Notas iniciais
Olá.
Bem, eu demorei pra caramba né? Mas se serve de consolo eu estou atrasada em todas as minhas fics, e se serve também de consolo esse capitulo tem mais de 5.000 palavras.
Enfim, boa leitura!

Ao acordar, Annabeth não fazia ideia de onde estava ou o quê tinha acontecido com consigo, só sabia que uma hora estava com grave suspeita de hemorragia e na outra, assentada à frente de uma arvore, com várias pessoas olhando para si, curiosas, como se ela fosse uma alienígena.

Ela tentou se levantar, mas não conseguiu, então olhou para os rostos daqueles de camisa laranja que a observavam e começou a se zangar.

- Será que tem como vocês me ajudarem aqui ou só vão ficar olhando? – ela perguntou com raiva e os dentes trincados de dor de cabeça. Todos os presentes a ajudaram a ficar de pé em frente à cama onde estava deitado. Quando olhou em volta, percebeu que o lugar se tratava de uma casa velha de madeira. Velha e madeira. A menina odiava a as duas palavras juntas, ainda mais na qualificação de uma casa. Fez uma careta de nojo.

- O quê Santo Zeus vocês estão fazendo com ela? – perguntou uma voz mais madura do que a do restante de pessoas ali. Annabeth, que olhava para o chão, passou a olhar para cima, procurando o dono da voz. Nada encontrou, mas ao retornar o olhar para baixo, avistou um homem numa cadeira de rodas.

Parecia um homem simpático ou quase isto – ela pensou.

Os camisas laranja saíram em debandada à ordem do homem, murmurando coisas como “Desculpe Quíron”. Annabeth assentou-se na confortável e macia cama.

- Olá Annabeth, como se sente?

- Bem! Seria melhor se eu estivesse com o meu celular ou com uma revista de moda, mas estou bem – ela parou por um minuto – Como você sabe meu nome mesmo?

- Ah, eu conversei com Percy – ele respondeu com um sorriso simpático, que fez Annabeth arquear as sobrancelhas.

O cadeirante informou que Percy estava bem e conversando com os outros campistas dali. Ela se sentiu ridícula por ter dormido – de acordo com o tom do céu – várias horas.

- Eu estou ótima – ela pigarreou antes de continuar. – Mas quem é você? – Quíron riu surpreso pela pergunta, talvez porque Annabeth era mais audaciosa do que um meio-sangue normal. Ele foi com sua cadeiras de rodas até perto da cama.

- Bem, meu nome é Quíron e eu sou o diretor do acampamento meio-sangue – ele sorriu.
– Ou ajudante do diretor do acampamento meio-sangue, na verdade estou mais para primeira do que para segunda.

Annabeth não entendeu e decidiu continuar assim, apenas olhava para os lados, confirmando a ideia de que não sabia o quê exatamente fazia no local.

- Annabeth, eu tenho que lhe dizer uma coisa que você provavelmente já sabe – começou o homem – Você ficará conosco por um tempo indeterminado.

- Tempo indeterminado? – ela arqueou as sobrancelhas enquanto Quíron tentou dar um sorriso amigável.

-Isto! Agora você está no acampamento meio-sangue, lugar que acolhe e treina filho de Deuses, e você é um deles – Annabeth ficou impassível, já que tudo aquilo havia sido contado por Percy anteriormente. – E você será suspendida de suas atividades escolares e ficará como campista indeterminada por aqui.

- Certo. São muitos “indeterminados” numa mesma frase – ela respirou fundo.
– Infelizmente, Quíron, isso não será possível. Meu pai, que não liga para mim e provavelmente não perceberá minha ausência em casa, não só paga pelo meu ensino, como acha que estou aproveitando-o na escola e tentando ser alguém na vida, e não que estou num acampamento de férias.

- Já entramos em contato com seu pai, deixando claro que o seu psicólogo falou que era melhor para você mudar de escola e ele concordou plenamente com este novo “método de ensino”. Ele pareceu até surpreso em saber que você queria vir para cá, pelo que parece nem você nem ele gostam daqui.

- É! ... Eu não tenho psicólogo.

- Seu pai pensa o contrário – ele deu um sorriso singelo. – Acho que está na hora de você conhecer o acampamento.

