Change of Plans
5 Dreaming about the things
Notas iniciais
O barulho incessante da porta sendo totalmente esmurrada já estava deixando Puck verdadeiramente nervoso. O moreno estava tomando banho quando ouviu as primeiras batidas e se apressou em se vestir para atender quem quer que fosse, com extrema grosseria, já que aquela atitude já havia passado dos limites da insistência.
“Mas...O quê? Santana?” O rapaz se assustou ao encarar sua irmã com um sorriso presunçoso nos lábios
“Que diabos você estava fazendo pra demorar tanto a abrir a porta?” A latina adentrou o apartamento como um furacão e parou no centro da sala encarando o irmão.
“Que diabos, pergunto eu!” Ele suspirou cansado batendo a porta. “Ia colocar minha porta abaixo? E se eu não estivesse aqui, sua maluca?”
“Olha lá como fala comigo, irmãozinho.” Ela ria abertamente o irritando ainda mais.
“Não estou com paciência pra brincadeiras hoje.”
“Ui, como ele está bravinho.” Santana se aproximou e apertou as bochechas do irmão, fazendo com que ele bufasse em descontentamento. “Tudo isso é tensão não sexual? Já que sua vida sexual com a Berry anda mais parada do que a vagina da tia Muriel.”
“É serio? Sério mesmo que você vai falar da vagina da tia Muriel?” A latina gargalhou ainda mais, enquanto Puck tentava manter-se sério, segurando um pequeno sorriso entre os lábios. “Obrigado San, eu já estava prestes a subir pelas paredes, mas depois de imaginar isso, acho que não sentirei tesão nos próximos 3 anos.”
“Tenho a solução para os seus problemas.” Ela se jogou no sofá sorrindo vitoriosa.
“Tem? Jura? Você virou feiticeira ou algo do tipo?” O moreno passou as mãos no rosto e se jogou ao lado da irmã. “Porque sinceramente eu não aguento mais pensar no que pode estar errado entre eu e a Rach.”
“Talvez a monogamia.” A latina soltou naturalmente.
“Eu já superei essa fase.” Os dois se encararam e riram abertamente. “É sério! Meu problema não é esse. Na verdade me surpreendi tendo pensamentos de que viver com uma mulher só é bem melhor do que viver com várias.”
“Depois a feiticeira sou eu.” Ela rolou os olhos. “A Rachel certamente fez algum truque pra te deixar desse jeito.”
“Falou a pegadora.” Ele riu empurrando de leve o braço da irmã.
“Você e o Jake são dois babões presos pelas mulheres.” Sorriu convencida. “Eu gosto de curtir minha vida, conhecer novos horizontes...”
“Pegar todos os caras que conhece.” Ele completou a frase da latina e recebeu um tapa na cabeça. “Ai, isso dói!”
“Não faço isso!”
“Faz quase isso.”
“Não me faça desistir de te ajudar seu imbecil!”
“Me diz logo o que te faz pensar que você me ajudaria.”
“Você e a Rachel andam com problemas, certo?”
“Na verdade não sei se são problemas, não sei o que acontece, só que...” Quando ia completar a frase, a latina o interrompeu.
“Blá, blá, blá...” Ela suspirou. “Apenas responda. Você e a Rachel andam com problemas, certo?”
“Certo.” Ele bufou e cruzou os braços.
“Você não a leva pra cama há algumas semanas, certo?”
“Certo.” Ele arqueou as sobrancelhas ao responder, sem entender como sua irmã poderia sequer saber disso.
“Você está desesperado em busca de uma solução, certo?”
“Santana, pelo amor de Deus!”
“Você está desesperado em busca de uma solução, certo?” Ela repetiu a pergunta, sendo um pouco mais grossa.
“Certo.” Suspirou cansado.
“Eu tenho a solução dos seus problemas!” Santana agitou os braços e abriu um enorme sorriso.
“Se você falar isso mais uma vez eu juro que me tranco no quarto e te largo sozinha aqui.”
“E eu tomo todos os seus whiskys.” A latina pontuou, o provocando.
“Ok, estou te ouvindo.” O rapaz voltou a encará-la. “Você está bêbada?”
“Não tanto quanto eu gostaria.” Ela riu.
“Ótimo, fiquei dando ouvidos aos seus delírios alcoólicos.” Puck suspirou desanimado e se afundou ainda mais no sofá encarando o teto.
