Changes Love

10 Capítulo 9 – Fazer o que é certo


Notas iniciais
Oi gente!!!! Sei que era para eu postar só amanhã, mas achei que o intervalo entre terça e quinta estava muito pequeno (e o intervalo entre quinta e terça é muito grande), então decidi passar a postar as segundas e quintas. E é isso Espero que gostem Nos vemos lá embaixo nas notas finais.

Caroline

Eu estava parada em frente a um lago e cruzei os braços observando o sol refletindo na água. Não sei exatamente onde estou, mas o local lembra muito a casa do lago da família de Elena, com algumas pequenas diferenças, é claro.

– Mil dólares pelos seus pensamentos... – a voz inconfundível de Stefan entrou pelos meus ouvidos, seguido por um par de mãos me envolvendo pela cintura.

– Acha mesmo que meus pensamentos valem mil dólares? – me virei para encará-lo enquanto perguntava.

– Acredite em mim, Care – depositou um beijo nos meu ombro – Seus pensamentos valem toda a fortuna do mundo.

– Desse jeito eu vou acabar me achando... – dessa vez eu me virei totalmente para ele e enrosquei os braços nos seu pescoço.

Ele abaixou a cabeça para poder encostar os lábios nos meus em um beijo calmo e delicado.

– Eu só estava pensando em como posso estar tão feliz – encostei a testa na dele enquanto falava – As vezes acho que estou sonhando e que vou acordar há qualquer momento.

– Acredite, meu amor, você não está sonhando – garantiu – Isso tudo aqui é mais do que real.

Stefan retirou uma das minhas mãos da sua cintura e entrelaçou os meus dedos nos dele para poder levá-la aos lábios. Foi só nesse momento que eu percebi a enorme e reluzente aliança de casamento.

– Eu tenho a tarde toda livre hoje – continuou – O que é que você quer fazer hoje, senhora Salvatore?

– Mamãe! – antes que eu pudesse falar alguma coisa, uma garotinha veio correndo na nossa direção.

– Oi, minha princesinha... – me ajoelhei para ficar na altura dela assim que ela estava perto o suficiente – Está tudo bem.

Nesse momento pude ver mais detalhes da menina a minha frente. Ela tinha os cabelos em um tom de loiro um pouco escuro que os meus, seus olhos são em um tom entre o azul e o verde, seu rosto lembrava muito o meu em algumas fotos que minha mãe tem espalhadas em casa.

– Eu estou com fome! – explicou.

– Acho que já descobri o que vamos fazer hoje, Stef – voltei a falar com ele – Vamos sair para almoçar e passamos a dia inteiro batendo perna na rua, o que acha?

– É uma excelente ideia – Stefan concordou enquanto também se ajoelhando perto da nossa filha – E onde é que você quer comer? Algum lugar em especial?

– Quero comer um hambúrguer bem grande – abriu um grande espaço entre as duas mãos para tentar demonstrar o tamanho do hambúrguer que ela quer – Estou com muita fome.

– Mas você não se parece com a sua mãe só na aparência, mas no apetite também – começou a fazer cócegas nela, que ficou rindo e se contorcendo e indo cada vez para mais perto de mi – Minha mini- Caroline.

– Não liga para o que o seu pai diz – sussurrei para ela – Ele está com inveja da nossa capacidade de comer sem engordar.

– Então acho que é melhor eu levar os meus dois sacos sem fundo para almoçar – Stef pegou a nossa filha no colo – Vamos lá!

– Oba! – levantou os dois bracinhos, totalmente animada.

– Eu já disse que te amo hoje? – perguntei enquanto apoiava o queixo no seu ombro.

– Eu também te amo, Care – sorriu enquanto falava – Alias, amo vocês duas! – me deu um selinho antes de dar um beijo na bochecha da garotinha no seu colo.

O toque do meu celular fez com que eu acordasse assustada, mas antes mesmo que eu pudesse pegar o aparelho para ver que era, ele parou de tocar. Eu me sentei e precisei de alguns segundos para perceber que eu continuava no meu quarto, na minha cama; aquilo tinha sido apenas um sonho, por mais real que possa ter parecido.

– Perfeito! Agora eu estou enlouquecendo... – suspirei pesadamente e passei a mão pelo cabelo – Era só mesmo o que está faltando.

