Change Your Life
7 Ginger (Parte II)
Notas iniciais
Nota sobre o capítulo anterior: Na conversa entre Anna e Reita ela fala alguma coisa sobre o último single ser Leech. Sim, queridos leitores, eu sei que não é :D O erro é intencional.
Na saída do estúdio no final da tarde, o guitarrista loiro voltou a cochichar sobre o boliche do sábado, afim de confirmar o acordo. Shina riu, pensando que arranjara um parceiro no crime. Agora, tudo que tinha de fazer, era convencer Anna a ir. Para não levantar suspeitas, deixou para fazer o convite só no sábado de manhã no caminho para a casa da mãe Anna, onde almoçariam e passariam a tarde com Sky.
- Vai fazer alguma coisa à noite? Algum encontro? – provocou Shina, rindo.
- Ai, não. Pelo amor de Deus, não. – Anna riu. – Por quê? Tem algum plano?
- Tava pensando da gente sair. Fazer alguma coisa diferente, só eu e você. Tipo clube da luluzinha.
- Ah, seria ótimo. To precisando me divertir um pouco. – suspirou Tsuchiya.
- Boliche tá bom pra você? – perguntou Shina, enquanto desciam do carro.
- Boliche? É... Seria legal. Faz tempo que não jogo. – sorriu.
- Então tá. Às sete a gente sai pra jogar e depois a gente pode comer alguma coisa, sei lá.
- Ok, combinado. – disse, tirando o filho do carro e levando-o para dentro.
Anna e Shina passaram o dia na casa da mãe de Tsuchiya, como faziam com freqüência aos sábados, para que Sky tivesse contato com um ambiente familiar mais normal, mais parecido com o das outras crianças que não tem pais famosos. Era um bom dia para por o plano em prática, já que Sky dormiria na casa da avó, assim elas não teriam que se preocupar com a hora.
No meio da tarde, enquanto jogavam vídeo game com Sky, Shina sentiu o celular vibrar no bolso. Número desconhecido. Resolveu atender mesmo assim.
- Alô?
- Hey, sou eu. Uruha. – disse a voz masculina conhecida do outro lado.
- Ah, oi. – Shina levantou-se do sofá e foi falar longe de Anna e Sky.
- Eu pedi o seu número na gravadora, espero que não se importe. – riu.
- Não, claro que não.
- Então, tá tudo certo pra hoje a noite? – perguntou, animado.
- Tá sim. Já convidei e ela topou na hora. Você não disse pro Reita que nós vamos estar lá né?
- Claro que não. Se não ele vai ficar super tenso e perfumado demais. – o guitarrista riu.
- Sei. – Shina riu também.
- Ok, então vejo você às sete?
- É, até mais tarde. – desligou, vendo que Anna se aproximava.
- Quem era? – ela perguntou – Ando? Você não convidou ele né? A última coisa que eu quero é ficar segurando vela.
- Ah, não. Não convidei ele, não. Não se preocupe. – riu – Você não vai segurar vela, pode ter certeza.
- É bom mesmo. Até porque encontrar o Ando seria meio desconfortável depois de tudo que aconteceu com o Ryuhei. – suspirou.
- Eu sei. Pode ficar tranqüila. – sorriu Kiriyama.
- Sky, hora do banho. – disse Mayumi, a mãe de Anna, entrando na sala.
- Ah, não! – o menino largou o vídeo game e saiu correndo fazendo a avó começar uma caçada que duraria até que ele estivesse devidamente penteado e vestido.
- Sky! Comporte-se. – Anna riu. – Acho melhor a gente ir, Shina.
- Vão, podem ir. Eu me viro com o Sky. – disse a senhora, vendo que o menino se escondera embaixo da escada. – Divirtam-se.
As duas agradeceram, se despediram e então foram para casa se arrumar para o boliche. Quando saía do banho, Shina recebeu uma mensagem de Uruha em seu celular: “Já estamos aqui. Pista 53.”. Se vestiu e foi chamar Anna no andar de baixo. Sem suspeitar de nada, Tsuchiya vestiu-se para uma simples noite de garotas: de jeans, camiseta, cabelo amarrado e o mínimo de maquiagem. Mas não era como se Reita fosse achá-la menos bonita por isso.
Quando chegaram ao boliche, Shina aproveitou a desatenção de Anna e pediu para o atendente que as colocasse em uma pista próxima a 53. Enquanto andavam até sua pista, Shina procurava pelos dois rapazes discretamente aproveitando que Anna lia distraída o panfleto do lugar. Quando localizou as duas cabeças descoloridas, Shina sentiu-se como um vilão de quadrinhos que tem o plano maligno bem sucedido. Ela acenou de longe e Uruha a viu, acenando de volta.
