Changes Love
28 Capítulo 27 – De volta para casa
Notas iniciais
Caroline
Scarlett soltou um pequeno som de reclamação quando eu a afastei de mim. Apesar de ter acordado com o costumeiro chorinho de bebê que já virou rotina nas últimas duas semanas, essa manhã já foi bastante “produtiva” para mim; em apenas meia hora eu já tinha dado banho na minha filha, trocado sua fralda e também a coloquei para mamar, normalmente isso costuma levar muito mais tempo.
– Sim, princesinha, eu sei que se dependesse de você passaríamos o dia inteiro apenas nos dias – disse – Mas as coisas nem sempre são do jeito que a gente quer.
Eu levantei para que pudesse olhar melhor o seu rostinho, o que a fez sorrir.
– E você ainda ri... – me fingi de chocada – Se você soubesse a quantidade de coisas que a sua mãe tem para fazer hoje não estaria fazendo isso.
Eu me levantei para poder fazer Scarlett arrotar; fiquei andando lentamente pelo quarto enquanto dava tapinhas de leve nas suas costas e cantarolava uma canção de ninar bem baixinho. Foi quando eu me virei e dei de cara com a minha mãe parada na porta.
– Não precisa parar por minha causa – avisou – Só estou aqui observando vocês duas.
– Achei que você ainda estivesse dormindo – comentei – A casa estava tão silenciosa.
– Estou esperando uma ligação da delegacia para saber como estão as coisas em Mystic Falls, por isso acordei cedo – explicou – Então quando cheguei na cozinhei fiquei com preguiça de preparar alguma coisa para o café da manhã e fui comprar alguma coisa na padaria que tem aqui na esquina; além disso comprei fralda, pois ontem quando você me pediu para trocar a Scarlett vi que só tinha esse pacote aberto e quis te poupar trabalho de precisar ir até a farmácia depois.
– Eu ia mesmo comprar fraldas quando saísse – respondi – Obrigada, mãe.
– Não foi trabalho nenhum – garantiu – Você está com tanta coisa na cabeça por causa da Scarlett e com o Stefan ainda no hospital, o que eu puder fazer para te ajudar é só pedir.
– E eu pedirei sim – avisei – Mas como é que estão as coisas lá em Mystic Falls?
– Como estão as coisas em Mystic Falls? – me olhou confusa – Ah sim! Na verdade, eu ainda não recebi a ligação que estava esperando; qualquer coisa eu vou enviar um e-mail para lá.
– Certo... – achei aquela atitude dela bem estranha, mas decidi não comentar nada – Só lembra que, se você precisar voltar para casa não precisa se preocupar; eu a Scarlett vamos ficar bem.
– Eu não vou a lugar nenhum, pode ficar tranquila – balançou a cabeça negativamente – Mas mudando de assunto, que horas você vai buscar o Stefan no hospital?
E esse era o grande motivo para eu estar de bom humor hoje. Depois de duas semanas no hospital, Stef finalmente vai voltar para casa e eu vou poder acompanhar de perto a total recuperação do meu marido.
– O médico dele só vai chegar ao hospital no final da manhã para poder assinar a alta – respondi – E avisou que era melhor eu chegar lá só umas onze horas.
– Por que você não me deixar colocar a Scarlett para dormir enquanto você vai tomar café da manhã? – sugeriu – Sei que você ainda está com tempo, mas assim pode fazer as coisas com mais calma.
– É mesmo uma boa ideia – concordei – Sendo sincera, eu estou mesmo começando a ficar com fome.
– Então vão até lá – avisou – Não se preocupe, eu vou cuidar muito bem da sua princesinha.
Com todo o cuidado eu entreguei minha filha para ela. Scarlett ficou encarando a avó enquanto tentava colocar a mãozinha na boca.
– Ela está cada dia mais parecida com você – minha comentou sem conseguir deixar de sorrir – Minha mini-Caroline.
– Pois para mim ela se parece bem mais com o Stefan – revirei os olhos; todos que tinham vindo nos visitar sempre repetiam o quanto ela se parecia comigo, mas eu não conseguia enxergar isso – Deixe-me apenas pegar a chupeta dela, assim ela dorme mais rápido.
