Notas iniciais
Camilla por aqui hoje :D Espero que gostem desse capítulo!

Finn estava totalmente de cabeça quente, a ideia de passar alguns dias em paz longe de tudo era dela, e no fim nada estava saindo como o planejado. Ela continuava sumindo e algumas vezes pendurada no telefone, e suas desculpas estavam começando a não fazer tanto sentido assim. Porém a maneira extremamente arisca que ela estava nessa noite bagunçou completamente os sentimentos e pensamentos do rapaz.

O relacionamento deles andava passando por altos e baixos, e Finn sempre se mostrou presente na vida de Quinn, a apoiando e incentivando desde o começo, aguentando suas crises e tentando ser sempre o mais doce possível com ela, apesar de sempre acabar levando a culpa por alguma coisa, ele se mantinha como um fiel escudeiro ao seu lado, já tendo passado várias noites em claro com ela, apenas para se mostrar um verdadeiro companheiro.

Ele sabia que ela o amava desde o começo, todas as coisas boas que já passaram juntos definitivamente superavam qualquer dificuldade que enfrentavam em alguns momentos turbulentos.

Caminhou um pouco sem rumo pelos corredores do grande navio, até que decidiu que um pouco de ar fresco poderia ser útil para limpar sua mente, e talvez trazer algum conforto. Ao chegar na popa percebeu a presença de uma pequena garota enrolada em um cobertor, hesitou por um momento em se aproximar, até porque seu objetivo era ficar sozinho, mas quando seus passos foram ouvidos pela morena, ela se virou para encará-lo e abriu um pequeno sorriso simpático.

Os pés de Finn caminharam sozinhos até a borda em que ela se encontrava, apoiada na grade e aparentemente olhando entre as estrelas e o mar.

"Olá!" Ela saudou sorridente acenando com uma mão.

"Rachel!" Ele sorriu se aproximando. "O que está fazendo aqui sozinha? Já é um pouco tarde...”

“Eu posso te fazer a mesma pergunta Finn.” Sorriu travessa e voltou a olhar o mar: “Apenas uma insônia!” Deu de ombros.

“Hum...” Ele coçou a nuca a encarando e voltou seus olhos para o mar. “Certo!”

“E o que te traz aqui?”

“Ar fresco!” Sorriu de lado se sentando em um banco a poucos metros dela.

Rachel virou de costas para a grade e apoiou suas mãos nela, encarando atentamente o moreno que parecia um pouco incomodado com alguma coisa.

“E você preferia estar sozinho?” Perguntou.

“Na verdade sua companhia me faz bem...” Ele deu de ombros e os dois sorriram um pouco tímidos.

“Bom saber.”

Ela virou o rosto e voltou a encarar o mar, fazendo com que Finn aproveitasse o momento para prestar mais atenção em seus movimentos e em sua expressão.

“Me parece que algo também está incomodando sua cabeça, tirando seu sono.” Cruzou os braços se encolhendo por causa da brisa gelada.

Ela o encarou por alguns minutos e ele sustentou o olhar.

“Você está com frio?”

“Você fugiu da minha pergunta!” Rebateu.

“Na verdade não acho que soou como uma pergunta.” A morena piscou sorrindo de lado e se sentou ao lado dele.

“Bom, existe alguma preocupação te causando insônia Rachel?”

“Pode me chamar de Rach...” Ela sorriu de leve jogando uma parte da manta que usava ao redor do corpo sobre as costas do rapaz.

“Muito obrigado Rach!” Ele sorriu se encolhendo um pouco sentindo a coberta em suas costas.

“Na verdade acho que estou com uma bagunça de pensamentos na cabeça, mas você não quer começar a falar seus motivos?”

“Acho que se um de nós não começar falando passaremos a noite toda aqui.” Os dois riram com as palavras dele: “Mas sim, não serei cavalheiro e começarei.”

“Ok minha dama.” Rachel riu abertamente da careta do moreno

“Estou com alguns problemas com Quinn.” Suspirou pesadamente. “Na verdade ela está com um comportamento estranho desde que mencionou essa viagem e parece estar se agravando desde que chegamos aqui, sabe?”

