Changes Love
20 Capítulo 19 – Lily
Notas iniciais
Caroline
O tempo passou em um piscar de olhos e quando fui me dar conta já tinha passado um mês desde que eu e Stefan voltamos da lua de mel e também estava quase no meu quinto mês de gestação e é bem provável que na próxima consulta, marcada para semana que vem, a gente já consiga ver o sexo do bebê. Além disso, agora já é de conhecimento a chegada do novo bebê Salvatore para o inicio do ano que vem e isso foi mesmo um verdadeiro alívio para mim, pois agora eu posso ir trabalhar com vestidos que marcam totalmente minha barriga.
Claro que todo esse processo não foi tão fácil assim como parece. Ainda me lembro perfeitamente do jantar na casa do meu sogro em que contamos as novidades para as nossas famílias; eu estava totalmente nervosa naquele dia.
*Flash Back*
– Acho que preciso fingir uma cara de surpresa quando vocês contarem sobre o bebê... — pelo espelho retrovisor do carro conseguia ver o meu cunhado sentado em um canto do banco de trás – Algo como: “Vocês vão ter um bebê? Oh, que surpresa!” – seu tom de voz deixava bem claro que a surpresa era totalmente falsa.
– Você não precisa fazer isso, Damon – Stefan deu um pequeno sorriso por causa do comentário do irmão – Nós vamos dizer que descobrimos a gravidez essa semana, assim que voltamos da lua de mel; você pode ter sido o primeiro a saber da novidade, já que está hospedado lá em casa.
– Mas o nosso pai sabe a verdade – lembrou – Talvez ele fique chateado por vocês terem compartilhado um segredo tão grande com um completo estranho.
– Você não é um completo estranho, é meu irmão e filho dele – meu marido revirou os olhos – O que significa que é da família, embora as vezes finja que não é...
– Acredite em mim, irmão, não sou o único que fingi isso – completou.
– Quer saber, Damon, você faz o que você quiser – parecia levemente irritado nesse momento – Hoje é um dia muito importante para mim e para a Caroline, então eu te peço que não atrapalhe isso com essa briguinha sem sentido.
– Relaxa, irmãzinho, não vou atrapalhar o momento de vocês – garantiu – Concordei em ir a esse jantar e pode ter certeza de que eu vou me comportar enquanto estiver lá.
– Acho bom mesmo – concordou enquanto soltava um longo e pesado suspiro.
Enquanto os dois discutiam eu me concentrei em olhar a passagem do lado de fora da janela do veículo. Cada segundo que passava em que nos aproximávamos ainda mais da casa do pai de Stefan meu coração batia ainda mais acelerado; hoje é um dia muito importante e eu não poderia estar mais nervosa por isso.
– Você está tão quieta, Care... – Stef comentou antes de passar a mão rapidamente pelo meu braço – Está tudo bem, com você?
– Ele tem razão, cunhadinha – Damon concordou – Você está quieta desde que saímos do apartamento.
– Não é nada – dei de ombros, tentando parece indiferente – Estou apenas um pouco pensativa, só isso.
– E será que eu posso saber o que é que está passando pela sua cabeça nesse momento? – meu marido quis saber – Ou são pensamentos secretos e eu não posso saber.
– Não é nada de importante, Stef – garanti mais uma vez – Eu estou bem, é sério.
– Se você diz – completou antes de voltar a atenção totalmente para a estrada a sua frente.
**
Não demorou muito para chegarmos. Stefan parou o carro bem em frente a casa da sua família, saiu do veículo e deu a volta para me ajudar a fazer a mesma coisa.
– Care...? – voltou a falar enquanto passava a mão pelo meu cabelo – Você tem certeza de que está mesmo tudo bem?
– Só estou um pouco preocupada com o resultado da conversa de hoje – decidi admitir, por fim – Tenho medo que todos achem ruim, principalmente os meus pais.
– Não tem como eles acharem ruim, Care – tentou me tranquilizar – É um bebezinho, uma coisa boa para qualquer família. Pode ter certeza de que todos vão ficar felizes com a novidade.
– Podem achar que é cedo demais – lembrei – Afinal, estamos casados apenas há algumas semanas e já vamos ter um bebê? Podem achar ruim por não estarmos exatamente aproveitando a nossa vida de casados antes de pensar em ter filhos.
