Changes Love

27 Capítulo 26 – Cartas na mesa


Notas iniciais
Oi gente! Capítulo novinho para vocês! Tem muita coisa acontecendo nele, então espero que vocês gostem. E nos vemos lá embaixo nas notas finais.

Stefan

– Damon, será que você pode ir mais devagar? – pedi tanto em vão me segurar na parede – Estamos no corredor de um hospital e não em uma corrida de Fórmula 1.

Assim que o elevador se abriu quando chegamos ao andar em que fica a ala da maternidade, meu irmão saiu em disparada empurrando a cadeira de rodas em que eu estava sentado. Começo a desconfiar que ele tem algum desejo secreto de ser piloto.

– Ora, irmãozinho! Vai me dizer que você nunca quis participar de uma corrida de cadeira de rodas? – parou de andar e usou um tom de voz chocado.

– Até parece divertido, mas não comigo sentado aqui... – revirei os olhos – Você está querendo que eu quebre a outra perna também.

– Se te faz sentir melhor, dizem que quebrar a perna é sinal de sorte – deu de ombros.

– Apenas vamos logo lá – pedi – Antes que acabe acordando o hospital inteiro.

Damon voltou a empurrar a cadeira, dessa vez em uma velocidade normal. Não demorou muito para avistarmos a enorme janela que dava acesso ao berçário.

– Aqui estamos, irmãozinho – paramos em frente ao vidro – Aproveite...

Tinham exatamente dez berços ali e todos estavam ocupados, mesmo assim não foi nem um pouco difícil encontrar a Scarlett no meio daqueles bebês. No canto esquerdo, perto da parede e usando a macacão rosa escuro escolhido especialmente pela Caroline para ser usado aqui na maternidade, ela certamente era a rainha absoluta daquele lugar.

– Isso é... – falei sem conseguir tirar os olhos da minha filha – Acho que nem ao menos tenho palavras para descrever nesse momento.

– Então não fala nada, cara – Damon colocou a mão sob o meu ombro – É a sua filha, apenas fique ai, curtindo o momento.

Dei um sorriso bobo e continuei encarando Scarlett, que nesse momento balançava os bracinho e as perninhas para frente e para trás. Ela era tão pequenininha e frágil, certamente vou ter medo de segurá-la no colo quando chegar o momento.

– Ela é linda... – conseguir verbalizar, por fim.

– É mesmo – meu irmão concordou – E certamente vai te dar muito trabalho daqui a uns 15 anos quando os garotos começarem a dar em cima dela; você provavelmente vai precisar fazer muitas ameaças.

– E vou precisar da sua ajuda – avisei – Tenho certeza de que como tio dela você também não vai permitir que nenhum garoto mais intencionado chegue perto da nossa princesinha.

– Pode contar comigo, irmão – afirmou.

– O que vocês estão fazendo aqui? – nós dois nos viramos a tempo de encontrar Caroline parada a poucos metros de nós e com os braços cruzados, ela estava usando o mesmo roupão por cima da roupa do hospital que estava usando quando foi me “visitar”.

– Acho que nós podemos te fazer a mesma pergunta, cunhadinha – Damon falou, imitando o gesto dela.

– Eu estava sem sono – explicou dando de ombros – E não quis ligar a televisão porque a minha mãe está dormindo na poltrona do quarto, então vim aqui dar uma olhadinha na Scarlett.

– Pelo jeito ela vai ser uma daquelas mães que acorda de madrugada e vai até o berço verificar se o bebê está respirando – meu irmão sussurrou para mim, mas tenho certeza de que Care ouviu, pois ela fez uma careta.

– Tudo bem, eu já disse o que estou fazendo aqui, agora é a vez de vocês – ela pediu.

– Sei o que você está pensando, cunhadinha – Damon continuou – E sim, nós dois temos autorização médica para estarmos aqui.

