Changes Love

21 Capítulo 20 – Entre mãe e filho


Notas iniciais
Oi gente!!! Aqui estou com mais um capítulo e posso dizer que eles está cheio de fortes emoções... Espero que gostem Nos vemos lá embaixo nas notas finais.

Stefan

*Flash Back*

– Você tem certeza que não vou entrar aí e encontrar uma festa com direito a uma striper? — perguntei enquanto ainda estávamos na porta do bar para onde meu irmão me arrastou depois do jantar de ensaio; o local parecia bem silencioso, o que, para o meu alívio, diminuía as chances de estar acontecendo uma festa lá dentro – Por que se for isso eu garanto que a Caroline não vai ficar nem pouco feliz e você não vai querer vê-la irritada.

– Relaxa, irmãozinho, tanto eu quanto você estamos seguros de qualquer possível fura da sua futura esposa – garantiu enquanto colocava a mão nas minhas costas, me dando um leve tapinha – E se a Caroline se importar mesmo com você, capaz até dela ficar feliz com o que está ai dentro.

– Se eu já estava com medo dessa noite, agora estou o dobro – confessei.

– Não precisa ter medo, Stefan, confia em mim – garantiu – Agora vamos entrar, tenho certeza de que você não quer passar a noite anterior ao seu casamento parado do lado de fora de um bar.

– Essa é uma opção? – perguntei, animado – Por que se for, estou totalmente disposto a aceitá-la.

– Decididamente essa não é uma opção – avisou – Agora vamos, Stef; chega de me enrolar...!

Totalmente contra a minha vontade, Damon me empurrou para dentro do bar. Apesar de ser sexta-feira o local não estava tão cheio, o que me permitiu ver a “surpresa” que ele tinha arrumado para mim.

Lá estava minha mãe, ou melhor, a mulher que me colocou no mundo, sentada em uma das mesas mais próximas da entrada; eu tinha apenas dez anos a última vez que eu a vi e, é claro, ela estava mais velha, mas eu podia reconhecê-la em qualquer hora e qualquer lugar.

No momento em que nossos olhos se cruzaram eu parei imediatamente e tentei dar a volta para ir embora, mas meu irmão me impediu.

– De maneira nenhuma, você vai ficar aqui – seu tom de voz era sério, algo que eu não o ouvia usar com tanta frequência.

Foi então que me vi sendo basicamente arrastado até ela, que se levantou e sorriu assim que nos aproximamos.

– Stefan, você está tão crescido... – me olhou de cima a baixo enquanto falava – Vejo que você se transformou em um belo rapaz.

– Já faz treze anos – lembrei – A maior surpresa seria se eu não tivesse crescido nada desde então.

– Oh sim, é claro! Você está certo – ela concordou – O tempo passou e você não é mais aquele garotinha arteiro e que me deixava de cabelo em pé sempre que se afastava de mim por mais de cinco minutos. Já é um homem feito, tem a sua própria carreira e agora vai até casar; gostaria tanto de conhecer a sua noiva, aposto que ela deve ser uma moça adorável.

– Se você não tivesse ido embora e tivesse participado da vida dos seus filhos nos últimos treze anos, já a teria conhecido – não precisava olhar para o meu irmão nesse momento para saber que ele esta me lançando um olhar atravessado.

– Tudo bem, você tem razão, acho que eu mereci ouvir isso – Lily concordou comigo – Mas não vim aqui para falar do passado; estou muito feliz por estar aqui com os meus dois meninos.

– Como você a encontrou? – a ignorei completamente, me virando na direção de Damon.

– Ela me procurou há alguns meses, quando eu ainda estava em Miami, parece que ela viu uma reportagem em uma revista sobre mim – explicou – Então eu me encontrei com ela quando cheguei a Toronto no mês passado.

– E é com ela que você tem se encontrado todo esse tempo? – balançou a cabeça afirmativamente, apesar de tudo – Depois decidiu me trazer aqui para vê-la...

– Apesar de tudo, imaginei que você ficaria feliz em ver a nossa mãe – completou.

– Pois imaginou errado – dei de ombros.