Annabeth ficou de pé, animada. Queria saber onde estava afinal, se o lugar era uma espelunca ou um ladinho digno de Deuses greco-romanos chique que a fizesse ficar por ali o resto da vida. Queria saber se tinham hidromassagens ou saunas ou bronzeamento artificial – ou eles iam à praia mesmo? Annabeth não tinha problemas com nenhum dos dois. Na verdade, ela até tinha um biquíni lindo cinza que...

- Minhas roupas! – ela gritou saindo do cômodo em pulinhos nervosos – Meu Deus! Minhas roupas! Eu necessito urgentemente das minhas roupas! Desculpe-me se foi você o designer, mas aquelas blusas laranja não funcionam com nada! Não combinam com o estilo que eu coloquei na Fashion do ano passado, nem mesmo com o meu tom de pele, pensando com frieza, laranja não é uma cor para roupas, talvez para sapatos ou...

- Annabeth! – gritou Quíron – Por favor, cale-se.

- Ah – ela sorriu de lado. – Desculpe, mas as minhas roupas estão aí? – ela deu um sorriso esperançoso. Quíron deu uma risadinha.

- Trouxeram-lhe três malas de roupas – Annabeth fez uma careta. Só três? De qualquer maneira, a jovem decidiu ignorar tal coisa e continuar andando com seu nariz erguido, até de olhar no espelho e perceber o quão feia estava.

Arrumou seu cabelo, saia e blusa em cerca de dez segundos, de forma que ficasse 10% melhor do que estavam. Enquanto caminhavam em direção ao ar livre, para perto dos outros campistas, ela pegou o batom, que após tudo o que havia ocorrido, que ficava no bolso próximo a barra da saia e o passou.

Deu uma olhada em volta e notou que aquele era sim um lugar bonito. Ficou impressionada com a grandeza do acampamento e pensou como ele deveria ser espetacular e como aquela arte grega estava situada em NY sem que ninguém notasse Ela parou de passar o batom rosa repetidamente e deu uma olhada em volta, aquele sim era um lugar bonito. Realmente, ela ficou impressionada com a grandeza do lugar. Tudo parecia impossível, ela havia adorado cada detalhe, especialmente a praia “privada” que não lhe dava necessidade de um bronzeamento artificial. E por um momento, ela ficou muito, muito feliz.

*

Enquanto passava, Annabeth percebeu que as pessoas olhavam-na como se fosse um extraterrestre, e reparou o quão mal vestidos eles eram, aceto pelo grupo de meninas e meninos à frente de um chalé rosa com cortinas muito bem boladas. Quando a garota iria perguntar se ficaria por ali, Quíron parou, fazendo-a quase trombar nele.

- Bem, é aqui que você fica. Boa sorte! – Annabeth não entendeu o “boa sorte” e percebeu que aquele chalé no qual Quíron a deixara era o mais acabado e feio de todos.

Antes mesmo que alguém tivesse a chance de ir falar com ela, Annabeth gritou – Minhas malas! – e saiu correndo em direção as três Louis Vuitton, tropeçou em algo e caiu de cara no chão, apenas a alguns centímetros de suas lindas malas. Uma risada ecoou do outro canto do chalé.

- Eu aposto que foi o Carter! – uma voz falou até reparar a feição enfurecida da garota.
– Mas...

- O quê por todas as fashionistas vocês estão fazendo? – esbravejou com raiva, olhando ainda meio tonta para duas pessoas praticamente iguais (devia ter batido a cabeça muito forte naquele acidente de carro).

- Desculpe-me, eu achei que você era o Carter – disse um sorrindo de lado. O outro bateu no braço do primeiro e murmurou um “babaca” observando a loira ajeitar sua saia.
– Machucou?

- Claro que eu me machuquei! Onde está o seu cavalheirismo? Pegue as minhas malas e coloque-as aonde eu dormirei – e assim ele fez, ou pelo menos tentou.

- O que tem aqui, bronze celestial? – perguntou ao tentar carregar uma das malas.

- Quê?

- Nada – o outro falou antes de ir ao encontro do gêmeo. – Ela é novata, Connor, seu babaca.

- Será que tem como você parar de me chamar de babaca? – perguntou com raiva enquanto ajudava o irmão a carregar as malas até uns 5 metros adiante, onde havia uma cama e uma cômoda muito, muito pequena.

- Bem, eu duvido que você consiga colocar todos os seus pertences aqui – Travis constou, batendo no móvel de quatro gavetas. – De qualquer maneira, bem vinda ao chalé 11!

