Changes Love

24 Capítulo 23 – Sentimentos


Notas iniciais
Oi gente! E chegamos aos 100 comentários!!!! Título do capítulo totalmente sugestivo (e sim, é exatamente o que vocês estão pensando) Sem mais enrolação, aqui está capítulo, espero que gostem E nos vemos lá embaixo nas notas finais.

Caroline

Desde a época do Ensino Médio eu tenho a mania de ficar com o notebook no colo enquanto estou sentada no sofá, mas atualmente isso está cada vez mais difícil, tudo por causa do barrigão de oito meses de gravidez, e a situação só piora quando Scarlett decide ficar inquieta e começa a se mexer sem parar e também a chutar bem forte.

Se Stefan estivesse em casa agora diria que isso é um sinal de que eu não deveria estar trabalhando tanto e que minha prioridade agora é descansar até o bebê nascer. Provavelmente ele até ligaria para a doutora Fell, que lhe daria toda a razão.

*Flash Back*

Aquele, sem dúvida, era o sonho mais estranho que eu já tive na minha vida. Estava debaixo d’água, provavelmente no oceano, e por mais que eu tentasse nadar na direção da superfície, algo insistia em me puxar para baixo e o pior era que essa “queda” parecia não ter fim, o que me deixava ainda mais nervosa.

Foi então que eu acordei assustada e sentei na cama passando a mão pelo cabelo. Obviamente meu gesto não passou despercebido pelo meu marido, que imediatamente se virou na minha direção.

– Care... – sua voz saiu totalmente sonolenta – Está tudo bem?

– Está tudo bem sim, Stef – afirmei, mas foi então que eu senti uma dor muito forte e imediatamente coloquei a mão sob a barriga – Ai...!

– O que houve? – Stefan sentou-se e segurou o meu ombro, estava totalmente acordado agora – O que você está sentindo, meu amor?

– Está doendo muito – choraminguei – Acho que a nossa garotinha está pronta para nascer.

Scarlett é a minha primeira filha, sendo assim não tem como eu ter certeza se estou mesmo em trabalho de parto, já que nunca passei por isso antes; mas tinha lido o suficiente sobre o assunto para desconfiar que aquela dor insuportável podia perfeitamente ser uma contração.

– Agora? – dessa vez ele gritou – Mas ainda falta mais de um mês! Como isso é possível?

– Bebês nascem prematuros toda hora – lembrei – Pelo jeito a nossa pequena Scarlett estava ficando entediada aqui dentro e decidiu sair um pouco antes do tempo para ver se dava uma animada nas coisas.

– Certo – Stef levantou com um pulo – O que nós precisamos fazer agora?

– Precisamos ir para o hospital – respondi, mesmo sabendo que ele estava nervoso, foi impossível não revirar os olhos – Liga para a doutora Fell para ela ir nos encontrar lá; o número está na agenda do meu celular.

– Tudo bem... – minha bolsa estava em cima da poltrona que temos no quarto e meu marido foi até ela para poder pegar o telefone lá dentro.

Foi nesse momento que senti a chegada de uma nova contração. A dor dessa vez foi ainda mais forte que a anterior, tanto que fui obrigada a me curvar um pouco.

– Care... – Stefan voltou a se aproximar e colocou a mão nas minhas costas.

– Está tudo bem – garanti, sabia que precisaria passar por isso mais cedo ou mais tarde – Já vai passar.

– Detesto te ver sofrer dessa maneira – continuou – Eu já tinha dito antes que se eu pudesse passaria por isso no seu lugar e agora vendo o quanto você está sofrendo...

– Não precisa se sentir assim, Stef – o interrompi, tentando tranquilizá-lo – Está doendo, mas vai passar e vou ficar bem; principalmente quando eu lembro que logo a nossa Scarlett vai estar aqui conosco.

– Certo, desculpe-me – beijou a ponta dos meus dedos – Estou mesmo sendo um bobo, não é mesmo?

– Você só está sendo um pai preocupado e não tem como eu não achar isso fofo – dei um fraco sorriso – Agora vai telefonar para a doutora Fell enquanto eu troco de roupa.

– Só preciso procurar o número dela aqui... – começou a mexer no meu celular – Aqui está! Tem certeza de que consegue ficar aqui sozinha?

– Estou em trabalho de parto, não invalida – lembrei enquanto fazia uma careta – Vou ficar perfeitamente bem por cinco minutos.

