Notas iniciais
Desculpem pela demora de novo... xD Leiam as notas finais...

A viagem a Nova York causou mais estresse do que eu tinha pensado originalmente. Quinn demorou duas horas para decidir o que levar e ela teria gastado muito mais tempo se não fosse por mim fechando a mala e dizendo que tudo o que ela precisasse, poderíamos comprar em Nova York. E então ela argumentou que ela não podia simplesmente comprar todas as roupas que faltariam lá e eu respondi que preferia que ela não usasse nada de qualquer maneira, e então ela brincando me bateu e disse que ela pode considerar essa opção. Só para me provocar até a morte.

Então, quando ela foi pegar seu passaporte, eu rapidamente mandei uma mensagem para Santana perguntando o que diabos elas estavam ensinando no Clube do celibato e minutos depois, recebi uma mensagem de texto muito útil:

S: É tudo provocação seguido de um Por quê? Você está frustrada sexualmente de novo?.

Eu digitei de volta um

R: Não te interessa.

S: Vou tomar isso como um sim, Foi a resposta imediata.

O próximo grande obstáculo era o vôo porque Quinn nunca tinha voado de avião antes, e os ossos esmagados da minha mão direita poderiam atestar isso. Mas depois de meia hora de vôo, ela lentamente relaxou e ainda conseguiu colocar a cabeça no meu ombro, zumbindo para si mesma sempre que uma turbulência fazia o avião tremer.

Mas ainda assim, foi um alívio quando os pneus do avião tocaram a pista de pouso do aeroporto JFK. Soltando um suspiro, eu peguei a mão de Quinn e a guiei para fora do avião. Enviei uma mensagem para Jake no caminho, avisando-o de que eu tinha chegado. Ele se ofereceu alegremente para nos buscar no aeroporto, impaciente para me ver novamente e também a Quinn.

Kate e Nikki tentaram vir também, mas elas foram obrigadas a ficar o fim de semana com seus avós em outro estado antes de iniciar as férias. Para ser honesta, eu estava meio que feliz que elas não puderam vir. Kate imediatamente usaria esta oportunidade para fazer as coisas difíceis entre Quinn e eu, e Nikki iria bombardear a minha namorada com milhares de perguntas, apenas para ver se ela estava sendo boa para mim.

Embora Jake não fosse melhor do que as outras duas, ele pelo menos tinha a decência de me interrogar só quando Quinn não estava por perto. Aposto que ele estava morrendo de curiosidade. Depois que pegamos a nossa bagagem, e nos aproximávamos da saída eu fiquei um pouco nervosa sobre o que esperar. Muitas pessoas já estavam lá, à espera de seus amigos, amantes ou parentes e outras pessoas ali com cartaz de nomes desconhecidos. Eu não poderia tirar Jake desta massa de pessoas.

Mas, aparentemente, ele podia nos encontrar.

J: Hey! Rae! Quinn! Ei, aqui, eu estou aqui! – A voz alta e animada dele abafou as outras, e eu virei minha cabeça para encontrar a fonte da voz.

Quinn tocou no meu ombro e apontou para algum lugar atrás de mim, me fazendo chicotear ao redor, e antes que eu pudesse ver Jake, meu rosto já estava pressionado em seu peito e eu estava presa em seus braços fortes.

R: Droga, não me sinto bem com você abafando assim! — Eu ouvi ele rir e meu rugido foi ouvido desde o meu rosto ainda estava muito bem preso ao seu peito.

J: Senti sua falta Rae.

J: E é bom ver você, Quinn, você está ainda mais bonita!

Finalmente, o ar encheu meus pulmões novamente e eu desorientadamente cambaleei para trás alguns passos, olhando através de uma visão embaçada como Quinn teve que passar pela mesma recepção de boas-vindas que eu. Desajeitadamente, ela deu um tapinha em suas costas quando ele a abraçou com força. Esfreguei meu nariz, e eu ainda consegui sorrir e disse baixinho:

R: Eu senti sua falta, também. — Jake riu e soltou Quinn, dando-lhe um tapinha amigável no ombro.

J: Você sabe, Rae, quando você nos deixou, todos nós pensamos que você não duraria um mês antes de voltar voando para nós. Mas parece que você encontrou alguém que vale a pena ficar por um ano.

