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14 Capítulo 14 - Nós damos um jeito...
Notas iniciais
Utau e Kukai entraram em casa, ainda meio úmidos pela chuva que pegaram no caminho. Nenhum dos dois ousava dizer qualquer coisa, agora. Haviam combinado de conversar com seus pais sobre os acontecimentos recentes, mas… agora que se aproximavam do momento decisivo, isso já não parecia mais tão fácil quanto antes.
— Ah, vocês chegaram! – Souko exclamou, ao ver os dois jovens entrando pela cozinha – Sequem-se um pouco, antes de ir tomar banho! – ela estendeu toalhas que estavam ali por perto. – Eu já estava ficando preocupada, ia mandar Ikuto ir atrás dos dois com guarda-chuvas… — ela exclamou, suavemente, mostrando a chuva que engrossava do lado de fora.
Utau sentiu uma pontada de culpa perfurar seu peito, e tentou sorrir para a mãe. O resultado foi tão desastroso que ela optou por esconder o rosto com a toalha, como se estivesse apenas se secando. Kukai notou o desconforto da garota, e desviou o olhar, também perturbado. Os dois sentiam como se, de alguma forma, estivessem traindo a sua família quando se tornaram cientes daqueles sentimentos, que não eram errados, mas pareciam ser.
— Hm… e-eu vou tomar banho… — Kukai anunciou primeiro, andando com passos rígidos para a saída. Souko olhou intrigada para ele, captando qualquer coisa de errada no ar com seus instintos maternos. Voltou-se para Utau, que sentava-se na cadeira em frente à mesa naquele momento.
— O que aconteceu com ele? – indagou, tomando lugar também.
— Eu não sei… — Utau respondeu evasivamente, sem olhar nos olhos da mãe – Kaa-san… t-tem algo que eu queria falar com você…
— Ara, mesmo? – Souko logo se interessou. Era raro Utau pedir para conversar com ela… não, na verdade, nunca havia acontecido antes! Ela estava realmente feliz com isso.
— Etto… fale você primeiro, kaa-san, como foi seu dia? – mudou de assunto rapidamente, com a voz ainda trêmula.
— Ah, foi maravilhoso! – Souko começou a entoar. Estava realmente ansiosa para que alguém lhe perguntasse aquilo. – Eu fui convidada para tomar chá na casa da Fujisaki-san… você a conhece? Ela é mãe de um amiguinho do Kukai-chan…
— Sim, sim, eu conheço os Fujisaki…. – Utau riu fracamente, tentando acompanhar o entusiasmo da mãe – E então, como foi o chá?
— Ah, havia muitas senhoras da cidade lá… bem, considerando o tamanho da cidade, acho que eram todas. Elas são todas muito simpáticas! Um pouco conservadoras, é verdade, mas elas gostaram muito de mim, e me convidaram para fazer várias coisas…
— Mesmo? Quem estava lá? – Utau queria se manter minimamente interessada, mas é claro que seu pensamento vagueava aereamente para todas as direções, sem se focar em nada.
— Bem… além da Fujisaki-san, estavam a Hotori Mizue, que eu já conhecia, afinal, o marido dela foi colega do seu pai na escola… Bem, ela parecia mais tranquila do que era quando mais jovem… Também estavam lá a Hinamori-san, que é jornalista… ela é muito divertida, sim… A Mashiro-san, Yuiki-san… Oh, sim, a Yamabuki-san! Ela me disse que a filha dela fala muito sobre você!
— Deve falar mesmo… — comentou Utau, desinteressada.
— Elas são realmente muito boas, e foram receptivas comigo. Disseram que eu podia contar com elas para o que precisasse, e que sabia que deveria ser difícil mudar-se para uma cidade pequena com toda a família – Souko suspirou, alegremente – Eu nunca tive amigas donas-de-casa, Utau, isso não parece divertido?
— Sim, acho que sim… — Utau riu sem achar graça de nada. Na verdade, ela tinha planejado falar com a mãe enquanto Kukai tomava banho, mas não encontrava nenhuma brecha para isso.