Decidi me levantar, um pouco temerosa, pois costumava ser nesse momento que os enjoos começavam. Por sorte, não senti nada no momento em que coloquei os pés no chão, mas é claro que não é motivo para comemorar, ainda preciso ser cautelosa.

Decidi pegar o celular para descobrir quem estava me ligando tão cedo, era o Stefan. Antes que eu pudesse retornar a chamada, chegou uma mensagem de texto dele.

Bom dia, mamãe mais linda!

Só liguei para saber como é que você está se sentindo hoje, mas como você não atendeu, decidi te mandar essa mensagem.

E quero reforçar o que eu disse ontem sobre querer vocês hoje, então me retorne assim que ler isso.

Beijos,

Stefan.

Foi impossível não abrir um sorriso bobo ao ler aquela mensagem. Ainda me lembro de quando Elena estava grávida e como ela ficava irritada quando falavam com ela no plural,decididamente as coisas não serão assim comigo; não sei se é o jeitinho do Stefan de me tratar que deixa tudo mais do que especial, mas eu achei isso fofo.

Exatamente como ele tinha me pedido na mensagem, comecei a procurar o número dele na agenda para poder ligar. Stef deveria estar com o telefone na mão, pois demorou apenas um toque para atender.

– Care! – disse imediatamente – Confesso que não esperava que você fosse ligar agora. Achei que fosse esperar uma ou duas horas e depois seria obrigado a ir para verificar se você estava viva.

– Eu já disse o quanto você é dramático, Stefan? – revirei os olhos – Certo, eu não vou mentir, estava dormindo e a sua ligação me ligou, mas quando fui atender, você tinha desligado.

– Ouvir Caroline Forbes dizer que ainda estava dormindo as dez horas da manhã é basicamente um milagre, mesmo hoje sendo sábado – brincou.

– Eu estou grávida, os hormônios me fazem sentir sono praticamente o dia inteiro – lembrei – A doutora Fell disse que eu posso usar a desculpa dor hormônios para praticamente tudo, então é melhor você ir se acostumando.

– Já que serão longos meses, mas acho que eu aguento – afirmou – Mas então, já pensou no que vai fazer hoje?

– Estava pensando em ir até o parque tirar umas fotos – respondi – Já faz tanto tempo que eu não faço isso e admito que sinto muita falta.

– Vou te encontrar lá então – avisou – Você vai estar perto daquele parquinho que fica ao lado do lago?

– Sim – afirmei com a cabeça, era para onde eu sempre ficava quando ia ao parque que ficava perto da minha casa – Mas e quanto ao Damon? Eu já te disse que não quero atrapalhar o seu tempo com ele; você pode me ver qualquer época do ano, mas seu irmão só vai estar aqui durante as férias de verão.

– Damon não está aqui – explicou – Ele disse que ia visitar um amigo que não vê há muito tempo, então eu estou livre hoje.

– Se você diz – dei de ombros – Vou comer alguma e depois vou sair daqui.

– Te encontro daqui há uma hora lá no parque – completou – Está tudo bem para você?

– Claro, eu te espero lá! – concordei antes de desligar.

***

Estava fazendo um lindo dia e eu fui caminhando até o parque aproveitando para tomar um pouco de sol. Várias pessoas tinham tido a mesma ideia que eu e foram aproveitar o sábado ao ar livre, o local estava lotado.

Peguei a minha câmera e comecei a fotografar: as folhas no chão, as árvores cheias de flores, um pássaro que passou voando e até mesmo uma família de patos que nadava no lago. A natureza era mesmo incrível e quando tirada no momento perfeito nos proporcionava fotos maravilhosas.

– Admito que fotografar bichinhos até que é fofo, mas você já pensou em alguns modelos nus? – me viro a tempo de encontrar Stefan parado há poucos metros de mim, ele estava de braços cruzados e tinha um sorriso divertido no rosto – E o melhor de tudo é que você tem um voluntário bem aqui.

– Sabe que você me deu uma boa ideia... – fui me aproximando e coloquei os braços em volta do seu pescoço quando cheguei perto o suficiente – Acontece que eu sempre tive o sonho secreto de trabalhar em uma dessas revistas com fotos de cara sem roupa, talvez eu peça demissão e corra atrás disso, acho que pode ser o momento certo para correr riscos.