A chupeta cor-de-rosa estava dentro do berço, eu a peguei e entreguei para a minha mãe. Ainda dei um beijo o topo da cabeça da minha filha antes de sair do quarto.
***
O café da manhã que minha mãe tinha comprado para mim estava em cima da mesa: dois bolinhos de morango e um copo grande de café com leite. Sentei e comecei a comer tranquilamente; era bom ter um tempinho apenas para mim, algo que tem se tornado muito raro desde que voltei para casa com a Scarlett.
Eu estava distraída com a minha refeição quando o meu celular começou a tocar. Peguei o aparelho no bolso da minha calça e reconheci o número da minha sogra no identificador de chamadas.
– Oi, Lily! – disse assim que atendi a ligação.
– Caroline, querida! – ela respondeu do outro lado da linha, igualmente animada – Só liguei para saber como estão as coisas com você e com a Scarlett.
– Cansativas, mas eu vou sobreviver – soltei um longo suspiro depois de falar – Mas eu tenho muito que agradecer ao fato da minha mãe estar aqui comigo; acho que eu já teria enlouquecido há muito tempo se não fosse ela.
– Ter um bebezinho recém-nascido em casa pode mesmo ser cansativo – comentou – Aceite o conselho de uma mãe de dois meninos, a tendência é só piorar conforme os meses vão passando.
– Isso não é muito animador – revirei os olhos, mesmo sabendo que ela não podia me ver.
– Só estou sendo realista – riu – Mas eu também liguei para saber se é o hoje que o Stefan vai voltar para casa?
– É hoje mesmo – afirmei – Vou até o hospital daqui a pouco para poder buscá-lo.
– Imagino como você deve estar aliviada por tê-lo em casa novamente... – acho que ela não tinha ideia de como – Acho que vou passar mais tarde, ou talvez amanhã.
– Vamos ficar esperando – avisei – Tenho certeza de que o Stef vai ficar muito feliz com a sua visita.
– Agora eu vou desligar, tenho um monte de coisa para fazer aqui na loja e tenho certeza de que você também deve estar ocupada preparando tudo antes de ir buscar o Stefan – completou – Só tenho mais uma pergunta: o Giuseppe tem ligado aí para a sua casa?
Isso era um assunto bem complicado e Lily sabia muito bem disso. Meu marido estava totalmente firme na sua decisão e nada vai fazê-lo mudar de ideia.
*Flash Back*
Sai de dentro do banheiro praticamente saltitando. Por sorte não precisei ficar muito tempo no hospital e pouco menos de 48 horas depois do parto, eu e Scarlett recebemos alta e já vamos para casa.
– Já estou pronta! – dei uma voltinha para que minha mãe ver a minha roupa – Podemos ir embora?
– Claro – afirmou – Já prendi a Scarlett na cadeirinha, você quer que eu a leve para você?
Dei uma olhada na minha filha que não parava de mexer os bracinhos e as perninhas, parecia muito impaciente de ficar ali naquela cadeirinha.
– Não tem necessidade, posso levá-la sem problemas – balancei a cabeça negativamente – Leva a bolsinha dela, por favor.
– Está bem – concordou.
Antes que pudéssemos pensar em fazer qualquer outra coisa a porta do quarto foi aberta. Era a doutora Fell.
– Acabei de assinara sua alta, Caroline – avisou – Você e a Scarlett já podem ir embora para casa.
A pediatra já tinha assinado a alta da minha filha na parte da manhã e só estava esperando por mim.
– Ótimo! – suspirei aliviada – Sei que não passei muito tempo aqui, mas não aguentava mais ficar aqui nesse hospital.
– Sei muito bem o que você está dizendo, Caroline – riu.
– O único problema é que o Stefan ainda vai continuar aqui por mais alguns tempo – lamentei – Aliás, será que eu posso ir vê-lo antes de ir embora? – pedi.
– Não estamos no horário de visitas agora, mas acho que não tem problema – respondeu depois de pensar durante alguns instantes – Só não demore muito, ou pode trazer problemas para mim.
– Pode ficar tranquila, serei breve – garanti.
– Bom, já estou indo – avisou – Tenho um parto para fazer daqui a pouco e estou monitorando as contrações da mãe.
Ela deu um beijo no meu rosto e fez cócegas na barriguinha a minha filha antes de sair.