Eu não sei por que eu corei. Não devia ser novidade. Jake não sabia que eu tinha planejado permanecer por mais um ano, em Lima.

J: Vamos então.

Durante o passeio para o meu apartamento em Manhattan, Jake animadamente nos contava às histórias que eu perdi, principalmente sobre Kate e Nikki e coisas embaraçosas.

Enquanto eu ria e engasgava com suas histórias, Quinn estava ocupada olhando para fora da janela vendo os arranha-céus de Nova York refletirem em seus olhos arregalados e curiosos.Ela parecia não ter o suficiente, ela esticava o pescoço em todas as direções, olhando para edifícios altos e outdoors.

A voz de Jake lentamente desapareceu e tudo que eu podia ver era o rosto de Quinn. A excitação. A curiosidade. O espanto. Apenas tudo em seu rosto me fazia querer agarrá-la e deixar beijos sobre o rosto ela.

J: Rae? Rae!

Relutantemente, eu desviei meu olhar do rosto de Quinn e me virei para Jake que tinha parado de dirigir e se virou em sua cadeira para me olhar. Eu não comentei sobre o seu sorriso e sabia que ele não iria comentar sobre isso também, ele disse:

J: Bem-vinda de volta.

Eu rapidamente olhei para fora da janela, vendo a entrada do prédio do meu apartamento.

Eu estava em casa.

O calor se estabeleceu em meu coração quando eu vi um porteiro familiar se aproximando de nós, abrindo a porta para mim. Quando ele me reconheceu ele deu um sorriso amigável e calmamente disse:

Porteiro: Bem-vinda de volta, Rachel. Eu senti falta de você entrando e saindo do edifício. — Eu sorri para ele e respondi,

R: E eu que pensava que você estava cansado de abrir as portas do carro da polícia para me encontrar sentada lá atrás. — Ele riu e sem dizer nada foi abrir o porta-malas do carro de Jake, retirando a bagagem.

Porteiro: É definitivamente uma boa mudança, — Ele murmurou e se afastou com cada uma ao seu lado, segurando as bagagens.

Jake saiu do carro também e jogou as chaves para um outro porteiro que se aproximava ele era o responsável por estacionar os carros.

J: Estacione o meu bebê em um lugar seguro. — O porteiro olhou fixamente para ele e estendeu a mão com as chaves, querendo entregar de volta para Jake.

Porteiro: É um estacionamento privado. Visitantes não tem permissão para usá-lo.

R: Está tudo bem, — Eu o interrompi, ajudando Quinn sair do carro. – Ele pode usar o meu lugar de estacionamento.

Porteiro: Você mora aqui? — Ele disse em um tom aborrecido, impressionado. Apertei os olhos para ele. Ele, provavelmente, não vai ter esse trabalho por muito tempo, eu queria ter certeza disso.

R: Sim, — Respondi bruscamente. Ignorei Quinn puxando minha camisa e eu enfrentei totalmente o porteiro esnobe. – É o espaço de estacionamento com uma placa de ouro acima dele, com o nome Berry. Na verdade, existem cinco espaços de estacionamento com o meu nome nele, você pode escolher um. — Ele fez uma careta, mas não respondeu, entrando o carro de Jake com um huff se afastando.

J: Obrigado, Rae, — Jake sorriu e entrou no prédio, mas Quinn me segurou.

Q: O que foi isso? -Ela perguntou com uma careta. Rosnei sob a minha respiração.

R: A atitude dele me incomodou.

Minha namorada suspirou e pegou a minha mão, me puxando junto com ela para finalmente entrar no edifício. Ela ficou parada, com o rosto em espanto, mais uma vez. Eu poderia entender sua expressão, eu olhei exatamente do mesmo jeito quando eu vi pela primeira o hall de entrada do edifício de luxo.

Eu tinha onze anos, dois meses depois que meus pais tinham feito um grande negocio, eles decidiram se mudar para um lugar mais nobre em Manhattan. Não era apropriado viver em um ou dois quartos gastos em apartamentos em algum lugar nas linhas exteriores de Nova York.

Então, eles tinham assumido o risco de se mudar para um local além da renda deles, porque o negócio tinha acabado de começar a florescer e ninguém era capaz de dizer se ele iria estar assim no futuro próximo, mas, desta vez, a sorte estava do lado deles.