– Stefan, meu filho, por favor, se sente – Lily decidiu voltar a se manifestar – Tenho certeza de que temos muito coisa para conversar.

– Não, nós não temos nada para conversar – me virei e dessa vez meu irmão não tentou me impedir – Para mim chega.

Enquanto saia do bar ouvi passos atrás de mim, pensei que fosse o Damon, mas estava enganado.

– Stefan, espera! – não sei exatamente por que, mas a voz da minha mãe me fez parar antes que eu chegasse no carro – Sei que você deve estar com raiva de mim por ter sumido todos esses anos e não tiro a sua razão, mas por favor, apenas me escute, eu tenho uma boa explicação para isso.

– O que você quer que eu escute? – elevei um pouco o tom de voz – Quer me explicar como você me abandonou quando o eu tinha apenas dez anos? Como além de sofrer sem você por perto ainda tive que aguentar as brigas do papai e do Damon até que ele decidiu ir embora de casa também? Como depois disso papai achou que era melhor eu passar um tempo na casa do tio Zach em Mystic Falls? Minha vida basicamente desmoronou e eu não tinha a minha mãe ao meu lado, se consegui aguentar sozinho naquela época, vou conseguir continuar assim.

Foi nesse momento que meu apareceu, seu rosto estava bem sério...

– Eu estou indo embora – avisei – Damon, se você quiser, pode ficar, mas se você quiser ir embora também, pode se juntar a mim.

Abri o veículo e quando me sentei, meu irmão já estava ocupando o seu lugar no banco do passageiro.

– Stef... – começou a falar – Eu...

– Não precisa se explicar, Damon – pedi o interrompendo – Tudo que eu quero fazer é esquecer que o final dessa noite aconteceu.

Em seguida eu liguei o veículo e saí pelas ruas de Toronto. Só quero chegar na minha casa, amanhã será um longo dia...

*Fim do Flash Back*

Acordei assustado, sentei na cama e fiquei passando a mão pelo cabelo enquanto os meus olhos se acostumavam com a escuridão. Tinha ido dormir em um dos quartos de hóspedes por causa do meu pequeno desentendimento com Caroline e esse, é claro, deve ser o motivo para o meu “pesadelo”.

Essas lembranças atormentaram a minha mente por dias depois desse encontro, até mesmo durante a lua de mel; claro que eu não disse nada para a minha esposa, pois sabia que ela iria dizer que eu estava me sentindo culpado e precisava me encontrar com aquela mulher para que me sentisse melhor. Então agora que finalmente tinha conseguido “superar”, isso volta com força total.

– Melhor eu parar de pensar nisso, ou vou acabar enlouquecendo – soltei um longo suspiro e olhei rapidamente para o teto enquanto murmurava – Preciso tentar voltar a dormir, amanhã será um longo dia e não vai ser nada produtivo se eu estiver cansado.

Dito isso, voltei a me deitar e virei para o lado antes de fechar os olhos. Levantar cedo e ir para o trabalho me jogar nas minhas obrigações: é tudo que eu preciso no momento.

***

Já deveria imaginar que decidir fechar os olhos e dormir, não significava que eu realmente fosse conseguir isso. Passei o restante da noite rolando na cama durante o restante da noite e quando finalmente amanheceu percebi que não adiantava lutar, então me levantei e fui tomar uma ducha no banheiro de hospedes mesmo.

Assim que cheguei ao meu quarto para pode trocar de roupa, encontrei o local vazio e imaginei que minha esposa já tivesse acordado e ido para o andar debaixo do apartamento; algo que confirmei quando fui para a cozinha e a encontrei alguns minutos depois. Ela estava apoiada na pia e segurava uma caneca enquanto bebia lentamente o conteúdo.

– Bom dia... – disse assim que me viu passando pela porta; pude perceber um leve tom de dúvida na sua voz, provavelmente por causa nossa briga de ontem.

– Bom dia – respondi da mesma maneira.

– Você não parece estar muito bem – observou – Sinceramente, está com uma cara péssima...

– Não dormi direito essa noite – expliquei – Tinha muita coisa na minha cabeça.

