Notas iniciais
Olá! Camilla por aqui! Espero que gostem do capítulo. Boa leitura :*

Na manhã do dia seguinte, o tempo estava perfeito para algumas horas na piscina do navio. Várias pessoas se reuniam ali. Algumas crianças aproveitavam os tobogãs, enquanto os adultos saboreavam um drinque no bar estrategicamente localizado dentro da piscina.

O clima estava agradável e a maioria ali aproveitava para pegar um bronzeado e bater papo com sua companhia.

Sebastian observou todos ao seu redor, quando chegou ao lugar acompanhado de Finn. Sua irmã tinha ficado na cabine, pois estava se sentindo mal logo pela manhã.

“Não sei se fiz bem em ter deixado a Quinn sozinha.” Finn lamentou-se para o cunhado. Por mais que estivesse chateado com a loira, ele se preocupara ao vê-la espirrar descontroladamente, denunciando um resfriado.

“Cara, ela já tomei um remédio para gripe, vai ficar bem.”

O mais novo rebateu, tirando a camiseta azul que vestia.

“Mesmo assim...”

“Então vai ficar com ela.”

Ele deu o braço a torcer, logo após perceber que o cunhado só falaria da irmã e que acabaria estragando o momento com suas preocupações sobre o seu noivado. Finn deu um sorriso para Sebastian e bateu em suas costas, indo para sua cabine.

“Quinn tem muita sorte...” Sussurrou para si mesmo, enquanto sentava-se em uma cadeira a beira da piscina.

Enquanto isso, no outro lado do deck, Santana caminhava atenta, a fim de encontrar um bom lugar para seu repouso. Ela usava um biquíni tomara que caia vermelho, com algumas pedrarias costuradas a ele. A parte de baixo estava coberta por um micro short jeans. Depois de dar a volta na área, achou uma cadeira vaga ao lado de um rapaz branco e com óculos escuros.

Ela não reparou bem nele, e logo se sentou ali, chamando a atenção do mesmo.

O rapaz era Sebastian. Ele olhou para a pessoa que se sentava ao seu lado e seu sangue ferveu. Sentia vontade de confrontá-la, ou denunciá-la como louca para as autoridades do navio, mas ele apenas a encarou com um olhar furioso. Manteve os olhos fixos no corpo da morena, até que ela reparasse em sua presença. Quando viu que ela o notara, e em seguida revirara os olhos, ele levantou-se, recolhendo suas coisas e saindo dali. Sem dar a Santana uma palavra se quer.

A latina ficou sem palavras, pois já estava preparada para debochar da cara do rapaz, que certamente viria cortejá-la novamente, mas isso não aconteceu. Ela decidiu dar de ombros, mas seu pensamento continuava em Sebastian. Não era possível que ele sempre tinha que fazer algo para irritá-la. Primeiro, a perseguia, depois, a ignorava.

Quem diabos ignora Santana Lopez?! Era o que a morena se perguntava sentada ali, sem nem se dar conta que mordia os lábios inferiores, contendo sua raiva e indignação. Ela não entendia o motivo de ficar tão furiosa com as atitudes do rapaz, mas tinha certeza que era pela insolência de sempre fazer o contrário do que ela queria.

Ela não gostava que as coisas saíssem de qualquer outro jeito que não fosse o dela.

Levantou recolhendo suas tralhas e marchou por onde o garoto tinha ido. Percebeu que Sebastian provavelmente estaria indo para a outra piscina que ficava na cobertura do navio. Bingo! Não deu outra. Ele estava lá.

Quando ela pisou na cobertura, atraiu todos os olhares para si e riu vitoriosa por isso. Todos os homens a sua volta pararam para admirar o corpo moreno que parecia desfilar por entre eles, sem ao menos dar bola para qualquer um. Ela estava decidida. Andou a passos firmes até o bar e pediu uma limonada extremamente gelada.

