Change Your Life
8 Better Day (parte I)
Notas iniciais
Espero que gostem!
Na manhã seguinte, Shina acordou com o toque insistente da campainha. Abriu os olhos com relutância e viu que o relógio marcava meio dia. Lembrou-se então que havia marcado um almoço com Ando. Levantou da cama e arrastou os pés até a porta, lutando contra o sono. Abriu-a sem nem sequer olhar pelo olho-mágico para se certificar de que era ele. Ando apareceu do outro lado, com cara de preocupado.
- Bom dia. – ele riu, entrando e beijando-a no rosto ao fazê-lo.
- Bom dia. – Shina endireitou a coluna e esfregou os olhos. – Desculpa te fazer esperar, eu nem ouvi a campainha.
- Não tem problema. Se divertiu ontem hã?
- É... – murmurou, lembrando em segredo do quanto rira com Uruha. – Bastante.
- Dá pra ver. – comentou Masanobu, sentando-se no sofá.
- Espera aí, eu vou tomar um banho e me trocar e aí a gente pode sair pra comer.
- Na verdade, já que já estamos aqui, porque a gente não fica e pede alguma coisa? – sugeriu.
- Ãhn... – Shina pensou consigo mesma que aquilo só podia significar uma coisa: sexo. E ela realmente não estava no clima pra aquilo. – Tem certeza? Eu tava querendo sair pra espairecer um pouco.
- Você já saiu ontem a noite toda. – ele riu, confuso — Vamos ficar por aqui mesmo, descansando. – “Descansando uma ova, eu sei o que você quer” pensou Kiriyama.
- Tá. Como quiser. – desistiu do banho e sentou no outro sofá. – O que você quer comer?
- Não sei. Se você quiser eu cozinho. – ofereceu Ando.
- Divirta-se. – sorriu Shina, sem muito entusiasmo devido ao sono.
- Tá bom. – ele levantou – Descansa mais um pouco enquanto eu preparo alguma coisa. – e foi para a cozinha.
Shina deitou no sofá e ligou a TV. Passou pelos canais desinteressadamente, deixando-se dominar pela preguiça típica de domingo. Ando e suas panelas na cozinha pareciam tão distantes. Shina sempre gostou de domingos. Eram apenas esboços de dias, como rascunhos. Confusos e manchados, mas sempre cheios de reflexões. Normalmente preferia passá-los sozinha, encarando o teto e pensando bobagem, mas vez e outra havia a presença de Ando, silenciosa e indiferente, que mesmo sem querer acabava por interferir na integridade dos domingos sabáticos de Shina.
Mais ou menos uma hora depois, Ando apareceu na sala para chamá-la para almoçar. Eles comeram, conversaram um pouco e então sentaram para assistir um filme, e então mais um, e mais outro; e quando se deram conta o sol já se punha no horizonte.
- Hey, eu não tenho que voltar pra Nara até amanhã de manhã então... – começou Ando, mas acabou interrompendo a própria fala ao ver que Shina dormia profundamente no sofá.
Ele se levantou, escreveu um bilhete e saiu sem fazer barulho. Não era tarde o suficiente para estar dormindo, mas Shina preferiu assim a ter Ando passando a noite ali. Nunca gostou de dormir acompanhada, muito menos de acordar ao lado de alguém, quem quer que fosse. Principalmente no domingo, principalmente num dia em que não tinha paciência pra fingir que realmente queria dormir com ele.
Certificou-se de que ele já tinha ido embora e levantou do sofá. Sentou-se na pia da cozinha e bebeu dois copos de refrigerante sem pensar em absolutamente nada, até que ouviu a campainha do celular. Foi até o quarto ver do que se tratava. Era uma mensagem. “Tá acordada?”. Era de Uruha. Shina riu sozinha e respondeu brevemente “Claro.”. Minutos depois chegou outra mensagem “Tá fazendo o que?”. “Nada. E você?”, ela respondeu, de imediato. “Nada. Quer fazer alguma coisa?”, perguntou o guitarrista, na mensagem seguinte. Shina se perguntou o que ele planejava, “Agora? O que?”. “Se quiser saber me encontre no píer 26 em quinze minutos”, respondeu Uruha, despertando em Shina uma curiosidade incapaz de ser controlada. Vestiu-se, pegou o carro e foi até o píer, pensando em que tipo de maluquice o guitarrista estaria planejando. Estacionou do outro lado da avenida e atravessou até as docas. Olhou em volta tentando encontrar Uruha. Quando estava prestes a chamar por ele, o loiro apareceu, vindo da mesma direção que Shina viera.