– Deixe-me apenas ajudá-la antes de ir – pediu enquanto segurava as minhas mãos para que eu tivesse um apoio enquanto levantava.

Então meu marido saiu do quarto e fui até o closet para poder escolher uma roupa. Assim que cheguei ao outro lado do cômodo uma nova contração me atingiu e eu precisei me apoiar na parede para conseguir me sustentar, mas felizmente logo passou e eu consegui me vestir sem nenhum problema.

– Voltei! – Stefan retornou em alguns poucos minutos – A doutora Fell já está a caminho do hospital e disse que nos encontra lá; você já está pronta?

– Estou sim – balancei a cabeça afirmativamente – Eu preparei uma bolsinha para a Scarlett, está no quarto dela, em cima da poltrona de amamentação. Você pode pegar lá para mim?

– Fica tranquila, meu amor, eu vou pegar – garantiu – Mas antes vou te ajudar a ir até sala.

– Certo... – dei um sorriso bobo, era muito bom tê-lo aqui comigo nesse momento.

Stef colocou a mão nas minhas costas e saímos juntos do quarto.

**

Menos de meia hora depois estávamos entrando no hospital. Como a doutora Fell disse quando falou com o meu marido, ela estava esperando por nós na recepção e imediatamente me levou para a sala de exames para fazer uma ultrassonografia.

– E então, doutora? – ela estava há algum tempo apenas olhando para a tela do computador sem falar uma palavra, então decidi perguntar – Está tudo bem com a minha filha?

– Está tudo bem, não precisa se preocupar – garantiu – Mas me responda uma coisa, qual o intervalo entre as suas contrações?

Dei uma rápida olhada para o Stefan, que estava parado ao meu lado; ele apenas deu de ombros.

– Não tenho certeza... – fora as três contrações que eu tive em casa, ainda tive mais uma no carro a caminho do hospital – Os intervalos não foram exatamente regulares.

– Foi exatamente o que pensei – retirou o aparelho de perto da minha barriga e o colocou próximo ao computador – Você pode ir para casa, Caroline. O seu bebê não vai nascer agora.

– Como assim doutora? – Stef estava totalmente intrigado nesse momento – Não é mentira a Caroline realmente sentiu as contrações, eu estava lá com ela e vi a sua cara de dor.

– Eu não estou duvidando disso, Stefan – afirmou- O que a Caroline teve, na realidade, foi uma contração de Braxton Hicks.

– E o que é isso, exatamente? – decidi perguntar.

– É uma espécie de falso trabalho de parto – explicou – Seu corpo está começando a se preparar para o nascimento disso, mas não passa disso, um treino.

– Então é só isso? – meu marido quis saber – Nós já podemos ir para casa? Mais nada...?

– Na verdade tem uma coisa... – continuou – Assim que me ligaram desconfiei que poderia mesmo ser uma contração de Braxton Hicks, mas quando eu fiz os primeiros exames verifiquei que você já está com quatro centímetros de dilatação.

– E isso é grave? – imediatamente fiquei preocupado – Pode representar algum problema para o bebê?

– Isso apenas significa que você deve entrar em trabalho de parto, dessa vez de verdade, em no máximo duas ou três semanas – deu de ombros enquanto falava – Se isso fosse há um mês seria preocupante, mas no oitavo mês de gestação o feto já está totalmente formado e o pulmão praticamente maturado. Só que o parto prematuro é sempre um risco e a ideia seria tentar retardar isso até você estar com pelo menos 36 semanas.

– E como podemos fazer isso – estava totalmente interessada na explicação dela.

– Com repouso absoluto – avisou – Sei que você tem o seu trabalho, mas será que você pode adiantar a sua licença maternidade um pouco?

– Já está tudo certo para eu entrar de licença duas semanas antes da data prevista para o parto, mas se falar com a minha editora que são ordens médicas ela não vai se importar que eu me afaste um pouco antes – disse – Além disso, eu posso fazer grande parte do trabalho de casa mesmo.

– Só tente não se estressar e também faca o mínimo de esforço possível – pediu – E nada de sexo também, o ato sexual pode induzir o trabalho de parto e isso é exatamente o que não queremos – meu rosto ficou imediatamente vermelho com o que ela falou.

– Pode ficar tranquila, doutora Fell – meu marido avisou – Eu estarei bem aqui para garantir que ela não fala absolutamente nada.