- Obrigada – agradeceu a menina com um sorriso, ajeitando-se e ficando ereta. – Bem, meu nome é Annabeth Chase e eu sou novata indeterminada.

- Eu sou Travis – disse o garoto que lhe deu boas vindas. – E este é Connor, meu irmão babaca, nós somos filhos de Hermes – Annabeth riu enquanto os cumprimentava com um aperto de mão, eles pareciam nervosos e desconcertados.

- E Hermes é...?

- Deus dos Ladrões, dos mensageiros, do cajado da medicina e blá, blá, blá – Connor disse.

-Tudo bem, prazer em conhecê-lo, Connor, filho do Deus dos Ladrões, dos mensageiros, do cajado da medicina e blá, blá, blá – Annabeth riu sendo acompanhada por Travis.

- Também somos os conselheiros-chefes do chalé 11, então qualquer coisa é só chamar
– Travis piscou, fazendo Connor bater a mão em sua própria testa e Annabeth rir. Nunca recebera cantadas tão horrorosas.

- Ok, mas o quê é conselheiro-chefe? – os três saíram do chalé e os gêmeos explicaram tudo que podiam sobre o acampamento para Annabeth, e ela tentou assimilar ao máximo.

Ao retornarem ao chalé número 11, Annabeth tomou banho e demorou cerca de 20 minutos para escolher o quê vestir. Acabou optando por uma saia de cintura alta xadrez preta e branca, e uma blusa colada rosa escuro, os cabelos caíram alisados por seus ombros e calçou sapatos pretos de salto, finalizou com uma maquiagem decente e saiu do banheiro sendo xingada por pelo menos 5 pessoas diferentes pela demora e olhada – quase aplaudida – por alguns garotos.

Ela sorriu satisfeita.

Decidiu seguir Connor e Travis, já que os dois pareciam ser veteranos por ali. Os gêmeos não ficaram chateados com isso, pelo contrário, pareciam felizes e orgulhosos, como se pudessem pegar a garota e esfregá-la como um troféu na cara de todos dali.

Eles dirigiram-se para o pavilhão, onde era hora de jantar. Quando chegaram ao local, todos os que falavam se calaram, e Annabeth percebeu que todos usavam aquela mesma camiseta laranja de mais cedo, coisa que a garota se recusava a fazer. Por que raios havia um cavalo estampado nela?

Encontrou a resposta quando virou o olhar para frente, notando que Quíron, o simpático diretor ou quase isto, era um cavalo! Quer dizer, a metade de baixo do seu corpo era a de um cavalo e a de cima, um homem normal, o quê era tristemente assustador. A garota ficou em chore por vários segundos, parada, apenas olhando para a parte cavalo de Quíron.

Então ela foi literalmente puxada por Travis e Connor, que a colocaram na mesa do chalé 11 com certa brutalidade. Annabeth simplesmente ignorou isso, era uma novata, não deveria ser nojentinha e cheia de mi, mi, mi, e sim agradável e sociável, assim como sempre fazia em locais novos.

Quando olhou para o chão, a jovem percebeu duas coisas: amanhã de manhã ela não acordaria cedo para arrumar o cabelo e maquiagem, depois não arrumaria minunciosamente sua roupa, nem iria pra a escola. Amanhã ela estaria naquele lugar, com aqueles gêmeos legais, ainda sem saber quem é sua mãe. E se fosse mesmo Atena? Por que ela não a determinava de uma vez? Sentir-se-ia ao menos querida.

Estes pensamentos causaram uma tristeza instantânea em Annabeth, que desejou uma barra de chocolate para curá-la, mas não eram permitidas guloseimas no local, apenas frutas, verduras e legumes, coisa da qual ela não deveria reclamar, já que estava tendo a oportunidade de dieta que nunca conseguiu seguir.

Olhou para os lados, todos olhavam em sua direção e cochichavam, o quê aumentou sua tristeza. Ela levantou-se para ir embora, estava com raiva de sua auto psicanálise e queria voltar para casa. Pediu licença a todos e então saiu daquele pavilhão, ainda sentindo os olhares de todos sobre si.

Annabeth foi ao píer que conheceu horas antes e assentou-se na beira, tirando os saltos e voltando a pensar em todos os seus problemas: família, ausência da mãe e de amigos verdadeiros, problemas escolares – não sabia se iria voltar à escola, passar de ano, formar-se – como eles avaliavam no acampamento? Havia algum tipo de recuperação? Ela não sabia nada, quem diria a solução para seus problemas... Não aguentou segurar-se mais e começou a chorar, na tentativa de diminuir o sentimento instalado em seu peito.