– O médico plantonista passou para me examinar agora a pouco – foi a minha vez de explicar – Contei a situação e ele disse que não tinha problema eu vir até aqui conhecer a nossa filha, só não podia demorar muito.

Foi nesse momento que uma enfermeira entrou no berçário e quando nos viu ali começou a fazer sinais perguntando quem estávamos vendo, então Caroline apontou para a nossa filha e ela a pegou no colo para aproximá-la do vidro. Scarlett ficou nos observando com aqueles olhinhos verdes como se entendesse tudo que acontecia ao seu redor.

Senti a mão de Care perto da minha e entrelacei os nossos dedos. Mesmo depois que a mulher se afastou para dar uma olhada nos outros bebês nós dois continuamos ali.

– Por favor, não façam isso... – a voz do meu irmão fez com que a gente se virasse na sua direção – Vocês dois ficam aí nessa “bolha particular” e eu fico segurando vela. Isso é irritante, sabiam?

– Desculpe... – falei – Bom, é melhor nós irmos embora; não podemos mesmo demorar aqui.

– Mas já? – foi a vez de Caroline lamentar – Tudo bem, sei que você não ode ficar aqui muito tempo e que precisa descansar para se recuperar o mais rápido possível e ir logo para casa.

– Exatamente... – concordei com a cabeça.

– Antes de vocês irem, quero falar mais uma coisa – avisou – Damon, eu ainda não falei com o Stefan sobre isso, mas tenho certeza de que ele vai concordar com o convite.

– O que é? – fiquei curioso para saber onde ela queria chegar com essa conversa.

– Eu queria convidar você e a Bonnie, é claro, para serem os padrinhos da Scarlett – completou.

Aquele convite pegou até a mim de surpresa. Ainda não tínhamos conversado sobre isso, mas pensei que Care fosse querer chamar a Elena, por serem mais próximas e também por ela já ser a madrinha da Brooke; e por mais que eu pudesse me sentir ligeiramente incomodado, teria aceitado essa decisão. Ouvir isso me deixou extremamente feliz.

– Vocês estão falando sério? – Damon ficou olhando para mim e para Caroline repetidas vezes.

– Sim, é sério – afirmei – Acho que não poderia pensar em ninguém melhor para essa função.

– Você tem sido uma das pessoas que mais nos deu apoio depois que descobriu a minha gravidez e vem sendo um verdadeiro tio coruja – minha esposa lembrou – Sem contar que você está namorando uma das minhas melhores amigas; vocês são a escolha perfeita.

– E então? – perguntei – Você vai aceitar?

– Só posso responder por mim, vocês vão precisar perguntar para a Bonnie depois – avisou – Mas sim, eu aceito; nada me deixaria mais honrado do que ser padrinho da Scarlett.

Nós três ainda ficamos alguns segundos apenas nos encarando.

– Bom, é melhor nós irmos então – decidi quebrar o silêncio – Você também já vai, Care?

– Vou ficar mais um pouquinho aqui – respondeu.

Eu e Damon acenamos para ela antes do meu irmão começar a empurrar a cadeira de rodas na direção dos elevadores.

***

*Flash Back*

A situação chegava até mesmo a ser irônica. Quando cheguei a Mystic Falls, há pouco mais de três anos, pensava que ser obrigado a morar aqui era o pior dos castigos; mas agora se não fosse o fato de que a Caroline também está indo para a U of T comigo, acho que eu desobedeceria o meu pai e ficaria aqui nos Estados Unidos. São muitas histórias: foi aqui que eu me apaixonei pela primeira vez, sofri uma decepção e depois me apaixonei novamente.

Essa é a minha última semana em Mystic Falls. Dentro de sete dias eu estaria voltando para a cidade que eu nasci para começar a faculdade e sendo sincero eu ainda não sei exatamente o que pensar a respeito disso.

– Não aqui não pareça um lugar bom para se viver – estava quase chegando a cozinha quando comecei a ouvir uma voz familiar – Apenas acho que não me daria bem morando em uma cidade pequena como essa.