Tinha certeza de que Stefan estava fazendo isso apenas para me ajudar, mas eu tenho a impressão de que essas serão as semanas mais longas de toda a minha vida.

*Fim do Flash Back*

– Fiz um suco de laranja para você – minha sogra se aproximou de mim trazendo um pouco – Stefan disse que é o seu favorito.

– Obrigada, Lily – tomei um gole do suco e coloquei o copo em cima da mesinha – Estava mesmo começando a ficar com sede, mas não queria interromper o meu trabalho para ir até a cozinha.

Stefan precisou fazer uma viagem com o pai para uma cidade vizinha para resolver o problema de locação para uma gravação e deve passar uns cinco dias lá. Como ele não queria me deixar sozinha em casa, então chamou a Lily para tomar conta de mim; eu tentei argumentar, pois minha sogra tem uma vida e a loja dela para cuidar, mas acabei sendo voto vencido e agora eu tenho uma nova babá

– Será que eu posso saber o que você está fazendo com tanta concentração aí? – perguntou enquanto se sentava ao meu lado – É alguma coisa para a revista?

– Estou mexendo em algumas fotos que ficaram ruins – mostrei para ela a foto que estava no programa de edição naquele momento – Costumo ir nas sessões de fotos, principalmente nas de capa, mas como eu estou de licença por causa do bebê...

– Entendo... – concordou — Stefan comentou que você ama fotografia e moda, certamente o melhor lugar para você trabalhar era mesmo como editora de fotografia de uma revista de moda.

– Confesso que mandei o meu currículo para eles sem muitas esperanças, mas quando me chamaram para uma entrevista foi um dos duas mais felizes da minha vida – admiti – Comecei como estagiaria na área de fotografia, mas assim que me formei fui chamada para a área de edição e poucos meses depois já era a editora.

– Stefan tinha comentando comigo que você era uma excelente fotografa, mas confesso que pensei que fosse apenas discurso de um bobo apaixonado – continuou – Só que depois eu vi umas fotos suas e percebi que era mesmo verdade.

– Bobo apaixonado – tive que rir da definição dela – Acha mesmo que seu filho se encaixa nessa categoria?

Apesar de já fazer alguns meses, eu me lembro perfeitamente de todas as palavras do Stefan quando se declarou para mim. Eram tão sérias, tão intimidantes; impossível não se sentir emocionada com aquilo e com vontade de responder a mesma coisa.

– Pode ter certeza de disso – garantiu – Dá para ver o olhar apaixonado dele a quilômetros de distância, alias, o seu também.

Fiquei extremamente desconfortável com as palavras da minha sogra. Obviamente Stef e eu temos ficado ainda mais próximos desde a declaração dele e também temos sido mais sinceros um com outro em relação a tudo; admito que percebi que gosto dele mais do que percebi anteriormente, mas ainda não tenho certeza se amo, sei que não posso falar nada até ter 100% de certeza, mas essa mas essa minha indecisão está começando a me irritar e tenho medo de acabar fazendo alguma bobagem por causa disso.

– Está tudo bem, Caroline? – ela perguntou, provavelmente preocupada que eu estivesse sentindo alguma dor – Quer que eu ligue para alguém? Para o Stefan? Ou para a sua médica?

– Eu estou bem – garanti – Só um pouco pensativa; é muita coisa na minha cabeça.

– Se precisar de alguém para conversar – sugeriu – Estou bem aqui.

A pessoa certa para falar sobre isso era a minha mãe, mas infelizmente ela está muito longe agora, então acho que não teria porque não conversar com a Lily. O problema é: será que é certo desabafar com ela a respeito do próprio filho?

– Posso fazer uma pergunta? – pedi – Quero dizer, posso fazer uma outra pergunta?

– Claro que pode, Caroline – afirmou – Você pode fazer quantas perguntar quiser.

– Só estava pensando: como exatamente você conheceu o seu antigo namorado, o pai do Damon? – ela pareceu bem surpresa com a minha pergunta – O Stefan comentou comigo, espero que não fique chateada.

– Não estou chateada, sabia que ele iria acabar comentando isso com você – garantiu – E respondendo a sua pergunta: conheci o pai do Damon quando estávamos no colégio, éramos amigos e quando fomos ficando mais velhos começamos a nos aproximar mais e logo estávamos namorando; mais ou menos a mesma coisa que aconteceu com você e o Stefan.

