Changes Love

8 Capítulo 7 – Será?


Notas iniciais
Capítulo novinho para vocês Espero que gostem Nos vemos lá embaixo nas notas finais

Caroline

– Não precisa se preocupar comigo, Stef, eu estou bem – liguei o viva-voz e coloquei o celular na pia do banheiro para poder me olhar no espelho enquanto passo o lápis de olho – Terminando de me arrumar para o trabalho.

Tenho que admitir que me sinto culpada por estar mentindo para ele. Ao contrário do que tenho afirmado a semana inteira, os enjoos que estava sentindo na segunda-feira continuaram, principalmente pela manhã, mas por sorte consigo disfarçar bem e Stefan não tem desconfiado de nada.

– Só não entendi até agora porque você não ficou aqui ontem a noite? – reclamou – O Damon vai chegar hoje e você já ia mesmo precisar ir para o se apartamento, devia ter dormido aqui enquanto ainda tinha tempo.

– Como você mesmo disse, o Damon chega a Toronto hoje – lembrei – Foi melhor você ficar sozinho essa noite e se preparar para a chegada do seu irmão.

– Que desculpa horrível, senhorita Forbes – falou – Esses seus argumentos não estão me convencendo.

– Stef, você está agindo como se o Damon estivesse vindo morar no seu apartamento e que por isso nós dois nunca mais vamos poder passar a noite juntos – foi impossível não revirar os olhos – Em pouco tempo seu irmão volta para Miami e nós continuamos da mesma maneira de antes.

– Se eu conseguir aguentar até lá – comentou.

– Mas quanto drama, Stef – fiz uma careta – Tenho certeza de que você vai conseguir sobreviver por dois meses.

Foi nesse momento que um novo enjoo subiu a minha garganta. Apoiei as duas mãos na bancada da pia e respirei fundo, esperando que passasse e para a minha sorte não demorou muito para acontecer.

– Care? – Stefan voltou a me chamar do outro lado da linha – Care, você ainda está ai?

– Estou sim – peguei o aparelho antes de responder – Só estava acabando de passar o lápis de olho.

– Estou te atrapalhando, não é mesmo? – ficou extremamente sem graça no momento – Acho que é melhor eu deixar que você se arrume para o trabalho.

– Você sabe muito bem que eu adoro conversar com você – lembrei – Mas também preciso ir para o trabalho.

– Por que você não vem para cá mais tarde? – sugeriu – Umas sete, no máximo as sete e meia, já devemos ter chegado do aeroporto. Aparece por aqui por essa hora.

– Tem certeza de que não vai ser um problema? – quis saber – É uma viagem bem longa de Miami até Toronto e o Damon com certeza vai chegar aqui cansado.

– Se ele dormir, é até melhor para nós – brincou.

– Tudo bem, Stef, eu vou até ai hoje a noite – acabei concordando – Mas me avise quando estiver chegando em casa.

– Pode deixar que e aviso– garantiu – Agora você deixar você terminar de se arrumar, afinal, eu também preciso me arrumar para ir para a empresa.

Desliguei o telefone antes de terminar de maquiar o meu olho e passar um brilho labial. Só então eu voltei para o meu quarto para trocar de roupa.

***

Mal cheguei na revista e já tinha trabalho para fazer. Comecei a editar as fotos para a matéria de capa da edição desse mês, elas foram tiradas ontem a tarde e o processo foi todo acompanhado de perto por mim, é claro; e antes de anoitecer já estava tudo no meu e-mail.

– Você está ocupada, Caroline? – April colocou a cabeça dentro da sala, parecendo um pouco incerta se poderia entrar ou não.

– Para falar a verdade eu estou ocupada sim – afirmei – Mas você pode falar.

– Vou ser rápida, prometo — avisou enquanto se aproximava da minha mesa – Só queria saber se você tem algum absorvente, é uma emergência.

– Para a sua sorte eu tenho sim – respondi antes de dar um pequeno sorriso – Sempre tenho um pacote de absorvente para caso de emergências como essa.

Abri a gaveta que ficava ao lado da mesa do meu computador e encontrei um pacote de absorvente fechado. Foi então que eu me dei conta, já fazia mais de dois meses que eu tinha comprado aquilo e ainda não tinha usado, isso significa que a minha menstruação está atrasada.

