Changes Love
6 Capítulo 5 – Melhores amigas
Notas iniciais
Caroline
Sabia que aquela manhã de segunda-feira tinha tudo para dar errado quando acordei bem cedo com o meu celular tocando de maneira estridente e sem parar. Fui tateando até a mesinha para pegar o telefone sem precisar me levantar da cama e quando vi o número de Elena no identificador de chamadas e rejeitei a ligação no mesmo instante, devolvendo o aparelho para o mesmo lugar em que estava antes.
Quando olhei para o lado, Stefan continuava a dormir profundamente. Como sabia que não ia conseguir fazer a mesma coisa, decidi me levantar; e foi ai que o verdadeiro “pesadelo” que seria esse dia começou de verdade...
No momento em que coloquei os pés no chão um enjoo muito forte subiu pela minha garganta e tudo que tive tempo de fazer foi correr na direção do banheiro e despejei todo o jantar de ontem a noite dentro do vaso.
– Era só o que me faltava... – ainda fiquei um tempo ajoelhada esperando para ver se vomitava mais, mas por sorte parece que o pior já tinha passado – É um péssimo dia para eu passar mal.
Levantei e fui para frente do espelho, passando alguns instantes apenas encarando o meu reflexo. Sempre fui pálida demais, como minha mãe costumava repetir toda hora quando eu era pequena, era algo que tinha herdado do meu pai; mas hoje eu estava assustadoramente com o rosto mais branco do que o normal.
Passei água na cara e limpei a boca antes de sair do cômodo. Stefan continuava deitado na cama na mesma posição que alguns minutos atrás, então apenas peguei meu celular e fui para o andar debaixo do apartamento tentando fazer o mínimo de barulho possível.
***
Cheguei a cozinha e meu primeiro pensamento foi ir até a geladeira procurar alguma coisa para comer, mas só a ideia de pensar em colocar alguma coisa na boca já estava fazendo meu estômago voltar a revirar, então mudei de ideia na mesma hora.
Decidi então que tomaria um chá, apenas para não sair de casa em jejum. Coloquei a água para ferver e abri o armário para escolher o sabor e terminar de preparar a bebida.
Já estava sentada na mesa que tinha no local segurando a minha caneca quando vi passos se aproximando de mim. Virei a tempo de encontrar Stefan passando pela porta.
– Caiu da cama, foi? – perguntou enquanto abria um sorriso divertido, normalmente ele acorda bem antes de mim e não são raros os dias que precisa me sacudir para que eu não chegue atrasada na revista – Que milagre é esse de você já estar de pé, senhorita Forbes?
– Eu acordei e não consegui voltar a dormir – dei de ombros, como se não fosse nada demais – Então decidi me levantar logo, assim não tenho problemas para levantar.
– Pela primeira vez em vários meses, é claro – observou.
– Seu bobo... – dei um tapa de leve no seu braço – Pois saiba que eu sou muito responsável em relação ao meu trabalho.
– Eu sei disso, sua boba, só estava brincando... – parou atrás de mim deu um beijo no meu rosto – E por favor, Care, não me diga que o seu café da manhã não é só esse chá. Você sabe que precisa se alimentar direito de manhã, é a refeição mais importante do dia.
– É que eu acordei um pouco enjoada hoje – expliquei – E achei que ela melhor não colocar nada pesado no estômago, assim não corro o risco de passar mal.
Decidi não contar para ele sobre o fato de ter vomitado assim que acordei, não quero que Stef fique preocupado a toa. Não deve ser nada demais, é apenas um mal estar.
– Eu falei para você que não era uma boa ideia pedirmos comida indiana ontem a noite – advertiu – Toda aquela pimenta não deve fazer bem para nenhum ser humano.
Agora que ele tocou no assunto da comida indiana, eu pude sentir todo o enjoo que senti na hora que acordei voltando, isso apenas com a simples lembrança do jantar de ontem. Por sorte acabou passando depois que eu respirei fundo algumas vezes.
