Changes Love

25 Capítulo 24 – Lembranças


Notas iniciais
Antes de mais nada, eu quero agradecer a Mandy Salvatore pela linda recomendação. Vou ser bem sincera com vocês, quase que não teve capítulo essa semana. Na quinta-feira da semana passada eu tive um probleminha na cervical (nada de grave, não se preocupem) e estou basicamente a base de remédios desde e então e também tenho passado muito mais tempo no tablet do que no note, porque tá meio complicado (hoje eu já consegui escrever alguma coisa, mas ainda está difícil fazer isso por muito tempo). Sorte que o capítulo de hoje já estava pronto. mas agora vamos ao que interessa, o capítulo kkkkkkkkkkkk Como deu para perceber pelo título, ele vai ser composto quase todo de lembranças. Então é isso, espero que gostem E nos vemos lá embora nas notas finais.

Stefan

Eu estava preso em uma cidade em que não queria estar e indo para uma escola onde não quero estudar, minha vida não poderia estar pior. Quando o meu pai praticamente me obrigou a vir fazer o Ensino Médio em Mystic Falls e ficar na casa do meu tio eu tentei convencê-lo do contrário, mas infelizmente não tive nenhum sucesso; tem sido assim desde que minha mãe foi embora de casa, ele está sempre tentando me afastar.

Já fazia pouco mais de uma semana que eu estava na cidade e até agora só tinha conhecido a pensão e o colégio onde eu ia estudar. Tio Zach disse que em Mystic Falls tinham muitas pessoas da minha idade e que eu teria oportunidade de conhecer muita gente nova; embora tudo que eu menos quero no momento é ser sociável.

– Stefan... – ouvi uma batida da porta seguida pela voz da esposa do meu tio – Stefan, você precisa levar ou vai acabar se atrasando para o primeiro dia de aula.

– Eu já estou indo – avisei.

Decidi me levantar, então fui até o banheiro tomar uma rápida ducha e fiz a minha higiene matinal. Quando voltei ao meu quarto, troquei de roupa e sai do local para ir para o térreo da casa.

Aparentemente os hospedes da pousada ainda não tinham levantando, pois só estavam na cozinha tio Zach, Gail e minha priminha Sarah, filha dos dois.

– Bom dia, Stefan – meu tio perguntou – Você quer uma panqueca? Acabei de fazê-las.

– Não, obrigado – neguei com a cabeça – Vou apenas tomar uma xícara de café, acordei sem fome.

– Tem certeza...? – me olhou desconfiado – Não é uma boa ideia você sair de casa de estômago vazio, ainda mais levando em consideração que vai ter um longo dia de aulas.

– Vou almoçar, pode ficar tranquilo – garanti enquanto pegava uma xícara e enchia com café.

Eu me sentei e fiquei ali observando Gail tentando dar comida para Sarah, mas no momento tinha mais papinha de banana na mesa da cadeirinha de alimentação do que em qualquer outro lugar.

– Stefan, eu vou deixar a Sarah na creche e ela fica no caminho da sua escola – ela falou em seguida sem parar por um minuto sequer do que estava fazendo – Posso te dar uma carona se quiser.

– É uma boa ideia – concordei; já não bastava eu estar sendo obrigado a ficar em um lugar eu não queria, seria pior ainda precisar ir a pé.

– Isso me lembra uma coisa... – tio Zach continuou – Tem um Porsche esportivo vermelho que basicamente veio com a casa quando eu comprei e está lá na garagem. Ele é bem antigo, mas podemos mexer no motor e quando estiver pronto pode ficar com ele, assim não vai precisar ficar dependendo de carona.

– Mas eu ainda tenho 15 anos, tio Zach – lembrei – Não tenho idade o suficiente para dirigir.

– Acredite em mim, o carro precisa de muitos reparos – explicou – Até a gente conseguir terminar, você já vai ter 16 anos.

Trabalharmos juntos no final de semana e depois ficar com um carro todinho para mim; sei muito bem o porquê disso tudo. Ele quer que eu me sinta em casa e também que eu pare de reclamar por estar “preso” aqui em Mystic Falls pelos próximos três anos.