– E você não teve medo de namorar alguém que já era seu amigo? – a questionei mais uma vez – Afinal, isso mudaria tudo para sempre, não é mesmo?

– Não me diga que você está em dúvida sobre você o meu filho? – cruzou os braços e ficou me encarando – Meio tarde para pensar nisso, não acha?

Dei um fraco sorriso antes de passar a encarar as teclas do meu notebook. Eu não estava exatamente em dúvida se tinha feito a coisa certa em me casar com o Stefan, sabia perfeitamente essa tinha sido a melhor coisa que eu fiz na vida; o problema mesmo é em relação aos meus sentimentos.

– Só vou te dar um conselho: apesar de tudo, eu não levava tão a sério o meu relacionamento com o pai do Damon, provavelmente por ser nova demais, e só passei a dar valor quando o meu pai me obrigou a casar com Giusepe e já era tarde – continuou – Não faça a mesma coisa com o relacionamento de vocês.

– Sei perfeitamente disso – afirmei – Nunca pensei em estragar o que eu e o Stefan temos – pelo menos não conscientemente.

– Vocês dois estão casados, parecem felizes e ainda tem um bebê a caminho – lembrou – Isso é tudo que importa.

– Tem razão – concordei.

Aquela conversa com a minha sogra tinha me dado muita coisa para pensar. E com certeza eu iria mesmo levar tudo aquilo em consideração.

– Sabe, Lily, se você quiser pode ir até a sua loja – decidi mudar de assunto – Imagino que você deva estar preocupada querendo saber o que está acontecendo lá.

– A Mandy está tomando conta de tudo e eu confio plenamente nela – respondeu – Você não precisa se preocupar comigo, eu não teria dito ao Stefan que ficaria aqui com você se não pudesse me afastar da loja e me dedicar totalmente a essa tarefa.

– Se você diz... – dei de ombros – Imagino que dava ser chato ficar aqui tomando conta de você.

– Caroline, eu sei exatamente pelo que você está passando, quando estava grávida do Damon também precisei ficar de repouso nas últimas semanas – explicou – Acredite, eu sei como é chato ter um monte de gente dizendo que você não pode fazer nada.

– Com certeza, isso é horrível – revirei os olhos.

– Eu não vou ficar no seu pé, não precisa ficar preocupada – avisou – Só quero fazer um favor ao meu filho e ficar ao lado da minha nora e da minha neta quando as duas estão precisando de mim.

– Obrigada por isso, Lily – sorri.

– Agora, o que acha de eu pegar um pouco de suco? – balancei a cabeça afirmativamente – Vou até lá pegar.

Ela pegou o copo em cima da mesinha de centro e foi na direção da cozinha.

***

Assim que confirmamos que teríamos mesmo uma menina, eu e Stefan começamos a comprar várias coisas para ela, tudo aos poucos, até conseguirmos montar o quarto do jeitinho que ela queria: um berço, um armário, um trocador, uma cadeira para amamentação, uma estante cheia de bonecas de louça e uma plaquinha de madeira escrito “Scarlett” presa na porta, alem disso as quatro paredes estavam pintadas de rosa, a cortina da janela era da mesma cor e também tínhamos roupas de vários tamanhos e um bom estoque de fraldas. Tudo ali apenas esperando a chagada da nossa pequena.

Gosto de vir para cá e ficar sentada, normalmente lendo um livro, é o meu momento de relaxamento e também quando eu gosto de imaginar como vai ser quando minha filha tiver nascido. Esse vai ser o nosso pequeno universo particular, um lugar apenas para mim e para ela.

– Será que você vai gostar do seu quartinho, minha princesinha? – falei enquanto passava a mão pela barriga – Quero que você saiba que eu e o seu pai o montamos com muito amor e carinho especialmente para você.

Fiquei totalmente surpresa quando senti um pequeno chute, era como se a Scarlett estivesse me respondendo.

– Pelo jeito isso é um sim – ri – Mal posso esperar para ter você aqui conosco; fico imaginando como vai ser a primeira vez em que você sorrir, quando nascer o seu primeiro dente, os primeiros passos, a primeira vez na escolhinha..., são muitas coisas para acontecer e eu vou estar ao seu lado em todos esses momentos.

Meu “monólogo” foi interrompido pelo som do telefone no andar debaixo do apartamento.