– Parecia uma boa ideia na hora – apenas de ombros, mas a verdade é que eu tenho certeza de que nunca mais vou nem querer entrar em um restaurante de comida indiana na vida.
– Pois é, quando eu falo que não é uma boa ideia, você não acredita – completou – Bom, se você não quer comer, eu quero. Vou preparar logo o meu café da manhã.
Ele fez duas torradas, colocou morango nelas e ainda fez um pouco de café antes de se sentar em frente a mim e começar a comer.
– Grande dia hoje na revista? – quis saber.
– Sim – afirmei com a cabeça – Hoje é a reunião de pauta para definirmos o que vai entrar na próxima edição da revista.
– Parece interessante... — falou, mas sei que ele só estava tentando ser simpático.
– Nem tanto assim – fiz uma careta – Mas e quanto a você? Alguma coisa importante para fazer na empresa hoje?
– Na verdade, hoje o dia vai ser bem parado – respondeu – Até um pouco entediante, para falar a verdade.
– Não vou dizer que sinto inveja, pois você sabe perfeitamente que eu odeio ficar sem nada para fazer – revirei os olhos – Então acho que eu prefiro ficar o dia inteiro ocupada com a reunião de pauta do que ficar absolutamente sem nada para fazer.
– Acredite em mim, Care, eu também preferia isso – afirmou.
Ele voltou a comer o seu café da manhã e permaneceu em silêncio por alguns segundos.
– Você vai vir aqui para casa hoje depois do trabalho? – ele decidiu perguntar, por fim.
– Eu sempre venho, não é? – deu de ombros – A não ser, é claro, que você não me queira aqui.
Desde que eu e Stefan começamos a nossa amizade com benefícios tenho passado bastante tempo aqui no apartamento dele; acho que devo ter dormido na minha própria cama apenas umas quatro ou cinco noites nesses últimos três meses.
– Quantas vezes eu já disse que nunca vou me cansar de você, Care? – segurou a minha mãe e a levou até os lábios – Estava em fazer a minha macarronada especial para jantarmos; isso se seu estômago já estiver bom até a noite.
A simples menção da macarronada especial de Stef fez o meu estômago roncar.
– Tenho certeza de que ele estará muito bem – garanti – Sua macarronada, um bom vinho e o DVD de uma comédia romântica, parece uma noite perfeita para mim.
– E não vamos esquecer do que vai acontecer depois disso tudo... – usou um tom de voz baixo, totalmente provocador.
Eu o encarei seriamente, ficando totalmente arrepiada ao ouvir aquelas palavras. Foi nesse momento que meu celular começou a tocar e tive que interromper o contato visual para ver quem estava me ligado; era minha melhor amiga novamente e mais uma vez eu rejeitei a chamada.
– A Elena? – afirmei com a cabeça antes de eu colocar o telefone em cima da mesa – Care, essa já é a quinta vez que ela te liga desde ontem. Uma hora ou outra você vai precisar atendê-la.
– E eu vou atendê-la – afirmei – Mas não enquanto estiver aqui com você.
– Você só pode estar brincando... – riu – Care, eu sei que celulares tem câmeras, mas não dá para fazer chamadas em vídeo sem que você autorize, não te a menor chance dela saber que estamos juntos se eu não falar nada.
– Mas ela pode perguntar onde eu estou e o que ando fazendo ultimamente – continuei – Você sabe que sou péssima em mentir.
– E se ela souber que temos dormido juntos, qual é o problema? – quis saber – Eu e a Elena terminamos há mais de cinco anos, está tudo mais do que superado; ambos teremos outros relacionamentos, é assim a vida.
Talvez as coisas não fossem tão simples quanto ele está pensando. Quando eu e Elena voltamos a nos falar, um pouco antes de eu me mudar definitivamente para Toronto, ela deixou bem claro o quanto estava arrependida do que fez, mas que tinha certeza de que Stefan jamais a perdoaria.
