Change of Plans
19 I want to believe...
Notas iniciais
“Como está se sentindo, senhorita Fabray?” O enfermeiro que medicava Quinn pela última vez, perguntara com um sorriso simpático.
“Sinto-me ótima. Completamente curada.” Quinn disse com um sorriso forçado e sem ter cem por cento de convicção no que estava dizendo.
Isso por que seu corpo ainda doía com o caminhar e sua cabeça não parava de pulsar de preocupação. Porém, ela não delataria isso ao enfermeiro, já que o que mais queria no momento era voltar à ativa com os preparativos do desfile. Ou será que era se acertar com Finn? A loira estava com uma dúvida enorme a respeito disso.
Sempre vivera o conflito trabalho versus relacionamento, e agora tudo estava voltando a se repetir. Mesmo com esse pensamento Quinn não conseguia simplesmente abdicar sua tarefa e sua função naquele desfile. Ali, naquele cruzeiro, estava metade das pessoas conceituadas de Nova Iorque. Aquelas que faziam a moda e ditavam conceitos, que tudo que vestiam já era febre no dia seguinte.
Após ser liberada pelo enfermeiro, a loira caminhou diretamente para o salão principal do navio, onde o ensaio do desfile era feito. Tina gritava com meia dúzia de modelos, que não conseguiam acertar o passo; Brittany e Sam estavam sentados tirando inúmeras selfies na mesma posição, enquanto Blaine se lamentava no canto por ter perdido o controle da situação.
Aquilo parecia o caos para Quinn Fabray. Os dias que ela passou ardendo em febre pareceram mais importantes do que ela pensara. Ela definitivamente era o cérebro daquela equipe, que, no momento, parecia um robô sem programação.
“Tina!” A loira gritou pela asiática que assustou-se com a presença dela.
“Quinn? Oh, Quinn! Graças a Deus você está melhor. Isso aqui tá um caos.”
“Conte-me uma novidade agora.” Ela fitou a mais baixa com olhos inquisidores.
“Desculpe-me, mas não consegui impedir que as coisas saíssem do controle.”
“Ei, venham até aqui!” A editora falou dirigindo-se a todos os presentes no salão de festa. “O que diabos aconteceu com vocês? Eu achei que tinha uma equipe excelente e preparada para a ocasião, mas...”
“Mas percebeu que está cercada de incompetentes.” Santana adentrou o local com o seu salto agulha preto e sua pose de mandona de sempre.
“Eles não são incompetentes, Santana! E o que você está fazendo aqui?”
“Ah, se eles não são incompetentes, sobra toda a culpa para você então. Aonde estava enquanto esse caos se instalava no ambiente?”
“Ela estava doente!” Tina respondeu quase que gritando.
“Silêncio asiática que não lembro o nome.”
“Santana, retire-se, por favor. Você nem deveria está aqui.”
“Acontece que eu estou e posso ajudar a consertar tudo isso.”
“Não preciso de ajuda, obrigada.”
“Ah, então quer dizer que você está bem assim? Desdobrando-se em cuidar do desfile e enganar o Finn? Interessante.” A latina pontuou, caminhando sensualmente ao passar por Sam Evans.
“Você não cansa de destilar esse veneno não?” Quinn perguntou controlando o nervosismo.
“Na verdade não. E bem, já te poupei muito do meu veneno. Se quisesse, poderia muito bem estragar o seu noivado com um simples: oi, Finn, tudo bem? Bom, sua noiva está mentindo para você todo esse tempo.”
“Como ousa?”
“Não estou dizendo que farei, ok? Só estou dizendo que poderia ter feito. Não o fiz, pois não vi vantagem para mim.”
“E por que quer me ajudar?”
“Simples. Eu não quero ver o nome da revista associado a um fiasco total.”
O sangue de Quinn fervia e mesmo sabendo que aquela era uma ótima oferta, ela não poderia aceitar. Isso significaria uma vitória de Santana, significaria para a latina o triunfo sobre a loira e isso era inaceitável para ela.
“Proposta negada. Agora saia daqui. Isso é um ensaio privado.”