– Mystic Falls é uma bela cidade, Damon – agora ouvi o meu tio Zach falando – Pode não parecer em um primeiro o momento, mas tem muita coisa para se fazer aqui.

– Eu ainda prefiro ficar em Miami – completou – Já estou mais do que acostumado.

Quando entrei no cômodo encontrei meu irmão sentado na cadeira segurando uma caneca de café e o nosso tio apoiado na pia e com os braços cruzados enquanto os dois conversavam.

– Damon...? – fiquei olhando de um para o outro repetidas vezes – O que você está aqui em Mystic Falls?

– Achou mesmo que eu fosse perder a sua última semana aqui em Mystic Falls? – respondeu – Tio Zach me contou a respeito a festa de despedida que vai ter para você e eu decidi vir.

Essa não é exatamente uma despedida para mim, a festa foi uma ideia da Caroline, já que estamos todos indo para a faculdade e será a última oportunidade de estarmos reunidos, minha única participação no evento e o fato dele ser aqui na pensão. Até agora todos da nossa antiga turma do colégio já confirmaram presença, com exceção de Kai e Elena, por motivos óbvios.

– Não é nada demais, Damon – dei de ombros – Você não precisava ter vindo até aqui em Mystic Falls por causa disso.

– Mas eu queria ver – avisou – Além disso, vai ser uma oportunidade de rever a sua namorada; não tive muito tempo de conversa com ela da última vez que eu estive aqui.

Primeiramente eu fiquei sem reação. Apesar de já ter terminado com a Elena há mais de seis meses, não tinha comunicado isso para a família, o único que sabia, é claro, era o meu tio Zach.

– Eu disse alguma coisa errada? – meu irmão provavelmente tina visto a minha cara – Alguma coisa que eu não sei?

– Acontece que eu e a Elena não estamos mais juntos – respondi, por fim — E tem algum tempo já.

– Sinto muito... – lamentou – Isso tem alguma coisa a ver com o fato do papai estar te obrigando a voltar para Toronto para fazer faculdade? Porque se for...

– Não tem na a ver com isso – apressei-me em explicar.

Foi nesse momento que a campainha tocou. Provavelmente algum hóspede novo que tinha acabado de chegar.

– Stefan, será que você pode atender a porta – meu tio pediu – Tenho que terminar de preparar o café da manhã dos hóspedes.

– Claro... – afirmei afirmativamente com a cabeça antes de sair da cozinha.

Quando abri a porta constatei que não era um novo hospede e sim Caroline. Ela sorriu assim que como sempre acontecia sempre que eu a encontrava desde o baile de formatura, meu coração começou a disparar.

– Você ainda não está pronto? – fez uma careta enquanto me encarava de cima a baixo.

– Pronto para que, exatamente? – não estava conseguindo me lembrar de ter combinado alguma coisa com ela hoje.

– Você prometeu ir comigo até Richmond – lembrou – Quero comprar uma roupa para festa de amanhã e também quero ver se compro coisas novas para dar uma renovada no guarda-roupa antes de ir para Toronto.

Estava prestes a argumentar que tinha certeza que ela não precisava de nenhuma roupa nova, mas não estava com a menor vontade de discutir com minha melhor amiga nesse momento.

– Sinto muito, Care – disse, por fim – Eu esqueci completamente que tínhamos combinado de ir a Richmond hoje.

– Isso realmente não me surpreende – revirou os olhos – Mas tudo bem, eu te espero trocar de roupa para irmos.

– Ora, o que temos aqui... – Damon tinha acabado de parar atrás de mim e colocou a mão nas minhas costas – Você não vai me apresentar, irmãozinho?

– Care, esse é o Damon, meu irmão mais velho – falei – Acho que você se lembra dele.

– Claro, ele estava no seu aniversário do ano passado – lembrou – É bom revê-lo.

– Essa é a Caroline – continuei – Minha melhor amiga.