Mas claro que não posso falar nada disso para ele, pois por mais que meu amigo diga que já superou totalmente a ex-namorada, não tenho garantia que Stef não correria para os braços dela se soubesse dessa história. É algo que me traz uma grande tristeza só de pensar.
– Mesmo assim é estranho... – completei – Eu e Elena somos amigas e você é o ex dela. Contar a ela que nós dois estamos meio que juntos é totalmente estranho.
– Acho que você tem razão – passou a mão pelo cabelo – Nossa! Que grande confusão que a gente se meteu!
– Vou contar tudo para ela, Stef – garanti – Só preciso de um tempo para prepará-la para a notícia.
– Tudo bem – concordou – Agora, o que acha de irmos lá em cima troca de roupa? Posso te dar uma carona até a revista.
– Claro – eu me levantei – Vamos até lá.
***
*Flash Back*
– Será que ficou muito pesado? – apesar de ainda faltar pouco mais de um mês para a minha viagem para Toronto já tinha começado a arrumar as minhas coisas, assim não corria o risco de esquecer na importante; agora era a vez dos meus livros, que tinham sido postos cuidadosamente dentro de uma caixa em cima da minha cama – Tenho medo que o peso faça a caixa rasgar e não quero nem imaginar todos esses livros se espalhando pelo chão.
– Na verdade, eu estou mais preocupado que os caras que carreguem essas caixas possam ter um problema sério nas costas – Stefan cruzou os braços e usou aquele tom de voz sério que costuma me irritar muito – Sério, Care, precisa mesmo levar todos esses livros?
– São os meus livros, Stefan... – respondi – Quero arrumar a minha estante lá na faculdade e depois no apartamento para o qual eu me mudar depois de formada.
– Olha, Care, eu não conheço muito bem os dormitórios da U of T, mas tenho certeza de que você vai precisar dividir com alguma outra pessoa – lembrou – E tenho certeza de que a sua futura colega de quarto não vai ficar gostar de ter que dividir espaço com os seus livros.
– Mas você sabe que gosto de ler e reler os meus livros quando tenho tempo livre – argumentei – Não posso pedir para a minha mãe enviar um livro quando eu tiver vontade de ler e depois eu mandar para cá de volta.
– Eu já vi os seus livros, Care, e posso afirmar que tenho todos lá na casa do meu pai – disse – É só você me pedir e vou ficar muito feliz em te emprestar.
Não tinha o que argumentar, Stefan estava certo. Podia muito bem deixar esses livros aqui em Mystic Falls com a minha mãe, afinal, estarão no mesmo lugar quando eu vier visitar nas férias.
– Me ajuda a colocar tudo de volta na estante? – pedi.
– Finalmente você caiu em si – levantou as mãos para cima com se “agradecesse aos céus” – Você pode ser teimosa demais quando quer, Caroline.
– E você é um idiota, Stefan – mostrei a língua em um gesto bem infantil.
– Então eu sou idiota, é...? – veio se aproximando de mim com um sorriso travesso no rosto – É bom você retirar o que acabou de dizer.
– Não vou retirar – cruzei os braços – Como você mesmo disse..., eu sou teimosa.
– Já que é assim, eu vou ter que te obrigar a retirar – então ele começou a fazer cócegas na minha cintura, o lugar que sempre foi meu ponto fraco.
– Para com isso, Stef... – não consegui parar de rir, fui caminhando tentando me afastar e acabei tropeçando na ponta da cama.
Ele continuou a fazer o que estava fazendo e eu já estava começando a ficar sem ar pela quantidade que estava rindo incontrolavelmente. Nós dois nem reparamos quando a porta do meu quarto foi aberta.