Quando seu pedido foi entregue, ela caminhou até Sebastian, que já tinha percebido a intrusa em seu local de fuga. O rapaz já estava pronto para se levantar, quando Santana fingiu-se tropeçar em algo e derrubar todo o líquido gelado que segurava, acidentalmente no peito nu do mais novo.

“Oh, me desculpe!” As palavras que saíam de sua boca, não combinavam em nada com o sorriso diabólico que seus lábios emolduravam.

Um pequeno grupo de pessoas observava a cena, esperando a reação de Sebastian. Esperando ao menos uma pequena discussão. Já que ele parecia uma bomba-relógio prestes a explodir.

O sorriso de Santana ainda estava ali. Tímido, mas vitorioso. Ela esperava pelo momento que ouviria os primeiros xingamentos dele, mas o que aconteceu em seguida foi, no mínimo, estranho.

Mais uma vez, Sebastian recolheu suas coisas, enxugando a limonada em seu peito com sua camisa azul, e saindo dali logo em seguida. Seus passos não eram apressados, nem se ouvia seus xingamentos baixos. Apenas um rapaz indo embora normalmente como se nada daquilo tivesse acontecido.

Por dentro, ele estava admirado consigo mesmo. Com seu autocontrole. Santana tinha todo o poder de enlouquecê-lo, de várias maneiras, mas ele começava a perceber que também tinha esse poder sobre ela. Talvez isso tenha o incentivado a ignorá-la, já que assim, ele sabia certamente que ela ficaria irritada.

Seu sangue estava sim fervendo. Ele estava sim com vontade de xingá-la e chamá-la de louca em alto e bom som, mas a sua vontade maior era de irritá-la. Vê-la perder o controle da situação. Isso tinha um gosto bom para ele. Por um momento perguntou-se se esse era o gosto da vingança, mas não era para tanto.

Sebastian entrou em sua cabine quando já estava mais calmo. Lembrando-se da reação da latina ao vê-lo sair sem nenhuma reação daquela cena patética. Ele riu daquilo. A boca escancarada dela tinha virado uma das suas imagens preferidas, ficando atrás apenas da maravilhosa imagem da morena entregando-se para ele, na noite de prazeres que ele tanto queria reviver.

[...]

“Finn?” Quinn disse em meio a uma tosse, ao ver o noivo adentrar na cabine dos dois.

“Oi.” Ele sorriu fraco, sentando-se ao lado dela. “Se sente melhor?”

“Sim, um pouco. O atendimento médico nesse cruzeiro é melhor do que em muitos hospitais por aí.” Ela disse querendo descontrair o clima pesado entre os dois. Eles riram juntos.

“É verdade.” Finn assentiu.

“Porque voltou para a cabine?”

“Ah, eu fiquei preocupado. Eu estava lá, mas a minha cabeça estava aqui.”

Quinn engoliu em seco. Ela tinha sempre esse pensamento, mas era sempre ao contrário. Quando ela estava aqui, com Finn, sua cabeça sempre estava lá, com a equipe da revista. A loira pensou na remota possibilidade de contar a verdade para o noivo, mas ele, com certeza, explodiria num surto de indignação e capaz até daquilo estragar toda a viagem.

Os olhos da loira percorreram por todo o quarto, sem obter a coragem necessária para olhar nos olhos de seu noivo. Enquanto Finn continuava a encará-la, esperando tanto por uma resposta que seus músculos estavam contraídos.

“Tem alguma coisa que você queira me dizer?” O grandão perguntou sem deixar de olhá-la.

“Como assim?” Ela sabia do que ele estava se referindo, mas não podia contar sobre o desfile.

“Quinn, você sabe que tem agido estranho ultimamente. Você vive sumindo, e mesmo estando de férias em um cruzeiro no meio do pacífico, você me parece estressada do mesmo jeito quando estava trabalhando.”

Ele suspirou já cansado de buscar por uma explicação. Quinn pensou em todas as formas de contornar aquilo, mas nada parecia o suficiente para ela. Até que optou por mentir mais uma vez para ele.