– Entendo... – ela tomou mais um gole da sua bebida enquanto eu apenas a observava – Isso daqui é leite com chocolate se você estiver se perguntando; não se preocupe, eu não estou tomando café.

– Claro – concordei – Tinha certeza de que você não iria desobedecer a doutora Fell e iria tomar café.

Ela deu um pequeno sorriso na minha direção, então eu me virei e fui até a geladeira e peguei um iogurte, já que não estava com muita fome no momento.

– Tudo bem, agora chega! – Care começou a gritar, fazendo com que eu virasse na sua direção – Eu odeio ficar com você, Stefan!

Fiquei surpreso ao ouvi-la dizer aquelas palavras. Conhecia Caroline há tempo e bem o suficiente para saber que ela não costumava admitir alguma coisa tão fácil assim.

– Você não vai mesmo dizer nada? – quis saber depois que passei alguns instantes em silêncio – Vou começar a me sentir uma completa idiota desse jeito.

– Também odeio brigar com você, Care – afirmei – Fui um idiota e um completo imaturo saindo do nosso quarto daquele jeito ontem, só porque eu não queria ouvir você falar sobre a minha mãe.

– A culpa também foi parte minha, Stef – me interrompeu – Esse era um assunto apenas seu, por mais que achasse certo, não deveria ter me metido nisso.

– Só estava se importando comigo e esse é o motivo para eu gostar tanto de você – me aproximei da minha esposa e passei a mão pelo seu rosto – E se for mesmo tão importante para você, então sim, eu vou me encontrar com a minha mãe.

– Não quero que faça nada apenas para me fazer feliz, tem que fazer por você mesmo – me interrompeu, negando com a cabeça – Eu queria que você conversasse com a sua mãe, mas não se for te deixar tão incomodado; só que preciso alertá-lo sobre a oportunidade que vai perder se não fizer isso.

– Tem razão; e é por tudo que acabou de falar que eu vou fazer isso por mim, não por você – avisei – Vou marcar para encontrar a minha mãe.

– Você está mesmo falando sério? – balancei a cabeça afirmativamente, então Caroline me abraçou com força – Isso é mesmo incrível, Stef, estou muito feliz que você tenha tomado essa decisão.

– Essa noite em que eu não dormi consegui pensar muito no que você me falou ontem – expliquei – Talvez a minha mãe mereça que eu ouça a sua explicação sobre o porquê de ter me abandonado, mesmo que eu realmente não a perdoe no final. Além disso, quem sabe não é chance dela ter algum contato com o neto ou a neta; isso seria bom, não acha?

– Claro – concordou — Seria maravilhoso!

– Caroline foi até a cadeira em que tinha colocado a sua bolsa e começou a mexer até encontrar um cartão. Então voltou para perto de mim e me entregou.

– Sua mãe pediu para te entregar – explicou – Assim você pode ligar para ela.

– Certo – fiquei observando as palavras no cartão sem exatamente lê-lo, depois o guardei no bolso da calça – Vou ligar.

– Perfeito! – ela voltou a sorrir – Agora, por favor, não vamos mais brigar por qualquer bobagem.

– Nunca... – garanti antes de puxá-la para um selinho.

***

E lá estava eu sentado na minha mesa olhando para o cartão tomando coragem para ligar. Obviamente tinha verificado antes com a Emily que meu pai vai estar reunião pelas próximas horas, o que significa que não existe a menor chance dele entrar aqui a qualquer momento e me encontrar falando com a minha mãe; isso era tudo que eu não precisava agora.

Finalmente peguei o telefone e disquei os números que estavam a minha frente. Cada toque que eu ouvia me deixava mais ansioso.

– Fashion Designer, Mandy falando – uma voz surgiu do outro lado da linha assim que a ligação foi atendida – Em que posso ajudar?

– Bom dia... – espero não estar gaguejando, mas não posso ter 100% de certeza disso – Eu gostaria de falar com a Lilian, por favor.

– Ela está ocupada no momento – explicou – Mas quem é que gostaria de falar? Posso dar o recado.

– Aqui é o filho dela... – fiquei meio incerto ao responder isso, não sabia se ela falava a respeito da vida pessoal no trabalho, mas agora já tinha saído – Sei que ela está ocupada agora, mas eu também estou um pouco atarefado hoje, então se pudesse chamá-la apenas um minuto, eu...