– Tudo bem, eu topo – acabei concordando.

– Perfeito – pareceu satisfeito com a minha resposta – Tenho certeza de que será divertido; afinal, seu pai disse que você gosta de carros.

– Sim, eu gosto – afirmei.

– Bom, eu vou lá em cima limpar essa garotinha e trocar a roupa dela – Gail avisou enquanto se levantava e retirava Sarah da cadeirinha – Depois disso, nós já podemos ir. Está bem, Stefan?

– Claro – respondi.

Ela saiu da cozinha, então tio Zach pegou o potinho de comida da filha e o colocou na pia, depois disso foi terminar de preparar o café da manhã dos hospedes. Enquanto isso eu decidi pegar um maçã para mim dentro da cesta de frutas.

–

Quando chegamos na porta da escola e fiquei alguns instantes observando as pessoas entrando e saindo de dentro de prédio e outras que cumprimentavam os amigos de forma animada e aparentemente felizes pelo inicio de mais um ano letivo. Era horrível ser o cara novo do colégio, você se sente como um E.T, totalmente deslocado.

– Se quiser eu posso vir te buscar na hora da saída – Gail comentou, me tirando dos meus devaneios.

– Não precisa – neguei com a cabeça – Vou voltar a pé mesmo – tenho certeza de que depois de um longo dia de aula vou ter bastante coisa para pensar enquanto caminho para casa.

– Se prefere assim – deu de ombros.

Tchau, Gail – me despedi dela no momento em que abri a porta do veículo – Tchauzinho, Sarah! – acenei para a minha prima que estava em sua cadeirinha no banco de trás.

Fui caminhando na direção da entrada, estava tão distraído que não vi uma garota caminhando na minha direção. Nós nos embarramos, ela acabou caindo e também derrubou as duas caixas que estava segurando o que fez com que alguns livros que estavam dentro se espalhassem pelo chão.

– Sinto muito... – comecei a me desculpar ao mesmo tempo em que a ajudava — Estava distraído e não te vi chegando.

– A culpa foi minha também – avisou – Estava segurando essas caixas gigantes e não vi que estava tão perto.

Foi então que eu olhei o seu rosto. Ela era loira, os olhos profundamente azuis, as bochechas estavam levemente rosados, provavelmente por causa do esforço que estava fazendo carregando todo aquele peso, e seus lábios era finos e bem vermelhos. Abri e fechei a boa várias vezes pensando em alguma coisa para dizer, mas não saiu nada; fiquei totalmente desconcentrado.

– Obrigada, pela ajuda... – quebrou o silêncio enquanto retirava os livros da minha mão.

– Não foi nada, era o mínimo que eu podia fazer – dei um sorriso sem graça – Bom..., você deve gostar bastante de ler, não é mesmo? Tem uma grande quantidade de livros aí, principalmente por ainda estarmos no primeiro dia de aula.

– Esses livros não são meus – riu e acabei imitando o seu gesto – São para o projeto de incentivo a leitura que tem aqui no nosso colégio. Todo ano, no final do verão, eu costumo fazer uma campanha para arrecadar livros; como a escola ainda está fechado nessa época a minha mãe me deixa usar a delegacia, ela é a xerife da cidade.

Estávamos conversando há menos de cinco minutos e já tinha percebido que ela gostava bastante de falar.

– Interessante – observei – E você deve estar levando essas caixas para a biblioteca, imagino.

– Sim, é exatamente para lá que eu estou indo – afirmou – Preciso ser rápida para não acabar chegando atrasada na minha primeira aula.

– Então deixe-me ajudá-la – pedi.

– Não precisa... – neguei com a cabeça – Você já me ajudou o suficiente, não quero te dar mais trabalho.

– Não é trabalho nenhum, acredite em mim – garanti – Eu não posso te deixar carregar essas duas caixas pesadas por ai, sem contar o risco de que você esbarre em alguém novamente.

– Acho que você tem razão – voltou a rir – Mesmo assim é muito gentil da sua parte; não temos tantos cavalheiros assim nesse colégio.

