Changes Love
26 Capítulo 25 – Nossa pequena garotinha
Notas iniciais
Caroline
Depois que eu fiz 18 anos e me mudei para Toronto para fazer faculdade comecei a me julgar adulta e madura o suficiente para não precisar chamar pela minha mãe no primeiro momento de dificuldade ou de medo. Até hoje eu estava lidando muito bem com isso, até esse momento; acho que nunca precisei dela ao meu lado como estou precisando agora.
– Sua médica já está no hospital – a enfermeira falou enquanto entrava no quarto – Ela só está se trocando e já vem aqui.
– Ainda bem... – não pude deixar de suspirar aliviada.
A mulher se aproximou para poder verificar o soro e os aparelhos que monitoravam a minha frequência cardíaca e os intervalos entre as contrações.
– Você tem notícias do meu marido? – decidi perguntar – Sabe se ele já acordou? – sabia que Stefan não iria conseguir vir assistir a nossa filha nascendo, mas seria bom ele ficar sabendo do que estava acontecendo.
– Não estou sabendo de nada – negou com a cabeça – Mas eu posso procurar descobrir alguma notícia do seu marido.
– Vai ser ótimo, muito obrigada por isso – agradeci.
Antes que ela pudesse sair a maquina ao meu lado começou a apitar, sinal da chegada de uma nova contração. A enfermeira então pegou a prancheta que estava ao pé da cama e começou a fazer anotações.
– Essa anestesia é mesmo muito boa – comentei – Estou ouvindo esse aparelho há uma meia hora e não estou sentindo dor nenhuma.
– Tem gente que não gosta de tomar anestesia achando que pode atrapalhar o parto normal – comentou – Mas isso não acontece, pode ficar tranquila.
– Sinceramente, a essa altura eu não me importaria se precisasse fazer uma cesariana – dei de ombros.
Nesse momento a porta do quarto foi aberta. Por um instante pensei que fosse a doutora Fell, mas eu estava enganada.
– Lily? – fiquei surpresa ao vera minha sogra caminhando até a cama – O que você está fazendo aqui.
– Achou mesmo que eu iria perder o nascimento da minha primeira neta? – disse – Teria chegado aqui antes, mas eu estava ligando para o Damon e contando o que tinha acontecido; também falei com a sua mãe, ela disse que já estava mesmo se preparando para viajar para cá para ver a Scarlett nascendo e avisou que estará aqui em Toronto o mais rápido que conseguir.
– Não sabe o quanto eu estou feliz por você está aqui... – segurei a sua mão enquanto dava um fraco sorriso.
– Acredite em mim, Caroline, estar aqui com você é muito melhor do que ficar na sala de espera com o meu ex-marido e a nova esposa dele – revirou os olhos e eu claramente tive que concordar com ela.
– Imagino o quanto deve ser difícil para você – comentei.
– Menos do que eu pensei que seria, na realidade – admitiu – Mas o Giuseppe e a nova esposa não são importantes agora. A minha prioridade é cuidar de você e da Scarlett.
Não demorou muito para a doutora Fell aparecer acompanhada de outra mulher que também parecia ser médica.
– Oi, Caroline! – ela falou abrindo um enorme sorriso na minha direção – Deixe-me apresentá-la a doutora Becker, ela é pediatra e vai cuidar da sua pequena assim nascer.
– E não se preocupe, eu vou cuidar muito bem da sua filha – garantiu, o que estranhamente me trouxe muito mais confiança.
– Qual o intervalo entre as contrações dela? – a doutora Fell quis saber virando-se para a enfermeira.
– Agora o intervalo é de três em três minutos – respondeu enquanto olhava na prancheta que segurava – E ela também está com dez centímetros de dilatação.
– Perfeito! – pareceu satisfeita com o que ouviu – Acho que podemos começar. Você está pronta, Caroline?
– Acho que sim... – falei.
– Eu estou bem aqui com você, Caroline – Lily lembrou – Não precisa ficar com medo de nada. É só se lembrar que daqui a pouco você vai estar a com sua princesinha no colo.
– Tem razão – concordei – Eu estou pronta, doutora Fell, vamos acabar logo com isso.
– É assim que se fala – completou.