– Deve ser o seu pai querendo saber como nós duas estamos – falei enquanto me levantava – Vamos até lá falar com ele.

Andei o mais rápido que minha barriga permitia. Stefan tinha viajado apenas há algumas horas, já estou morrendo de saudades dele, sei que não é a mesma coisa, mas ouvir a sua voz com certeza ajuda.

Quando cheguei ao final da escada vi que a mina sogra já tinha atendido ao telefone. Ela andava de um lado para o outro enquanto ouvia a pessoa que falava do outro lado da linha e parecia ligeiramente preocupado, algo que me deixou extremamente nervosa.

– Mas o que exatamente aconteceu? – Lily finalmente ficou parada enquanto perguntava – E não tem ninguém que possa falar o que aconteceu? – ficou alguns instantes em silêncio, provavelmente ouvindo do ouvindo do outro lado da linha – Entendo, pelo jeito vou mesmo precisar ir até o hospital para saber o que aconteceu, vou falar com a minha nora e explicar a situação.

– Hospital...? – fiquei mais preocupada ainda – O que você precisa me explicar, Lily?

– Obrigada por tudo mesmo assim... – completou antes de desligar o telefone.

– Lily, o que foi que aconteceu? – elevei o meu tom de voz, agora totalmente em pânico – Foi alguma coisa com o Stefan não é mesmo?

– Antes de qualquer coisa você precisa ficar calma, Caroline – meu coração estava quase saindo pela boca – O Stefan sofreu um acidente de carro na estrada e foi levado para o hospital.

Um acidente? Sorte eu estava próxima ao sofá e pude me sentar, ou então eu teria desmaiado ali mesmo.

– Como assim sofreu um acidente? – quis saber – O que foi que aconteceu? Como está o Stefan?

– A recepcionista do hospital que ligou não soube responder – balançou a cabeça negativamente – O hospital não é muito longe daqui, vou até lá saber notícias, se quiser pode vir comigo, mas...

– Eu vou com você! – levantei imediatamente – Não vou conseguir ficar aqui sem saber notícias do meu marido!

– Você tem certeza disso? – pareceu meio incerta – Você está grávida, pode não ser uma boa ideia ir até o hospital e sofrer fortes emoções.

– Vai ser pior para mim e para o bebê ficarmos aqui – expliquei – Eu vou e não tem o que argumentar.

– Certo... – acabou concordando – Vou pegar a minha bolsa e podemos ir.

***

A recepcionista nos mandou para o andar da UTI assim que eu disse o nome de Stefan. Quando chegamos ao local o pai e madrasta dele já estavam lá; meu sogro, que também estava no acidente, estava com um corte na testa, mas não parecia ter sofrido nada mais grave.

– Caroline... – o senhor Salvatore foi até a minha direção assim que me viu – Você não devia estar aqui, o bebê...

– Precisava vir – expliquei, o interrompendo.

– Olá, Lily... – foi nesse momento que notou a presença da ex-esposa e parecia mesmo muito surpreso ao vê-la ali, o que deixou claro que ele não sabia que Stef estava em contato com a mãe.

– Olá, Giuseppe... – respondeu da mesma forma fria e ríspida.

– Como é que está o Stefan? – interrompi a conversa tensa deles — Por favor, não me esconda nada.

– Não sei muito bem, apenas que ele está em cirurgia – respondeu – O impacto foi todo do lado dele e por isso foi quem ficou mais machucado. Agora estamos esperando notícias.

Scarlett começou a ficar agitada dentro da minha barriga, chutando e se mexendo sem parar; pelo jeito ela percebeu que tinha alguma coisa errada com o pai dela.

O jeito então é esperar juntamente com vocês – completei.

Eu e Lily nos sentamos nos sentamos o mais distante possível do senhor Salvatore e de Pearl, sabia que minha sogra preferia ficar o mais distante possível do ex-marido e o momento já era tenso o suficiente, não precisávamos de mais conflitos. Por sorte não demorou muito para um médico aparecer.

– Familiares do senhor Stefan Salvatore – chamou e eu me levantei no mesmo instante.

Aqui! – fui dizendo enquanto os outros se aproximavam e ficavam atrás de mim – Sou a esposa dele. Como está o meu marido?