**
Minha mãe achou melhor ir para a recepção com a Scarlett enquanto eu ia falar com o Stefan, assim eu não demoraria tanto, exatamente como estava planejando. Quando eu entrei no quarto encontrei meu marido e Damon jogando cartas totalmente distraídos que nem mesmo repararam na minha presença.
– O que você dois estão fazendo? – perguntei, fazendo com que eles se virassem na minha direção na mesma hora.
– Jogando pôquer – foi meu cunhado quem disse – Ajuda a distrair dos problemas do mundo.
– E de que problemas, exatamente, vocês estão querendo se distrair? – quis saber, até ontem a noite parecia estar tudo bem; o que poderia ter acontecido de diferente desde então?
– Acredite em mim, cunhadinha, não vai querer saber – concluiu – Mas, se quiser se juntar a nós será muito bem-vinda. Não é mesmo, Stef?
– Mas é claro – balançou a cabeça afirmativamente – Venha jogar conosco, Care!
– Na verdade, eu não posso – respondi – A doutora Fell assinou a minha alta, já estou indo para casa. Só vim até aqui avisar isso, minha mãe está lá embaixo com a Scarlett esperando por mim.
– Uau... – comentou – Quero dizer, eu sabia que você iria receber alta bem antes e mim, mas pensei que você fosse ficar aqui no hospital por um pouco mais de tempo.
– Eu venho aqui te visitar, meu amor – prometi – Não tanto quanto eu queria, é claro; afinal, tenho a Scarlett para cuidar agora.
– Sei disso – concordou – Mas vou ficar aqui esperando pela sua visita.
– Certo... – me aproximei para dar um selinho nele – Tem mais algum outro problema que você não está me contando?
– Tudo bem, uma hora ou outra você iria precisa descobrir mesmo, por que não agora... – deu uma rápida olhada para o irmão antes de se virar novamente para mim – Digamos que eu acabei de romper com o pai?
– Como assim? – encarei os dois, totalmente confusa.
Algo me dizia que o fato dele ter descoberto que ele e o Damon não eram filhos do mesmo pai. Sabia que Stefan ainda não tinha tido oportunidade de conversar com os dois sobre o que ele sabia, pelo menos até agora.
– Tive um pequeno desentendimento com ele – deu de ombros como se isso não fosse nada demais – Mas o importante é que eu continue sendo o vice-presidente da Salvatore’s Entertainment, só não tenho mais nenhum tipo de ligação com Giuseppe Salvatore.
– E você tem mesmo certeza de que é isso que você quer? – cruzei os braços enquanto voltava a questioná-lo – Não vai mesmo se arrepender disso depois?
– Tenho certeza absoluta da minha decisão, Caroline – afirmou – E eu garanto, não vou me arrepender dessa escolha.
Em todos esses anos que eu o conheço nunca vi o meu marido tão seria quanto agora. Pelo jeito ele está mesmo decidido quanto a isso...
*Fim do Flash Back*
– Ele ligou duas vezes na semana passada – disse, por fim – Provavelmente mais para saber se o Stefan já estava em casa do que qualquer outra coisa. Embora eu não saiba disso com total certeza, nós não conversamos muito.
– Ele também tem me ligado muito, até mesmo aqui para loja – reclamou – Tentando me convencer o Stefan a mudar de ideia a respeito da sua decisão.
Sabia que isso iria acabar acontecendo mais cedo ou mais tarde. A principio não soube exatamente o que tinha acontecido, mas depois Stefan me contou todos os detalhes e posso dizer que o apoio totalmente.
– Não posso dizer que estou surpresa com isso – avisei – Mas duvido que o Stefan mude de ideia.
– Sei perfeitamente disso, Caroline – afirmou – Espero que em algum momento ele perceba isso e acabe desistindo.
Sim, eu também esperava isso.
– Caroline... — me virei e encontrei minha mãe parada na entrada da cozinha.
– Lily, agora eu preciso desligar – avisei – Nos falamos mais tarde?
– Claro! – respondeu — E, por favor, me mande uma mensagem assim que você e o Stefan chegarem em casa.
– Pode deixar – completei antes de desligar – A Lily só ligou para saber como estavam as coisas por aqui.
– Eu percebi – comentou enquanto se sentava ao meu lado – Será que eu posso começar a ficar com ciúmes por você estar passando tempo demais com a sua sogra?