Minha sogra me ajudou a sentar no exato momento em que o aparelho apitou avisando a chegada de uma nova contração, por isso ainda tivemos que esperar que ela passasse.
– Muito bem, Caroline – a médica disse, em seguida – Assim que eu pedir você começa a empurrar, tudo bem?
Balancei a cabeça afirmativamente e fiquei esperando as instruções. Não demorou muito até a chegada de mais uma contração.
– Agora! – pediu e eu obedeci imediatamente – E pode parar...
Ainda precisei empurrar umas três ou quatro vezes antes que um chorinho agudo de bebê preenchesse todo o quarto. Não pude deixar de suspirar aliviada, pois aparentemente estava tudo bem com ela.
– Parabéns, Caroline! – ela pegou com a enfermeira um lençol azul do hospital para enrolar a minha filha – Você é mãe de uma garotinha forte, saudável e pelo visto com um pulmão bem forte.
– Eu quero segurá-la... – pedi estendendo os meus braços.
– Já vou levá-la para você segurar – avisou – Mas antes precisamos limpá-la, pesá-la e ver se está mesmo tudo bem.
A doutora Becker pegou Scarlett no colo e saiu do local juntamente com a enfermeira. Senti um pequeno aperto no coração por tê-la longe de mim naquele momento, mas por sorte não demorou muito para elas retornarem.
E aqui está ela... – a pediatra finalmente a colocou nos meus braços – Chegou a hora de conhecer a sua mamãe.
– Então era você que ficava se mexendo e chutando sem querer me deixar dormir... – brinquei – Acho que você não tem ideia do quanto é bom tê-la finalmente aqui comigo.
Ela já tinha parado de chorar assim que a segurei no colo e quando abriu os olhos pude ver que eles tinham o mesmo tom de verde que os de Stefan.
– Essa daqui é a sua avó, Lily – fiz as “apresentações” – Depois você vai conhecer os seus outros avôs e o seu pai também, é claro. Ele queria muito estar aqui, mas infelizmente não pode; o que não signifique que ele te ame menos, é totalmente o contrário.
Scarlett ainda ficou ali comigo por mais alguns minutos até ser mandada para o berçário. E quando eu me vi sozinha no quarto finalmente pude dormir; acho que ainda não percebido o quanto estava exausta até aquele momento.
***
Quando eu acordei já estava claro do lado de fora, na verdade o sol parecia tão forte que já devia ser quase meio-dia. Demorei alguns instantes para me lembrar que eu estava no hospital e o porquê de eu estar ali. Tudo voltou para minha mente como um flash: Stefan precisando fazer uma viagem de última hora, o acidente dele, eu e Lily saindo apressadas para o hospital, o trabalho de parto e, finalmente, minha filha nascendo algumas semanas antes da data prevista.
Com as minhas “lembranças” de volta, não pude deixar de me preocupar com o Stef. Fui vê-lo logo depois que ele saiu da cirurgia e desde então não tive mais nenhuma notícia do meu marido. Será que ele já acordou? Será que já sabe da Scarlett?
A porta do quarto foi aberta. Pensei que podia ser a doutora Fell, alguma enfermeira ou até mesmo Lily, mas na realidade era a minha mãe.
– Mãe? – minha voz saiu ligeiramente rouca nesse momento.
– Bom dia, bela adormecida! – aproximou-se e deu um beijo no topo da minha cabeça – Você praticamente hibernou nas últimas oito horas, mas levando em consideração tudo que você passou nas últimas vinte e quatro horas, não tem como te culpar.
– Eu dormi por oito horas? – fiquei realmente surpresa com isso, não tinha ideia de que tinha dormido tanto assim – E a Scarlett? Ela deve estar com fome e eu aqui dormindo. Perfeito! Acabei de me tornar mãe e já sou péssima nisso.
– Caroline, fica tranquila, a sua filha está ótima – ela garantiu – As enfermeiras estão cuidando bem dela lá no berçário, estava lá até poucos minutos atrás, antes de vim ver se você já estava acordada.
– Ela é linda, não é? – não pude deixar de sorrir enquanto me lembrava do momento em que segurei a minha filha e pude ver pela primeira vez o seu rostinho.
– Uma verdadeira princesinha e se parece muito com você; vê-la foi como voltar ao tempo – respondeu – Eles já vão trazê-la para mamar, mas provavelmente vão trazer algo para você comer primeiro.