“Você por um acaso vai me deixar falar?”
“Eu estou tentando saber o que você tem pra falar há pelo menos quinze minutos, Santana.”
“Rabugento!”
“Babaca!”
“Estúpido!”
“Grossa!”
“Egoísta!”
“Gorda!”
“Ridículo!”
“Te amo.” Ele agarrou a irmã fazendo cócegas na latina que se contorcia tentando se livrar dos braços do moreno.
“Me larga saco de músculos inútil.” Os dois riam bobamente, Santana o empurrou e se sentou no braço do sofá.
“San, sério, tem alguma solução pra mim ou veio apenas curtir com a minha cara?”
“Tenho uma solução pra você, e eu nunca perderia uma oportunidade de curtir com a sua cara.” Puck arremessou uma almofada e a latina desviou, mostrando a língua e arrancando risos dos dois.
“Me diga, por favor, eu quero voltar a ter paz com a minha morena.”
“Bom, eu simplesmente fui deixada de lado no projeto mais importante da revista esse mês. Lady Hummel, não só deu o comando do desfile para a Fabray, como me deixou de fora da equipe de organização.”
“Sim e o que isso tem a ver?”
“Me deixa falar.” Ela gritou e Puck deu uma gargalhada, calando-se em seguida. “Então, como eu dizia, eu fiquei muito chateada com aquela borboleta, mas não pude soltar minha Snixx nela. Enfim, pra me consolar eu ganhei alguns ingressos para o evento e trouxe esses dois para você e a Hobbit.” Procurou em sua bolsa os ingressos.
“Eu não quero ir pra um desfile de moda.” Puck fez uma careta.
“Idiota, esse desfile vai acontecer em um cruzeiro marítimo. Claro que terão vários eventos da revista, mas o foco não é esse. É um cruzeiro para relaxar e curtir a vida. Por um mês. Por toda a costa do Caribe.” Ela falou e lhe entregou dois ingressos.
“Uau!”
“É. Leve a Rachel com você nesse cruzeiro, vocês dois precisam de férias de tudo! Reorganize o relacionamento de vocês, dá um jeito, não posso fazer tudo por você!”
“Você também vai?”
“Claro que vou, né?!” Ela revirou os olhos. “Quero ver de perto o desastre que aquela loira oxigenada fará do desfile. E também, quero aproveitar meus dias de folga.” Puck deu de ombros para a informação e abraçou a irmã de lado.
“Obrigado, San. Eu realmente precisava de algo grande para tentar acertar as coisas com a Rach.”
“Sem problemas, sabe que eu faria qualquer coisa pra te ajudar.” Os dois se abraçaram carinhosamente. “Agora quer me contar o que está acontecendo?”
Puck apenas assentiu com a cabeça e se deitou no colo da irmã, quando sentiu que a latina começou a acariciar os fios rebeldes de seu moicano intacto, começou a relatar os momentos que o faziam perceber que as coisas não andavam bem entre ele e Rachel, principalmente os comportamentos estranhos que ela tinha em alguns momentos, contrastando completamente com os momentos carinhosos que ela proporcionava pra ele.
Algum tempo depois a latina foi embora, o que acabou sendo o momento perfeito para Puck ir atrás de sua garota contar as novidades. As expectativas eram as melhores para que ela ficasse totalmente animada, se jogasse em seus braços, eles poderiam se amar, e ele seria o herói da história e do relacionamento deles.
[...]
“Alô?” Kurt perguntou ao telefone com voz de sono. Ele estava dormindo, como qualquer outra pessoa normal estava, afinal, era madrugada. Precisamente, três e quarenta e cinco dela.
“Hey, Kurt, sou eu, Quinn.” Ela falou sussurrando.
“Isso eu sei, sua idiota. Está estampado no visor do meu celular.” Ele respirou, tentando conter a irritação nítida em sua voz. Depois falou com mais calma. “Porque raios, você está me ligando a essa hora, Fabray?”
Sua voz ainda transbordava irritação, mas estava camuflada por uma pequena curiosidade brotando dentro de si. Curioso pelo fato da ligação, pelo fato de Quinn está sussurrando ao telefone... Tudo o levava a crer que ela iria aceitar sua proposta.