- Ei, por que você está chorando?

- Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! – ela gritou indo para trás. Desde quando Percy saía da água daquela maneira? Aquilo foi assustador. Ele riu e pegando impulso na madeira com as duas mãos, assentou-se no píer.

- Tudo bem?

- Lógico que não! – ela respondeu. – Você quase me fez ter um infarto!

Percy estava sem camisa e sua bermuda caía pela cintura, de modo que a loira conseguia ver perceptivelmente o V no fim de seu abdômen. Por pouco ela se esquecia de seus problemas...

O jovem ficou um pouco mais ao lado dela, ignorando seu olhar e até mesmo seu grito.

- Você está bem? – ele perguntou demonstrando real preocupação, seus olhos verdes transmitiam aquela mesma coisa que ela viu quando os dois pararam no topo da colina, só que agora sem agonia, apenas a preocupação acolhedora.

- Sim, sim, estou bem! – Annabeth parou por um segundo. – E o quê você está fazendo?

- Nadando – Percy disse simples. – Eu sou filho de Poseidon, o quê você queria que eu estivesse fazendo?

- Ah, então os filhos de Poseidon nadam 24 horas por dia, eu não sabia!

- E eu não quis dizer isto, apenas quis ficar aqui, já que não estava a fim de jantar – os dois olharam para a lua, cheia e bonita, o céu estrelado, o som do mar bem leve surrando em seus ouvidos. Annabeth deu um sorriso de lado. Sentia-se melhor só de ver as estrelas com Percy.

- Você foi bem acolhida no chalé 11?

- Ah, sim, eles são pessoas muito simpáticas, quer dizer muitas pessoas simpáticas.

- Eu dei a ideia de você ficar comigo no chalé 3, só eu fico lá, sabe? – ele parou por um segundo. – Ninguém aceitou a ideia.

Ainda bem – pensou Annabeth. Ela não queria nem pensar no que poderia acontecer caso os dois ficassem juntos.

Percy olhou de relance para ela, era bom vê-la tentando se enturmar, ainda mais porque ela parecia o tipo de pessoa que não se enturma num lugar que não a reverencie, mas Annabeth estava provando o contrário. Ele olhou para os lábios tingidos com o batom rosa e se assustou quando viu a loira olhando em sua direção, um sorriso mínimo brincava em seus lábios.

Percy sorriu sem graça enquanto voltava com o olhar para o céu, ele nunca pensou em uma menina do tipo de Annabeth como atraente, nem ficou com qualquer garota do chalé 10, mas por algum motivo, a loira extrapolava todas essas “regras”. Por algum motivo Percy a achava muito bonita.

Ela moveu-se um pouco mais pro lado, de forma que ficasse ainda mais perto do rapaz. Olhando as estrelas, suas mãos de tocaram por míseros segundos e quando a loira, constrangida, tentou puxá-la de volta, Percy trouxe-a junto a sua novamente. Os dois permaneceram dessa forma por um tempo, Annabeth não fazia a mínima ideia de como o tempo corria, sabia apenas que adorava o peso da mão dele por cima da sua. Gostaria de ficar assim o resto da noite.

- Ei – Percy disse rouco. – Daqui a pouco vai começar a fogueira, eu te vejo lá, certo?

– Annabeth sorriu, mordendo levemente o lábio inferior.

- Certo.

Annabeth olhava curiosa para o rio, onde pareciam ter vários espíritos de mulheres nada de lá para cá, ela queria saber ao certo o nome daqueles espíritos. Por que não prestou atenção nas aulas de Mitologia Grega mesmo?

Percy se levantou, antes deu um pequeno, mas estalado beijo na bochecha de Annabeth, fazendo-a ficar totalmente vermelha. Quando ela pensou em falar alguma coisa ele já estava longe, andando e assobiando com a camisa no ombro. Ela sorriu largamente e ajeitou o cabelo, levantando-se também e indo na direção de todos do chalé 11. Quando Travis a viu, quase soltou fogos de artificio.

- Santo Hermes, Annabeth! Você sumiu, sabia?

- Eu dei tchau – ela respondeu com um sorriso de lado. Travis arqueou a sobrancelha, com um sorriso crescendo em seus lábios.

- Mas que sorriso feliz é este, hum?

- Quê? Qual sorriso? – Annabeth se fez de desentendida, Travis deu uma risada.