– O que posso dizer, sou canadense – brinquei – Além disso, vou fazer isso com uma certa segunda intenção; pensei que você pudesse me mostrar onde é a minha primeira sala. Vim até aqui quando fiz a minha matrícula, mas não consegui conhecer muita coisa.

– Claro que eu posso te mostrar onde é a sua aula, para falar a verdade eu sou do comitê de boas vindas aos novos alunos – respondeu – A propósito, sou Caroline Forbes – estendeu a mão na minha direção.

– E eu sou Stefan Salvatore – retribui o cumprimento dela.

– Engraçado, seu sobrenome não me é estranho... – comentou – Salvatore..., já o ouvi outras vezes.

– Meu tio Zach já mora aqui há alguns anos, ele é o dono da pensão que fica perto da ponte na saída da cidade – expliquei – Meu pai me mandou para passar um tempo aqui com ele.

– Entendo... – ficou algum tempo me encarando – Seja bem vindo a Mystic Falls; a nossa cidade é bem pequena, mas espero que você consiga se divertir aqui.

– Obrigado – na verdade eu não conseguia imaginar como “cidade pequena” e “diversão” poderiam estar na mesma frase sem um “não” no meio delas, mas não queria parecer grosso, já que ela estava sendo tão legal comigo – E então, vamos?

– Claro... – concordou.

Pegamos as caixas e fomos para dentro do prédio. Enquanto caminhamos em direção a biblioteca Caroline me explicou que essa escola era frequentava pelos alunos do Ensino Médio e dos dois últimos anos Ensino Fundamental; já o restante dos alunos do seguimento ficava em outro colégio junto com os da educação infantil.

– Chegamos... – avisou enquanto empurrava a porta com o quadril para que pudéssemos entrar no local.

– Ai está você, Caroline! – uma mulher que eu imaginei ser a bibliotecária se aproximou de nós – Vocês podem colocar tudo ali – apontou para a mesa mais próxima de onde estávamos.

Então colocamos as caixas em cima do local indicado e ela foi verificar a grande quantidade de livros que estavam ali dentro; parecendo bem surpresa com isso.

– Esses são todos os livros arrecadados, imagino... – comentou.

– Na verdade tem mais uma caixa no carro da minha mãe que eu não consegui trazer – Caroline explicou – Mas ela vai vir me buscar no fim da aula já que não pude vir de bicicleta, então eu trago a última caixa.

– Certo... – pareceu mais surpresa ainda e sendo sincero, eu também; ela devia ter um grande poder de persuasão para conseguir arrecadar todos aqueles livros – Depois eu vou fazer uma triagem e ver quais deixaremos aqui e quais vão ser mandados para a escola dos pequenos.

– Se precisar de mais algumas coisas, não tenha vergonha de pedir – avisou.

– Você já fez tanta coisa, Caroline, não quer te dar trabalho – completou – Mas acho melhor vocês irem ou vão acabar chegando atrasados na primeira aula e essa certamente não é uma boa maneira de começar o semestre letivo.

– Tem razão... – concordou antes de se virar novamente para mim – Vamos, Stefan.

Ela saiu da biblioteca e eu a segui. Só espero que Caroline ainda se lembre que prometeu me levar até a minha primeira sala de aula.

– Então, qual é a sua primeira aula? – perguntou quando já estávamos de volta ao corredor, que agora estava bem mais movimentado.

– Deixe-me ver... – peguei o papel com os horários que estavam no meu bolso – Minha primeira aula é de história.

– Com senhor Saltzman? – balancei a cabeça afirmativamente quando verifiquei o nome do professor ao lado do da matéria – Perfeito! Essa também é a minha primeira aula; podemos ir juntos, então.

– Carol! – alguém a chamou e nós dois nos viramos imediatamente na direção da voz – Finalmente eu te encontrei! Estou te procurando desde que cheguei há uns cinco minutos – a garota a abraçou assim que estava perto o suficiente.

Diferente de Caroline o cabelo dela era castanho e seus olhos tinham um tom de avelã, mas era tão bonita quanto a amiga. Na verdade ela tinha uma beleza que eu não sabia explicar, era quase hipnotizante.

