Change My Life
26 Vingativa.
Notas iniciais
Eu demorei, não é? Mas eu já havia avisado que ia demorar por causa dos estudos e tudo mais.
Sem delongas, boa leitura!
Quanto mais ao norte Percy ia, mais ao sul queria estar.
Ele sabia que o clima estaria tenso dali em diante na viagem, na maioria das vezes, quem tinha o papel de puxar as conversas fazendo comentários bobos era Annabeth, e agora que estava fora, além de uma pessoa com essa função, faltava-lhes animação para continuar na estrada.
O instinto meio-sangue de Perseu palpitava insanamente, uma sirene de aviso ecoava em sua cabeça falando “isto está perigoso, isto está perigoso”. Uma hora daquelas que ele queria Zac ou Nico com ele, pois não precisaria bancar o forte sozinho, não como estava agora tendo que ser com Victória.
Na realidade, ela parecia ser a que bancava a forte. Em momento algum ela tirava os olhos da estrada, e estava séria como nunca antes vista. Percy percebeu que ela estava assim desde o dia em que passou com Ares, onde provavelmente não ouviu coisas boas.
Ele batucava agora no volante enorme de sua pick-up, esperando Vic chegar com um dos únicos lanches que fariam no dia. Depois que Annabeth havia ido embora, três dias atrás, eles não comiam mais de duas vezes ao dia. De alguma forma, ajudou a adiantar a viagem já que agora só estavam a trinta quilômetros de Hallock, a cidade enevoada.
Ouviu alguém bater na janela de seu carro e virou a cabeça lentamente, depois quase a bateu contra a janela ao ver quem estava ali. Sua boca deveria ter feito um leve “o” enquanto seus olhos se arregalavam.
Ela deu um “tchauzinho” como se fosse a coisa mais normal do mundo, então bateu na porta novamente. Por algum motivo sinistro, Percy abaixou o vidro da pick-up, mesmo querendo naquele exato momento que Vic chegasse e então pudesse acelerar igual louco para o México.
–O...lá? – falou Percy. Não sabendo exatamente se era um cumprimento ou uma pergunta. Nêmesis sorriu de lado enquanto tirava o cigarro da boca, seus cabelos ondulados e curtos balançando contra o rosto.
–Como vai, Jackson? – perguntou ela ajeitando sua jaqueta de couro.
–Pior do que um meio-sangue que está no acampamento, mas melhor que um mortal em fase terminal – respondeu automaticamente Percy. Era a resposta que ele na maioria das vezes tinha na ponta da língua. Nêmesis sorriu.
–Eu gosto de você, Perseu. Que tal conversarmos?
(...)
Percy não gostava muito de “conversinhas” com Deuses, na maioria das vezes acabava em brigas que ele preferia não mencionar. Mesmo assim, enquanto andava pela cidadezinha que havia parado sabia que algo muito ruim iria acontecer quando sentiu o ar ficar árido e quente demais.
Olhou para baixo, assustado, e percebeu que o asfalto havia se transformado em areia. Acima, o sol quente o cegava. Ele automaticamente começou a suar como um condenado, parecia estar uns 45 graus onde ele estava. Nêmesis não parecia incomodada.
Então, sem aviso prévio, começaram a andar pelas dunas de um deserto que Percy ainda tentava identificar qual. Ao passo de quinze minutos se arrastando pela areia e com os olhos cheios de pingos de suor enfim avistaram algumas pirâmides cheias de turistas. Perseu nunca fora muito bom em geografia, mas reconheceu aquilo muito bem: Egito.
Enquanto sentia uma vertigem de calor passar por sua medula espinhal, se perguntou revoltado porque raios Nêmesis não os “tele transportou” para ali de uma vez? Parecia ser burrice ou uma vontade imensa da Deusa da Vingança em fazê-lo suar.
Quase não percebeu quando um tapete se materializou ao seu lado estilo Aladim.
–Ficaremos por aqui – sentenciou ela, e quem era Perseu para negar? Sentaram-se no grosso tapete e Nêmesis ficou olhando algum tempo para as pirâmides, parecia entusiasmada. – Sabe qual é a melhor coisa do Egito?
–Provavelmente não o deserto – murmurrou Percy sentindo sua pele queimar ao sol. Nêmesis não ouviu, ou fingiu que não escutou.
–A melhor coisa no Egito é este espírito de vingança entre todos. Sabe, a mitologia deles acredita em Deuses que estão em constante traição um para com o outro, isto não te lembra de outra família?
Percy abriu a boca para falar, mas não teve tempo para responder.
–A vingança é o maior sentimento de todos, é que move o mundo a sempre querer mais e consequentemente evoluir...