– Engraçadinha... – fez uma careta para mim – Mas eu quis dizer que você pode tirar fotos minhas e de mais ninguém.

Com ciúmes é...? – fique fazendo carinho na sua nuca com as minhas unhas – Não conhecia esse seu lado, senhor Salvatore...

Vamos ter um bebê, é bom você ir se acostumando – completou.

Em vez de ficar nessa, o que acha de dar uma olhada nas fotos que eu tirei – sugeri – Não querendo me gabar, mas elas estão ótimas, tenho certeza de que você vai gostar.

– Claro que eu quero ver... – afirmou.

Ele me abraçou pela cintura e colocou o queixo no meu ombro enquanto eu passava as fotos lentamente pelo viso da câmera. De repente, Stefan colocou uma das mãos sob a minha barriga, esse foi um gesto quase que automático e eu não pude deixar de dar um sorriso bobo.

– Tenho uma ideia! – disse, em seguida – Vai até ali – apontei para a árvore bem em frente a nós.

– E por que você quer isso? – me olhou totalmente em dúvida.

– Essa história de modelo nu me deu uma ideia – expliquei – Mas não se preocupe, não vou fazer você tirar a roupa aqui no meio do parque; até porque tem crianças por perto...

– Se você diz que eu posso confiar em você... – concordou antes de ir para o lugar em que eu pedi – É só isso?

– Apóia a mão no tronco e faz uma cara de tédio – pedi – Igual os modelos fazem nas fotos.

– Isso é sério, Care? – reclamou – Acredite em mim, não tenho a menor vocação para modelo e não estou exagerando nem um pouco quando digo que essas serão as piores fotos que você já tirou na sua vida.

– Por favor, é só um minutinho... – tentei fazer a minha melhor cara de “cachorro sem dono”, mas não sei se eu tive muito sucesso – Será que eu vou precisar usar a desculpa da gravidez novamente? Dizem que quando você contraria uma mulher grávida fica com tersol.

– Tudo bem, já sei que nada do que eu disser vai te convencer mesmo – revirou os olhos e apoiou a mão como eu tinha pedido.

Como sou a editora de fotografia da revista, costumo acompanhar as sessões foto, principalmente as da matéria de capa e tenho aprendido muita coisa nelas. Então tentei usar todos esses “truques” para ver se davam mesmo certo.

– Vai demorar muito, Care? – voltou a reclamar depois de alguns minutos e vários cliques – Já estou ficando cansado aqui...

– Eu já disse o quanto você é impaciente, Stef? – ri enquanto dava uma parada para olhar pelo visor e ver como estavam as fotos que eu já tinha tirado – Só para você saber, estão ficando ótimas; você deveria largar a empresa da sua família e tentar a carreira de modelo.

– Sei..., vou fingir que acredito em você – revirou os olhos – Mas acho que eu prefiro continuar onde eu estou, é mais seguro.

– Acho que você tem razão, melhor mesmo você não virar modelo – concordei – Dá mesma maneira que você pode sentir ciúmes de mim, pode ficar da mesma maneira em relação ao pai do meu bebê; não é mesmo?

– É, acho que faz sentido... – concordou indo até onde eu estava e me deu um selinho – Será que agora eu posso ver as fotos?

Como eu tinha feito antes, mostrei para ele as fotos. Cada uma que passava, Stefan fazia uma careta de desaprovação.

– Não acredito que você realmente teve coragem de dizer que eu levo jeito para isso – disse – Essas fotos estão horríveis.

– Pois eu não acho... – dei de ombros – Vou até mandar relevar essas fotos e colocar na sala; ou melhor, vou colocar como papel de parede no meu computador da revista, assim todos podem ver.

– Engraçadinha... – eu estava distraída, o que facilitou para que ele conseguisse tirar a câmera da minha mão – Você já tirou muitas fotos minhas , acho que está na hora você servir de modelo.

Coloquei a mão na frente da lente, mas Stef já tinha batido uma foto; que provavelmente tinha ficado totalmente desfocada.

– De maneira nenhuma... – respondi.

– Uma fotografa que não gosta de tirar fotos de si mesma – balançou a cabeça negativamente, ao mesmo tempo que tirava mais uma foto, que também deve ter ficado horrível – Será que eu preciso dizer o quanto isso parece errado.