– Eu tive que resolver uns problemas aqui na biblioteca, Lena – explicou, por fim – Mas você não sabe como é bom te ver; foi um verão muito entediante sem você.

– Nem me fale... — a outra revirou os olhos – Eu adoro a tia Jenna, mas passar o verão na casa dela; ainda mais quando ela está ocupada com a tese e deixa eu e o Jeremy trancados quase o dia inteiro dentro de casa.

– Não posso dizer que meu verão tenha sido melhor do que isso – Caroline prosseguiu – Passei metade de verão com o meu pai e depois quando voltei para Mystic Falls não podia fazer nada por minha mãe estava ocupada com o trabalho, por sorte consegui encontrar a Bonnie algumas vezes. É uma pena seus pais não terem deixado você e o Jeremy ficarem sozinhos em casa enquanto estavam na Inglaterra.

– Verdade... – completou uma careta.

Pelo jeito essa conversa ainda ia longe... Minha vontade era de deixá-las ali e ir procurar a sala de história, mas tinha medo de acabar me perdendo e chegar mais atrasado ainda, então decidi esperar mesmo.

– Mas que cabeça a minha – Caroline comentou logo em seguida – Lena, esse é Stefan Salvatore, ele acabou de se mudar do Canadá; Stefan essa é Elena Gilbert, minha melhor amiga.

– Prazer em conhecê-lo, Stefan – apertou a minha mão em cumprimento e eu apenas consegui sorrir sem graça – Vocês também estão na aula de história do senhor Saltzman?

– Sim! – respondemos ao mesmo tempo.

– Então vamos todos juntos para sala – colocou a mão nas costas da amiga – Enquanto isso você pode me contar tudo que fez no verão, Carol, mesmo que seja chato ou entediante; assim vai parar que eu estava aqui o tempo todo.

Elas começaram a caminhar e eu as segui. Talvez esses anos em Mystic Falls não vão ser tão ruins assim quanto eu estava pensando...

***

Já estava sentado naquele sofá há horas vendo aquele desenho ao lado da Sarah, que parecia totalmente hipnotizada com aqueles bichinhos coloridos. Infelizmente eu não tenho nada de mais interessante para fazer numa sexta-feira a noite, e isso não poderia ser mais depressivo.

– Ai está você! – meu tio estava descendo as escadas e foi até a nossa direção – Acho que ainda não agradeci o suficiente por ficar com a Sarah hoje a noite.

– Estou aqui para ajudar – dei de ombros – Estava mesmo a toa em casa, então por que não...?

– Tem certeza de que está mesmo tudo bem, Stefan? – ela quis saber – Você parecia preocupado com alguma coisa e até mesmo triste.

– Está tudo bem, tio Zach, não precisa se preocupar – menti; tentei dar um sorriso convincente, mas não sei se tive muito sucesso.

Não estava nada bem..., para falar a verdade acho que nada nunca mais ficará bem. Hoje faz exatamente quatro dias que eu peguei Elena e Kai se agarrando no vestiário; minha namorada de pouco mais de dois anos me traiu com o meu colega de time na frente de todo o colégio, isso é motivo mais do que suficiente para qualquer cara ficar mal.

– Se você diz... – apenas ficou me encarando por alguns segundos, pensei que fosse falar alguma outra coisa, mas ele ficou calado.

Não demorou muito para Gail também aparecer, já pronta para sair.

– O jantar da Sarah já está pronto e ela pode assistir mais uma meia hora de televisão depois de comer antes de ir para cama – ela me deu algumas recomendações – Você tem os nossos números, qualquer coisa pode nos lugar.

– Fiquem tranquilos, eu sei muito bem disso – garanti – Podem ir jantar tranquilos que eu e a Sarah vamos ficar bem aqui – baguncei de leve o cabelo da minha prima.

Os dois ainda se despediram de nós antes de finalmente sair.

A pensão estava anormalmente vazia nessa última semana, tínhamos apenas um hospede que passava o dia inteiro fora e só voltava a noite para dormir; o que significa que estávamos sozinhos em casa e não tinha muita coisa com a qual me preocupar no momento. Nós ainda assistimos mais uma hora de desenhos antes de irmos para a cozinha.

