Change of Plans

17 Something like freedom


Notas iniciais
Mahh por aqui o/

Aos poucos Noah se movia na cama em busca do corpo de sua garota e enfim abriu os olhos ao não encontrá–la. Estranhou, pois a porta do banheiro estava aberta e ela não estava por lá. Apertou os olhos sonolentos para olhar o relógio e constatando que ainda era noite preocupou-se com a possibilidade de algo ter acontecido a ela. Sua primeira reação foi ligar no celular de sua irmã e ver se Rachel estava por lá, mas após levar alguns xingos da voz sonolenta de Santana, levantou-se e vestiu uma calça qualquer com a intenção de procurá–la.

Assim que abriu a porta de sua cabine, saiu agitado sem olhar e esbarrou em um corpo frágil e por sorte, e reflexo, a segurou antes que pudesse cair no chão. Assim que seus olhos se encontraram ele reconheceu o verde inesquecível de Quinn Fabray e continuou a segurando. A loira parecia ainda assustada com o choque e demorou seus olhos nas feições do rapaz, o reconhecendo e finalmente recuperando seu equilíbrio e parando em pé em frente a ele.

A loira havia passado alguns minutos entorpecida em sua cabine, apesar da raiva que sentia de sua equipe estar transbordando por todos os seus poros, ela havia injustamente descontado toda ela em Finn como de costume, porém dessa vez ele a deixou sozinha, fazendo com que a culpa lhe atingisse de maneira ainda mais forte. Então assim que ela voltou a encarar Noah percebeu que o moreno estava sem camisa e que poucos segundos atrás ela sentiu uma sensação estranha de conforto estando segura em seus braços que não lhe deixaram cair.

“Quinn? Está tudo bem?” A voz ainda rouca de sono do rapaz a despertou de seus pensamentos.

“Oh, oi Noah, me perdoe a distração.” Ela parecia ainda um pouco confusa com a situação.

“Você está bem?” Ele continuava a encarando com atenção.

“Sim, apenas me assustei um pouco.” Limpou a garganta. “Obrigada pela ajuda!”

Antes que ela pudesse sair do corredor em passos apressados novamente, ouviu a voz do rapaz a chamando e se virou para o encarar.

“Me desculpe, mas estou sendo intrometido, você não parece estar muito bem.”

Quinn suspirou profundamente e fechou os olhos. Mais uma pessoa se metendo em sua vida seria algo insuportável de aguentar, ainda mais um desconhecido que se sentia algum tipo de super herói apenas por ter ajudado seu irmão. Ela levou os dedos entre os olhos e os apertou antes de voltar a encarar o homem parado na porta da cabine com os braços cruzados.

“Eu sinceramente não quero ser grossa ou passar uma impressão de estar sendo mal agradecida Noah e eu te agradeço novamente por ter me ajudado a não cair na nossa trombada.” Suspirou: “Mas se eu estou ou não bem não lhe diz respeito!”

Noah riu audivelmente, o que fez com que a loira estreitasse os olhos e voltasse a se aproximar dele, com passos duros e uma expressão perigosa no rosto.

“O que te parece tão engraçado?”

“Você parece uma bomba relógio!”

“E você não acha que rir dessa maneira vai fazer com que eu estoure mais rápido?”

“Na verdade não!” Ele sorria de lado. “Você não é o tipo de pessoa que simplesmente estoura.”

“Como é?”

“Você calcula suas atitudes e suas palavras, com todos. Sinceramente você já teria explodido no momento em que eu ri. Não ficaria parada com essa sua pose ameaçadora esperando que eu recue.”

“Mas...” A loira estava em choque com as palavras daquele rapaz cínico.

“Mas? Perdeu os argumentos?” Ele ainda mantinha o sorriso entre os lábios.

“Idiota!”