- Hey, olha quem tá lá. – apontou, tentando parecer surpresa. – O Uruha e o Reita.
- Ah, são do Gazette né? – Anna engoliu em seco – Nós não vamos lá, vamos? – perguntou, vendo que caminhavam em direção aos rapazes.
- Ué, porque não? Eles são legais.
- O Reita me convidou pra sair aquele dia e eu disse não. Fica meio chato encontrar ele assim.
- Ai, não tem nada a ver Anna. Aposto que ele nem liga – mentiu – Além do mais é meu trabalho. Não quer que eu perca minha boa reputação com eles, quer?
- Tá, vai. Mas a gente vai lá, dá oi e fica por isso mesmo né?
- Ah, Anna... Vai ser divertido, você vai ver. – cochichou, já que àquela altura estavam perto demais dos dois.
- Shina, que coincidência! – Uruha fingiu surpresa.
- É! Não sabia que vocês gostavam de boliche. – Shina o imitou, segurando o riso. – E aí, Reita? – cumprimentou o baixista, que encontrava-se corado até o último fio de cabelo.
- Oi. – ele murmurou – Oi, Anna. Como vai?
- Oi. – respondeu Tsuchiya, igualmente sem graça.
- Ah, Anna, esse é o Uruha. – Shina apresentou-os tentando quebrar o gelo.
- Prazer em conhecê-la, Anna. – o guitarrista fez uma reverência – Querem se juntar à gente, meninas? Todo mundo deve tá achando a gente uns panacas, dois caras jogando boliche sozinhos. – riu.
- Por mim tudo bem. – Shina sorriu – Além do mais é mais legal jogar em duplas.
- Se a Anna não se importar. – disse Reita.
- Não, claro que não. – respondeu Tsuchiya, não querendo ser a estraga-prazeres.
- Ok, então que vai ser? Meninos versus meninas? – perguntou Uruha.
- Não, não. Vamos misturar. Eu e a Anna venceríamos fácil demais se jogássemos juntas. – riu Shina – Que tal eu e você contra eles dois? – aproximou-se do guitarrista.
- Por mim tá ótimo. – disse o loiro, sem dar tempo para qualquer objeção da parte dos outros dois.
O jogo começou um pouco travado para Reita e Anna. Levou algum tempo e alguns beliscões dos outros dois até relaxassem e agissem normalmente. Foram descobrindo devagar que não havia ressentimento nenhum entre eles. Algumas cervejas depois, já conseguiam dividir algumas risadas. Quando perceberam o entrosamento dos dois, Uruha e Shina resolveram deixá-los a sós por um momento.
- Vamos dar um tempo. – disse o guitarrista – Preciso encher o tanque. – riu, pegando a caneca de cerveja vazia de cima da mesa.
- Eu também. – Shina repetiu o ato, entendendo a intenção daquilo. Então os dois saíram em direção ao bar. – Acho que tá funcionando né? – perguntou, quando já estavam longe o suficiente para não serem ouvidos.
- Acho que sim. – o loiro olhou para os outros dois à distância. – Missão cumprida.
- Uma cerveja pra celebrar o sucesso da emboscada? – riu Kiriyama.
- Óbvio. – ele riu também, voltando-se para o bar, no mesmo instante, o celular de Shina tocou no bolso.
- Alô? – ela atendeu.
- Onde você tá? – disse Ando, do outro lado da linha – Tentei de ligar em casa e ninguém atendia.
- Ah, eu to jogando boliche com Anna. – respondeu, segurando o riso ao ver Uruha olhá-la e fazer cara de chocado, chamando-a de mentirosa. – Você tá na cidade?
- Não. Ainda to preso aqui na gravação em Nara. Mas vou poder sair amanhã. – respondeu Masanobu. – Pode me ver?
- Posso. Posso sim. – ela disse, enquanto o guitarrista alcançava-lhe a cerveja.
- Te pego pra almoçar então? – perguntou o ator.
- Claro. Te vejo amanhã.
- Até. – e ele desligou.
- Namorado? – perguntou Uruha, ao vê-la guardar o celular.
- É. – balançou a cabeça afirmativamente.
- Ele vai me matar se souber que nós estamos jogando boliche e bebendo juntos?
- Ah, não. – Shina riu – Ele não mataria uma mosca.