– Agora estou começando a me lembrar de vocês – esticou o braço para cumprimentá-la – E então, o que os dois estão aprontando?

– Eu e o Stefan tínhamos combinado de ir até Richmond, mas já vi que ele não pode ir – ela respondeu – Acho que vou tentar chamar a Elena ou a Bonnie para ir comigo; garanto que qualquer uma das duas vai ser melhor para a opinar sobre o meu vestido novo.

– Se você prefere assim – dei de ombros.

– Não quero que você perca a oportunidade de passar o tempo com o seu irmão – completou – Nós nos vemos outra hora.

– Claro – me inclinei e dei um beijo no seu rosto – Nos vemos depois.

Fiquei observando Caroline caminhar até o seu carro e quando fechei a porta dei de cara com o meu irmão me encarando com os braços cruzados e um sorriso malicioso nos lábios.

– Stefan Salvatore indo até Richmond fazer compras com a “melhor amiga” – falou – Agora estou começando a entender porque você terminou com a Elena.

– Não é nada disso, Damon – revirei os olhos – Você está entendendo tudo errado.

– Sei... – riu – Zach disse que tem um quarto vazio no segundo andar que eu posso ficar lá. Você me ajuda a levar as minhas coisas?

– Claro – concordei, feliz por estarmos mudando de assunto naquele momento.

**

– Uau, irmãozinho! – Damon estava sentado na ponta da cama do quarto “dele”, enquanto eu estava sentado na cadeira bem em frente a ele – Ser traído dessa maneira pela namorada; não quer nem imaginar a barra que você passou.

Infelizmente não consegui escapar da conversa como tinha pensado. Assim que ajudei meu irmão a levar as suas coisas para o andar de cima da casa, ele fechou a porta do quarto e contar tudo que tinha acontecido nos últimos meses.

– Admito, não foi mesmo fácil – concordei – Mas agora eu já superei. Foi bom enquanto durou, simplesmente não era para ficarmos juntos para sempre.

– E será que uma loira de olhos azuis que estava na porta há alguns minutos tem a ver com essa sua superação? – não que fosse uma grande surpresa essa pergunta dele, mas não pude deixar de encará-lo por alguns instantes totalmente sem reação – Sou bem observador, Stef, acostume-se com isso.

– Tudo bem, eu não vou mentir – suspirei e passei a mão pelo cabelo – Acontece que o meu relacionamento com a Caroline é um pouco complicado.

– Por que exatamente é complicado? – quis saber – Não sou especialista em relacionamento, mas talvez eu possa ajudar.

– Eu e Caroline nos tornamos amigos quando terminei com a Elena e ela foi a pessoa que mais tem me dado apoio nesse momento – expliquei – Se eu confessar os meus sentimentos e ela não corresponder eu posso perder a minha melhor amiga, isso eu não vou aguentar.

– Se vocês são próximos assim, ela não vai querer se afastar só por causa disso – argumentou – Além disso, se você não falar nada, nunca vai saber se ela não sente o mesmo.

– Eu me magoei muito com o que aconteceu com a Elena e não posso me arriscar novamente – conclui – Além disso, eu estou prestes a voltar para Toronto e começar a faculdade, tudo pode mudar em um ou dois meses para mim e para a Caroline; podemos conhecer novas pessoas e a nossa amizade não vai ficar abalada.

– Se você diz... – deu de ombros – Não vou mais discutir isso, irmãozinho.

– Melhor assim – eu me levantei em um salto – Agora vamos, vou te apresentar alguns lugares de Mystic Falls.

*Fim do Flash Back*

Acordei ainda um pouco sonolento, tudo culpa de todos aqueles remédios que tem me dado aqui no hospital. Essa não é a primeira vez que eu “sonhava” com a época em que morei em Mystic Falls e voltar os meus pensamentos para quando estava em dúvida sobre confessar os meus sentimentos para a Caroline eram ainda mais significativos agora.

