Change of Plans
14 Don't miss a thing!
Notas iniciais
“Foi inteligente da sua parte, usar as boias daqueles garotos...” Ela admitiu sorrindo para o moreno.
“Bem, foi apenas sorte.” Sorriu modesto. “Apenas tive sorte que eles passaram bem naquele momento.”
“Obrigada novamente Noah!” Quinn terminou seu suco de maracujá e se levantou do banquinho em frente ao bar. “Não sei como te agradecer o suficiente.”
“Acho que já agradeceu demais Quinn.” Puck se levantou sorrindo de leve. “Está tudo bem...”
“Bom, eu tenho que ir!” Ela olhou as horas em seu celular e se assustou por ter perdido muito tempo. “Nos vemos por aí então!” Saiu em passos apressados.
“É, nos vemos!” Puck sorriu acenando para o perfil da loira que se afastava rapidamente.
“Ei, Puckerman!” Santana bateu na mão do irmão a abaixando. “Onde está Rachel?”
“Sant? Oi? O quê?”
“Você por acaso estava babando em outra mulher?” Ela deu uma tapa no ombro do irmão. “Porque se estiver eu juro que eu te arrebento e te jogo pra fora do navio.” O moreno estreitou os olhos ao ouvir a irmã falar aquela frase. “Eu trouxe vocês aqui para se comerem e resolverem o relacionamento de vocês, não pra você foder com tudo!”
“Pare com isso Santana!” Puck esfregava o braço onde havia acabado de levar a tapa. “Eu não estava nada, ela é apenas uma conhecida, noiva de um amigo. Pare de ser idiota e paranoica.”
“Paranoica vai ficar a sua namorada se eu contar que te vi babando na mulher dos outros!”
“Se você falar alguma idiotice dessas pra Rachel eu juro que eu te jogo pra fora desse navio, Santana!”
“Idiota!”
“Você é uma idiota!” O moreno riu quando percebeu a irmã rindo: “E por que você está tão agitada?”
“Nada demais!”
A latina deu de ombros e inventou alguma desculpa para deixar o irmão sozinho novamente, ele não havia percebido o motivo, mas Santana avistou Sam sozinho entrando em um dos salões do navio e se apressou em segui-lo, porém mudou de ideia ao ver que o loiro estava indo de encontro a Brittany. Isso deixaria as coisas um pouco mais difíceis, mas ela poderia esperar por ele em sua cabine, já que ele havia sido estúpido o bastante para dizer qual era.
“Gatinho!” Rachel exclamou sorrindo quando seu namorado entrou em sua cabine.
“Oi meu amor!” Sorriu carinhoso e se apressou em deixar um selinho entre os lábios da namorada. “Conseguiu achar o SPA?”
“Na verdade não!” A pequena bufou. “Me perdi da Sants e depois ela me disse que nem ela encontrou o SPA.”
Puck se sentou na cama e abraçou a cintura da namorada, deixando vários beijos demorados por todo seu rosto, buscando o contato da pele da pequena, ele só queria tirar a imagem incômoda de Quinn de seus pensamentos, afinal, parecia errado e um tanto estranho pensar nela, mas talvez fosse apenas pela situação que passaram.
“Então por onde você andou por essas horas meu amor?” Perguntou carinhoso.
“Apenas me perdi um pouco e acabei conhecendo alguns cantos do navio.”
A morena deu de ombros e tentou disfarçar os pensamentos que voltaram em sua mente, na verdade ela não sabia se seria necessário contar sobre sua tarde para o namorado que parecia estar tão carinhoso e atencioso naquele momento.
Flashback on
“Que droga! Por que eu não consigo achar esse SPA maldito?! E onde a Santana se meteu?” Rachel falava sozinha enquanto andava por um canto desconhecido do navio.
Continuou a caminhar pelos corredores e a cumprimentar alguns funcionários aleatórios, até que avistou um salão com portas transparentes e várias estantes lotadas de discos. Aquilo pareceu o paraíso para a pequena que automaticamente adentrou o local. Seus olhos brilhavam a cada coletânea que ela admirava nas prateleiras.
O lugar estava silencioso, pois, as pessoas ouviam suas músicas em seus respectivos fones. Havia um piano ao fundo, bastante elegante e bonito; e também um violão.
