Change My Life
27 Esclarecido
Notas iniciais
Percy deixou o carro em ponto morto.
Ninguém pediu para fazê-lo, nem havia a necessidade daquilo, mas ele sentia que estava em território inimigo. Olhou para Vic, ela parecia relaxada: Pior que isto, ele se sentia em território romano.
Todos os seus dedos começaram a formigar, de uma forma esquisita, ele também sabia que havia uma grande áurea de poder a (quem sabe) algumas quadras de onde sua Pick-Up estava. O que o deixava ansioso era que ele não sabia se esta áurea era da Deusa, ou de quem sabe, Annabeth.
–Acho melhor sermos cautelosos e estacionarmos o carro – sugeriu Vic. Perseu assentiu.
Se não fosse pelas lojas acesas e abertas e algumas pessoas agasalhadas andando de um lado para o outro, provavelmente aquela seria mais uma cidade abandonada de Nova York. Ele não tinha a certeza, mas sentia que não era uma cidade verdadeira. Parecia que a Deusa (seja lá quem fosse) havia criado a cidade especialmente para aquele momento.
Percy saiu do carro.
Assim que enfiou as mãos no bolso do moletom já havia sentido sua caneta esferográfica que em tempos azarados poderia virar sua famosa espada contracorrente. Ele e Vic não precisavam se comunicar para saber o que deveriam fazer: Era hora de averiguar o local. Descobrir seus podres.
Os dois foram até uma loja de conveniências. Atravessando a porta ouviram o típico sininho das pequenas lojas de Nova York e então os dois se espalharam pelos pequenos corredores do estabelecimento.
Aquele lugar era tão normal e receptivo que Percy quase se esqueceu de que estava em missão. Parecia um lugar enfeitiçado para te deixar lá dentro, vendo os pequenos objetos metálicos e os chocolates por todos os cantos.
Enquanto passava pelo corredor, viu um objeto em especial que o fez parar de andar. Era uma caixa, uma pequena maleta. Toda talhada. O interessante era que ela era talhada no metal, e não na madeira, então deveria ter sido feita por alguém realmente habilidoso.
Mais uma vez o instinto de Percy palpitava.
Olhou para frente, um senhor de idade com óculos de grau lia um jornal distraidamente, enquanto fumava avidamente um cigarro.
–Senhor – Percy chamou, fazendo Vic ao seu lado arquear a sobrancelha. Não era para eles puxarem papo com ninguém. O homem levantou os olhos.
–Sim?
–O que é isto exatamente? – Perseu pegou o objeto nas mãos. Ele era bem mais pesado do que aparentava ser. O senhor sorriu.
–Apenas um porta joias – depois ele pigarreou – Na realidade, é um objeto de família meu. Usamos como porta joia por não ter mais utilidade, mas dizem que com este objeto conseguimos transferir qualquer monstro diretamente para o tártaro.
Agora Vic e Percy arquearam a sobrancelha. O senhor deu de ombros.
–Eu gosto de mitologia – Perseu pôs o objeto novamente no lugar. Assustadoramente o homem apareceu atrás de seus ombros.
–Você o quer, Percy Jackson?
Percy arregalou os olhos e automaticamente enfiou a mão no bolso do moletom. Só que ainda mais assustadoramente sua caneta não estava mais lá. Olhou para trás. Estava na mão do homem.
Vic foi para o seu lado, também descrente.
A porta da loja se fechou com um vento forte e as luzes da loja apagaram e acenderam novamente. Quando se acenderam, Percy viu uma forma ainda mais feia que o senhor.
–Hefesto – sussurrou ele. O deus fez um gesto desdém com a mão.
–Você é ridículo, Hefesto? Não, sou Vulcano. Nenhum deus grego conseguiria ficar aqui mais do que seis segundos sem se desfazer em pó. Aura romana muito forte – o Deus cruzou os braços. – Então, você o quer?
Percy pegou o objeto novamente.
–Qual é o preço? – Vulcano parecia ofendido.
–Ora, é de graça!
–Para um meio-sangue grego? Duvido.
–Ela é romana – apontou Vulcano para Victória – E também, não é totalmente de graça. Eu nem lhe daria este objeto se pudesse, mas meu lado grego está brigando fortemente comigo agora.
–E porque Hefesto quer me dar esta caixa? – perguntou Percy. Vic cruzou os braços, aparentemente se perguntando a mesma coisa. Vulcano sorriu, o que o deixou, surpreendentemente, mais feio.
–Você irá ajuda-lo, mesmo que indiretamente. E quando chegar esta hora, se lembre de falar que eu o amo – a forma de Vulcano tremeluziu – Acho que é melhor correr, Jackson. Você não quer perder sua amada, não é?