– Desculpa..., eu... – nos viramos a tempo de ver uma Elena parada na entrada do cômodo parecendo extremamente sem graça; isso fez com que Stefan se afastasse de mim rapidamente – Sua mãe estava saindo para ir ao mercado, ela disse que você estava aqui em cima e que eu podia subir, não tinha ideia que você estava ocupada.
– Pois é, mas como você pode ver, estamos ocupados – me sentei na cama, colocando os pés no chão e tentei usar o tom de voz mais grosso que eu consegui – Então...
– Care...! – meu amigo me reprimiu pelo meu comentário.
– É que eu estava andando e pensando o quanto eu estava precisando de uma amiga para conversar e quando eu dei por mim, estava aqui em frente a sua casa – ela explicou – Mas como você está ocupada, não tem problema, posso voltar outra hora.
– Não seja por isso, eu já estava mesmo de saída – Stefan pegou até a mim de surpresa nesse momento – Prometi ajudar o meu tio com algumas coisas lá na pensão.
– Tudo bem, então – não consegui esconder a minha decepção nesse momento.
– Me leva até a porta, Care? – segurou a minha mão e me ajudou a ficar de pé.
– Claro – concordei com a cabeça – Vamos até lá...
– Vou ficar te esperando aqui, Caroline – Elena avisou, ela ainda parecia bem sem graça com toda aquela situação – Tudo bem?
Apenas dei de ombros antes de sair do quarto e deixá-la sozinha.
**
Eu e Stefan fomos para a entrada da minha casa. Da varanda podíamos ver o carro dele, que estava estacionado bem próximo a calçada.
– Essa história de você precisar ajudar o seu tio é mesmo verdade? – decidi perguntar – Ou é só uma das suas milhares de tentativas de me fazer voltar a falar com a Elena?
– Para falar a verdade, eu prometi mesmo ajudar o meu tio, ele está querendo informatizar algumas coisas na pensão, só que ele não é muito bom nisso – explicou – Só que eu poderia fazer mais tarde ou até mesmo todo dia, só vou agora para você poder conversar com a Elena.
– Já devia imaginar... – revirei os olhos.
– Care, você conhece a Elena até melhor do que eu e sabe o quanto ela é teimosa e raramente admite que tem um problema – lembrou – Se ela veio até aqui dizendo que precisa de uma amiga é porque deve estar mesmo com um grande problema.
– Bonnie é tão amiga dela quanto eu – disse – Por que a Elena não foi falar com ela?
– Talvez não seja um especialista, mas eu acompanhei essa amizade de vocês desde que cheguei a Mystic Falls – continuou – Apesar das três serem unidas, você e a Elena sempre pareceram ser bem mais próximas do que eram com a Bonnie.
Isso era verdade, acho que no fundo sempre fui mais amiga da Lena do que a Bonnie.
– Além disso, você quer mesmo se mudar para o outro lado do continente, para outro país, estando brigada com a sua melhor amiga? – tive que balançar a cabeça negativamente – Então vai até lá falar com ela, quem sabe essa é a chance de vocês duas se acertarem,
– Certo..., você tem razão – completei – Vou lá falar com ela e tentar ajeitar as coisas.
– É assim que se fala – deu um beijo na minha bochecha – Boa sorte!
Acenou mais uma vez antes de descer os degraus da varanda e ir na direção do seu carro.
**
Quando voltei ao meu quarto Elena estava virada de costas olhando o meu quadro de imãs. Depois da nossa briga eu tinha mudado as fotos que tinham lá e agora a maioria delas estávamos eu e Stefan, mas ainda tinham duas da época em que éramos pequenas; em uma estava com ela e Bonnie em uma feira de ciências da escola quando tínhamos 11 anos e na outra estávamos apenas nós dias no meu oitavo aniversário.
– Oi... – a chamei, fazendo com que se virasse na minha direção.
– Não sabia que você ainda tinha essas fotos – comentou – Tenho várias fotos nossas lá em casa, mas nenhuma dessas duas.