Depois de mais seis meses, eles foram capaz de pagar integralmente o apartamento, assim como sua empresa havia subido na lista das dez mais valiosas empresas do mundo inteiro. Em apenas seis meses, eu tinha perdido meus pais para o mundo do dinheiro e do poder.

Q: Você não parece muito feliz por estar de volta em casa. — A voz suave de Quinn trouxe meu cérebro de volta à realidade. Eu balancei minha cabeça e consegui dar um sorriso fraco.

R: Não, eu estou realmente feliz por finalmente estar em Nova York novamente. Mas este lugar tem algumas memórias agridoces para mim.

Ela não falou mais nada, ela pareceu entender. Me dando um leve sorriso, ela puxou a minha mão e me fez sinal para ir com ela, porque Jake estava esperando no elevador e acenando para nós nos apressarmos. A música do elevador era estranhamente reconfortante, uma melodia familiar. Os músculos tensos no meu rosto relaxaram novamente e eu assisti com um pequeno sorriso como Quinn olhou para o número de botões com admiração.

Q: 32 andares! — Ela sussurrou para si mesma. Jake e eu compartilhamos um olhar divertido. Ah como eu amava aquela garota.

O elevador parou no 27 º andar, suavemente abrindo a porta para nós e acenei para Quinn para ela ir primeiro. Ela quase tropeçou quando ela saiu. A porta do meu apartamento não era difícil de encontrar com as nossas bagagens já esperando na frente dele. Chegar nas profundezas da minha bolsa que era desnecessariamente grande, Eu me atrapalhei com minhas chaves. Eu não podia esperar para entrar na minha amada casa, não podia esperar para ver as ruas movimentadas de Nova York de cima.

Depois de deixar as minhas chaves cair, pela terceira vez, Jake a puxou das minhas mãos e abriu a porta, destrancando-a em um movimento rápido. Ele abriu a porta e fez um gesto para a gente entrar primeiro. Tudo estava como eu lembrava. O design interior moderno, uma mistura de branco e vinho tinto. Este lugar parecia brilhar porque uma parede era toda de vidro, e permitia uma bela vista sobre a cidade e, ao mesmo tempo, deixando entrar os raios de sol, e toda a mobília branca ajudava a refletir a luz. Meus olhos varreram a sala.

O controle remoto ainda estava no sofá do jeito que eu tinha deixado, uma revista ainda na mesma página da última vez que eu tinha lido. Meu sorriso quase dividia o meu rosto. Pequenas coisas que pareciam insignificantes para outros, mas que significavam muito para mim. Porque eu sentia como se minha vida em Nova York tivesse feito uma pausa para me esperar para voltar e continuar a história do jeito que eu quisesse. O controle remoto estava esperando para ser disputado por Quinn e eu, a revista estava à espera de ser lida por nós duas. Eu voltei para continuar minha história com Quinn.

J: Você pode desfazer depois, — Jake disse, fechando a porta atrás dele depois que ele carregou as nossas malas para dentro. Então ele nos empurrou para o sofá. – Você me deve uma história suculenta sobre como vocês duas ficaram juntas porque da última vez que eu vi vocês, ambas estavam bastante teimosas e diziam ser apenas amigas.

R: Jake, — Eu suspirei e olhei para Quinn pedindo ajuda que sorriu timidamente. – Talvez não agora, e não hoje ok? Estamos meio cansados ​​da nossa viagem. — Jake zombou e respondeu,

J: Vamos lá, foi poucas horas de vôo. Lembro de quando você foi para a Europa e ainda saiu para poder ir a uma discoteca na mesma noite.

R: Dá um tempo! Eu estou ficando mais velha, também, — Eu disse brincando e Jake ergueu as mãos para o ar.

J: Tudo bem, tudo bem. Vou deixá-la quieta agora, mas quando Kate e Nikki voltar em dois dias, eu quero ouvir todos os detalhes sobre vocês duas. Digo, por julgar as imagens do Facebook, pareceu bastante espetacular. — Eu ri sem jeito, me levantando do sofá para evitar olhar para Quinn.

R: Vamos pedir algo para comer, ok? — Tentei desviar do assunto. – Chinês? Pizza?

J: Que tal a verdade? — Jake sugeriu com um sorriso.

R: Pizza é. E eu vou avisar Jerry que estou de volta, — Eu disse para mim mesma.