- Ouch. – ele riu também – Me parece que não te empolga muito hãn?
- Não. Não é isso. – corou – Por que é que to te dando satisfações hein? – riu, contrariada.
- Vai saber. – deu de ombros, tomando um gole grande de cerveja.
- E você? Namorada? Namorado? – brincou Shina.
- Nenhuma namorada. Namorado muito menos. – respondeu, rindo.
- Então... Nada empolgante pra você também?
- Ainda não. Procurando... Mas sem pressa. – disse e então pensou alguns instantes – Na verdade eu to esperando que caia do céu no meu colo. – riu um pouco.
- Sei como é. – ela riu também, sabendo exatamente como ele se sentia.
Enquanto isso, do outro lado do salão...
- Hey, Anna... – começou Reita, tomando coragem – Me desculpe por aquele dia, eu não devia ter te convidado pra sair daquele jeito. Quero dizer, a gente mal se conhece...
- Não. Tá tudo bem. Não precisa se desculpar. Só queria que você soubesse que não foi uma desculpa esfarrapada. – respondeu Anna, surpresa com a atitude do baixista – Em qualquer outro momento eu sairia sim com você, mas é que agora realmente não dá. Quem sabe daqui a um tempo, se você não se importa em esperar. – sorriu.
- Não, não me importo. – ele sorriu de volta, sentido a esperança ressurgir dentro de si.
- Ótimo. Enquanto isso a gente pode se conhecer não é mesmo? – sugeriu Tsuchiya. – Sem amarras.
- Por mim... – o baixista não pôde conter um sorriso.
- Então... Me conta, eles sempre se dão tão bem assim? – apontou os outros dois, que riam alto junto ao bar.
- Ah... – Reita riu – Eles sempre se dão bem no estúdio. Mas lá é uma coisa né. É trabalho. Mas dava pra saber que se dariam bem fora do estúdio também.
- Há quanto tempo vocês se conhecem? Você e o Uruha...
- Desde a sétima série. Quase quinze anos.
- Ah, é bastante tempo. Mas não mais que eu e a Shina.
- Sério? – fingiu não saber da história das duas.
- Sério. A gente se conhece há dezoito, quase dezenove anos.
- Uau. É uma vida, hã? É bom ter um amigo assim não é?
- Demais. É ótimo saber que tem sempre alguém em quem você pode contar. – sorriu Anna.
- Não conta pra ele, mas eu não sei o que seria da minha vida sem o Uruha. – riu sem graça – A banda nem sequer existiria se não fosse pela nossa amizade, ou seja, eu não seria baixista, não seria nada.
- Eu entendo. Me sinto assim também.
Anna sorriu, ouvindo Reita falar sobre sua amizade com Uruha, sobre como eles começaram juntos; e pensou que ele sentia pelo amigo a mesma coisa que ela sentia por Shina. Sentiu-se confortável na presença dele, já que ele não tentava impressioná-la a qualquer custo, apenas agia normalmente. Anna admirou-o pela habilidade de ser sincero e conversar com ela sem fazer nenhuma investida impensada. Por um momento, acreditou que existisse sim, um homem capaz de não ser um completo idiota o tempo todo, sem truques, sem galanteios exagerados. Considerou as possibilidades de dar-lhe de fato uma chance.
It's taken me a while
Levou um tempo pra eu
To realize
Perceber
Just what exactly it‘s I'm chasing
O que é, exatamente, que estou procurando
I'm tryin‘ to say
Estou tentando dizer
You move too fast, you're on your way
Que você se move rápido demais, no seu caminho
And all I do is fall back
E tudo que eu faço é cair para trás
I know you think I'm shy
Sei que você me acha tímida
I realize
Eu percebo
I'm not exactly what you needed
Não sou exatamente o que você precisava
It's hard to speak
É difícil falar
My thoughts too fast, they get away
Meus pensamentos rápidos demais, eles fogem
Only when around you
Só quando perto de você
Let's get away
Vamos pra longe
Far enough
Longe o suficiente
Get away yeah from it
Pra longe disso
Let's get away
Vamos pra longe
Far enough
Longe o suficiente
Yeah you know it now
É, você sabe agora
Let's get away
Vamos pra longe
Far enough
Longe o suficiente
Get away yeah from it
Pra longe disso
Yeah, I'll make it work
Eu vou fazer funcionar
‘Till you know that you can love me
Até que você saiba que pode me amar
Ginger – Anna Tsuchiya featuring Monkey Majik
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