Changes.

4 London Lovers.


Estava frio. Frio demais.

As ruas de Londres estavam encobertas num branco quase imperceptível, a neve gelava meu corpo por inteiro. Minha bochecha cortava com os poucos ventos que batiam, estava tão frio que pude sentir minhas entranhas gritarem por mais uma camada de roupas. Minha cabeça vagava longe, por isso, ignorava os poucos sinais que meu corpo produzia contraditando o frio.

O hotel em que passava meus dias ultimamente era um pouco longe de onde estava. Podia ver poucas pessoas na rua e as poucas que tinham eram extremamente individualistas. Nos meus 5 dias que passei aqui, fiz um único amigo. Thomas.

Thomas morava em Londres desde um ano de idade, possuía 18 atualmente. Encontramos-nos no hotel, ele trabalhava por lá para ganhar um pouco de dinheiro para sua faculdade. Thomas era um garoto muito gentil, e, claro, muito charmoso. Assim como todos os garotos daqui. Não podia dizer nada sobre seu cabelo, ele era especificadamente tampado por uma enorme touca cinza todos os dias. Seus olhos eram verdes, quase azuis e possuía lábios tão vermelhos que duvidam se aquilo não era mesmo batom, motivo que o irritava peculiarmente.

Atravessei grandes avenidas encobrindo meu corpo com meus braços. Pude avistar o hotel em meio às árvores, estava tudo tão branco que até senti tontura. Corri em meio de gotas batendo em meu rosto, provocando-me risos idiotas. Eu amava Londres, amava o frio.

Adentrei o grande saguão dourado, e suspirei quando senti o ar quente que ali presenciava. Pude avistar Thomas atrapalhado com alguns papeis em sua mesa. Corri em sua direção.

- Olá, Thomas. – sorri.

- Quem está... Ah, Olá Sophie. – ele acenou e voltou seus olhos para os papeis em sua frente.

- Hãm... Precisa de ajuda?

- Não se importa? – vi em seus olhos, uma espécie de suplica. Thomas sorriu.

- Claro que não! Vem deixe-me ajudá-lo com isso. – fui em direção ao balcão, passei pela pequena porta e sentei-me ao seu lado.

Passamos um grande tempo ajeitando aquela grande papelada dos hospedes que aqui havia. Confesso que rimos a maior parte do tempo, mas, mesmo assim, resolvemos o “grande” problema que ele tinha.

- Sério Sophie, não sabe como te agradeço por isso. — ele me abraçou.

- Você poderia ser menos dramático? – rimos.

- Ah, foi um trabalho e tanto, convenhamos?

- Sim, mas eu me diverti bastante. – sorri verdadeiramente.

- É, eu também. – vi suas bochechas corarem. Ri interiormente com tal ato.

- Acabou seu expediente?

- Sim, por quê?

- Quer ir ver um filme?

- Claro! Há um cinema aqui ao lado, o dono é meu amigo! Podemos pagar mais barato. – ele segurou minha mão. – Vamos!

- Espere! Eu estou com frio, vou colocar mais um casaco lá em cima. – sorri, puxando-o em direção ao elevador.

- Não posso ir ao quarto dos hospedes, Sophie! Vou ser despedido! – ele disse preocupado.

- Amigos podem, não?

- Bom...

- Então cale a boca! – rimos enquanto adentrávamos o elevador.

- Você é uma garota louca! Literalmente. – ele sorriu.

- Sou é?

- Claro! Nunca uma pessoa viria me ajudar com uma papelada gigante, nem me chamar para ir ao cinema nesse frio!

- Sou de Los Angeles, lá isso é uma coisa extremamente normal.

- Percebi. Ao contrário de todos, você me tratou bem desde o primeiro dia que me conheceu. – ele riu baixinho.

- Bom, desde o primeiro dia eu gostei de você. – os dois sorriram e logo após, senti minhas bochechas queimarem.

- Chegamos. – ele apontou a porta de casa com a cabeça.

Coloquei a chave na maçaneta lustrosamente polida, adentramos meu apartamento e encostei minha porta logo em seguida.

- Sinta-se á vontade. Eu já venho. – disse seguindo em direção ao meu quarto.