– Se era para alguém achar essa situação ruim era para sermos nós dois, não acha? – riu – Estamos felizes com isso, então nossas famílias ficaram também.
– Só está esquecendo do fato que nós dois sabemos a verdade – continuei – Que a gente se casou apenas por causa do bebê.
– A gente não se casou só por causa do bebê... – franziu a testa para mim – E mais uma coisa, você pode ficar tranquila, pois eu estou aqui e não pretendendo sair do seu lado tão cedo.
Dei um fraco sorriso quando ele segurou o meu rosto e uniu os nossos lábios. Um pequeno pigarro fez com que nos afastássemos.
– Com licença, casal – Damon estava encostado na porta do banco do passageiro – Quero lembrá-los que eu ainda estou aqui... – acenou com a mão, dando “tchauzinho”.
– Acho melhor irmos entrado – Stefan disfarçou, passando a mão nervosamente pelo cabelo – Vamos?
– Claro! – concordei com a cabeça e meu cunhado imitou o meu gesto.
Stef segurou a minha mão e fomos caminhando lentamente na direção da porta.
**
– Olá, meus queridos! – Esther nos abraçou, um por vez – É mesmo muito bom ver vocês três!
– Também é muito bom te ver, Esther – falei.
– Fiquei sabendo que vocês tem novidades para contar hoje – continuou – Confesso que fiquei curiosa para saber o que é; bem que vocês podiam me adiantar o que...
– Lamento, Esther – meu marido negou com a cabeça – Você vai ter que saber junto com todo mundo.
– Certo – lamentou – Então o jeito é esperar mesmo.
Ouvimos passos apressados na nossa direção e não demorou muito para Val entrar no nosso campo de visão.
– Damon! – ela correu na direção do irmão mais velho e o abraçou na perna – Que saudade de você!
– Também senti sua falta, baixinha! – segurou a garotinha no colo e deu um beijo no topo da sua cabeça.
– Quer dizer que agora que você conheceu o seu irmão mais velho eu não sou mais necessário...? – Stefan se fingiu de ofendido – Muito bom saber disso, senhorita Salvatore.
– Claro que não é isso, Stef – os dois estavam perto o suficiente para que Valentina se esticar e dar um beijo no outro irmão – Mesmo com o Damon aqui eu ainda te amo.
– É bom saber disso – continuou – Eu me sentiria muito mal se fosse trocado pelo meu irmão em alguma coisa.
– Nunca... – garantiu, negando com a cabeça.
– O que acha de irmos para a outra sala? – sugeri – Esther, os meus pais já chegaram?
– Ainda não, Caroline – respondeu – Vocês são os primeiros a chegar para o jantar.
Não sabia se ficasse triste ou aliviada ao saber disso. Por um lado eu queria logo acabar com isso e jogar a bomba da minha gravidez de uma vez, mas por outro lado eu ainda teria mais algum tempo para me preparar psicologicamente, e isso é sempre bom.
– Tenho certeza de que eles não devem demorar muito para chegar aqui – concluí.
Então nós quatro seguimos na direção da outra sala enquanto Esther voltava para a cozinha, provavelmente indo ver como é estava indo o jantar.
**
Meus chegaram juntos alguns minutos depois. Apesar de saber que não tinha a menor possibilidade deles voltarem algum dia, acho que essa era a primeira vez que eu via os dois tão perto um do outro desde que tinha uns dez anos e isso me deixava levemente animada.
O jantar não demorou muito para se servido depois disso e tenho que confessar que quase não consegui comer, tinha a impressão de que colocaria tudo que colocasse na boca para fora.
– Como todos sabem, estamos aqui pois Stefan e Caroline tem um anuncio importante para fazer – meu sogro começou a falar quando a sobremesa estava começando a ser servida – Acho que já está na hora de ouvirmos do que se trata.
Eu me ajeitei um pouco na cadeira em que estava sentada. Agora tinha como voltar atrás, tinha chegado o momento de falar.
– Você quer falar ou eu fale? – Stefan sussurrou para mim, perguntando.
– Deixa que eu falo – avisei enquanto me levantava – Bom..., imagino que todos aqui devem estar se perguntando porque chamamos todos vocês aqui e agora vou matar essa curiosidade.