– Oh sim! É claro! – me interrompeu – Tenho certeza de que a Lily não se importa de parar por uns instantes para atender o filho; um minuto que eu vou chamá-la.

Antes que eu pudesse falar alguma coisa, ouvi um barulho que indicava que ela tinha se afastado do aparelho. Fiquei ali esperando enquanto a mulher, provavelmente, ia procurar e falar com a Lily.

– Stefan! – fiquei surpresa por ela falar o meu nome assim que chegou ao telefone, afinal, poderia ser o Damon; acho que posso dizer que é uma espécie de “instinto materno” – Sabia que você iria acabar ligando.

– Oi... – dei um sorriso sem graça, mesmo sabendo que ela não estava me vendo – A Caroline me passou esse telefone e disse que era para eu ligar; sinto muito se estiver atrapalhando algo importante.

– Claro que você não está atrapalhando, meu filho, pode ligar a hora que quiser – garantiu – Saiba que eu estou muito feliz por ouvir a sua voz.

– Sei que você está ocupada agora, então vou ser breve – avisei – O que acha de irmos almoçar hoje? Assim podemos conversar mais a vontade.

– Hoje, infelizmente eu não posso; é o dia de verificação do estoque e gosto de observar tudo de perto – explicou – Mas o que acha de amanhã?

– Sim, pode ser amanhã – respondi – Tenho o endereço da sua loja aqui no cartão, posso passar aí para te buscar ao meio dia; o que acha?

– Estarei esperando! – garantiu.

Então nós nos despedimos antes de desligar. Agora estava tudo combinado, amanhã eu saberia toda a verdade, de uma maneira ou de outra.

***

Não foi muito difícil achar a loja da Lily, ela ficava apenas algumas quadras do prédio da revista em Caroline trabalha. Conseguia uma vaga bem perto da entrada, mas permaneci algum tempo dentro do veículo meio que criando coragem para sair Dalí.

– Certo, Stefan... – comecei a falar sozinho – Hora de ir até lá e encarar toda a verdade.

Saí de dentro do carro e caminhei lentamente até a loja. Ela estava atendendo uma pessoa, mas assim que me viu acenou para mim assim que me viu e chamou alguém para fazer o que ela estava fazendo antes de vir na minha direção.

– Você veio! – me abraçou – É mesmo muito bom ver você, meu filho!

– Achou que eu não fosse vir? – foi impossível não rir nesse momento – E então, vamos indo?

– Só preciso pegar a minha bolsa lá atrás do estoque – avisou – Fique a vontade, eu já volto.

Quando minha mãe se afastou fiquei observando todos os lugares. Era uma loja de roupas femininas, não era muito grande, mas a julgar pela quantidade de pessoas que parecia trabalhar lá devia vender bastante.

Não demorou muito para ela finalmente voltar, agora segurando a sua bolsa.

– Caroline simplesmente surtaria se entrasse aqui – observei de repente, meio que para puxar assunto – Pelo jeito vocês duas dividem uma louca obsessão por moda.

– Sabia que tinha tido um bom motivo para gostar dela assim que a conheci – brincou, sorrindo – Isso aqui é o grande projeto da minha vida: fiz um curso de moda quando morei em Londres e depois trabalhei como assistente de uma estilista em Nova York, então quando voltei para Toronto tive a oportunidade de abrir essa loja. Posso dizer que desenhei mais da metade das roupas que estão a venda aqui; provavelmente não se lembra, mas quando você era pequeno eu costumava...

– Sentar em frente a lareira da nossa sala com um caderno e ficava horas desenhando roupas – a interrompi, completando a sua frase – Sim, eu me lembro – nesse momento consegui criar perfeitamente a imagem de mim mesmo com cinco anos sentado no tapete observando a minha mãe totalmente concentrada em um esboço.

– Não acredito que você ainda se lembre disso – ficou surpresa – Quero dizer, você era tão pequeno na época.

– Pois acredite, eu me lembro perfeitamente – afirmei – Pode parecer algo brega de se falar, mas essa é uma das minhas lembranças de infância mais fortes.