Eu tinha dado férias ao mordomo, quando eu tinha saído de Nova York, mas eu tinha inteligentemente ativado o modo stand-by, esperando que ele estivesse sempre pronto para voltar a trabalhar quando eu precisasse dele. Embora eu nunca estive particularmente perto dele, eu ainda estava grata por ele ser uma pessoa constante em minha vida. Pelo menos eu sabia que podia contar com ele para fazer as coisas que eu era jovem demais para entender ou com preguiça de lidar.

Depois de fazer duas chamadas importantes, voltei para a sala para encontrar Jake e Quinn preguiçosamente espalhados no grande sofá de couro branco, rindo sobre algo que eu tinha perdido.

J: E eu era como, erm, Rae, eu estou atrás de você — Jake não conseguiu terminar a frase, tossindo em sua própria risada, fazendo Quinn rir ainda mais alto.

R: Haha, — Eu disse secamente, me jogando ao seu lado no sofá, sustentando os meus pés sobre uma almofada. – Haha. Muito engraçado. Que história você está contando?

J: Lembra do Natal, há dois anos? — Jake suspirou antes de se dobrar de rir novamente. Eu olhava fixamente para ele, tentando lembrar o que diabos tinha acontecido.

J: No Central Park, a enorme luta de neve, com dezenas de pessoas que começamos porque estávamos bêbados e entediados? — Eu olhava para ele, esfregando o lado da minha cabeça.

R: Sim, o que tem? — Quinn soltou um suspiro e eu achei estranhamente cativante, quase perdendo o que Jake estava tentando me dizer.

J: E minha bola de neve te atingiu no meio do rosto e você ficou com tanta raiva que você esticou a mão para me bater, mas a neve em seus olhos te deixou cega e você estava completamente bêbada mesmo, então você quebrou o nariz de um policial uma vez que ele estava tentado parar a luta de neve.

Eu abri um sorriso nostálgico. Boas lembranças. Embora eu tivesse ficado apavorada, nesse momento, eu quero dizer, percebendo que tinha atingido um policial no rosto foi uma experiência muito horrível porque não era algo que podia sair sem conseqüências adversas, mas agora ela pertencia a uma das minhas lembranças preciosas.

Q: Como você conseguiu sair dessa? — Quinn perguntou.

R: Eu usei meu charme e calmamente expliquei a situação, — Eu disse, só para ter Jake me interrompendo,

J: Ela pediu para ele esquecer o incidente, mas o seu choramingar fez ele perceber que ela estava bêbada. Nós fomos presos.

Q: De jeito nenhum, — Quinn suspirou, embora seus olhos ainda estavam brilhando de tanto rir.

R: Não é grande coisa, — Eu sorrindo disse, — O dinheiro dos meus pais nos socorreu. — Com isso, Jake e Quinn ficaram em silêncio, de repente, olhando para nada. Eu arqueei minhas sobrancelhas para eles.

R: O quê? — Eu queria ouvi-los dizer. Eu sabia que eles estavam tentando ser respeitosos, mas fizeram pior ao cair em silêncio, porque agora era inevitável.

R: Eu não sou feita de vidro. Podemos falar dos meus pais, eu não vou quebrar. — Mas o tom amargo na minha voz deu a entender o contrário.

J: Rae, — Jake suspirou e correu uma mão por seu cabelo. – Eu não gosto de ser o único a dizer isso, mas eu acho que você tem o direito de saber.

Agora ele tinha me deixado nervosa.

Quinn olhou apreensiva também, mas ela se mudou para deitar ao meu lado para mostrar seu apoio. Grata, eu aconcheguei para mais perto dela e peguei em sua mão.

J: Eu recebi um telefonema de um de seus pais, — Disse Jake humilde, temendo que se falasse mais alto fosse me chocar mais.

Isso não importa. Todo o meu corpo congelou e meu desejo inicial era empurrar Quinn e deixar este apartamento para clarear minha mente caminhando nas ruas de Nova York. Era o que eu fazia sempre que os pensamentos sobre os meus pais me incomodavam. Eu fingia ser uma daquelas nova-iorquinas ocupada, com horários completos, mantendo suas mentes preocupadas, sempre tendo algo para fazer e pensar, deixando para trás o mundo de emoções dolorosas.