— Bom, apesar de tudo, elas ainda tem pensamentos bem típicos de pessoas do interior. Comentaram de maneira bastante afiada sobre alguns “escândalos” que andaram acontecendo na cidade… não eram realmente coisas escandalosas, sabe, na verdade, eram coisas bem sem importância, que ninguém em Tokyo seria capaz de comentar. Coisas como garotos do colegial que saiam juntos, ou uma mulher que se divorciou do marido… mas ouvindo aquelas coisas, eu percebi que não seria nada fácil viver aqui caso elas soubessem sobre o que aconteceu antes… não é?
— É… — Utau sentiu como se uma pedra do tamanho de uma geladeira tivesse afundando o seu estômago.
Sua mãe estava ali, tão feliz em ser uma dona-de-casa cheia de amigas… e ela iria acabar com tudo aquilo, caso contasse sobre Kukai… Sim, por que nenhuma daquelas senhoras distintas e conservadoras, que sua mãe pintava com tanta admiração, aceitaria o fato de que ela e Kukai não eram irmãos de fato, ou que Souko havia fugido de casa com o amante. Ali, naquela cidade pequena repleta de princípios e moralismo, uma relação aparentemente incestuosa, ou adultério… nada disso seria digerido! A família Souma seria completamente escorraçada da sociedade, caso se apresentasse dessa forma.
— Então… o que você queria falar comigo? – Souko se agitou, impaciente.
— N-não era nada demais na verdade… É só que… eu conheci a Fujisaki Nadeshiko hoje, nós fomos buscá-la no trem… e eu tinha a impressão de que já havia ouvido falar dela… hm, em algum lugar… — ela disse rapidamente, a primeira coisa que veio à sua cabeça.
— Oh, eu vi uma foto dela na casa da Fujisaki-san! – Souko admirou-se – Ela é realmente bonita, não é? Bom, você com certeza ouviu. Hotori-kun era amigo de infância dela, na época em que morou aqui com o tio, dele. Ele falou sem parar sobre ela quando estava aqui, você não lembra?
— Ah, verdade. Lembrei agora. – Utau disse rapidamente, levantando-se de prontidão – Vou ver se aquele lerdo do Kukai já saiu do banheiro, tá bom? – ela se preparou para sair, depositando um rápido beijo no rosto da mãe antes de sair, ainda se sentindo terrivelmente culpada por tudo.
— O que deu nessa menina…? – Souko estranhou a atitude, ao vê-la se afastar com o indisfarçável semblante carregado. Supôs que o ar do interior que havia feito Utau mudar tanto em tão pouco tempo também estava deixando-a mais carinhosa, e se pôs a preparar o jantar, sem se deixar preocupar tão facilmente.
Utau subiu as escadas tão rapidamente quanto podia. Kukai a esperava lá no topo, com semblante preocupado. Ele não havia entrado no banho. A loira pulou para o conforto do colo dele antes mesmo de subir o último degrau, afundando na curva do seu pescoço, e agarrou-se a ele como um bote salva-vidas.
— Eu não pude dizer nada a ela! – Utau soluçou. Não estava chorando, mas era óbvio que isso não estava tão longe de acontecer.
— Eu ouvi… — Kukai disse, acariciando os cabelos dela.
Ele entendeu a relutância de Utau, pois também se sentia assim. Assim como Souko, seu pai havia finalmente conseguido encontrar alguém, depois de tanto tempo após morte da sua mãe, e Kukai não queria estragar essa nova vida, e a nova família que eles formaram, de maneira tão egoísta.
—Kukai… — Utau ergueu os olhos, e então se afastou – Eu não quero mentir para eles…
— Está tudo bem… Nós vamos dar um jeito – Kukai disse, e segurou a mão de Utau entre a sua. Estava fria.
Ela virou o rosto para o lado, como se estivesse irritada, mesmo que seu semblante denotasse apenas cansaço, e angústia. Desvencilhou a mão do toque cálido de Kukai, e entrou no quarto, sentando á beira da cama. Kukai a seguiu, fechando a porta e ficando de pé bem a frente dela. Esperava que ela dissesse algo, enquanto a fitava pacientemente com aqueles olhos verdes e gentis. Não era seu hábito ser tão quieto e paciente, mas ele estava se esforçando bastante para acompanhar o ritmo de Utau.