Stef segurou a minha mão, dizendo de uma maneira silenciosa que estava ali comigo; não sei exatamente o porquê, mas aquilo me deixou bem mais tranquila.
– Descobrimos essa semana, assim que voltamos da lua de mel e queríamos que vocês fossem os primeiros a saber – continuei – Eu e o Stefan queremos anunciar que a família vai aumentar; nós vamos ter um bebê!
Aquela calma que eu estava sentindo antes alguns instantes antes desapareceu em poucos segundos, quando todos ficaram em silêncio depois do meu anuncio. Queria muito saber o que se passava na cabeça deles nesse momento, mas infelizmente eu não posso.
– Talvez vocês estejam pensando que é um pouco cedo demais – passei a olhar a toalha branca que cobria a mesa – Mas eu e o Stefan estamos muito felizes com a ideia de sermos pais e queremos que vocês também fiquem animados por nós.
– De quanto tempo você está? – minha mãe foi a primeira a se manifestar.
– Segundo a doutora Fell, quase quatro meses – achamos melhor não mentir a respeito do tempo da minha gravidez – Sei que é muito tempo para eu não ter descoberto ainda, mas estava tão atarefada com as coisas do casamento que eu não tive tempo para perceber nada.
– Claro, minha filha, eu entendo... – ela caminhou até onde eu estava e me abraçou – Quero que você saiba que eu estou muito feliz por você.
– Obrigada, mãe! – agradeci – E quanto a você, pai? O que acha sobre isso? – ele continuava sentado no seu lugar e ainda não tinha esboçado nenhum tipo de reação – Sei que você tinha dito que não estava preparado para ser avô, mas...
– Esquece tudo que eu disse antes, Caroline – me interrompeu – É claro que eu estou feliz, essa é a melhor notícia que eu recebo em muito tempo.
Antes que eu pudesse me dar conta, todos já tinham se levantado para nos abraçar e nos dar os parabéns. As coisas não tinha mesmo sido tão ruins como eu tinha pensado, afinal.
*Fim do Flash Back*
Estava um cheiro muito bom de café no momento em que eu entrei na cozinha. Stefan estava distraído com a sua xícara e comendo sua torrada com geleia de morango, foi quando eu me aproximei e dei um beijo na sua bochecha.
– Bom dia, Stef – disse – Só pelo cheiro, tudo aqui parece estar muito bom.
– Fiz para você também – apontou para o prato com duas torradas em frente a outra a cadeira – Sei que não é a mesma coisa que os cafés da manhã que o Damon preparava, mas vamos ter que voltar a nos virar sem ele – referiu-se ao seu irmão mais velho, que tinha voltado para Miami ontem a noite.
– Não tem problema – fui me sentar para poder comer – Você sabe que eu gosto de qualquer coisa que você prepara.
– Acho bom mesmo – riu antes de se levantar – Deixa eu pegar o seu suco de laranja.
– Ainda não acredito que não posso mais tomar café até o bebê nascer – nunca fui fã de café puro, tomava apenas com um pouco de leite, mesmo assim, continuava a sentir falta da minha dose diária de cafeína.
– Você sabe que café foi um dos alimentos proibidos pela doutora Fell – lembrou – Pense que para o seu próprio bem e para o bebem do nosso bebê, é claro.
– Sei disso – concordei – Todos os dias eu me lembro que falta pouco.
– É assim que se faz – me entregou o copo cheio de suco de laranja antes de voltar para o seu lugar anterior.
– O que acha de irmos almoçar juntos hoje? – sugeri – As coisas estão tão tranquilas na revista essa semana que chega a ser entediante; preciso de alguma coisa para me deixar animada o restante da manhã.
– Infelizmente eu não posso – respondeu – A filmagem do primeiro filme que temos para o outono começa semana que vem e eu ainda preciso ver os últimos detalhes e ver se não tem nenhum problema com nenhuma das locações, então eu estava pensando em comer alguma coisa na minha sala mesmo, assim me poupa tempo.
– Está bem – lamentei – Vou ver almoço com a April ou com o Enzo então.
– O que você acha de irmos ao cinema na sexta-feira? – foi a vez dele fazer o convite – Essa está sendo uma semana tão cansativa para mim e vai ser bom poder relaxar com a minha esposa.
– Claro, é uma boa ideia – concordei – Você imaginou que poder ser assim?