- Alguém estava inquieta, não é mesmo? – sorriu, aproximando-se da produtora.
- Nem sei o que to fazendo aqui. – ela riu.
- Veio beber comigo. – mostrou a sacola cheia de cervejas que carregava.
- Tinha que ser aqui? – perguntou, vendo-o sentar-se no cais, de frente ao mar.
- Eu acho quieto, pacífico.
- Eu acho sinistro, isso sim. – Shina riu, sentando-se ao lado dele.
- Eu ia trazer vinho, mas tá quente demais. – sorriu, alcançando-lhe uma cerveja. – E eu digo “não” a desperdiçar um bom vinho num calor desses.
- Tem razão. – concordou, abrindo a garrafa e tomando um gole grande.
- Gosta de vinho?
- Gosto, claro. Mas não bebo tanto quanto gostaria. Meu namorado não bebe e uma garrafa de vinho sozinha... Vão mandar me internar. – brincou.
- Bom, sinta-se a vontade para requisitar a minha companhia sempre que quiser beber vinho.
- Promessa é dívida, hein. – ela riu.
- Tokyo é tão grande que às vezes a gente esquece que tem mar. – suspirou o guitarrista, olhando para água escura.
- É. E você tem razão. É pacífico aqui. – Shina respirou fundo, como se respirasse o silêncio daquela noite quente.
- Então... Você cresceu aqui, Shina? – perguntou, iniciando uma conversa que durou quase até o amanhecer.
Shina e Uruha perderam a noção do tempo, sentados no píer, conversando sobre suas infâncias, suas angústias, suas memórias, seus traumas e seus sonhos. Shina acabou descobrindo que o maior medo do guitarrista era de estar sozinho, que seu primeiro amor foi a cantora Namie Amuro, que gostava mais de cachorros do que gatos, que tinha uma irmã com quem não se dava bem, que foi morar sozinho apenas aos vinte três e que naquela época nem sequer sabia cozinhar um ovo. Descobriram ídolos em comum, gostos em comum, preferências em comum; muito mais do que imaginavam. Foi só quando a escuridão do céu começou a esvaecer para um cinza morno e os primeiros raios laranjas despontaram que resolveram levantar dali e ir para casa, o que não era muito útil, já que dali a duas horas teriam de trabalhar de qualquer forma.
Shina voltou para casa com uma sensação estranha. Não era um estranho ruim, mas um estranho agradável, já que passara a noite toda acordada conversando com Uruha e não sentia sono algum. Subiu as escadas até seu apartamento sorridente, tomou um banho e foi encontrar Anna para o café.
- Que cara é essa? – perguntou Tsuchiya, ao ver as olheiras da amiga. – Passou a noite na casa do Ando, é?
- Quem dera o Ando me tirasse o sono desse jeito. – murmurou a produtora, pegando um copo de leite na geladeira.
- Se não foi com o Ando, então com quem foi?
- Com o Uruha. – respondeu Shina, sem pensar no que dizia.
- Quê?! Você dormiu com ele?! – perguntou Anna, espantada.
- Não! Não, que é isso... Não. – riu a outra – A gente foi no píer beber e perdemos a noção da hora conversando.
- Tá brincando né? O Ando veio te ver e você saiu no meio da noite pra encontrar outro cara?
- Não é bem assim. O Ando não dormiu aí. E não é “outro cara”, é só o Uruha. E eu não saí pra “encontrar” ele. Não nesse sentido que você tá pensando, tipo encontrar no meio da noite pra fazer sexo selvagem e inconseqüente. – riu de novo – A gente só conversou.
- Ok, eu entendi. E eu te conheço, sei que você não é esse tipo de pessoa. – suspirou Anna, servindo-se de uma xícara de café – Sabe, eu me diverti muito no sábado.
- Eu sabia. – Shina começou a folhear o jornal do dia que trouxera consigo quando passou na banca no caminho de volta do píer.
- Sabia o que?
- Que a sua greve de homem não ia durar muito tempo. – comentou Kiriyama.
- Nããão. Não é isso. O Reita é ótimo, ele é divertido e tudo mais. Mas nós não vamos sair. Pelo menos por enquanto. Resolvi que a partir de agora vou conhecer os caras antes de sair, é melhor assim.
- Isso significa que a greve acabou. – debochou Shina. – Eu sabia.
- Não acabou. E só... Fiz algumas concessões. – respondeu Anna, contrariada.