– Essa não... – disse bem baixinho e balancei a cabeça negativamente.

– Algum problema, Caroline? – a garota ao meu lado perguntou – Por favor, só não me diga que você não tem nenhum absorvente aí com você; isso seria uma tragédia.

– Não é isso, é outra coisa..., nada com o que você precise se preocupar – peguei o pacote e entreguei para ela – Pode ficar com tudo, depois eu compro outro para mim.

– Certo... – sorriu em agradecimento – Muito obrigada, Caroline.

– Não é nada, April – garanti – Qualquer coisa que você precise, não tenha medo de pedir.

Assim que ela saiu da minha sala comecei a fazer algumas contas. Nunca fui muito regular e por isso não sou muito preocupada com isso, mas a minha menstruação está atrasada há quase dois meses e não como se eu não tivesse motivos para não me preocupar com uma possível gravidez, Stefan e eu não somos exatamente cuidadosos quando o assunto é proteção.

Precisava tirar logo essa dúvida. Peguei meu celular e comecei a procurar o número da minha ginecologista.

– Doutora Meredith Fell falando– para a minha sorte não demorou muito para que ela atendesse.

– Meredith, sou eu, Caroline Forbes – tentei usar o meu tom de voz calmo, mas não sei se estou conseguindo.

– Caroline! – pareceu feliz com a minha ligação – Está tudo bem com você?

– Está sim – respondi – Eu estou ligando para saber se você pode me atender, ainda hoje, se for possível.

– Hoje a minha agenda está lotada, parece que todas as mulheres de Toronto tiveram a mesma ideia que você – explicou – Mas se for mesmo urgente, eu posso te atender na hora do almoço.

Sendo sincera, até melhor para mim – disse – Estarei ai na hora do almoço.

– Vou te esperar então – completou – Até daqui a pouco, Caroline.

Então eu tentei voltar a me concentrar no meu trabalho, mas estava totalmente impossível.

***

Já no táxi, a caminho do consultório da ginecologista, meu celular começou a tocar. Peguei o aparelho dentro da bolsa e o número do meu melhor amigo piscava na tela.

– Stef! – disse assim que atendi.

– Você parece animada, isso é bom – riu enquanto comentava; sinceramente, nem sei o porquê disso, apenas estou feliz por ele ter ligado – E então, será que a minha melhor amiga tem um tempinho para almoçar comigo ou ela está ocupada demais sendo editora de fotografia de uma famosa revista de moda?

– Eu adoraria almoçar com você hoje, Stef, mas não posso – lamentei – Tenho uma coisa muito importante para fazer agora.

– Aqui estamos, senhorita – o motorista tinha parado em frente ao centro comercial – São doze dólares.

– Espera só um minuto, Stef – pedi antes de afastar o telefone do ouvido para pegar a carteira e tirar uma nota de vinte dólares de dentro – Aqui está, e pode ficar com o troco.

– Você está dentro de um táxi? – Stefan quis saber quando eu estava saindo de dentro do carro – Será que eu posso saber onde é que você está indo?

– Claro que você pode perguntar – afirmei – Marquei uma consulta com a doutora Fell e infelizmente ela só tinha esse horário para me atender.

– Uma consulta com a doutora Fell? – pareceu preocupado agora – Está acontecendo alguma coisa que eu não sei?

– Apenas uma consulta de rotina, Stefan; mulheres precisam ir ao ginecologista com certa frequência, caso você não saiba – isso era mesmo verdade e já fazia um bom tempo que eu não ia – Quem sabe ela me deixa voltar a tomar pílula? – fazia um pouco mais de seis meses que eu precisei suspender o uso de anticoncepcional por causa de problemas hormonais, mas se essa suspeita de gravidez, mas se essa suspeita de gravidez não se confirmar, vou pensar seriamente nessa possibilidade.

– É mesmo uma excelente ideia – concordou – Bom, meu pai foi a uma reunião chata e que por sorte eu não precisei ir, então acho que vou pedir alguma coisa e comer aqui mesmo no escritório.