“Bom, eu estou dentro. Eu irei ao cruzeiro.” Kurt sorriu de satisfação no outro lado da linha, porém não entendera o motivo da ligação de madrugada.
“Ótimo, mas precisava me acordar?”
“Não, não precisava, mas eu não perderia a oportunidade de fazê-lo.”
Ela estava chateada com Kurt, pois ele a pressionou contra a parede. Não literalmente, é claro. A ideia de mentir para Finn era aterrorizante, porém a ideia de perder sua posição para Santana também era. Acordar seu chefe no meio da madrugada poderia aliviar um pouco sua revolta para com ele. Ela continuou:
“De qualquer jeito, eu tive que mentir para meu noivo e dizer que tiraria férias. De modo que elas começarão hoje!”
“Como é?”
“De qualquer jeito...” Ela começou a repetir o que falara anteriormente.
“Eu entendi, Quinn!!” Ele a interrompera. Respirou fundo, tentando se acalmar. A mulher realmente estava o irritando. “Ok. Faça o que quiser, mas, por favor, me deixe dormir.”
“Ok. Beijinhos, Kurt.”
Ele não respondera. A garota ouviu a linha muda do outro lado e retirou o aparelho do ouvido. Voltou a sua cama e aconchegou-se novamente aos braços de Finn. A sensação angustiante aos poucos deixando seu corpo. Porém, ela sabia que voltaria rapidamente. O cruzeiro já estava próximo. Seria na próxima semana. Ela teria que planejar tudo com a equipe externa, antes de ir. Quanta confusão.
***
“Vogue, escritório da Srta. Fabray. No momento ela encontra-se em férias, mas anotarei o recado.”
“Marley, sou eu, Quinn.”
“Ah, olá, Srta. Fabray!” Ela a cumprimentara animadamente.
“Olá, Marley!” Quinn respondeu ágil. “Você poderia me fazer um favor?”
“Claro, é pra isso que estou aqui!” A animação da garota, irritou a loira por um instante. Não que ela não gostasse de Marley, só estava tendo um dia ruim.
“Ótimo.” Falou impaciente. “Marque para mim uma reunião com Sam, Mercedes, Brittany, Blaine, Tina e a equipe de filmagem. Diga para me encontrarem ainda hoje no Pallace's. Ok?”
“Sim. Mais alguma coisa?” Perguntou sorridente.
“Não, obrigada. Tchau.”
“Tchau.” E desligou o celular.
As pessoas convocadas para essa reunião faziam parte da equipe organizadora do evento. Samuel Evans seria o modelo masculino principal do desfile. Todo o lançamento da linha masculina de verão giraria entorno do loiro. Brittany S. Pierce, era a principal feminina. Os dois juntos formavam o casal perfeito. Lindos, sarados, loiros e aparentemente legais. Tudo que bombaria na mídia.
Eles não namoravam de verdade, formavam apenas o que eles chamam de PR. É meio que uma relação falsa, apenas para alavancar o trabalho que estão fazendo. O que no momento, era o lançamento da linha primavera/verão da Vogue.
Mercedes Jones é a pessoa mais egocêntrica que Quinn já conhecera. A estilista que assinava a coleção fez exigências grandiosas para que o desfile acontecesse. Além de vinte toalhas brancas em seu camarim, consta em seu currículo de extravagâncias coisas como: uma suíte presidencial com uma cama king deluxe no navio, lençóis com fios de ouro e travesseiros de pena de avestruz.
A norte-coreana Tina Cohen Chang, é a eficiente figurinista da revista. Ela é a responsável por montar e ajustar todo o figurino antes e até mesmo no momento dos desfiles. Apesar de sua função ser extremamente necessária e fundamental para a viabilidade do acontecimento, ela sempre era menosprezada pelos criadores.
Por último, mas não menos importante, o chefe de passarela Blaine Anderson. Sua função na empresa é organizar o que será feito no momento do desfile. A coreografia da entrada e saída das modelos, a sequência de roupas e visuais, a posição dos convidados, fotógrafos e críticos, além de ser o mestre cerimonialista, narrando toda a descrição dos modelos e peças.
O que Quinn Fabray faz é coordenar todo esse pessoal e a equipe de fotografia, filmagem, produção, organização, entre outras. Por isso, Kurt Hummel, a escolhera. Ela sempre faz dar certo. Independente de quanto isso a custe.
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