– Bom dia, irmãozinho... – Damon estava sentado na poltrona mexendo no seu tablet – Eu já ia te acordar, daqui a pouco vai começar o horário de visitas.

– Certo... – tentei me ajeitar um pouco, mas fiz uma careta quando senti uma pontada perto da costela – Esses remédios até que tiram a dor, mas também me deixam dormindo praticamente o dia inteiro.

– Você e a Caroline acabaram de ter um bebê, tenho certeza que essa vai ser a sua última oportunidade de dormir direito pelos próximos meses – brincou – É melhor você aproveitar enquanto ainda estiver aqui, porque quando você voltar para casa as coisas não vão ser tão divertidas assim.

– Só você mesmo para me fazer rir desse jeito... – sorri.

– A mamãe passou aqui mais cedo para te trazer isso – me entregou o meu tablet que estava sob o seu colo – Ela disse que talvez passe aqui mais tarde, mas agora ela tem umas coisas para fazer na loja.

– Entendo – concordei, de alguma forma eu fiquei aliviado ao ouvir isso, não queria mesmo que a minha mãe passasse o dia inteiro aqui n hospital enquanto estivesse internado, não era algo saudável de se fazer – E quanto a você? Vai ficar aqui me fazendo companhia ou tem algo mais interessante para fazer?

– Para falar a verdade vou precisar sair um pouco – avisou enquanto se levantava – Quer encontrar um lugar sossegado para uma reunião com um distribuidor lá em Miami, mas depois eu volto.

– Certo... – balancei a cabeça afirmativamente – Só mais uma coisa, Damon – o chamei antes que pudesse sair do quarto.

– O que foi, irmãozinho? – quis saber.

– Só estava me lembrando da primeira vez que você disse para eu contar para a Caroline sobre os meus pensamentos e que só assim eu saberia se ela também sentia o mesmo – falei – Você estava certo sobre isso. Eu e a Care não poderíamos estar mais felizes e ainda temos a Scarlett para completar, as coisas não poderiam estar melhores e eu fui um bobo por não ter feito isso antes.

– Eu sempre estou certo, Stef – brincou – Mas eu fico feliz em que ver você e a Caroline tão bem assim.

– Obrigado – agradeci – Espero que você tenha a mesma sorte junto com a Bonnie.

– Veremos, irmãozinho, veremos... – completou.

***

A gente percebe o quanto é querido quando acontece algo de grave e recebe m monte de mensagens vindas de todos os cantos possíveis. Quando fui dar uma olhada nos meus e-mails e a caixa de entrada estava lotada:o pessoal da empresa, amigos da faculdade e até mesmo antigos colegas da época do Mystic Falls High School, todos desejando melhoras.

Pelo relógio do tablet vi que o horário de visitas já tinha começado, mas eu não estava exatamente esperando por ninguém. Não até ver a maçaneta girar a porta ser aberta.

– Stefan! – minha irmã caçula saiu correndo na minha direção e pulou na cama para poder me abraçar – Que bom que você está vivo!

– Sim, Val, eu estou ótimo – senti uma nova pontada na costela quando ela me apertou, mas tentei não demonstrar – Você não vai conseguir se levar de mim assim tão fácil.

– E eu não quero me livrar de você, Stef – ela balançou a cabeça negativamente – Você é meu irmão favorito, eu te amo.

– Eu também te amo, princesinha... – dei um beijo no topo da sua cabeça.

Só não conta para o Damon que eu disse que você é meu irmão favorito – sussurrou como se aquilo fosse um grande segredo – Ou ele pode ficar chateado.

– Seu segredo está a salvo comigo – prometi.

– Muito bem, Valentia, hora da senhorita descer daí – Pearl tinha acabado de aparecer juntamente com o meu pai – O seu irmão está se recuperando de um acidente e não vai ajudar em nada você ficar pulando em cima dele dessa maneira.

– Tudo bem, mãe... – ficou de pé, apesar de totalmente contrariada.

