Changes

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Espero que gostem assim como eu estou gostando =)

_Ela está bem? – pergunta Damon ao médico que acaba de entrar no quarto onde Elena foi transferida logo após a cirurgia.

_Ela acabou de ser operada, ficaram fuçando na cabeça dela por horas, o que você acha? – digo sem conseguir me controlar. Veja bem, Elena é minha melhor amiga desde que éramos crianças, passamos por todas as fases até chegar a fase adulta juntas. E Damon, era o atual namorado dela, mas para mim ele continuava sendo o idiota que implicava com a gente quando éramos adolescentes. Ele fez do ensino médio, um verdadeiro inferno pra mim e para Elena, porém o amor falou mais alto e a mais ou menos um ano ele e Elena começaram a namorar. Eu fazia de tudo para evitá-lo, mas no momento era impossível, eu não iria sair do quarto de Elena até que ela acordasse, e infelizmente ele também não.

_Eu não estou falando com você. – retrucou ele, é claro, não pense que só porque ele e Elena estavam juntos agora que ele deixou de ser um total cretino comigo, pelo contrário, se ele mudou mesmo como Elena disse que mudou, não fez o menor esforço para que eu mudasse de idéia a seu respeito.

_Com licença, sinto muito incomodar vocês dois mas, peço para que se calem, Elena pode não estar conciente, mas logo acordará e suspeito que ela não queira assistir a essa cena ridicula de vocês. – disse o médico, nos calando de imediato, tudo bem, acho que nós merecemos essa bronca. – Respondendo a sua pergunta, clinicamente ela está bem sim, a cirurgia foi um sucesso, só que para ter certeza teremos de esperar ela acordar.

Eu me sento no sofá que fica perto da janela e Damon no banquinho ao lado de Elena. Se ele não fosse tão insuportável eu até admitiria que faziam um belo casal, mas no momento tudo o que quero fazer é tirá-lo de perto dela. Quando sofreu o acidente estava indo de encontro a ele, é claro que a culpa não é dele mas eu não me importo, ele não deveria estar aqui e ponto final.

Duas horas depois Elena acorda finalmente. Ela abre os olhos vagarozamente e tenta se localizar, olha em volta confusa, até que seus olhos encontram os meus e ela me reconhece, lança um meio sorriso.

_Bo-bonnie? – gagueja ela.

_Eu estou aqui, não fala nada não, vou chamar a enfermeira.

Vou até a recepção e chamo a primeira enfermeira que encontro pela frente, aviso que minha amiga está conciente e ela sai a procura do médico, quando retorno para o quarto vejo Elena encarar Damon desconfiada, não entendo a cena de imediato, mas logo que ela me vê fica um pouco mais tranquila, na hora penso que esse imbecil já aprontou alguma, olho irritada pra ele mas me sinto um pouco mal pela expressão que vejo em seu rosto, ele está tão pálido que parecia a ponto de desmaiar.

_Bonnie. – diz Elena. – o que ele está fazendo aqui?

_Como assim Elena. – pergunto tentando entender a reação da minha amiga.

_O que ele faz aqui? – ela repete um pouco mais alto. – Vai embora!

_Amor. – diz ele mas ela logo o interrompe.

_Vai embora, eu não te quero aqui!

Nesse momento o médico se apressa pra dentro do quarto e nos manda sair, Damon aceita relutante e eu saio logo em seguida, ele praticamente se joga no chão e fica sentado com a cabeça entre as mãos, ele está chorando?

_O que você fez? – pergunto.

_Ela não se lembra de mim. – explica ele me deixando ainda mais confusa, esse povo não está fazendo sentido hoje.

_O que você quer dizer com isso?

_Quando ela me viu, ficou nervosa e me mandou ir embora, eu disse que estava preocupado, e ela falou que eu estava mentindo, até ai eu não tinha percebido, mas então depois ela disse que me odiava e que não entendia o porque de eu estar ali sendo que nunca fui gentil com ela, eu falei que eramos namorados, e ela se recusou a acreditar, disse que nunca me namoraria porque eu era um cretino que sempre a atormentou. Ela não se lembra de mim, ou melhor, de nosso relacionamento. – Uma lágrima escorre por seu rosto quando termina de falar e ele desvia o olhar, fico sem palavras, se o que ele disse é verdade, não posso imaginar o que está sentindo no momento, apesar de não suportá-lo eu realmente acreditava que ele a amava de verdade, não digo nada pois não acredito que seria justa com ele no momento, afinal Damon já estava sofrendo o suficiente sem minha ajuda. Me encosto na parede oposta a ele e fecho os olhos tentando assimilar o que estava acontecendo.

Depois de algumas horas e mais uma bateria de exames o médico nos informou que Elena realmente tinha perdido a memória, dois anos de sua vida foram apagados, e como Damon e ela namoravam a menos de um ano, ela não se lembrava de nada sobre o relacionamento dos dois. Damon não queria acreditar e tentou falar com Elena algumas vezes mas ela não o queria por perto, quando já estava exausta de tanto mandá-lo embora simplesmente passou a ignorá-lo, confesso que me senti um pouco mal por ele, estava tão abatido que dava pena, depois de muita insistencia de minha parte ele decidiu ir embora. Elena era sozinha no mundo, ou melhor, ela tinha a mim e a seu irmão caçula, porém este havia se mudado para Boston pra estudar. Damon e eu eramos seus únicos contatos aqui em Mystic Falls, é claro que ela tinha outros colegas mas não passavam disso, colegas. Eles se importavam com ela, mas não assumiam nenhuma responsabilidade para ajudá-la.