“Ok. Depois não diga que eu não avisei.”
Ela saiu do local com a mesma pose que entrou. Santana era inabalável e Quinn sentia inveja disso, já que ela se deixava abater pelos problemas com Finn.
“Vamos repassar esse ensaio, ok? 1, 2, 3, modelem!”
Pouco a pouco Quinn foi conseguindo colocar ordem naquela bagunça. Os modelos tomaram jeito e agora caminhavam, literalmente, conforme a música. Blaine recebeu os conselhos e encorajamento da loira. E Tina, bem, ela voltou ao backstage para fazer o que mais gostava e fazia melhor.
[...]
Ao final da vigésima repetição do desfile, Quinn estava exausta. Tudo havia voltado ao normal e ela estava um pouco feliz com o resultado.
“Não está perfeito, mas até sábado ficará. E lembre-se: não percam a fé em você mesmo.”
A equipe bateu palmas para a loira que conseguiu abrir um enorme sorriso ao ouvi-las. Quando estava se preparando para ir embora, ficou um pouco tonta e seus passos se cruzaram, fazendo-a tropeçar.
“Quinn, você está bem?” Sam perguntou segurando o braço da loira.
“Estou sim, Sam, foi só uma tontura.”
“Vou acompanhá-la até sua cabine, ok?”
“Não precisa, Sam.”
“Eu insisto.”
Quinn sorriu mesmo não muito contente com a situação. O loiro falava sobre coisas fúteis e que não interessavam nenhum pouco à loira. Como curtidas no Instagram e Facebook.
“Chegamos. Muito obrigada, Sam.”
“Até mais, Quinnie.”
“Ok.”
Ela fez uma cara estranha, confusa. Quando havia dado tamanha intimidade para aquele garoto? Não se lembrava de tê-lo feito.
Entrou na cabine e Sebastian estava sentado em sua cama, lendo alguma revista que a irmã deixara jogada ali. Quinn surpreendeu-se com a presença dele ali. Do jeito que Sebastian era, alguma coisa ele havia aprontado.
“O que houve?” Ela perguntou olhando para ele.
“Só quis saber como minha irmãzinha está.” Ele disse com um sorriso amarelo e Quinn tirou as sandálias, sentando-se ao seu lado.
“O que houve de verdade?”
“Eu estou me escondendo de uma pessoa, Q.”
“Se escondendo? Por quê?”
“Por que essa pessoa é uma idiota completa que pensa que pode mandar em mim e me fazer de bobo. Mas não. Agora ela vai ter o que merece.”
“Estamos falando de uma suposta pretendente?”
“Não. Eu quero esquecer aquela diaba.”
“Ok, então. E a minha cabine é o seu esconderijo?”
“Tipo isso.”
“Então você vai ter que arranjar outro, pois eu quero descansar. Minha cabeça está doendo bastante com tanta preocupação. Minha relação com o Finn está um desastre. Cada vez que tento consertar, piora.”
Sebastian fez uma careta de desgosto.
“Essa viagem não está cumprindo sua parte, pelo contrário esta bagunçando tudo ainda mais. Todo mundo está no meu pé, a pressão sobre mim é enorme e ainda tenho que ter cabeça para organizar o desfile. Sem falar que…”
“Desfile?” O jovem perguntou sem entender o comentário da mais velha.
Quinn o olhou assustada, sabendo que declarara algo a mais do que deveria.
“Desfile? Quem falou em desfile?”
“Você, ué!”
“Não eu disse deslize. Que tinha cometido um deslize.”
O mais novo estava confuso com a situação. Ouvira claramente a declaração da irmã.
“Eu estou tão cansanda, Seb. Que tal encontrar o Finn e pedi-lo para vir até aqui? Seria um ótimo favor que você faria para sua irmãzinha.”
“Mas ela vai me ver se eu sair.”
“Continua ignorando ela, ué!”
“Não é fácil, Quinn. Ela é uma deusa com alma de capeta.”
“Se vira. Vai lá, por favorzinho.”
“Tá bom. Mas não garanto que vou procurá-lo.”
“Chato.”
“Louca.”
“Vai logo, garoto!”