– Mas é claro que não, mãe... – revirei os olhos – Lily tem sido de grande ajuda para mim nesses últimos meses e com certeza será ainda mais agora que a Scarlett nasceu; mas você não precisa ficar com ciúmes, é minha mãe e eu sempre vou precisar de você.
– Acho bom mesmo... – se fingiu de ofendida – Estou começando a achar que é melhor eu prolongar as minhas férias por mais tempo que os dois meses que eu estava planejando.
– Você não precisa fazer isso, mãe – avisei – Eu garanto.
Então voltei a tomar o meu café da manhã. O tempo estava ficando mais curto para que eu terminasse de comer, trocasse e roupa e saísse para ir ao hospital, não queria perder mais tempo.
***
– Bom dia, eu sou Caroline Salvatore – falei no momento em que cheguei ao balcão da recepção – Eu vim buscar o meu marido, Stefan, gostaria de saber se ele já está pronto para sair.
– Stefan Salvatore, certo? — balancei a cabeça afirmativamente – Um minuto que eu vou verificar...
Ela se afastou indo até o telefone, provavelmente ligando para o andar em que ficava a ortopedia. Ficou alguns instantes com o aparelho no ouvido antes de desligar e voltar para onde eu estava.
– Boas notícias, o médico já fez os últimos exames no seu marido e já assinou a alta – explicou – Ele está terminando de se arrumar e vai descer, a senhora pode esperar na nossa recepção.
– Obrigada! – agradeci antes de caminhar na direção das cadeiras que tinham no local.
Eu me sentei e decidi pegar o meu celular para me distrair um pouco enquanto esperava.
– Caroline? – levantei a cabeça dando de cara com o meu ex-namorado – Quer surpresa te encontrar aqui!
– Tyler! – pega totalmente de surpresa, eu acabei me levantando e o abracei rapidamente – É mesmo uma grande surpresa te encontrar aqui. Aliás, o que você está fazendo aqui no hospital?
– Arranjei um emprego aqui – respondeu – Estou no setor de reabilitação esportiva, que sempre foi o meu sonho quando estava na faculdade, acho que você se lembra disso.
– Claro que eu me lembro – Ty era formado em fisioterapia, também pela U of T – Fico feliz por você.
– Obrigado – deu um sorriso sem graça – E você, o que está fazendo aqui?
– Eu vim buscar o Stefan – decidi ser totalmente sincera – Ele sofreu um acidente há algumas semanas, foi bem grave, mas agora ele já está bem melhor – apressei em completar – Não sei se você está sabendo, mas Stefan e eu nos casamos há alguns meses...
Nesse momento eu estava encarando meus pés, não tinha coragem de olhar para o Tyler diretamente. Afinal, sua desconfiança a respeito da minha amizade com o Stefan foi o principal motivo para terminarmos.
– Eu soube – afirmou – Vi a reportagem do casamento de vocês no jornal. Confesso que fiquei surpreso quando vi.
– Só quero que você saiba que as coisas entre mim e o Stefan só aconteceram depois que a gente já tinha terminado – apressei-me em explicar – Em momento algum eu te traí.
– Tudo bem, Caroline, eu entendo – garantiu – E eu realmente queria te pedir desculpas por tudo que eu falei quando terminamos, eu fui um perfeito idiota.
– Já está superado, Tyler – afirmei – Além disso, se nós dois não tivéssemos terminado, as coisas nunca teriam acontecido entre mim e o Stefan. Acho que eu tenho que te agradecer por isso.
– Caroline! – me virei a tempo de encontrar Amber – Se você está aqui, aposto que seu marido já recebeu alta.
– Exatamente – afirmei – E confesso que vai ser mesmo maravilhoso tê-lo finalmente em casa depois de todo esse tempo.
– Imagino – riu – E como é que está a sua garotinha?
– Deixando a mamãe dela cansada quando acorda de madrugada – revirei os olhos – Mas ao mesmo tempo tem sido totalmente gratificante cuidar dela.
– Garotinha...? – foi nesse momento que eu me lembrei da presença do Tyler – Você e o Stefan tiveram uma filha, Caroline?
– Sim... – fiquei ainda mais sem graça agora; apesar de termos acabado de resolver as nossas questões, ele saber da Scarlett ficava mais difícil de manter a história de nunca tive nada com o Stefan enquanto nós dois ainda estávamos juntos – Ela está com dois meses agora.