– E como é que você está se sentindo hoje, meu filho? – foi meu pai quem perguntou.

– Apesar de ainda sentir um pouco de dor, estou bem melhor do que ontem – disse.

– Perfeito! – pareceu satisfeito – Eu falei com o seu médico, ele disse que você deve voltar para casa em no máximo duas semanas e eu espero que você já possa voltar ao seu trabalho no mês que vem.

Foi impossível não revirar os olhos nesse momento. Eu poderia ter morrido nesse acidente ou até mesmo ficado com sequelas gravíssimas, mas todo que importa para ele é quando eu vou voltar para o trabalho.

– Mas eu posso cuidar de tudo sozinho enquanto isso – completou – Por enquanto apenas se preocupe e se recuperar logo.

– Está bem – foi tudo que eu consegui dizer depois disso.

– Estávamos lá no berçário esperando o horário de visitas começar – Pearl decidiu mudar de assunto – A Scarlett é mesmo muito linda.

– É mesmo! – Valentina voltou a pular, totalmente empolgada – Ainda não acredito que sou tia! Eu posso ajudar a cuidar dela?

– Val, ela ainda é muito pequena para você ajudar a cuidar dela – minha madrasta passou a mão pelo seu cabelinho enquanto explicava – Mas quem sabe daqui a alguns meses? Ou talvez até mesmo daqui a um ano?

– A sua mãe tem razão – afirmei – Mas logo eu e a Caroline vamos precisar muito da sua ajuda para cuidar da sua sobrinha. Podemos contar com você?

– Claro – balançou a cabeça afirmativamente.

– Voltei, irmãozinho... – todos nós nos viramos no momento em que o Damon entrou no local – Espero que não tenha sentido muito minha falta.

– Damon! – minha irmã caçula saiu correndo na direção dele.

– Oi, princesinha... – a pegou no colo e deu um beijo no seu rosto, foi só então que ele deu uma olhada em quem estava no local – Olá para todos!

– Damon... – meu pai falou – Não sabia que você estava aqui em Toronto.

– Não podia estar em qualquer outro lugar do mundo sabendo que meu irmão está no hospital – explicou – E vou ficar aqui até que ele receba alta.

Fiquei olhando para eles repetidas vezes. Apesar de já saber há meses que eu sei sobre os verdadeiros motivos que levaram a minha mãe a ir embora de casa, mas ainda não tinha conversado com nenhum dos dois sobre isso; esse é o momento perfeito para fazer isso, o problema é que não posso fazer isso com a minha madrasta e a minha irmã aqui.

– Val, o que acha de comermos alguma coisa na lanchonete do hospital? – como se tivesse lido os meus pensamentos, Pearl disse – Tenho certeza de que seu pai e seus irmãos têm muita coisa para conversarem.

– Mas já? – reclamou – Queria ficar mais um pouquinho aqui com o Damon e o Stefan.

– Você pode passar mais tempo com os dois quando o Stefan tiver saído do hospital – avisou – Além disso, nós podemos ir ver a Scarlett outra vez, o que você acha?

– Tudo bem... – concordou enquanto Damon a colocava no chão e ela segurava a mão da mãe.

Então elas saíram do quarto e pela primeira vez em muito tempo nós três estávamos sozinhos no mesmo ambiente. Tinha chegado a hora da verdade.

***

– Eu vou direto ao assunto – avisei – Pai, como você já deve estar sabendo, estou em contato com a mamãe há alguns meses.

– Sim, eu a vi no dia do seu acidente quando ela chegou junto com a Caroline – afirmou – É bom que você está falando sobre isso, evita que eu tenha que fazer perguntas.

– Ela me contou toda a verdade – continuei – Disse que o Damon não é seu filho de verdade e é por isso que vocês não se dão bem.

– A mamãe te contou isso? – meu irmão pareceu surpreso, de alguma maneira ele parecia não querer que eu descobrisse a verdade.

