Changes Love
11 Capítulo 10 – O passo seguinte
Notas iniciais
Stefan
Dizem que os primeiro meses de namoro são sempre os melhores e é mesmo verdade, toda a descoberta de inicio de relacionamento é mesmo uma coisa incrível. Já tinha passado por isso antes, mas com a Caroline está sendo ainda melhor; mesmo que já estivéssemos meio que “juntos” antes, agora que oficializamos as coisas estão mais do que especiais. Nunca pensei que algum dia pudesse estar tão feliz quanto agora.
– Isso é tão estranho... – Care estava sentada na bancada da pia balançando as pernas para frente e para trás, enquanto eu estava em frente ao fogão fazendo as panquecas para o nosso café da manhã – Não..., acho que a palavra certa é: surreal.
– Será que eu posso saber o que é surreal? – parei o que estava fazendo por alguns segundos e a olhei.
– Isso daqui: você arrumado para ir para a empresa da sua família e fazendo o nosso café da manhã, eu aqui também pronta para ir ao trabalho te observando cozinhar – disse – Parece um quadro de uma família perfeita, quase um casal recém-casado.
– Achei que essa fosse a ideia – dei de ombros – Quero dizer, talvez não a parte do casal recém-casado, mas a ideia de oficializarmos o namoro foi para ver como as coisas entre nós funcionavam como casal.
– Eu sei disso, Stef – afirmou – É só que tudo parece perfeito demais, tenho medo de que alguma coisa acabe acontecendo e estrague tudo de alguma forma.
– Deixa de bobagem, Care, nada vai dar errado – me aproximei dela e coloquei a mão no seu rosto – Vai dar tudo certo e nós ainda vamos ser mais do que feliz; eu, você e o bebê.
– Sei disso – afirmou antes de soltar um longo suspiro – É só que...
– Não fala mais nada... – meu rosto agora estava a poucos centímetros do dela – Estamos felizes, estamos curtindo isso e é tudo que importa, pelo menos por enquanto.
– Sim – concordou – É mesmo tudo que importa.
Eu a beijei. Caroline soltou um pequeno gemido de surpresa antes de corresponder ao beijo e colocar os braços em volta do meu pescoço, enquanto isso eu puxei as suas pernas fazendo com que as enroscasse na minha cintura.
– Melhor agora? – perguntei depois de me afastar, mantendo as nossas testas coladas.
– Sim... – deu um sorriso bobo antes de falar – Não sei como, mas você sempre tem o poder de me acalmar, não importa qual seja a situação.
– Pois saiba que eu estarei sempre aqui para te acalmar – garanti – Não importa qual seja a situação.
Ela deu uma mordidinha de leve no meu lábio inferior antes de voltar a me beijar, e foi a minha vez de soltar um pequeno gemido em resposta.
– Eca...! – a voz do meu irmão fez com que nos afastássemos no mesmo instante, me virei na direção da porta da cozinha e ele estava encostado no batente com os braços cruzados e uma cara de nojo – Eu estou em casa também, caso tenham se esquecido, sem contar que sexo na cozinha parece algo meio nojento.
– Já estou terminando o nosso café da manhã – mudei de assunto rapidamente, mexi nervosamente no cabelo e me virei na direção, a panqueca que eu tinha esquecido na frigideira tinha ficado totalmente queimada, então precisei jogá-la no lixo – Espero que goste de panquecas.
– Levando em consideração que estamos comendo panquecas desde domingo... – observou – Talvez para você não seja assim, irmãozinho, mas para mim, comer a mesma coisa durante cinco dias seguidos pode torná-la um pouco enjoativa.
Cinco dias seguidos? Já? Tudo bem, tenho que admitir que pode parecer um pouco de exagero comer a mesma coisa por todos esses dias consecutivos, mas quando Caroline me olha daquele jeitinho dizendo que está com desejo de comer panquecas, simplesmente não consigo resistir. Talvez isso seja algo que apenas um cara apaixonado ou um pai babão é capaz de fazer, mas não ligo, sou mesmo essas duas coisas.