-Bem, eu tenho namorada, sabia? Eu conheço um sorrido apaixonado... – as bochechas de Annabeth ficaram vermelhas e sua mente extremamente curiosa. Como assim Travis tinha namorada?

- Como assim você tem namorada? – Annabeth olhou em volta. – Quem é ela? – Travis ficou atrás de Annie, colocando as mãos em seus ombros e falando em seu ouvido:

- Aquela ali – ele acenou com a cabeça para a mesa do chalé 4. – Ela é a conselheira-chefe.

- Katie Gardner? – perguntou abismada, algumas garotas do chalé 11 falaram que Katie era uma garota muito parecida com a mãe: Deméter, ou seja, muito organizada e responsável. Mas o que deixava Annie curiosa era saber o que ela havia visto em Travis, que era totalmente o oposto disso.

Depois de toda essa reflexão, Annabeth percebeu que o olhar de Katie estava em sua direção, ela tinha uma expressão assassina que fez a loira dar um sorriso enorme. Katie estava com ciúmes.

- Sua namorada está com ciúmes – Annabeth sussurrou para Travis, com um sorriso muito cafajeste que adquiria ao localizar ciúmes.

- Ah? É mesmo? – Travis deu uma mínima risada, mesmo assim parou por um segundo.
– De quem? De você?

- Exatamente.

- Santo Zeus! – Travis se separou de Annabeth, rindo. – Você está mentindo, não é? Já que você, bem...

- Bem...? – Annabeth cruzou os braços em cima do peito, olhando para Travis com uma sobrancelha arqueada.

- Bem, você é demais para mim, sabe... – ele riu rapidamente, os chalés estavam começando a subir para a fogueira. Annabeth riu também e então fez um gesto de “espera aí” para Travis e saiu correndo em direção à mesa número 4.

- Katie Gardner? – a loira perguntou com um sorriso amigável, em resposta recebeu uma feição séria.

- Sim, algum problema? – ela perguntou ríspida. Annabeth conteve a risada.

- Ah, bem, nenhum, eu só estava conversando com o Travis...

- Eu percebi.

- E bem... – Annabeth ignorou a rispidez. – Eu achei linda a forma como ele disse que te ama e que queria lhe dar flores, mas não consegue porque você conhece todas e nenhuma te deixaria realmente impressionada...

- Ele falou isto? – Katie parecia chocada. Annabeth assentiu, mordendo o lábio inferior.

- Eu acho você muito sortuda, era apenas isto o quê queria lhe falar, Travis é um bom cara – Katie riu com os olhos brilhando enquanto uma menina sussurrava em seu ouvido “Eu disse que ela não iria querer nada com ele”. Assentiu com a mão e gritou para Annabeth, que já tinha saído caminhando, para voltar até a ela.

- Ei, qual o seu nome?

- Sou Annabeth, Annabeth Chase – ela estendeu a mão para Katie que a cumprimentou de bom grado.

- Então, Annabeth, fique a vontade por aqui, ok? – ela piscou. – Indeterminada?

- Pois é.

- Espero que você vá para o chalé 4 – a menina do lado dela deu uma risada exagerada. Katie olhou para ela com raiva. – Enfim, te vejo por aí.

- Te vejo por aí – Annabeth respondeu voltando para o lado de Travis enquanto o chalé 5 saía em marcha para a fogueira. Travis mordeu o lábio inferior, vendo Annabeth voltar com um sorriso sapeca.

- O que você fez?

- Te deixei bem na fita com sua namorada, seu ingrato – ela sorriu e passou um braço pelo ombro dele e o outro pelo ombro de Connor. Seu humor aumentou 100%.

- E quem fez você ficar com tanto bom humor assim? – Connor perguntou com um sorriso de lado. Annabeth olhou para o lado, Percy estava apoiado em uma pilastra daquelas, seu cabelo molhado e bagunçado, os braços fortes cruzados em cima do peito. Ele olhou para ela e sorriu.

- Ninguém, Connor, seu babaca – Connor fez uma careta enquanto Travis e Annabeth riam, eles eram os últimos do último chalé a irem à fogueira. A loira quase morreu de susto quando alguém a puxou pela camisa, Connor e Travis olharam para Percy maravilhados, como se ele fosse algum tipo de herói que eles reverenciariam para sempre.

- Percy – ele coçou os cabelos negros, olhando para ela curioso. Connor e Travis não saíram do lado dela um minuto sequer.