Mas eu não era mais aquela garota, eu estava tentando avançar contra o vento oposto, sem ir para trás a fim de evitar as batalhas que eu precisava para lutar. Eu costumava fugir e afogar minhas mágoas, criando outras, que eu usei para aliviar a minha dor por magoar os outros. Agora eu estava tentando entender e resolver os meus problemas, sem puxar outros para essa bagunça. Não havia nada a ganhar se eu distanciasse de Quinn. Eu ficaria pior sem ela.

Engoli em seco e tentei ser forte. Só por uma vez. Pela primeira vez, eu queria ser capaz de falar sobre meus pais sem ficar amarga porque eu tendia a fazer isso sem saber. Mas, ainda assim, doeu. Doeu um monte, sabendo que em todos esses anos, eles nunca tinham tentado entrar em contato comigo, mas eles tinham ligado pessoalmente para um dos meus melhores amigos.

J: Era Hiram, — Jake suavemente continuou.

Fechei os olhos, tentando me lembrar dele. Era embaçado, uma foto em preto e branco dele em minha mente, como uma fotografia desbotada, quase irreconhecível. Não era por que eu estava lutando contra a lembrança dele, não era a negação que fez seu rosto ser um enigma para mim. Eu realmente não conseguia me lembrar de suas feições, pois eu me forcei a não imaginar meus pais quando eu pensava sobre eles.

Minha mente tinha um mecanismo de auto-defesa. Ela tinha aprendido a bloquear os rostos deles, porque a visão era muito dolorosa, me lembrando do que eu tinha e o que eu perdi.Tudo o que eu conseguia lembrar de Hiram eram seus ternos caros, os óculos e um corte de cabelo curto, com os cabelos grisalhos na lateral. Mas ele permaneceu sem rosto. Apenas um homem de óculos em um terno.

J: Eu não acreditei quando ele me disse quem era. E eu desliguei na cara dele duas vezes, pensando que fosse uma piada de mau gosto. Mas depois ele me contou algumas coisas sobre você, coisas que só alguém próximo a você poderia saber... Só alguém que costumava ser o seu pai poderia saber.

Neste momento, eu vim apreciar a minha amizade com Jake outra vez, porque quando eu o vi olhando para mim, seus olhos estavam cheios de dor. A dor que eu estava sentindo, a dor que ele estava refletindo porque ele sentia por mim, ele era meu melhor amigo e ele compartilhava minha dor. Ele realmente se importava comigo.

Seus olhos se tornaram muito expressivos e eu precisava de conforto, me virando para Quinn para encontrá-la olhando para mim, completamente perdida. Ela não sabia. Ela não podia saber. Ela não podia saber o quanto esta tinha sido uma grande, parte infeliz da minha vida. Embora ela soubesse que eu ficava bastante ferida sobre este assunto, eu nunca tinha dito a verdade completa. Eu nunca tinha dito sobre o quanto isso estava me matando. Eu sempre disfarcei, fazendo parecer um outro erro do meu passado. E ela tinha sido respeitosa quando eu lhe pedir para não me questionar. Mas agora não havia mais nenhuma saída. Ela finalmente ia entender grande parte da minha vida.

R: O que... O que foi que ele disse? — Eu botei pra fora.

Eu estava desesperada para saber. Será que ele ainda se lembrava de mim? Será que ele ainda se lembra de minha comida e bebidas e filmes favoritos, ele ainda conhece as expressões que eu faria quando eu estivesse animada, com raiva, triste?

J: Ele queria saber sobre você. Como você está. Se você está gostando de Lima. Se você mencionou algo sobre eles. -Jake soltou um longo suspiro.– Eu disse a ele que ele não tinha o direito de saber de você. Eu disse a ele para te ligar, eu não ia dar um de mensageiro. — Senti Quinn apertar minhas mãos e eu respirei fundo.

R: Vá em frente.

J: Eu ia desligar novamente, então ele começou a falar de novo... Sobre como suas primeiras palavras foram 'Papai' e como você começou a cantar antes mesmo que pudesse falar. Como você costumava perguntar por que os outros comemoravam o Dia das Mães e você não podia.

O nó na garganta foi crescendo a cada segundo. A vontade de fugir, fugir, fugir me agarrou e me fez tremer, mas eu permaneci imóvel. Sim, ele ainda se lembrava de mim.