– Eu tenho elas digitalizadas no computador – avisei – Se quiser, eu posso te mandar por e-mail.
– Vou adorar isso – concordou antes de voltar a se virar, agora ela estava olhando uma foto em que eu e Stefan estávamos no nosso baile de formatura, que aconteceu no mês passado – Talvez isso não ajude, mas quero que você saiba o quanto me arrependo do que fiz.
– Realmente, não vai adiantar nada..., mas é bom saber que você está arrependida – completei – O Stefan é um cara incrível e não merecia ter sido traído, principalmente da maneira que foi.
– Eu sei e realmente sinto muito – então ela pegou o retrato que estava olhando alguns instantes antes – Sei que não é da minha conta, mas eu preciso perguntar; vocês dois estão juntos?
– Não, nós não estamos juntos – apressei-me em responder – Somos apenas amigos.
– É que eu vejo vocês dois juntos toda hora desde que eu e Stefan terminamos – explicou – Por isso eu pensei que...
– Sinceramente, eu nunca pensei que eu e o Stefan pudéssemos ser amigos um dia – dei um sorriso bobo – Mas ele tem me feito muito bem e tenho certeza de que também faço bem a ele.
– Vocês dois parecem mesmo felizes – afirmou.
O silêncio voltou a preencher o ambiente. Dei uma olhada na direção de Elena e ela estava encarando o chão, parecia tentar criar coragem para falar alguma coisa.
– Mas imagino que você não tenha vindo aqui falar da minha amizade com o Stefan – disse.
– Carol, eu estou atrasada! – ela elevou o tom de voz um pouco, fazendo com que eu a olhasse espantada.
– Como assim está atrasada, Lena? – perguntei – Não me diga que você repetiu de ano?Sei que pode parecer o fim do mundo, mas você pode aprender muito ficando um ano a mais do colégio e...
– Não, Carol, eu não reprovei – me interrompeu, balançando a cabeça negativamente – Não é desse tipo de atraso que eu estou falando.
– Então o que...? – parei a frase no meio, entendendo claramente o que Elena queria dizer – Ah...! Você tem certeza? Quanto tempo está atrasada exatamente?
– Cinco dias – respondeu – Sei que não é muito, só que eu sempre fui muito regular, então quando atrasou um dia tive quase certeza de que tinha alguma coisa errada, mas decidi esperar mais um tempinho, apenas de garantia.
– E você tem motivos para estar preocupada com esse atraso? – voltei a questioná-la – Quero dizer, você pode mesmo estar...?
– Kai e eu sempre nos protegemos – garantiu – Mas teve uma única vez, exatamente na noite do nosso baile de formatura. Pensei que estava tudo bem, então nem pensei em tomar pílula do dia seguinte ou qualquer outra precaução, mas pelo visto eu estava enganada.
Elena parecia calma e totalmente centrada até aquele momento, mas foi exatamente quando ela começou a chorar. Tudo que consegui fazer foi me aproximar e abraçá-la em uma tentativa de acalmá-la.
– Lena, eu sei que talvez um filho nesse momento da sua vida pode não parecer o maior pesadelo, mas no fundo pode ser uma coisa – segurei seu rosto para fazê-la olhar para mim – É o seu bebê, você vai vê-lo nascer, criá-lo e observá-lo se tornar uma pessoa que pode te dar muito orgulho nessa vida.
– Do jeito que você fala parece até fácil – deu um sorriso sem graça.
– E pode sim ser uma coisa fácil – garanti – A primeira coisa que você precisa fazer é ter certeza se está ou não grávida, vamos até a farmácia comprar um teste caseiro.
– Carol, você acha mesmo que é uma boa ideia comprar um teste caseiro de gravidez em uma cidade como Mystic Falls? – comentou – Cidade pequena, em uma hora todos vão saber e vão começar a especular.