– Bom..., meus parabéns então – completou.
– Já ia me esquecendo, Tyler essa é a Amber, ela é enfermeira aqui – fiz as devidas apresentações – E esse é Tyler Lockwood, um antigo amigo que estava trabalhando aqui como fisioterapeuta.
– É um prazer conhecê-lo, senhor Lockwood – estendeu a mão para ele.
– Digo o mesmo – retribuiu o gesto dela – Caroline, foi bom te ver novamente, mas agora eu preciso ir.
Ele se despediu de nós antes de ir para a área dos elevadores. Ainda fiquei conversando com a Amber antes de Stefan aparecer que, apesar de sua perna já não estar mais com o gesso, estava sentado na cadeira de rodas que era empurrada por um enfermeiro.
– Meu amor! – me aproximei para dar um selinho no meu marido – Você já está pronto para irmos?
– Claro – balançou a cabeça afirmativamente – Só não entendo porque eu preciso sair daqui nessa cadeira de rodas.
– São normas do hospital, senhor Salvatore – o homem disse – O senhor precisa ficar nessa cadeira de rodas até chegar ao estacionamento do hospital.
– Ainda bem que o meu irmão não está mais aqui – murmurou – Ou ele iria querer fazer outra corrida de cadeira de rodas.
Damon ficou aqui em Toronto até três dias, quando precisou voltar para casa para resolver um problema no trabalho. Ele não queria ir, mas acabou se convencendo quando o médico o tranqüilizou dizendo que logo Stef receberia alta; mas é claro que também prometeu voltar quanto antes fosse possível.
– Se você quiser eu posso te empurrar – sugeri – Tenho “treinado” tanto com o carrinho da Scarlett que sou até capaz de te fazer dormir.
– Tudo bem – concordou – Agora vamos embora daqui o mais rápido possível.
Então eu comecei a empurrá-lo na direção da saída do hospital. Por sorte tinha conseguido parar em uma vaga que não ficava muito longe da porta.
***
Quando chegamos em casa minha mãe estava deitada no sofá lendo um livro, mas parou e se levantou assim que nos viu.
– Stefan! – ela foi cumprimentá-lo com um abraço – É bom tê-lo de volta! Como é que você está se sentindo?
– Bem melhor – afirmou – Obrigado por perguntar, Liz.
– Eu já disse no caminho até aqui que a casa fica muito vazia sem ele – comentei enquanto abraçava o meu marido.
O barulho de toque de celular ecoou por todo o ambiente. Minha mãe foi rapidamente foi pegar o aparelho que estava em cima da mesinha de centro e olhou identificador de chamadas.
– Eu preciso atender, é uma ligação lá de Mystic Falls – avisou – Me dêem licença...
– Claro – afirmei – Pode demorar o tempo que for necessário.
– Certo, obrigada – sorriu antes de apertar o botão de “atender” e coloco o telefone no ouvido – Alô... – foi caminhando em direção a cozinha, onde não poderíamos ouvir o que ou com quem ela estava falando.
Mesmo sabendo que era totalmente impossível, eu fiquei encarando a porta do outro cômodo com a intenção de conseguir escutar alguma coisa.
– Será que eu posso saber o que está passando na sua cabeça? – Stefan perguntou enquanto afastava o meu cabelo e dava um beijo no meu pescoço.
– Talvez seja bobagem minha – dei de ombros – Mas eu acho que a minha mãe está um pouco misteriosa ultimamente.
– O que você que dizer com isso, Care? – quis saber.
– Não tenho certeza – me virei para ficar de frente para ele e assim também poder olhá-lo – Nessas duas últimas semanas eu tenho notado que ela está distraída demais e recebendo telefonemas misteriosos e desviando do assunto quando eu pergunto o que está acontecendo. Se isso não é estar estranha, eu não sei o que é.
– Talvez ela esteja com um namorado secreto – sugeriu.
Foi impossível não rir da resposta dele. Durante meus 24 anos de vida nunca vi minha mãe agindo como uma boba apaixonada e também não a vi com nenhum cara que não fosse o meu pai. Será que ela tinha decidido mudar de atitude agora.