Estava esquentando o jantar da Sarah quando o som da campainha ecoou pelo ambiente.

– Deixa que eu atendo... – ela saiu correndo em direção a sala.

– Opa! De jeito nenhum..., a senhorita vem comigo – consegui pegá-la no colo antes de abrir a porta – Caroline...?

E lá estava a melhor amiga da minha ex-namorada parada na porta da pensão; vê-la estava me trazendo lembranças recentes e que ainda são dolorosas demais. O que será que ela está fazendo aqui?

– Oi! Espero que não esteja atrapalhando – falou timidamente, algo que não era muito o estilo dela – Gostaria de conversar se não estiver ocupado.

– Não estou ocupado – respondi – Sarah, por você não vai para a cozinha comer o seu jantar enquanto eu a Caroline conversamos.

– Está bem, Stefan! – concordou enquanto saia correndo na direção em que tinha vindo.

Fiquei observando minha prima até que ela entrou na cozinha e depois me virei na direção da recém-chegada, que nesse momento retirava o casaco.

– Desculpa por isso, é que eu estou tomando conta da Sarah hoje – disse em seguida – Mas o que você queria falar comigo?

– Você não foi ao colégio nos últimos quatro dias – lembrou – Fiquei preocupada, porque você não é de faltar tantas aulas assim.

– Só não estou preparado para voltar ao colégio ainda – expliquei; para falar a verdade acho que nunca estarei preparado para voltar, mas é claro que meu tio e meu pai jamais permitiriam isso.

– Claro, eu entendo... – concordou – Imagino como vai ser difícil para você chegar ao colégio e encontrar o Kai e a Elena juntos e felizes.

Obviamente eu já esperava que depois disso tudo Elena estivesse com o Kai agora, mas ouvir isso de outra pessoa é milhões de vezes mais doloroso.

– Até agora eu não entendi o que foi que aconteceu... – continuou – Pelo que a Elena me falava o relacionamento de vocês parecia estar indo bem e ela estava feliz; mas pelo visto não.

– Sinceramente, eu também não sei – dei de ombros – Então se você veio até aqui tentar descobrir, perdeu a sua viagem.

– Eu não vim até aqui para isso – negou com a cabeça – Acontece que todo mundo no colégio está passando a mão pela cabeça da Elena, como se ela fosse a vítima da história e todo mundo sabe que a história não é bem assim. Não aguentei essa injustiça que estão fazendo com você e acabei brigando com a Elena.

– O que? – fiquei totalmente surpreso com aquilo, Elena e Caroline eram as melhores amigas de vários anos e agora elas simplesmente brigaram e basicamente por minha causa.

– Não podia ver aquilo calada – avisou – A Elena está acostumada a ter tudo que quer, mas não se depender de mim.

– Obrigado... – não pude deixar de dar um sorriso sem graça – Pelo menos eu acho.

– Também quero que você saiba que tem uma amiga bem aqui se estiver precisando – completou – Se você me permitir estarei ao seu lado e não te deixar desmoronar por causa da Elena.

E pela segunda vez hoje estou sendo pego de surpresa. Claro que eu e Caroline Forbes não éramos completos estranhos um para o outro, mas nunca fomos grandes amigos; e agora ela estava aqui, me oferecendo a sua amizade.

– Uau... – consegui falar, por fim – Obrigado, Caroline, é muito importante ter o seu apoio.

– Estou aqui para o que precisa – deu de ombros – Você tem o meu telefone, pode me ligar para o quer que seja.

– Está bem... – concordei.

– Bom..., agora eu vou embora – avisou – Não vou mais atrapalhar o seu trabalho de babá.

– Caroline, espera – a chamei fazendo com que voltasse a se virar para mim – Depois a Sarah terminar de jantar vou prepará-la para dormir; o que acha de ficar mais um pouco e assistimos um filme juntos.

– Claro – sorriu em concordância – Vou adorar.

***

– Olha só o que eu consegui roubar da adega do tio... – entrei no meu quarto e mostrei o vinho que estava segurando.