– Acontece que me deu vontade de comer panqueca – foi minha namorada quem explicou – E o Stef fez o favor de preparar para mim, já que eu não sei nem mesmo ferver água.
– Isso é verdade... – concordei, o que a fez jogar um pano de prato em cima de mim.
– Então você tem sentido “vontade” de comer panquecas por cinco dias seguidos? – meu irmão a olhou de cima baixo – É..., cunhadinha, quase posso arriscar que em breve vocês dois vão me dar um sobrinho.
Eu e Caroline nos entreolhamos brevemente. Embora soubéssemos que logo não daria mais para disfarçar e que mais cedo ou mais tarde todos saberiam sobre o bebê; mas ainda não tínhamos conversado como iríamos tornar essa notícia pública.
– Ora, Damon, até parece..., você está imaginando coisas – disfarçou enquanto descia da bancada – Bom, acho que vou pegar o suco de laranja na geladeira e a geleia de morango para colocar na panqueca.
– Ótimo, as panquecas já estão prontas mesmo – avisei enquanto desligava o fogão e deixava a frigideira – Última chance, Damon, vai querer comer as panquecas ou não?
– Acho que vou ficar com as torradas – responde – É o que eu costumo comer de manhã quando estou em casa.
– Melhor para nós, Care – brinquei – Sobra mais panquecas para nós dois.
– Você quer dizer, vai sobrar mais para a sua namorada – meu irmão me corrigiu – Ontem mesmo ela comeu mais da metade das panquecas.
– Eu sinto muita fome de manhã, Damon – ela se explicou – Isso está bom o suficiente para você ou vai continuar insistindo que eu posso estar grávida – revirou os olhos tentando parecer o mais convincente possível.
– Tudo bem, você me convenceu – acabou concordando por fim.
Coloquei o prato com as panquecas e mais três pratos em cima da mesa enquanto Caroline ia até a geladeira pegar o suco e a geleia. Já o meu irmão foi até o armário onde ele já sabia que eu guardava o pacote de torradas e pegava duas antes de se juntar a nós.
– Então, Damon, eu tenho uma reunião com o papai hoje pela manhã, mas acho que não deve durar muito já que não estamos no meio de nenhuma produção – ele estava pegando um pouco de café quando comecei a falar – Você poderia ir até lá por volta do meio-dia e eu vou te levar até um excelente restaurante italiano; quem sabe o nosso pai não vai almoçar conosco? Vai ser como nos velhos tempos.
– Irmãozinho, por acaso essa é uma daquelas tentativas de me reaproximar do nosso pai? – quis saber – Porque você já tenta fazer isso há 11 anos, Stef, e até agora não teve sucesso; sugiro que você desista logo de uma vez...
Soltei um longo suspiro de frustração e passei a mão pelo cabelo. Quando Damon aceitou vir para cá pensei mesmo que você conseguir fazê-lo se aproximar da nossa família, algo que não aconteceu da última vez, ou pelo menos que ele tenha uma mínima convivência com a nossa irmã caçula; mas pelo jeito isso não vai acontecer.
– Não custava nada tentar... – apenas dei de ombros.
– Não se lamente Stef, mesmo que eu estivesse disposto a isso, hoje eu não poderia – explicou – Já marquei um almoço com outra pessoa.
– É com aquele seu amigo com quem você for se encontrar assim que chegou em Toronto? – perguntei.
– Exatamente... – afirmou com a cabeça.
– Estou começando a achar que esse “amigo” é na verdade uma amiga – Caroline comentou enquanto abri um sorriso divertido, fazendo com que meu irmão fizesse uma careta para ela. Esses dois vivem provocando e fazendo piadinhas um para o outro, eu fico apenas observando isso.
Apesar de tudo, Damon não confirmou nem negou aquela afirmação, o que me fez acreditar que talvez Care tivesse razão, mas preferi ficar quieto e não tocar mais no assunto.
– E quanto a você, Caroline? – me virei para a minha namorada enquanto voltava a falar – Está ocupada demais na revista ou está livre para ir almoçar comigo hoje?