J: Ele disse que sente falta de você. Ele não quer muito, ele só quer saber se você está bem, se você ainda gosta de cantar, se você ainda ama fazer esportes. Ele quer saber se você ainda esfrega seu pescoço quando você está nervosa, se você ainda massageia sua cabeça quando você está estressada e se você ainda morde seu lábio inferior quando você se sente culpada. — Jake olhou para baixo. – E eu disse a ele que você ainda faz todas estas coisas. Eu disse a ele antes que eu pudesse me parar.

O impulso de fugir agora era mais forte do que nunca, quase me dominando, me sufocando. Eu senti como se eu não conseguisse respirar.

Q: Rachel, — Quinn disse baixinho, acariciando meu rosto, colocando um beijo carinhoso nele. Era apenas uma gota de chuva em uma enorme chama, no entanto, conseguiu diminuir um pouco do fogo.

R: Vá em frente, — Eu disse, mas Jake não parecia disposto a continuar.

J: Não, eu acho que é o suficiente por hoje, Rae, eu nem sequer te disse que Nikki e Kate estarão de volta e -

R: Jay, eu preciso saber, — Eu implorei a minha voz não falhou. – Por favor, — Eu sussurrei aproximadamente. – Eu preciso. Eu não os ouço há anos, eu... Quero saber se eles estão bem, também.

Com isso, Quinn e Jake olharam para mim com os olhos arregalados. Meus olhos nervosamente se contraíram, e eu disse,

R: Eu posso odiá-los ou nunca mais querer vê-los novamente, mas eles ainda são meus pais, meus. pais, Jake. Mesmo que eu continue dizendo que eu não me importo com eles mais, é impossível não importar, então eu realmente preciso saber se eles estão bem, se eles ainda se amam, se eles ainda comemoram o dia do casamento deles com muito bolo e champanhe. Mesmo que eu nunca consiga encontrá-los novamente, Eu quero ter certeza de que está tudo bem.

Com isso, Jake se levantou do sofá.

J: É claro que eles não estão muito bem! — Agravado ele sussurrou, mais para si mesmo do que para mim, começando a andar em círculos. – Eles nunca vão ficar, não com a culpa de te deixar pesando sobre seus ombros.

R: Como você sabe? — Eu fracamente perguntei.

J: Você não vê? -Jake exclamou exasperado e Quinn se sentou, pronta para acalmá-lo, caso ele ficasse muito chateado.– Eles te deixaram, negligenciaram você, esqueceram de você e ainda assim você está aqui, desejando-lhes o melhor, porque você está sendo... Você. — Ele parou para me olhar com desespero em seus olhos, balançando a cabeça para mim como se eu tivesse feito algo de errado comigo sendo eu.

J: E talvez eles comecem a se sentirem culpados agora, mas isso nunca vai consertar a merda que você já passou. — Quinn se levantou, tentando fazer com que Jake se sentasse novamente, mas ele apertou as mãos vociferando,

J: Você não acha que nós nunca notamos que você chorava quando você pensava que nós estávamos dormindo? Quando Kate, Nikki e eu dormíamos no quarto de hóspedes, ainda podíamos te ouvir gritando em seu sono, sabíamos que você estava tendo um pesadelo. Você nunca se perguntou por que você nos encontrava dormindo ao seu lado na parte da manhã, abraçando você? Você nunca se perguntou por que a gente insistia em dormir com você no mesmo quarto, desde então, para manter os olhos em você?

Meus olhos ficaram marejados enquanto eu olhava para ele e eu mal conseguia conter toda a gratidão que eu sentia por ele agora. Ate mesmo Quinn parecia muito sobrecarregada para reagir, ela ficou congelada ao lado de Jake, com as mãos ainda no ar, prestes a tocá-lo. Ela lentamente se virou para mim seus olhos gritando de dor.

J: Eu simplesmente não posso perdoar seus pais por fazer isso com você, não quando você era jovem demais para entender e nós éramos muito jovens para realmente te ajudar, — Jake disse com raiva, agarrando seu cabelo. – Nós tínhamos doze anos, porra! Doze, a gente não sabia nada sobre o mundo, nada. Estávamos com medo e sozinhos, não podíamos contar a ninguém que você morava sozinha ou as autoridades teriam levado você para longe de nós, colocando você em algum lugar só Deus sabe.