— Eu acho que… nós não deveríamos… hm… ficar juntos, Kukai… — Utau murmurou, incerta – Só vai trazer problemas pra todo mundo…
— Utau, o q-
— Era isso o que eu deveria dizer – ela levantou os olhos finalmente, para ele. Um fraco sorriso dava sinais de se compor, ainda que a culpa formasse uma espessa nuvem escura em seus olhos – Mas eu não quero. – respirou fundo e se levantou. Kukai ainda fazia aquela expressão incrédula, de quem se esforça para acompanhar.
— Utau… eu não entendi…
— Claro que não entendeu… – ela soltou o ar, andando até Kukai. Havia se apaixonado por um baka, lembrou-se. – Eu estou querendo dizer que… hm, mesmo que nós possamos contar a todo mundo… eu não quero ter que fingir que não sinto nada por você mais… – ela baixou o tom de voz, e seu rosto voltou a se colorir. Um brilho ínfimo tingiu seus olhos púrpuros, e Kukai se aproximou, com um sorriso quase convencido.
— Então você está sugerindo que… nós fiquemos juntos, escondidos, é isso? – Kukai indagou, inocentemente. Utau sentiu como se seu rosto estivesse em chamas, e quase engasgou ao recuar bruscamente, perdendo o equilíbrio das pernas.
— E-eu… não tinha pensado em nada disso… c-como você é indecente, Kukai!!! – ela protestou, com o rosto escarlate. Kukai riu da reação exagerada da garota, e avançou mais um passo, sentindo-se repentinamente corajoso e ousado.
— Não foi você que disse que não conseguiria mais viver longe de mim? – ele enlaçou a cintura de Utau antes que ela pudesse fazer qualquer movimento para se afastar, e a trouxe para perto.
— Quando foi que eu disse isso?… E-eeei, o q-que está fazendo? – ela tentou parecer indiferente, até mesmo prepotente, mas era óbvio o quanto os toques de Kukai a deixavam perturbada. Não querendo demonstrar nada disso, ela desviou o olhar. Seria mais fácil falar sem enxergar o rosto dele tão perto. – P-pare por aí… você não deve deixar esse amor platônico pela sua irmã mais velha ir longe demais!
— Amor platônico? – Kukai riu, e Utau cerrou os olhos, irritada. Ah, aquele maldito sabia como usar seus atributos a seu favor. Pelo visto, ele não era um total ignorante, como Utau julgara precipitadamente. Havia baixado a voz de propósito, fazendo-a soar rouca, arranhando os ouvidos despreparados da garota. Ele era quase um profissional nisso! Como ela foi tola em se deixar levar. – Não foi você quem se declarou primeiro…?
— E isso importa? Estou dizendo para m-me soltar… — ela dizia, mas sua voz se perdeu no meio do caminho, em algum lugar entre a voz sussurrada de Kukai e os olhos lindos dele.
— Diga… é mesmo platônico? Hein, Onee-chan? – ele tornou a indagar, forçando-a a virar o rosto para ele. Utau ficou imediatamente presa naqueles orbes esverdeados, que a fitavam com interesse. O garoto aproveitou que ela estava de guarda baixa, e como aqueles momentos de fraqueza eram bastante raros, cingiu ainda mais o abraço, segurando o queixo dela na ponta dos dedos.
Ela ofegou. Sentiu suas pernas derretendo, e seu corpo inteiro tremia, completamente vulnerável. Kukai ia beijá-la? Ele ia beijá-la… Assim como ela perdera incontáveis noites imaginando, e depois se amaldiçoando internamente por ser tão idiota a ponto de fantasiar. Ele ia mesmo fazer isso, agora… e não era um sonho. Utau, repentinamente, se sentiu indefesa e despreparada. O que deveria fazer?