Era noite de ano novo e Caroline veio para a festa que está acontecendo aqui na pensão, já que a mãe dela está de plantão na delegacia hoje. Meu tio e Gail estão lá embaixo distraídos com os hospedes, então decidimos vir aqui para cima.

– É assim que eu gosto – brincou enquanto retirava a garrafa da minha mão – Trouxe um abridor também ou vou precisar quebrar a garrafa para beber?

– Aqui está... – entreguei o abridor para ela também.

Com um pouco de dificuldade Care conseguiu retirar a rolha da garrafa e tomou um gole antes de me devolvê-la.

– Os formulários de inscrição para a faculdade começaram a chegar lá em casa essa semana – abraçou as pernas antes de continuar a falar – Estava pensando em me inscrever para a U of T.

– Você se inscrevendo para a U of T? – realmente não esperava por isso, sempre pensei que a Caroline fosse se inscrever para a NYU, UCLA ou até mesmo para Whitmore, mas nunca imaginei que ela pudesse nem mesmo cogitar a possibilidade de ir para Toronto – Está mesmo falando sério.

– Ora, por que não...? – deu de ombros – Seu pai vai mesmo te obrigar a voltar para Toronto de qualquer maneira e se eu for para lá vamos estudar na mesma universidade, podemos até mesmo dividir um apartamento; não vai ser divertido?

– Claro que seria divertido. Faz mais ou menos um mês desde que eu e Caroline começamos a nos aproximar e já não consigo imaginar como vai ser a minha vida sem ela quando formos para faculdades diferentes; ela ir para Toronto comigo é mesmo uma grande solução.

– Se você tem mesmo certeza — respondi – Só não pode ir para uma faculdade que não quer só por minha causa.

– Sempre quis morar fora do pais e essa certamente é uma solução para isso – explicou – Agora é só se inscrever e rezar para eu ser aprovada.

– Um brinde a isso – levantei a garrafa antes de tomar um bom gole da bebida.

–

Continuamos a beber até acabar com o vinho. Estava me sentindo um pouco alto, mas não podia dizer exatamente que estava bêbado.

– Já é quase meia noite – nós estávamos deitados na minha cama encarando o teto – É melhor irmos lá para baixo ou vamos acabar perdendo os fogos de artifício.

– Pois eu acho melhor ficarmos aqui – ela foi para cima de mim enquanto falava – Seu tio vai perceber que nós bebemos e vamos acabar nos encrencando.

– Acho que você tem razão – não sei exatamente por que, mas de repente eu comecei a rir – Sem contar que a sua mãe é xerife e pode acabar nos prendendo por isso.

– Então está decidido, vamos ficar aqui – apoiou o seu queixo no meu peito – Vamos virar o ano apenas nós dois aqui, a gente se basta.

Antes que eu pudesse falar qualquer coisa ela me beijou, fui pego totalmente de surpresa, mas acabei correspondendo e inverti as nossas posições na cama, tinha certeza de que Caroline já tinha visto o quanto eu estava “animado”.

Ela soltou um pequeno gemido quando retirei os lábios dos seus e fui trilhando o caminho até o seu pescoço. Enquanto isso as suas mãos foram diretamente para o primeiro botão da minha camisa e sabia muito bem onde isso ia dar.

– Care..., espera – a interrompi – Acho que isso não é uma boa ideia...

– Por que não? – me olhou em dúvida – Eu quero, você também parece querer e nós dois estamos livres e desimpedidos.

– Nós dois bebemos um pouquinho demais — lembrei – E não quero que você faça nada do qual possa se arrepender amanhã.

– Não vou me arrepender – me puxou novamente para perto de si.

– Care, nós dois somos amigos – continuei – E tenho certeza de que, como eu, não quero estragar essa amizade construímos.

– Tem razão... – escondeu o rosto no meu ombro, totalmente envergonhada – Sou mesmo uma idiota.

– Você não é idiota, Care, só está bêbada – segurei o seu rosto para fazê-la me olhar diretamente – Vamos esquecer isso?

– Sim, vamos... – concordou – Obrigada, Stef, você é mesmo o melhor amigo que eu poderia ter na vida.