– Tudo bem... – concordei – Mãe, há quanto tempo você está aqui?
– Cheguei em Toronto há pouco mais de uma hora e vim direto aqui para o hospital – respondeu – Já tinha reservado a minha passagem para vir quando estivesse perto da Scarlett nascer, então eu só precise confirmar a minha presença no primeiro voo que saia de Richmond aqui para Toronto.
– Você sabe alguma notícia do Stefan? – decidi perguntar.
– Encontrei o Damon quando estava perto do berçário e ele disse que o Stefan já acordou – disse – Mas eu não sei de mais nada, Caroline, sinto muito.
– Tudo bem – dei um longo suspiro – Esse momento o Stef já deve estar sabendo que perdeu o nascimento da nossa filha; e ele queria tanto está comigo nesse momento, mas...
– Não pensei nisso agora, minha filha – pediu – O importante é que o Stefan está bem e totalmente fora de perigo, não é mesmo?
– Tem razão – dei um fraco sorriso.
– Agora tudo em que você precisa se concentrar é na Scarlett – ajeitou o travesseiro que estava abaixo da minha cabeça – Todas as outras coisas vão estar no mesmo lugar depois.
Sabia que não queria nem conseguiria dormir novamente, então eu apenas fechei os olhos e tentei relaxar um pouco.
***
Como minha mãe já tinha suposto, fui obrigada a engolir a sopa sem sala e sem gosto do hospital antes que trouxessem a minha filha para que eu pudesse amamentá-la pela primeira vez. Não pude deixar de me sentir animada quando vi a enfermeira passando pela porta trazendo Scarlett nos braços.
– Parece que tem alguém aqui com fome... – a mulher falou enquanto sorria e se aproximava da cama – Está pronta para amamentar pela primeira vez.
– Acho que sim... – respondi, embora não tivesse tanta certeza assim.
Quando Scarlett passou para os meus braços foi quando eu pude finalmente perceber o quanto ela era pequena. Confesso que me deu certo receio de deixá-la cair ou machucá-la de alguma forma.
A enfermeira ainda me deu algumas orientações de como amamentar, mas não precisei de muita ajuda, pois logo Scarlett começou a sugar com bastante força. Pelo jeito ela estava mesmo com fome.
– Como está tudo certo, já vou indo – avisou – Mais tarde eu passo aqui para buscá-la.
Concordei enquanto a observei caminhar em direção a porta do quarto.
– Acho que também vou dar uma saída e deixar vocês duas mais a vontade – foi a minha mãe quem falou dessa vez – Talvez eu passe na lanchonete para comer alguma coisa.
Ela ainda mamou por mais uns dez ou quinze minutos e depois pareceu ficar satisfeita apenas em se aconchegar nos meus braços e me encarar com aqueles olhos verdes. Foi só então que comecei a notar mais detalhes da minha filha: ainda era um pouco cedo para dizer com quem iria se parecer mais, mas ela tinha o meu nariz e o meu queixo, já as suas mãozinhas com certeza eram do Stefan.
Estava tão entretida naquele momento que não reparei que não estava mais sozinha no cômodo.
– Ela se parece bastante com você, cunhadinha... – me virei a tempo de encontrar Damon parado perto da porta – Ainda bem..., saiba que o Stefan não foi um bebê muito bonito.
– Você é mesmo um idiota... – revirei os olhos, o que é fez rir.
– Eu estava mais cedo babando a minha sobrinha pelo vidro do berçário – explicou enquanto se aproximava – Sei que já estou sabendo disso há meses, mas é totalmente surreal pensar que eu agora eu sou tio.
– Imagine para mim; pensar que agora eu sou mãe também é bem surreal – admiti – E para o Stefan também vai ser quando ele descobrir que a nossa Scarlett já nasceu.
Minha filha deu um pequeno sorriso com a menção do seu nome; era como se ela estivesse entendendo todos os detalhes daquela conversa.
– Na verdade, ele já sabe – deu de ombros como se essa informação não fosse nada demais – E como ele ainda não pode visitá-la, meu irmãozinho basicamente me obrigou a vir ver como ela está e passar um relatório completo.