- Bem, eu achei que talvez...

- Ah, claro, o nosso encontro... – Annabeth sorriu enquanto Travis e Connor ficavam boquiabertos, Percy ficou com as bochechas levemente vermelhas e os olhos arregalados de vergonha. – Eu só estou brincando gente – ela riu. – Ele é meu amigo, sabiam? Foi ele que me trouxe para cá.

- Sabíamos – Travis e Connor disseram em uníssono, meio que surpresos demais. Isso, assim como tudo quando se tratava do acampamento e pessoas envolvidas com ele, deixou Annie curiosa. Afinal, Percy era apenas um campista como qualquer outro, não era?

Percy enfim se pronunciou quando os gêmeos distanciaram-se deles.

- Tudo bem? – ele perguntou com um sorriso encantador. Annabeth deu uma risada.

-Percy, nós nos vimos meia hora atrás, você já me perguntou isso várias vezes hoje. As cosias não são tão ativas assim em minha vida — as bochechas dele ficaram vermelhas
– Desculpa.

Ele nada respondeu, apenas acompanhou-a em direção à fogueira, onde se assentaram ao redor. As músicas finalmente começaram a tocar e as lapidas de fogo ficaram cada vez mais coloridas, Annabeth estava fascinada, como se estivesse vendo uma série de fogos de artificio.

A fogueira ficou num tom totalmente avermelhado e todos chiaram. Annabeth não entendeu nada.

- O quê...?

- Quando ela fica totalmente avermelhada significa que a maioria dos campistas estão apaixonados – ele riu e Annabeth ficou ainda mais feliz, quase que automaticamente, suas mãos se encontraram novamente, eles seguravam-se com força, como se aquele fosse o último instante que poderiam aproveitar juntos.

A fogueira acabou e Percy saiu do local com Annabeth apoiada em seu ombro, suas mãos entrelaçadas, e caminhando com ele em direção ao chalé 11, a garota percebeu o quanto a arquitetura grega era romântica, e que não deveria pensar coisas assim, pois não estava apaixonada.

- Boa noite – o moreno avançou para lhe dar um beijo na bochecha quando ela se virou, acabando que o beijo foi em seus lábios, um selinho breve.

- Eh...

- Eh...

- Boa noite – Annabeth despediu-se, antes de sair correndo para seu chalé. Bateu a porta, fechando-a e percebeu que não havia nenhum campista por ali. Bando de apaixonados! Sorriu levemente, o acampamento meio-sangue parecia ser melhor do que ela imaginava.

*

A reunião dos conselheiros chefes acontecia naquele exato momento na Casa Grande, por isso nem Connor nem Travis estavam ali para ditar os afazeres do chalé, o que permitiu todos acordarem mais tarde. “Mas que raios é reunião dos conselheiros chefes na Casa Grande” foi tudo que se passou pela mente de Annabeth.

Explicaram-lhe que era uma reunião convocada para tratar de assuntos importantes sobre o acampamento, onde todos os conselheiros chefes de todos os chalés do acampamento eram reunidos e conversavam com Quíron e Sr. D. A resposta não foi muito clara, já que Annabeth, mais uma vez, não sabia quem era Sr. D.

A loira aproveitou, assim como todos os outros campistas, e tirou o dia de “folga”, mesmo sem ter feito alguma coisa nos outros dias em que estivera presente no acampamento, de qualquer maneira, não é como se ela se importasse. Sentia-se cansada de não ter feito nada e para descansar queria continuar dessa forma.

Ela andava em passos lentos em direção ao pavilhão, quando, sem querer, trombou com alguém. Vários livros voaram por vários lados diferentes, e ela se sentiu estúpida, já que como sempre, estava sendo a garota estabanada que sempre trompava com alguém. Isso acontecia no colégio, por que não no acampamento?

- Desculpa, eu não estava vendo nada – disse o garoto, abaixando-se e recolhendo os livros, Annabeth passou os dedos pelos cabelos, agachando-se e o ajudando.

- Sou eu quem tem que pedir desculpas! Eu sou estabanada que não olha por onde... Anda – ela parou no meio da frase ao notar o garoto em sua frente, ele era loiro como ela, assim como seus olhos cinza, a única diferença era que o da garota era cinza escuro, e os dele claro.

Parecia que só numa olhada em Annabeth o garoto havia entendido tudo e mais um pouco, de forma que ele ficou ereto e majestoso a sua frente ela.