– A maioria dos fotógrafos não gostam de aparecer em fotos – dei de ombros – Além disso, eu não sou fotogênica.

– Pois eu discordo... – passou a mão pelo meu queixo – Ouvir dizer que está na moda essa história de mulheres grávidas tirando foto acompanhando a gestação e depois fazendo um álbum. Seria legal se você fizesse, até mesmo para mostrar para o bebê depois.

– Um álbum em que vai ter fotos minhas em que eu vou estar cada vez mais gorda? – fiz uma careta – De maneira nenhuma..., vamos arranjar outra coisa para guardar para o bebê: um ursinho de pelúcia, uma jóia de família, qualquer coisa assim.

– Como você é sem graça, Caroline Forbes – me puxou para mais perto si antes de afastar um pouco a câmera para tirar uma foto nossa – Vê como ficou essa foto? Não sei mexer nisso.

– Deixa comigo... – peguei a câmera para poder mexer nas configurações e logo eu e Stefan aparecemos no visor, com os rostos colocados e sorrindo genuinamente – Até que não ficou tão ruim assim.

– Concordo... – falou antes de me beijar mais uma vez – Essa foto eu até deixo você colocar no papel de parede do seu computador — sorriu e eu imitei o seu gesto.

***

Ainda passei uma meia hora ali tirando fotos da natureza. Stefan passou a maior parte do tempo tentando me atrapalhar e querendo me fazer rir de qualquer maneira.

– Cansei... – disse em algum momento – Acho que já passei muito tempo em pé hoje, preciso sentar um pouco.

– Vamos para aqueles bancos que ficavam em frente ao parquinho das crianças – Stef sugeriu – Tenho uma ideia, por que você não vai indo para lá enquanto eu vou comprar água para nós?

– É uma excelente ideia – concordei – Para falar a verdade, eu estou mesmo com um pouco de sede. Água agora não seria uma má ideia.

– Seu pedido é uma ordem, senhorita Forbes – me deu mais um selinho antes de se afastar – Volto em alguns minutos...

Guardei todo o meu equipamento dentro da bolsa da câmera e fui caminhando na direção do banco de madeira vazio e me sentei lá. Várias crianças estavam brincando no parquinho, então eu fiquei ali observando eles se divertirem como se não houvesse nenhum tipo de preocupação no mundo.

– Daqui há alguns anos é você quem vai estar bem ali – coloquei uma das mãos sob a barriga e lá estava eu, mais uma vez, falando com o meu bebê – Pode acreditar em mim, essa será uma das melhores épocas da sua vida, e você também fará amigos verdadeiros no processo; foi assim que eu conheci a sua tia Elena.

Estava ligeiramente distraída com a minha “conversa” quando ouvi um barulho, uma das crianças caiu do balanço e começou chorar histericamente por causa disso. Uma mulher, que imaginei ser a mãe, correu até ele no mesmo instante.

– Fica calmo, meu filho... – falou calmamente, tentando fazê-lo parar de chorar, mas não estava adiantando nada – Foi apenas um arranhão. Vamos para casa, então eu limpo o seu machucado, passo alguma coisa ai e você vai estar como novo.

Infelizmente, mesmo com todas as tentativas da mãe, o garoto não estava se acalmando. Comecei a sentir as lágrimas se acumulando no canto dos olhos só de me imaginar no lugar daquela mãe.

– E aqui está! – Stefan se sentou ao meu lado e me entregou uma das garrafas de água que estava segurando – Está tudo bem, Care? Você estava chorando?

– Eu estou bem sim, Stef – tentei limpar o meu rosto rapidamente – Nada com o que você precise se preocupar.

– Como é que eu não vou me preocupar, Care? – segurou o meu rosto para que pudesse me olhar melhor – Estava tudo bem há menos de cinco minutos, então eu volto e você está aqui chorando. Você sabe muito em que pode me contar qualquer coisa que esteja te preocupando, Care, qualquer coisa mesmo.

O garotinho começou a chorar ainda mais alto, o que chamou a atenção de Stefan. Foi então que ele ficou olhando para aquela cena e para mim repetidas vezes.