- Vai fundo, Anna. Eu gosto do Reita, você também vai gostar, tenho certeza. – brincou, escondendo o rosto atrás do jornal.
- Hey, não pressiona! – reclamou Tsuchiya, indo acordar o filho para ir na escola. – Pode levar o Sky hoje? – perguntou, quando voltou com o menino ainda meio dormindo no colo.
- Claro que posso. – respondeu Shina, colocando o jornal de lado e ajudando a amiga com o filho.
Os três terminaram de tomar café, Anna arrumou a mochila de Sky, organizou suas coisas e então eles saíram ao mesmo tempo, Shina e Sky em direção à escola e Anna ao trabalho. Kiriyama colocou o menino no banco de trás do carro como de costume, devidamente seguro e levou-o até a escola. No caminho, Sky pegou uma revista que Shina havia deixado no banco de trás do carro dias atrás, olhou para a capa longamente e perguntou:
- Quem são esses, Shina-san?
- Ah, esses são the GazettE. É a banda que eu to ajudando agora. – explicou Shina.
- Eles são legais, tia? – indagou o menino.
- São sim. Muito legais. – sorriu Shina.
- Por que esse usa essa máscara? – perguntou, apontando Reita na capa.
- Segredo? – ela sorriu, vendo naquilo uma oportunidade de fazer o garoto gostar de Reita mesmo antes de conhecê-lo – É fonte de super-poderes dele. Quando ele usa isso, ele fica invencível.
- Verdade?! – Sky arregalou os olhos, entusiasmado.
- Verdade. – disse Shina, séria – Mas você não pode contar pra ninguém.
- Nem pra mamãe?
- Nem pra mamãe. Promete?
- Prometo. – ele levou os dedinhos à boca, em sinal de segredo. – Qual é o nome dele, tia?
- É Reita. – disse, no mesmo tom que os super-heróis são apresentados nos desenhos -Prometo que se você não contar pra ninguém eu te levo pra conhecer ele um dia.
- Tá bom! Não vou contar pra ninguém. – o menino sorriu animado.
Shina deixou-o na escola e foi para o estúdio. Aproveitou que Reita já tinha chegado e contou-lhe sobre o que Anna disse a respeito do sábado. O baixista ficou feliz com a notícia, tanto que foi muito mais produtivo durante a gravação. Shina estava gostando de ver aquilo evoluindo para algo sério. Alimentaria a paixão e a esperança do Suzuki pelo bem da amiga. Sabia, de alguma forma, que podia dar certo, muito certo.
Por isso, naquele mesmo dia, convidou-o de novo à sua casa, dessa vez com um propósito diferente, um que teria conseqüências a longo prazo. Reita aceitou o convite sem titubear, não recusaria uma chance de ver Anna de novo por nada no mundo. Ele entrou no carro, da mesma forma que fizera poucos dias antes, mas dessa vez ele falava, já que o nervosismo daquele dia não estava presente hoje. Eles conversavam sobre a gravação do dia até que Shina virou à esquerda no sinal, na direção exatamente oposta a sua casa.
- Hey, a sua casa não é pra aquele lado? – perguntou o Suzuki, apontando a outra direção.
- É, sim. Mas eu tenho que pegar um... amigo... antes. – riu Shina.
- Amigo?
- Um amiguinho, pra falar a verdade. – respondeu, deixando o baixista ainda mais confuso – O filho da Anna, Sky. – explicou-se.
- Sério?! – ele arregalou os olhos – Quero dizer... Tá tudo bem eu conhecer ele assim? – engoliu em seco.
- Claro que tá. – Kiriyama riu dele – Afinal você vai conhecer ele como meu amigo e não amigo e namorado em potencial da mãe dele. – disse, fazendo o loiro corar diante da expressão “namorado em potencial”.
- Tem certeza? A Anna sabe que você vai nos apresentar? – perguntou, tenso.
- Não. Mas não tem problema. Confia em mim, vai dar tudo certo. – sorriu, estacionando em frente à escola de Sky.
Shina desceu do carro e entrou na escola para procurar o menino, enquanto Reita esperou na saída, sentindo os joelhos tremerem. Aquilo era importante. Sky era o filho de Anna, filho. Se ele não gostasse de Reita, era tudo em vão. O loiro não conseguiu entender a calma de Shina diante da situação, riu sozinho ao pensar no quanto aquilo lhe lembrava seu melhor amigo. Mas o riso não durou muito. Viu Shina sair da escola trazendo o garotinho pela mão.