– Qual é o problema? – ele percebeu a minha reação – Você é uma daquelas filhas de pais separados que não consegue ver seu pai ou sua mãe com outras pessoas que não sejam um ao outro? Porque isso seria muito egoísmo da sua parte.
– Claro que não é isso, meu já teve milhares de namoradas depois da minha mãe e sempre fiquei muito bem com isso – apressei-me em dizer – Só acho que isso seja algo típico da minha mãe.
– As pessoas mudam, você não sabia? – me puxou para cintura para que eu colasse o corpo no seu – Além disso, você não quer que a sua mãe tenha a mesma felicidade que nós dois temos?
– Acho que você tem razão... – fiquei na ponta do pé para poder beijá-lo – Mas agora chega de falar da minha mãe e do suposto novo namorado dela. Eu aposto que você deve estar cansado e quer ir para o nosso quarto deitar um pouco.
– Care, tudo que eu fiz nessas últimas duas semanas foi ficar deitado naquela cama de hospital e dormindo por causa dos remédios que eles me davam – lembrou revirando os olhos – Tudo que eu não quero fazer agora é pensar em me deitar.
– Tudo bem, se você diz – completei – Então diga-me: o que você quer fazer agora?
– Queria ir ver a Scarlett – respondeu – Você me leva até a nossa filha?
Não pude deixar de sorrir. Claro que ele já tinha se referido a Scarlett como “nossa filha” durante os meses de gestação, mas agora que ela nasceu é totalmente diferente, parece muito mais real. Sinto que agora nós três seremos mesmo uma família completo.
– Vamos até lá... – segurei a sua mão e comecei a puxá-lo na direção das escadas.
***
Apesar de não estar chorando, Scarlett estava totalmente acordada quando chegamos ao quarto e ficou ali me encarando com seus olhinhos verdes no momento em que me aproximei do berço.
– Olha só quem está acordada... – a peguei colo enquanto falava – Parece até que estava adivinhando que eu estava ia chegar com uma surpresinha para você.
Stefan se aproximou de nós ainda parecendo um pouco cauteloso.
– Oi, Scarlett – deu um sorriso bobo enquanto passava a mão pela cabecinha da nossa – Como ela está crescida, Care!
– Fomos a primeira consulta com a pediatra na segunda-feira – disse – Ela já engordou três quilos e cresceu um centímetro desde que saímos do hospital.
– Uau! Isso é mesmo incrível – concordou – E eu sinto que já perdi grande parte da vida dela nessas duas últimas semanas.
– Não se sinta assim, Stef – pedi – Sei que você se sente mal por não estar conosco quando ela nasceu e agora por causa da primeira consulta, mas foram somente dois momentos; pense que ainda tem milhares em que você vai estar presente e serão igualmente incríveis e inesquecíveis.
– Tem razão, isso é só bobagem minha – fez uma careta – É que às vezes eu me sinto um canalha por ter te deixado não, só isso.
– Nada disso foi sua culpa, Stef – dei um beijo na sua bochecha – Você quer segurá-la? – decidi mudar de assunto.
– Não sei se eu devo – voltou a ficar cauteloso – Tenho medo de derrubá-la.
– Você não vai derrubar ela – garanti – Tenho certeza absoluta disso.
Mesmo ainda parecendo um pouco receoso, Stefan aceitou segurá-la. Assim que passou para os braços dele, Scarlett sorriu e começou a passar as mãos pelo rosto do pai.
– Você acha que ela está me reconhecendo? – estava todo bobo com essa possibilidade.
– É claro que ela se lembra de você – afirmei – Esse daqui é o seu pai, não é mesmo, Scarlett?
Ela soltou um sonzinho que poderia ser interpretado como uma resposta positiva.
– Minha princesinha... – Stef deu um beijo nos dedinhos dela – Sei que nós só nos conhecemos através do vidro do berçário e que provavelmente você nem se lembra disso; mas eu quero de prometer,aqui e agora, que eu nunca mais sairei de perto nem de você nem da sua mãe.
Senti algumas lágrimas no canto dos meus olhos e as limpei rapidamente antes de me aproximar ainda mais deles.
– Para sempre – sussurrei enquanto brincava com o pé da minha filha – Pode ter certeza disso.
E naquele momento, nada mais na vida era importante. Apenas nós três.
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