– É por causa disso que você está chorando? – balancei a cabeça afirmativamente – Você está mesmo falando sério, Caroline?

– Eu não vou dar conta disso, Stef... – falei, por fim – Uma criança, um bebê principalmente, exige cuidados: dar de mamar, dar banho, trocar a fralda, levar ao médico..., e imagina quando ela começar a chorar? Acho que eu vou acabar chorando junto.

– Você só está assustada agora, Care – colocou uma mexa do meu cabelo e colocou atrás da minha orelha – Acredite, eu também estou assustado também, é muita informação mesmo, mas nós ainda temos uns sete meses para nos prepararmos e vai dar tudo certo.

– Quando eu era mais nova e ia naqueles festivais do colégio costumava ganhar peixes naqueles jogos de argola e eles nunca sobreviviam mais do que três ou quatro dias; sem contar que eu sempre quis ter um cachorro e minha mãe não deixava alegando que trabalhava o dia inteiro e que tinha certeza de que eu não iria cuidar dele como deveria, e no fundo ela tinha toda razão – soltei um longo suspiro e passei a encarar o teto – Acho que a natureza não deveria permitir que alguém como eu fosse mãe.

– Não fala besteira, Care, você vai ser sim uma ótima mãe – garantiu – Você já ama esse bebê mais do que tudo e isso é o mais importante; o resto, o que vem depois, são apenas conseqüências disso.

– Eu devia ter trabalhado de babá durante as férias enquanto estava no colégio, estaria bem mais preparada agora – continuei – Mas ao invés disso eu preferia ir para a casa do meu pai para trabalhar no estúdio de fotografia da cidade.

– Você escolheu trabalhar em uma coisa que você gostava – lembrou – Tenho certeza de que ser babá não influenciaria em ser ou não uma boa mãe.

– Mas me ajudaria a saber o que fazer em momento de crise – dei de ombros – É bem capaz da nossa filha me odiar aos cinco anos quando ela perceber a péssima mãe que vou ser para ela.

– Você sabe que podemos ter um menino não é? – colocou o braço sob os meus ombros enquanto perguntava – Não sou médico e não entendo muito dessas coisas, mas acho que ainda faltam alguns meses para podermos descobrir isso.

As lembranças do sonho que eu tive hoje de manhã ainda estavam vivas na minha mente, não só pelo fato de que Stefan e eu estávamos juntos e felizes, mas também pela garotinha me chamando de “mamãe”. Aquele rostinho angelical, o sorriso, era tudo tão genuíno.

– Tenho certeza de que vai que vai ser uma menina, não me pergunte como eu sei, é apenas instinto de mãe – expliquei – Imagine, a nossa pequena Scarlett...

– E o vento levou... — revirou os olhos enquanto acrescentava – Já deveria imaginar.

– Meu filme favorito em todo esse mundo – afirmei – Acho que eu devia ter uns oito ou nove anos quando decidi que quando eu tivesse uma filha colocaria nela o nome Scarlett, e é melhor você não me contrariar nisso.

– Não vou contrariar, eu gosto de Scarlett, é fofo – garantiu – Mas mesmo que você tenha total certeza que vai ser uma menina, ainda pode ser um menino. Já pensou em algum nome para ele?

– O que acha de Stefan Júnior? – respondi – Acho lindo quando o menino tem o mesmo nome do pai.

– Não sei se uma ideia tão boa assim... – fez uma careta – Tinha pensado em algo como Thomas, o que acha?

– E aqui estamos nós, escolhendo como nosso bebê iria se chamar sentados em um banco do parque. Por mais incomum que essa situação possa parecer, ela está tornando tudo cada vez mais real.

– É perfeito... – concordei – Está decidido, nosso bebê já tem um nome: Thomas se for menino e Scarlett se for menina.

– E sendo Thomas ou Scarlett vai ficar tudo bem esse bebê – colocou a mão sob a minha barriga – Sei disso porque eu vou estar bem aqui, junto com você, para o que for preciso. Não tive uma figura paterna muito presente na minha infância, nem mesmo quando minha mãe foi embora, por isso mesmo eu quero ser o melhor pai possível e faço qualquer coisa para isso: trocar fralda, acordar no meio da noite, levar para passear...