A cirurgia foi um sucesso – não pude deixar de respirar aliviada ao saber disso – O impacto do acidente o fez fraturar duas costelas, mas felizmente não atingiu nenhum órgão vital, o baço dele rompeu e tivemos que retirá-lo para evitar algum tipo de hemorragia, ele também fraturou o fêmur e teve um corte acima da sobrancelha, mas fizemos os exames necessários e não teve nenhum outro dono.

– Ainda bem... – disse – E quando é que vou poder vê-lo?

– Ele está na UTI, mas é apenas um procedimento padrão do hospital – explicou –Devemos transferi-lo para o quarto amanhã quando ele acordar.

– Mas ele só vai acordar amanhã? – sabia que não devia ser nada demais, mas não pude deixar de ficar um pouco apreensiva.

– Por causa da anestesia, mas não é nada com que precisem se preocupar – me tranqüilizou – Vocês podem vê-lo, mas apenas um por vez.

– Acho melhor você ir primeiro, Caroline – minha sogra avisou – Assim você pode ir para casa depois disso, já que o Stefan está fora de perigo.

Eu não queria ir embora, não queria sair de perto do meu marido nenhum minuto sequer; mas tenho que admitir que estava começando a me sentir um pouco desconfortável com a minha bebê agitada desse jeito.

– Certo – acabei concordando – Eu vou primeiro.

– A senhora pode me seguir – o médico pediu – Vou levá-la até seu marido agora mesmo.

***

A UTI ficava no final do corredor daquele andar. Antes de entrar para ver o Stef fui obrigada a colocar uma roupa cirúrgica e ainda fui avisada por uma enfermeira que só podia ficar por alguns minutos.

Ele estava lá deitado na cama de uma maneira tão serena. Se não fosse pelos cortes no rosto e a tala na perna poderia até mesmo acreditar que estava dormindo na nossa casa. Segurei a sua mão e fiquei alguns minutos olhando para o monitor cardíaco.

– Você não sabe o susto que você me deu hoje; pelo que a sua mãe falou eu pensei que tinha te perdido para sempre – mesmo sabendo que ele não podia me ouvir, comecei a falar – É bom você nunca mais fazer isso comigo, pois eu e a Scarlett ainda precisamos muito de você.

Entrelacei meus dedos aos dele e levei a sua mão até os meus lábios e a beijei. Fiquei esperando que meu marido acordasse naquele instante, mas isso não aconteceu.

– Talvez esse não seja o melhor momento para eu estar falando isso e você até mesmo pode pensar que não existe hora mais inconveniente – continuei – Mas eu estava conversando com a sua mãe hoje a respeito de não podermos perder tempo em correr atrás da felicidade pois quando percebemos o que estamos perdendo pode ser tarde demais, então...

Senti uma forte pontada na parte de baixo da barriga, provavelmente outra contração de Braxton Hicks, então não me importei. Nada vai me impedir continuar.

– Eu te amo, Stefan... – minha voz saiu quase como um sussurro nesse momento, como se fosse um grande segredo que eu estivesse com medo de ter alguém por perto que pudesse ouvi-lo – Disse para você que te contaria assim que estivesse preparada e agora eu estou; o medo de te perder me fez perceber o quanto você é importante para mim e o quanto eu preciso de você do meu lado e do da nossa filha, também percebi que sempre te amei, apenas fui cega demais para admitir. E agora..., é melhor eu esperar você acordar para podermos ter uma conversa.

A porta da UTI foi aberta e a enfermeira que me preparou para entrar apareceu.

– Desculpa interromper, mas a senhora precisa sair – avisou – O horário de visitas já está acabando e os outros também querem entrar.

– Certo – concordei enquanto soltava a mão de Stefan e indo até ela.

Já estava do lado de fora quando voltei a sentir a mesma dor de alguns minutos e precisei me apoiar na mulher ao meu lado. Então eu senti algo molhado entre as minhas pernas, a minha bolsa estourou.

– A minha filha vai nascer! – disse.

Notas finais
Tenso enh? Mas por sorte está tudo bem com o Stefan, e a Caroline ainda percebeu o que quase perdeu e finalmente disse que ama o Stefan (embora ele não tenha ouvido, mas depois eles terão muito tempo para conversar) E a Scarlett vai nascer, meu povo (por favor, não me matem por terminar o capítulo dessa maneira) *** Bom gente, é isso Agora vocês comentem e digam o que estão achando. Será que depois dessa declaração fofa da Caroline eu não mereço uma recomendação?