- Ok. – ele sentou-se em meu sofá.

Entrei em meu quarto, abri meu guarda-roupa. Peguei a primeira jaqueta grossa que virá e voltei para sala. Encontrei Thomas segurando uma foto.

- Quem são eles? – ele disse quando me sentei ao seu lado.

- São os meus melhores amigos. Esse é Kevin, o que está sorrindo como um bobo é o Joe é o pequeno é o Frankie.

- Você parece muito feliz nessa foto.

- Bom, eu estava realmente.

- Você os deixou para trás, quando veio para cá?

- Sim, eu tive. – disse simplesmente. Thomas virou seu rosto em minha direção.

- Afinal, o que a levou vir para cá?

Fiquei quieta por alguns segundos, olhando para baixo. Thomas percebeu que não queria tocar no assunto.

- Não á obrigo falar sobre isso, é claro. Mas, se precisar desabafar estou aqui para isso.

- Tem coisas que precisamos esquecer, não é? – perguntei indecisa.

- Sempre existe algo.

Respirei fundo algumas vezes, engoli em seco e resolvi contar á ele o motivo de ter vindo para cá.

- Thomas, você já amou alguém tanto que seu coração doía só de pensar na pessoa? – perguntei baixando os olhos.

- Sim. – ele respondeu rapidamente, não havia entendido, mas senti seus olhos pousarem em cima de mim.

- E essa pessoa te magoa tanto que a força ter que deixar tudo que você mais ama e tudo que você nunca conseguiria dizer adeus. – senti lágrimas brotarem de meus olhos. Thomas passou seu braço ao redor de meus ombros, encostei minha cabeça em seu pescoço. – Eu amava aquele garoto, muito. Ele chamou-me de criança. Disse que nunca me amaria e que sempre amou outra. – solucei alto, e poupei o resto da história. Pude sentir a respiração de Thomas em meu cabelo.

- M-mas você ainda o ama?

- Não sei, mas isso não importa. Não mais. – levantei meu rosto em sua direção.

- E se eu disser que eu te amo? – congelei. – Que me apaixonei por você desde o dia em que te vi atravessar esse saguão. Com o nariz vermelho de frio. – ele riu baixo. – Você veio falar justamente comigo e você lembra-se de como eu gaguejei? De como fiquei nervoso? Tentei, depois daquele dia, ficar longe de você. Por que, como alguém como você pudesse gostar de alguém como eu? Sem dinheiro, sem família e muito menos sem amigos. Sophie, você é linda. Em todos os sentidos. O garoto que a magoou não te merece, muito menos sabe o que diz. Ele, afinal de contas, é um idiota. Pois está te perdendo. – e então ele levantou os olhos que permaneceram baixos durante toda a conversa.

Eu paralisei.

Nunca tinha pensado no Thomas dessa forma. Mas agora, que parei para perceber os fatos, tudo fazia sentido. Todos os meus pensamentos vagando em direção á ele e seus olhos verdes. Seu jeito especial de fazer-me rir. Os poucos, mas extremamente memoráveis momentos que passamos juntos. O modo que ele me contava suas experiências divertidas e como ele chegou e viveu suavida aqui.

De algum jeito, alguma forma eu o amava e não tinha como negar isso.

- Você não precisa sentir o mesmo por mim, sabe. Não vou ligar, mas continue, ao menos, minha amiga.

- Não Thomas. – ele me olhou de uma forma totalmente assustada. – Eu não posso ser mais sua amiga.

- Por favor, Sophie. Eu sei que sou um idiota! Desculpe-me! Eu... – eu o interrompi simplesmente com um beijo.

Ele correspondeu com amor, aquele que eu queria ter sentido por Nick. E eu, sem perceber, também o beijava com a mesma intensidade. Passava a mão por seu pescoço ele sorria em meio ao beijo. Fomos nos soltando aos poucos precisávamos de fôlego.

Quando abri, finalmente, meus olhos eles se depararam com um Thomas sorrindo alegremente e ainda permanecia com os olhos fechados.

- Você é um bobo. – ri baixinho.

- Só se for por você.

E então, ele colou novamente seus lábios nos meus.

Notas finais
Rewiews?