Change My Life
28 Gananciosa?
Notas iniciais
Vic nunca subestimou o poder dos gregos. Mas quando viu dezenas de carros e vans vindos em direção a Hallock o mais rápido possível (e também com um pouco de ajuda de magia), ela percebeu que o poder grego era forte. Não pelo número de pessoas. Os romanos tinham mais. Não pelo treinamento. Eles eram iguais. Mas sim pela força da amizade. Os gregos eram superiores.
Nico foi o primeiro a chegar com Thalia ao lado, eles saíram correndo em direção a Percy e o abraço de Thalia foi tão forte que quase fez o moreno perder o ar.
–Será que tem como explicar que merda está acontecendo? – perguntou Nico. Outros gregos chegaram para ouvir a história.
Então Percy contou tudo. O plano da Deusa sei lá o quê em servir de cobaia enquanto os romanos vinham em direção a Hallock, e quando ela morresse, os romanos estariam com tanta raiva que nunca entrariam num acordo de paz. Explicou como só Annabeth poderia matar a charada e não matar a Deusa, e com sua inteligência teria que descobrir outro modo de vencê-la.
O que ninguém entendia era que Deusa era aquela que odiava tantos os gregos e porque os romanos ficariam com tanta raiva quando a matassem. Até onde sabiam, o ódio dos romanos pelos Deuses era tão compartilhado e igualitário quanto os dos gregos.
Os filhos de Atena vieram com um mapa da pequena cidade de Hallock e deram para Perseu. Este que analisou tudo com imenso cuidado. Virou um pouco a cabeça e semicerrou os olhos quando viu um ponto em especial no mapa, depois sua mente se clareou novamente.
–É isso... – sussurrou ele enquanto estudava melhor o mapa. Ele o entregou novamente para os filhos de Atena e chamou Nico e Vic para uma conversa – Lembram-se da profecia? “Com ela e o mar o problema se resolverá...”.
–Você já está ajudando aqui – comentou Nico, já temendo seja lá o que Perseu planejava.
–Mas isto não é a profecia! A profecia é a batalha contra a Deusa – ele pegou em sua mochila com cuidado, como se tivesse algo muito valioso ali dentro – Coloquem todos a postos para mim, eu tenho que fazer algo muito importante, e quando eu voltar...
Ele não precisou terminar. Sua falta de planos para o futuro já condenava o que ele estava proposto a fazer por Annabeth. Percy entrou na sua pick-up e acelerou pela aquela grande avenida que dava para a cidade.
Quando chegou, aquele lugar parecia ser ainda mais esquisito do que antes. Não havia ninguém nas ruas, as lojas estavam fechadas. O ar ainda mais rarefeito. Ele estacionou bruscamente no centro da cidade e viu a praça que havia visualizado no mapa. Pegou sua mochila enquanto olhava para os lados.
Fechou a porta da pick-up com força e andou até o centro da praça. Olhou para cima, uma grande estátua de uma Deusa (que ele não sabia o nome) fora ornamentada. Ela tinha uma expressão maquiavelicamente romana e sua lança dava arrepios medrosos em Perseu.
Tirou o presente de Hefesto de dentro da sua mochila e foi bem perto da Deusa, suas pernas estavam bambas e suas mãos tremiam, ele suava frio.
Colocou a caixa de Hefesto nos pés da Deusa e automaticamente tomou um choque desfibrilador, sentindo cada músculo do seu corpo retesar, e sua alma sair do seu corpo. E realmente saiu. Ele foi para um lugar que parecia estar longe e perto ao mesmo tempo, como que em outra dimensão.
De repente ele estava dentro do que parecia ser uma caverna. Sua visão se clareou e ele viu uma Annabeth ensanguentada e chorando. Parecia desesperada, pois rasgava as próprias roupas rosas que tanto gostava e sua pele parecia estar tão pálida quanto a de Nico.
Uma voz malévola e arranhada ecoou pela caverna. Estabelecendo a solidão que era aquele lugar.
–E então, Annabeth? Você acha mesmo tudo isto importante? – Percy olhou para os lados. Tentando localizar de onde vinha aquela voz – Deixe tudo isto para lá. Será que merecem mesmo seu sacrifício?
A loira se recompôs, seus olhos cinza pareciam pedra. Perseu viu que dentro da sua mochila, quase caindo no chão, havia a caixa que ele pôs nos pés da Deusa. E parecia que Annabeth já havia a percebido também, pois parecia mais confiante.
Ela deu dois passos para frente.
–E o que você me propõe? – a Deusa riu. Mais divertida do que nunca. Percy quis gritar “Filha da sabedoria, cuidado com a ganância!”.
–Uma vida imortal junto com o legado dos romanos. Nunca envelhecer, nunca morrer. É isto que lhe proponho – Annabeth cruzou os braços. Parecia não ter medo de nada daquilo. Ela deu mais passos para frente, e Percy percebeu que ela estava tentando chegar mais perto da Deusa.
–E se eu sou tão insignificante para a vitória dos romanos, como você já disse. Porque você está me propondo isto? – Annabeth sorriu de lado, mordendo o lábio inferior em seguida. A Deusa parecia embarbascada.
–Ora, por que... Eu sou uma Deusa benevolente.
–Mesmo? A Deusa da guerra? Benevolente? – Annabeth chegou mais perto – Porque eu não consigo acreditar nisto?
A Deusa agora parecia realmente assustada, como se estivesse sido confrontada de um jeito que não esperava.
–Porque você continua do lado dele? Não ouviu o que ele disse? Não sentiu na pele as palavras de rejeição? Porque você continua...? – a Deusa estava confusa. Sua carta na manga parecia não ser tão interessante assim.
Annabeth sorriu de lado.
–Porque eu não estou aqui por ele. Nunca estive. Estou aqui pelos gregos, por minha mãe, e principalmente... – ela pegou a caixa de Hefesto, e Percy viu seu semblante desconfiado. Ele não fazia ideia de como ela havia matado a charada tão rapidamente. Talvez ele que tenha demorado demais – Por mim.
A caixa se abriu, e parecia que tudo ao redor da caverna iria ser sugado. Inclusive Percy. Só que aquilo não aconteceu. Percy abriu os olhos, estava deitado no meio da praça de Hallock. E tudo aquilo parecia não ter passado de um sonho.
Seu corpo estava tremendo e quando ouviu o barulho do metal tilintando ele se levantou. Olhando para os lados. Algumas pessoas agora passeavam pela cidade, mas Hallock ainda continuava silenciosa. Percy saiu correndo até a sua pick-up e acelerou para a avenida.
Quando chegou lá, tudo parecia metal. Rajadas de vento e raios deixavam o cenário amedrontador. Perseu estacionou longe, pegou sua espada e saiu correndo.
Não sabia exatamente o que fazer. A guerra já estava começando. Mas agora ele sabia de tudo. Ou quase tudo. Porque não entendeu muito bem a cena da caverna de Annabeth. Mas tudo que se aderia a ela estava começando a virar um mistério.
Ele só tinha um plano em mente, e não poderia ser mais ridículo: Mataria a todos os inimigos até chegar à pretora. Onde tentaria conversar, ou mata-la também.
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