Então ficamos alguns instantes apenas nos encarando. Sabia que ambos queríamos falar alguma coisa, mas nenhum dos dois parecia com coragem de fazer isso no momento.

– Bom, então vamos... — Lily, finalmente disse – Não gosto muito de demorar muito no almoço para não ficar tanto tempo assim longe da loja e imagino que você também não possa demorar muito.

– Na verdade eu resolvi tudo que eu tinha de pendência para hoje na parte da manhã justamente para não almoçar com pressa – expliquei – Mas se você precisa voltar logo, então vamos.

Coloquei a mão nas suas costas e a conduzi para a saída da loja e até onde meu carro estava parado.

***

– Aqui estão as suas bebidas – o garçom trouxe os refrigerantes que tínhamos pedido alguns minutos antes – Daqui a pouco eu trago o restante do pedido de vocês.

Agradecemos e o homem se afastou nos deixando sozinhos mais uma vez.

– Pode parecer bobagem, mas quando Carolina falou que iria te convencer a vir falar comigo, tinha certeza de que ela iria acabar conseguindo – ela avisou – Agora eu sei exatamente o porquê dessa certeza.

– Como assim? – fiquei confuso com essa observação – O que quer dizer com isso?

– Você a ama... – continuou – Percebi isso quando vi os seus olhos brilhando enquanto falava da Caroline na loja e também agora no carro comentando a respeito dela e do bebê de vocês.

Como eu não queria nenhum silêncio constrangedor no caminho até o restaurante decidi contar para ela a respeito das minhas expectativas e as da Care a respeito da chegada do bebê.

– Está tão na cara assim? – decidi perguntar; as vezes fico imaginando se a Caroline já sabe a respeito dos meus sentimentos, mas nunca teve coragem de tocar no assunto...

– Sou sua mãe, Stefan, para mim está totalmente na cara – explicou – E tenho que admitir que é mesmo muito bom ver tanto você quanto o Damon assim tão felizes.

– Não posso dizer nada pelo Damon, mas eu realmente estou feliz – garanti – Como nunca pensei que pudesse ser feliz na vida.

– E como foi que vocês dois se conheceram? – Lily voltou a perguntar – Você e a Caroline, quer dizer.

– No colégio, fizemos o Ensino Médio juntos, em Mystic Falls; então quando chegou a época de escolher a faculdade acabamos vindo juntos para cá – fiz um resumo rápido dos fatos – Claro que as coisas nem sempre foram assim; digamos que antes de nós dois ficarmos juntos, eu namorei a melhor amiga dela.

– Damon me contou algo ao respeito do fim do seu primeiro relacionamento – disse – Ele não entrou muito em detalhes, mas deu a entender que foi doloroso.

– E foi mesmo... – balancei a cabeça afirmativamente – E, se não se importar, eu também não queria entrar em detalhes a respeito disso. Tudo que precisa saber é que já faz muito tempo e não é tão importante.

– Claro, como você quiser – concordou – Mas você tem que pensar que existem males que vem para bem. Se as coisas não tivessem acontecido assim com essa garota, hoje você não estaria casado com a Caroline e não teriam um bebezinho a caminho.

– Gosto de pensar que as coisas entre mim e a Caroline acabariam acontecendo de uma maneira ou de outra – dei de ombros –Mas essa também é uma boa maneira de ver as coisas.

– Mudando um pouco de assunto: ontem quando eu conheci a Caroline ela me disse que já está com quase cinco meses de gravidez – continuou — E levando em consideração que vocês casaram há pouco de um mês, posso concluir que não só ela casou grávida como também que vocês dois sabiam perfeitamente disso.

Fiquei surpreso por ela estar comentando, mas também sabia que não adiantaria nada tentar negar isso. Aquela é a mulher que me colocou no mundo e, pelo menos quando eu era pequena, sabia perfeitamente quando eu estava mentindo.

– Já estávamos juntos há alguns meses, mas quando papai descobriu que a Caroline estava grávida basicamente nos “obrigou” a casar – expliquei – E também só nos deixou contar a todos a respeito do bebê depois do casamento, é claro.