J: Você não tinha parentes, você não tinha mãe, você só tinha nós, Rae. — Ele apontou para si mesmo com força com a mão trêmula. – Nós éramos sua única família, Kate, Nikki e eu, éramos tudo o que você tinha e talvez até mesmo Jerry que cuidava das coisas difíceis, mas não emocionalmente cuidava de você. — Minha boca abriu e fechou, e eu balancei minha cabeça, querendo que ele parasse, mas Jake suspirou alto cansado continuou,

J: Você vê agora por que eu estou tão chateado com os seus pais? Quero dizer, como pode três crianças de doze anos de idade ser um substituto para os pais? Não sabendo nada de nós mesmos, nós não tínhamos idéia do que deveríamos fazer e merda, seus pais estavam muito fodidos eles realmente não se importavam. E isso é o que nos fez fortes, o que nos fez uma família. Uma verdadeira família.

Havia uma razão pela qual eles eram meus melhores amigos. Eu não podia agradecer a Deus o suficiente por me dar eles, por ter colocado eles em minha vida.

J: Mesmo que os anos se passaram, quando você completou dezesseis anos e nos disse que você estava bem sem eles, eu sabia que não estava, — Jake disse rápido, e parecia que ele queria se livrar de tudo isso. – Você disse que estava tudo bem quando você começou a ir em todas as festas e começou a se relacionar com garotas. E nós fazíamos isso, porque realmente parecia que estava ficando cada vez melhor, os pesadelos pararam e você acabou por ser auto-confiante e independente. Mas no fundo, todos nós sabíamos que você não estava bem.

Muda, tudo o que eu podia fazer era olhar para ele. Eles sabiam que eu não estava bem por muito tempo. Eu sabia que ele também.

J: E nós não sabíamos o que esperar quando você foi para Lima, — Jake continuou. – Nós estávamos com medo de que Shelby fosse desencadear más recordações. Mas quando nos encontramos de novo, você tinha mudado. E descobrimos sobre Quinn. — Seus olhos pousaram sobre Quinn e ela olhou para ele, sem medo. Um canto da boca de Jake se contraiu.

J: Pela primeira vez, tivemos esperança. Embora Kate não confiasse nela em primeiro lugar, eu tive um bom pressentimento sobre ela. Ela te faz bem. Pensei comigo mesmo, ela podia ser a única a te ajudar da maneira que nós não podíamos. E eu acho que eu estava certo.

Meus olhos brilharam entre Jake e Quinn, e o sentimento caloroso de amor inchou sob meu peito, enchendo o meu coração.

R: Jake, eu — Eu tentei mostrar a minha gratidão, mostrar o meu amor por tudo o que ele tinha feito por mim, mas ele balançou levemente a cabeça.

J: Não, Rae, me deixe terminar, — Ele disse suavemente. – Nós éramos jovens e estúpidos. Nós não sabíamos muito naquela época. Mas nós sabíamos que precisávamos de nós, que precisávamos de nós para mantermos a sanidade. E eu sei que você teria feito o mesmo se tivesse acontecido com qualquer um de nós. — Se virou para Quinn novamente que olhou para ele com gratidão e apreço também. Jake estava muito chateado para dar um sorriso, mas seu tom de voz era quente e genuíno quando ele disse a ela,

J: Então, por favor, tome conta dela. Sei que a maioria das pessoas pensam que é a Rae quem vai estragar tudo por causa do passado dela, mas isso não significa que ela não pode se machucar também. Você significa muito para ela e eu odeio a idéia de ter que te mostrar o inferno, se algo acontecer. — Quinn assentiu.

Q: Você pode descartar essa idéia, Jake. Embora eu não possa prometer nunca fazer mal a ela, porque às vezes isso acontece involuntariamente, eu juro que eu nunca vou fazer nada para machucá-la de propósito. — Com isso, Jake conseguiu formar um sorriso real.

J: Eu sabia que eu gostava de você por uma razão.

E eu sabia que eu amava Quinn por uma razão. Por milhares de razões, na verdade, e eu nunca poderia decidir por qual motivo eu a amava mais. Eu simplesmente amava tudo o que ela era.

Notas finais
Gente desculpa os cap só sábado ou domingo viu... x/