– O que quer dizer com isso? – me olhou confuso.
– Estarmos aqui: casados, felizes, com um bebê a caminho – expliquei melhor – Você alguma vez já imaginou que algo assim pudesse acontecer.
– Mas que pergunta é essa, Caroline? – ele ficou bem sério nesse momento, como se tivesse alguma coisa que ele não pudesse ou não quisesse falar.
– Sei que pode parecer bobagem – dei de ombros – Mas desde que começamos a passar mais tempo juntos eu não pude deixar de pensar nisso, mas não da maneira que você deve estar pensado; algo do tipo: “por que não?”, você me entende?
– Entendo sim – concordou com a cabeça – Acho que vendo por esse ponto, eu já pensei nisso também em algum momento.
– Sabe, por mais surreal possa parecer estar casada com o meu melhor amigo, até que isso não está sendo tão ruim – admiti.
– Concordo com você – sorriu – Agora vamos terminar de comer ou vamos acabar chegando atrasados no trabalho.
– Tem razão... – peguei uma das torradas e começando a comer.
***
Toda a calma do dia acabou quando as fotos da reportagem principal da edição que saí semana que vem saíram todas escuras e eu, como a responsável por isso, precisei arrumar tudo com o editor do meu computador. Foi bem cansativo, mas por sorte eu consegui terminar antes da hora do almoço.
– Com licença, mamãe do ano... – Enzo falou enquanto entrava na minha sala – Tem uma mulher na recepção procurando por você.
– Uma mulher? – fiquei pensando em que poderia ser: minha mãe, Bonnie e Elena já tinham voltado para suas respectivas casas e Pearl nunca tinha vindo até aqui me ver – Ela disse como se chamava? Ou como me conhecia?
– Ela não disse o nome – negou com a cabeça – Mas ela disse que era sua sogra ; o que é estranho, nunca te vi comentando a respeito da mãe do Stefan e também não me lembro de tê-la visto no casamento de vocês.
Lily estava aqui? O que será que ela queria falar comigo?
– Caroline..., está tudo bem? – ele interrompeu os meus pensamentos – Você ficou quieta de repente.
– Está tudo bem, sim – afirmei – Acho melhor ir ver o que ela quer – levantei e caminhei até a porta.
– Espera só um minuto – Enzo voltou a me interromper antes que eu pudesse sair do local – Você está dizendo que aquela é mesmo a mãe do Stefan?
– Sim, é uma longa história – tentei explicar – Talvez outra hora eu te explique melhor...
Tenho certeza de que Stefan não vai ficar feliz se souber que eu andei falando com a mãe dele, mas eu preciso saber o que ela quer falar comigo, ou nunca mais vou conseguir deixar de pensar nisso.
***
Stefan me mostrou a foto da mãe uma vez e era exatamente aquela mulher que estava parada na minha frente no momento em que o elevador chegou na recepção, só que um pouco mais velha. Assim que ela me viu abriu um enorme sorriso e eu retribuí o gesto.
– Caroline! – estava mesmo tão animada quanto aparentava – Você é mesmo muito mais bonita pessoalmente do que nas fotos, exatamente como o Damon disse.
– A senhora também é muito bonita! – comentei – Espera..., o Damon te falou sobre mim?
– Assim que fiquei sabendo que o Stefan ia se casa, fiz o Damon me contar tudo que saiba a seu respeito – explicou – Além disso, depois que a conheci a Bonnie decidi que também queria te conhecer de qualquer maneira e o convenci também de me dar o endereço do lugar onde você trabalha; espero que você não se importe...
– Claro que não me importo – garanti – Também estou muito feliz em conhecer a senhora.
– E esse bebezinho... – colocou a mão na minha barriga e voltou a sorrir – Sabe..., por causa da diferença de idade dos meus filhos pensei que meu primeiro neto viria do Damon; sinceramente, nunca poderia imaginar que Damon iria demorar tanto assim para se casar e meu primeiro neto acabaria sendo do Stefan.
– Acho que são coisas da vida – dei de ombros – Mas tenho esperanças que ele vá conseguir se acertar com a Bonnie.
– Também espero isso – admitiu – Não é toda mãe que consegue enxergar isso, mas eles parecem felizes e isso é muito bom.
Apenas acenei com a cabeça. Em seguida nós duas ficamos nos olhando sem saber exatamente quem voltaria a falar primeiro.