– Se o exame der negativo, não tem nada com o que se preocupar; e se der positivo, já é uma excelente maneira de começar a contar para as pessoas – apenas dei de ombros – Agora vamos.
**
A farmácia mais perto ficava apenas duas quadras da minha casa, então pudemos ir a pé até lá. Elena comprou três testes de marcas diferentes, assim poderia ter certeza quase absoluta do resultado.
Assim que chegamos ela se trancou no meu banheiro para poder tirar logo essa dúvida.
– Lena...? – peguei o meu celular para verificar as horas, já fazia cinco minutos que estava ali dentro – Está tudo bem?
– Está sim! – ouvi sua voz um pouco abafada pela porta – Espera um pouco que eu já vou sair.
Não demorou muito para eu ouvir o barulho da chave sendo destrancada e a maçaneta girando.
– E então? – ela estava apenas olhando para mim e não consegui decifrar a sua expressão – Qual foi o resultado? Positivo ou negativo?
– Os três testes deram positivo – respondeu antes de soltar um longo suspiro – Acho que agora não tem mais dúvida, não é?
Ela passou por mim e entrou no meu quarto para poder se sentar na ponta da minha cama.
– O que eu faço agora, Carol? – passou a mão pelo cabelo – Eu consegui entrar na NYU e ia começar aquele curso de história da arte que eu tanto queria fazer e agora está tudo acabado.
– Não pensa nisso agora, Lena... – me ajoelhei na sua frente e segurei a sua mão – Ficar preocupada e nervosa desse jeito só vai fazer mal para o bebê.
– Acho que você tem razão... – passou a mão nos olhos para tentar limpar as lágrimas que insistiam em cair – Só que eu não consigo deixar de pensar que uma hora vou ter que resolver isso e é algo que me apavora, de verdade.
– Bom..., eu acho que, para começar, você deveria falar com o Kai, afinal, você não fez esse bebê sozinha – lembrei – E também deve falar com os seus pais, talvez eles fiquem bravos no inicio, mas não vão te deixar na mão.
– Eu vou fazer isso, Carol..., vou falar com o Kai e com os meus pais – afirmou – Mas não hoje, acho que preciso me preparar psicologicamente antes.
– Entendo, você já passou por muita coisa hoje – concordei – Tenho uma ideia: por que você não liga para casa e diz para a sua mãe que vai dormir aqui em casa hoje? Podemos alugar um filme, pedir pizza e encher a cara de sorvete de chocolate, como nos velhos tempos.
– Parece uma ideia perfeita – sorriu – E obrigada por tudo, Carol, acho que não saberia o que fazer se não fosse por você.
– É para isso que servem as amigas não é mesmo? – lembrei.
E nesse momento toda a briga dos últimos meses simplesmente foi esquecida. Stefan tinha razão, voltar a falar com Elena foi a melhor coisa que eu poderia ter feito hoje; ela é minha melhor amiga e tenho certeza de que sempre será assim.
*Fim do Flash Back*
***
Assim que cheguei a sede da revista fiquei sabendo que a reunião de pauta seria apenas depois do almoço, o que significa que eu tenho a manhã inteira de folga. Então decidi dar uma olhada nos meus e-mails e foi nesse momento que meu celular começou a tocar.
– Alô... – atendi a ligação sem nem ao menos dar uma olhada no identificador de chamadas.
– Caroline Forbes finalmente decidiu de atender? – a inconfundível voz de Elena surgiu do outro lado da linha – Será que eu posso começar a me sentir honrada?
– Lena! – sorri – Eu vi que você tinha me ligado ontem, mas não pude atender porque estava ocupada, sinto muito – e era mesmo verdade, eu estava ocupada..., com o Stefan.
– Está tudo bem, Carol, imagina que você esteja ocupada com a revista – garantiu – Encontrei a sua mãe da última vez em que fui até Mystic Falls visitar os meus pais e ela me disse o quanto está orgulhosa por você ter conseguido um emprego numa revista tão pouco tempo depois ter se formado e por estar fazendo exatamente o que sempre quis.
