Change of Plans
2 The Most Confortable Feeling
Notas iniciais
A porta fora aberta bruscamente e Quinn quase saltou de sua cadeira. Olhou para a figura a sua frente e engoliu a seco. Tratava-se de seu chefe. O dono da revista de moda em que a loira era diretora e redatora; encontrava-se bem a sua frente com cara de poucos amigos. Ele estava com os braços cruzados e olhava acusadoramente para ela, enquanto balançava a cabeça negativamente.
Ela suspirou e encolheu-se na cadeira. Olhou para ele, que continuava a encará-la. Marley, a estagiária, entrou na sala trazendo uma bandeja com alguns copos de café e recebeu o olhar reprovador do homem. A moça olhou para Quinn com olhos confusos e a loira sorriu fraco, agradecendo pelo café.
“Obrigada, Mars. Se eu precisar de mais alguma coisa eu chamo.”
A moça assentiu com a cabeça e dirigiu-se para fora da sala, fechando a porta. Quinn ajeitou-se na cadeira e pediu para que o homem sentasse. Desde que entrara na sala, ele não falara nenhuma palavra. Apenas a encarava com olhos reprovadores.
Assim que ele sentou, ela o ofereceu o copo de café que fora deixado ali pela jovem estagiária. Ele rejeitou com um simples balançar de cabeça e ela soube que não podia mais enrolá-lo. Bebeu um gole da bebida e começou a falar.
“Desculpe-me, Kurt, mas eu não posso ir!”
“Isso eu já soube, mas eu fiz questão de vir pessoalmente ouvir o porquê disso, pois, sinceramente Lady Quinn, eu não consigo acreditar em tamanha besteira.”
“Não é besteira, tá?” Fez uma pausa e olhou para ele com olhos que imploravam compreensão. Ele revirou os olhos. “Eu não posso ir, Kurt. Eu e Finn não estamos nada bem e grande parte disso deve-se ao fato que eu sempre coloco a revista em primeiro lugar! Não posso fazer isso. E além do mais, você pode mandar outra pessoa em meu lugar.”
Ela falou, dando de ombros. Ele olhou-a como se tivesse tido a melhor ideia do mundo. Na verdade, ele apenas descobrira como convencê-la a ir.
“Santana Lopez?”
Quinn ouviu o nome, mas não quis acreditar. Isso era golpe baixo de Kurt. Usar sua arqui-inimiga, a segunda melhor redatora da revista e que vive secando o cargo da loira, para, de certa forma, forçá-la a aceitar, era, completamente, injusto. Ele a conhecia suficientemente bem para ter certeza de que isso a faria mudar de opinião. A loira olhou para ele indignada.
“Você não daria esse trabalho para Santana, daria? Mesmo eu tendo organizado tudo?”
“Você tem até amanhã para me dar uma resposta, ou quem irá em seu lugar será a latina.”
“Ah, Kurt, por que não manda o Jesse? Ele é muito competente e me ajudou a organizar o evento. Além de ser muito confiável.”
“Nada disso, Quinnie. Ou você, ou a Sants. Decida-se e me procure.”
Ele dirigiu-se até a porta e despediu-se dizendo.
“Até amanhã, ok?”
Saiu da sala deixando uma Quinn furiosa que andou até a porta e fechou-a com força. Ela voltou a sentar e suspirou pesadamente. Ela sabia que se aceitasse sua relação iria por água abaixo, mas que se não aceitasse, sua reputação que iria. A rixa entre ela e Santana começou há menos de um ano, quando a latina ingressou na empresa.
A princípio, Quinn tentou ser uma boa colega de trabalho e até cedeu um lugar para a novata ir com sua equipe ao Paris Fashion Week. Um ato, que até hoje, gera arrependimentos a diretora, pois bastou a oportunidade para a latina passar a perna e roubar a cena. Ela foi promovida, em menos de dois meses, para o terceiro cargo mais importante da revista. Atrás somente da diretoria e da presidência.
