Change My Life
6 Tonta.
Notas iniciais
Bem, bem, bem, eu nem demorei, não foi? Eu acho que não...
Enfim. Eu não tenho muito avisos para dar... Ah, a Drew não é uma meio-sangue, ok?
Boa leitura!
A sensação de tontura de Annabeth ainda não havia passado. Percy puxou-a do sofá, ainda com o copo de água em mãos e pegou as chaves do carro e apartamento, saindo rápido em direção ao corredor.
– O quê está acontecendo? – Annabeth perguntou com raiva enquanto Percy tentava trancar a porta do loft.
– Eu disse que não tínhamos muito tempo.
– É, isso foi mais ou menos 50 segundos atrás! – Annabeth tomou fôlego, ainda com o coração batendo forte. – O quê está acontecendo?
– Monstros lá embaixo, isso que está acontecendo – ele saiu correndo, pegando-a pelo pulso. – E isso não é normal para uma filha de Atena – ele murmurou com raiva de forma que Annabeth quase não conseguiu ouvir. Desejou não ter.
Agora a caminhonete não estava mais tão convidativa quanto no dia da festa. Enquanto Percy tentava fazer o motor funcionar, Annabeth decidiu que iria dar um carro para o moreno, o melhor, da marca que ele quisesse, desde que da próxima vez que tivessem monstros na cola deles, eles não precisassem engatar o motor.
Quando Percy finalmente conseguiu, Annabeth sentiu que estava atrasada em alguma coisa, mesmo sabendo que não tinha nenhum compromisso marcado para o resto do dia. Percy fez uma virada brusca para sair do estacionamento do prédio, entrando no meio da multidão de carros avenida à frente.
– Estamos salvos?
– Não – Percy respondeu apenas. Por um momento Annabeth sentiu que a voz dele exalava poder, assim como sua postura. Na realidade, analisando friamente, ela percebeu como Percy parecia poderoso, poderoso como um Deus, ainda mais em momentos de aflição. Ele era quase como uma divindade, em que poderíamos confiar quando precisássemos de socorro.
Ela olhou para trás, num gesto estúpido de ver se tinha um monstro atrás dela. Não tinha, mas mesmo assim a sensação de estar sendo seguida não passava. Seu coração batia rápido, sentia um frio enorme na sua barriga, como se milhares de borboletas dançassem em seu ventre. Ela queria chorar. Não sabia nem quem ela era mais. Definitivamente, não sabia de nada, e ela odiava essa sensação profundamente.
– OK. Não tem nada atrás de nós, então como não estamos a salvo? – ela tentou ser débil para fazer com que Percy perdesse a posição séria e rígida, como se estivesse com um grande peso nas costas e soubesse que teria que carregá-lo, mas não funcionou.
– Estamos indo para o acampamento meio-sangue, que fica para lá de Long Island, ou seja, iremos para uma estrada de terra, infelizmente.
– Não gostei desse último advérbio utilizado.
– Desculpa. Não vou mentir para você, sua situação é complicada. Alguém está atrás de você – ele respirou fundo antes de continuar. – Alguém... Como posso dizer? Barra pesada. Alguém que consegue invocar o Minotauro, Cães Infernais e até mesmo um Manticore se quiser. Mas por quê? Porque alguém iria querer uma filha... – ele parou bruscamente, Annabeth sentiu que ele sabia quem era a mãe dela. Atena, ela o ouviu sussurrar. Mal sabia ela quem era Atena, havia falado sobre Afrodite anteriormente porque ela era a Deusa da Moda e havia lido em revistas títulos como “Fashion, bonita e digna de Afrodite”– uma filha indeterminada.
Annabeth ignorou o fato de que ele havia falado “Minotauro”, pois foi o nome que Grover usou para denominar o Homem-Touro que ela havia enfrentado. E então ela começou a juntar os pontos. Grover também sabia sobre tudo isso, provavelmente é um semideus, mesmo sendo magrelo demais. De qualquer maneira, ele conhecia esse mundo e era o melhor amigo de Percy. Ao contrário do que Annabeth pensou, ela não estava delirando por vê-lo comer as latas de refrigerante no refeitório, muito menos por ter visto um Homem-Touro.
