Change Of Directions
43 Capitulo 43
Notas iniciais
S: Hey, Berry! — Eu virei minha cabeça freneticamente para ambos os lados para encontrar Santana.
S: Estou bem atrás de você, sua idiota! — Revirei os olhos e mordi minha língua para não insultá-la, porque como eu deveria me virar completamente enquanto eu ainda estava sentada na minha moto?
S: Onde você estava? Q está preocupada e eu estou cansada de dizer a ela para acalmar seus seios. — Fiquei sentada na minha moto e Santana caminhou em volta dela e parou na minha frente me olhando irritada.
S: Você perdeu Glee Berry vá para casa da Q a única razão pela qual eu ainda estou aqui é porque eu estou fazendo sexo no armário do zelador. Então qual é a sua desculpa?
R: Onde está Brittany, então? — Eu me esquivei da sua pergunta idiota, querendo uma melhor. Porque eu não vi a Brittany com ela.
S: O que você está falando, Britts esta aqui. Britt baby Brittany? — Santana só percebeu agora que ela havia perdido a namorada no caminho do prédio da escola ate mim no estacionamento.
R: Respeitar. — Eu secamente murmurei enquanto observava ela correr de volta para a escola. Mas eu realmente não a culpo pelo descuido, porque ela tinha ficado surpresa ao me ver aqui e a surpresa a deixou um pouco distraída. O suficiente para esquecer sua namorada.
Eu tive que rir, antes que eu quase engasgasse com minha própria saliva. O que eu estava fazendo aqui, se Quinn já não estava mais aqui? Eu esqueci da minha namorada! Liguei a moto, e acelerei como uma louca para a casa de Quinn. E quando eu cheguei lá, eu travei, porque uma limusine preta estava estacionada na garagem dos Fabrays. Eu podia sentir meu coração apertar, o pressentimento de que seria difícil respirar. Fiquei tentada a ir embora.
Mas eu ia acertar desta vez. Se não fosse por mim, então por minha namorada, ela sabia o que meus pais estavam fazendo ali. E como eles sabiam que ela era minha namorada? Será que Figgins disse a eles sobre o meu relacionamento? Porque eu nunca vou perdoá-lo por interromper um dos nossos beijos e nos chamar de 'lésbicas adolescentes’. Eu desci da moto e nervosamente caminhei em direção à porta. Eu poderia fazer isso depois de falar com Shelby e Gabrielle, minha mente era outra e só tinha um caminho para mim.
Eu poderia fazer isso.
Mas eu não fiz nada, olhando para a porta da frente como se eu estivesse esperando que ela abrisse sozinha. Quinn ou Judy sempre me notavam ali quando olhavam pela janela da cozinha. E assim como eu esperava, a porta se abriu, revelando uma Quinn aliviada se atirando em mim para me trancar em um abraço apertado. Mas, em vez de desfrutar a sensação do seu corpo contra o meu, eu olhava apreensiva pelo seu ombro para o corredor, temendo ver duas figuras altas aparecerem do nada.
Q: Eu quero ficar com raiva de você, — Quinn sussurrou em meu ouvido, sua voz preocupada e tensa — Mas eu não posso, porque eu entendo porque você fez isso.
R: Eles estão aqui? — Eu perguntei com a voz baixa e soei como uma criança assustada. Quinn se afastou do abraço e segurou meu rosto com as mãos, me forçando a olhar para ela em vez de olhar para sua casa. Meus olhos se arregalaram e ficaram vulneráveis.
R: Eles estão? — Eu sussurrei de novo, quase inaudível.
Ela balançou a cabeça lentamente e este pequeno movimento fez com que meu coração quebrasse. Deixando meu corpo frio e insensível. Por reflexo, eu dei um passo atrás, tropeçando. Eu estava perdendo o meu controle, eu podia sentir toda a força quebrar o que eu tinha construído. Mas então eu fiquei parada, rígida e imóvel, porque Quinn pegou na minha mão, e ela a estava segurando firmemente.