Claro que ela tinha competência suficiente para ocupá-lo, mas o que irritava Quinn, era a arrogância e prepotência com a qual a morena a tratava. Todos achavam que a loira tinha ciúmes ou algum tipo de inveja. Não era verdade, pois por mais competente e profissional que a latina fosse nunca conseguiria superá-la. Fabray era a melhor.
Por isso, Kurt a queria no comando do evento, pois sabia que apenas ela conseguiria dar a ele o que esperava. Ele não queria apenas um desfile bem organizado e uma festa de recepção badalada, ele queria sucesso, as primeiras capas de todos os noticiários mundiais e excelência. Coisa que só a loira poderia alcançar.
Quinn era formada em jornalismo pela Oxford e durante sua carreira, colecionava premiações e especializações em sua área. No mundo da moda ela era símbolo de qualidade e bom gosto. Além de ser extremamente simpática e acessível diferente das outras diretoras-chefes que já passaram por ali.
A mulher acordou de seu devaneio e levantou-se, ajeitando sua roupa. Ela estava com uma camisa de seda azul-marinho. Mangas até os cotovelos e alguns botões na parte superior. Uma calça de alfaiataria preta que caía muito bem ao seu corpo. O clássico scarpin preto completava o look.
Seus cabelos curtos, um pouco acima do ombro, estavam devidamente alinhados em uma modelagem mais clássica. Ela estava elegante como sempre. Retocou toda a maquiagem e apossou-se de sua bolsa. Andou até a porta e saiu de sua sala com passos decididos. Trancou a porta atrás de si e dirigiu-se até Marley, passando as seguintes orientações.
“Marley, eu estou precisando fazer uma coisa. Se alguém perguntar por mim, diga que eu estava com dor de cabeça e fui embora.”
“Tudo bem, senhorita Fabray!”
“Obrigada e até mais.” Começou a andar em direção ao elevador, mas voltou para dizer. “Se tiver algum telefonema, anote o recado e diga que retornarei amanhã, ok?”
A menina sorriu e balançou a cabeça positivamente. Mesmo querendo jogar tudo para o ar, ela não deixava de lado seus deveres e obrigações. Além de que, o amor pelo que fazia, sempre falava mais lado. Pegou o elevador até o estacionamento.
Quando chegou, procurou as chaves de seu Hyundai em sua bolsa, desativando o alarme assim que a encontrou. Adentrou o carro e ligou o rádio. Estava passando uma música que a garota gostava muito. Ela então passou a cantarolar enquanto dirigia.
A música I'm Yours de Jason Mraz era uma das preferidas dela e também de Finn, seu noivo. Era uma das inúmeras que eles costumavam cantar juntos antes de Quinn tornasse tão ocupada e ausente. Lembrar daquilo trazia sensações horríveis à mulher. Ela engoliu a seco o nó que se formava em sua garganta ao lembrar que seu relacionamento estava acabando por sua culpa.
Ficou presa no trânsito durante meia hora e nesse meio tempo, decidiu mudar seu destino. Antes, ela estava dirigindo rumo ao apartamento que dividia com o noivo em um bairro nobre da cidade, mas decidiu ir ao trabalho dele, a fim de surpreendê-lo com a visita.
Fez o retorno com o carro, assim que achou uma brecha no meio daquele congestionamento todo, e dirigiu até a sede do jornal The New York Times onde Finn trabalhava como editor-chefe. Estacionou o carro e partiu, com passos firmes, até a recepção.
Cumprimentou alguns conhecidos e pegou o elevador até o nono andar, onde ficava a sala de seu noivo. Enquanto esperava, cantarolava uma música qualquer e observava as unhas. Enfim, chegou ao andar desejado. Andou até a mesa da secretária dele e perguntou.
“Olá, Kitty. O Finn está por aí?” Falou com um sorriso no rosto, sendo gentil.
“Está sim, senhorita Fabray. Quer que eu a anuncie?”