– Se você prefere assim – dei de ombros – Agora eu preciso ir, Stef, a Meredith já deve estar esperando por mim.

– Tudo bem, Care – completou – Nós vemos mais tarde.

Subi as escadas na direção do centro comercial. Agora é a hora da verdade.

***

A recepção do consultório da doutora Fell era cheio de pôsteres com mulheres grávidas e outras com bebês no colo, sem contar os panfletos incentivando o sexo seguro e também outros falando a respeito da diferença do parto normal e a cesariana; eu me consulto com ela desde que me mudei para Toronto e era a primeira vez que ficava incomodada com aquilo.

– Então acho que a próxima vez que vamos nos ver vai ser no parto desse garotinho – Meredith saiu de dentro da sua sala ao lado de uma mulher que estava com uma enorme barriga, sinal de que estava na reta final da sua gravidez – Você tem meu número, então pode me ligar na hora em que começar a sentir as primeiras contrações, a hora que for.

– Está bem doutora – apertou a mão dela – Muito obrigada por tudo.

– Não é nada, só estou fazendo o meu trabalho – lembrou – Agora tudo que você precisa fazer é continuar esperando e logo vai estar com o seu filho nos braços.

– Acredite, estou mais do que ansiosa para isso – garantiu.

Fiquei ali ouvindo atentamente aquela conversa. Talvez seja eu no lugar daquela mulher daqui a alguns meses.

– Olá, Caroline! – a outra mulher já tinha ido embora e ela foi até a minha direção – Você já pode entrar.

– Certo! – sorri antes de me levantar.

– Aqui está o prontuário da senhorita Forbes, doutora – a secretária estava segurando um envelope pardo e entregou para Meredith quando ela passou pela sua mesa.

– Obrigada, Megan – agradeceu – Você já ir almoçar, só vou terminar essa consulta e já vou almoçar também.

Entrei no consultório e já fui me sentar em uma das cadeiras que tinha no local. A doutora Fell ficou em frente a mim e pegou o meu prontuário para dar uma rápida lida.

– Muito bem, Caroline... – falou sem retirar os olhos do papel que estava segurando – A última vez que você veio aqui foi há seis meses, para exames de rotina; então foi descoberto um pequeno desequilíbrio hormonal e sugeri que você suspendesse o uso da pílula anticoncepcional, certo?

– Exatamente – afirmei com a cabeça.

– E estamos aqui novamente – continuou – Para uma nova consulta de rotina, imagino.

– Para falar a verdade, não – passei a olhar para as minhas próprias mãos, que estavam unidas sob o meu colo – É que eu desconfio, tenho quase 100% de certeza, na verdade, que eu posso estar grávida.

Ela não disse nada, apenas juntou as duas mãos, as colocou abaixo do queixo e ficou me encarando.

– Quando eu vim aqui e você suspendeu a minha pílula disse que se eu tivesse a intenção de engravidar era melhor esperar um ou dois anos para começar a tentar – lembrei – Isso tudo pela grande quantidade de tempo que fiquei usando anticoncepcional.

– Você toma pílula desde que tinha 17 anos e estudos comprovam que a grande carga hormonal jogada no organismo pelos contraceptivos pode prejudicar as tentativas de engravidar – deu de ombros – Mas é claro que sempre existem exceções a isso.

– E é claro que eu seria uma dessas exceções – revirei os olhos – Como eu sou “sortuda”.

– Isso não é questão de sorte ou da falta dela, Caroline – riu – Seja sincera comigo, Caroline: você tem mantido relações sexuais sem proteção nesses últimos seis meses?

– Há seis meses eu ainda estava com o meu ex-namorado e a gente sempre usou camisinha, mesmo depois do que você me disse, eu nunca me arrisquei – respondeu – Depois que nós terminamos eu relaxei e deixei de pensar nisso, mas há três meses eu voltei a manter relações sexuais e não posso dizer que tenha me protegido em grande parte delas.

– Como eu disse, não é questão de ter sorte ou não – continuou – É preciso apenas uma vez para engravidar e pelo jeito você teve várias oportunidades para isso.

– Antes que você pergunte, todas essas vezes foram com o mesmo cara – decidi deixar isso bem claro – Caso eu esteja mesmo grávida, sei exatamente quem é o pai.