Ela aproveitou um último vislumbre dos olhos dele, que se encerravam lentamente, e então fechou os seus próprios, deixando que ele tomasse o controle da situação. Seu coração batia tão descontrolado e forte que ela pensou que ele pudesse explodir a qualquer momento. Sentia a mão dele segurando-a com cuidado, como se ela fosse um objeto importante e frágil, que pudesse se despedaçar caso ele não fosse cauteloso, e dessa forma, ela sentiu-se segura para erguer as mãos, circundando-as ao redor do pescoço dele, e aumentando ainda mais o contato entre seus corpos. A respiração aquecida e ofegante dele tocava seu rosto, causando um estranho formigamento. Seus narizes se tocaram. Utau sabia que aquele era o momento em que Kukai finalmente selaria seus lábios, e ela os entreabriu, ansiosa por isso.
— Ora, ora… o que temos aqui?
Utau empurrou Kukai para longe, fazendo-o perder o equilíbrio e cair direto no chão. Ela mesma voou para trás, e acabou sentada na beirada da cama. Os dois olharam assustados para o lado de onde a voz surgira. Ikuto ria como um detetive que aponta seus suspeitos no flagra, encostado na soleira da porta com os braços cruzados.
— Ah, Ikuto… ahn… b-b-bom dia, etto… — Kukai tentava se explicar. Ikuto arqueou uma sobrancelha àquele comprimento indevido. Era quase de noite. Kukai pensou em algo para dizer, mas nada vinha à sua mente. Lembrava-se com clareza dos avisos e ameaças implícitas de Ikuto no outro dia, e isso era o bastante para fazê-lo perder as palavras.
— Parece que finalmente um de vocês deu o braço a torcer, não é? O que houve? Quem foi que se declarou? – Ikuto riu para si mesmo, divertido.
— I-ikuto, pare com isso! Não é nada disso… — Utau bufou, como se estivesse desdenhando de uma hipótese absurda, embora sua voz estivesse estranhamente trêmula.
— Claro que não é. Está tentando me enganar, Utau? Acha mesmo que consegue? Tudo bem, faça uma tentativa, vamos ver se consegue… — ele abanou a mão, despreocupado, entrando no cômodo.
— Hm… deixa eu ver… eu estava com um cisco no olho e…
— Eu tentei ajudar! Foi só isso!! – Kukai arriscou, mas sua voz estava aguda e forçada. A mentira foi tão óbvia que Utau sentiu vontade de rir e de chorar, ao mesmo tempo.
— Certo, eu não me importo… tanto assim. – Ikuto riu. Estava descobrindo um novo divertimento em espezinhar aqueles dois, e pretendia estender esse passatempo por tanto tempo quanto fosse possível – De todo modo, acho que isso era esperado. Então… vocês estão namorando?
— Sim… — Kukai coçou o rosto, envergonhado e ingênuo.
— Não! – Utau gritou mais alto, ao mesmo tempo em que ele.
Kukai e Utau se entreolharam, confusos. O garoto pareceu murchar como balão em fim de festa. Utau se ergueu, sentindo o clima pesar, e sem saber como reagir. Ikuto olhou de um para o outro, aparentemente sem ser notado, e percebeu que estava sobrando.
— Eu vou… logo ali – ele disse, e ninguém o ouviu. Rapidamente, fechou a porta e deixou os dois sozinhos mais uma vez. Tiraria a história a limpo uma outra hora, e se desse sorte, ainda conseguiria mais momentos engraçados com aqueles dois.
— Kukai, escuta… — Utau chamou, mas ele apenas baixou a cabeça.
— Você disse que não queria mentir para ninguém, é verdade… acho que eu entendi errado antes, me desculpe… — ele murmurou, sem olhar na direção dela. Utau ajoelhou-se bem na frente do garoto, inclinando a cabeça para ver o rosto que ele mantinha baixo.
— Não, Kukai, não é isso… — Utau mexeu a cabeça, pensando em uma maneira de explicar para que ele entendesse.
— Quando eu disse que tinha me apaixonado por você, eu falei sério! Eu nunca tinha me sentido assim, sempre pensei mais em esportes do que em garotas, mas… eu tenho certeza agora! Eu amo você, Utau… — ele dizia, sem olhar na direção dela.
Utau não respondeu, sentindo seu coração vacilar com aquela declaração inesperada. Sem pensar duas vezes, ela envolveu Kukai em um urgente abraço, quase deitando sobre ele. Sorria para si mesma, enquanto apertava Kukai até que ele mal pudesse respirar.