Ela perguntou com empolgação. Há tempos não via a mulher por aquelas bandas. Kitty era uma pessoa simpática e prestativa, além de muito eficiente e confiável.
“Não é preciso. Quero fazer uma surpresa.”
“Claro!” Ela concordou e a loira encaminhou-se até a porta. Girou a maçaneta com confiança e adentrou a sala.
Finn estava falando ao telefone. Na verdade, ele estava gritando ao telefone. Quinn fechou a porta e encostou-se a ela, esperando para que ele notasse sua presença na sala. Ele estava nervoso, gesticulava e aumentava o tom de voz. A conversa era sobre negócios e ela nem tentou entender. Percorreu o escritório de seu noivo com o olhar e observou tudo com atenção.
Ele, finalmente, percebeu a presença da noiva no recinto e quase caiu da cadeira com o susto ao notá-la parada ali. Ela sorriu tampando a boca, evitando assim que a gargalhada ecoasse pelo ambiente. Ele desconversou ao telefone e enfim, conseguiu desligá-lo. Ela então soltou a gargalhada guardada e olhou para o homem, que ria, meio sem graça, para ela.
Ela trancou a porta atrás de si e foi até a cadeira do rapaz, jogando sua bolsa no sofá durante o caminho. Sentou-se no colo dele e envolveu os braços ao redor de seu pescoço. Sem dar tempo para que ele pudesse falar alguma coisa, ela selou os lábios dos dois urgentemente.
Ele, apesar de surpreso, correspondeu quase que de imediato ao beijo. Ela passava as mãos entre os cabelos negros do jornalista, os puxando com delicadeza. Suas línguas exploravam cada canto de suas bocas em um beijo de tirar o fôlego.
Com a ponta das unhas, a loira arranhava o pescoço do namorado que se arrepiava ao sentir aquela pequena provocação. Finn estava excitado e surpreso com tal atitude da amada, mas estava, acima de tudo, chateado com ela e não se esquecera disso. Ao poucos foi cortando o beijo. Porém, antes que ele começasse a falar, ela o interrompeu.
“Eu sei o que você está prestes a dizer. Não se dê ao trabalho!” Suspirou pesadamente e continuou. “Eu estava errada. Eu não te dou atenção o suficiente, eu só penso na revista e às vezes nos deixo em escanteio. Desculpas, meu amor. Eu prometo que tentarei melhorar.”
“Tudo bem, Quinnie. Eu te entendo, meu amor. Sei que o seu trabalho exige demais de você. Aliás, quando serão suas férias mesmo?”
Ela parou por alguns instantes. Tinha tido uma ideia. Era perigoso, mas foi a única solução que a loira achou que resolveria seus problemas de vez. Respirou fundo e ajeitou sua postura, olhando para Finn com empolgação.
“Isso era o que eu estava para te dizer, amor. Que tal nós dois irmos a um cruzeiro de um mês? Eu posso pedir umas férias da revista, pois eu tenho umas em atraso e não temos nenhum evento importante nessa época.” Mentiu.
“Seria ótimo, meu amor. Eu tenho como pedir umas férias aqui também. Não tiro as minhas há dois anos. Tenho crédito de sobra!” Ele falou sorridente e selou os lábios novamente em um beijo calmo e demorado.
Aos poucos, o ritmo do beijo foi se intensificando. Finn ficava cada vez mais excitado. Quinn, com alguns esforços, ajeitou sua posição na cadeira, ficando sentada no colo do grandão dessa vez com uma perna de cada lado. Ao fazê-lo, ela pôde sentir, claramente, o membro rígido de seu noivo sendo pressionado com certa intensidade em sua intimidade.
Gemeu baixo no ouvido dele. Ao ouvir o gemido de sua noiva, ele pressionou ainda mais seus corpos e passou a distribuir beijos e pequenas chupadas na pele branca de seu pescoço. Ela apertou os braços dele com força e passou a mão livre por suas costas.