– Eu preciso passar no centro da cidade para supervisionar um ensaio fotográfico da próxima edição da revista, mas é rápido, não devo demorar mais do que uns quinze minutos lá – avisou – Posso ir me encontrar com você depois disso. O que acha de irmos nessa restaurante italiano que você queria levar o Damon?
– É uma excelente ideia – concordei – Por mim está marcado.
Eu me inclinei para beijá-la de leve nos lábios. Obviamente esse gesto não passou despercebido pelo meu irmão mais velho, que fez uma careta de nojo quase que imediatamente.
– Vocês dois são tão melosos que chegam a me deixar enjoado – falou, por fim.
– Estou achando que você está precisando de uma namorada, Damon – Care observou – Quem sabe assim você fica menos amargo.
– Stefan, a sua namorada está me ofendendo... – reclamou se fingindo de ofendido – Você não vai falar nada sobre isso, irmãozinho?
– Já disse que não vou me meter entre vocês dois... – avisei – Só vou ficar aqui ouvindo a “briga”.
E assim as coisas prosseguiram durante o restante do café da manhã. Uma coisa eu posso afirmar com toda a certeza, as coisas nunca ficam entediantes com Damon e Caroline aqui em casa.
***
– Sei que você ficou chateado, Stefan... – estávamos no meu carro a caminho da revista quando Care comentou, tinha acabado de parar em um sinal vermelho, por isso pude me virar para ela.
– Do que você está falando, Care? – perguntei – Acha que eu fiquei chateado com o que?
– Quando você convidou o Damon para ir almoçar com você e ver se conseguia fazer ele e o pai de vocês voltarem a se falar – lembrou – Percebi que você ficou chateado por ele ter dito não.
E mais uma vez tudo que eu fiz foi soltar um longo suspiro. Tenho certeza de que o meu silêncio tinha sido mais do que esclarecedor a respeito do que eu estou sentindo no momento.
– Eu sei o quanto o Damon ficou chateado quando a nossa mãe decidiu ir embora de casa sem nem ao menos falar nada ou mesmo dar adeus, mas eu também fiquei chateado – colocou a mão sob a minha enquanto eu falava – Era para termos nos apoiado um no outro, talvez não fosse o suficiente, mas com certeza seria uma grande ajuda para esse momento tão difícil; ao invés disso, o Damon preferiu apenas culpar o nosso pai por tudo que aconteceu e ir embora na primeira oportunidade, exatamente como ela fez.
Não queria chorar, já tinha cansado de sofrer por ter sido abandonado pela minha mãe, mas era quase impossível não acontecer quando eu tocava nesse assunto. Antes mesmo que pudesse perceber algumas lágrimas já tinha se acumulado no canto dos meus olhos; imediatamente, Caroline colocou uma das mãos no meu rosto.
– Sei perfeitamente disso tudo, Stef,você tinha dez anos na época e é normal ficar com raiva da sua mãe e até mesmo do Damon pelo que aconteceu – usou um tom de voz calmo – Mas não acha que os dois devem ter motivos para fazer o que fizeram?
– Nada justifica, no caso da minha mãe, ter abandonado os filhos – argumentei – Você vai ser mãe, Caroline, por acaso existe algum motivo que te faria ir embora e abandonar o nosso bebê sem nem ao menos das notícias durante anos?
– Não... – balançou a cabeça negativamente – Nosso bebê ainda nem nasceu, ele ainda pode ser só um pequeno pontinho na ultrassonografia, mas já sei perfeitamente que existe motivo no mundo, por mais grave que seja, que me faria abandoná-lo.
– Então você entende o que eu estou falando... – completei – Talvez o casamento dos meus pais não tenha sido o mais feliz de todos, talvez minha mãe estivesse se sentindo sufocada com a vida que estava vivendo; mas se tem alguém nessa história que não merece nenhum tipo de perdão, é ela, não o meu pai.