Quinn bufou e cruzou os braços andando em passos duros pelo corredor, Puck observou suas atitudes e rapidamente trancou sua cabine correndo atrás dela, até que ficasse a poucos passos de distância, esquecendo-se por um momento das razões anteriores que o levariam a sair do quarto antes de encontrar a loira. Assim que ela percebeu que estava sendo seguida tentou ignorar, mas ao chegar na proa do navio não se aguentou, virou de braços cruzados e o encarou com os olhos semicerrados.

“Por que você está me seguindo?” Sua voz soava autoritária.

“Eu não estou te seguindo!” Ele ainda sorria. “Apenas quis ver o mar daqui, é realmente muito bonito está na ponta da frente do navio, ver como estamos cortando as águas, o barulho calmante das ondas quebrando.”

Quinn o encarou como se fosse algum tipo de louco, falando esse tipo de coisa que parecia totalmente sem sentido para ela que só pensava em sair de sua cabine sufocante e encontrar Finn para acertar as coisas. Quando ela voltou a encarar Noah, percebeu que o rapaz se aproximava das grades da ponta da proa, se segurando em algumas cordas e se debruçando para olhar melhor o mar. A lembrança de Sebastian caindo tomou conta de sua mente, e então ela correu apressada até ele, segurando em sua cintura nua e arrepiada pelo vento frio da noite, o puxando pra trás visivelmente irritada.

“Você está maluco Noah? Quer cair como o Sebastian? Seria até pior! Você cairia e o navio iria passar por cima de você!” Ela falava desesperada enquanto ainda o puxava.

O rapaz riu abertamente e se virou para olhar para a loira, sua expressão ainda era de terror e ela insistia em puxá–lo pela cintura, porém enfraqueceu seu domínio na cintura de Noah assim que viu a mão dele estendida em sua direção, como em um convite silencioso. Um milhão de cenas se passaram em sua cabeça, as piores possibilidades, de que ele poderia estar querendo jogá–la no mar, apesar de não ter motivos pra isso, ou ele poderia está fazendo isso para que ela saísse correndo dali e o deixasse em paz. Porém a expressão serena no rosto de Noah lhe passou certa tranquilidadee ela decidiu confiar, segurou a mão forte dele e sentiu um impulso do seu corpo sendo puxado pra cima.

Noah segurou sua cintura e apenas com gestos a instruiu a segurar a mesma corda que ele segurava. Estavam na ponta do navio, sentindo o vento vindo de encontro aos seus corpose devido a velocidade do navio não estar tão acelerada, conseguiam se equilibrar. Quinn apenas fechou os olhos e confiou, se deixou levar por alguém que mal conhecia, mas que lhe passava segurança, sentia a mão forte segurar sua cintura enquanto se agarrava forte a corda. E em alguns segundos ela sentiu o corpo dele mais próximo do seu, não se tocavam, porém os arrepios na pele do rapaz eram perceptíveis.

O silêncio continuou por alguns minutos, Noah sorria abertamente olhando as estrelas, olhando o navio abrindo espaço nas águas do mar e ouvindo os sons da noite em mar aberto. Quinn respirou fundo e começou a sentir a tranquilidade da noite lhe invadir, era como se todo seu nervoso, sua agitação e os problemas pesados que carregava em seus ombros estivessem sendo jogados em alto mar e sumindo pelas águas escuras pela noite.

“Isso é maravilhoso!” Ela sussurrou com a voz fraca.

“Talvez seja o lugar certo de descarregar tudo que nos aflige.” A voz do moreno se fez presente próximo ao seu ouvido e ela sentiu seu corpo responder àquele timbre.

“É... Talvez.” Sua voz saiu entrecortada.

“Apenas jogue tudo no mar, no ar.” O sorriso aberto que ele mantinha era perceptível em seu tom. “As estrelas irão filtrar e devolver suas energias limpas.”