Rachel procurou pela parte de rock clássico que era atualmente sua paixão. A mulher gostava de ouvir música o tempo inteiro e até se arriscava com algumas notas, mas era bastante tímida para se expor em público. Mesmo Puck tendo a dito várias vezes que sua voz era linda e que quando ela cantava, seja lá qual fosse a música, ele se perdia na melodia da voz delicada da baixinha.
Finalmente achou o disco que queria, da banda Aerosmith, porém, só existia um problema: ele estava na última prateleira da terceira estante, lugar difícil de ser alcançado por ela, graças a sua desfavorável altura. Rachel olhou para os lados a procura de um banco ou escada que a ajudasse na tarefa, mas nada encontrou. Ficou então nas pontas dos pés e esticou o máximo possível suas mãos. Mesmo assim não conseguiu.
“Precisa de ajuda?” Finn falou risonho, enquanto estendia a mão para pegar o disco.
“Finn! Você me assustou!” A mulher falou com a respiração descompassada.
“Me desculpe por isso.” Ele respondeu no mesmo tom risonho. “É que eu estava passando e vi o seu esforço para tentar alcançar o disco e então resolvi ajudar.”
“É, essas coisas acontecem às vezes comigo.” Ela riu sem graça e olhou para o rosto de Finn, que parecia iluminado de uma diversão contagiante. “Você se divertiu com isso, não é mesmo?”
“Devo confessar que foi bastante engraçado. Você estava tipo...” Ele colocou um pouco da língua para fora, apertando-a entre os dentes, para demonstrar esforço e esticou sua mão, imitando a atitude da mulher.
“Que ridículo! Estou com vergonha agora.” Rachel falou rindo de si própria, tapando o rosto. O homem riu junto com a pequena.
“Então, Aerosmith? Me conte mais sobre isso...”
“Como assim?” Ela perguntou confusa.
“Você não tem cara de que gosta de rock clássico. Parece mais que curte Justin Bieber, Selena Gomez, High School Musical...”
“Obrigada pela parte que me toca.” Ela fez uma careta rindo em seguida. “Não, credo, claro que não! Se fosse por cara, eu chutaria que você gosta de country. Aqueles bem raízes tipo, Blake Shelton. Isso! Você até parece com ele!”
“Ah, só porque eu sou alto? Isso não faz sentido!” Ele riu junto com a mulher.
“Então, pronto! Sem julgamentos, ok?”
“Ok!”
“Eu gosto de Aerosmith sim. Estava procurando uma música em especial. Don’t Wanna Miss a Thing, conhece?”
“I don’t wanna close my eyes, I don’t wanna fall asleep, cause I miss you baby, and I don’t wanna miss a thing...” Finn cantou o verso deixando a garota impressionada.
“Você canta bem...” Ela elogiou.
“É, eu sei, mas desisti da música faz tempo. Meus pais, e os de Quinn, são totalmente contra.”
“E ela? O que pensa sobre isso?” Rachel perguntou impulsivamente, querendo saber mais sobre a vida do casal.
“Ela gosta quando eu canto para ela, mas ela sempre viu como um hobbie e eu acabei passando a enxergar como isso também.”
“Entendo...” A pequena se condescendeu.
“Essa música é meio que o hino da nossa relação.” Finn sorriu torto, lembrando-se dos tempos do início de namoro.
“Mas como assim? Essa música é o hino da minha relação!”
“Puxa, que coincidência!”
“Pois é.”
“E você? Qual sua relação com a música?”
“Sou só uma mera ouvinte e amante de boa música.”
“Hum, é difícil acreditar, hein? Pra estar no meio de um cruzeiro, tão empenhada em ouvir uma música, sua ligação tem que ser bem mais profunda do que só ouvinte.”
“Você acha demais.” Ela se virou para ir atrás de outros discos.
“Concordo com você! Me desculpe por isso!”
“Não, Finn. Não é isso...”
Ele avistou o violão e o piano e se dirigiu até eles, com uma cara de quem iria aprontar.
“O que você vai fazer?”
“Te desafiar, Rachel!” Disse enquanto pegava o violão e o posicionava em seu colo.
“Desafiar a quê? A cantar com você?” Ela disse quando ouviu os primeiros acordes do instrumento.