–Eu achei que era o amor que fazia isto... — Nêmesis parecia irritada, suas narinas se dilataram e ela bufou.
–Isto foi uma ótima campanha de marketing de Afrodite... O amor morre junto com o ser humano, a vingança fica, para sempre – ela pigarreou – Essas pirâmides representam o quanto a civilização pode crescer encima da vingança e ódio. Os sábios são aqueles que afastam a vingança e atraem o amor, pois estes são os maiores sentimentos do mundo. E você, Perseu? O que fará diante disto?
–Eu... Bem... – o meio-sangue não estava entendendo grandes coisas que Nêmesis falava.
–A vingança será sua ruina ou o seu muro, tudo depende de você. E como ninguém, eu tenho certeza que sentirá na pele como o ódio pode destruir qualquer amor e enfiar a vingança no lugar. Até aquele que você pensa ser indestrutível.
Percy sentia sua pele formigar mais uma vez, queria saber qual era o problema daqueles Deuses com todos estes enigmas. Fechou os olhos por causa da grande claridade e quando os abriu novamente estava no banco de seu carro, Vic corria a alguns metros dele com cafés na mão.
Ela abriu a porta da pick-up e o ar frio o contagiou de uma forma deliciosa. Vic bateu a porta e olhou para ele com as sobrancelhas franzidas.
–Aconteceu alguma coisa? Você parece que viu um fantasma.
–Só um pouquinho pior que isto – ele sussurrou para ele mesmo enquanto bebia um gole de café e acelerava para mais ao norte dos Estados Unidos.
(...)
As palavras de Nêmesis não paravam de ecoar em sua cabeça. Por algum motivo, ele não conseguia parar de associar tudo àquilo com Annabeth. Ele não gostava de admitir, mas quando a palavra “amor” vinha em sua cabeça, a primeira pessoa que pensava era a filha de Atena. Isto o fez pensar o quanto sentia sua falta, e o quanto não queria ter a deixado ir embora com Hera.
A vingança será sua ruina ou seu muro
Ele apertou as mãos contra o volante, estava esquecendo algo importante numa parte do seu cérebro que nem ele sabia qual era. Só uma pessoa poderia ser sua ruína e sua salvação, e por pior que parecesse, ele sentia que deveria se afastar desta pessoa para poder continuar intacto.
Isto não te lembra de outra família?
–Percy! – gritou Vic e Perseu freou bruscamente, assustado. A sua frente, algumas pessoas o olhavam com raiva e atravessavam a faixa de pedestre. Os olhos azuis claros de Victória o fitavam com repreensão. – Caramba, Percy, você quase matou umas cinco pessoas agora! O que está acontecendo com você?
Ele respirou fundo e voltou a dirigir.
–Nada.
–Como não? Tem três dias que você está aí voado, nervoso. Desde que... – Vic parou sua frase ao meio. – Oh Deus.
–Não começa! – disse Percy enquanto acelerava mais. Ele já sabia o que ela iria falar e não queria ouvir nem saber.
–Eu achei que... Que, depois do que aconteceu com você quanto tinha 15...
–Será que tem como você parar? – ele falou um pouco mais alto. Victória riu.
–Impossível! Você está amando Annabeth! A-M-O-R. Eu sabia que não existia maldição nenhuma. Você, o frio filho de Poseidon, caidinho por uma novata metida. Isto é sensacional!
As bochechas de Perseu começaram a queimar. Sua mandíbula se contraiu enquanto ele apertava o volante.
–E agora não é ridículo!
Ele freou bruscamente. O corpo de Vic se projetou para frente de uma forma violenta. Ele tirou o cinto enquanto punha a mão no rosto.
–Cala a boca, Vic! Eu não amo a Annabeth, nem ao mesmo gosto dela! Na realidade, eu só a acho bonitinha. Você não tem o direito de comparar ou tirar nada de mim! – ele abriu a porta com raiva, deixando a pick-up no meio da rua mesmo.
Vic saiu, revoltada.
–Você é um merda de um medroso! Eu duvido que você sinta algo por qualquer outra garota a não ser Annabeth! Santa Afrodite, você realmente ama ela. E ela pode ser metida, mas não é uma vaca de uma egoísta como você sabe quem!
Percy se virou. Pronto para responder. Porque tinham que tocar naquele assunto? Porém, quando apontou para Vic, um barulho ensurdecedor os fez pôr as mãos nos ouvidos. Depois de um minuto, tudo parou, e então eles olharam para frente.
Nem haviam percebido, mas a alguns metros deles havia uma placa denunciativa.
Bem Vindo a Hallock, a cidade enevoada.
Notas finais
Beijos e até o próximo!
Fale com o autor