- Hey, Sky... Olha quem tá aí. – disse a produtora, apontando o loiro apoiado no carro do outro lado da rua.
- Você trouxe ele! – Sky arregalou os olhos. – Legal!
- Eu disse que o traria. – Shina riu, atravessando a rua com o menino. – Reita, quero que você conheça meu amigo Sky. – apresentou-os, quando chegou ao carro.
- E aí, cara? – Reita abaixou-se para falar com o menino, tentando engolir o nervosismo.
- Por que você não tá usando a faixa? – perguntou Sky, soando um tanto decepcionado.
- Por quê...? – o baixista viu-se diante de uma pergunta que não saberia responder a um menininho de apenas três anos.
- Eu contei pra ele o seu segredo, Reita. – disse Shina, revelando um plano do qual o Suzuki não tinha consciência.
- Meu segredo? – soou confuso.
- É, mas o Sky prometeu não contar pra ninguém, não é mesmo? – aquela conversa da produtora deixava o rapaz cada vez mais perdido.
- Eu sei dos seus super-poderes. – o menino fez uma conchinha com as mãos e levou-as à boca, cochichando perto de Reita, fazendo-o finalmente entender o plano.
- Ah... Meus super-poderes! – cochichou em resposta – Não vai contar pra ninguém não é mesmo?
- Não vou. Nem pra mamãe. – Sky sorriu, fazendo Reita sorrir também, aliviado.
- Reita-san não tá usando a faixa de super-poderes porque ele tá disfarçado pra uma missão especial, não é? – disse Shina, inteirando o baixista na história que inventara.
- Missão secreta? – o pequeno pareceu curioso.
- Vamos entrar no carro, ele te conta no caminho pra casa. – respondeu Kiriyama, ajudando o menino a entrar no banco de trás.
- Você vai pra casa com a gente, Reita-san?! – perguntou Sky, animado, depois que Shina já o havia ajeitado no banco.
- Vou sim. – respondeu o loiro, colocando o cinto de segurança enquanto Shina dava a partida.
- Legal! Me conta sobre a missão, Reita-san. Prometo que não conto pra ninguém. – cruzou os dedinhos sobre a boca.
- Minha missão... – disse, tentando pensar em uma boa história – É achar o melhor sorvete do mundo. Você acha que pode me ajudar?
- Hai! – Sky sentou-se ereto no banco, parecendo disposto a ajudar seu mais novo super-herói favorito.
E então eles pararam na sorveteria favorita de Sky antes de irem para casa. Enquanto o menino se distraía com um generoso sorvete de chocolate com cobertura extra, Reita agradeceu discretamente o que Shina fizera. Só podia ser grato, aquilo era um belo passo em direção ao coração de Sky e consequentemente, ao coração de Anna.
Foram para casa, com a barriga cheia de sorvete, e ficaram no apartamento de Shina, esperando que Anna chegasse. Nesse tempo, Sky fez a Reita todas as perguntas que uma criança podia ter a fazer a um super-herói. Akira mostrou-lhe o baixo que trouxera consigo e entreteve o menino por umas duas horas. Estavam sentados à mesa da cozinha, tomando refrigerante de uva quando Anna chegou.
- Mama! – Sky saiu correndo em direção à mãe e agarrou-se à ela. – Olha só quem tá aqui! Reita-san!
- Oi, Anna. – o loiro levantou-se e cumprimentou-a, corando de leve.
- Reita... Oi. – ela corou também. Shina sorriu de trás de seu copo de refrigerante.
- Você já conhece ele, mãe? – perguntou Sky, pendurado no colo da mãe.
- Já. Já conheço. – sorriu Anna.
- Você sabia que ele tem super-poderes, mãe?! – perguntou o menino, entusiasmado.
- Sky! Era segredo! – Shina riu.
- Ah, gomen ne! – o pequeno balançou a cabeça.
- Não tem problema, contanto que a sua mãe guarde segredo. – disse a produtora.
- Então, você tem super-poderes, Reita-san? – perguntou Tsuchiya, sorrindo.
- Tem sim! – Sky respondeu, já que o baixista limitara-se a corar sob o sorriso de Anna – Mas só quando ele tá usando a faixa. Quando não tá usando ele é fraco. – riu o menino – A gente fez uma queda de braço e eu ganhei! – levantou o punho cerrado, vitorioso – Mas só porque ele não tá usando a faixa.
- Você ganhou porque é forte, Sky. – completou Reita – Deve ser todo o sorvete que você comeu.