Tudo havia se conectado de forma assustadora.
A caminhonete estava a 150 por hora, ela jurava sentir o chão abaixo dela se mover extremamente rápido. Ao lado, ela via os prédios voarem como um foguete. Não demorou mais de uma hora para Annabeth se encontrar numa estrada de terra, larga e sinuosa que ia para o estreito de Long Island, lugar que ela nunca pensou em frequentar.
Quando olhou para o lado, viu um vulto negro passando como o vento, do outro lado a mesma coisa. Isso se repetiu várias vezes, vários vultos negros ao lado do carro, na estrada, passando de árvore em árvore. As mãos de Percy seguravam o volante com força, como se pudessem apertar um botão escrito “nitro” que fizesse o carro ir a 500 km por hora.
– Percy, o que é aquilo? – ela perguntou com a voz manhosa, Percy nem olhou para o lado.
– São espíritos, espíritos do mundo inferior – as rodas corriam a 170 km por hora. Annabeth estava com medo. Medo dos mortos e de bater com o carro em um canto qualquer e morrer. – E esse já é a segunda coisa que vem do mundo inferior para nos encher o saco. Ao que parece, quem quer que esteja atrás de você, tem mais ligação com o que está lá em baixo do que com quem está lá em cima.
Annabeth não entendeu a colocação, nem tentou. Sua mão apertava com força a porta do carro, como se ela pudesse morrer a qualquer instante (o que não deixava de ser verdade). Ela olhou para trás novamente e não avistou mais nada, apenas o vidro do carro estourando e o carro rodando e batendo numa árvore. E então tudo virou sombra por alguns segundos.
– Você está bem? – Percy perguntou. Ele tinha um corte no supercílio, Annabeth assentiu, mas não conseguiu falar nada, sua cabeça doía E seu ouvido sangrava. Percy percebeu isso e seus olhos se arregalaram – Deuses! Só falta você ter uma hemorragia.
Ela estava tonta, muito tonta. Sabia que estava no colo de Percy e que ele a segurava pelos ombros, corria com metade do corpo da jovem jogado em suas costas.
Ela viu mais alguns fantasmas, mas algo como água (não tinha certeza sobre isso) batendo nas árvores e os fantasmas se afastando.
Seu ouvido parou de sangrar. Quando ela tateou a região, descobriu ter cortado a pele perto do tímpano, de forma que não era uma hemorragia. Passaram-se 5 horas ou 5 minutos, Annabeth não sabia. Percy colocou-a perto de uma árvore, com seus olhos verdes num tom preocupado.
Ele tateou o mesmo lugar que ela, parecia ter percebido que era apenas um corte, já que sua expressão ficou mais aliviada.
– Quantos dedos eu tenho aqui? – ele perguntou levantando três dedos.
– Cinco? – Percy riu. Annabeth gostou de vê-lo rir, parecia que um peso havia saído de suas costas. Então ela olhou para o lado e percebeu que não tinha mais árvores e estrada, mas sim o topo de uma colina, e lá no fim, no vale, havia prédios e muitas coisas. A garota estava tonta, portanto não conseguia olhar direito.
Percy assentou-se ao seu lado, parecia cansado.
– Estamos seguros aqui – ele disse, encostando a cabeça na mesma árvore em que a dela estava.
– Que bom – ela respondeu com a voz embriagada – Estar seguro é bom.
– É mais que isto, Annabeth – ele fechou os olhos – Isso aqui é uma casa e eu espero que você se sinta feliz aqui. Na verdade, anuncio agora: Seja bem vinda ao Acampamento Meio-Sangue.
Ela olhou para o lado novamente, quase que automaticamente quando “Acampamento Meio-Sangue” saiu da boca de Percy. Então ela percebeu que haviam várias pessoas de camisa laranja correndo para o topo da colina. Ela fechou os olhos.
– Percy?
– Hum?
– Você continuará a ser meu amigo nesse lugar também, não é? – ela perguntou. Percy se surpreendeu com a pergunta, mas entendeu de súbito o que ela quis dizer. Ao que parece, Annabeth nunca esteve num lugar em que não conhecia ninguém. Ele deu um mínimo sorriso.
– Claro
Notas finais
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Beijos e até o próximo! =)
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