– Então ele já sabe... – sussurrei; não pude deixar de pensar o que poderia estar passando pela cabeça do meu marido nesse exato momento. Será que ele está feliz por saber que está tudo bem com a nossa princesinha? Ou será que está chateado por não poder estar ao nosso lado? – Eu queria tanto poder vê-lo.
– Acredite em mim, Caroline, ele também quer ter ver – garantiu – Stefan não parou de falar o seu nome desde que acordou, aliás, você foi a primeira pessoa por quem ele chamou.
– Sério? – não é que estivesse exatamente surpresa com isso, mas ouvir algo assim do meu cunhado me deixava extremamente envergonhada.
– Não sei por que esse espanto, Caroline... – comentou – Meu irmão te venera desde que vocês dois ainda estavam no colégio; sinceramente, até hoje não sei como é que você não percebeu isso antes.
– Você já sabia? – já tinha me sentido uma completa idiota por não perceber os sentimentos do Stefan por mim, agora tinha total certeza de que eu era mesmo totalmente estúpida.
– Como ele não podia desabafar com a melhor amiga, só tinha a mim para fazer isso – respondeu – Sei de todos os detalhes, inclusive da declaração mal sucedida de alguns meses.
– Não diria que foi exatamente mal sucedida – apenas dei de ombros e acho que Damon entende perfeitamente o que eu estava falando, pois ela abriu um enorme sorriso.
– Vocês dois tem mesmo sorte de ter um ao outro – disse – Espero que algum dia tenha isso com alguém, talvez até mesmo com a Bonnie.
– Tenho certeza que sim – afirmei – Saiba que eu estou torcendo muito por vocês dois.
– Obrigado... – completou parecendo ligeiramente sem graça – Acho melhor eu ir, o Stef deve estar se perguntando onde é que eu estou.
Apenas concordei com a cabeça e ele foi caminhando até a porta, mas parou antes que saísse do quarto e voltou a se virar na minha direção.
– E não precisa se preocupar com nada, Caroline – continuou – Tenho certeza de que logo vão deixar você ir ver o Stefan.
E era isso mesmo que eu esperava...
***
Scarlett ficou comigo durante o restava da tarde e já estava começando a escurecer do lado de fora quando vieram buscá-la para passar a noite no berçário; além disso, consegui convencer a minha mãe a ir para o meu apartamento tomar banho e comer alguma coisa com mais substância do que aquilo que eles servem na lanchonete do hospital. Agora eu estava completamente sozinha e sem um pingo de sono, então decidi assistir um pouco de televisão.
Eu já devia ter passado por todos os canais e ainda não tinha encontrado nada de interessante em nenhum deles. Foi quando a enfermeira que auxiliou o meu parto apareceu.
– Olá... – sorriu assim que eu me virei na sua direção – Vim até aqui ver como é que você está.
– Estou bem sim... – afirmei – Só um pouco entediada.
– Imagino como deve ser entediante ficar aqui sem fazer nada – concordou – Mas eu tenho uma boa notícia, a doutora Fell disse que conversou com a pediatra que está cuidando da sua filha e é bem provável que vocês duas possam ir para casa amanhã mesmo.
– Isso é mesmo uma excelente notícia – tive que concordar, sorrindo – E quanto ao Stefan? Sei que é quase impossível que ele receba alta amanhã também, mas tem alguma previsão de quando ele vai poder sair?
– Eu ainda não tive oportunidade de ir até a ala em que ele está internado e não descobri nada – lamentou-se – Sinto muito.
– Não precisa sentir muito – garanti – Está sendo de uma grande ajuda para mim hoje e eu só tenho a agradecer.
– Estou aqui para ajudar – afirmou – Eu tenho uma ideia: o horário de visitas acabou há uma meia hora e os corredores do hospital estão vazios, porque não vamos dar uma volta? Eu posso te levar até o seu marido.
E isso era tudo que eu queria ouvir hoje.
– Está falando sério...? – falei um pouco mais alto do que estava planejando, esquecendo completamente que estava em um hospital – Pode mesmo me levar até o Stefan?
– Claro que posso... – respondeu – Você tem perguntado sobre ele desde ontem, mesmo durante o trabalho de parto. Soube que foi um acidente feio, você deve mesmo estar preocupada e como o local agora não está mais cheio de gente que veio visitar os pacientes, não tem problema irmos até lá.