Foi impossível não revirar os olhos. Essa era a dona Elizabeth Forbes que eu conheço, sempre orgulhosa da sua única filha e, é claro, se gabando de mim para toda a cidade.
– A única coisa que eu lamento é que todo esse trabalho é que ainda não consegui tirar férias e por isso nunca mais fui a Mystic Falls depois de terminar a faculdade – comentei – Mas quem sabe eu não vá até lá no natal; podemos combinar de ir juntas, o que acha?
– Parece perfeito! – concordou.
– Mas agora me contar, como estão as coisas ai em Nova York? – perguntei – Muito ocupada com o curso de história da arte?
No verão passado Elena finalmente se mudou para Nova York para poder começar a estudar na NYU, como sempre foi a sua vontade. Isso aconteceu quatro anos depois do que estava planejando, mas confesso que nunca vi minha amiga tão feliz antes.
– Esta tudo ótimo – disse – Aliais, foi por isso que eu te liguei, arranjei um emprego como assistente de uma das minhas professoras do primeiro semestre e ela vai até Toronto para participar de um congresso durante o verão; é bom você arranjar um tempo na sua apertada agenda de jornalista para ir me ver.
– E você acha mesmo que eu não iria arranjar um tempo para ver a minha melhor amiga quando ela vem até a cidade em que eu estou morando? – respondi – Eu até te convidaria para ficar no meu apartamento, mas receio que não tenha tanto espaço assim, você com certeza vai ficar mais confortável no hotel.
– Não tem problema, Carol – afirmou – Na verdade, a NYU vai pagar toda a viagem, então não vai ser o fim do mundo ter que ficar em um hotel.
– Isso é verdade – ri – E a Brooke vem também? Faz tanto tempo que eu não vejo a minha afilhada, estou com saudades.
– Acredite, ela também está com saudades, pergunta todo dia quando ela vai ver a “tia Carol” – disse – Mas já tinha combinado com o Kai que a Brooke iria passar o primeiro mês de verão com ele e para falar a verdade até que é um alívio, porque não sei como eu iria conseguir controlar uma menina de quatro anos e trabalhar ao mesmo tempo. Você sabe como eu amo a minha filha, mas ela está cada dia mais impossível.
– É mesmo uma pena – lamentei — Mas tenho certeza de que terão outras oportunidades para eu ver a Brooke.
– Sim, com certeza, terão – concordou.
Foi nesse momento que April apareceu na entrada da minha sala. Ela estava carregando várias pastas e pela careta que estava fazendo, pareciam bem pesadas.
– Lena, agora eu preciso desligar – avisei – Mas com certeza nos falaremos antes que você venha para Toronto.
– Claro, Carol – completou – Nos falamos outra hora.
Assim que desliguei fiquei alguns segundos encarando o celular, que ainda estava em minhas mãos. A visita de Elena significa que vou precisar me abrir com ela a respeito do meu “relacionamento” com Stefan mais cedo do que estava planejando e eu não sei exatamente como vou fazer isso, mas sei que vai precisar ser antes que ela venha no mês que vem.
– Caroline...? – April me chamou, fazendo com que eu despertasse do transe.
– Ah, Oi April – disse, por fim.
– A editora pediu para eu entregar isso para todos que vão participar da reunião – colocou as pastas em cima da minha mesa e me entregou a que estava em cima – E ela pediu que todos tenham lido antes da reunião e anotem o que acharem importante para poderem fazer observações.
– Claro – abri a pasta para ver do que se tratava, eram apenas duas folhas, não iria demorar muito para ler aquilo – Muito obrigada, April.
Assim que ela saiu eu já comecei o meu trabalho. A vantagem é que a minha mente agora estava ocupada e eu conseguiria esquecer todo o problema envolvendo Elena.
Fale com o autor