_Não consigo acreditar, como aquele idiota teve coragem de vir pra cá e me dizer aquelas coisas? Não me respeita mesmo quando estou doente? – elena me tira de meus devaneios ao falar subitamente, eu acreditava que ela estava dormindo.

Não sabia ao certo como respondê-la, o médico havia dito que a chance dela recuperar a memória era mínima, de acordo com alguns exames ela estava perfeitamente bem exceto por aquele detalhe.

_Elena, você não se lembra de nada mesmo? – tento.

_Não, e mesmo se lembrasse, tenho certeza de que nunca namoraria ele.

_Elena, ele estava dizendo a verdade, pode acreditar, você sabe que eu nunca te diria uma coisas dessas se não fosse verdade. – confesso.

_Bom, então fico feliz por ter me esquecido, realmente, onde é que eu estava com a cabeça? – diz ela firmemente.

_Acho melhor você descansar um pouco. – digo tentando fugir do assunto, Damon.

_Você não vai dormir aqui, vai? – indaga ela.

_Estava pensando em dormir aqui sim, qual o problema?

_Bonnie, vá pra casa, descanse, amanhã você volta, estou vendo que está cansada, toma um banho, relaxa, eu vou ficar bem, provavelmente nem vou acordar de madrugada, com essa quantidade de remédio que estão me dando vou cair num sono tão profundo que vão pensar que estou morta.

_Não fala isso. – repreendo-a, mas deixo escapar um sorriso, se estava fazendo piada é porque estava bem. – Tudo bem, eu vou pra casa, mas amanhã bem cedo eu volto, quer que eu traga algo?

Elena havia se mudado para meu apartamento a alguns meses, nos divertiamos muito morando juntas, é claro que quando Damon resolvia fazer uma visitinha, eu caia fora, ficava rodando a cidade por horas, só pra eles terem um pouco de privacidade, eu odiava interrompê-los, pois Damon ficava de mal humor e me irritava ao extremo, um dia eu cheguei em casa e o peguei só de toalha, a minha toalha devo acrescentar, enrolada na cintura, meu sangue ferveu e eu não aguentei, nós dois discutimos feio, desde então ele só ia até lá quando tinha certeza de que eu não estaria.

_Só preciso de uma roupa descente, essa roupa de hospital faz com que eu queira arrancar meus olhos de tão feia. Além disso estou traumatizada pois estou um pouco careca. – diz ela.

_Eles rasparam 3 centimetros só Elena, não exagere, da pra esconder e além disso, cabelo cresce, mas pode deixar, eu vou ver se acho alguma coisa. – digo rindo, dou um beijo nela e saio.

Damon está no estacionamento, mais precisamente, encostado no meu carro.

_O que você quer? Achei que já tinha ido pra casa. – digo irritada.

_Como eu poderia ir? Só quero saber como ela está. –ele fala, e eu tento não ser grossa ao responder.

_Damon, vou ser sincera com você, ela está ótima, até piada já está fazendo, mas ela não se lembra de você, de acordo com o doutor, nem vai se lembrar, só por um milagre. Então, por favor tente se afastar, ela não pode se aborrecer, apesar de estar bem, ainda está em observação.

_Você não entende, eu a amo, como posso ficar longe? Bonnie eu sei que você me odeia, mas por favor tenta compreender.

_Eu compreendo. – digo, surpreendendo a ele e a mim mesma porque eu realmente o entendo. Se eu estivesse no lugar dele, provavelmente estaria agindo da mesma forma ou até mesmo pior. – Mas não há nada que eu possa fazer pra te ajudar.

_Você pode me ajudar a reconquistá-la. – afirma Damon.

_E porque eu faria isso? – indago, afinal, minha amiga estava livre desse babaca, ela não o queria mais e eu não tinha como evitar a felicidade que sentia com isso.

_Porque você é uma boa pessoa? Ou simplesmente porque sabe que Elena era feliz comigo e quer ver sua amiga feliz novamente? Não sei, eu só estou pedindo sua ajuda porque eu não tenho mais ninguém pra pedir, sei que fui um babaca com vocês no ensino médio e que você ainda não me perdoou, mas sinceramente? Você não consegue acreditar que as pessoas possam mudar? Eu sou a prova disso, eu era um cretino, eu reconheço, porém hoje não sou mais aquele muleque, eu cresci.

_Pela Elena, eu vou ver o que eu posso fazer, talvez eu a convença a falar com você, mas se não der certo, você promete ir embora e não voltar a procurá-la?

Ele parece pensar um pouco mas acaba concordando, quando estou saindo do estacionamento ele grita meu nome.

_Espera. – começa ele. – me promete mais uma coisa? – eu não respondo, apenas espero ele continuar a falar. – Que vai me manter informado sobre tudo o que acontecer com ela? Sobre o tratamento, se ela estiver precisando de alguma coisa?

_Ta bom. – é tudo o que digo.

Notas finais
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