Sentia meu rosto queimar inexplicavelmente.

Minha cabeça gritava, quase explodindo. Aquela garota é louca? Como ela tem coragem de dizer coisas como àquelas para mim? Eu sentia meu orgulho sendo ferido, me deixando cada vez com mais ódio. Eu tinha sentimentos ela que andava por ai com essas idéias ridículas sobre minha vida.

Entrei em casa enfurecido, subi as escadas, abri a porta de meu quarto e me joguei em minha cama. Comecei a respirar com um pouco mais de calma. Pensei que ela estaria indo embora e demoraria um bom tempo para vê-la. Não acreditava que ela pudesse ter me beijado, mesmo sabendo que estava com Samantha. Que eu amava Sam. E o pior meu corpo inteiro negava-se em admitir o que havia sentido.

Sim, eu senti algo.

Mas não de minha parte, e, sim, da dela. Sophie me beijou de uma forma tão intensa, tão profunda que me perdi por alguns instantes. Mas era algo que já esperava de alguém que me amava. Quer dizer, é algo que só pode esperar de pessoas que estão amando. Eu sentia nojo de mim mesmo, por ter beijado outra. Por deixar Sam com fama de traída. Soquei meu travesseiro com força. Mas que diabos aquela garota havia feito com minha vida? Eu não iria conseguir olhar para Sam sem culpa, e ela notaria, cedo ou tarde.

Senti a porta de meu quarto sendo aberta, rezei para não ser ela.

Enganei-me.

- Nick, amor, está tudo bem? – Sam.

- Sim, porque não estaria? – disse rapidamente.

- Você está estranho. – ela chegou mais perto.

- Não, não estou. – virei-me em sua direção.

- Você está vermelho, Nicholas! Algo o irritou.

- Sim, algo me irritou.

- Me conte o que aconteceu?

- Sophie.

- O que essa garota quis com você, novamente? – ela cuspiu as palavras.

- Ela declarou-se para mim.

Samantha riu em um tom totalmente debochado.

- Aquela criança? – ela riu ainda mais alto. – Ela é uma ridícula! O que você disse á ela?

- Que eu não á amo, obviamente. Disse que estava amando você. – baixei os olhos.

- Isso mesmo. – ela sorriu, mas não disse que me amava de volta. – Não parece que aconteceu só isso Nick.

- Bom, ela me pediu algo. Antes de ir embora. – disse nervoso.

- Como assim, ir embora? O que ela te pediu?

- Ela disse que iria embora se eu a beijasse olhasse em seus olhos e mostrasse que não á amava. – disse simplesmente. Senti Samantha mexer-se desconfortável na cama.

- E você fez o que ela mandou? – ela parecia nervosa.

- Claro, eu queria que ela fosse embora o mais rápido possível.

- O que você sentiu? – ela quase gaguejou.

- Nada, literalmente. – ela perecia, de certa forma, aliviada. – Porque eu sentiria apenas se fosse com você.

- Ah claro. – foi o que ela simplesmente respondeu, seu olhar vagava longe.

- Está tudo bem, você não ficou chateada? – perguntei apreensivo.

- Não, está tudo bem, desde que ela vá embora. – ela disse rapidamente.

- Ela foi. – disse desconfiado.

- Ótimo! – ela sorriu novamente. – Temos festa hoje! Quer ir?

- Não estou muito a fim de sair, sério. – suspirei. – Mas gostaria de ficar comigo para assistir um filme aqui em casa?

- Desculpe meu amor. Eu vou à festa. Vai estar cheia de gente famosa e popular! – ela sorriu. – Adeus. – ela acenou com a mão e sem ao menos dar um beijo foi embora.

Já havia me acostumado com tal comportamento. Apenas virei minha cabeça para o travesseiro novamente, e tentei adormecer.

Quando senti meus olhos finalmente pesarem, a porta foi aberta com um estrondo.

- É TUDO SUA CULPA!

Olhei para Joe que tinha seu rosto pulsando em vermelho.

- O que eu fiz dessa vez?

- POR SUA CULPA, SOPHIE SE FOI!

- Ah, aquela garota. – deitei novamente minha cabeça em meu travesseiro.

- AQUELA GAROTA? NICHOLAS, VOCÊ NUNCA VAI CRESCER?!

- CALE A BOCA! PARE DE ME DIZER ISSO!

- NÃO EU NÃO CALO! PORQUE EU SEI, QUE O ÚNICO MOTIVO QUE O LEVOU A ODIAR SOPHIE FOI A SAMANTHA! AQUELA RIDICULA QUE NEM AO MENOS TE AMA!

- NÃO OUSE FALAR DELA DESSE JEITO! – levantei-me. – ELA ME AMA SIM!

- NÃO NICHOLAS, NÃO AMA. E NÃO DUVIDO QUE ELA ESTEJA TE TRAINDO! – a raiva tomou conta de mim de uma forma avassaladora. Não pensei duas vezes e soquei Joe.

Ele colocou a mão no rosto aonde eu havia socado.

- Você mudou, Nick. Não é aquele meu irmão que tocava com a gente, que ouvia nossos conselhos, que sabia valorizar os amigos.

- Desculpe Joe, e-eu não tive a intenção.

- Você não suporta a verdade não é mesmo? Espero que exista um modo de viver assim. – ele virou as costas e foi em direção ao seu quarto.

- DROGA! – exclamei nervoso.

Resolvi ir à festa que Sam estava, era minha única saída agora. Precisava conversar com ela.

Desci as escadas rapidamente, fechei a porta de casa e fui em direção ao meu carro. A festa não seria assim tão longe. Passei correndo por vários sinais, a culpa me consumia de uma forma absurda. Ao chegar à festa abri a porta da tal boate desesperadamente. Passei em meio a uma enorme multidão á procura de Samantha. Eu não á encontrei, então resolvi ir á área vip.

Subi as escadas rapidamente, meus olhos estavam molhados e me sentia a pior pessoa do mundo. Eu precisava falar com alguém que me amasse, que iria me entender e podia me ajudar mesmo que não estivesse ligando á mínima. Ao adentrar o andar vip, passei meus olhos em toda a sala. Mas, eles pararam na direção em que ela estava sem ao menos pestanejar.

Sam beijava outro garoto.

Ela estava me traindo.

Ela não me amava.

E Sophie, sempre teve razão.

Notas finais
Rewiews?