– Não estou falando mais da sua mãe, Stef, e sim do Damon – continuou – Já pensou em perguntar para ele os motivos que o fizeram agir assim?
– Eu já perguntei, mais uma vez até – respondi – E tudo que ele sempre diz é que é uma situação complicada demais para explicar e eu já cansei de tentar descobrir.
– Bom, acho que eu tenho uma solução para fazer o seu pai e o Damon conversarem – nesse momento ela abriu um enorme sorriso – Ou pelo menos é uma ideia para deixá-los na mesma sala.
Antes que eu pudesse abrir a boca para perguntar qual era a ideia dela, começamos a ouvir uma buzina atrás de nós. Estávamos conversando tão distraidamente que não percebi que o sinal tinha acabado de abrir.
– Opa! É melhor nós irmos – pisei no acelerador e saí com o veículo, voltando minha atenção totalmente para o transito a minha frente – Mas pode ir falando, no que você pensou?
– O bebê – respondeu – Como você sabe, uma hora ou outra teremos que contar para as pessoas sobre a minha gravidez. Por que não fazemos um jantar na casa do seu pai para isso, posso chamar os meus pais para virem a Toronto e resolvemos logo essa situação de uma vez por todas. É como matar dois coelhos com uma cajadada só.
– Não acho que seja uma boa ideia, Caroline – suspirei antes de falar – A minha família já é complicada demais, não quero meter o nosso filho ou a nossa filha no meio de toda essa confusão antes mesmo de nascer.
– Acho que você tem razão – concordou – É mesmo bobagem querer colocar o bebê no meio, por mais que seja um motivo nobre. Por que as coisas precisão ser tão complicadas...?
– Eu nunca disse que ficar comigo era fácil – brinquei – E agora você está grávida e é tarde demais, agora você está presa a mim e a minha família maluca para sempre.
– Que animador... – não estava olhando para o rosto dela, mas tinha quase certeza que estava revirando os olhos.
Cheguei em frente ao prédio em que ficava a sede da revista e parei o meu carro.
– Obrigada pela carona, Stef – ela me deu um selinho antes de tirar o cinto de segurança – Eu te vejo na hora do almoço.
– Espera, Care – segurei sua mão antes que ela pudesse abrir a porta – Apesar da sua ideia maluca de basicamente prender o meu pai e Damon em uma sala até os dois voltarem se falar, você até que disse uma coisa certa.
– O que exatamente eu disse de certo? – ela quis saber.
– Sobre precisarmos contar sobre o bebê – lembrei – Conseguimos fazer piada com o comentário do Damon hoje, mas logo a barriga vai começar a aparecer e não vamos mais conseguir disfarçar.
– Sei que temos que começar a contar, só não sei ainda como – disse – Pensei que esse jantar seria uma boa ideia, assim já contaríamos para todos logo de uma vez, mas...
– Mas nós vamos contar aos poucos... – entrelacei os nossos dedos e fiquei fazendo movimentos circulares com o polegar na sua mão – Vai dar tudo certo, Caroline, não é o fim do mundo.
– Só fico imaginando como vai ser quando eu for dar a notícia para a minha mãe – continuou – “Oi, mãe! Sim, está tudo bem por aqui. A propósito, eu estou grávida”, garanto que ela vai surtar.
– Lembre-se que essa foi a mesma mãe que disse no dia da sua formatura da faculdade que “agora só faltavam os netinhos”, acredite em mim, ela vai amar – garanti – Sem contar que eu vou estar ao seu lado quando você fizer isso, te dando todo o apoio.
Caroline sorriu e eu beijei a ponta dos seus dedos.
– E, se você me permitir – pedi – Pensei em contar para o meu pai hoje, assim já começamos com isso.
– É mesmo uma boa ideia... – concordou – E assim nós ainda podemos ter uma ideia do que está nos esperando.
Caroline me deu mais um beijo antes de finalmente sair do carro e caminhou na direção do prédio. Mesmo sabendo que iria vê-la em algumas horas no almoço, de alguma maneira já estava sentindo saudades dela.