– Não estava pensando nisso, é sério – levantou as mãos em sinal de defesa – Mas antes de tomar qualquer providência, você precisa confirmar ou não essa gravidez.

– Sei disso – concordei com a cabeça – Vou precisar fazer exame de sangue – foi impossível não fazer uma careta, eu sempre detestei agulhas.

– Se estivéssemos em um hospital, sim, mas aqui iria demorar alguns dias para ficar pronta – disse – Então é melhor fazer um testa caseiro.

Abriu uma gaveta da sua mesa e tirou uma caixa daquelas de teste de gravidez e colocou na minha frente.

– O banheiro é bem ali – apontou para a porta atrás de si – Pode trazer aqui quando você acabar e espero o resultado com você.

***

Já tinha passado por isso com a Elena há pouco mais de cinco anos e sei perfeitamente como funciona um teste caseiro de gravidez. O resultado demorava três minutos para aparecer no “palitinho” e sem dúvida esses serão os três minutos mais longos da minha vida.

– E então, doutora Fell? – ela estava parada na minha frente segurando o meu teste caseiro virado para si – Já passou os três minutos e essa espera está me matando..., qual o resultado?

– O que está dizendo na caixa, Caroline? – perguntou.

– Deixe-me ver – segurei a caixa e comecei a procurar pelas instruções – Aqui diz que se ficar vermelho o resultado é negativo, mas se ficar azul o resultado é positivo.

– Bom, então porque você mesma não vê qual foi o resultado? – colocou o “palitinho” em cima da mesa para que ficasse dentro do meu campo de visão.

Ali também dizia que o teste podia adquirir uma cor arroxeada e que poderia deixar em dúvida se é azul ou vermelho e se isso acontecesse era preciso refazer o teste, mas não foi isso que aconteceu aqui. O quadradinho colorido estava claramente azul e não tinha mais a menor dúvida.

– Ah... – foi tudo que eu consegui dizer depois de alguns instantes.

– Quer perguntar alguma coisa? – quis saber – Ou quem sabe apenas desabafar? Quero que saiba que estou aqui para isso, Caroline.

– É só um pouco estranho ter a confirmação – expliquei – Quando era só uma suspeita tudo bem, mas depois de ter certeza é um pouco estranho..., não sei explicar exatamente.

Quase que inconscientemente levei uma das mãos à barriga. Apesar de tudo eu estou feliz, Stefan e eu podemos não estar verdadeiramente juntos, mas ele é meu melhor amigo tenho certeza de que depois de uma conversa vamos conseguir chegar a um acordo para criar esse bebê juntos e da melhor maneira possível, ele ou ela será muito amado por nós dois.

– Eu ainda não sou mãe, mas já atendi várias grávidas em situação igual ou parecida com a sua e posso dizer que vai ficar tudo bem no final – tentou me acalmar – E agora você devia pensar nesse bebezinho e começar o pré-natal o mais rápido possível. Se você quiser, podemos fazer os primeiros exames agora mesmo.

– Claro – respondi – Vamos começar logo com isso e ver se está mesmo tudo bem.

– Então vai até o banheiro novamente para trocar de roupa e colocar o jaleco de exames – pediu.

***

Estava tudo bem nos meus exames ginecológicos, o que era o primeiro sinal de que eu tinha tudo para levar uma gravidez tranqüila e saudável. Depois a doutora Fell me fez deitar na maca e começou a passar um gel na minha barriga para fazer a minha primeira ultrassonografia.

– E aqui está o seu bebê – apontou para um pontinho escuro no meio da tela azul que tinha se formado no monitor do computador.

– É tão pequeno... – não conseguia deixar de sorrir.

– Atualmente tem o tamanho de um grão de arroz, mais ou menos – explicou – O seu tempo de gestação é de aproximadamente seis semanas.

– Isso tudo é tão surreal – continuei – Saber que tem uma vida crescendo dentro de você é incrível e assustador ao mesmo tempo...

– Você quer ouvir o coração? – não precisei nem pensar duas vezes e já balancei afirmativamente.

Ela ligou o monitor cardíaco e logo os batimentos rápidos e acelerados começaram a ecoar pelo ambiente. Não aguentei e comecei a chorar, até tentei limpar as lágrimas, mas era quase impossível.