– Você também é a melhor amiga que eu poderia ter – dei um beijo na sua testa.

Continuamos ali deitados por um tempo e até mesmo conseguirmos ver os fogos de artifício pela janela. Infelizmente Caroline pegou no sono uns quinze minutos depois e tudo que me restava fazer era dormir também.

–

Acordei e minha amiga estava dormindo então eu fui até a cozinha comer alguma coisa e também levei algo para ela.

– Care... – passei a mão pelo seu cabelo enquanto falava – Hora de acordar dorminhoca.

– Não... – soltou um misto de gemido e choramingo.

– Eu trouxe o seu café da manhã – avisei, o que a fez abrir os olhos quase que imediatamente – Sabia que isso iria te convencer.

– Idiota... – fez uma careta enquanto se sentava – Será que você acredita se eu disser que nunca mais vou beber nada vida.

– Não vou acreditar nem um pouco – respondi – Mas sabia que você estaria assim, por isso trouxe o seu café da manhã e uma aspirina para tomar depois.

– Obrigada – disse enquanto pegava o bolinho dava uma mordida – Ontem a noite é um completo borrão na minha cabeça; acho que uma das últimas coisas que eu me lembro é de você chegando com a garrafa de vinho e de estarmos falando sobre a faculdade, depois disso, nada...

– Está falando sério? – então ela não se lembrava de ter me agarrado e de termos quase transado...

– Eu fiz alguma besteira? – quis saber, preocupado.

– A gente ficou aqui conversando, passamos a meia noite aqui em cima mesmo e depois dormimos – dei de ombros – Nada demais.

– Isso é mesmo um alívio – soltou um longo suspiro – Jamais iria me perdoar se fizesse alguma coisa errada.

– Bom, vou pegar água para você tomar o remédio – avisei enquanto me levantava – Já volto.

***

“Eu te amo, Stefan”

Já perdi as contas de quantas vezes eu já recobrei e perdi a consciência, nem sei exatamente quanto tempo se passou. Tudo que eu consigo me lembrar é da voz da Caroline dizendo que me amava, para falar a verdade nem sei se aquilo é mesmo uma lembrança ou apenas fruto da minha imaginação.

– Care... – murmurei enquanto abria os olhos.

– Errou, irmãzinho... – minha visão foi entrando em foco e dei de cara com meu irmão em pé ao lado da cama – Imagine um pouco mais loiro e bem mais bonito.

– Damon...? – voltei a fala – O que você está fazendo aqui?Aliás, onde nós estamos?

Foi quando eu reparei que estava com um soro no meu braço, meu pé estava com uma tala e meu corpo estava cheio de machucados, sem contar o monitor cardíaco que não parava de apitar.

– Você sofreu um acidente de carro, irmão – Damon explicou – Nossa mãe me ligou assim que ficou sabendo e eu peguei o primeiro voo para Toronto; para falar a verdade eu acabei de chegar e vim aqui te visitar.

– Um acidente...? E a nossa mãe já sabe? – tudo que consegui pensar naquele momento foi na Care, que também já deve estar sabendo do que aconteceu; ela está grávida e uma preocupação dessas não vai fazer bem para a nossa garotinha – A Caroline! Eu preciso ver a minha esposa!

Tentei me levantar, mas estava fraco demais para isso.

– Não pensa nisso agora, Stefan – ele me interrompeu colocando a mão sob o meu ombro – Vou chamar o médico, ele vai te explicar melhor o que está acontecendo.

Damon passou a mão levemente pelo meu cabelo antes de sair do quarto.

Notas finais
O que vocês acharam dos momentos fofos Steroline na época em que eles ainda moravam em Mystic Falls? E ainda teve aquela noite de ano novo que explica aquela conversa do Stefan sobre eles já terem tido oportunidade de ficarem juntos. E o Stefan também ouvi a declaração da Care (embora ele não tenha certeza se era verdade ou um sonho), mas no próximo capítulo os dois tem uma conversa digna. Lembrando, é claro que ele ainda não sabe que a Scarlett já vai nascer... *** Bom, é isso Comente e digam o que estão achando. Recomendações?