“Amor, é só impressão sua. Eu não estou agindo estranha, ou talvez é só por conta do balanço do mar que me deixa agitada.”

Ela sabia que aquilo não enganaria mais a seu noivo. Ele sabia que ela estava mentindo. Poderiam começar uma discussão ali mesmo, mas Finn já estava cansado demais para buscar respostas que nunca viriam. O moreno olhou para Quinn melancólico, sentindo saudades do tempo em que namoravam. Da loira sonhadora e dedicada àquele romance. Das noites maravilhosas que os dois compartilharam.

Aquilo tudo parecia tão distante e tão surreal se comparado à situação atual dos dois. Não havia mais aquela sinceridade mútua. Talvez nem existisse nenhum resquício daquela paixão ardente que os dois sentiam. Naquela cabine, naquele dia, o que ambos conseguiam sentir era uma incômoda melancolia.

Finn beijou o topo da cabeça de Quinn e pegou sua toalha, entrando no banheiro para um longo banho. A loira fechou os olhos enquanto recebia o carinho e depois voltou a deitar-se na mesma posição encolhida que estava. Seus braços abraçavam seus joelhos, enquanto ela prendia fortemente as lágrimas.

[...]

“Amor, o que você tem?” Rachel perguntara ao ouvir a inquietação de seu namorado ao seu lado.

“Acho que peguei um resfriado. Meu corpo todo dói.” Puck disse enquanto se encolhia dentro do cobertor.

A pequena sentou-se na cama para examinar seu namorado. Encostou o dorso da mão na testa dele e observou que sua temperatura estava demasiadamente alta.

“Noah, você está ardendo em febre. O que andou fazendo para pegar esse resfriado?”

Sua voz não era acusativa, mas o rapaz sentiu o peso da culpa em seus ombros, ao lembrar-se de seu pequeno momento com Quinn na noite anterior. Tinha completa certeza de que ficar no frio sem camisa por tempo demais, tinha lhe rendido aquele resfriado.

“Eu... Realmente não tenho ideia, Rach.”

Mentiu com a consciência pesada, mas achando por bem fazê-lo. Afinal, aquilo poderia gerar uma briga desnecessária para eles.

“Tudo bem. Eu vou até o setor médico ver se consigo uma medicação para você.”

“Ok.” O moreno concordou e então se lembrou de questioná-la sobre a noite anterior. “Rach espera.”

“Oi, meu amor.” Ela voltou à atenção para ele, já abrindo a maçaneta da porta para sair.

Puck a encarou, pensando sobre o que iria perguntar para ela. Se aquilo era realmente justo. Ele sentia-se errado por ter compartilhado um momento tão intenso com Quinn e não se sentia no direito de questionar sua garota sobre onde ela estava. Provavelmente Rachel só tinha saído para dar uma volta, por causa da insônia.

Enquanto ele pensava sobre questioná-la ou não, a mulher também escondia a sua conversa e o compartilhamento de algo com Finn. Ela já estava preparada para a pergunta de Puck. Diria que tinha ido dar uma volta por aí, pois estava com insônia. Porém, o que o moreno disse a desarmou por completo, deixando-a ainda mais culpada.

“Eu te amo.” Este foi diferente dos outros. Noah parecia dizer aquilo para ele mesmo. Parecia querer convencer-se de que tudo estava bem com aquela fala.

“Eu também te amo.” Rachel respondeu sentindo-se da mesma forma que Puck. Sentindo que aquele fora diferente de todos os “eu te amos” apaixonados que os dois disseram ao longo da relação.

Sorriu fraco para o namorado e saiu do quarto, indo para o setor médico do navio sendo consumida pela culpa que a omissão lhe trazia à tona. Deitado na cama de casal de sua cabine, o moreno também se sentia corroer pela mentira que havia contado. Sabia que não era o certo e mentir para Rachel acabava com ele.

Mas o que mais ele tinha a fazer?

Notas finais
Opiniões sempre são bem-vindas! Um beijo :*