Ela jogou uma almofada nele no exato momento que o rapaz fechou a porta. Estava muito cansada e então resolveu tirar uma soneca, enquanto esperava Finn chegar. Estava disposta a fazer as pazes com ele a todo custo.
[...]
“Ei, Finn, a Quinn já tá na cabine, ela quer te ver.”
“Ah, obrigada por avisar, Seb.”
O grandão tomou o restante de seu suco de laranja e saiu em direção à sua cabine. Enquanto caminhava ansioso por ver sua amada, cruzou com Puck e Rachel em um dos corredores do navio.
“Ei, cara!” Puck o cumprimentou.
“Puck, ei!” Ele respondeu o cumprimento. “Rachel...” Em seguida dirigiu um sorriso tímido para a baixinha.
“Vamos tomar um sol, Hudson. Cadê sua garota?”
“Ah, ela está na cabine, eu vou ficar um pouco com ela. Quinn está se recuperando de uma gripe repentina.”
“Esse tempo tá demais mesmo. Noah também teve um resfriado, mas já está melhor, não é, amor?” A morena disse acariciando a mão do rapaz que sorriu sem jeito para Finn, tentando esconder seu nervosismo.
“Ficar resfriado é um saco.”
“É sim. Bom, se vocês me permitem, eu devo cuidar da minha noiva. Até mais, pessoal.”
“Até mais, Finn!” Os dois cumprimentaram em uníssono.
O grandão continuou andando com o pensamento em como aquela cena tinha sido estranha. Constrangedora na verdade. Ele apressou o passo e enfim chegou à cabine. Girou a chave devagar, sem querer assustar Quinn.
A loira dormia tranquilamente deitada na cama e Finn sorriu ao vê-la. Parecia um anjo. Um anjo que ele amava tão intensamente e que também o tirava do sério com a mesma intensidade. Quinn enchia o grandão de inseguranças, questionamentos, ao mesmo tempo em que o fazia feliz e completo. Ela era o paradoxo mais complexo que o homem já conhecera.
Ele retirou as sandálias e a blusa de xadrez que usava por cima da camiseta branca e deitou-se na cama ao lado dela, com o rosto virado para o seu. Começou a acariciar a face lisinha da mulher, sorrindo da visão que tinha. Ela remexeu-se um pouco na cama e ele parou o carinho por um tempo sem querer acordá-la. Porém, ela já tinha sentido o cheiro envolvente de seu noivo.
Quinn reconheceria aquele perfume em qualquer lugar. Abriu os olhos devagar, sorrindo ao ver Finn ao seu lado, constatando que o clima pesado entre os dois tinha passado ao menos naquele momento.
“Não queria te acordar...” Ele lamentou.
“Está aí há quanto tempo?”
“Acabei de chegar.”
“Eu senti seu cheiro...” Ela disse manhosa, aninhando-se nos braços dele.
“Como você está, amor?”
“Estou melhor com você aqui. Estava com saudades de ficar pertinho de você. Amor, me desculpa.”
“Só se você me desculpar também.”
“Pelo o quê, amor? Você é perfeito para mim. Eu que sou uma idiota de vez em quando.”
“Claro que não. Você é a noiva mais linda do mundo. E eu estou pedindo desculpas por ter desconfiado de você, desconfiado que você me escondia algo...”
Quinn engoliu a seco a declaração do homem. Sentiu-se a pior pessoa do mundo por está mentindo para ele e resolveu tomar uma atitude em relação a isso. Não queria mais estar envolvida em desfile algum e dedicaria o resto dos dias à sua relação. Mesmo que isso lhe custasse entregar o desfile de bandeja para Santana Lopez.
“Eu te amo, Finn.”
“Eu te amo, Quinn.”
Ela afastou-se um pouco do moreno, mas só para alcançar seus lábios e tomá-los em um beijo apaixonante. Ela estava com saudades do gosto que existia ali, mas sabia que algo estava diferente. Por mais que fosse maravilhoso beijá-lo, sentia-se estranha com isso. Ainda mais depois da cena no mínimo desconfortável, que teve com Noah.
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