“Não. Te desafio a não cantar comigo.” Ele disse sorrindo torto e começou: “I could stay awake just to hear you breathing. Watch you smile while you are sleeping. While you're far away and dreaming”
O pessoal que estava no local percebeu a movimentação e começou a olhar para onde vinha o som, gostando do que ouviam. Rachel estava de pé e encarava as pessoas olhando para eles, morta de vergonha. Ela tentava parar Finn, mas ele parecia se divertir com a situação.
“Finn... Tá todo mundo olhando, cara!” Disse baixo, para que apenas os dois escutassem.
“Lying close to you. Feeling your heart beating. And I'm wondering what you're dreaming. Wondering if it's me you're seeing.”
A garota já suava frio, devido a atenção imensa que ele estava atraindo para os dois, porém, algo em seu interior não a deixava ir embora. Ela estava simplesmente paralisada, desejando que a brincadeira de Finn acabasse logo. Os olhares que o homem lançava para ela eram de puro incentivo. Era como se ele estivesse a encorajando silenciosamente.
“Você é louco. Eu não vou.” Ela falou baixo novamente, mas dessa vez, mais vacilante em sua certeza de não ir.
“Cause even when I dream of you. The sweetest dream will never do. I'd still miss you, baby. And I don't wanna miss a thing.”
A voz de Finn soava forte e segura, carregada de emoção devido às lembranças que a canção o traziam. Mesmo assim, ele continuava empenhado em trazer Rachel para o piano e ouvir a voz da mulher, que cada vez mais estava inclinada a fazê-lo. A voz dela invadiu o local na parte mais forte da música. Ele não pôde deixar de se surpreender ao ouvi-la.
“I don't wanna miss one smile. I don't wanna miss one kiss. I just wanna be with you. Right here with you, just like this. I just wanna hold you close. I feel your heart so close to mine. And just stay here in this moment. For all the rest of time.”
A imagem da mulher era a mais perfeita que se poderia existir. Ela continuava parada em seu lugar, mas agora mantinha os olhos fechados. De acordo com o quê as palavras saíam, suas mãos se movimentavam devagar. Ao executar a última nota, pode-se ouvir os elogios murmurados dos presentes sobre a potência e qualidade da voz da jovem.
Finn continuou a música, esperando que Rachel acordasse de seu sonho e o acompanhasse. Não demorou muito para que a pequena criasse coragem e caminhasse até o pano a tempo de executar com o homem o fim da canção. Ela sentou-se e mesmo com as mãos trêmulas, lembrou-se das notas da música que aprendeu nas aulas de piano que tomou em sua adolescência.
“Don't wanna close my eyes. Don't wanna fall asleep, yeah. I don't want to miss a thing.”
O final foi a melhor parte da canção. As vozes se combinavam e os dois fizeram um bom trabalho de harmonia, arrancando aplausos de pé dos presentes. Rachel estava corada e ainda trêmula, enquanto Finn estava orgulhoso por tê-la incentivado, mesmo sabendo que viria bomba por aí. Quando todos se dispersaram e os dois voltaram a ficar a sós, a mulher fechou os olhos.
“Bom, eu só quero resaltar o quanto foi inapropriado da sua parte, fazer isto.”
“Sim, eu sei que foi, mas os fins justificam os meios e puxa vida, você arrasou, Rachel, por que essa raiva toda?”
“Eu não estou com raiva, Finn. É só que... bem, eu tenho medo. Nunca fiz isso na vida e de repente, eu canto em uma discoteca dentro de um navio. É muita loucura.”
Ela falava rapidamente e Finn teve o impulso de abraçá-la e acalmá-la, mas se conteve. Isso sim seria inapropriado da parte dele. Então, ele tentou de outra forma.
“Olha, você foi incrível. Eu só queria te mostrar isso. Te fazer ter confiança, mas eu dou a minha palavra de que nunca mais o farei, ok?”
“E como você sabia que eu seria incrível?”
“Não sei. Eu tive um pressentimento sobre você. É até estranho.”
“Super estranho.” Ela finalmente riu. “Obrigada por isso. Foi até bom.”
“Tá brincando?! Foi show! Tivemos aplausos de pé!” Ele disse e ela gargalhou concordando. “Amigos?” Ele estendeu a mão. Ela estreitou os olhos o encarando, mas deu o braço a torcer.
“Amigos!”
Flashback off
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