***
– Bom dia, senhor Salvatore – Emily disse assim que sai do elevador – Seu pai está te esperando.
Mas já? – fiquei verdadeiramente espantado, pensei que ele só fosse me chamar para a tal reunião lá pelo meio da manhã.
– Sim, ele disse que era para o senhor ir até a sala dele assim que chegasse – explicou.
Então avisa para ele que eu já estou indo – pedi – Só preciso passar na minha sala antes.
– Está bem, senhor Salvatore – afirmou com a cabeça.
Então eu fui até a minha sala deixando o meu paletó e meu celular no local. Em seguida fui encontrar o meu pai, que se levantou no momento em que eu passei pela porta.
– Stefan, meu filho, que bom vê-lo aqui – aproximou-se e deu um tapinha de leve nas minhas costas, vinda do senhor Giuseppe Salvatore essa é um atitude um pouco estranha – Você quer beber alguma coisa? Posso pedir um café para a Emily.
– Não precisa – garanti – Eu tomei café da manhã antes de sair de casa e estou bem satisfeito, não consigo comer ou beber nada agora.
– Se você diz – deu de ombros – Então se sente, vamos conversar um pouco.
Concordei antes de me sentar e ele foi para a sua cadeira costumeira atrás da mesa, bem em frente a mim.
– Conte-me como estão as coisas em casa – pediu – E como é que está a Caroline?
– Está bem – respondi – Já que estamos falando da Caroline eu queria te falar que nós...
– Espera, deixe-me terminar primeiro – me interrompeu – Imagino que eu esteja se perguntando por que eu te chamei até aqui hoje.
– Para falar a verdade, sim – disse.
– Bom, Stefan, eu andei pensando muito sobre tudo que você tem feito aqui na empresa – começou – Você se formou na faculdade há um ano e tem trabalhado aqui comigo na diretoria desde então; e preciso admitir que tem se saído muito bem com isso.
– Obrigado... – agradeci – Tenho feito o melhor para tentar ser útil aqui e para aprender todo o funcionamento da empresa.
– E, como você já sabe, pretendo ficar no comando por mais um ou dois anos, depois disso, você assume – continuou – Quero usar esse tempo para continuar a te preparar para ficar no meu lugar. Não vai mudar muita coisa, quero que você continue a participar das reuniões da diretoria, fechamento do mês e que leia todos os nossos contratos. A grande diferença é que agora você será o nosso vice-presidente.
– Vice-presidente? – falei com um pouco mais alto do que estava planejando, o que causou um pequeno eco na sala – Está mesmo falando sério? Acha mesmo que e tenho capacidade?
– Mas é claro – afirmou – Você certamente está fazendo por merecer e é já está na hora de você receber todas as vantagens que um vice-presidente merece.
– Se você diz... – tudo que eu consegui fazer foi dar de ombros – Vou fazer de tudo para ser o melhor vice-presidente que a Salvatore’s Entretenment já teve.
– Tenho certeza que sim – concordou – Agora vamos falar sobre algumas questões que envolvem estar no comando de uma das maiores empresa da cidade de Toronto na atualidade.
– O que quer dizer com isso? – quis saber, fiquei totalmente confuso nesse momento.
– Acho que você já deve ter percebido, não só por esse ano em que está aqui, mas pelo que provavelmente observou desde que era pequeno – apoiou as duas mãos sob o queixo – Ser presidente de uma grande empresa não implica apenas em cuidar do funcionamento das coisas, mas também tem a parte da vida social: reuniões, festas, coquetéis..., é preciso te alguém ao seu lado nem que seja apenas por aparência.
– Eu e Caroline estamos juntos, você sabe disso – lembrei – Ela é e tenho certeza que sempre será essa pessoa que ficará ao meu lado nesses momentos.
– Nunca duvidei disso – concordou – Mas o que eu estou dizendo é que está na hora de vocês dois oficializarem um pouco as coisas, isso é claro que você fique definitivamente no meu lugar na presidência.