– E vocês já sabem se é menino ou menina? – Lily decidiu perguntar, voltando a se referir ao bebê.
– Ainda não – disse – Mas temos esperança de conseguir descobrir na próxima consulta se ele ou ela colaborar.
– Espero muito que seja uma menina – comentou – Não me leve a mal, eu amo os meus dois meninos, mas sinto muita falta de ter tido uma menina; me arrependo até hoje de não ter tentado engravidar uma terceira vez.
– Também espero que seja uma menina – falei – Aliás, eu e o Stefan esperamos isso.
– Fico feliz com isso – continuou – Bom, acho que a essa altura você deve estar sabendo do meu encontro fracassado com o Stefan um dia antes do casamento de vocês e vou entender perfeitamente se você falar não; mas eu gostaria muito de poder ir almoçar com você, isso se você não já não tiver planos, é claro.
– Eu adoraria ir almoçar com a senhora – respondi – Para ser sincera, eu acho que o Stefan deveria ter ouvido o seu lado da história, mas ele consegue ser muito teimoso quando quer e nada nesse mundo consegue convencê-lo do contrário.
– Por favor, me chame de Lily – pediu.
– Certo, Lily – me corrigi – Só preciso ir lá em cima pegar a minha bolsa e já podemos ir almoçar.
Ela concordou antes que eu me virasse novamente na direção do elevador.
***
Fomos até o restaurante que não ficava muito longe da sede da revista. Estava sendo um almoço muito divertido e conversamos muito e sobre diversos assuntos.
– Então quer dizer que você foi líder de torcida? – Lily parecia bem animada com a minha “história de vida” – E ainda foi miss lá na sua cidade?
– Acho que posso dizer que fui uma espécie de miss-mirim – expliquei – Para a corte dos fundadores no aniversário da minha cidade e ainda desfilei em um carro alegórico; o Stefan também desfilou, junto com a Elena, a namorada dele na época.
– Parece bem divertido – disse – Gostaria muito de ver uma foto disso.
– Acho que a minha mãe ainda deve ter fotos do desfile lá em casa – lembrei – Posso pedir para ela me mandar e então eu te mostro.
– Seria perfeito! – animou-se – E isso quer dizer que você gostaria de me ver novamente?
– Claro que sim – afirmou – Você é mãe do meu marido e avó do meu bebê; tenho certeza de que você deve querer conhecer o seu neto ou a sua neta quando nascer, não é mesmo?
– Claro que eu quero conhecê-lo – respondeu sem nem mesmo pensar duas vezes – Mas não tenho certeza se o Stefan vai concordar com essa sua decisão.
Passei os últimos cinco anos ouvindo o meu melhor amigo lamentando por sua mãe tê-lo abandonado quando ele ainda era criança e confesso que até eu mesma passei a odiar aquela mulher por ter feito isso. Só que agora, conhecendo Lily pessoalmente, posso ver que ela não é tão ruim assim e com certeza deve ter um ótimo motivo para ter feito isso.
– Lily, posso te fazer uma pergunta? – pedi – E você promete que não fica chateada?
– Claro, pode perguntar – afirmou.
– O que você tem feito nesses últimos treze anos? – quis saber – Nesses treze anos em que esteve afastado dos seus filhos.
Ela ficou alguns segundos encarando o prato vazio a sua frente. Talvez eu tenha pegado pesado tocando em um assunto tão delicado assim tão repentinamente.
– Tudo bem, não precisa me responder – me corrigi – Não é como se eu tivesse alguma coisa a ver com isso.
– Não, eu quero falar sobre isso – me interrompi – Logo depois que eu saí de casa fui para a Europa, Inglaterra, para ser mais exata. Passei algum tempo morando lá e depois passei um tempo em Nova York, até que decidi voltar para Toronto, há dois anos; claro que eu queria ir procurar os meus filhos, mas me faltou coragem, isso até ver a reportagem sobre o Damon e finalmente entrei em contato com ele.
Fiquei pensando no que dizer em seguida, mas a palavra certa simplesmente não chegava. Tudo que consegui fazer foi abrir e fechar a boca diversas vezes.
– Não sabe o quanto eu me arrependo pelo que eu fiz – como eu não disse nada, Lily continuou – E acredite, eu tive bons motivos para isso e se você me der apenas alguns minutos, posso te explicar tudo.