Q: Se você quer ir embora, então me deixe ir com você, — Ela disse calmamente, olhando para os nossos dedos entrelaçados, suavemente os apertando. — Só me permita estar lá para você... Você não tem nenhuma razão para esconder o seu lado vulnerável de mim. Uma vez eu disse que eu amo você por inteira, todo o pacote Rachel Berry, seja quais disfunções incluir. — Um sorriso apareceu no meu rosto enquanto eu me lembrava.
R: Com todos os defeitos, com todas as imperfeições, com todos os erros, — Eu lentamente recitei as palavras da minha memória. Eu podia ver os flashes borrados de Quinn dizendo desesperadamente estas palavras para mim quando eu estava em negação. Quando eu tinha lutado contra ela me amar, porque eu tinha pensado que não era boa o suficiente para ela.
Q: Vê? — Quinn sorriu. — Eu quis dizer isso. E eu quero dizer isso agora. Então, se você deixar, eu vou com você. Se você ficar, eu vou ficar com você. Mas eu não vou deixar você sozinha.
Eu não conseguia encontrar as palavras certas para expressar minha gratidão e quase chorei. Eu só queria dizer a ela o quanto eu a amava e como eu gostaria de estar calma como ela nesta situação. Ela sempre dizia que eu era charmosa por sempre dizer as palavras certas, mas realmente era ela que conhecia os momentos certos para dizer as palavras certas. Eu queria dizer com a voz rouca obrigada, quando a voz de Judy veio da sala de estar.
J: Quinn? Quinn é a Rachel?
Os olhos de Quinn se arregalaram e ela olhou nervosamente atrás dela. Eu podia sentir o pânico crescendo em mim novamente. Minha namorada olhou para mim novamente.
Q: Você esta pronta? — Olhei para nossas mãos entrelaçadas.
R: Não, eu não estou. Mas eu tenho você. — Ela apertou a minha mão e, lentamente, me puxou para a sala de estar.
Eu não sabia o que fazer. Entrar na sala com os olhos fechados? Então ficar surpresa? Ou descobrir que meus pais tinham ido embora, o que não era uma ocorrência incomum? Quando entrei na sala, senti minha respiração ficar presa em meus pulmões. Eles eram exatamente como eu me lembrava.
Hiram Berry, meu pai de óculos, usava os mesmos óculos e o mesmo estilo de cabelo de antes. Ate mesmo o seu amor por ternos escuros não havia mudado. E Leroy Berry, não, eu não poderia me esquecer do seu cabelo crespo, mesmo se eu tentasse e seus ridículos laços e seus blazeres marrons com couro nos cotovelos. Eu não sabia se eu estava com raiva ou triste. Talvez os dois, talvez nenhum.
H/L: Rachel, — Ambos sussurraram, repetindo meu nome como se fosse um novo vocabulário aprendido em uma língua estrangeira. E eu acho que isso era o que eu era para eles, uma língua estrangeira que esqueceram de praticar, falavam mas agora não conseguiam entender mais.
R: Vocês não mudaram nada, — Eu respirei e eu podia sentir a minha mão soltar a de Quinn. Dei um passo para longe dela, longe de todos eles, sem perceber Judy indo para a cozinha, sem perceber Quinn respeitando o meu desejo inconsciente de estar sozinha.
Era eu e eles. Como nos velhos tempos quando éramos uma família.
R: Vocês não mudaram em nada, — Eu repeti, desta vez mais alto e talvez mais irritada, eu não sei mais. Eles estavam aqui, como se nunca tivessem me deixado.
Mas porra aconteceu e eu estava sozinha nessa porra de tempo, e agora eu não era aquela menina ingênua de cinco anos atrás, enquanto meus pais ainda pareciam ser exatamente os mesmos. E não estava tudo bem, eles não deveriam ter a mesma aparência, os fazendo parecer com os pais amorosos que costumavam ser. Eles deveriam olhar exatamente como eu imaginava um olhar culpado por abandonar uma criança: Quebrado, miserável. Porque era assim que me sentia quando eu pensava neles.