Rachel balançou a cabeça afirmando e ele continuou

“Ela age dessa forma agitada e irritada sempre que está ocupada com as coisas do trabalho, na verdade até estou um pouco acostumado com esse jeito sempre profissional dela, mas...”

“Mas não nas férias, não é?” A pequena completou a frase.

“Exatamente! Eu não sei ao certo como agir, estou tentando apoiá-la como sempre, mas nessa situação eu não sei ao certo o que apoiar ou como agir.” Suspirou novamente. “Eu tento sempre apoiá-la, mas não é o suficiente.” Rachel ouvia tudo atentamente encarando seu perfil, sem perceber que a distância entre eles diminuía gradativamente. “Nós estamos noivos, mas nos últimos tempos acontecem coisas inimagináveis para atrapalhar nossos momentos.”

“Finn.” Inconscientemente ela tocou o braço do rapaz. “É uma situação um pouco chata, mas são poucos momentos assim?”

“Ando pensando que os momentos assim estão mais frequentes do que os momentos melhores, isso me preocupa Rachel.”

“Com razão.” Ela fixou seu olhar no chão por alguns segundos sentindo-se esgotada da mesma maneira, e voltou a encará-lo. “Talvez você devesse confrontá-la, questionar o que está acontecendo e dizer exatamente isso que você está sentindo!”

“Quinn simplesmente encontraria alguma maneira de me amansar, me mostraria que as coisas estão ótimas e que estou exagerando.”

“Muito articulada.” A morena falou mais para si, porém ele a ouviu.

“O que disse?” A encarou.

“Na verdade...” Revirou os olhos rendida. “Eu disse que ela está sendo muito articulada se age com você dessa maneira. E minha única sugestão é que converse com ela.”

“Em momentos de conflito eu não consigo conversar com ela, Quinn está sempre certa, e ela é capaz de fazer quem ela quiser acreditar em sua razão.”

“Finn, você está me fazendo ter uma imagem um pouco negativa da sua namorada, aparentemente você pensa dessa maneira.”

“Na verdade não Rachel.” Ele coçou a nuca e voltou a encará-la: “Eu realmente a amo, construímos muitas coisas juntos.”

“Mas as coisas se desgastaram com o tempo.” Afirmou convicta. “Eu te entendo melhor do que eu gostaria de entender na verdade.” Sua expressão aparentava desânimo.

“Bom, pelo que você acabou de dizer, acredito que seja sua vez de contar os motivos da sua insônia.”

Finn naturalmente passou um dos seus braços ao redor do ombro da pequena, mantendo seus corpos mais próximos e ajeitando melhor o cobertor sobre eles. Rachel se encaixou entre seu abraço e suspirou em sua vez de contar.

“Na verdade Noah é um namorado muito bom, maravilhoso eu diria.”

“Mas seu tom não é o mais animado em relação a isso.” Ele insistiu.

“É como se fôssemos perfeitos juntos e isso me parece errado de alguma forma.”

“Você vai precisar explicar melhor Rachel!” O moreno sorriu de lado. “Acho que não estou acompanhando seu pensamento.”

“Me chame de Rach.” Sorriu de leve.

“Ok Rach!”

“Eu e Noah nos conhecemos na faculdade e temos personalidades opostas, mas desde o começo nós nos completávamos. Era como se entrássemos nos eixos estando um ao lado do outro.” Deu de ombros. “Nosso relacionamento sempre caminhou muito bem.”

“E por isso está errado?” Perguntou a encarando: “Precisaria ter alguma coisa, digamos que, ruim acontecendo para ser melhor?”

“Não é o que eu quero dizer...” Ela voltou a olhar o mar. “Sinto que somos melhores amigos, daqueles que dariam a vida um pelo outro, eu sei tudo sobre ele e ele sobre mim, mas talvez a relação tenha se limitado a isso.”

“Falta a química?” O tom de Finn era curioso.

“Temos, sempre tivemos, não é bem isso...”

