Changes
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Um mês após o acidente, Elena estava irredutível, não queria encontrar Damon de maneira nenhuma, e talvez eu não tenha colaborado muito para que ela mudasse de ideia, veja bem, eu até que insisti de vez em quando, mas se ela não queria mudar de ideia, que culpa tenho eu? Não sou uma má pessoa, por favor, não é isso, mas Elena parece estar se sentindo tão bem, e sempre que menciono o nome de Damon ela se aborrece.
Não tenho falado com ele frequentemente, porém, as vezes ele me liga pra saber se algo mudou. Eu me sinto um pouco mal ao dizer que ela não quer saber dele, mas não há mais nada que eu pudesse fazer. Os médicos me disseram que tentar força-la a se lembrar fazia mal a ela, e eu me preocupo demais com minha amiga pra tentar fazer algo que prejudique sua saúde.
_Bonnie, preciso falar com você. — Elena fala, geralmente quando ela solta essa frase significa que não vou gostar do que ela tem pra me dizer.
_O que aconteceu? — indago.
_Olha, eu sei que você quer que eu me encontre com o Damon, não entendo o porque, mas eu não posso.
_Okaaay. — fico confusa, já fazia uns três dias que eu não falava nada sobre ele pra ela.
_Então eu decidi que vou ficar um tempo na casa da Caroline.
_O que?! — exclamo, eu não fazia ideia de que a estava perturbando tanto, isso me deixou um pouco magoada.
_Não tem nada a ver com o Damon. — explica. — Nem com você, eu adoro morar aqui, você sabe disso. Mas é que lá na casa dela eu teria mais liberdade, e eu não quero encontrar com ele mesmo que por acaso.
Caroline se mudara com Klaus, agora marido dela, para uma casa no campo, a família de Klaus sempre fora muito reservada em relação as suas propriedades, mas eles eram ricos, e tinham várias casas, Caroline não era do tipo que gostaria de mudar para um local tão longe da cidade, mas o marido conseguiu convence-la, e ela estava gostando de sua nova vida. Abandonou a faculdade, o que surpreendera todos nós, pois ela era a mais entusiasmada quanto a isso.
_Preciso ficar mais ao ar livre, ficar trancada aqui nesse apartamento o dia todo não esta me fazendo bem, e nem sempre posso ficar te pedindo pra me levar a algum lugar, afinal você tem sua vida, a faculdade, não quero atrapalhar. — Elena já estava recuperada do acidente, porém ainda sentia algumas dificuldades para se locomover, ela andava, mas se cansava rapidamente, então alguém sempre tinha de estar junto para ajudá-la. Realmente o campo era uma boa solução, sempre estaria ao ar livre e Caroline iria fazer de tudo para que ela se sentisse confortável, afinal, era a anfitriã perfeita. Ninguém podia reclamar da maneira como Caroline administrava as coisas, sempre organizada, as vezes era até mesmo irritante.
_Tudo bem, mas você já falou com ela?
_Na verdade, ela que me chamou pra ir pra lá.
E foi assim que eu fiquei com o apartamento só pra mim, pelo menos por um tempo. Quem não gostou nada dessa história foi Damon, que quando soube que Elena partira só faltou me matar.
_Eu não acredito nisso! Achei que você ia me ajudar. — esbravejou ele pelo telefone, eu tive que afastar o aparelho da orelha pra não ficar surda.
_Ah não me venha com essa, eu tentei, mais a culpa não é minha se você é um idiota. — retruquei.
_Eu idiota? Fala sério, ela é minha namorada, eu tenho o direito de falar com ela.
_Damon, ela não vai mudar de ideia, ela te odeia, e a culpa é unicamente sua, você quem nos tratava mal na escola, o fato dela não se lembrar das suas qualidades, que alias não consigo enxergar nenhuma, não substitui o que você fez naquela época, ela não quer falar com você porque só se lembra das coisas ruins que você já fez, como você acha que ela conseguiria te dar uma chance? Você prometeu que iria se afastar caso ela não se lembrasse, e já faz um mês, ta na hora de você seguir em frente. — digo tudo de uma vez, acho que é a frase mais longa que já disse a ele em toda minha vida, e como me senti bem, o silêncio do outro lado da linha apenas fez com que eu me sentisse melhor, eu finalmente consegui deixar Damon Salvatore sem palavras. Desliguei o telefone antes mesmo que ele tivesse chance de responder.
Mas meu momento triunfal não durou muito, naquele mesmo dia, algumas horas depois ele estava em meu apartamento, pensei em não deixá-lo entrar, mas eu tinha certeza de que ele não iria embora até que eu falasse com ele.
_O que você quer? — pergunto.
_Quero sua ajuda.
_Eu tentei, mas ela não quer saber de você, quantas vezes tenho que repetir isso?
_Olha, Bonnie, eu não te conheço direito, mas apenas pelo modo como fala comigo sei que não se esforçou nem um pouco pra me ajudar.
Ele estava certo é claro, mas o simples fato de eu ter tentado ajudar já não era o suficiente? Não digo nada, apenas fico o encarando esperando ele continuar a falar.
_E eu sei que o motivo desse teu ódio todo é porque eu não tratava vocês bem na escola, mas isso já faz tempo, será que não da pra esquecer? — diz ele e eu rio secamente, aquela frase era típica do Damon do ensino médio, primeiro fazia a burrada e depois mandava as pessoas esquecerem, como se isso fosse um pedido de desculpas.
_Eu não consigo acreditar no que estou ouvindo, você foi um cretino durante anos comigo e agora quer que eu esqueça? Você me humilhou na frente da escola toda diversas vezes, você não se lembra de ter inventado pra todo mundo que eu era adotada? Até os professores ficaram me perguntando como eu me sentia ao descobrir aquilo, e quando jogou meu lanche no menino que eu gostava e saiu dizendo pra todo mundo que foi eu quem fiz porque ele não olhava pra mim? E todas as vezes que me xingou de bruxa quando eu passava por você e seus amigos? Todos começaram inventar apelidos ridículos pra mim, apenas porque você ria. Todos queriam ser seus amigos, e como descobriram que o modo mais rápido de conseguir sua amizade era atormentando a mim e meus amigos, o que você acha que fizeram? E sabe o que é pior de tudo? Nós nunca fizemos nada pra você, essa sua implicância começou assim que você colocou os olhos sobre nós, sem motivo algum!
Ele no mínimo pareceu um pouco envergonhado.
_Eu sei que minhas atitudes foram imperdoáveis, mas eu mudei. E eu achava que eu tinha meus motivos para agir daquela forma na época, agora pode até ser que eu faria diferente mas não quando eu era apenas um garoto de 16 anos.
_Idade não justifica a falta de caráter. — retruco irritada.
_Tudo bem, você não quer esquecer? Por mim tanto faz, mas pelo menos me de uma chance de tentar me explicar.
_Claro, se explique então. — digo ironicamente.
_É uma longa história. — comenta.
_Tenho tempo.
_Na verdade não tem. — diz ele olhando para o relógio. — Você tem que ir pra faculdade.
_Eu falto hoje. — falo.
_Não, você vai e depois a gente se encontra. Eu nunca falei pra ninguém o que aconteceu comigo e antes de te dizer preciso de um tempo.
_Claro, pra você inventar suas mentiras.
_Eu estou falando sério. — diz ele secamente, e sai rapidamente do meu apartamento, confesso que fiquei bastante intrigada, o que poderia ser tão sério pra que ele agisse assim? O que sera que aconteceu que fez com que ele se tornasse tão insuportável?
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