– Eu realmente agradeço mesmo pelo seu apoio, Stef – foi impossível não dar um sorriso bobo nesse momento – Toda essa história de gravidez, um bebê que vai depender totalmente de mim para tudo..., não sei se conseguiria passar por isso tudo sozinha. Talvez as coisas entre nós não tenham acontecido da maneira mais tradicional, mas você é meu melhor amigo e acho que não poderia escolher alguém melhor para ser o pai do meu bebê.

– Pode ter certeza de que eu também me sinto mais do que honrado por ser o pai de um filho seu — garantiu.

Segurou uma das minhas mãos e puxou o meu rosto para poder me dar um rápido e singelo beijo nos lábios.

– Acho que o pequeno Thomas ou a pequena Scarlett está com vontade de tomar sorvete – avisei – Mas não é qualquer sorvete, aquele de chocolate e calda, da sorveteria perto da sua casa.

– Quanta exigência... – brincou enquanto ria.

– A culpa é dele, não minha – avisei – E é melhor você arranjar logo para mim, a não ser que você queira que o nosso bebê nasça com cara de sorvete de chocolate.

– Por mais que sorvetes sejam bonitos, não sei se quero que o nosso filho se pareça com um – concordou – Meu carro está aqui perto, vamos até a sorveteria e depois vamos para o meu apartamento; podemos ver um filme lá.

– Acho uma excelente ideia – respondi, por fim.

Stefan pegou a bolsa da minha câmera e segurou a minha mão. Então fomos caminhando na direção da entrada do parque.

***

Por fim, eu acabei tomando duas poções de sorvete de chocolate com calda. Na hora me pareceu uma boa ideia, mas isso só durou até o momento em que eu entrei no apartamento de Stef; o já conhecido enjoo subiu pela minha garganta e só tive tempo de correr até o banheiro para colocar tudo para fora.

– Ainda bem que o Damon não está aqui... – com toda a dificuldade do mundo eu tinha conseguido me levantar e ir até a pia, meu amigo veio parar ao meu lado quase que imediatamente – Seria difícil explicar isso para ele.

– É para isso que serve a desculpa de intoxicação alimentar – colocou a mão nas minhas costas enquanto eu lavava o rosto – Não teria porque ele desconfiar disso.

– Eu tinha ficado tão feliz por ter acordado bem hoje, mas agora... – continuei – Não tem ideia do quanto eu odeio esses enjoos.

– Você não vai ficar assim para sempre, Care, logo isso vai melhorar – deu um beijo no meu ombro – Vamos lá para o sofá, vou pegar um copo d’água bem gelado para você.

Então ele me ajudou a caminhar de volta para a sala e me fez sentar no sofá antes de ir na direção da cozinha. Voltou alguns minutos e me entregou o copo cheio de água gelada.

– Obrigada, Stef... – agradeci antes de beber a água e Stefan se sentou m frente a mim.

– Se você quiser eu posso te levar para casa – sugeriu – Imagino que você esteja querendo descansar, talvez dormir um pouco. Afinal, você acabou de passar mal.

– Stefan, caso você ainda não tenha percebido, eu passo pelo menos uma vez ao dia – lembrei – Se eu for descansar todas as vezes não vou fazer mais nada na vida.

– Se você diz – deu de ombros – Então será que você está bem o suficiente para termos uma pequena conversa.

– Mas é claro que sim... – afirmei enquanto me ajeitava um pouco – Sobre o que você quer conversar?

Ele ficou bem nervoso de repente. Segurou a minha mão, então eu percebi o quanto ele estava suado.

– Está mesmo tudo bem, Stef? – decidi perguntar – Agora é você quem está me deixando preocupada.

– Tenho pensado muito desde ontem a noite quando eu te deixei em casa; sobre nós, o bebê e qual é a coisa a certa a se fazer agora – falou, nossas mãos continuavam entrelaçadas – Casa comigo, Caroline?

– O que...? – me afastei totalmente assustada – Mas é claro que não!

– Uau, Care, você sabe mesmo mexer com o ego de um cara – deu um sorriso sem graça – Eu te peço em casamento e você diz não como se eu estivesse te pedindo para virar uma assassina em série.

– Não é isso, Stef... – apressei-me em explicar – Você é meu melhor amigo, já está mais do comprovado que a gente se dá muito bem juntos e admito, eu ficaria mais do que honrada em me casar com você, mas não assim, não pelos motivos errados.