– Você quer dizer, me casar com ela? – e mais uma vez eu voltei a elevar o tom de voz – Isso é ridículo, Caroline e eu estamos juntos há pouco tempo, apenas começamos a nos conhecer, ainda não é hora de nos casarmos.
– Vocês dois já se conhecem há anos e são melhores amigos, tenho certeza de que já conhecem o suficiente para se casarem – argumentou – Além disso, quanto mais cedo vocês se casarem, mais cedo podem ter um herdeiro que vai assumir essa empresa um dia no seu lugar.
– Não precisa disso tudo para que a gente tenha um filho, a Caroline já está grávida – cruzei os braços; essa não era a maneira que eu queria contar a ele, mas meu pai acabou me deixando sem escolha.
– Isso é melhor ainda, mais um motivo para vocês se casarem –pareceu bem satisfeito com o que tinha acabado de ouvir – Diga para a Caroline que você quer se casar por causa do bebê.
– Nós já conversamos sobre isso e não estamos com pressa – expliquei – Vamos continuar a curtir um ao outro, curtir essa gravidez, esperar o bebê nascer e talvez um dia a gente oficialize tudo.
– Essa é, sem dúvidas a pior ideia que eu já ouvi – balançou a cabeça negativamente – Você consegue imaginar o grande escândalo que cairia sobre a nossa família caso vaze essa história de que meu herdeiro, meu sucessor na empresa vai ter um filho fora do casamento? Eu estava disposto a te deixar esperar um ano para se casar, mas agora é melhor vocês dois se casarem o mais rápido possível, antes que a barriga comece a ficar evidente.
Foi só então que eu me toquei da gravidade da situação. Damon nasceu exatamente sete meses após o casamento dos nossos pais, o que significa que minha mãe estava grávida quando se casou e provavelmente os dois já sabiam disso.
– Foi por causa disso que você se casou com a minha mãe? – decidi perguntar – Para evitar o escândalo que seria o Damon nascer sem que os papéis estivessem assinados?
– Não estamos falando sobre mim e a sua mãe – mudou de assunto – E sim sobre você fazendo o que é certo, não só para a empresa, mas você, a Caroline e o bebê.
Meu pai mexeu na gaveta da sua mesa e colocou uma caixinha de veludo azul entre nós. Fiquei encarando em dúvida, mas ele balançou a cabeça afirmativamente deixando claro que era para eu abrir, foi o que eu fiz.
La dentro tinha um anel de ouro branco com várias pedrinhas em volta e uma grande pedra rosa em formato de coração no meio.
– Essa foi a aliança que eu dei para a sua mãe quando ficamos noivos – explicou – Talvez o nosso casamento não tenha tido um bom final, mas nós dois fomos muito felizes enquanto durou e tenho certeza de que trará sorte para você e a Caroline.
– Uau... – murmurei – Você pensou em tudo mesmo.
– Stefan, eu sei que a ideia de se casar agora pode te apavorar, mas acredito que você vai fazer a coisa certa – prosseguiu – Converse com a Caroline, explique a situação, tenho certeza de que vocês dois vão chegar a um acordo que satisfaça vocês dois.
– Claro, farei isso... – fechei a caixa e coloquei no bolso da minha calça.
***
O resto daquela manhã passou como um flash na minha mente, quando finalmente dei por mim estava no restaurante esperando Caroline, que não devia demorar muito para chegar aqui. Tinha chegado a hora de conversar com ela sobre o que o meu pai disse, eu não poderia estar mais ansioso e ao mesmo tempo mais temeroso.
Uns cinco minutos se passaram até que eu avistasse minha namorada entrando pela porta. Ela me viu e acenou antes de caminhar na direção da mesa em que eu estava.
– Oi, Stef! – me deu um selinho antes de se sentar – Desculpa a demora, é que a sessão de fotos demorou um pouco mais do que estava imaginando e como estavam precisando de mim, não tinha nem como eu sair de lá.
– Não tem problema – garanti – Não estou esperando há tanto tempo assim.
– Que bom... – sorriu antes de voltar a me encarar – Aconteceu alguma coisa? Você parece preocupado.