E agora olhando para eles, com lágrimas e os olhares quebrados, por que eu não os vejo silenciosamente morrendo por dentro? Será que eles sentem pânico com a idéia de me ver, eles eram surpreendidos com a mesma ansiedade de náuseas quando percebiam que eu estava sozinha em um quarto? Então me diga agora, como eu deveria me sentir? Com raiva, triste, infeliz ou todos eles? Ou talvez nenhum deles. Nenhum deles, porque até agora, eu estava muito insensível para sentir alguma coisa. Eu estava muito cansada. Eu tinha ficado chateada com os meus pais por varias vezes.
L: Rachel, nós, — Leroy começou hesitante e eu incontrolavelmente balancei minha cabeça negativamente.
Foi a mesma coisa com Shelby uma vez. Eu não era capaz de suportar ela dizendo meu nome, porque ela não merecia isso naquela época. Dizer meu nome como se fôssemos conhecidas, como se ela me conhecesse, como se ela não tivesse me dado ainda bebê. E agora eles se atreviam a dizer o meu nome como se nada tivesse mudado nos últimos cinco anos em que não nos vimos. Mas eu não ia começar uma briga agora. Não sob o teto da minha namorada.
R: Está tudo bem, — Eu disse fracamente. E eu me senti oca rindo porque nada parecia estar bem agora, eu não sabia o que dizer sem provocar uma briga. Uma briga que seria unilateral, porque eu gritaria e acusaria, e os meus pais só iriam ficar lá escutando tudo, porque eles sabiam que mereciam.
Hiram e Leroy trocaram um olhar triste. Ele foi curto e eu mal vi, mas foi o suficiente. De repente, percebi que eles realmente não tinham a mesma aparência, como eu inicialmente tinha acreditado. Sim, eles continuavam com o mesmo corte de cabelo e estilo de roupa. Eles não tinham envelhecido muito. Mas eu notei que algumas coisas faltavam... Como o brilho malicioso nos olhos de Hiram e o calor que irradiava dos olhos de Leroy. Seus olhos não estavam cheios de lágrimas. Mas eles não estavam cheios de vida também.
E então eu senti uma dor, uma dor tão forte que eu senti as náuseas brotando do meu peito. Eu estava errada, eles não se pareciam em nada com os homens que eu conhecia. Eu estava tão ressentida que só interpretei a aparência exterior deles, mas agora que eu me atrevi a olhar para os seus rostos pálidos, com bochechas afundadas e olhares vazios. Olhos que costumavam brilhar com amor, sempre que eram direcionados a mim. E eu esperei, esperei a satisfação para preencher meu coração, sabendo que tinham sofrido tanto quanto eu, mas ela nunca veio. Eu não recebi qualquer gratificação fora disso. Todo esse tempo, eu acreditava que se eu só visse os rostos sofridos dos meus pais, então eu me sentiria menos miserável. Porque então eu saberia que eu não estava sofrendo sozinha. Mas eu estava errada, eu não me sentia melhor, a miséria deles não fez a minha ir embora. Eu me senti ainda pior do que antes.
R: Não, isso não é justo, — Eu sussurrei com a voz entrecortada e com raiva. — Vocês não podem esperar que eu perdoe vocês, vocês não podem esperar que eu pule em seus braços. Vocês não estão em posição de esperar nada de mim, como eu não estou na posição onde eu tenho expectativas para cumprir. — Respirando pesadamente, fiz uma pausa antes de dizer em um tom final,
R: Porque eu não sou filha de vocês mais. — Eles não falaram. Não se mexeram. Não piscaram.