– Muito obrigada! – disse – Obrigada mesmo!
Ela me ajudou a levantar e depois pegou o roupão para que eu pudesse vesti-lo.
– Antes de qualquer coisa eu preciso ir até o banheiro me olhar no espelho – avisei – Devo estar totalmente pálida e não quero que o Stefan me veja desse jeito.
– Claro, vai lá... – concordou sem conseguir deixar de sorrir da minha preocupação.
Fui caminhando lentamente já que essa era a primeira vez que eu ficava de pé depois do parto, quando cheguei a porta do banheiro me lembrei de uma coisa e voltei a me virar para poder olhar a enfermeira.
– Acho que me esqueci de perguntar qual é o seu nome – disse.
– Meu nome é Amber – ela parecia ter ficado bem feliz por eu ter feito essa pergunta – E o seu é Caroline, certo?
– Pode me chamar de Carol – avisei.
Então eu segui para o outro cômodo. Queria ir ver o Stefan o mais rápido possível e não queria demorar nem mais um minuto do que o necessário.
***
A ala da maternidade ficava um andar acima da ala da ortopedia, onde o Stefan estava internado, por isso eu precisei entrar no elevador. Quando cheguei a porta fiquei alguns instantes a placa de metal onde estava escrito “quarto 5”, sem saber se deveria entrar ou não.
– Você não vai entrar? – Amber perguntou depois de alguns minutos.
Sei que era bobagem, pois eu já tinha visto o meu marido depois do acidente e sabia que ele estava bem, mas por algum motivo eu não conseguia entrar naquele quarto. Parecia que tudo estaria diferente agora e provavelmente tem alguma coisa a ver com a declaração que eu fiz quando Stef ainda estava inconsciente; eu não sabia o quão diferente as coisas seriam e era isso o que me assustava tanto.
– Sim, eu vou – afirmei com a cabeça – Eu só estava..., sinceramente, eu não sei.
– Eu vou até a sala de descanso dos enfermeiros tomar uma xícara de café e talvez comer alguma coisa, assim eu deixo vocês mais a vontade – avisou – Daqui a pouco eu volto para te acompanhar de volta para o seu quarto.
– Certo – concordei com a cabeça.
Fiquei observando ela caminhar até desaparecer na curva do final do corredor. Então voltei a encarar a porta, suspirei pesadamente e girei a maçaneta.
***
Stefan estava deitado na cama vendo alguma coisa na televisão totalmente distraído. Mesmo distante eu conseguia ver que os cortes pelo seu rosto já estavam bem melhores do que ontem, seu rosto estava corado e ele também parecia bem animado.
Esbarrei na porta fazendo com que ela fizesse barulho contra a parede e Stef se virasse assustado.
– Care! – sorriu assim que me viu – Não esperava que você fosse vir até aqui hoje.
– Sinceramente, eu também não sabia – dei de ombros enquanto fui me aproximando da cama.
– Fiquei sabendo da Scarlett – continuou – Como que ela é? O Damon já me falou mais ou menos, mas eu quero ouvir a sua opinião.
– Ela é linda! – foi impossível não sorrir ao falar da nossa filha – Minha mãe e o Damon falaram que ela se parece comigo, mas eu acho que ela se parece mais com você.
– Eu lamento tanto por não estar ao seu lado quando ela nasceu – disse – Acredite em mim, nunca vou me perdoar por isso.
– Não foi sua culpa, Stef – coloquei a mão sob a sua – Foi um acidente e depois a Scarlett decidiu nascer antes da hora, nada disso foi culpa de ninguém.
– Mesmo assim, eu prometi que estaria ao seu lado e não estava – lamentou mais uma vez – É algo que nunca mais vai voltar.
– Tenho certeza de que você vai saber compensar –dei um beijo na sua testa – A nós duas.
Ele ficou apenas encarando a minha mão que ainda estava por cima da sua. Parecia querer falar alguma coisa, mas não parecia encontrar as palavras certas.
– Care... – decidiu quebrar o silêncio – Ontem depois da cirurgia, eu recobrei e perdi a consciência algumas vezes antes de acordar definitivamente e tenho a impressão de ter ouvido as coisas que aconteciam ao meu redor enquanto isso.