– Vou tirar algumas fotos para você levar – avisou – Dê umas para orgulhoso papai dessa criança, assim ele vai ficar babando que nem um bobo da mesma maneira que você está fazendo.

– É mesmo uma excelente ideia – concordei.

Assim que a doutora Fell terminou de tirar as “fotos” do meu bebê, ela limpou a gosma da minha barriga e fui colocar a minha roupa de volta. Então depois de milhões de recomendações, uma receita de vitaminas que precisaria começar a tomar e de marcar uma nova consulta para daqui a um mês, eu pude ir embora.

Mesmo sabendo que era errado e que precisava parar de comer essas “besteiras de rua”, parei em uma lanchonete e comi uma coisa rápida para poder voltar logo para a revista.

***

*Flash Back*

Tinha marcado a minha passagem para os Estados Unidos para daqui a exatamente duas semanas, era tempo suficiente para chegar em Mystic Falls e estar ao lado de Elena no momento mais importante da vida dela. Mas a minha afilhada decidiu pregar uma peça em todo mundo, resolveu nascer antes do previsto e acabou com todos os meus planos.

Por sorte o meu período de provas já tinha acabado e também consegui adiantar a data da minha passagem de última hora, com uma pequena ajuda de Stefan, é claro. E lá estava eu voltando temporariamente para a minha cidade natal, um pouco antes do previsto.

Como não estava com muito tempo, apenas deixei minhas coisas na casa da minha mãe e sai novamente para ir ao hospital.

– Caroline... – Miranda, a mãe de Elena, me viu assim que sai do elevador chegado ao andar da maternidade – Que bom que você conseguiu vir, minha querida.

– Não perderia isso por nada – garanti – E então, alguma notícia? Ela já nasceu?

– Elena está sentido contrações desde ontem a noite e os intervalos vinham diminuindo cada vez maiores, mas a dilatação só começou a aumentar no meio da tarde e a bolsa estourou há uma hora – explicou – Ela foi levada para a sala de parte agora a pouco, o Kai está lá dentro também, então o jeito é esperar.

O meu avião pousou em Richmond, a cidade com um aeroporto mais próxima de Mystic Falls, há pouco mais de uma hora e estava começando a escurecer; o que significa que deve ser mais ou menos umas oito da noite agora. Minha amiga está sentindo contrações há mais de 24 horas, nem consigo imaginar o tamanho do sofrimento que deve ser passar por isso.

– Pelo jeito cheguei na hora certa, então – disse, por fim.

– Sim, você chegou mesmo na hora certa – concordou – Não deve demorar muito agora, então vamos apenas sentar e esperar por notícias.

Balancei a cabeça afirmativamente e fui me sentar ao lado do irmão mais novo de Elena. Enquanto isso a senhora Gilbert foi para o lado marido, no sofá em frente.

– Oi, Jeremy – puxei assunto – Aposto que você deve estar bem animado com a chegada da sua sobrinha.

– Sinceramente, nem tanto – deu de ombros – Elas vão continuar morando lá em casa e bebês choram tanto, o quarto da Elena fica bem ao lado do meu e tenho certeza de que ela vai acabar me atrapalhando a dormir.

Apesar de todo o medo de Elena em contar aos pais sobre a sua gravidez, eles acabaram aceitando sem problemas e estão dando todo o apoio a ela. Kai também tem demonstrado que será um bom pai, embora os dois não estejam mais juntos há alguns meses.

– A única coisa boa nisso tudo foi que eu perdi aula hoje – completou.

– Uau! É bom ver o quanto você apóia a sua irmã, Jer – revirei os olhos antes de passar a encarar o teto.

Não demorou muito para ouvirmos uma movimentação vinda do centro cirúrgico. Kai surgiu na sala de espera trazendo um pacotinho todo embrulhado um lençol verde do hospital, todos nós nos levantamos logo em seguida.

– Tem alguém aqui doida para ver vocês – falou, fazendo com que nos aproximássemos – Conheçam Brooke Lauren Parker.