Vic e ele fecharam os olhos por causa do brilho forte. Quando abriram os olhos novamente, não havia nada mais lá. Saíram dali o mais rápido possível.
–Tudo bem. Isto foi estranho – anunciou Vic enquanto andavam pelas ruas pouco movimentadas de Hallock. Percy assentiu e guardou a caixa na mochila.
–Sinto que isto aqui vai ser importante – ele voltou com a mochila para as costas –Este lugar me deixa ansioso. Você não sente sua pele formigando? Como um instinto para sair daqui o mais rápido possível?
Vic deu de ombros.
–Estou com uma sensação boa, sabia? – Percy parou rapidamente. Pela primeira vez em dias, sentia que estava pondo a cabeça para funcionar.
Seus olhos desfocaram por um segundo. Lembrou-se de tudo que lhe falaram nos últimos tempos. Marte chamando Vic e lhe propondo o que todos sabiam que iria propor, lembrou-se da expressão serena de Juno, vou proteger minha família. Depois das palavras da profecia, o final da guerra se decidirá com sua lança.
–Porra! – gritou Percy pondo as mãos nos cabelos – Porra, porra, porra!
Victória se assustou, arregalando os olhos e pondo as mãos nos ombros de Percy.
–Que foi?
–Guerra. Vic, guerra.
–Guerra? O... Quê? – ele voltou rapidamente para o carro, quase caindo de tão rápido que corria. Victória o seguiu. Quando ela entrou ele acelerou saindo da cidade, a loira não entendia nada do que ele falava – Deuses, Percy! Será que tem como me falar o que está acontecendo?
–É uma armadilha, Vic! É tudo uma armadilha. Merda, ninguém está do nosso lado. Além de Vulcano, ninguém está do nosso lado! – Vic pôs a mão nos cabelos.
–Deus, Percy, pare este carro! Você está fugindo? – ele pôs o pé no freio. Fazendo o corpo de Vic ir assustadoramente para frente. Os dois estavam ao lado da placa “Bem Vindo a Hallock”.
Percy saiu do carro, olhando para a cidade. Vic o seguiu.
–Você está realmente... – ela parou a frase ao meio. Assustada com o que viu a seguir. Aquela era, definitivamente, a cidade enevoada. De longe, conseguiram ver a névoa branca que pairava e tampava pela cidade.
–Nós fomos pegos numa armadilha. Vic, quando Marte lhe propôs voltar para o Acampamento Romano ele estava sendo verdadeiro, você deveria ter voltado e impedido os Romanos da marcha para o Leste!
–Mas... Mas, eu não poderia deixar você aqui, isto seria traição! – Percy negou com a cabeça.
–Não, Vic, isto seria o correto a se fazer. Esta Deusa que não gosta dos gregos, ela é só uma armadilha. Ela fez com que os Romanos ficassem na nossa frente.
Os olhos de Vic se arregalaram.
–Eles não estão marchando para Nova York, e sim para... – Percy assentiu.
–Eles também sabem da profecia. Annabeth é a garota que poderia trazer paz para os dois acampamentos. Os Romanos precisam detê-la, precisam mata-la. Esta Deusa se fez de armadilha para que os Romanos ganhem de nós, ela manipulou os pretores e a legião. Provavelmente foi ela que sumiu com o tal de Jason.
–São apenas nós três contra a legião inteira.
–Erámos nós três contra a legião inteira – ele pegou um dracma dentro da mochila – Foi por isto que Vulcano falou que estávamos correndo contra o tempo! Como correríamos contra o tempo com uma Deusa que está esperando por nós todo este tempo?
–Estamos correndo contra a marcha dos Romanos.
–Eles chegarão aqui a um ou dois dias, talvez. Esta Deusa, seja lá quem for, era uma armadilha. Mata-la, como achamos que seria o ideal, seria nossa ruína. Se matássemos uma Deusa Romana quando a legião chegasse seria impossível leva-los a paz. E por isto que está é a cidade enevoada, nunca conseguiríamos fazer contato com os gregos dentro daquela cidade. Seria impossível fazer um arco-íris.
Ele pegou sua garrafinha de água, estava agitado. Assim como Vic, que andava de um lado para o outro no meio da rodovia.
–Foi por isto que Juno está com Annabeth, é uma forma de escondê-la... Mas não vai dar certo, esta Deusa não quer mata-la, e sim o contrário.
–Ela é a garota da profecia. Ela que vai ter que matar a xarada e dar um jeito nesta Deusa, reestabelecendo a paz. Nós só temos que chamar reforços – Percy olhou para Vic – É uma guerra, Victória. E para termos uma guerra os gregos tem que estar aqui. O mais rápido possível.
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