Tinha quase certeza de onde ele queria chegar com aquele assunto, mas achei melhor deixá-lo terminar,
– Isso é algo normal – comentei – Pelo menos eu acho que deve ser normal.
– Tenho a impressão de ter ouvido você quando você foi me ver na UTI – explicou – Quero dizer, eu acho que ouvi, talvez possa ter sido apenas um sonho.
– O que exatamente você ouviu? – minha voz saiu como um sussurro; chegou a hora de termos essa conversa.
– Ouvi você dizer que me amava e o medo de me perder te faz perceber isso – ri da maneira como ele me parafraseou – Está vendo, eu disse que era bobagem, tenho certeza de que era só o meu subconsciente me fazendo ouvir o que eu queria.
– Não foi nada disso, Stef – balancei a cabeça negativamente – Tudo que você acha que ouviu é a mais pura verdade.
– Está mesmo falando sério...? – ficou alguns instantes me olhando de cima a baixo, parecia surpreso e feliz ao mesmo tempo.
– Já tinha um discurso pronto para fazer quando você acordasse – continuei – Mas como você já ouviu o primeiro, acho que não tem necessidade de eu fazer outro.
– Um grande desperdício, se quer saber a minha opinião – admitiu – Adoraria ouvir o discurso número dois, nem que seja uma versão resumida.
– A verdade é que eu te amo desde o dia que te conheci, Stef, só fui idiota o suficiente para não ter percebido antes; nós dois fomos, a verdade – falei calmamente – Por sorte não é tarde demais para isso; eu, você e agora a Scarlett já somos uma família, mas eu quero que você saiba que eu vou me dedicar 100% a nós dois e ao nosso amor, como eu nunca fiz antes.
– Se já não fossemos casados, eu te pediria em casamento nesse exato momento – brincou.
– E eu teria dito sim, sem nem pensar duas vezes – respondi.
Eu me inclinei encostando os lábios nos dele. Era incrível, eu e Stefan já tínhamos nos beijado milhares de vezes antes disso, mas agora era diferente, tinha um gosto todo especial e tenho certeza de que ele pensava da mesma maneira que eu.
– Eu te amo, Caroline... – sussurrou sem se separar nem um milímetro de mim.
– Eu também te amo, Stef... – falei da mesma maneira.
Estávamos tão distraídos naquele beijo que nem ao menos reparamos quando a porta foi aberta.
– Eca... – nos viramos a tempo de encontrar Damon, que fazia uma cara de nojo – Eu diria para vocês dois procurarem um quarto, mas já estamos em um, então não faria sentido.
– Você é mesmo hilário, Damon – cruzei os braços e revirei os olhos.
– Eu sei disso – deu um sorriso convencido – E o que você está fazendo aqui, cunhadinha? Espero que tenha autorização para estar aqui.
– Pode ficar tranquilo, eu tenho – garanti, embora não tivesse tanta certeza disso, eu não tinha perguntado nada para a doutora Fell ou qualquer outro médico – Mas agora eu preciso ir, daqui a pouco a minha mãe deve estar voltando e vai ficar se perguntando onde eu estou , além disso a Scarlett provavelmente ainda vai mamar antes de ir dormir definitivamente até amanhã.
– Mas já...? – Stefan estava visivelmente chateado – Você acabou de chegar aqui.
– Volto outra hora, eu prometo – dei um selinho no meu marido, me despedindo dele.
***
Assim que cheguei ao corredor dei de cara com a Amber, que parecia pronta para entrar no quarto.
– Eu estava indo de chamar agora, mesmo — avisou – Já está pronta para voltarmos?
– Claro – afirmei com a cabeça – Vamos lá.
Fomos caminhando lentamente e em silêncio na direção dos elevadores. Como o movimento no hospital era menor a essa hora, não demorou muito para ele chegar ao nosso andar.
– E como é que foi a visita para o seu marido? – quis saber, de repente.
– Foi maravilhoso – respondi – Acho que posso dizer que foi um momento mais do que perfeito.
– Que bom – sorriu – Você parece mesmo bem mais feliz agora.
Uma coisa eu podia afirmar com toda a certeza: hoje a noite eu realmente iria dormir bem mais relaxada.
Fale com o autor