A garotinha dormia profundamente no colo do pai, se mexeu um pouco quando ele afastou o pano do seu rosto, mas nem ao menos abriu os olhos. Pude ver vários traços da minha melhor amiga nela: o nariz, o formato do queixo e até mesmo as bochechas; mas também conseguia enxergar Kai, uma mistura mais que perfeita dos dois.

– Ela é linda... – disse sem conseguir parar de sorrir.

– Ela é perfeita! – me corrigiu – Bom, eu só vim até aqui para que vocês a vissem, essa garotinha teve um dia cheio hoje e só deve estar querendo dormir.

– Vai mesmo, Kai – o senhor Gilbert concordou – Devem estar querendo fazer alguns exames e levarem ela para o berçário.

– Farei isso agora mesmo – afirmou – Também preciso ligar para a minha família, eles até queriam vir, mas ficaram com medo de atrapalhar e falaram que não é bom quando fica todo mundo esperando assim no hospital; então fiquei de ligar avisando quando a Brooke nascesse.

– Kai... – o chamei antes que pudesse voltar para o centro cirúrgico – Só queria saber como é que está a Lena.

Conheço Kai Parker desde que começamos o Ensino Médio, mas nunca fomos muito próximos, principalmente depois de tudo que aconteceu. Acho que essas são as primeiras palavras que trocamos em mais de um ano.

– Ela está ótimo, só um pouco cansada – respondeu – Provavelmente vão deixar que vocês a vejam logo.

Apenas concordei com a cabeça antes que ele se virasse e voltasse para o local de onde tinha vindo antes, levando a filha juntamente consigo.

**

Obviamente Jeremy e os pais dele e de Elena foram vê-la primeiro, afinal, eles estavam naquele hospital e precisavam voltar para casa tentar dormir um pouco. Já era quase de madrugada quando consegui entrar no quarto para visitá-la.

– Carol! – sorriu assim que me viu – Não sabe o quanto eu estou feliz por você ter vindo.

Eu me aproximei bem devagar da cama. Lena estava Brooke no colo, ela provavelmente deve ter acabado de mamar há pouco tempo.

– Achou mesmo que eu não fosse estar aqui nesse momento? – brinquei – Você é minha melhor amiga, Lena, prometi que estaria aqui e eu estou.

Ela deu uma rápida olhada na filha, que tinha acabado de soltar um pequeno sonzinho e segurou o seu dedo indicador com as duas mãozinhas.

– Apesar dessa garotinha ter tentado chegar antes de mim... – lembrei – Mesmo assim eu estou aqui.

– Você é mesmo uma boa amiga, Carol – afirmou – A melhor amiga de todas.

– Eu sei... – franzi o nariz enquanto concordava.

– Você quer segurar um pouco a sua afilhada? – quis saber – Aproveita que ela acabou de mamar e ainda está acordada.

– Não tenho certeza – respondi um pouco incerta – Ela é tão pequena, tenho medo de derrubá-la ou alguma coisa parecida.

– Deixa de bobagem, Carol, você não vai derrubá-la – garantiu – É só lembrar de quando eu, você e a Bonnie éramos pequenas e brincávamos de boneca lá em casa.

Acabei concordando e Elena me passou a sua filha com todo o cuidado...

Brooke estava dormindo da primeira vez que a vi, mas agora ela estava totalmente acordada e seus olhos castanhos estavam totalmente virados para mim. Aquela parecia a sua maneira silenciosa de me passar confiança e “dizer” que não teria nenhum problema enquanto eu a segurasse.

– Até que você leva jeito, Carol – Lena brincou – É bom que você já vai treinando para quando você tiver seus próprios filhos; e tenho certeza de que não vai demorar muito.

– Acho que o efeito da anestesia ainda não passou totalmente – revirei os olhos – Eu estou solteira, não namoro ninguém desde que eu e o Matt terminamos..., acho meio difícil que eu ao menos pense em ter filhos pelos próximos dez anos.

– Está dizendo isso agora, mas duvido que continue a ter esse pensamento quando conhecer um cara lindo em Toronto e comece a namorá-lo – garantiu.

– Nem ao menos estou pensando nisso no momento, Lena – expliquei – Deixe-me apenas aproveitar um pouco mais o fato de estar morando sozinha e na faculdade, só depois disso viu começar a pensar em arranjar um namorado.