Ele parecia falar com o coração e aquelas palavras atingiram Quinn, toda a sensibilidade que ela jamais imaginou que ele poderia ter. O cara irônico de minutos atrás estava sendo sensível e atencioso, sem pressioná-la, apenas fazendo com que ela realmente sentisse um pouco da leveza do mundo.

“Obrigada.” Quinn respondeu sorrindo e fixando seus olhos nas estrelas.

“Eu é que devo te agradecer por me trazer para essa parte do navio.” Ele sorria encarando o perfil da loira. “Eu apenas te segui, não fiz nada demais.” Deu de ombros retomando o tom divertido em sua voz.

“Apenas obrigada.” Ela repetiu rindo. “Estamos parecendo como naquele filme Titanic.”

Assim que concluiu a frase Quinn travou, pois ela sabia que os personagens viviam uma história de amor e aquela cena definitivamente era uma das mais românticas do filme, ela percebeu seu erro e fechou os olhos já esperando que ele saísse dali com alguma desculpa, já que ela sabia que Noah namorava outra garota.

“Com tanto que você me de um espaço na sua porta de madeira se por acaso o navio bater em algum iceberg ou algo do tipo.” Ele riu divertido. “Eu não me importo em viver essa cena.”

As palavras saíam naturalmente de seus lábios, Puck percebeu que poderia ter passado dos limites, pensou em Rachel, em como não gostaria se a situação fosse o contrário, se ela estivesse revivendo uma cena de um filme clássico com alguma outra pessoa, mas a risada rouca de Quinn lhe chamou a atenção e ele só conseguiu focar seus olhos na loira.

“Eu posso pensar em te dar uma ajudinha caso isso aconteça.”

A loira deu um pequeno passo pra frente soltando as mãos que seguravam a corda e abriu os braços de olhos fechados, rindo abertamente e Noah se desesperou com o medo dela tropeçar ou se acidentar de alguma forma, se adiantou segurando a cintura de Quinn e aproximando seu corpo do dela, sorrindo ao sentir a mesma sensação de liberdade, de dominar o mundo.

“Eu sou a rainha do mundo!”

Quinn gritou rindo abertamente e dando um passo pra trás perdendo o equilíbrio, dando de encontro com o corpo de Noah e se apoiando em seus braços que a mantinham segura. Ele a segurou firme e riu de sua expressão:

“Na verdade eu que deveria ter dito isso...”

“Bom, acabei sendo mais rápida, e agora esse mundo todo é meu!” Apontou para o mar sorrindo abertamente.

“Acho que reviver esse momento clássico fez com que o poder subisse pra sua cabeça Quinn!”

“Ei!” Ela deu uma tapa no ombro do moreno enquanto caminhavam para longe da ponta: “Não fale assim comigo, eu ainda sou a rainha do mundo!”

“Ok senhora majestade!” Ele riu e se curvou em uma reverência.

Os dois caminharam lado a lado em um silêncio confortável para dentro de um dos deques do navio, encontrando um último restaurante aberto, pediram chocolates quentes para que pudessem se aquecer, já que Puck praticamente tremia de frio enquanto abraçava o próprio corpo. Assim que estavam com suas bebidas nas mãos, se encararam sorrindo e a loira se adiantou.

“Obrigada por isso!”

“Não precisa agradecer por nada Quinn.” Ele sorriu e inconscientemente ajeitou uma mecha do cabelo da loira atrás de sua orelha. “Me sinto recompensado em te ver mais leve!”

“É, bem...” Ela limpou a garganta sentindo suas bochechas ruborizarem. “Nos vemos por aí então!”

Quinn tocou o braço do rapaz com carinho e acenou antes de se afastar segurando seu copo de chocolate quente, entrando pelo caminho que daria de volta às cabines, enquanto Puck se demorou um pouco mais, voltando a olhar as estrelas de longe e sorrir.

Notas finais
N/M: Aos amantes de Quick como eu, estou tão feliz quanto vocês HAHAHA Espero que gostem Beijos e até o próximo