– Não posso dizer que estou surpresa por ele ter feito isso com você – deu um sorriso sem graça – Eu e seu pai sabemos muito bem como é ser obrigados a casar e também a esconder uma gravidez enquanto a cerimônia não acontece.

Também não fiquei nem um pouco surpreso por estar ouvindo aquilo, na realidade. Na conversa com o meu pai a respeito de mim e da Caroline, ele meio que tinha deixado escapar que tinha casado com a minha mãe por ela estar grávida do Damon; essa era a apenas a confirmação que eu precisava.

– Isso me lembra que você prometeu explicar os motivos de ter ido embora há 13 anos – decidi ir direto ao assunto – Pode começar a explicar agora, estou aqui para ouvir.

Ela suspirou pesadamente e passou a mão pelo cabelo, da mesma maneira que eu quando estou nervoso por alguma coisa. Provavelmente estava tentando tomar coragem para começar a explicar.

– Como você deve ter imaginado pelo que eu acabei de falar, quando eu e o seu pai casamos, o Damon já estava a caminho, mas ele não foi exatamente o motivo que nos levou a isso – começou a falar calmamente – Seus avôs, o meu pai e o pai do seu pai, eles eram sócios e acharam que uma maneira de fazer a empresa crescer seria casar seus primogênitos. Na época eu estava apaixonada por outro e cogitei até mesmo a possibilidade de fugir, mas a sua avó teve uma longa conversa comigo e acabei ficando.

– Sinto muito, acho que não consigo imaginar o que faria se alguém quisesse me afastar da Caroline – lamentei – Você e o papai devem mesmo ter tido um casamento infeliz, começando pela maneira como começou.

– Nem tanto; talvez não existisse o tipo certo de amor e isso acabou sendo o suficiente – deu de ombros – Além disso, logo o Damon nasceu e algum tempo depois você chegou também; posso dizer que cuidar dos meus meninos tornou tudo mais tolerável ainda.

– Mas...? – a incentivei a continuar – Algo deu errado e te fez ir embora depois, certo?

– Meu antigo namorado decidiu voltar a Toronto depois de quinze anos – continuou a explicar – Não achei que revê-lo fosse me deixar tão abalada, mas aconteceu, principalmente quando ele me disse que queria conhecer o filho.

– Filho...? – foi impossível não arregalar os olhos – Espera, você está dizendo que o Damon...?

– O Damon não é filho do seu pai – completou a minha frase, balançando a cabeça negativamente – Descobri que estava grávida alguns dias depois de anunciarmos o nosso noivado, contei para o seu pai e ele aceitou numa boa e prometeu assumir o bebê. Claro que, apesar de tudo, o relacionamento dele e do Damon nunca foi igual ao que ele tem com você.

Isso era verdade. Apesar de eu ainda pequeno na época, me lembro das constantes brigas do pai com o Damon, e isso só piorou quando nossa mãe foi embora de casa.

– Com o pedido dele, fui obrigada a contar a verdade ao seu irmão e levá-lo para conhecer o pai; os dois começaram a conviver e nós também acabamos nos reaproximamos – prosseguiu – Foi então que ele propôs que fossemos embora juntos e levássemos o Damon junto e eu aceitei, com a condição de que também pudesse levar você; só que na hora seu pai acabou descobrindo e não permitiu que eu levasse vocês dois e fui obrigada a ir embora, sem os meus meninos.

– Uau... – foi tudo que eu consegui dizer quando ela terminou — Sabia que tinha alguma coisa errada nessa história toda, mas não tinha ideia de que era tão grave. Perguntei várias vezes para o meu pai e para o Damon sobre o motivo da briga deles, mas nenhum dos dois nunca quis me contar a verdade.

– Seu pai e seu irmão têm uma coisa em comum, ambos são teimosos; você nunca iria descobrir isso por ele – garantiu.

– Acho que você tem razão – concordei – Mas e o pai do Damon? O que aconteceu com ele?

– Infelizmente passar quinze anos longe de uma pessoa é algo decisivo – respondeu – Ficamos juntos por pouco mais de um ano depois que fomos embora, mas garanto que não me arrependo da decisão que eu tomei.