- Meu nome é Malcolm, você deve ser a campista nova de que todos estão falando
– Annabeth arqueou a sobrancelha, estendendo a mão em um cumprimento.

- Que todos estão falando? – Malcolm riu e olhou para os lados, então ajeitou os livros.

- Você quer ir tomar um café comigo? – Annabeth riu.

- Você está meio que me chamando pra um encontro? – Malcolm riu nervosamente, como se aquilo fosse um pecado horroroso.

- Não, de forma alguma, tudo o quê quero é conversar. Você deve ter dúvidas sobre o acampamento e eu adoraria desfazê-las – Annabeth riu.

- Eu realmente sou uma pessoa curiosa – Malcolm ficou quieto e observou-a, agia como seu terapeuta, talvez ele até começasse a escrever as coisas que saem da boca da menina.

Os dois desceram até o pavilhão, onde Malcolm tirou todas as dúvidas que Annabeth tinha sobre o acampamento (e olha que não eram poucas), depois eles conversaram sobre livros (Annabeth lia muito, revistas de fofocas, mas lia), ele contou sobre os sérios problemas pelos quais o chalé 6 estava passando e disse que isto poderia ser um dos assuntos tratados na reunião, nenhum conselheiro chefe ficava a posto, ninguém aparentava gostar do pessoal do chalé 6, já que eles eram contra o “sistema” – outra dúvida para Annabeth tirar mais tarde. Acontecia o seguinte: ninguém tinha gênio, nem vontade de ser conselheiro chefe do chalé 6., coisa que Annabeth achou horrorosa.

Sem más intenções, Annabeth comentou sobre Percy, queria saber por que os Irmãos Stoll ficaram tão boquiabertos ao vê-lo com ela. Malcolm riu e então explicou uma coisa que Annabeth não gostou muito de saber:

- É que ele é meio que inatingível, vou ver se consigo te explicar o sistema do acampamento em poucas palavras: se tivesse uma pirâmide de popularidade ele estaria no topo junto com os “elitistas” – como eu gosto de chamar. Depois viriam os conselheiros-chefes, depois pessoas como eu, campistas determinados sem qualquer tipo de utilidade para o acampamento, e por último os campistas indeterminados.

- Tipo eu, estou na base desta pirâmide – Annabeth disse com nojo. Ela nunca era base de nada, odiava o fato de que nesta mesma pirâmide imaginaria Jackson estava no topo (e daí que ele era realmente legal e tinha uns lábios macios e gostosos de beijar? Ela ainda queria ser o topo!). Malcolm riu, o garoto não parecia ligar muito para a pirâmide imaginária que inventou.

- Ele está no topo porque é o mais poderoso por aqui, o que vai para mais missões e o caralho a quatro – Annabeth olhou para ele repreendedor, odiava quando as pessoas falavam palavrão, era feio. – E então por mais que ele goste de todo mundo e todo mundo goste dele, ele só tem tipo uma relação aprofundada com os elitistas, principalmente com Vic.

- Quem é Vic? – Annabeth não gostou de como a pronuncia do nome da garota saia em seus lábios, então já sabia que não gostaria dela.

- Uma filha de Afrodite de quem ele é muito próximo, é como se eles tivessem uma ligação empática, não entendo muito bem o que acontece entre dois. De qualquer maneira, ele também conversa com outros elitistas: Thalia, Nico, Clarisse, Zac – Annabeth estreitou as sobrancelhas.

- Todo mundo os chama de elitistas? – Malcolm riu.

- Só o chalé 6 – então ele riu mais um pouco, parecia orgulhoso. – Nós somos os únicos contra o sistema por aqui.

Annabeth entendeu. Ela pensou em como era justamente ao contrário antigamente, ela adorava o sistema, já que costumava estar sempre no topo, sem ser de longe uma pessoa ignorante. Mas agora a menina ia contra tudo isso, passou a odiar aquele sistema existente em todos os lugares do mundo.

Ela se despediu de Malcolm e foi andando sem ter exatamente o que fazer. Quando se deu conta estava de volta à área perto dos chalés e da Casa Grande, onde a reunião ainda rolava. Olhou pra lá enquanto andava, desejando ter visão raios-X e conseguir ver o que se passava por dentro. Não percebeu quando bateu em alguém novamente.

