.
Oi, irmãozinho!
Só estou mandando essa mensagem para te lembrar o horário da minha chegada na sexta-feira.
Meu voo é o número 561, vindo de Miami e a previsão de chegada ao em Toronto é para as seis e meia da tarde, horário local.
Estou ansioso para te ver, Stef.
Um abraço e mande lembrança para a Caroline também,
Damon.
– Está tudo bem? – Care perguntou quando fiquei alguns minutos em silêncio relendo a mensagem – Aconteceu alguma coisa?
– É uma mensagem do Damon – virei a tela do celular na direção dela, mesmo que estivéssemos longe o suficiente um do outro para que não fosse possível ler alguma coisa – Ele chega sexta-feira.
Depois de muita insistência consegui convencer meu irmão a vir me visitar em Toronto e ele ainda vai ficar o verão inteiro aqui. Estou muito animado para ver o meu irmão e quem sabe eu ainda possa ajudar a reaproximá-lo do nosso pai.
– Já faz tanto tempo que eu não vejo o Damon – comentou – Ele deve estar totalmente diferente agora.
– Pelas fotos que ele tem me mandado acho que ele não mudou muito – dei de ombros – Talvez um pouco mais maduro...
– Vai ser bom para você ter o seu irmão por perto — sorriu – Nem que seja por apenas alguns meses.
– A única coisa ruim é que você não poder continuar dormindo aqui enquanto o Damon estiver em Toronto – dei um suspiro triste enquanto brincava com o tornozelo dela – Você conhece o meu irmão e ele vai fazer diversos comentários inapropriados se souber que estamos “juntos” – sem contar que é capaz dele falar alguma coisa a respeito dos meus sentimentos pela Caroline, pensei.
– Bom..., você pode dizer para o Damon que vai assistir um filme no meu apartamento ou que vamos ao cinema, então no dia seguinte você explica que ficou muito tarde e decidiu dormir lá – sugeriu – Mas não podemos fazer isso sempre, ou ele vai acabar desconfiando de alguma coisa.
– Você é mesmo um gênio, Caroline Forbes – me aproximei para poder beijá-la.
– Eu sei disso – deu um sorriso – E por falar em visitas de parentes de amigos: falei com a Elena hoje a tarde, ela também está vindo para Toronto, só que ela só vem no mês que vem.
– Ah... – consegui dizer, por fim – É por isso que ela não parava de te ligar desde ontem?
– Ela está vindo para cá a trabalho, mas é claro que vamos nos ver – explicou – Olha, Stef, eu sei exatamente tudo que você pensa a respeito da Elena, que você nunca mais a viu desde a nossa formatura no colégio e que provavelmente não quer vê-la nem pintada de ouro; mas a Elena é a minha melhor amiga e...
– Care, eu sei disso tudo – a interrompi – Caso tenha se esquecido, fui eu quem sempre te deu apoio para voltar a falar com a Elena na época em que vocês estavam brigadas, jamais tentaria te afastar dela, pode ter certeza.
– Sabe, Stef, acho que eu não poderia ser mais grata por você ter me feito fazer as pazes com a Elena – ficou olhando para um ponto do lençol da cama enquanto continuava – Ela é a minha melhor amiga desde que me entendo por gente e acho que jamais me perdoaria se nunca mais falasse com ela; sem contar que tive a oportunidade de ficar ao lado da Lena quando ela mais precisou e ainda tive a oportunidade de ser madrinha da Brooke, que uma menina maravilhosa.
Sorri. Não conheço pessoalmente a filha de Elena e Kai, apenas por fotos; mas Caroline está constantemente falando o quanto a afilhada é inteligente e carinhosa.
– Sei o quanto isso é importante para você, Care – garanti – Você não está me obrigando a nada, é claro, mas estou disposto a sair com você e a Elena um dia desses, talvez eu até consiga convencer o Damon a ir junto.
– Talvez esse seja um encontro um tanto estranho... – revirou os olhos – Mas eu estou bem animada com a ideia.
Nesse momento Caroline já tinha terminado a sua sopa e acabado de beber suco, então retirou a bandeja do colo e a colocou ao seu lado na cama. Em seguida ela se ajoelhou e ficou bem perto de mim e me abraço ao mesmo tempo em que escondia o rosto entre meu ombro e meu pescoço.
– Segundos depois ela voltou a se afastar enquanto fazia uma cara de nojo...
– Não me diga que o enjoo voltou? – perguntei, preocupado.
– Não exatamente... – fez uma careta – É esse seu perfume, é tão enjoativo.
Meu perfume? Estava usando o mesmo perfume que uso praticamente todos os dias nos últimos meses, o perfume que ganhei da minha irmã caçula no último natal. Sinceramente, pensei que Caroline até gostava do cheiro, pelo menos ela nunca tinha reclamado antes.
– Está falado sério? – a olhei totalmente confuso nesse momento.
– Sim, estou falando sério – revirou os olhos – É melhor você tomar um banho ou hoje você vai dormir no quarto de hóspedes.
– Essa é a minha casa, sabia? – lembrei – Vai mesmo me expulsar do meu próprio quarto?
– Sim, eu vou – cruzou os braços, totalmente decidida – Acredite em mim, Stef, você não vai querer me ver brava. Eu posso ser muito vingativa.
– Tudo bem, eu não estou mesmo afim de discutir com você – me levantei da cama, passando os dedos pelo meu cabelo – Eu vou tirar o perfume, satisfeita?
– Muito... – afirmou enquanto volta a se deitar – E vai rápido, quem sabe a gente ainda não pode aproveitar a última parte da noite que estávamos planejando para hoje? – levantou as sobrancelhas de maneira sugestiva.
Tudo que eu fiz foi sorrir antes de caminhar na direção do banheiro.
***
Tomei um banho bem demorado, para ter certeza de que o cheiro do perfume tinha saído totalmente do meu corpo. Então eu vesti o meu pijama e escovei os dentes antes de voltar para o quarto.
Infelizmente Caroline já estava dormindo profundamente e toda encolhida no seu lado da cama. E pelo jeito não iria acordar tão cedo...
– Descanse, Care – dei um beijo na testa da minha amiga – Você está mesmo precisando disso.
Peguei a bandeja, que continuava no mesmo lugar em que ela tinha colocado e então sair de dentro do aposento com todo o cuidado e tentando fazer o mínimo de barulho possível; eu tinha mesmo muita coisa para arrumar na cozinha.
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