“Rach, está um pouco complicado pra mim entender.” Os dois riram quando os olhos de Rachel voltaram a se unir aos de Finn.

“Eu sou um pouco complicada!”

“E sente que não está sendo honesta com ele?”

“Ele fez desse cruzeiro uma oportunidade para salvar nosso relacionamento sabe? Tenho a sensação de que Noah sabe que é como se o nosso relacionamento amoroso esteja esfriando aos poucos, e ele não quer que isso aconteça. Ele se esforça, faz sempre muito por mim.”

“Algo que aconteceu te deixou chateada?” Finn apertou um pouco mais seu abraço nos ombros da garota.

“Talvez...” Respondeu vaga.

“Eu não quero de forma alguma te pressionar a falar, mas sinto que se você não colocar isso pra fora, pode acabar explodindo.”

Rachel ergueu os olhos até os dele novamente, o choque dos castanhos foi instantâneo, Finn parecia conseguir enxergar através de si, em poucos minutos de conversa ele foi mais perceptivo do que Noah nas ultimas semanas. Suspirou e encostou sua cabeça no ombro do moreno, voltando a olhar fixamente para as estrelas.

“Eu sinto como se estivesse carregando o mundo em minhas costas. Eu quero ter uma família e pensei que Noah seria a pessoa certa para que isso acontecesse. Ter filhos, uma grande família como a que fui criada.” Finn apenas acenou com a cabeça antes que ela continuasse: “Mas quando ele fala sobre isso não parece que vai dar certo, pensamos diferente em algumas coisas.”

“Mas isso é algo que vocês podem conversar e planejar melhor.”

“Na verdade...” Ela hesitou segurando as lágrimas rebeldes que tentaram se formar atrás de seus olhos. “Eu suspeitei que estivesse grávida por alguns dias.”

“E ele negou isso?” O tom do rapaz se alterou.

“Na verdade ele não soube. É uma situação um pouco complicada. Aconteceu no dia do hospital, o dia que vocês se conheceram se não me engano.”

“Sim, eu me lembro!”

“Eu estava em pânico, naquele momento não parecia certo, não parecia a hora, me senti completamente perdida e não encontrei oportunidades para contar pra ele.”

“Por achar que a reação dele seria ruim?”

“Pelo contrário.” Sua voz estava mais desanimada: “Seria talvez uma realização de um sonho pra ele, mas eu simplesmente entrei em pânico total em ter um filho, com ele, com toda a situação, eu não sei ao certo o porque, mas eu estava em pânico. E ter ele dando pulos de alegria pela sala me faria ter mais raiva dele.”

Ficaram em silêncio por alguns segundos, Finn não sabia o que responder e Rachel precisava de algum tempo para se acalmar e evitar que o choro tomasse conta de seu corpo.

“Seria injusto da minha parte sentir raiva dele por isso.” A pequena continuou. “Foi apenas um alarme falso, mas depois dessa situação eu sinto que não sou mais a pessoa certa pra ele.”

“Rach, isso é algo muito sério, acredito que você ainda esteja um pouco confusa com toda a situação e talvez se vocês conversassem poderiam dar um jeito de melhorar isso.”

“Ele não sabe e acho que contar agora não seria uma boa.”

“Acho que estamos um pouco ferrados com nossos relacionamentos.” Finn observou forçando um sorriso. “Mas talvez nem tudo esteja perdido!”

“Vamos tentar pensar positivo dessa maneira!” Ela completou.

Passaram mais algum tempo juntos sentados naquele pequeno banco, sem se incomodarem com a proximidade de estarem nos braços um do outro, aquecidos, conversando trivialidades, discutindo as posições das estrelas e os desenhos que elas podiam fazer pela imensidão do céu. Logo depois decidiram voltar até suas respectivas cabines, um namorado dormindo aguardava a presença de Rachel, enquanto uma noiva, arrependida a essa hora, aguardava por Finn.

Notas finais
Pessoal, é muito importante pra gente que vocês comentem, pois, senão, não saberemos o que estão achando da estória. Um beijo para todos os leitores!