- Olha por onde anda, garota! Amassou minha roupa! – alguém gritou com um gritinho exasperado. Annabeth olhou para ela pasma, era a garota mais extravagante que ela havia visto na vida, e olha que tudo já fora observado por aquela em sites de moda, onde tinha o primeiro lugar como perfil mais popular, coisa da qual mais tinha orgulho de se gabar.

- Ah, só podia ser a garota nova! – Annabeth pensou no que havia feito para ela, nunca havia visto-a na vida (dava graças a Deus, ou Zeus, ainda não sabia direito, por isto). – Você fez de propósito, não foi? Está tentando atingir a Vic e a mim, mas não conseguirá, somos inatingíveis e Percy é o namorado dela. Acho que por você ser novata ainda não conseguiu entender, ele é D-E-L-A.

— Eu nunca disse que ele era meu – Annabeth foi tudo o que ela disse, recendo um sorriso irônico em resposta.

- Olha, eu sou Helena Dallas Condessa e ninguém fala comigo desse jeito desdém. Eu vi vocês dois ontem naquele píer, realmente ridículo! – o sangue de Annabeth esquentou de modo que suas bochechas ficaram vermelhas. Helena riu novamente.

- O que você vai gostar de saber é que Percy saiu em missão, e sabe qual era a missão dele? – ela não esperou Annabeth responder. – Ele foi até uma escola estúpida, onde tinha que fingir ser amigo de uma garota mais estúpida ainda para conseguir trazê-la facilmente ao acampamento, coisa que Grover não conseguiu. E sabe o que fui tudo o quê aconteceu com essa pobre garotinha? Teatro.

Annabeth queria chorar. Esta menina tinha o discurso preparado na ponta da língua, deveria estar treinando-o deste que viu a loira com Percy. Mas Annabeth também havia sido treinada para isto, treinada por Drew, a melhor que todas as garotas víboras.

- Então querida, você também deve saber que esta campista está louca pra esfregar sua cara cheia de maquiagem barata no chão? – Annabeth fez um estalo com a língua. – Olhe pra você! Você é ridícula, essa sua roupa colorida da Black Angel é de 2007, sua maquiagem foi feita para de palhaços. Você acha mesmo que eu ligo para o quê você diz? Você acha mesmo que eu ligo pra aquele menino ridículo que nem sabe diferenciar Capricho de Vogue? Vê se se enxerga garota. Eu sou Annabeth Chase, posso não ter Condessa no nome, mas sou mais realeza que você – Helena parecia ter comido comida estragada. Annabeth mordeu o lábio inferior, a conhecida por discursos humilhantes do colégio era Drew, mas era bom variar às vezes. Bem terapêutico.

Quando ela olhou para trás sorrindo, avistou todos os conselheiros chefes saindo da Casa Grande, inclusive Percy. Ele estava rodeado por dois meninos morenos e uma garota ruiva.

- Com licença – Annabeth pediu, ajeitando a própria saia. – Eu tenho que resolver umas coisas.

A menor percepção da garota, Annabeth estava bem à frente de Percy. A menor percepção do garoto, ele já havia ganhado um tapa estalado e bem dado na cara. Todos gritaram exasperados.

- Então esta era sua missão? Fingir ser meu amigo? – Annabeth olhou para todos ali confirmando que todos já sabiam de tudo. Ela riu, jogando o cabelo para trás, sentindo o olhar de pesar e culpa de Percy sobre si. – Pois saiba que a missão está cumprida, heroizinho. Só faz mais uma coisinha, tá? Não olha mais na minha cara!

- Annabeth...

- Cala a boca! – Percy não olhava para ela, nem ninguém ali, e os gritos exasperados não eram por causa do tapa, mas sim por causa que do símbolo brilhando acima de sua cabeça. Ao olhar para cima, Annabeth gritou de susto, havia uma coruja cinza de luz brilhando em cima de sua cabeça!

Quíron abria espaço no meio da multidão, o que não era difícil já que ele era metade cavalo, metade homem. Então ela não sabia de mais nada, não via mais nada, só ouviu uma coisa:

- Salve Annabeth Chase, filha de Atena, a Deusa da sabedoria e da estratégia em batalha

Notas finais
E agora? O que acontecerá com Annabeth sendo campista determinada? Quem achou que Atena a determinou rapidinho, aí? Hã? kkk Saibam que tem um motivo para isto tudo.
Enfim, deixem seus reviews e façam a autora feliz, nada de fantasminhas, ok?
Beijos e até o próximo!!