– Se você diz – apenas deu de ombros.

– Oi, Brooke... – decidi voltar toda a minha atenção para a garotinha nos meus braços – Eu sou a Caroline, sua madrinha; talvez não esteja aqui sempre, mas sempre vou estar aqui para você, pode ter certeza.

Fiquei ainda mais alguns minutos antes de ir embora. Elena e Brooke precisam descansar e eu também preciso admitir que estou exausta depois da longa viagem de Toronto até Mystic Falls e preciso muito da minha cama nesse momento.

*Fim do Flash Back*

Não pude deixar de não lembrar do dia em que a filha de Elena nasceu. Minha amiga disse que estava treinando para quando tivesse um bebê e eu ri; talvez não tenha sido naquela época, mas não demorou tanto assim quanto eu estava pensando.

Outra coisa que invadiu os meus pensamentos também foi a preocupação se seria ou não uma boa mãe e se poderia cuidar de um bebê pequeno; confesso que tinha achado um completo exagero da parte da minha amiga, mas agora entendo todas as idas a minha casa para conversas de desabafos e os bate-papos na internet de madrugada depois que eu vim para Toronto; apesar de saber disso há menos de doze horas, a ideia de ser mãe está mesmo me apavorando. Claro que hoje em dia ela se dá muito bem com isso e preciso acreditar que comigo será igual.

– Oi, meu filho ou minha filha – coloquei a mão sob a barriga e comecei a “falar” com o bebê – Talvez eu ainda não saiba ainda o que estou fazendo, mas ainda tenho oito meses para me preparar e tenho certeza de que posso ser uma boa mãe para você.

Talvez eu estivesse parecendo uma completa idiota falando “sozinha” nesse momento, mas a porta da minha sala estava vazia e duvido que alguém fosse entrar aqui na próxima meia hora.

– E quanto ao seu pai... – continuei – Ele ainda não sabe da sua existência, mas eu vou resolver isso ainda hoje, prometo. E tenho certeza que ele vai ficar tão feliz com a sua existência quanto eu.

Foi então que eu senti um pequeno formigamento na minha barriga, embaixo de onde minha mão estava. É possível que seja apenas fruto da minha imaginação, mas não pude deixar de dar um sorriso bobo.

***

A tarde foi relativamente tranquila na revista, mas admito que fiquei aliviada quando finalmente cheguei em casa. Claro que também estava com fome, então comi um queijo quente antes de ir tomar um banho relaxante.

Assim que voltei para o meu quarto, ainda com a toalha enrolada no meu corpo, fui verificar o meu celular e vi que tinha uma nova mensagem de Stefan que chegou há poucos minutos.

Care,

O voo do Damon já chegou e estamos saindo do aeroporto agora, daqui a pouco estaremos no meu apartamento.

Você pode ir indo para lá, se quiser.

Stefan.

Meu coração começou a bater totalmente acelerado pela expectativa de encontrar o Stefan daqui a pouco, fiquei a tarde toda pensando em como contaria para ele sobre o bebê e ainda não tinha descoberto a melhor maneira de fazer isso. Tudo que eu sei é que vou precisar arranjar uma maneira de ficar sozinha com o meu amigo sem que o Damon esteja por perto, mas isso não deve ser muito difícil.

– Chegou a hora, bebê – voltei a olhar para a minha barriga enquanto falava – Vamos contar para o seu pai sobre você.

Apertei o botão “responder” do celular para digitar uma nova mensagem para ele.

Stef,

Desculpa por não ter respondido antes, eu estava no banho e só via a sua mensagem agora.

Vou terminar de me arrumar e já vou para o seu apartamento.

Até daqui a pouco,

Caroline.

E é isso, espero mesmo que dê tudo certo...

Notas finais
Pois é gente, e a Caroline está mesmo grávida... Será que ela ficou calma demais com a notícia? Será que ela vai surtar em algum momento ou vai continuar desse jeito? E qual será que vai ser a reação do Stefan? Será que o casamento é por causa disso? *** Bom gente, é isso Comentem e digam o que estão achando Será que depois desse cap eu mereço uma recomendação?