E isso me deixou louca. A falta de reação deles me fez ficar imensamente zangada porque, Cadê a reação? Os suspiros de choque, o choro? E por que eles não estavam chorando, porque eles não estavam gritando por mim, por que ficaram ali imóveis, por que apenas olharam para mim como se quisessem me dizer isso. Eu estava ficando louca, eles não vão lutar por mim? Por que eles não usam esta oportunidade para finalmente lutar por mim... Eu queria que eles aproveitassem esta oportunidade, eu queria que eles mendigassem, implorassem e chorasse pelo meu amor nesse exato momento.
R: Por que, porque vocês não estão lutando por mim? — Eu comecei a engasgar. Eu me odiava por chorar na frente deles, me odiava tanto, porque no final, eu era a única pedindo para eles lutarem por mim. — Eu realmente não importo para vocês, afinal?
Atormentado, Leroy se virou para Hiram, apenas para ver um espelho de sua expressão.
H: Não há nada, — Hiram começou com a voz rouca, depois parou quando sua voz se quebrou. Leroy continuou,
L: Não há nada mais importante para nós do que você. — Minhas narinas se contraíram, e eu deixei escapar uma risada curta e vazia.
R: Maneira engraçada de mostrar isso. Ou melhor, de não mostrá-la. — Eles se encolheram. E isso me deu força para me sustentar.
R: Eu não sei o que vocês estão esperando por vir aqui. Eu não vou voltar para Nova York. — Hiram afrouxou o nó da gravata, tentando falar com calma quando sua voz ainda estava trêmula,
H: Nós não estamos esperando nada como você disse. Nós estamos esperando sim estamos esperando por algum perdão. — Um lampejo de raiva quente queimou no meu coração. Foi tão rápido quanto veio.
R: Não, — Eu simplesmente disse, balançando a cabeça, — Shelby usou até a última gota do perdão que eu tinha. Tudo o que vocês podem fazer é reduzir a magoa que eu sinto agora.
L: Por favor, Rachel, — Leroy começou desesperadamente — Percebemos nossos erros e começamos a alterar as coisas no ano passado. Vendemos nossa empresa.
R: E vocês acham que isso me faz ficar menos irritada com vocês? — Eu assobiei. — Vocês acham que vocês podem trocar uma empresa por mim? Bom, aqui está o que eu ainda sou amarga, porque ao contrário de vocês, eu me lembro dos últimos cinco anos e eu só me lembro de coisas ruins. — Eu assisti os ombros de Leroy caírem em vergonha. Hiram olhou para o chão, quando falou,
H: Então, por favor, nos dê a chance de lhe dar apenas coisas boas para você se lembrar de nós no futuro. Nós sabemos que não podemos desfazer o passado, mas, por favor, nos deixe fazer parte do seu futuro.
R: E se eu não quiser? — Eu disse. Ele não tinha o direito de falar sobre o meu futuro, quando ele não estava no meu passado. — Você quer estar lá para mim no futuro. Mas onde você estava quando eu precisei de você no passado? — Eles não sabiam a resposta. E para mim, isso dizia tudo.
R: Eu estou pedindo para vocês irem embora, — Eu disse calmamente. — Não apenas dessa casa, mas de Lima. Não pode ser tão difícil, certo, porque me deixar é uma rotina para vocês, não é?
Eles trocaram um olhar sem palavras que me afligiu ligeiramente. Eles ainda não sabiam como se comunicar sem falar. Eles sempre fizeram isso. Então eles me encararam novamente com um olhar triste.
H: Vamos respeitar o seu desejo. Mas só sei que nós vamos sempre estar esperando por você em Nova York.
Impassível, vi meus pais caminharem lentamente para fora da sala, até que eu não pude vê-los mais. Ouvindo a porta abrir e fechar, eu finalmente percebi que eles tinham ido embora novamente. Mas desta vez, eu disse a eles para sair. Desta vez, eles iriam esperar em Nova York, esperar e sonhar que eu voltasse e agora era a minha vez de ser a pessoa que ficaria longe deles.
Q: Você está bem?
E uma vez que Quinn me segurou em seus braços, eu quebrei completamente porque não, eu não estava bem, eu nunca estava quando se tratava dos meus pais. Mas eu ia ficar bem.
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