– Você não precisa mesmo me explicar nada, Lily – avisei – Não para mim que você tem que dar explicações e sim para o seu filho; é o Stefan quem deveria estar aqui ouvindo isso, não eu.
– Acredite em mim, Caroline, querida, eu queria muito poder falar isso para o meu filho – garantiu – Mas o Stefan não quis ouvir quando nos encontramos e como você mesma disse, ele é muito teimoso quando quer.
– Posso tentar falar com ele! – sugeri – Admito que não vai ser fácil, mas eu posso tentar convencê-lo a te encontrar para que vocês conversem.
– Eu nem saberia como te agradecer caso você consiga – parecia mesmo bem animada com essa minha decisão.
– Você não precisa me agradecer, só estou fazendo o que acho certo – expliquei – Minha mãe é uma das pessoas mais importantes da minha vida e agora que eu vou ser mãe também começo a entender o lado dela; o Stef merece ter isso também com a dele.
– Aqui está o meu cartão – era o cartão de uma loja de roupas que não ficava muito longe de onde estávamos, para falar a verdade eu já tinha passado na frente dela várias vezes desde que comecei a trabalhar na revista – Se ele concordar, peça para ele me ligar, a hora que quiser.
– Certo – coloquei a mão sob a dela – E não se preocupe, tudo vai dar certo; eu tenho certeza.
***
Estava na mesma página há cinco minutos enquanto esperava o meu marido sair de dentro do banheiro. Ainda não tinha encontrado o melhor momento para conversar com ele, mas acho que teria que ser agora, ou eu acabaria perdendo a coragem.
Assim que Stefan voltou eu marquei a página em que eu estava e coloquei o livro em cima da mesa. Ele se aproximou de mim e me deu um rápido selinho.
– Será que eu posso saber o que está passando pela sua cabeça? – quis saber – Você está quieta desde que chegou em casa e isso não é muito comum, estou oficialmente preocupado.
– Bobo... – sorri enquanto me ajeitava melhor na cama – Aconteceu uma coisa e eu queria conversar com você, primeiro que eu acho que é o certo a fazer e em segundo porque acho que você deveria tomar a mesma atitude que eu.
– Corrigindo, agora eu estou oficialmente assustado – repetiu – O que foi que aconteceu de tão grave, Care?
– Fui almoçar com a sua mãe hoje – encarei um ponto fixo na parede, sem coragem de encará-lo.
– Minha mãe? Você quer dizer, a Lily? – apenas balancei a cabeça afirmativamente – Como assim você almoçou com a ela hoje?
– Ela foi me procurar lá na revista e me convidou para almoçar – expliquei – Nós conversamos bastante e confesso que foi bem divertido conhecer a sua mãe.
– E agora você quer que eu vá encontrá-la? – aquela não era exatamente uma pergunta, mas mesmo assim balancei a cabeça afirmativamente – Isso não vai acontecer, Caroline.
– E por que não? – cruzei os braços, bem séria – Me diga um motivo para não querer ir ver a sua mãe depois de passar treze anos sem vê-la?
– Você acabou de responder o motivo de eu não querer ir – respondeu – Essa mulher me abandonou, ela não é minha mãe.
– Essa é a única coisa que você sabe repetir – elevei um pouco o meu tom de voz – Tudo que você faz é fica se lamentando, nem ao menos pensa em dar uma chance para ela se explicar.
– Nós estamos mesmo tendo essa conversa? – agora ele também estava falando alto – Você sabe de tudo que aconteceu, eu já te contei e mesmo assim você está aqui, do lado dela.
– Não estou do lado de ninguém – alertei – Apenas quero que você não tome uma atitude precipitada que vá se arrepender depois.
– Só me arrependeria caso fosse falar com aquela mulher – ele pegou os seus travesseiros, que estava ao meu lado na cama – Vou dormir no quarto de hóspedes, melhor ficar sozinho do que te ouvir falando a noite toda a respeito disso.
– Stef, espera... – tentei chamá-lo, mas ele já tinha saído do quarto e batido a porta com força; sei que não adianta nada tentar falar alguma coisa agora, melhor fazer isso apenas amanhã quando nós dois estivermos mais calmos.
Fale com o autor