– Nós vamos ter um bebê juntos, Care – lembrou – Não acha que esse é um motivo certo o suficiente? Nosso filho ou nossa filha merece ter o pai e a mãe por perto, como deve ser.

Filho não é garantia de um casamento feliz, Stef – argumentei – E nós dois somos a prova viva disso.

Assim como Stefan, eu também sou filha de um “lar desfeito”, por assim dizer. Meus pais foram namorados na época da escola, mas acabaram terminando depois da formatura, então, alguns anos depois, acabaram tendo uma recaída e minha mãe ficou grávida, o que os fez decidirem se casar. Os dois nunca tiveram algo que eu pudesse chamar de relacionamento feliz e lembro que passavam mais tempo brigados que qualquer outra coisa e quando eu tinha oito anos eles decidiram se separar definitivamente. Sofri muito com isso e decididamente não quero correr o risco de fazer a mesma coisa com essa criança.

– Olha, eu sei que você sofreu demais por não ter um pai presente na infância e pela sua mãe ter ido embora quando você tinha dez anos e quer garantir que o nosso bebê não tenha o lar mais estável possível – continuei – Mas as coisas entre nós já aconteceram da maneira mais errada possível e tenho medo de que um casamento só piore ainda mais toda a situação.

Ele ficou encarando um ponto qualquer do sofá. Não sabia o que meu amigo estava pensando

– Tudo bem, acho que você tem razão – concordou por fim.

– Por favor, só não fica chateado – pedi – É que eu preso muito a nossa amizade e de maneira nenhuma quero acabar com isso.

– Já disse que entendi, Care – garantiu – Acho que eu estava tão preocupado em querer fazer a coisa certa pelo bebê, que não pensei nas consequências desse meu pedido.

– As consequências de verdade já aconteceram, agora tudo que nos resta é curtir momento – voltei a colocar a mão sob a barriga para deixar claro do que estava falando – Mas se você quer mesmo fazer a coisa certa, o que acha de rotularmos o nosso relacionamento?

Stefan abriu e fechou a boca várias vezes, bem confuso com a minha nova sugestão.

– Isso é um pedido de namoro? – decidiu perguntar – Porque se for, é o pedido de namoro mais estranho que eu já vi na minha vida.

– Talvez... – revirei os olhos e sorri – Tenho pensado nisso há algum tempo: como eu disse antes, nós não começamos da maneira tradicional, mas as coisas foram acontecendo, os dois estão curtindo e nós só não chamamos isso aqui de namoro por um mero detalhe; mas agora, com o bebê chegando, talvez fosse a hora de começarmos a chamar isso de namoro.

– É um bom argumento para mim – concordou – Mas não acha que eu deveria fazer esse pedido?

– Quanto machismo, senhor Salvatore – brinquei – Mas se é assim que você quer, me pede em namoro então...

Ele se levantou e ficou de joelhos na minha frente, em seguida segurou uma das minhas mãos.

– Caroline Forbes – tentou usar um tom de voz sério, mas foi difícil esconder o sorriso – Você aceita ser a minha namorada?

– Sim! – respondi logo em seguida, sem conseguir parar de balançar a cabeça afirmativamente.

Meu amigo, ou melhor, meu namorado, me ajudou a ficar de pé. Então segurou a me cintura, me fazendo rodar.

– Stef..., Stef...! – o chamei – Desse jeito eu vou ficar enjoada se você continuar a me girar desse jeito.

– Desculpa – pareceu mesmo sem jeito – Só quero que você saiba que estou muito feliz por você ser oficialmente a minha namorada.

– Também estou muito feliz com isso – afirmei – Aliais, nós “duas” estamos felizes.

E nos segundo seguinte estávamos nos beijando.

Notas finais
E ai o que acharam? O que acharam do surto básico da Caroline? E ainda teve a parte em que eles estavam escolhendo os nomes do baby, fofos né? E o pedido de casamento do Stefan? Ela disse não, mas como sabemos eles vão sim casar, o que será que vai fazer ela mudar de ideia? Além disso, agora o Stefan e a Caroline estão oficialmente namorando. O que será que vai acontecer a partir de agora? *** Bom é isso Comentem e digam o que estão achando.