Finn levantou-se, ainda com Quinn em seu colo, e partiu para o pequeno sofá do escritório. Os dois gemiam baixo de satisfação a cada toque que o outro dava por seu corpo. Ele deitou a mulher no sofá e em seguida deitou-se por cima. Ela passou a mão por seus ombros, retirando o blazer do rapaz, que a ajudou em tal tarefa.
Ele passava a mão por toda a extensão do corpo da mulher, apalpando-a. Ela afrouxou a gravata dele e em seguida retirou-a, partindo para os botões de sua camisa. Desabotoou com rapidez todos eles e por fim, livrou-se da camisa social branca que ele vestia, deliciando-se com a visão que avistou. Seus olhos percorreram maliciosamente o tronco bem definido do homem e ela mordeu o lábio inferior.
Inverteram as posições e Quinn passou a ficar por cima, movimentando devagar seu quadril ao encontro do de Finn. Ele pediu para que ela se livrasse de sua camisa e ela assim o fez. Tirou-a e jogou-a longe, ficando apenas de sutiã.
O grandão passou a mão por cima de um dos seios da mulher, o apertando de leve. Ela arfou. Aproximou-se dele e começou a beijá-lo novamente. Enquanto o beijava, uma das mãos descia lentamente pela barriga do homem até chegar bem próximo ao seu membro ereto.
Ele fechou os olhos com força e gemeu um pouco rouco o nome da loira ao senti-la apertar com propriedade seu membro. Ela o olhou e sorriu maliciosamente para ele. Tirou a mão de onde estava e passou a dar beijos por todo o tórax do rapaz e descendo. Cada vez que ela aproximava-se de seu alvo principal, o homem gemia e arqueava o corpo para frente.
Ela levou as mãos até a barra da calça dele e abriu o cinto, em seguida os botões. Quando estava prestes a retirá-la, ouve-se o som de seu telefone tocando. A música I Love It da Icona Pop, nunca irritara tanto Finn como agora. Quinn suspirou pesarosamente e amaldiçoou o maldito celular e a si mesmo por ter se esquecido de desligá-lo. O homem revirou os olhos ao vê-la levantar-se e ir em direção a sua bolsa, atendendo em seguida a chamada.
“Alô?! Sim, é ela mesma. Em que posso ajudá-lo?” Ela falou irritada, mas logo abaixou o tom de voz. “O que aconteceu com o Sebastian?” Sua expressão assustou o rapaz que rapidamente levantou-se e ficou ao lado dela, passando suas mãos pelos ombros da loira. “Eu estou indo agora mesmo, pode deixar.”
Desligou o telefone e encontrou os olhos confusos de Finn.
“Meu irmão sofreu um acidente. Parece que ele estava pedalando quando um carro o atingira de lado e ele está no hospital agora.”
Ela disse o abraçando. O grandão depositou um beijo nos cabelos macios da amada e apressou-se em vestir, para que pudesse acompanhá-la. Gostava muito de Sebastian. Eles eram melhores amigos. A mulher fez o mesmo e em poucos minutos estavam prontos para sair. Os dois entrelaçaram as mãos e partiram juntos para o hospital.
O homem achou por bem ir dirigindo, pois a mulher não estava em condições. Durante todo o caminho, ele olhava para ela que apresentava um semblante de preocupação. Quando paravam em alguns sinais, ou congestionamentos, ele fazia questão de acalmá-la e perguntar como ela estava e Quinn adorava isso. A preocupação e o cuidado que ele tinha por ela, era uma das maiores qualidades que ela admirava no namorado.
Apesar de não terem saciado o desejo e completado o objetivo que eles tinham no escritório, fora demonstrado, mais uma vez, que os dois preocupavam-se acima de tudo com o bem-estar um do outro. Eram como portos-seguros. Quinn sabia que Finn a protegeria de tudo e de todos. E querendo ou não, essa era a sensação mais confortável que existia no mundo. Ser protegida por ele.
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