— Eu estou feliz que você se sinta assim… e que tenha me dito… — Utau se afastou minimamente, permanecendo com as mãos entrelaçadas ao pescoço de Kukai, e então tocou suas testas, mantendo-se tão perto quanto podia. Cerrou os olhos, e um sorriso verdadeiro e pleno brincou em seus lábios.
— Então por que disse aquilo ao Ikuto? – Kukai soprou, atordoado pela aproximação repentina.
— Por que é verdade. Não estamos namorando… — Utau respondeu, adicionando um “ainda” mentalmente. Abriu os olhos apenas o suficiente para visualizar o semblante absolutamente adorável que Kukai fazia agora.
— E por que você parece tão feliz com isso? Pensei que tinha dito que… me amava… — Kukai baixou os braços, segurando Utau pela cintura até repousá-la em seu peito. Ela se acomodou, confortavelmente.
— Eu te amo sim, já disse isso… n-não precisa ficar repetindo, também! – ela bradou, escondendo o rosto vermelho para que ele não visse – É só que… por enquanto, nós vamos ter que nos contentar com essa situação. Não é como se nós pudéssemos sair por aí mostrando para todo mundo… e eu me sinto mal em mentir para minha mãe e para o Tohru-san… então, vamos evitar essa palavra. Vamos apenas… ficar juntos, como agora. Está bem assim? – ela ergueu os olhos violeta, e viu que Kukai a fitava fixamente há bastante tempo.
— Acho que está tudo bem – suspirou – Por enquanto. – Ele a abraçou com mais força, afundando o rosto nos cabelos dourados – Enquanto eu puder te abraçar…
— E-eu já disse pra não falar desse jeito! – ela reclamou, com a voz abafada pelo abraço de Kukai. A voz que ele usava para falar com ela nesses momentos… deixava Utau completamente desarmada e fraca. Era covardia. Fazia parecer que Kukai não era assim tão inexperiente quanto dizia, e quanto deixava transparecer.
— Kukai, Utau! Desçam aqui, me ajudar com o jantar! – Souko gritou, lá do andar de baixo.
Kukai e Utau se soltaram, como se tivessem levando um choque, com aquele forçado impacto da realidade. Levantaram-se, relutantes, e se colocaram para fora do quarto como se nada tivesse acontecido. Kukai, que não era tão bom assim em atuar, ficou para trás, tentando normalizar sua frequência cardíaca; Foi quando sentiu uma mão vinda das sombras, segurando-o pelo ombro. Sua alma quase saiu do corpo, com o susto.
— I-ikuto, não faça mais isso! – ele quase berrou, colocando a mão sobre o peito e tentando voltar a ter a capacidade de respirar.
— Muito bonitinho, você e a Utau… — Ikuto comentou com escárnio, e um sorriso de canto – Não vão contar a ninguém, não é?
— Por enquanto, não… — Kukai respondeu, fitando Ikuto diretamente, mas com certa incerteza.
— Certo… cuida bem dela, rapaz… — Ikuto o encarou furiosamente, deu duas batidinhas nada delicadas no seu ombro, e então deu as costas a ele – É meu único conselho.
— Eu vou fazer isso – Kukai bradou, com tanta certeza na voz que fez Ikuto parar no meio do caminho. Logo depois, ele voltou a andar, sem olhar para trás, e enviando um aceno rápido para ele.
— Hooy, você não vem, garoto?!? – Utau berrou, logo depois. – Eu não vou descascar essas batatas sozinha!
— Hai, hai, estou indo… — Kukai se apressou, descendo as escadas rapidamente.
Ao adentrar na cozinha, encontrou todos reunidos, preparando a refeição. Souko parecia mais reluzente do que nunca, com todos os seus filhos ao seu redor. Kukai sorriu para ela, procurando algo para ajudar. Olhou para Utau, de soslaio, e ela retribuiu ao seu olhar, com a mesma expressão irritada de sempre. Mas, em seus orbes, ele podia ler algo a mais. Algo que nunca havia realmente notado, mas que esteve sempre lá. E, se dependesse dele, estaria para sempre…
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