Soltei um longo suspiro enquanto tentava absorver tudo que tinha acabado de ouvir. Foi quando eu senti a mão da minha mãe sob a minha por cima da mesa.

– Mas apesar disso, não houve um dia em que não tenha deixado de pensar em você e no seu irmão – ela usava um tom de voz bem calmo nesse momento – Quando fui embora de Londres, vim para Toronto por algumas semanas para tentar vê-los, mas encontrei a Esther e ela me disse que o Damon tinha ido embora da cidade assim que completou 18 anos e que você estava passando um tempo em Mystic Falls com o seu tio; até pensei em ir até lá te ver, mas sabia que o Zach poderia contar ao Giusepe e eu não queria isso, pelo menos não naquela época. Então eu fui para Nova York, mas muito triste por não ter conseguido o que eu queria.

Pensei em várias coisas para dizer naquele momento, mas nenhuma me pareceu apropriada.

– E essa é a história que você queria saber – decidiu continuar quando eu fiquei em silêncio – Vou entender se não quiser nunca mais me ver, o importante é que agora você já sabe de toda a verdade.

– Não estou com raiva de você – disse, por fim – Mas eu ficaria feliz se tivesse um tempo para pensar em tudo que eu ouvi, apenas alguns dias; espero que não se importe.

– Claro que não me importo – garantiu – O importante é que você me perdoe.

– Talvez as coisas não sejam como antes – dei de ombros – Mas quero muito que você participe da minha vida, da vida da Caroline e, é claro, da do bebê.

– Nada me deixaria mais feliz – sorriu.

Terminamos de almoçar falando apenas de assuntos casuais. Quando terminamos eu deixei a minha mãe na loja dela e em seguida telefonei para a empresa avisando que não estava me sentindo bem e fui embora para casa.

***

Já estava há horas mudando o canal da televisão quando ouvi barulho de chave abrindo a porta, Caroline tinha acabado de chegar. Só agora que eu percebi que já estava escuro do lado de fora.

– Você já está em casa... – pareceu surpresa ao me ver ali – Pensei que fosse chegar antes de você hoje.

– Não fui para o trabalho hoje a tarde – expliquei – Precisava ficar um pouco sozinho, então vim para cá.

Ela percebeu o meu tom de preocupação, pois foi imediatamente sentar-se ao meu lado.

– O que foi que aconteceu, Stef? – quis saber – Foi alguma coisa no almoço com a sua mãe? – balancei a cabeça afirmativamente.

Então contei tudo que minha mãe contou sobre a época em que ela e meu pai se casaram, sobre o motivo dela ir embora e também sobre o fato de Damon e eu não sermos filhos do mesmo pai.

– Sinto muito por isso, Stefan... – Caroline estava segurando a minha mão nesse momento – Deve ter sido horrível para você ter ouvido isso.

– Admito que não foi fácil, mas pelo menos agora eu sei a verdade – dei de ombros – Foi importante para me fazer seguir em frente.

– Tem razão – puxei a sua mão e dei um beijo na ponta dos seus dedos — Mas teve uma coisa que toda essa conversa com a minha mãe me ensinou.

– E o que foi? – ela voltou a perguntar.

– Tenho que fazer como ela, preciso correr riscos, correr atrás da minha felicidade, antes que seja demais – continuei segurando a sua mão – Por isso eu preciso te contar: Eu te amo, Caroline!

Notas finais
Pois é meu povo, o Stefan finalmente disse que ama a Care!!!!! Imagino que vocês estejam querendo matar por ter terminado o cap assim e não ter colocado a resposta dela (mas não me matem, eu sou muito nova para morrer, sem contar que assim vocês não vão saber a resposta da Care kkkkkkkkkkkkk) E o Stef ainda descobriu finalmente o motivo da sua mãe ir embora e ainda descobriu o motivo da briga do Damon e do pai; quem esperava por essa reviravolta...? *** Só para deixar vocês curiosos: no próximo cap além da resposta da Caroline finalmente vamos descobrir o sexo do bebê Steroline. *** Agora vocês comentem e digam o que estão achando Recomendações?