– É só o meu pai... – quanto mais cedo eu começasse essa conversa, mais rápido essa agonia terminaria – Uma coisa Damon tem razão, ele é um manipulador e está sempre armando para fazer exatamente o que ele quer.
– O que foi que aconteceu de tão grava na conversa com o seu pai? – quis saber.
Antes que eu pudesse abrir a boca para responder o garçom surgiu ao nosso lado.
– Já querem fazer o pedido? – ele estava segurando o bloquinho de notas e uma caneta, pronto para anotar o que quiséssemos.
– Eu vou querer um fettuccini com molho branco e bastante queijo ralo em cima – Caroline falou sem nem ao menos pensar duas vezes – Desde que marcamos o nosso almoço eu não consegui parar de pensar nesse fettuccini, sem contar que eu estou morrendo de fome.
– Não estou dizendo nada... – me defendi – E eu vou querer um bife à parmigiana. E duas sodas com limão, está bom para você, Care?
– Claro... – ela concordou.
– Certo – terminou de anotar tudo – Volto em alguns minutos com as suas bebidas.
Em seguida ele se afastou, nos deixando sozinhos mais uma vez.
– E então, Stef, continuando contando sobre a conversa com o seu pai — ela me incentivou – O que foi que ele disse? Você contou a ele sobre o bebê?
– Era melhor que eu não tivesse contando... – revirei os olhos – Agora ele quer que a gente se case.
– Como assim ele quer que a gente se case? – percebi uma grande surpresa e também a grande preocupação no seu tom de voz – Você não contou para ele sobre a nossa conversa? Não disse que não queremos nos casar apenas por causa do bebê?
– Sim, eu expliquei tudo isso – afirmei – Mas não adiantou.
Então contei para ela sobre tudo sobre a conversa que tive com o meu pai: a minha promoção para vice-presidente, a conversa dele sobre como era importante eu ter alguém ao meu lado por causa da minha imagem diante da empresa, como eu contei sobre o bebê e a conclusão dele de que era melhor que nós dois nos casássemos o mais rápido possível. Care apenas escutou tudo atentamente sem interromper nenhuma vez sequer.
– Mas é claro que não importa o que o meu pai pense sobre isso, nós dois temos a nossa opinião sobre o que é certo ou é errado para nós dois e para o nosso bebê – completei – É só você dizer não e eu vou dar um jeito no meu pai e em qualquer reação negativa que ele possa ter.
– Não precisa fazer isso, Stefan – garantiu – Eu aceito me casar com você.
– Como é? – agora foi a minha vez de ficar surpreso – Mas, Care, na semana passada mesmo você disse que...
– Eu sei o que eu disse, Stef – me interrompeu – Acontece que eu também sei o quanto essa empresa é importante para a sua família e o quanto você tem um grande futuro no comando dela. Se a gente se casar é importante para você, então eu aceito.
Foi impossível não dar um sorriso bobo nesse momento. Apesar de ter tentado não demonstrar, eu tinha ficado chateado quando ela disse não ao meu pedido de casamento, mas tudo tinha mudado agora.
– Ele também me deu isso – peguei a caixinha e a abri para que ela visse o que tinha dentro – Acho que não preciso dizer que é para você.
– É mesmo lindo... – comentou – Tenho certeza de que esse é o anel de noivado mais lindo que eu já vi. Eu amei!
Apesar de afirmar que não tem uma cor favorita, Caroline costuma usar muito rosa e sem dúvidas um anel com uma pedra dessa cor combinava muito com ela.
– Você quer um pedido oficial de casamento? – decidi perguntar – Posso providenciar isso agora mesmo.
– Não precisa – negou com a cabeça, tenho quase certeza de que vi uma lágrima nos seus olhos – Só isso aqui já está mais do que perfeito.
Segurei a sua mão direita e coloquei a aliança no seu dedo anel, ficou perfeito nela, como eu já tinha imaginado. Então eu me levantei e fui até a minha futura esposa para poder beijá-la.
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