- É! A gente foi comer sorvete também, mãe. Eu comi um bem grandão de chocolate. – o menino contou, enérgico.
- Nossa, vocês se divertiram muito então hein? – Anna riu. – Devem estar exaustos depois de tantas aventuras.
- Nem to. Deixa eu ficar mais um pouco, mãe... – resmungou Sky, já vendo que logo seria levado para casa.
- Nada disso. Tá na hora de banho e cama. – disse Tsuchiya. – Outra hora vocês brincam de novo.
- Sua mãe tem razão, Sky. Eu também já vou pra casa, até super-heróis precisam de descanso. – disse Reita, reforçando o que Anna dissera.
- Tá bom. Mas você volta pra gente brincar de novo né, Reita-san? – pediu o pequeno.
- Que é isso, filho... Reita-san tem muito a fazer. Não pode ficar brincando o tempo todo. – Anna repreendeu-o de leve, sorrindo.
- É, eu ando meio ocupado salvando o mundo de sorvete ruim. – riu o loiro – Mas se você quiser me ajudar, Sky... E se a sua mãe deixar, é claro.
- Eu posso né, mãe?!
- Só se você for bonitinho pro banho e pra cama agora. – propôs a cantora.
- Tá, pode ser. – o menino concordou, meio a contragosto, descendo do colo da mãe e indo pegar sua mochila.
- Espero que você não se importe, Anna... – disse o Suzuki, aproveitando que Sky estava longe.
- Não me importo, não. Na verdade, eu agradeço. O Sky se divertiu muito, pelo que parece. – replicou a loira.
- Eu também me diverti muito. Ele é um garoto ótimo. – sorriu Reita.
- Pronto, mãe... – Sky voltou à cozinha com a mochila nas costas.
- Dê tchau para o Reita-san, Sky. – disse Anna.
- Até outro dia, cara. – o baixista abaixou-se e recebeu um abraço inesperado do menino.
- Até, Reita-san. – disse, com as mãozinhas espalmadas nas costas do loiro. Soltou-o e foi dar a mão à mãe – Tchau, tia. – despediu-se de Shina.
- Até amanhã. – ela acenou em resposta.
- Mata na, Reita-san. E obrigada mais uma vez. – sorriu Anna, antes de sair com o filho.
Akira acompanhou-os com o olhar enquanto saíam do apartamento. Sky virou-se e acenou antes que sua mãe fechasse a porta. Reita suspirou e pensou no quão fácil era de se apaixonar pelos dois. Como se Anna não bastasse, agora tinha Sky. Sky e seu riso, Sky e seu abraço espontâneo. Desejou poder passar o tempo todo com eles, desejou fazer parte de tudo aquilo.
- Hey! Acorda! – Shina estalou os dedos na frente do rosto do baixista, fazendo-o despertar do devaneio.
- Hãn?
- Você pode fazer parte disso... É só querer. – disse Kiriyama, como se adivinhasse os pensamentos dele.
- Não é meio cedo pra falar nisso? – corou.
- Não é não. Não pra falar.
- Obrigado. – ele sorriu – Obrigado por ter feito isso.
- Você não devia agradecer. É uma armadilha. Agora você nunca mais vai poder se livrar deles dois. – ela riu.
- Eu nem sequer vou querer me livrar deles.
- Escuta, tem jogo do Yokohama F. Marinos no sábado né? – perguntou Shina, aparentemente desviando o assunto.
- Tem, sim. Por que tá perguntando isso?
- O Sky gosta de futebol. E pelo que eu sei você também. Não é tarde demais pra comprar três ingressos e levar os dois. – sugeriu.
- Será? Mas a Anna disse que ainda não quer sair...
- Não vai ser um encontro. – interrompeu – Eu vou estar lá também. É só mais uma chance de se aproximar dos dois.
- É, tem razão. Vale a pena tentar.
- Vai fundo, garoto. – sorriu.
- Obrigado por me ajudar, Shina. – disse Reita, com um sorriso grato nos lábios.
- Não to fazendo isso por você. To fazendo pela Anna. – piscou.
- Ok... – Reita riu – Mas de qualquer forma: obrigado.
- De nada, de qualquer forma. – ela riu também.
- Vou pra casa. Brincar de super-herói cansa. – disse, bocejando. – A gente se vê amanhã no estúdio?
- Aham. – Shina acompanhou-o até a porta – Até amanhã, Super Reita. – brincou.
Até. – acenou, pondo o baixo nas costas e sumindo pelo corredor.
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