– Eu a pressionei para que me contasse, ela meio que não teve escolha – expliquei – Mas tem uma coisa que eu não entendo: porque você aceitou registrar o Damon como seu filho e depois simplesmente o rejeitou? Não faz o menor sentido.

– Sabia que era importante casar com a Lilian para poder ficar no comando da empresa e quando ela me contou que estava grávida se eu rejeitasse o bebê ela iria arranjar uma maneira de fugir desse casamento – começou a responder calmamente – Além disso, foi bom que seus avôs pensassem que tivéssemos dado um herdeiro tão cedo para ficar no comando da empresa futuramente, mas logo que você nasceu ele não me era mais útil em nada.

Nesse momento meu irmão tinha se sentado na poltrona e encarava o vazio. Imagino o quanto deve estar sendo difícil para ele ouvir tudo aquilo do cara que deveria tratá-lo como um filho.

– Isso é algo muito cruel de se falar... – minha voz saiu como um sussurro.

– Sinceramente, Stefan, passei anos querendo que você não descobrisse a verdade; mas agora que já sabe, acredito que seja melhor assim – continuava a demonstrar uma grande frieza a respeito da situação – Quero que você entenda que o meu problema é com o Damon, não com você e espero que nada disso atrapalhe o seu trabalho na empresa.

Eu deveria dizer que nunca mais colocaria os pés naquela empresa e ele que devia treinar a Val ou até mesmo a Anna (que mesmo não sendo sua filha biológica ele a trata de uma maneira que nunca tratou o Damon) para ficar no seu lugar, mas eu não poderia fazer isso. Aquela empresa é o meu futuro e eu não posso simplesmente jogá-lo fora, ainda mais agora que tenho uma filha; somente por ela que continuarei lá.

– Isso não vai atrapalhar o meu trabalho na empresa – garanti – Mas vai abalar o nosso relacionamento de pai e filho. Ainda irei ver a Val, Pearl e até mesmo a Anna, elas podem ir até a minha casa sempre que quiserem; só que nós dois a partir de hoje seremos apenas dois conhecidos que trabalham juntos.

– Se você prefere assim, não posso fazer nada – ele tinha mostrado bastante frieza a respeito da minha decisão; não parecia nem um pouco abalado.

– Sim, eu tenho certeza absoluta – balancei a cabeça afirmativamente – Não posso conviver com alguém que simplesmente rejeita o meu irmão.

– Quando você for mais velho vai entender as minhas decisões – avisou – Adeus, Stefan.

Ele bateu a porta com bastante força ao sair, sem se importar com o fato de estarmos em um hospital. Foi nesse momento que meu irmão voltou a se levantar e caminhou até a cama.

– Você está bem? – Damon apenas balançou a cabeça afirmativamente – Sinto muito por você ter sido obrigado a ouvir tudo aquilo.

– Não tem problema, confesso que já esperava por tudo aquilo – garantiu – Só fico mal por você ter rompido com ele, tem certeza de que não vai se arrepender disso mais tarde?

– Eu não vou me arrepender – estava com total convicção a respeito da minha decisão e nada iria me fazer voltar atrás – Além disso, você teria feito a mesma coisa por mim.

– Você é mesmo o melhor irmão mais novo que alguém poderia ter, Stef – deu um tapinha no meu ombro.

– Você também é o melhor irmão mais velho que alguém poderia ter, Damon – sorri.

Notas finais
Pois é, como eu disse lá no inicio: muitas coisas aconteceram nesse capítulo. Primeiro aquele momento fofo entre o Stefan e a Care quando ele foi conhecer a Scarlett. Depois o flashback de quando o Stefan admitiu os sentimentos dele pela Care para o Damon. E por último a conversa entre o Stefan e o pai e ele cortando todas as relações possíveis com o pai. O que vocês acharam da atitude dele? Concordam com o Stefan ou acha que ele deveria ter feito algo diferente? *** Bom gente, é isso Comentem e digam o que estão achando Recomendações?